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A lição de Messi

por Rui Rocha, em 30.11.10

 

Desculpa, André. Mas, não concordo. Converter a noite de ontem numa vitória de José Mourinho é trilhar o caminho penoso das vitórias morais. É, provavelmente, negar a própria essência de Mourinho. Mourinho é ambição, é arrogância e obsessão. É auto-suficiência que transborda para lá das quatro linhas do campo. As vitórias morais devem ser-lhe muito amargas. O que aconteceu ontem foi o confronto do homem com o seu próprio mito. E como não podia deixar de ser, o homem é bastante menor que a dimensão do mito. Mourinho, o treinador, é de carne e osso, falível, sujeito ao erro. Ontem, apanhou um banho de futebol. Lá dentro do campo, onde as coisas realmente acontecem, a aula foi dada por Messi, por Xavi, por Iniesta e pelo seu treinador, Pep Guardiola. Dizer agora que Mourinho foi brilhante na derrota é pregar-lhe uma rasteira. O homem alimenta-se, exclusivamente, de sucessos. No dia em que as suas vitórias passarem a ser grandes exibições nas conferências de imprensa depois dos jogos, Mourinho estará acabado. Ao seu jeito, Mourinho sabe ganhar. Mas é certo que nunca será grande a perder. Faça-se justiça ao futebol do Barcelona, ao trato de bola, à dinâmica, ao rasgo individual, ao espírito colaborativo que mescla o génio com o sentido colectivo. Uma goleada destas não se contraria com mind games. Aprecio a retórica e a argumentação, mas do que eu gosto mesmo é de bola.


30 comentários

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De João Carvalho a 30.11.2010 às 16:28

Desculpa, Rui, porque sou pouco dado a futebóis, mas tenho uma opinião: Mourinho não cantou (nem poderia) vitória; apenas desdramatizou a derrota, reconhecendo-a como merecida.

Ora, no mundo do futebol, esse reconhecimento desarma os adversários, que não costumam perder tempo a exacerbar desmesuradamente as vitórias. Nesse mundo, uma vitória plena é aquela que o derrotado tem dificuldade em digerir.

Mourinho soube impedir muito bem (o que é raro em jogos com esta importância)) esses excessos habituais, com o seu (pelo menos) aparente fair play. Isto, é claro, "do meu ponto de vista", como diria o Rui Santos.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 16:33

Percebo, João. O meu ponto é que não faz sentido valorizar o ´saber perder´de Mourinho, deixando na sombra um ´show´de bola como o de ontem.
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De João Carvalho a 30.11.2010 às 17:15

Já estava à espera: eu nem à defesa, quanto mais ao contra-ataque! Eheh...
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De João Campos a 30.11.2010 às 17:35

Não me parece que alguém no seu perfeito juízo ache o Mourinho infalível - nem ele mesmo, aliás. Mas daí a ele não ser extraordinário naquilo que faz vai uma distância como daqui a Plutão. Afinal, e apesar da mais que justa goleada, Mourinho continua a ser um treinador incomparavelmente melhor que Guardiola.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 17:36

Ontem não foi assim, João.
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De Ana a 30.11.2010 às 18:42

Mas ontem foi só um dia... Nos outros dias do ano, em muitos anos já não se pode dizer o mesmo. De facto, o Guardiola é 1 grande treinador. Mas também é 1 treinador que está bem instalado na casa onde cresceu, com uma equipa modelada e estruturada, e de muito nível. Só não espero os mesmos resultados (e não falo apenas deste jogo) se o Guardiola fosse treinar uma equipa de raiz, com o mesmo luxo no plantel como o Real ou o Barcelona ou qq outra gde equipa candidata à Champions . A diferença , para mim, reside aí. De qualquer maneira, sou grande fã do Mou só que ontem, a noite foi o Pep e da equipa que ele comandou.

