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Presidenciais (3)

por Pedro Correia, em 18.12.10

    

 

Debate Cavaco Silva-Fernando Nobre

 

Vivemos hoje melhor ou pior do que em 2006? Esta é uma pergunta crucial que os eleitores devem fazer no próximo dia 23 de Janeiro. Uma pergunta a que Fernando Nobre respondeu esta noite, no frente-a-frente que manteve na SIC com Aníbal Cavaco Silva. "A competência reconhecida do professor Cavaco Silva na economia e finanças não impediu que estejamos muito pior do que há cinco anos. O desemprego quase duplicou. A paz social está explosiva", denunciou o médico independente que concorre a Belém, socorrendo-se para o efeito do diagnóstico elaborado pelo cardeal-patriarca de Lisboa. Uma piscadela de olho óbvia ao eleitorado católico por parte de quem não tem dúvidas: "O orçamento para 2011 é mau."

Cavaco Silva, muito na defensiva, quase parecia o Presidente escolhido por José Sócrates. Justificou o Orçamento do Estado e algumas das políticas governamentais, disse apostar no sector da exportação e na "inovação tecnológica" (bandeiras do Governo socialista) e sobretudo aproveitou este debate bem conduzido por Clara de Sousa para recordar aos portugueses quais são os poderes do Chefe do Estado previstos na Constituição da República - numa óptica restritiva, aliás em consonância com o seu mandato. O problema, para ele, é que praticamente não conseguiu ir além disto.

Nobre foi claro, incisivo, objectivo e tão contundente quanto é de esperar de um candidato que defronta o favorito numa corrida presidencial: nunca é de mais lembrar a certos "analistas" que uma campanha eleitoral não se compara ao chá das cinco nas vicentinas. "O Presidente da República não é um mero adorno. Não se vai para Presidente da República para se ser um vaso de flores", afirmou o médico, por quem Cavaco afirmou duas vezes ter "todo o respeito". O actual Chefe do Estado criticou o "pessimismo" de Nobre. Mas reconheceu haver "dois grandes problemas na sociedade portuguesa: o flagelo do desemprego e o elevado endividamento externo". Conclusão do rival: "as competências tecnico-científicas" de Cavaco Silva não foram escutadas.

A multidão de desempregados em Portugal reviu-se certamente nas palavras de Nobre, que comparou o ministro das Finanças a um médico que chegasse a um doente em estado grave e lhe dissesse: "O senhor está com essa maleita. Vou dar-lhe um medicamento que não o vai curar, pode agravar o seu estado e até pode matá-lo. Mas tem que o tomar."

Referia-se ao Orçamento de Estado para 2011. O de Sócrates. E o de Cavaco também. No final, dei por mim a perguntar: se houvesse apenas estes dois candidatos na corrida a Belém, em qual deles o actual primeiro-ministro votaria? Não tenho a menor dúvida na resposta.

 

Vencedor: Fernando Nobre

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Nobre - Cavaco Silva não enviou mensagens específicas à Assembleia da República sobre o cenário dramático para que estamos a caminhar.

Cavaco - É preciso esclarecer qual é o papel do Presidente da República nos termos da Constituição.

Nobre - Este orçamento penaliza de forma trágica centenas de milhares de portugueses ao congelar as reformas sociais, ao cortar no rendimento social de inserção e no complemento social para idosos.

Cavaco - Empenhei-me muito para que fosse aprovado o Orçamento para 2011.

Nobre - Este Orçamento do Estado não interessa aos desempregados de Espinho e de Santo Tirso ou à velha senhora de 80 anos que encontrei no mercado de Ferreira do Zêzere com uma reforma de 60 euros.

Cavaco - Eu sou um presidente muito transparente. Basta ir à página da Internet para ver tudo quanto eu digo e tudo quanto eu faço.

Nobre - Eu conheço o mundo. Neste momento da globalização, precisamos de um presidente que conheça o mundo.

Cavaco - Jurar a Constituição, para mim, é mesmo jurar.

 

...............................................................

 

A 'gaffe':

 

"Se não existisse o Orçamento, Portugal encontrava-se hoje numa situação de descalabro económico e financeiro. (...) Eu nunca disse que concordava com este orçamento."

