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Vantagens

por Jorge Assunção, em 01.03.09

De um ensino superior maioritariamente público como o português face ao sistema norte-americano que promove o elitismo social com o elevado peso de instituições superiores privadas como as que compõem a Ivy League: Universidade de Lisboa: alunos com mais recursos são maioria nos cursos com médias mais altas. Para quando o fim do ensino superior público subsidiado para tudo e para todos, com a distorção de mercado que tal garante, para um ensino superior onde só os que realmente necessitam são ajudados?

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13 comentários

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De Sara a 01.03.2009 às 17:10

O mérito não deve ser recompensado?
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De Jorge Assunção a 01.03.2009 às 17:20

Obviamente que sim Sara. Não procuro no meu post afirmar o contrário. Se não se importar de satisfazer a minha curiosidade, porque pergunta?
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De Sara a 02.03.2009 às 22:08

Porque ao defender que quem provém de famílias mais abastadas (não necessariamente ricas) deve ser penalizado, está a ignorar o esforço que esse aluno fez durante o seu percurso escolar para conseguir entrar numa Universidade de maior tradição/prestigio e não sobrecarregar os pais. Na minha opinião o esforço escolar e o mérito desse aluno tem de ser recompensado de alguma forma. E contra mim falo porque fiz toda a minha escolaridade no ensino público, entrei na Universidade do Porto com média de 16, o que não é nada de especial, e fiz toda a faculdade com bolsa de estudo. Por outro lado percebo o que quer dizer.
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De João Carvalho a 02.03.2009 às 22:16

É certamente por isso que deve haver mais do que um tipo de bolsas: de mérito, sociais, etc., todas baseadas no bom aproveitamento, mas para diferentes situações (aproveitamento excelente, dificuldades financeiras, etc.).
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De Sara a 03.03.2009 às 01:53

Sendo assim já faz mais sentido. No entanto, aqui entra o que a Laura disse: "uns desgraçados a quem a transparência fiscal se aplica inexoravelmente, a 100%, e uns tantos felizardos que não pagam propinas e se passeiam de BMW topo de gama (que nem é do papá).". Quem não conhece alguém que tem bolsa porque os pais não declararam tudo o que recebem, e não conhece estudantes que efectivamente mereciam e não conseguem? O sistema é um universo complicado... O sistema actual peca, a meu ver, por um excesso saudavel: quem não tem muitas possibilidades pode estar na faculdade mesmo sem bolsas, ainda que o orçamento de Estado saia prejudicado. Mas acho que há outras áreas em que se pode cortar antes de se mexer na saúde e na educação. E na saúde já começa a ser o que se sabe...
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De Jorge Assunção a 03.03.2009 às 02:20

Sara,

como reconhece, o argumento da Laura já se aplica ao sistema actual. O facto de um problema poder manter-se (e eu sublinho a mera possibilidade porque ainda não disse propriamente qual o sistema que defendo), não implica que outros ainda mais relevantes não se resolvam.

"quem não tem muitas possibilidades pode estar na faculdade mesmo sem bolsas"

Ora, a Sara foi quem levantou a questão do mérito e agora dá a entender que, para evitar injustiças, todos devem ser recompensados? Não por acaso todos os professores eram/são avaliados com nota máxima.

"acho que há outras áreas em que se pode cortar antes de se mexer na saúde e na educação."

Discordo em absoluto. A saúde, por exemplo, é a área onde os custos do Estado mais vão subir no futuro, quanto a isso não há volta a dar, por isso é mesmo das primeiras áreas onde se devia mexer.

Quanto à educação, repare que o sentido do meu post não é só a eficiência financeira na gestão do ensino. É também uma questão de melhoria dos resultados (por isso refiro a distorção do mercado: no preço, na concorrência, etc...). E quanto a isso, não vejo fundamento para adiar qualquer reforma.
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De Sara a 03.03.2009 às 02:48

"Ora, a Sara foi quem levantou a questão do mérito e agora dá a entender que, para evitar injustiças, todos devem ser recompensados? Não por acaso todos os professores eram/são avaliados com nota máxima."

Referia-me às faculdades públicas. Eu defendo que as recompensas devem chegar pelas notas académicas, seja de quem tem muitas notas verdinhas ou não. O que defende no seu post, "Para quando o fim do ensino superior público subsidiado para tudo e para todos, com a distorção de mercado que tal garante, para um ensino superior onde só os que realmente necessitam são ajudados?" é pertinente mas é também utópico. Com o sistema actual quem não tem possibilidades mas tem boas notas entra numa pública e com cerca de mil euros anuais paga as propinas. Não me parece que seja um valor baixo, mas tudo depende do curso e dos custos que a ele inerentes. Sendo assim, para também ser mais justo, tínhamos de tabelar cada curso com x valor.

Sem fugir ao principal, com o sistema actual um estudante abastado faz a faculdade quase de graça, mas o estudante mais pobre também a faz. Com o sistema defendido no seu post estaríamos provavelmente a excluir muitos estudantes mais pobres. Entre sobrecarregar o Estado e barrar oportunidades eu escolho a primeira.
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De Jorge Assunção a 03.03.2009 às 03:03

Sara,

"Eu defendo que as recompensas devem chegar pelas notas académicas"

mas eu já lhe afirmei que essa recompensa é obtida no emprego futuro. Ainda não vi a Sara desfazer esse meu argumento.

"é pertinente mas é também utópico"

o sistema americano com os seus defeitos existe e é melhor que o nosso, por isso não queira colocar o rótulos de utópico ao que defendo só para acabar com o debate. ;)

"Sendo assim, para também ser mais justo, tínhamos de tabelar cada curso com x valor."