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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 18:44

Eu também sou fá de Mou, Ana. O ano passado vibrei com as grandes vitórias que conseguiu. Ontem, só vi futebol do lado do Barcelona.
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De Ana a 30.11.2010 às 19:22

Pois... também só houve praticamente jogo lado do Barcelona, pelo pouco que pude assistir.
Os grandes são assim. Este jogo consumiu muita emoção além fronteiras, mais do que os acompanham jogos de várias ligas regularmente, ontem foi como uma final da Champions (são duas candidatas, afinal).
O que me cansou hoje foi ler as notícias do jogo e ver comentários de regozijo/lamento feitos com maldade ou, simplesmente sem educação quando é tao simples dar 1 opinião e defende-la sem ofender ninguém (outros comentador ou os jogadores).
Por isso, hoje, ao descobrir este blog, decidi que voltarei cá mais vezes. Pese o facto de ser 1 blog generalista, mashoje o meu interesse é mais futebol :)

Até breve
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 19:23

Sublinho a sensatez do seu comentário, Ana. Volte sempre.
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De João Campos a 30.11.2010 às 20:19

Precisamente. Convém não esquecer o passado de Mourinho, que ainda é bastante recente. Na última década, que treinador chegou mais longe?
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De Ricardo Sardo a 30.11.2010 às 23:40

Ana, Guardiola está na terceira época enquanto treinador principal. É mais novo que o português e, antes de assumir o actual cargo, treinou o Barcelona B (jovens formados nas camadas jovens) durante um ano. Na primeira época, depois de ter assinado envolto em polémica e críticas internas por causa da sua inexperiência, conquistou tudo o que havia para conquistas, liga, taça e liga dos campeões e colocou a equipe a jogar bonito, a atacar e a marcar golos, muitos, logo desde o primeiro mês de trabalho. Tem apenas dois anos enquanto treinador e, no mesmo período, creio que Mourinho não venceu tanto, apesar de ter passado pelo Benfica.
Aprecio Mourinho pelas suas inegáveis qualidades enquanto profissional. Não aprecio a arrogância nem a sua hipocrisia quando, por exemplo, acusa injustamente os outros ou tenta manipular a verdade, como fez por diversas ocasiões ao longo da carreira. Podem dizê-lo que o faz para obter resultados, mas o futebol não é apenas um negócio, é um espectáculo, que deve ser preservado enquanto arte. E é por isso que aprecio mais Guardiola, pois tem uma filosofia de jogo baseada no espectáculo e não no resultado. Claro que, jogando bem, acabam por marcar golos e vencer. E vencem e convencem. O Barça é actualmente o clube do Mundo com mais fans e não é por acaso.
Isto tudo para dizer que discordo da Ana. O mérito vai inteirinho para Guardiola, pois, mesmo do ponto vista táctico, anulou Mourinho, que é considerado o mestre da táctica. De tal forma que obrigou o português a errar na substituição ao intervalo (tirou um médio criativo, de ataque, e colocou um defensivo, para "destruir" jogo). A táctica do Barça anula qualquer equipe e em todos os jogos os adversários quase não tocam na bola. Algum mérito Guardiola terá, digo eu...
E ainda existe outro ponto, o Real é o clube mais rico do Mundo, pode comprar qualquer jogador, enquanto o Barcelona não. Quase todos foram formados no clube e evoluiram lá. Ou seja, em termos de matéria prima, o Real tem muito mais onde ir buscar.
Por fim, não deixa de ser um jogo, mas terá, certamente, um impacto emocional no plantel do Real, pois questionarão, de certeza, se será este ano que vencerão o título e terminarão com a hegemonia catalã. O resultado é pesado, a exibição convincente e colocarão em causa a sua capacidade de suplantar o rival, apesar de no ano passado o Barça ter sido eliminado por Mourinho (aí com uma enorme ajuda do amigo de Leiria Olegário Benquerença, que poupou dois penalties ao Inter de Milão e deixou que marcassem um golo em fora de jogo). É a natureza humana...
Cumprimentos.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 23:51

E, caro Ricardo, se dúvidas houvesse, aí estão 5 golos sem resposta a atestá-lo.
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De Ana a 01.12.2010 às 00:45

