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Lembrar os países onde não há greve

por Pedro Correia, em 24.11.10

 

 

Em dia de greve geral, a mais bem sucedida de sempre em Portugal, é de elementar justiça lembrar os países do mundo que negam total ou parcialmente aos seus cidadãos este direito fundamental. Eis alguns: China, Coreia do Norte, Cuba, Birmânia, SíriaEgipto, Irão, Marrocos, Argélia, Bielorrússia, Arábia Saudita, Líbia, Laos, Vietname e Zimbábue.

À atenção dos nossos dirigentes sindicais, que devem estar na primeira linha da defesa dos camaradas que sofrem brutais restrições ao direito à greve além-fronteiras. E também de certos políticos portugueses, que olham para alguns dos países mencionados acima como modelos inspiradores. Apesar de esses mesmos países negarem lá o que os tais políticos exigem cá.


40 comentários

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De jojoratazana a 24.11.2010 às 17:44

Sr. Pedro Correia.
O Sr. quer dizer que as noticias que li há uns tempos atrás, na imprensa portuguesa sobre greves na China eram falsas?
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 17:58

Lamento desiludi-lo, mas o direito à greve foi banido da Constituição chinesa em 1982. Aliás, tratou-se apenas da legalização de uma prática.
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De jojoratazana a 24.11.2010 às 19:00

24.06.2010 09:01 - Economia
-
Novas greves na China obrigam fábrica da Toyota a parar
As greves e a instabilidade social nas fábricas da China voltaram esta semana a afectar a indústria automóvel no país, devido a paragens em empresas fornecedoras onde os trabalhadores exigem uma melhoria dos salários.

Jornal Público
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 19:09

Deixei aqui ligação ao relatório anual da Confederação Sindical Internacional, que agrupa 301 organizações filiada em 151 países e territórios, representando 176 milhões de trabalhadores. Se quiser informar-se sobre a China e os restantes países que menciono, leia. Lembre-se do verso de Sophia: "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar."
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De jojoratazana a 24.11.2010 às 19:45

A mentira é uma arma.
Eu já sabia.
Mas afinal de entre a noticia do Jornal Público e a Confederação Sindical Internacional, quem fala verdade?
Cheira-me que os sindicatos chineses não pagam cotas à dita Confederação.
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De Anónimo a 10.10.2018 às 09:39

É bem o direito à greve mas o direito ao trabalho também é muito importante e parece não importar a muitos grevistas o que é de lamentar. Não me lembro de alguma vez haver tantas greves o que alegra certos partidos. Surpreende-me que um doente com uma operação marcada e anulada devido à greve, não tenha ainda reagido violentamente.
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De Pedro Correia a 10.10.2018 às 10:19

Geralmente os doentes com operações marcadas não reagem violentamente. É o que nos indicam as estatísticas.
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De João Carvalho a 24.11.2010 às 19:57

Ó Jojó, vou fazer-lhe um desenho: na China também é proibido roubar peças classificadas e ainda há dias V. leu aqui sobre um condenado à morte por ter roubado património histórico.
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 21:10

Já disse ao Jojó que o direito à greve foi banido da Constituição chinesa e ele teima em defender o 'partido irmão'. Que fanatismo.
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De jojoratazana a 24.11.2010 às 21:52

O que conhece o Sr. da China pelos vistos muito pouco.
A imprensa mundial mentiu, pois o senhor é dono da verdade.
E o fanático sou eu?
Olhe por mim o Sr Pedro mais o sr. Carvalho podem ficar com a bicicleta.
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 22:11

Lamento mais uma vez desiludi-lo, mas se há país que conheço é a China. E obrigado pela bicicleta: na China dá sempre jeito.
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 23:38

Obrigadinho. Sobre a China estou suficientemente esclarecido. E sobre a Coreia do Norte também.
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De Sara a 24.11.2010 às 18:39

A cegueira e teimosia do PCP faz-me lembrar por vezes a igreja católica. Ainda que o PCP não queira ter nada com a igreja católica, tem mais semelhanças com ela do que aquilo que pensa. Excelente observação a do seu post!
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 19:11

Obrigado, Sara. De facto, desafia todas as evidências - e a inteligência mediana de qualquer um - continuar a considerar a Coreia do Norte um modelo, como faz o PCP.
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De João Carvalho a 24.11.2010 às 20:08

Percebo o que diz, Sara, mas sugiro-lhe que não confunda.