Cavaco Silva


31 comentários

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De António Manuel Venda a 18.12.2010 às 03:45

Seria bom se Fernando Nobre conseguisse passar à segunda volta e se depois acabasse por ganhar. Eu vou votar nele.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 12:05

Cavaco passou o debate a tentar explicar para que serve um Presidente da República. É sintomático que tenha sentido necessidade disso cinco anos depois de ter tomado posse.
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De José Manuel Faria a 18.12.2010 às 09:50

Mais uma análise lúcida e contra a corrente: O Sol deu 13/10 a favor de Cavaco!
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 11:50

Com este céu tão nublado nem fazia ideia que havia Sol...
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De a.marques a 18.12.2010 às 10:38

O Dr. Fernando Nobre tem uma grande vantagem. Sabe que não se vai sujeitar á pedra que ele próprio lançou. Com a história da pessoa doente pratica a demagogia mais saloia. Ele sabe que há maleitas que no limite podem levar um médico a intervir com sério risco de vida. Demagogos temos que baste e vasos também.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 11:50

Muito obrigado pela lição sobre demagogia que aqui nos deixou. Fiquei apenas com uma pequena dúvida: devo também qualificar de demagogo alguém que diz que este Orçamento do Estado é indispensável e logo a seguir afirma que não é defensor deste orçamento?
Os meus cumprimentos.
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De a.marques a 18.12.2010 às 12:34

Só um pequeno esclarecimento. Não me passa pela cabeça dar qualquer tipo de lições, apenas deixar a minha simples opinião. E creia que não ralho comigo próprio quando há divergência com outras, que sempre respeitarei. Em nenhum passo das minhas palavras se depreende que defendo alguém que deixa passar aquilo com que não concorda. Grato pela referência, aceite os meus cumprimentos.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 13:52

Perfeitamente esclarecido. Agradeço-lhe o seu contributo para o debate.
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De Fernanda Valente a 18.12.2010 às 11:57

A opinião de Fernando Nobre não é inédita: como ele, pensam o mesmo milhares de portugueses.
O país perdeu a sua autonomia no âmbito da tomada de decisões; faz parte de um "conjunto federativo" de 27 países, cujo poder de decisão cabe a dois ou três deles, unicamente: os que mais têm contribuído para tornar viável a União. Na actual situação, "bicos de pés" é coisa que nenhum presidente poderá exercitar sob pena de o país poder ser banido do sistema, sendo o isolamento o seu principal castigo com as drásticas consequências que daí adviriam.
Portanto, ao futuro presidente caber-lhe-à agir na base da razão e não da emoção, com vista a garantir o quadro da estabilidade política e social que se impõe no actual contexto geopolítico. Cavaco Silva já entendeu isto, pelo que é o candidato que melhor se posiciona a assumir o cargo da mais alta magistratura, instituído pela Constituição.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 13:57

Fernanda, verifico agora que o comentário em cima era seu. Como se percebe, estamos em sintonia.
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De Fernanda Valente a 18.12.2010 às 14:32

Às vezes esqueço-me de preencher o cabeçalho e como faço questão em identificar os meus comentários, reenviei. Peço-lhe que anule um deles.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 15:44

Já o fiz. Sem qualquer problema.
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De manuel gouveia a 18.12.2010 às 12:04

Cavaco deixou um testemunho de tudo aquilo que abomino na forma de se estar na política em Portugal. O politicamente correcto mesmo que numa mesma frase se defenda dois argumentos inconciliáveis, a ideia de que o bolo já está reservado à partida para quem o vai comer...

Precisamos de pôr outro Paulo Bento à frente da selecção nacional, chega de professores Queiroz...
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 14:00

Cavaco decorou os artigos da Constituição referentes aos poderes presidenciais e aproveitou o debate de ontem praticamente só para enunciar o que vem nesses artigos. Com uma leitura minimalista desses poderes, aliás na senda do que foi o seu mandato. E um raciocínio do género "discordo, mas promulgo" e "não apoio mas tem de ser assim".
Não sei como outros chamarão a isto. Por mim, chamo-lhe simplesmente falta de capacidade de liderança.
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De FD a 18.12.2010 às 21:08

