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Presidenciais (5)

por Pedro Correia, em 21.12.10

 

  

Debate Cavaco Silva-Francisco Lopes

 

Aníbal Cavaco Silva, que há cinco anos jurou defender a Constituição, garantiu esta noite aos portugueses que Portugal não é um país totalmente independente. Há qualquer coisa de paradoxal nesta declaração: um dos deveres do Chefe do Estado consignados na lei fundamental é garantir a independência nacional.

Confusão do candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS? Esta é a hipótese mais benigna - e funciona a crédito do opositor de Cavaco no debate da TVI, moderado por Constança Cunha e Sá. Francisco Lopes foi assertivo e contundente. Depois de um começo titubeante com Fernando Nobre e de ter revelado excesso de nervosismo frente a Manuel Alegre, o comunista esteve agora claramente melhor. Colou ao Executivo socialista o Presidente que se gaba de nunca ter vetado um diploma do Governo e incomodou Cavaco com uma alusão ao caso Banco Português de Negócios no dia em que se soube que o Governo tem a intenção de injectar mais 500 milhões de euros nesta entidade falida. Sem meias palavras, lembrou que o ex-presidente do BPN foi "colaborador de Cavaco Silva e financiador da sua última campanha legislativa".

O tema BPN é nesta campanha claramente o mais incómodo para Cavaco, que agora promete empenhar-se numa "magistratura activa" - o que indicia que terá pecado por passividade nestes seus cinco anos em Belém. Foi, de resto, muito curioso ouvi-lo hoje gabar-se dos seus méritos enquanto primeiro-ministro, entre 1985 e 1995, como se estivesse em causa uma eleição legislativa e não a sua eventual recondução na Presidência da República. Curioso e sintomático.

Lopes foi também eficaz na forma como incluiu Cavaco entre os responsáveis desta crise. "Houve uma acção estratégica com o pior da política do actual governo", declarou o comunista. No próximo ano - acentuou - "milhões de portugueses vão ficar mais pobres." E concluiu: "[Cavaco] foi a voz não de Portugal, mas dos especuladores".

Cavaco Silva, procurando olhar de frente as câmaras, acusou o comunista de "repetir sempre as mesmas palavras". Na sua perspectiva, "o futuro de Portugal não se trata com radicalismos, com extremismos, com ilusões, com retórica". Aqueles que - como o candidato do PCP - "insultam os mercados internacionais estão a prejudicar seriamente o País e a lançar mais trabalhadores no desemprego". Faltou-lhe esclarecer os eleitores como é que Portugal ficará melhor com o Orçamento do Estado para 2011, que ele tão categoricamente apadrinhou. Um orçamento que introduz cortes no subsídio social de desemprego e no abono de família, entre outros, à revelia de tudo quanto o Governo havia prometido.

Foi quase como se José Sócrates estivesse neste debate por interposta pessoa. É incómodo para Cavaco, certamente. Mas as coisas são o que são.

 

Vencedor: Francisco Lopes

 

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Cavaco - A situação financeira do País é crítica. Exige um Presidente com muitos conhecimentos.

Lopes - O Orçamento do Estado para 2011 é um pacote de afundamento e agravamento das injustiças sociais.

Cavaco - Os portugueses não esquecem quem criou o 14º mês para os pensionistas, quem integrou os trabalhadores agrícolas no sistema geral da segurança social, quem pôs fim a 65 mil salários em atraso na península de Setúbal, quem trouxe a Autoeuropa para Palmela. Quando saí do Governo a dívida externa líquida de Portugal era zero.

Lopes - O povo português não esquece que foi Cavaco Silva quem disse que Portugal iria integrar o pelotão da frente da União Europeia. Estamos no pelotão da frente do desemprego, da decadência, da destruição do aparelho produtivo. Quem assume a responsabilidade por Portugal estar na cauda da Europa?

Cavaco - O futuro de Portugal não se trata com radicalismos, com extremismos, com retórica, repetindo sempre as mesmas palavras. (...) Eu considero-me uma pessoa responsável. Não quero lançar mais portugueses no desemprego. Deus nos livre se o Presidente da República não medir as palavras que usa.

Lopes - Quem não mediu as palavras suficientemente sobre os mercados foi o candidato Cavaco Silva.

 

...............................................................

 

A 'gaffe':

 

"Nenhum país da Europa é totalmente independente. Somos todos interdependentes."

