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Amado faz xeque a Sócrates

por Pedro Correia, em 13.11.10

 

 

Escassas horas após o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, ter feito um apelo à necessidade de todos os responsáveis da vida pública portuguesa enviarem uma "mensagem positiva" aos mercados internacionais, um dos seus colegas de Governo, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, proclama em entrevista ao Expresso que o País pode "sair da zona euro" se não houver uma profunda remodelação do Executivo com a formação imediata de uma "grande coligação", à moda austríaca. Uma descolagem clara de Luís Amado, em rota de colisão com o primeiro-ministro, que o coloca desde já à cabeça dos candidatos a liderar um suposto governo de "salvação nacional". "O País precisa de uma coligação já", declara o ministro, sem rodeios de qualquer espécie, tornando nula a mensagem anterior que Sócrates emitira pela boca de Silva Pereira.

A partir de agora nada ficará na mesma. O bloco central que tem vindo a ser defendido dia após dia, alternadamente, por personalidades da área do PS e do PSD, vai ganhando corpo. Ainda há poucas horas pudemos ouvir também o ex-ministro socialista Correia de Campos, agora deputado no Parlamento Europeu, afirmar na RTP N: "Temos necessidade de uma política bipartidária que nos permita sair da crise."

Sem necessidade de proferir uma palavra em público, Cavaco Silva vê o terreno aplainado neste cerco duplo que outros lançam para afastar José Sócrates por um lado e travar Passos Coelho por outro. Vivemos tempos interessantes. Apesar da crise. Ou antes: por causa dela.

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18 comentários

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De Pedro Coimbra a 13.11.2010 às 07:15

Aqui ao longe vai ficando a ideia que Luís Amado é, muitas vezes, mais oposição que Passos Coelho.
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 12:14

De longe, por vezes, vê-se tudo muito melhor.
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De a.marques a 13.11.2010 às 09:27

Carne e osso. Andaram o tempo todo a desbaratar e agora querem cúmplice para o balanço da desgraça.
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 12:15

Este é o mesmo partido que há um ano, após ganhar uma eleição com um programa fraudulento, garantia aos portugueses que governaria orgulhosamente só.
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De José Manuel Faria a 13.11.2010 às 10:23

A sucessão de Sócrates na berlinda. Um PM corajoso convocava de imediato os órgãos nacionais do partido e encostava os críticos à parede. A não fazer nada, todos os dias cairão minas no curto caminho do Engenheiro.
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 12:17

Pois. Mas Amado sabe que Sócrates nada (lhe) poderá fazer a poucos dias da cimeira da NATO, onde Lisboa será por 48 horas capital do mundo como capital anfitrã. Nada disto é inocente - nem sequer a data em que a entrevista sai.
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De José Manuel Faria a 13.11.2010 às 12:18

Bem visto. Não há coincidências!
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:11

Pois não, meu caro.
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De Chloé a 13.11.2010 às 12:24

Gosto imenso de Luís Amado. Uma maneira imprópria de dizer que o acho há muito tempo uma 'carta fora do baralho' do governo PS, condição essa que a pasta do MNE favorece, mas não justifica necessariamente.
A única interrogação: - Como aguenta ele estar nesta equipa? Um facto duradouro e revelador, a não desprezar; uma resposta comprometedora, que o torna cúmplice dentro da cidadela...
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:14

Agora confirma-se, Chloé: Luís Amado é uma carta fora deste baralho ainda comandado por Sócrates. Pergunta: "Como aguenta ele estar nesta equipa?" A resposta parece-me óbvia, caríssima: não aguenta. Por isso desabafou desta maneira. E nada ficará como antes.
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De Rui Rocha a 13.11.2010 às 16:15

Excelente análise, Pedro. Na sequência de outras. Premonitórias. Algumas questões:
1 – Luís Amado ainda é o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Sócrates ou é o Líder da Estrangeirinha que estão a armar ao Primeiro-Ministro?
2 - Vai Sócrates permitir, voluntariamente, que este Bretton Woods da política nacional não tenha como indexante o Menino de Ouro? Ou a situação é/ficará tão desesperada que não terá alternativa a aceitar o que lhe impuserem?
3 - Tal como o original, este Bretton Woods está associado ao FMI?
4 - Uma coligação à revelia dos actuais líderes de PSD e PS dará origem a um Governo de Bloco Central, ou de Bloco Marginal?
5 - Um governo nessas condições, poderá ser um filho Amado por alguns. Mas não será também um filho bastardo, na medida em que, conhecendo-se o seu Pai, não será gerado pela Mãe natural da governação (a Eleição Democrática, quer a que decorre de eleições legislativas recentes, quer a que ocorreu no interior de cada um dos partidos)?
6 - Afinal, a Democracia vai mesmo ser suspensa por 6 meses? Ou já foi?
7 - Estamos todos de acordo que Teixeira dos Santos, por manifesta incompetência, deixou de ser parte da solução política por via de um Governo de Salvação Nacional (ou por qualquer outra)?
8 - É Seguro que o suposto líder da oposição interna a Sócrates continuará na Pole Position para a sucessão do actual líder e dos que se lhe seguirem pelo menos por mais vinte anos?
9 - A via alternativa a Sócrates no interior do PS vai dar a Costa?
10 – Isto está tudo lixado, não está? A começar pelo interesse nacional…
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:30

Tentarei responder, Rui.

