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A decisão que saiu da concertação social em matéria de salário mínimo concretiza um abuso e uma falta de respeito. A única questão pendente era saber se o Governo cumpria (mais) uma promessa que foi objecto de um acordo celebrado com os parceiros sociais. Não estava em causa a utilidade da existência de um salário mínimo, independentemente do seu valor. É certo que não falta por aí quem se entretenha a terçar armas defendendo uma das posições possíveis em matéria de enquadramento teórico. A discussão é interessante. Na prática, todavia, é ponto assente que, em Portugal, existe um salário mínimo fixado anualmente. E que estava previsto que ele fosse de 500€ em 2011. Em conclusão, esta é mais uma estação de um longo e penoso via crucis de incumprimento de promessas e de retrocesso em medidas já aprovadas. Igual a si próprio, todavia, o Primeiro-Ministro, acompanhado pela sua trupe de malabaristas, não teve coragem para reconhecer isto com frontalidade. Por isso, à sombra de parceiros mais ou menos previsíveis, encontrou uma nova forma de aumento: a actualização gota a gota. Como bem se percebe, chegar a 500€ em Outubro (veremos se vai ser assim) é dizer que o salário mínimo em 2011 andará próximo, em média, de 490€. Tentando evitar o reconhecimento óbvio de mais um falhanço, Sócrates brinca com os portugueses que o recebem. Para poder dizer que em 2011 o seu valor chegará aos 500€, vai-lhes atirando ao longo do ano uns amendoins. Utiliza-os como joguetes, procurando fazer deles a peneira que tapa a sombra do seu insucesso. Este é, importa não esquecer, o Primeiro-Ministro que afirma, do alto da cátedra da superioridade moral, que não utiliza os pobres como arma de arremesso político.


13 comentários

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De João Carvalho a 23.12.2010 às 11:21

Muitos pobres ele já não utiliza de facto. Já utilizou e ficaram pobres.
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De Rui Rocha a 23.12.2010 às 12:15

O famoso toque de Sócrates, de sentido contrário ao de Midas.
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De João Carvalho a 23.12.2010 às 12:24

Precisamente.
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De Anónima da Silva a 23.12.2010 às 12:06

E que Faz Cavaco Silva?
Assobia para o lado?
Ou come mias uma fatia de bolo-rei?
Não é ele que diz que ....para o Páis...e tal....
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De Rui Rocha a 23.12.2010 às 12:16

É ele, AS. Mas, com todas as culpas que lhe possamos assacar, não me parece que tenha que responder por toda a demagogia e cretinice de Sócrates. Afinal de contas, este foi eleito ainda há pouco tempo, lembra-se?
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De Anónima da Silva a 23.12.2010 às 12:19

Tem razão, Rui.
São vários os responsáveis do PS, do PSD e do CDS.
Mas aposto que a culpa fica solteira!
Nem em união de facto a querem!
Mas não desanime e vá "postando"....
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De Rui Rocha a 23.12.2010 às 12:23

Nem na alegria, quanto mais na tristeza. Postarei.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 23.12.2010 às 14:27

Quinhentos euros! quem é que pode sustentar uma vida, com tal verba por mês? E se tiver que sustentar uma familia, então é impossivel.
Sou pela economia de mercado, sou um pequeno empresario, mas ver pessoas que facturam e ganham milhões de euros todos os anos dizerem que não é possivel pagar 500 euros a um empregado, acho que é inqualificavel.
Sei por experiencia propria o que são apertos de tesouraria, fins do mês tragicos em que teem que se contar todos os tostões, mas quem diz que não pode pagar 500 euros aos seus empregados, não é empresario digno desse nome.
É por estas e por outras parecidas que BE+PCP=20% das intensões de voto.
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De Rui Rocha a 23.12.2010 às 14:58

Para além da sua argumentação, ACS, que respeito, o que me parece execrável é utilizar um salário tão mínimo como veículo de demagogia.
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De Pedro Correia a 23.12.2010 às 14:57

Patamar zero de ética política. Quebra total dos compromissos estabelecidos com o eleitorado. Desprezo profundo pelos mais pobres, que trata com uma arrogância desmedida. Por isso há cada vez menos quem o defenda. Na blogosfera, por exemplo, quase só os assalariados dele ainda lhe entoam loas.
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De Rui Rocha a 23.12.2010 às 15:01

Até a alguns desses ainda veremos números fantásticos de contorcionismo, Pedro.
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De manuel menezes a 26.12.2010 às 17:25

Não seria de esperar outra coisa deste Governo, concorde-se ou não com a actualização da remuneração mínima garantida. O Governo segue o rumo dos que nele mandam, seja em Portugal seja na UE, não tem estratégia, não tem objectivos, não tem plano, não tem nada. Vai dizer que cumpriu, naturalmente: a RMG vai ser de 500 euros em 2011, só que em Dezembro e não em Janeiro. Alguém se recorda do mês em que tal ocorreria ter sido objecto de negociação com os parceiros sociais...?
Uma nota final: acho que vem aí um novo estilo de comunicação por parte do Primeiro Ministro, não no conteúdo, mas na forma: não repararam quão diferente suou a mensagem de Natal do dito?
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De Rui Rocha a 26.12.2010 às 17:54

Concordo inteiramente consigo, Manuel. Bem pertinente a sua observação sobre o novo estilo de Sócrates.

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