Cavaco Silva

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45 comentários

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De Carlos S. Campos a 21.12.2010 às 22:14

Sr. Pedro: depois das suas inesquecíveis "10 razões" e deste glorioso post, eu acho que já não é o Alegre quem vai ganhar as eleições, mas o Chico do PC.
Aleluia!
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 22:16

Sr. Carlos: a quanto estão hoje os nabos aí no seu lugar da hortaliça?
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De artur mendes a 21.12.2010 às 22:47

Este Pedro Correia é o máximo ...
Cavaco não ganhará nenhum debate...
O homem já perdeu!!!
Força Correia... 67% do Povo não está contigo !
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 22:50

Tenha calma, não se excite. Por enquanto o seu candidato ainda só perdeu dois debates. Quanto aos 67% antes da votação, lamento informá-lo que Portugal ainda não é a Bielorrússia.
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De Anónimo a 21.12.2010 às 22:37

"surpreendemente" ganhou o xico lopes..ihihihihihhi
Coitado do cavaco...na opinião deste "cavaco entalado" até com o tino de rans perderia uma qualquer troca de impressões.
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 22:51

Profundo, o seu comentário. Está a bordo de um submarino?
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De o puma a 21.12.2010 às 22:56

Cavaco tem o apoio de Sócrates

que só assim poderá ser demitido

alegremente
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 23:00

Tanta defesa do orçamento para 2011 só pode indiciar que a 'cooperação estratégica' está melhor que nunca. Não foi por acaso que o PR nunca vetou uma lei do Governo em cinco anos de mandato.
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De Rogerio Pereira a 21.12.2010 às 23:09

Da sua análise
Há uma enorme confusão
Aquilo não foi gaffe
É mesmo convicção

"Perder a independência?
É a vida,
tenham lá paciência"
(Estas palavras Cavaco não disse, mas não estranharei se as vier a dizer...)

Bom post (embora haja por aí quem não goste...)
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 23:28

Se não houvesse quem não gostasse é que muito me espantaria. Aqui entre nós: nunca imaginei ouvir um chefe do Estado português dizer que Portugal não é um país verdadeiramente independente. Qualquer português pode dizer isto menos o Presidente. Que também pode, mas seguramente não deve.
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De Ana Duarte a 21.12.2010 às 23:36

Tem toda a razão, Pedro. Se há coisa que um presidente não pode admitir é uma coisa dessas.
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De Pedro Correia a 21.12.2010 às 23:41

Obrigado, Ana. Acho verdadeiramente espantoso que o CDS, por exemplo, assista impávido a esta declaração do seu candidato sem se indignar, tendo em conta a profissão de fé soberanista que o partido foi tendo em diversas fases do seu historial.
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De António Manuel Venda a 21.12.2010 às 23:55

Pedro, entre os dois venha o diabo e escolha. De qualquer forma, eu pensava que Cavaco ganharia facilmente a Francisco Lopes; mas não, Francisco Lopes é que ganhou, e nas calmas. Houve mesmo alturas em que chegou a ser penoso ver as figuras tristes que Cavaco ia fazendo.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 00:12

Anotei também a "eloquência" com que o candidato do PSD e do CDS se referiu ao caso BPN, António. Totalmente esclarecedor.
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De P.Fragoso a 22.12.2010 às 00:35

Caro Pedro,

Lopes entrou a matar com o caso BPN e Cavaco desorientou-se. Recorrer a argumentos da década de 80 e acusações de extremismo só provam o desespero de Cavaco no debate. Isso e não ter respondido ao caso BPN. É o tal jornalismo suave que Cavaco bem conhece e aprecia no seu maior esplendor. Cavaco chegou a mesmo a ser insultuoso ao afirmar que há muitos políticos que falam muito de mercados mas que não percebem nada disso e que devemos ouvir os economistas de serviço. Sem nunca especificar. Aliás, uma característica de Cavaco: inventar sempre um desculpa elegante para não falar.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 00:40

Pois. Também lhe ficou muito mal sublinhar que FLopes é deputado depois de acentuar que o OE 2011 foi aprovado pelo Parlamento, dando assim a entender que o representante do PCP também fora co-responsável pelo orçamento.
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De Paulo Sousa a 22.12.2010 às 00:46

O mandato presidencial que em breve terminará constitui uma excelente imagem da política que se faz em Portugal há bastantes anos. Todos os políticos do 'arco do poder' pretendem alargar a sua base de apoio e por isso tem fobia às rupturas e preferem largamente uma paz podre a um combate limpo.
Foi assim o mandato de Cavaco. É católico, 'graças a Deus', dirá, mas promulgou sem questionar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Usa da palavra como instrumento da magistratura de influência, e durante cinco anos cooperou com o Governo na criação de condições para o regresso do FMI.
Lamenta a situação a que chegamos, queixam-se das limitações do cargo que ocupa, para no minuto seguinte se gabar de ter influenciado muito o governo.
Todos temos consciência de que nenhum candidato a Presidência da República se pode classificar como sendo de direita, e por isso irei votarei em branco.
Há cinco anos votei convictamente em Cavaco Silva e agora só o voltaria a fazer se sentisse que existia a possibilidade de vir a ter um Presidente radical.
Gostaria que houvesse uma segunda volta apenas para lhe retirar o brilho da previsível abada que dará aos restantes candidatos.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 01:11

Paulo, o voto em branco, nas presidenciais, é o voto mais inútil. Não chega sequer a contar para a percentagem global.
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De Paulo Sousa a 22.12.2010 às 14:24

A essência de activista de Fernando Nobre impede-me de o considerar como possível Comandante Supremo das Forças Armadas.
Sobram radicais assumidos (Nobre também o poderá ser sem o assumir), o desconhecido de Viana do Castelo de quem nunca me lembro o nome, o voto em branco e a abstenção.
É triste, mas é o que temos.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 16:59