Obviamente. Cada curso tem o seu valor e o mesmo curso em universidades diferentes teriam valores diferentes. E isso tem uma grande vantagem, permite que as escolhas por parte dos alunos dos cursos onde se metem sejam mais racionais.

"Com o sistema defendido no seu post estaríamos provavelmente a excluir muitos estudantes mais pobres."

Mas porquê se continuariam a existir bolsas de estudos? E o financiamento bancário - como é que acha que no sistema utópico americano boa parte dos estudantes do ensino superior se financiam?
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De Sara a 03.03.2009 às 19:46

"mas eu já lhe afirmei que essa recompensa é obtida no emprego futuro. Ainda não vi a Sara desfazer esse meu argumento".

É nas engenharias, nas economias, mas não o é em várias outras áreas mais sobrelotadas, onde predomina muitas vezes o factor c, ou quem aceita as condições mais baixas de trabalho.

"Mas porquê se continuariam a existir bolsas de estudos?" Pelo que já referi, pela má atribuição muitas vezes destas bolsas, fruto da omissa declaração de rendimentos que tantos portugueses fazem. Até nisso o sistema americano é diferente do nosso, por isso se calhar é que cada país deve ter as suas especificidades, mais adequadas ao seu povo e à sua cultura.

Se o Jorge ainda por cima defende que uma Universidade melhor deve ser ainda mais cara, então aí na minha opinião estamos a voltar aos tempos da outra senhora em que só quem era rico é que podia ir para o ensino superior. Volto a insistir que isto das bolsas tem muito que se lhe diga. Em relação ao financiamento concordo plenamente com ele. Assim como concordaria em diminuir drasticamente as vagas de alguns cursos sem saídas profissionais.

Ou se calhar sou eu que já estou a distorcer tudo ;)

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De Jorge Assunção a 03.03.2009 às 20:15

"onde predomina muitas vezes o factor c, ou quem aceita as condições mais baixas de trabalho."

Isso é em parte verdade. Mas não é menos verdade que assim se passa porque o curso não tem um preço (e é esse o meu ponto). Se o curso tivesse um preço associado, as pessoas teriam mais cuidado nas escolhas que fazem (quantos a Sara não conhece que entraram num curso só para obter um canudo - e acha que isso deve ser financiado?). Mas, apesar de tudo, a maioria dos cursos continua a ter um retorno esperado positivo.

"Pelo que já referi, pela má atribuição muitas vezes destas bolsas, fruto da omissa declaração de rendimentos que tantos portugueses fazem."

Mas é diferente afirmar que há bolsas de estudo atribuidas a pessoas que não a deviam receber, do que afirmar que existem pessoas que deviam receber bolsa de estudo e não a recebem.

"então aí na minha opinião estamos a voltar aos tempos da outra senhora em que só quem era rico é que podia ir para o ensino superior."

Não. Uma universidade não depende só das receitas, depende também da qualidade dos alunos que a frequentam. Logo, têm todo o interesse em receber os melhores alunos independentemente da condição social. As universidades da Ivy League norte-americana tem bolsa de estudo próprias para alunos mais carenciados (e o Estado pode ele próprio promover essas bolsas). Claro que o universo dos seus alunos é na maioria da classe média-alta, mas em Portugal, nas melhores universidades, a realidade em nada se distingue.

"Assim como concordaria em diminuir drasticamente as vagas de alguns cursos sem saídas profissionais."

Se os cursos tivessem um custo isso ia acabar por verificar-se. Decretar as vagas por via administrativa nunca deu grande resultado porque o decisor central não é grande perito a avaliar as necessidades do mercado (bem como sujeita-se ao poder dos lobbys, o caso do curso de medicina é paradigmático).

"Ou se calhar sou eu que já estou a distorcer tudo ;)"

Não, longe disso. E tem sido um prazer debater isto consigo. ;)
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De Jorge Assunção a 02.03.2009 às 22:44

Sara,

o esforço do aluno é recompensado com o beneficio do previsível melhor emprego futuro. O serviço que lhe permite obter tal benefício não deve ser financiado pelo Estado.

"fiz toda a faculdade com bolsa de estudo."

A bolsa de estudo, ou seja, a entrega directa de um apoio monetário a um estudante (seja por mérito, seja por necessidade), é assunto diferente do que pretendia focar.
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De Laura a 01.03.2009 às 19:57

Mais um sacrifício para a classe média, é o que propõe?
Mil e quinhentos euros por ano não é assim tão pouco, considerando o contexto nacional.
Por mim, sou absolutamente contra esse tipo de reformas na educação, saúde, etc
Não por princípio, mas porque o modelo iria fatalmente perverter os seus fins, enquanto a indiciação daquilo a que chama "os que podem pagar" for como é em Portugal:- uns desgraçados a quem a transparência fiscal se aplica inexoravelmente, a 100%, e uns tantos felizardos que não pagam propinas e se passeiam de BMW topo de gama (que nem é do papá).

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De Jorge Assunção a 01.03.2009 às 20:26

Laura,

"Mais um sacrifício para a classe média"

Mas quem é que já paga o actual sistema?

"Mil e quinhentos euros por ano não é assim tão pouco, considerando o contexto nacional."

Se é às propinas que se refere, são à volta de mil euros anuais. E continuam a ser muito inferiores ao custo do serviço (e muito baixas para o beneficio individual que um curso representa - especialmente nos casos de cursos em que a média de entrada é alta).

"mas porque o modelo iria fatalmente perverter os seus fins"

Mas não é isso que se passa com o modelo actual?

"uns desgraçados a quem a transparência fiscal se aplica inexoravelmente"

É melhor ter desgraçados a pagar a educação superior de outros, sem que tenham qualquer filho seu a recorrer ao sistema.

"e uns tantos felizardos que não pagam propinas e se passeiam de BMW topo de gama"

Mas isso não é o que se passa com o actual sistema?

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