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Presidenciais (8)

por Pedro Correia, em 28.12.10

 

 

Debate Defensor Moura-Fernando Nobre

 

Nunca se viu um debate assim: dois candidatos presidenciais que vão defrontar-se nas urnas tratarem-se amavelmente por "colegas". Aconteceu ontem à noite, na RTP, no frente-a-frente que reuniu Defensor Moura e Fernando Nobre, ambos médicos. Parecia mais um debate para o cargo de bastonário da Ordem dos Médicos do que um debate presidencial. Sem dúvida o mais frouxo e desinteressante desta campanha.

Nobre plagiou-se a si próprio, reiterando frases de outros debates. Afirmou-se "isento" e "suprapartidário", ao contrário de todos os outros. Com algumas notas de manifesto exagero: disse três vezes, por exemplo, que tem "conhecimento do mundo". Não havia necessidade...

Defensor, por seu turno, nada conservou da atitude agressiva do anterior debate, travado com Cavaco Silva. O "colega" Nobre mereceu mais consideração ao antigo deputado do PRD de Ramalho Eanes e actual parlamentar do PS de José Sócrates que antecipa já o voto em Manuel Alegre numa eventual segunda volta. Diz que corre para diminuir a abstenção com as suas proclamações regionalistas. Cada vez se parece mais com o candidato do queijo da Serra, embora neste caso seja preferível chamar-lhe candidato do queijo Limiano por uma questão de afinidade regional.

Há quem se queixe de não ouvir propostas nesta campanha. Nobre deixou uma, que a moderadora, Judite Sousa, entendeu não explorar: "Vou abrir Belém." Instituindo "um dia, todos os três meses, para que a população portuguesa possa falar com o seu Presidente". Foi pouco, mas neste debate foi o melhor que se arranjou.

Defensor teve o seu momento alto da noite quando dirigiu esta estocada ao "colega" por interposto progenitor: "Ao contrário do pai de Fernando Nobre, que dizia que a política é uma porcaria, o meu pai foi mandatário de Humberto Delgado." O pior? O prolongamento da sua lamentável prestação no debate com Cavaco. Nestes termos mais próprios de um candidato camarário do que de um candidato presidencial: "Depois do debate com o candidato Cavaco Silva recebei telefonemas [de pessoas] do PSD apoiando-me por eu ter tido a coragem de ter dito ao candidato Cavaco Silva aquilo que dentro do partido dele nunca tiveram coragem de dizer." Eis como as declarações sussurradas de uns cobardes assumidos podem ser transformadas em pseudo-trunfo eleitoral...

A moderadora quis saber o que pensa Nobre sobre as supostas ligações de Cavaco ao BPN. A resposta foi sucinta e correcta: "Eu não faço ataques ad hominem. A justiça portuguesa existe para actuar."

São colegas, mas há contrastes evidentes entre eles. Como este maçador debate claramente demonstrou.

 

Vencedor: Fernando Nobre

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Defensor - Saúdo a chegada do meu colega à vida política activa. Saúdo o seu idealismo e a sua vontade de mudar.

Nobre - Cavaco Silva não é o meu principal adversário. (...) Eu estou aqui para ir à segunda volta e vencer Cavaco Silva na segunda volta.

Defensor - Tenho a consciência de que as pessoas não me conhecem.

Nobre - O BPN é uma tragédia nacional.

Defensor - Eu, como a maioria dos portugueses, tive uma educação cristã e, como tal, aprendi a dar com a mão direita sem a mão esquerda saber. Agora, infelizmente, costuma-se dar com a mão direita e ter uma campainha com a mão esquerda a dizer que se está a dar.

Nobre - Eu não digo coisas no ar, digo coisas concretas.

...............................................................

 

A 'gaffe':

 

"O meu eleitorado será preferencialmente de abstencionistas."

Defensor Moura

 

Nota: por motivos de ordem técnica, só agora pude publicar este texto, escrito ontem à noite


49 comentários

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De José Manuel Faria a 28.12.2010 às 11:25

"Ao contrário do pai de Fernando Nobre, que dizia que a política é uma porcaria, o meu pai foi mandatário de Humberto Delgado."

- Evocar os pais como um sinal de propaganda em benefício próprio, é jogo sujo (porcaria política).

- Ao contrário do teu pai que foi fascista, o meu lutou contra o fascismo.