Olá Ricardo,

Não quis dizer que o Guardiola não e 1 ótimo treinador. Se não o fosse jamais teria conduzido a equipa com a mestria que tem feito. E neste jogo em particular, mta tensão e ansiedade envolvidas em ambas as partes, foi muito clara a fluidez com que a equipa de articula. Seja até a "cultura" do Barça já referida noutros comentários. O próprio Pep é exemplo de dedicação à casa-mãe e um orgulho para os catalães e tantos pelo mundo inteiro.
De qq maneira, gosto muito do Mou , incluindo muitas (não todas) atitudes. Nunca foi jogador (de referência) e talvez isso influencie uma visão diferente do futebol a par da experiência. Daí continuar a achar que o Guardiola faz o que faz (e bem) por amor à camisola e conhecer a fundo o Barça, enquanto o Mou trabalha com 1 profissionalismo invulgar mas a quem o paga. Seja o FCP, o Chelsea, Inter e ag Real, são desafios individuais de alguém muito competente mas cuja ambição não se rege pela camisola que veste mas por se superar a si próprio. Senão podia seguir o Wenger e fazer história num só clube durante meia vida.
Quando me referi a luxo no plantel, acho que serve para ambas equipas pois se uma tem um investimento gigante, a outra além da inegável qualidade está já orquestrada e madura. E o Real vai amadurecer nesse aspecto e ter retorno em resultados e grandes espectáculos de futebol que, no final é o que todos queremos assistir.
Foi bom recordar o início do Guardiola no Barça , enquanto treinador porque nestas coisas do futebol pesam mais gostos do que factos e eu não tinha pensado nisso.

Até breve :o)
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De antoni a 30.11.2010 às 18:53

Desculpem mas vou transcrever um comentário da concorrência, que considero o mais bem conseguido:

O Mercenário e o Missionário

No blog "Blasfémias":

Tenho poucas dúvidas que José Mourinho é, desde há vários anos, o melhor treinador do mundo. Não tenho nenhuma dúvida que ele deixa Pep Guardiola a léguas no que concerne à “ciência” do futebol. Mas Mourinho é um mercenário à frente de uma equipa de mercenários; Guardiola é um missionário nado e criado na Instituição que representa e cuja camisola e valores ele sente e encarna acima de tudo. Um deseja coleccionar títulos e consegue-o, incutindo o seu killer instinct na equipa que comandar; outro sonha e vive para a grandeza da “sua” equipa, sendo um treinador vulgar fora dela. A ambição de Mourinho transparece na arrogância agressiva de Ronaldo; o “sentido de missão” de Guardiola é bem nítido na humildade empática de Messi.

Foi apenas um jogo que poderá não decidir nada. Mas foi bem visível o confronto de duas diferentes culturas. Ou a força de uma e a falta de outra.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 18:56

Não precisa de pedir desculpa, Antoni. O comentário é muito bom.
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De André Couto a 30.11.2010 às 19:08

Caro Rui,

Antes de mais dar-te um abraço e dizer-te que se notou estes dias que és um excelente reforço de inverno da família, algo que não tinha tido a oportunidade de te transmitir. Keep up the good work!

Dizer-te depois que compreendo o que dizes... mas não concordo! :)

Saber perder é relativamente fácil, basta ter uma auto-estima quase nula ou então morder os lábio e baixar a cabeça. Mourinho teve classe na forma como soube perder, na forma como guiou uma plateia sedenta e triunfante de largas dezenas de jornalistas, ao dia em tinha perdido em Barcelona com Inter para imediatamente os levar àquela noite que não lhes sai da memória, quando Mourinho percorreu o relvado de braços levantados para os adeptos do Inter , imagem que ilustra o meu post e da qual certamente te recordas. Esse gesto é a espinha atravessada na garganta dos catalães e Mourinho sabia que não havia 5-0 que a desencravasse.

Disse-lhes que já lá tinha estado, já tinha perdido e tinha voltado para arrasar o Barcelona no suposto grande ano do Barça. Disse-lhes ainda que voltaria outra vez, sem concretizar. Fez tudo isto depois de levar cinco, tudo isto perante dezenas de almas a pressionarem-no para haver sangue.