A Igreja católica "funciona" a posteriori (mal ou bem, não vem ao caso, mas não podia deixar de ser assim), tentando adaptar atitudes aos novos conceitos sociais (com maior ou menor sucesso, também não vem ao caso) à medida que se torna perceptível que esses conceitos se vão consolidando.

Já o PCP era suposto ser vanguardsita (e autoconsidera-se assim), manifestando no entanto uma postura cega e, sobretudo, arcaica.

Portanto, o exemplo que deu parece-me pouco feliz, mas repito: entendi o acerto do que quis dizer.
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De Sara a 24.11.2010 às 23:28

Simplificando, pode-se dizer que a igreja católica funciona (muito) à posteriori e se adapta quando tem de mesmo de ser porque vê que está a perder cada vez mais fiéis.
Creio que acontecerá exactamente o mesmo com PCP quando, por este tipo de cegueiras e teimosias bafientas, começar a ver os seus "fiéis" a passarem para a igreja mais próxima, e em "bloco".
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De João Carvalho a 25.11.2010 às 15:56

Não sei é bem isso, Sara. O que eu quis sublinhar é que a Igreja católica jamais poderia ir à frente da mudança, ao passo que o PCP era suposto ser ele próprio a mudança.

O seu raciocínio, como já disse antes, é sustentável. Apenas o exemplo é que me parece menos bem conseguido, por este motivo simples que já estou a repetir: não pode estabelecer-se um paralelo entre uma instituição que só actua em consequência dos factos e outra que se intitula actuante por antecipação.
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De Sara a 26.11.2010 às 00:49

Em minha defesa, tenho a dizer que, do alto dos meus longos 23 anos, não consigo associar a palavra "vanguarda" ao PCP. Olho para o PCP como um partido completamente parado no tempo, teimoso, a querer voltar a um passado glorioso que nunca existiu em parte nenhuma do mundo que tomam como exemplo. Pelo menos disso a igreja ainda se pode orgulhar e percebo que se queira manter no passado. Mas está desfeita a confusão :-)
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De João Carvalho a 26.11.2010 às 03:17

Sem dúvida (e nada tem para se defender, porque o seu ponto de vista é sempre respeitável).

Sobre o PCP, idem. Por isso é que eu escrevi que é o partido que se supõe como tal. Concordamos que, na verdade, é de um passadismo que até arrepia.
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De Daniel João Santos a 24.11.2010 às 22:20

nem mais.
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 22:53

O PC da China é contra o direito à greve. O da Coreia do Norte também. E o de Cuba. E o do Vietname. Todos partidos 'irmãos' do PCP.
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De Rui Rocha a 25.11.2010 às 00:04

É um poker de ases. Se juntarmos o Jojo, temos uma sequência de cor (vermelha).
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De jojoratazana a 24.11.2010 às 23:30

Olhe tem um PC aqui na Europa que é governo e admite a Greve.
O PCP congratula-se com a eleição de Demetris Christofias como Presidente da República de Chipre e transmite as suas calorosas e fraternais felicitações aos comunistas e ao Povo cipriota por esta tão importante e significativa vitória.

A eleição de Demetris Christofias é expressão do papel histórico do AKEL - Partido Progressista do Povo Trabalhador de Chipre, do qual é secretário-geral - na luta dos trabalhadores e do Povo cipriota pela soberania, o progresso social e o socialismo.

O PCP confia que a eleição de Demetris Christofias constituirá um importante passo em direcção à reunificação de Chipre, causa à qual o AKEL - principal força política do país - se tem dedicado com grande determinação e firmeza.

Amigo Pedro isto hoje não está a correr nada bem.
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De Pedro Correia a 24.11.2010 às 23:37

Não lhe está a correr bem? Estimo as melhoras.
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De Sara a 24.11.2010 às 23:55

E isso altera o facto de o PCP não se pronunciar sobre a proibição à greve em países como os acima citados, só porque nesses países o regime é comunista? Só quer dizer que o PCP é parcial e tem dois pesos e duas medidas consoante o que lhe interessa. Apoia regimes comunistas, independentemente dos seus métodos de governação, e fica sempre do lado desses governos, mesmo quando prendem opositores.

