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Delito de Opinião

O ano que passou em poucas palavras

Pedro Correia, 16.01.11

 

 

Em 2010, certas palavras e expressões entraram no léxico corrente, à escala internacional, e algumas delas tornaram-se até substantivos comuns. Essas palavras traduzem muito do que foi o ano passado, para além da inevitável e insuportável crise económica.

Eis cinco delas:

 

Vuvuzela - Este irritante instrumento de sopro assombrou os jogos da fase final do campeonato do mundo de futebol, disputado na África do Sul. De repente, em poucos dias, milhões de vuvuzelas saltaram das bancadas desses estádios para os vulgares cenários do nosso quotidiano, afastando-nos ainda mais um pouco de um bem que se tornou muito escasso: o silêncio.

 

Eyjafjallajökull - Nome do vulcão islandês que despejou cinzas nos céus da Europa, perturbando durante vários dias as ligações aéreas no Velho Continente. A palavra é quase impronunciável mas este vulcão confirmou a urgência de intensificar alternativas ao transporte aéreo num ano em que os aeroportos também foram afectados pelo mau tempo e pela greve selvagem dos controladores de tráfego aéreo espanhóis.

 

Tea Party - Há quem os acuse de ter uma imensa falta de chá, ao contrário do que o nome indica, mas a verdade é que os conservadores norte-americanos agrupados nesta sigla com crescente impacto mediático demonstraram em 2010 que vieram para ficar, influenciando as primárias do Partido Republicano nas eleições intercalares em que Barack Obama perdeu a maioria na Câmara dos Representantes. Voltaremos a ouvir falar muito deles em 2011 e 2012.

 

Bunga bunga - Era uma espécie de código sexual que servia de senha a certas amigas de porte duvidoso do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. As revelações do mais recente escândalo protagonizado pelo empresário de Milão que metade de Itália ama e outra metade odeia trouxeram este termo para a praça pública. Continua a ignorar-se ao certo o que significa, mas passou a andar na boca dos italianos. E não só.

 

WikiLeaks - Pode uma organização virtual, acerca da qual pouco ou nada se sabe, constituir uma ameaça para a segurança dos estados contemporâneos, dinamitando o segredo das malas diplomáticas em nome da necessidade de tornar tudo "transparente"? A resposta é afirmativa. E resume-se numa palavra que percorreu 2010: WikiLeaks. Se a política é a arte do possível, a diplomacia internacional perante a ameaça permanente da quebra do sigilo tornou-se uma tarefa quase impossível. Algo sem dúvida preocupante. Porque a alternativa à diplomacia costuma ser a guerra.

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