É.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 18.12.2010 às 13:11

O Presidente da Republica, moveu as suas influencias, para que o país tivesse um orçamento de estado, porque é um instrumento fundamental nas actuais circunstancias, como toda a gente reconhece. Mas não tem que gostar dele, nem concordar com ele, porque quem o propõe é o governo, e quem o aprova é o Parlamento.
Não percebo portanto, porque Pedro Correia considera uma gaffe Cavaco ter dito que não gostava do orçamento, ou que não concordava com ele.
Fernando Nobre, é um médico a quem Portugal e os portugueses muito devem, como aliás milhões de pessoas por esse mundo fora, pela actividade muito meritoria que exerce nos Medicos Sem Fronteiras. Mas isso, que não é pouco, não o habilita a ser Presidente da Republica, principalmente numa epoca como a que vivemos.
Além disso, é preciso conhecer os poderes do PR; não foi Fernando Nobre que disse ontem que não teria dado posse a este governo minoritario?
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 14:01

Caro Alexandre, julguei tratar-se de uma 'gaffe'. Se não foi, o caso agrava-se.
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De Núncio a 27.12.2010 às 00:21

É intelectualmente desonesto dizer que Cavaco Silva (ou outro) é incoerente por não aprovar o OE que diz ser essencial.
O que é essencial é haver OE! Portugal, em plena crise económico-financeira e, pela mostra da blogosfera, também moral, não poderia dar-se ao luxo de não ter, durante longos meses de 2011 (até poder haver eleições e formação de novo governo e discussão de novo orçamento), nenhum OE.
Ou seja, há OE, aprovado nos termos em que a AR entendeu. Ao PR cabe-lhe fazer tudo para que haja OE, não lhe cabe definir o seu conteúdo!
Pedro Correia enferma, nas análises aos debates e à pré-campanha eleitoral, da mesma "doença" dos próprios candidatos: responsabilizam não o Governo, mas CS, pela crise. JS agradece!
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De Pedro Correia a 27.12.2010 às 10:54

Vejo, pelo seu texto, que o seu Natal foi amargo. Lamento.
O que é essencial é haver OE, diz você. Confundindo 'o' OE com 'este' OE. No fundo, subscreve a lógica de Sócrates e Teixeira dos Santos: ou este OE ou o dilúvio. Uma chantagem política inaceitável. Até porque todos sabemos que com este OE "socialista" vamos todos empobrecer em 2011, o País entrará em recessão e nem por isso as agências de 'rating' nos estão a ver com melhores olhos.
Intelectualmente desonesto, para mim, é discordar deste OE e ao mesmo tempo considerar indispensável a sua aprovação.
Isto sim, Sócrates agradece.
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De Núncio a 27.12.2010 às 11:32

Pedro,
vamos ser sérios e leais. A blogosfera reclama-o.
Em primeiro lugar, evite ironias ou, pior, sarcasmos com os leitores, que não as merecem. Trate-os bem, porque um blog sem leitores só servirá para orgasmo intelectual do blogger.
O meu Natal não foi nada amargo e, se o tivesse sido, uma palavra de conforto seria mais adequada do que uma boutade azeda.
Em segundo lugar, tem noção das ondas de choque que sentiríamos se o PR, este PR, não promulgasse o OE, este OE (ainda que não seja do seu agrado). Acha que o PR só deve promulgar legislação que ele faria se fosse PM? Que deve substituir-se ao Governo?
Se o OE, este OE, é assim tão mau (e eu próprio não estou longe de subscrever tal apreciação), porque o aprovou a AR? Não é lá que reside o poder legislativo, sobretudo em matéria financeira e orçamental? Deveria o PR, este PR, abrir uma crise profunda (que duraria até Julho, na melhor das hipóteses), vetando o OE aprovado pela AR?
Não foi CS que foi chantageado por JS/TS, foi o PSD, CDS/PP, PCP, BE, Verdes.
CS é, goste-se ou não, institucionalista e, por isso, coloca acima das suas opiniões ou posições ideológicas aquilo que entende ser, em cada momento, a imagem das instituições e o interesse nacional. Foi assim com o casamento de pessoas do mesmo sexo e foi assim com o OE, este OE. Para protecção da AR, da própria Presidência da República e do Estado.
Quem não entender isso, deve subscrever outros posicionamentos mais populistas, mais demagogos ou mais ideológicos.Todos admissíveis em democracia...
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De Pedro Correia a 27.12.2010 às 12:28

