O homem que não gosta de referendos
É bom que os eleitores tenham a noção clara disto: Vital Moreira, o cabeça de lista do PS às europeias, é frontalmente contra a convocação de um referendo europeu. Em Junho de 2008, quando os irlandeses foram chamados às urnas para se pronunciar sobre o chamado Tratado de Lisboa, Vital Moreira apressou-se a clamar na Causa Nossa contra esta consulta popular. Considerando, de caminho, que o referido tratado é "um texto incompreensível para quase toda a gente", o que não parece nada lisonjeiro para os eurocratas que deram à luz este texto, em boa hora chumbado pela Irlanda. Quando se confirmou a vitória do 'não', logo sugeriu que Dublin devia ficar fora da União Europeia. E aproveitou para se demarcar por completo do seu ex-partido, o PCP, e do Bloco de Esquerda em matéria europeia, numa demonstração cabal de que é a personalidade menos indicada para atrair votos à esquerda do PS.
Nesta rejeição do referendo, curiosamente, Vital Moreira está em total desacordo com o Sócrates de 2005, que inscreveu a consulta europeia no programa eleitoral socialista: "No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado Constitucional. O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular". Está mais de acordo com o Sócrates de 2008, que rasgou a referida promessa, como ela nunca tivesse existido.
ADENDA: Vital Moreira foi contra o referendo irlandês, de 13 de Junho de 2008, que se saldou pela vitória do não. Mas aplaudiu o referendo espanhol à Constituição europeia, de 20 de Fevereiro de 2005, que deu vitória esmagadora ao sim. Dois pesos e duas medidas...

