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Portugal, o apêndice do Mundial de Espanha

por André Couto, em 30.11.10

Saber-se-á ao início da tarde de 5.ª feira quem serão os organizadores dos Mundiais de Futebol de 2018 e 2022. A Candidatura Ibérica surge na linha da frente e, na minha opinião, será vencedora dada a influência de Angel Villar, Presidente da Real Federatión Española de Fútbol, nos meandros do futebol mundial. Só esta análise me levou a percorrer o site da Candidatura Ibérica e a ficar em estado de choque.

Qual cartão de visita, o símbolo da candidatura despreza totalmente os equilíbrios e regras da lusa bandeira, como é bem visível infra. O aspecto geral é quase o de uma candidatura espanhola mas, mais grave que isto, é o facto de a Portugal, com Lisboa e Porto, caber dimensão igual à da Galiza, com A Coruña e Vigo e metade (!?#!?*!?#) do País Basco (e províncias próximas) que candidatam Gijón, Santander, Bilbao e San Sebastián. A minha Lusitana Paixão explodiu imediatamente. Não percebo como se podem gerir e fechar negociações com este conteúdo, não percebo como nos pudemos submeter desta forma ao poderio espanhol. É óbvio que a única coisa que Espanha procurou em Portugal foram os votos da lusofonia, não percebo é como abdicámos de uma candidatura nossa por tão pouco. De conjunta esta organização pouco ou nada tem. É uma ajuda simbólica que prestamos entre o favor e a vassalagem.

 

 

Não vou dizer que quero que a Candidatura Ibérica, expressão utilizada por mero acaso, tenha um desfecho infeliz. Acho que é para nós uma vantagem e minimizará o desperdício que foi o investimento no Euro'2004, não que tenha discordado da candidatura mas por achar que o investimento foi exagerado e a visão curta, o que gerou com que estádios de luxo, construídos de raiz, estejam hoje cheios de ar, sendo um problema para os orçamentos de quem os sustenta. Alguns há que gerariam mais receitas demolidos.

Venha o Mundial, mas que se cubra de vergonha quem negociou esta candidatura.

 

(Adenda: Agradeço ao Luís Lavoura e ao João Pedro a correcção que me fizeram e que já reflecti no texto)


19 comentários

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De João André a 30.11.2010 às 11:24

Eu cá digo claramente que não quero o Mundial. É-me relativamente indiferente que Portugal tenha sido resumido a Lisboa e Porto (menos gente para encher os bolsos com as negociatas), mas incomoda-me a ideia de ir gastar mais uns bons milhões (é preciso aumentar lotações e/ou melhorar os estádios e/ou melhorar os acessos e/ou aumentar a oferta de hotelaria e/ou construir novas vias de transporte e/ou sei lá que mais) sem qualquer razão além de organizar uma partezita da festa.

Um mundial de futebol não é um negócio para um país, independentemente do que vendam os organizadores. Os países organizadores têm sempre prejuízo e ficam com elefantes brancos (sejam estádios, hóteis, autoestradas ou outra coisa qualquer). Ganha-se prestígio, mas isso só vale para quem o mesmo seja mais importante que o dinheiro que se perde (para a Rússia é importante, tal como para o Brasil o será). Fora isso só os empreiteiros é que ganharão dinheiro com as obras, as quais derraparão infalivelmente e terá de ser novamente o estado a pagar os custos da incompetência dos outros (nunca compreendi porque razão paga o Estado os custos da incapacidade técnica dos empreiteiros em vez de os multar por não cumprir prazos).