Vamos ser leais e sérios, propõe você. Então há de reconhecer que nenhum blogue trata tão bem os seus leitores e os comentadores como o Delito de Opinião. Temos até - caso único - uma rubrica intitulada 'O Comentário da Semana', destinada a destacar e valorizar opiniões que nos vão chegando e com as quais podemos até nem estar de acordo. Você, por exemplo, foi destacado por mim há duas semanas, no dia 13. Não era para agradecer, claro, mas podia ao menos ter deixado aqui uma palavrinha a registar, o que não aconteceu.
Tudo bem. Não venha é agora, depois disso, com esse discurso absurdo sobre o 'orgasmo intelectual do blogger'. O tiro é totalmente ao lado, como qualquer leitor leal e sério reconhecerá.

E tenho dito.
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De Núncio a 27.12.2010 às 13:20

É Natal, não quero indispor ninguém.
"Prontos", estamos conversados quanto a este assunto. Não o convenci desta vez. Por falta de razão ou de competência persuasiva, não sei.
Boas festas!
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De PinaMoura a 18.12.2010 às 14:31

Meu caro anti-cavaco: Antes de mais felicitá-lo pela sua militância anti-cavaco.
Agora há coisas que escapam ao mais simples raciocínio, partido das suas cavacadas. A saber
1- Como é que o país, a crer nas sondagens se deixa encavacar, isto é a dar largas maiorias ao cavaco?.Ainda se compreenderia se fosse uma cavaca, assim algo com mais sustancia neste tempo frio,podia ser que sim
2- O seu primarismo, não lhe conheço sequer e, beneficio da dúvida em favor do cavaco, é de molde a desconfiar e logo a sua opinião não resiste a este simples facto.
3- Decorrendo do ponto dois, tenho bastas dúvidas se este seu primarismo não tenha como fundamento único, um qualquer "cavaco" que o dito lhe tenha entalado e que não consegue tirar, nem engolir
4- Porém, é sempre interesante ver o retorcimento das suas análises, como alguém qua agita freneticamente uma bandeira..."aqui estou eu, aqui estou". É uma maneira de manifestar vida, respeitável como qualquer outra, digo eu
5- E assim de derrota em derrota prossegue o cavaco, encavacando este e aquele, e melhor exemplo disso não há que Vxa.
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De Pedro Correia a 18.12.2010 às 15:46

Alguém com receio de assinar com o próprio nome vem aqui acusar-me de "primarismo". Vale o que vale. Ou seja: não vale nada.
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De Ana Paula Fitas a 18.12.2010 às 21:21

Caro Pedro,
Fiz link.
Obrigado.
Abraço.
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De Pedro Correia a 19.12.2010 às 10:02

Obrigado eu, Ana Paula.
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De Antonio Godinho Gil a 19.12.2010 às 01:56

Caro Pedro:

Parabéns pela análise. Todavia, mesmo sendo eu apoiante de Nobre, não creio que seja eleitoralmente interessante para ele distanciar-se do OGE. Por duas razoes:
1. por um lado, deixa o terreno livre a Cavaco para aparecer como o único garante da estabilidade e da necessidade da austeridade, para assim evitar males maiores. Creio que, embora as minorias tumultuosas vociferem contra os sacrifícios, a larga maioria do eleitorado acaba por aceitar, mais cedo ou mais tarde, o seu alcance e a sua justificação.
2. em segundo lugar, ao invés, poderia aproveitar o tema para analisar as causas da crise: o esbanjamento, o viver acima das possibilidade, a péssima gestão publica, etc. Até poderia ir mais longe: referir a austeridade como um revigoramento, uma oportunidade, um novo fôlego para o país. Dessa forma, sem perder o eleitorado que se sente prejudicado pelas medidas orçamentais, ganharia aquele que aprecia um discurso que extravase o compromisso e o "politiquês".

Cumprimentos
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De Pedro Correia a 19.12.2010 às 10:04

Meu caro, você é bem capaz de ter razão. Por mim, limito-me a analisar o que disseram, não o que deviam ter dito. E mesmo assim, acredite, já dá bastante trabalho.
Um abraço. E apareça sempre.

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