O giro é que nenhum teve resposta. Quantos treinadores fazem isto? Não é algo digno de se salientar como vitória, independentemente da derrota?
O futebol, como o vivo, é muito mais do que bola. Se perdeu em campo, Mourinho goleou na conferencia de imprensa, numa daquelas contendas que todos daríamos como perdida.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 19:11

Olá, André. Percebo também o que dizes. As nossas visões, que não são concordantes, cabem as duas no espectro da realidade. Em todo o caso, parece-me que estamos de acordo quanto ao mérito indiscutível de Mourinho.
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De André Couto a 30.11.2010 às 20:09

Sem dúvida, Rui!
Um abraço!
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 21:08

Um abraço, André. E obrigado pelas tuas palavras.
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De João Ferreira Dias a 30.11.2010 às 20:17

O jogo de ontem foi apenas um jogo, não foi a vitória final de uma civilização sobre a outra. Mourinho não deixou de ser o melhor treinador do mundo por perder em Camp Nou, onde o Real só venceu 3 vezes nos últimos 30 anos. Ainda para mais porque Mourinho já deu provas de supremacia em diferentes ligas e competições. Com uma equipa mediana do Inter ele despachou o Barcelona. Guardiola é um grande treinador, sem dúvida, e a sua equipa - portadora de uma identidade que a torna "mais que um clube" e a posiciona na expressão de uma identidade cultural catalã - a que melhor futebol pratica.

Mourinho aceitou a derrota com uma humildade e seriedade que não era a esperada. Perdeu de cabeça erguida, como o vez no ano em que perdeu o campeonato com o Chelsea - "heads up" é uma imagem de um Chelsea moralmente vitorioso depois de uma época marcada pelas lesões em catadupa que levaram Gallas à baliza diante do Newcastle.

Importa também relembrar que o Real de Mou está em construção, está-se fazendo, ao passo que o Barcelona já está feito, é um produto acabado que assenta numa filosofia de jogo que reúne uma filosofia de um clube. O Real não só está em construção de um modelo de jogo como ainda não tem filosofia de clube - aliás, não a tem desde os tempos de Hierro e Redondo.

Não há, pois, dúvidas de que o Barcelona foi amplamente superior. Cruamente, foram apenas três pontos. Sábado há mais e o Real terá de provar que em Camp Nou estava de folga. Jogadores como Khedira, Ozil, Benzema, Marcelo e até Casillas tiveram uma noite terrível. Não será, todavia, para esquecer. Importa pois relembrar continuamente os erros, para memória futura.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 21:08

Muito bem, João.
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De José Manuel Faria a 30.11.2010 às 23:24

O post de Rui Rocha é uma Lição de análise futebolística. Gostei muito.
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De Rui Rocha a 30.11.2010 às 23:31

Obrigado, Jmvfaria. Acho que somos ambos apreciadores de passes de ruptura.
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De singularis alentejanus a 01.12.2010 às 09:38

Calma, Mou perdeu uma batalha, mas não perdeu a guerra. Também não gosto da sua por vezes exagerada arrogância. Mas tem que se admitir que para além de inteligente, também é esperto, mas não "saloio".
A arte de diluir o sabor da vitória do Barcelona, assumindo que perdeu porque não jogou bem, não porque o Barcelona tenha jogado melhor, verdade incontestável, não é para todos.
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De Rui Rocha a 01.12.2010 às 09:56

De acordo, Singularis. Mas, não deixa de ser uma derrota. Que não questiona a competência do 'general'.
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De ze luis a 01.12.2010 às 11:17

O Rui Ro Rocha volta a mostrar um argumento as a rock. E o argumento é discutir o futebol, pelo lado positivo, em que há neste jogo apenas uma parte e só essa deve ser realçada. Nenhuma outra. Como o André, que fez um post anterior sobre o Mourinho, não deixa de ter razão, mas se tenho dúvidas em dizer quem é (ou merece que o digam) o melhor do mundo, não tenho dúvidas de que o André não mostraria essa perspectiva particular se o treinador merengue na ocasião fosse um inglês ou o Mancini.

Chegámos quase, por essa via do André, ao ponto de desvalorizar o belo jogo, aquilo que o Rui enfatizou muito bem. Chegámos ao ponto, pateta, de falar de dar um argumento como após o Porto-Benfica, um jogador fora de posição, outro no banco e cosi via... Chegámos, no caso do André, ao querer precisamente falar de uma vitória na conf. Imprensa, o que é ridículo porque não haveria treinador algum que não soubesse sair-se como se saiu, bem, Mourinho.