Sinceramente prefiro que seja a Holanda/Bélgica a ganhar. Essencialmente porque parecem pouco interessados nisso (fora um outdoor que vejo às vezes a caminho de casa, mal se nota a existência da candidatura). Quem parece mais entusiasmado deveria, regra geral, ser sempre rejeitado.
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De André Couto a 30.11.2010 às 15:49

João André,

Discordo da parte inicial do que diz.
O factor promoção do país, especialmente a nível de turismo e credibilidade internacional parece-me, neste caso, compensador do (curto) investimento que seria feito. Duvido que este evento implicasse a construção de novos complexos hoteleiros ou alteração significativa das acessibilidades, na medida em que em Portugal apenas falamos de Lisboa e Porto, cidades cujos complexos desportivos estão preparados para o efeito, tal como ficou provado no Euro'2004 e na final da Taça UEFA realizada no Estádio de Alvalade.

Embora não partilhe do seu negativismo sou solidário com ele!
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De Luís Lavoura a 30.11.2010 às 11:27

Santander fica na província da Cantábria, Gijón fica na província das Astúrias (salvo erro). Nenhuma dessas cidades fica no Pais Vasco, nem nada que se lhe assemelhe.

(Nem a ETA se atreveria alguma vez a querer um País Vasco tão grande!!!)
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De André Couto a 30.11.2010 às 15:51

Obrigado pela correcção. A fúria e a proximidade geográfica induziram-me em erro.
Um abraço.
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De Luís Lavoura a 30.11.2010 às 11:30

Portugal não é um apêndice. A candidatura prevê que, dos 80 jogos do Mundial, 20 sejam jogados em Portugal. Ou seja, 25% dos jogos serão em Portugal. Isto é favorável a Portugal, quando se sabe que Portugal tem apenas 20% da população, e menos ainda da riqueza, da Península.
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De André Couto a 30.11.2010 às 16:01

Uma organização conjunta é isso mesmo e não algo que esteja dependente da riqueza ou da população.
Se o critério fosse esse no Mundial de 2002, Coreia e Japão não teriam feito uma divisão milimétrica da candidatura e teria prevalecido o poderio económico do Japão, o facto de ter três ou quatro vezes a população da Coreia, uma liga mais competitiva ou maior experiência internacional no campo do futebol.

O seu discurso é exactamente o que critico nesta candidatura, a expressão do complexo de inferioridade que pulsa nas veias portuguesas e que não suporto. Poderia até concordar que Espanha tivesse maior protagonismo, mas 25%/75% em jogos e cerca de 10%/90% em número de cidades é totalmente inaceitável.
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De Luís Lavoura a 30.11.2010 às 16:10

Mais uma vez, duas correções:

1) A Coreia (do Sul) não tem uma população 3 ou 4 vezes inferior à do Japão, mas pouco mais de 2 vezes apenas. A Coreia tem 50 milhões de habitantes, o Japão 120.

2) A diferença entre o número de estádios portugueses e espanhóis participantes no Mundial é de 1 para 3, e não de 1 para 9. Em Portugal haverá três estádios e em Espanha haverá nove.

Tendo em consideração o dinheiro que foi esbanjado no Euro 2004, ainda bem que em Portugal são apenas esses três estádios. Ainda bem que não há paridade entre Portugal e Espanha, ao contrário daquilo que o André sugere, porque se não seria muito mais dinheiro a ser esbanjado!!!
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De André Couto a 30.11.2010 às 18:17

1) A Coreia do Sul tem 48 milhões de habitantes e o Japão 127, falamos de cerca de 2,65 vezes mais. Acha que me devo penitenciar pela incorrecção?;

2) 33% dos estádios, dois deles na mesma cidade e 25% dos jogos, para mim, continua a ser ridículo e um erro tremendo.;

O dinheiro já foi esbanjado. Agora seria rentabilizado.
Abraço.
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De João Pedro a 30.11.2010 às 14:21

Gijon e Santander não são no país Basco, mas sim nas Astúrias e na Cantábria, respectivamente. De qualquer forma, é uma candidatura que só nos envergonha. E nem sequer vai dar para um melhor aproveitamento dos restantes (e sub-utilizados) estádios do Euro, que era um dos argumentos centrais...
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De André Couto a 30.11.2010 às 16:50