Penso que foi o pior momento de Defensor Moura.
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 11:39

Como é óbvio, foi com ironia que me referi ao 'momento alto' dele.
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De José Manuel Faria a 28.12.2010 às 12:10

Fui apanhado e logo eu, que gosto de ironia.
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 14:26

Do Defensor, o melhor a esperar... é sempre o pior.
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De Joana Lopes a 28.12.2010 às 11:57

Ó Pedro, conseguiu encontrar um vencedor! Os meus parabéns, porque o debate foi um disparate quase do princípio ao fim...
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 14:19

Digamos que achei Nobre o menos mau.
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De Pedro Almeida a 28.12.2010 às 13:33

Este Nobre é melhor que o Obama!
Ganhou os debates todos!!!

No mínimo vai ter um resultado em torno dos 80%
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 14:20

Tentei saber o que pensa sobre as presidenciais mas visitando o seu blogue percebei que não 'fura' nada desde Setembro, o que não abona muito a seu favor.
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De lobo da gardunha a 28.12.2010 às 13:52

Sobre o debate dos candidatos a Presidente da República, "Defensor de Moura - Fernando Nobre", passem pelo

http://o-andarilho.blogspot.com

e vejam o nosso comentário à desastrosa intervenção de Defensor de Moura
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 14:20

Sempre pertinente, o Andarilho.
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De a.marques a 28.12.2010 às 14:21

ABSTENCIONISTAS O QUÊ ?
Saiba o candidato Defensor Moura que eu, potencial abstencionista, duvido da legitimidade do estatuto atribuído á figura da abstenção no nosso ordenamento político e na arquitectura do sistema eleitoral com reflexos que poderão roçar o fraudulento na contabilidade dos votos. A dignidade de uma consciente abstenção, creio só poder ser assumida se exercida presencialmente com um campo para o efeito (X) em cada boletim de voto. Qualquer cidadão para se abster (querendo) em consciência, só o poderá fazer no acto, com expressa, legítima, individualizada e inconfundível vontade, não podendo tão caracterizada opção misturar-se em corrente avulsa com brancos e nulos, e muito menos por ausências nas urnas. Os nossos ilustres deputados na AR se pretenderem abster-se tem que estar presentes, apesar da cerceadora e vergonhosa disciplina partidária a que se submetem. Tem aqui o ilustre candidato Defensor (e todos os outros) uma boa oportunidade para se definir a este propósito. Este candidato que se propõe arrebanhar os votos abstencionistas " queira fazer o favor de elucidar um vulgar cidadão (a quem muitas vezes os políticos chamam índios) relativamente ás dúvidas agora levantadas. Está de acordo com a situação vigente, ou iniciará uma cruzada para que se chamem as coisas pelos nomes e propondo ele próprio a eventual correcção e reclamada tranparência . Será desta que alguém do status político se digna prestar um esclarecimento sobre uma determinada visão na "praça pública" ? Por mim carregado de dúvidas fica a promessa . Se o candidato Defensor emitir o seu posicionamento a este propósito, nem que se limite a dizer que esta questão não tem por onde se pegue quebro uma promessa e votarei Defensor. Em alternativa e na dúvida de abstenção ou absentismo ficarei de fora! O Delito de Opinião seguramente que autoriza. Apareça por cá Doutor.
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 16:41

Não tarda nada está aí.
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De pedro miguel a 29.12.2010 às 00:00

ora aqui está um comentario digamos pedagogico embora nao sucinto. Sou abstencionista, e tenho lido muitos comentarios sobre as "dificuldades" que o abstencionista votante, mas nao só, tem para que o seu acto/intenção seja interpretado como tal. Resumidamente: existe o perigo de que os votos brancos possam ser preenchidos e os votos danificados são só nulos, e até muito mal vistos, como é evidente. Por minha conta, também já pensei em "alternativas", como foi haver no boletim uma coluna para o efeito. O que continuo sem conhecer verdadeiramente é a versão do Poder e porque não facilita o voto branco. Ou seja, não tendo o comentario do a. marques, esse proposito, poderia ter acontecido nesse um contributo no sentido de revelar porque não querem legalizar o voto branco ?
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De a.marques a 29.12.2010 às 07:57

Um conjunto de dúvidas existe, onde se incluem com toda a propriedade as que refere. Curiosamente o poder e adjacências nem miam a este propósito. Quero dizer que pelo menos a 1 órgão de soberania, pelo menos a 1 partido e pelo menos a um badalado comentador já solicitei que se pronunciassem sobre o assunto, para além de diversos comentários on-line. Tudo caiu em saco roto e assim se verifica a importância que conferem á badalada e falsamente requisitada participação cívica do cidadão. E ninguém dos instalados no sistema se chega á frente.
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De maria vai com as outras a 29.12.2010 às 12:21

