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“Cavaco Silva é um político profissional – mas às vezes não parece. Era evidente que, na campanha eleitoral, iria ter de explicar muito bem as suas relações com o BPN e os detalhes do negócio em que comprou e vendeu acções da SLN. É básico: em democracia, os candidatos a cargos públicos devem contar aos eleitores, com detalhes, toda a sua vida financeira. Por isso, devia ter-se preparado para responder às dúvidas, às suspeitas e até às acusações – com factos, com argumentos e com documentos. O problema é que Cavaco Silva acha que está acima disso.”
“Quando diz que os seus adversários teriam de “nascer duas vezes” para “serem mais honestos” do que ele, mostra presunção; quando equipara todas as dúvidas sobre o seu percurso a “uma campanha suja”, revela insensatez; quando qualifica as intervenções de adversários como “tretas” e “larachas”, exibe desespero.”
“Enquanto Cavaco Silva não explicar muito bem as suas ligações (ou a falta delas) ao Banco Português de Negócios, o assunto vai voltar a ser falado – uma vez, e outra, e outra, até que finalmente, exausto e farto, o candidato será obrigado a reconhecer que o tema merece comentário. Aí, será demasiado tarde.”
Editorial, Sábado, 29/12/2010