Exacto, João Pedro.
Uma das virtudes desta iniciativa seria exactamente a utilização de Estádios como Aveiro, Leiria e Algarve...
Obrigado pela correcção.
Um abraço.
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De João Carvalho a 30.11.2010 às 15:16

Por uma vez, estamos genericamente de acordo, André. Apenas eu estou mais tranquilo: sei que os russos farão tudo para ultrapassarmos este nervosismo e reencontrarmos a autoestima. Eheh...
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De André Couto a 30.11.2010 às 16:51

De acordo mas sem abusos, que seja uma vez sem exemplo! Eh! Eh! ;)
Abraço.
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De Daniel João Santos a 30.11.2010 às 16:36

Para se poder realizar um jogo do Mundial num estádio de futebol este terá de ter capacidade para mais de um determinado numero de lugares, algo que não é assim no Europeu.

Partindo dai... só o Dragão, o Alvalade e a Luz tem capacidade para se realizar ali um jogo do Mundial.

Como não temos capacidade para construir estádios maiores, Portugal não teria capacidade para metade dos jogos. Ficamos com 25 por cento dos jogos e 25 por cento da conta final, menos mal.
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De a.marques a 02.12.2010 às 13:37

Para Sócrates se almofadar é quanto basta. De Pinóquio a rei das almofadas é o comprimento de um nariz.
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De Tuga a 02.12.2010 às 14:02

Uma coisa é certa. Se por acaso ganharmos em conjunto com a Espanha, lá vêm os inúmeros comentários de portugueses a afirmar que este mundial é da Espanha e que nós somos sempre os pacóvios. É verdade que somos pacóvios, mas também é preciso conhecer as regras da FIFA para atribuição de um mundial a um país. Para organizarmos um mundial necessitávamos de ter vários estádios com 5 estrelas FIFA (mais de 40.000 lugares) e mesmo assim, destes, alguns precisam de ser classificados ainda de forma superior para poderem organizar a final. Portugal apenas tem 3 estádios de 5 estrelas e nenhum tem classificação para organizar uma final da FIFA. Assim e ao contrario do que muitos pensam, nunca poderíamos rentabilizar os estádios que temos. Teríamos novamente de efectuar novas e gigantescas obras em todos os estádios para aumentar a sua capacidade, entre outras obras. Poderia ou poderá o país ter alguma vez capacidade para o fazer sozinho? Mesmo que assim aconteça, então e depois? E o que se fazia com estádios como Algarve, Leiria, Aveiro, entre muitos outros que estão sempre ás moscas. Rentabilizá-los? Em que, se a maior parte das cidades portuguesas tem menos de 100.000 hab . e em alguns casos tem quase a mesmo nº de habitantes que os estádios. Bem podia o governo criar uma nova lei que obrigava a população a ir aos estádios?

Posto isto, apenas penso que se esta cooperação entre Portugal e Espanha vingar é o melhor que poderemos alguma vez conseguir e o que temos isso sim é aproveitar a publicidade. Nisso já estamos a perder e basta ver o vídeo final da candidatura... aí sim fomos pacóvios e Portugal quase nem se vê.
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De Eu a 02.12.2010 às 14:42

Acabem com o futebol profissional já!!!!
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De Anónimo a 02.12.2010 às 15:21

Até aceito a proporcionalidade dos números. Agora que nem o jogo de abertura nem a final se faça em Portugal, é que uma vergonha! Isso sim é que é ser um apêndice de espanha!
Não só nos subjugamos a espanha, como a nação portuguesa se subjuga à comunidade catalã, onde se diz que vai ocorrer o jogo de abertura. Comunidade catalã esta que almeja um dia vir a ser reconhecida internacionalmente como uma nação independente!
Se se confirma que nem o jogo de abertura acontece no nosso país, dá para pareceber que o Gilberto Madaíl é um froxo e um vendido (leia-se traídor)!
Viva Portugal!

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