1. O líder da Estrangeirinha mora em Belém. Amado é apenas um candidato a feitor da quinta.
2. Sócrates, ao ler a entrevista em Macau, ficou de olhos em bico. Incapaz de reagir.
3. Está associado ao FMI (Foste Muito Inteligente... em descolar agora do PM).
4. Fica condenada a ser uma espécie de seleccção da era Queiroz. Que perdia gás quando rumava ao centro.
5. Filho bastardo, claro. Como certos capitães da areia. Do outro Amado.
6. Está suspensa. Por falta de pagamento aos credores.
7. De acordo. Tudo começou no dia em que T dos S deixou de ser ministro das Finanças para se tornar ministro da Falência.
8. Hum. Daqui a 20 anos falamos.
9. Não me parece. Só depois de Costa cumprir a promessa feita aos lisboetas de tirar os carros de cima dos passeios. Nada concretizável antes das próximas três décadas.
10. Como dizia um grande pensador português, é preciso que a boa moeda expulse a má moeda.
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De fernando antolin a 13.11.2010 às 17:01

E continuamos sem a menor dose de coragem para uma ruptura democrática e institucional, toda a corte de instalados a apelar ao centrão e à manutenção do pântano, Guterres pode voltar,após a bem paga sinecura.
Acredito que Sá Carneiro deve, amargamente, sorrir...
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:32

Querem voltar ao consenso mole e pastoso do bloco central dos anos 80, com a bênção do patriarca de Belém. Até frei Pacheco, que sempre condenou tal prática, toca agora os sinos do convento a rebate, chamando os fiéis do centrão à missa.
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De Manuel Brás a 13.11.2010 às 20:55

A rosa definhada no pedestal

A deterioração financeira
da conjuntura orçamental
é resultado da pasmaceira
de quem está no pedestal.

O colapso é evidente
na esfera governamental,
este regime decadente
não se segura no pedestal.

A ruptura é fundamental
contra um regime falhado,
tanta podridão no pedestal
deixa o país humilhado.
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:33

«O colapso é evidente
na esfera governamental.»
Isso mesmo, caro Manuel. Você disse em verso o que Amado disse em prosa.
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De bettencourt.de.lima a 13.11.2010 às 23:14

Por uma Democracia sem votos ( ou sem povo ), viva a República de Platão, de Sócrates definitivamente , não.

A direita, bom não insultemos a direita, esses agrupamentos que vulgarmente entre nós se designam de direita, esgotada a politica da insidia e da calúnia, duvidando do povo e das sondagens feitas à Lapa, agora ensaiam uma nova estratégia : chegar ao poder sem votos , pois isso de votos é sempre muito pouco Seguro. Arauto desta estratégia, bom quem seria mais adequado? Pois, Paulo Portas, sim aquele que navega no mar da Palha, ou melhor rente ao fundo, responsável por mais de mil milhões em submarinos e em financiamentos partidários titulados por nomes jocosos como Jacinto..por pudor fico por aqui.

Em nome da salvação nacional, receando enfrentar a tempestade que aí vem, concluindo que sem o PS (ou contra)é tarefa impossível, cientes que o novo líder só produz patetices, aí estão eles disponíveis para salvar o país . Esquecem-se que nos momentos mais tormentosos da nossa história, enquanto grande parte das nossas «elites» se vendia a Espanha, foi o povo capitaneado por bastardos que conduziu Portugal á vitória.

Todavia isto de povo sai muito caro, então educá-lo, dar-lhe saúde , reformas, bom isso está bom lá para o centro e o norte da Europa pois essa malta lá trabalha. Aqui eles só produzem na Auto-Europa, vai-se lá saber porquê …mistérios.

Por isso Salvação Nacional sim ,mas aquela de Platão, eleito mas não elegido, a de Sócrates definitivamente não.

PS.O responsável pelo maior roubo da história portuguesa, já se passeia em liberdade, essa é outra República…a dos juízes.
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De Pedro Correia a 13.11.2010 às 23:54

Chegar ao poder sem voto é inaceitável em democracia. Por isso parece-me que esse objectivo de alguns sociais-democratas, que militam na oposição interna a Passos Coelho, está condenado ao fracasso.

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