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Cavaco, Ferreira Leite e Sócrates

por Pedro Correia, em 18.11.10

 

Quem espera que Cavaco Silva, na hipótese de ser reeleito, comece por dissolver o Parlamento, abrindo assim caminho a uma eventual vitória eleitoral do PSD, pode esperar sentado. Cavaco falou há dias, na Assembleia da República, pela voz de Manuela Ferreira Leite. A aprovação do Orçamento do Estado que entrará em vigor em Janeiro de 2011 é não só “necessária” mas “indispensável”, daqui decorrendo que a sua aplicação não pode sofrer atropelos de ordem política.

Aníbal Cavaco Silva, de resto, tem horror à agitação política: prefere a certeza do que já existe às incertezas do que apenas se esboça em cenário. Falta-lhe o sentido do risco que Mário Soares revelou em 1987, quando dissolveu o Parlamento, abrindo dessa forma caminho à primeira maioria absoluta do próprio Cavaco.

O Presidente da República teme, acima de tudo, os julgamentos da História. E como nunca alimentou qualquer simpatia pelo actual líder do PSD nada fará para lhe tornar a vida mais fácil. A própria Manuela Ferreira Leite, aliás, encarregou-se de desfazer qualquer dúvida a este respeito quando no referido discurso – muito aplaudido pelos socialistas e naturalmente elogiado por José Sócrates – deixou claro que a questão da crise exige estabilidade política, o que implica naturalmente a manutenção em funções do actual Governo. “É tempo de as tentações partidárias cederem ao interesse nacional”, declarou, em evidente recado à direcção social-democrata e àqueles que no seu partido se sintam suficientemente estimulados pelas mais recentes sondagens para avançarem com uma moção de censura ao Governo PS logo após as presidenciais. Não com ela. Nem com Pacheco Pereira, que a secundou nas duas últimas emissões da Quadratura do Círculo.

Aliás derrubar o Governo para quê se o Orçamento do Estado socialista agora viabilizado pelo PSD “é o que o País precisa”? Esta lapidar declaração de Cavaco, pela voz de Ferreira Leite, não podia ser mais tranquilizadora para Sócrates. Tradução prática: Belém e a oposição interna a Passos Coelho preferem esperar, até que uma nova direcção social-democrata acabe por surgir no horizonte.

Que o País permaneça entretanto entregue a Sócrates e Teixeira dos Santos é um pormenor de somenos nesta lógica do mero ajuste de contas. Razão tinha Churchill: em política, os adversários estão fora de portas; os inimigos estão intramuros. De facas muito mais afiadas do que os primeiros.

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4 comentários

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De PinaMoura a 18.11.2010 às 19:22

Oh homem Vc passa-se com o Cavaco. Tenha calma que ainda morre do coraçon. Eu concordo consigo quando diz que o Cavaco não é perfeito, mas vc será?Eu serei?..É verdade que não nos candidatamos a Presidente, mas olhando pra concorrência como é? Votamos no Alegre, no Defensor, no protegido da familia Soares ou prefere o Xico do PC?..convenhamos que a escolha é demasiado simples, para que o seu ódio de estimação a possa ver..Paciência, lá diz o povo na sua sustentada sabedoria..."pior que o cego é aquele que não quer ver"...Ah e depois tem sempre os sais de fruto. É a vida
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De o puma a 18.11.2010 às 19:36

A nossa história está recheada
de exemplos pulhas

PS/PSD que se fundam
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De André Salgado a 18.11.2010 às 20:01

Caro Pedro,

Cavaco tem, de facto, horror à agitação política e menos a deseja até cumprir a agenda da sua reeleição. Mas há aqui um erro de análise. Soares dissolveu o Parlamento, não por estado de alma, mas na sequência de uma moção de censura aprovada na assembleia da república. Ter devolvido a palavra aos eleitores, em vez de se aventurar pela promoção de um governo PS/PRD, apenas demonstrou a sensatez da sua leitura política do país. Cavaco ainda não foi confrontado com esse cenário, e aí, meu caro, a responsabilidade apenas pode ser atribuída à falta de ousadia (ou coragem) política da actual direcção do PSD, que só considerou a hipótese de uma moção de censura enquanto linguagem retórica, quando seria de todo impossível que esta tivesse consequências. O tacticismo e o correspondente receio de ser julgado como promotor de uma crise política inoportuna tem sido um estrangulamento de Passos Coelho, não de Cavaco.

Cumprimentos

André Salgado
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De Alzira Maria a 18.11.2010 às 20:56

Cá por mim, já decidi: vou votar naquele gajo com cara de motorista de autocarro de turismo... Ainda não lhe fixei o nome, mas aqui ao lado dizem-me que é o Portanto (será?).
E o Pedro? Também vai votar nele? Então, já somos dois.

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