Muito bem pensado. O voto em branco deveria valer para alguma coisa. Ora se eu voto em branco é porque não me revejo nos candidatos que vão a votos e nas suas ideias(ou falta delas), que é o caso. Vou votar em branco, é um direito em Democracia. Mas onde está essa democracia, se o meu voto não vale nada, ou é aproveitado para outros fins? eu que não entendo nada disto, estou confusa, com esta palavra Democracia!
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De Pedro Correia a 31.12.2010 às 20:24

Votar em branco não serve de nada numas presidenciais. Não chega sequer a ser contabilizado para efeitos de percentagem global.
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De lobo da gardunha a 28.12.2010 às 14:34

. . . e atento a certos políticos
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 16:40

... e muito bem.
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De Zélia Parreira a 28.12.2010 às 18:00

Adorei a gaffe. À altura do seu autor.
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De Pedro Correia a 28.12.2010 às 18:08

É uma 'gaffe' deliciosa. Digna de quem faz votos para não ser eleito.
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De pedro miguel a 28.12.2010 às 23:46

o Pedro tem a profissao ou a missao de escrever, genero obrigação. Porventura "obrigado" por leitores habituados. Nesta medida, nao sei que diga, agora que li o post. Se disser que nem é peixe nem carne, que nao acrescenta nem diminuiu, o que quer que diga ( tudo o que é dito, por cada um) é passivel de qualquer "resposta". Decerto os leitores habituais percebem o que o Pedro escreve e onde quer chegar. Eu é que tenho o comodismo de pensar que quem faz blogues afirma qualquer coisa, mesmo que a duvida. Quero dizer, que o escrito (post) conteste ou apoie, que afecte o leitor. Como disse, ou digo agora, escrever e todos os dias e para os outros será tarefa louvável. E é necessário que haja quem escreva. Do mesmo modo importa que afecte quem lê. Ou seja, se o pedro correia não fosse o blogue e sim um comentador , como estou a ser, perguntaria, mais que isso, que é isso de os candidatos a presidentes terem propostas ??? Se calhar o Pedro já escreveu sobre o assunto, explicando, mas para adultos, o que são propostas de candidaturas presidenciais. Para que se perceba, ou para que o Pedro entenda, que os presidentes eleitos, aqui e no mundo, estão eleitos antes mesmo sequer de serem candidatos. Cada um dos candidatos será sério, mas a eleição é, como antes, uma treta. Por isso pergunto, se não valia mais especular sobre quantos cabelos brancos tem um ou quantas rugas tem o outro...
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De Pedro Correia a 29.12.2010 às 00:41

Vale a pena, por exemplo, ponderar nas vantagens da monarquia sobre o sistema republicano? Ou prefere antes um Presidente que não seja eleito por sufrágio popular?
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De pedro miguel a 29.12.2010 às 15:07

Olá. Apesar de nao invejar ninguém, inclusivé quem tem preferencias e mesmo certezas, e conformado porque os demais paises também têm presidentes (e ou reis), porque nao ser a assembleia da republica a eleger o presidente ?
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De Pedro Correia a 31.12.2010 às 20:25

Nem pense nisso. Então eu iria delegar em alguém como Defensor Moura a escolha do Presidente quando a Constituição diz que devo ser eu a fazer essa escolha?
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De Anónimo a 29.12.2010 às 00:16

Certamente o meu voto será NÃO VOTAR !
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De Pedro Correia a 29.12.2010 às 00:39

É monárquico?
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De Júlio Santos a 29.12.2010 às 03:18

Viva!
Devo dizer que não percebo o porquê de acharem as bocas de Defensor Moura pouco dignas de um debate presidencial. No meu entender é menos digno o conteúdo da boca, ou seja, a negociata em que do nada se ganham +/- 150.000eur . É Claro que isto é um ganho só ao alcance de presidentes, mas ainda assim num plano em que o ladrão e o presidente parecem vizinhos.
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De Pedro Correia a 29.12.2010 às 10:26

Talvez o espanto decorra do facto de Defensor Moura, enquanto deputado socialista, se ter distinguido por não ter aberto a boca na Assembleia da República. Teria sido um excelente palco para denunciar tudo quanto diz saber, no momento próprio e não em diferido.

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