E enfatizar, ainda por cima, depois de um jogo esplendoroso do Barça, que o Mourinho lembrou o Barça-Inter a mim causa-me engulhos. Porque um resultado figurará nos livros da História, mas a eliminatória viciada por um árbitro português Olarápio em S. Siro e um jogo inacreditavelmente "ferrolhento" em Camp Nou não é esquecida dessa forma vil e miserável que deslustra precisamente o belo jogo.

E o facto de estar imensamente grato a Mourinho por catapultar o FC Porto aos píncaros não me impede, sabendo das suas imensas qualidades para a função em todas as vertentes que domina como mestre não me coibe de lamentar que o Inter tenha eliminado o Barça. Com sorte, com jogo feio, porco e mau e com favores arbitrais que até poderiam ter-se virado contra ele se o árbitro da 2ª mão tivesse tido menos zelo num golo anulado a Bojan no último minuto - e que para mim deveria ter contado ou pelo menos poderia e era passível de passar sem uma mão na bola/bola na mão por ressalto e que só por milagre o árbitro viu.

Inverter toda a lógica de perspectiva do belo por mera argumentação retórica ou safety firts no resultado não me parece sequer a melhor maneira de defender Mourinho, por quem se podem eleger muitos mais predicados que não esses.
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De Rui Rocha a 01.12.2010 às 11:21

Saliento o seu argumento final, ZL. Defender Mourinho é valorizar o seu trabalho dentro de campo. Quando ele merece.
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De ze luis a 01.12.2010 às 11:48

Rui Rocha, mas Mourinho é grande também nas conf. Imprensa, não tenho dúvidas, e esteve bem a safar-se dos 5-0. Que dizer depois de 5-0? lgo de muito diferente? Não, estamos a falar de pessoas inteligentes, que sabem e vivem tudo do futebol. Isso não implica, forçosamente, que já se eleja Mourinho como o D. Sebastião que nos tirará da bruma, em vez de chegar na tal manhã de nevoeiro. Ver o futebol pelo prisma Mourinho é perder tudo o resto, porque mesmo para quem não o vê há muito mais para lá de Badajoz, de Madrid e até dos Pirinéus. Reduzir, concentrar tudo em Mourinho é pouco sensato, para ficarmos por aqui. Como concordamos, há muito, muito mesmo para nos sentirmos orgulhosos de Mourinho.

Como portista que até já conviveu com o nosso Zé estou à vontade para dizer que me meteu asco a vitória do Inter frente ao Barça na Champions. Asco pelo que quiseram transformar de um resultado fortuito, e viciado, num mérito inabalável da maior descoberta da História. Sermos amigos de alguém não nos deve impedir de criticá-lo, mas a saloiice e mesmice tugas são assim, e estou a generalizar pelo que se lê e ouve nos jornais, rádio e tv, não quero beliscar o André.

De resto, como adepto, as minhas preferências clubísticas estão eleitas há 35/38 anos, do Liverpool que agora anda nas ruas da amargura ao Barça que nos anos 70 era meramente secundário mas lembro-me até dos golos passarem na RTP num dia de Fevereiro de 1974 quando Cruijff e Cª ganharam 5-0 no Bernabéu. Preferências que nunca passam por, circunstancialmente, jogar aqui ou ali um português ou um albanês. Nem patriotismo me tolhe o raciocínio, mas parece que nas coisas da bola até os mais eruditos e racionais perdem facilmente a noção da razoabilidade. É a magia do futebol? Pois, mas o belo jogo é que espelha essa paixão. E, para mim, que conheço muito bem a História do futebol por que sou apaixonado, digo que, provavelmente, pelo brilho do seu jogo, a constância das exibições e o lustro dos títulos recentes, o Barça será a melhor equipa de sempre, de todas.

p.s. - ainda bem que, apesar de tudo, podemos falar de Mourinho assim e assado. Já me custa mais falar desse tuga rasca que é Cristiano Ronaldo, um bimbo mimado sem pinta nem ponta de exemplo para o que quer que seja. Até por existir, felizmente, Messi. O mais próximo do Mito.
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De Rui Rocha a 01.12.2010 às 13:58

De facto, o Barça é a melhor equipa que por aí anda, ZL.

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