Se de repente Sócrates decretasse prisão domiciliária ao líder do PCP só porque este discorda das suas ideias, acharia bem? Ou se, num acesso de loucura, fosse adicionada à constituição a proibição da greve, concordava?

É muito bonito defender algo que está a milhares de km de distância. Eles que fiquem lá com as suas restrições à liberdade, enquanto nós a aproveitamos aqui e defendemos um regime para nós que verdadeiramente - e felizmente - nunca sofremos na pele.

E escusa de accionar a cassete, que eu por aqui me fico.
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De Pedro Correia a 25.11.2010 às 00:04

Sara, subscrevo e aplaudo.
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De Sara a 25.11.2010 às 00:24

Há que perceber que hoje é um dia difícil para o camarada... :)
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De João Carvalho a 25.11.2010 às 16:00

Os dias para os camaradas, Sara, andam cada vez mais difíceis. A vida pregou-lhes uma partida que eles não esperavam (nem podiam esperar, porque eles nunca esperam nada que não seja conservar o que ficou gravado na velha e cansada cassete).
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De anamar a 24.11.2010 às 23:53

Plenamente de acordo e solidária...
E mais podia tecer, mas para quê????
Já o fez e bem....
.))
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De Pedro Correia a 25.11.2010 às 00:04

Também acho que fica tudo dito. É ler os 'links' que aqui deixo. Falam por si.
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De Hugo a 25.11.2010 às 04:21

Não sei se lhe poderemos chamar greve mas existiram umas paralisações aqui ao lado em Schenzen na fábrica da Foxconn
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De Pedro Correia a 25.11.2010 às 19:35

Pois, Hugo. Também as greves nos estaleiros navais na Polónia, em 1970, 1976 e 1980 existiram. Mas eram ilegais. É espantoso o argumento utilizado para tirar o direito (nominal) à greve da Constituição: tinham acabado os motivos para relações conflituais entre trabalhadores e entidades empregadoras. Vê-se.
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De Pedro Coimbra a 25.11.2010 às 09:08

Tantos paraísos terrenos, Pedro?
Sem direito à greve?
Não pode ser.
Isso só pode ser um boato da "reacção".
E, como todos sabemos, a "reacção" não passará!
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De Pedro Correia a 25.11.2010 às 19:36

O mais espantoso, Pedro, é verificar que os "amigos dos trabalhadores" de cá nada dizem contra a prisão, tortura e execuções dos trabalhadores em vários países do lado de lá.
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De José António Abreu a 25.11.2010 às 10:33

Bem lembrado. Mas, Pedro, olhe que o regime chinês é muito melhor do que o pintam. Para além de já terem ocorrido umas greves por lá (ilegais, está bem, mas não é preciso ser comunista - basta ser português - para se saber que a lei só interessa quando está a nosso favor) todos nos recordamos de uma grande manifestação popular na maior praça de Pequim que o governo chinês aceitou sem problemas.

Ahn... "sem problemas" talvez seja exagero. Aceitou assim-assim. Digamos que pelo menos não usou armas nucleares.
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De Pedro Correia a 25.11.2010 às 19:37

É verdade, meu caro. Retiro tudo quanto disse sobre a ditadura chinesa. Aliás ditadura não: ditamole. Democradura, melhor dizendo. Porreiro, pá.
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De Jose Pedro Pinho dos Santos a 26.11.2010 às 21:33

Meus amigos, existem em Portugal, muitas pessoas Empresários retrógrados que limitam o Direito á Greve e que alguns "moralistas" não os denunciam, é uma VERGONHA, ex: donos dos Bancos, Sonae , Jerónimo Martins etc etc , aqui não existe o direito á greve, porque se alguém se arriscar a fazer, está marcado e rua com ele desemprego, resquícios do Salazarismo, que leva muito tempo a apagar.
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De Paulino Intepo a 24.11.2011 às 02:45

Incrivel como voce previu e apelou logo este acto. Mostrando os factos em situações reais dos paises postos. É melhor tomarem cuidado com as greves, a nao ser que tenham uma retaguarda segura.

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