Pois. Infelizmente o centro e a direita abdicaram de qualquer alternativa a Cavaco Silva, o que diminuiu o leque de opções. Não admira que Cavaco acabe por ser muito penalizado pela abstenção. E que candidatos como Nobre e até Defensor Moura beneficiem de franjas consideráveis do chamado voto de protesto.
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De Abelha Maya a 22.12.2010 às 18:35

Ora, aqui está um Zandinga de trazer por casa...
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De Pedro Correia a 23.12.2010 às 12:41

Olha, a Maya. Mas esta abelhinha não pica. E só faz prognósticos depois do jogo. É tão sábia como o João Pinto.
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De Rogerio Pereira a 22.12.2010 às 00:56

Palpite:
Amanhã a imprensa escrita
vai dizer ao contrário
Muita coisa que aqui foi dita
No on-line já começou
ainda o sol não raiou...
(será que vai chover...no molhado?)
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 01:32

Não tenho a menor dúvida, Rogério. A maioria dos 'analistas' tende a considerar vencedor os detentores do poder, seja nas corridas para Belém seja nas corridas para São Bento.
Além disso adoram bipolarizar. Todos quantos venham perturbar o cenário da bipolarização são automaticamente desvalorizados. Enfim, cada um destes 'analistas' tem a credibilidade que merece.
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De Fernanda Valente a 22.12.2010 às 04:08

«Nenhum país da Europa é totalmente independente. Somos todos interdependentes.»

Gaffe?
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 12:00

Sim, 'gaffe'. Quer país mais independente do que a Suíça - independente há séculos, onde ninguém pôs a pata? A Suíça não está na Europa? Podemos falar de outros países, mas fico-me pela Suíça: é quanto basta para se perceber a 'gaffe' do candidato Cavaco Silva. Lamentavelmente, o homem que jurou a Constituição esquece o artigo 1º da Constituição: "Portugal é uma república soberana." E parece esquecer até o artigo 120º, que define os poderes presidenciais: "O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas."
Como é que alguém que afirma não existir nenhum país totalmente independente na Europa consegue em simultâneo "garantir a independência nacional"?
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De Fernanda Valente a 22.12.2010 às 14:02

A República portuguesa já foi mais soberana do que o é actualmente, a não ser que a "invasão económica" de que tem vindo a ser alvo por parte do país vizinho não signifique perda de soberania, por conta da deslocalização dos centros de decisão de um grande número de empresas nacionais.
Ó Pedro Correia! Existe uma grande diferença entre o que está escrito e o que acontece na realidade, e CS correria o risco de ser apelidado de atrasado mental se se referisse ao status quo europeu como se de um cenário da "Alice no País das Maravilhas" se tratasse.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 17:01

Fernanda, a última pessoa de quem eu espero ouvir dizer que o meu país não é totalmente independente é o Chefe do Estado português. Aliás, se não é totalmente independente para que precisamos nós de um Presidente da República?
Responda-me com franqueza: a Fernanda imagina o Rei de Espanha a dizer uma 'boutade' destas?
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De Fernanda Valente a 23.12.2010 às 00:18

Pois o Rei não diria com certeza; Ele é soberano, usufrui de um poder absoluto...
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De Pedro Correia a 23.12.2010 às 00:56

Olhe que não, Fernanda: o Rei de Espanha é um monarca constitucional, nada absoluto. Os poderes constitucionais dele são semelhantes aos do Presidente português. Acontece, isso sim, que jamais o imaginaríamos a fazer uma declaração sobre a perda parcial de independência do país semelhante à que o PR português fez.
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De Fernanda Valente a 23.12.2010 às 12:53

A Constituição dá-lhe o nome de monarquia parlamentar "em que o Rei arbitra e modera o funcionamento regular das instituições políticas".

Resumindo e concluindo "se não os podes vencer, junta-te a eles".
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De Carlos S. Campos a 22.12.2010 às 10:14

Por que motivo, sr. Pedro, censurou o comentário em que eu notava que de nabos percebe você? Será que não percebe?
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 11:45

Está com visões, Sr. Carlos? Como é que eu havia de censurar um comentário que está aqui? E por que motivo acha que eu percebo de si?
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De Carlos S. Campos a 22.12.2010 às 14:50

Está "aqui" onde? O comentário que v. cortou continha apenas isto: "De nabos percebe o sr. Pedro, pelos vistos". Era uma resposta à sua infeliz observação inicial. V. censurou e agora faz-se de novas. Fica-lhe mal (para não dizer mais...). Só visto!
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 16:23

Você além de nabo é burro. Não vê que continuo a libertar os seus comentários? E para que diabo havia de 'censurá-lo'? Passa-lhe pela cabeça que tenha medo de si ou seja de quem for?
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De Carlos S. Campos a 22.12.2010 às 18:14

Simplesmente ridículo. Além de mentiroso, claro.
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De Pedro Correia a 22.12.2010 às 20:38

O «sr. Carlos» já demonstrou que não tem categoria para frequentar esta casa. A partir de agora, fecha a matraca e vai pregar para outra freguesia.

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