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Delito de Opinião

E das trevas renasceu a vida

Sérgio de Almeida Correia, 14.10.10

Quando em 27 de Agosto escrevi este pequeno texto, fi-lo com a fé de que há coisas que não podem ter um final triste. Dentro e fora do Chile, por todo o lado, milhões acompanharam a odisseia que resgatou os 33 mineiros e deixou meio-mundo comovido. E o caso não foi para menos.

Mas aquilo que desde o princípio me marcou foi ver e sentir a força daquela gente, dos responsáveis políticos aos familiares daqueles que a terra sequestrara. Desde o primeiro momento que todos eles acreditaram e foram capazes de mover o céu e a terra em prol de um único objectivo: derrotar a adversidade e resgatar com vida aqueles homens. Setenta dias depois mineiros e socorristas estão sãos e salvos.

Não sei se todos repararam na força que a solidariedade teve entre os que se empenharam nessa magnífica jornada. Logo no primeiro minuto,  todos eles quiseram vincar a sua condição de chilenos, o apreço que tinham pelos seus homens e pela sua nação. Quiseram demonstrar esse sentimento e exaltar a força que os movia, não esquecendo o apoio dos que de outras nações chegaram para os auxiliarem.

Quando vi as imagens da Fénix 2, orgulhosamente pintada com as cores da bandeira do Chile, pensei para comigo que uma imagem dessas seria impossível em Portugal. Logo alguém viria dizer que seria "piroso" pintar a cápsula com as cores nacionais. Só que independentemente do resultado final, para o bem e para o mal, toda aquela gente assumiu a sua condição de chilenos. Qualquer que fosse o resultado eles estavam unidos e iriam dar o seu melhor.

Os mineiros chilenos, e o boliviano que com eles esteve durante todo o tempo, já nos tinham dado uma lição de esperança, de fé e de vida. Os chilenos deram-nos agora uma lição de unidade, de luta, de capacidade mobilizadora e de congregação de esforços em torno de um objectivo que a todos interessava e com o qual todos se identificavam. Uma verdadeira lição de trabalho e de solidariedade nacional que esqueceu antagonismos pessoais e políticos.

No momento de crise que Portugal atravessa seria bom que pudéssemos aproveitar alguma coisa dessa notável lição que nos chegou da árida região do Atacama. Das entranhas da terra, num deserto seco e agreste, brotou a luz, chegou a esperança, o exemplo, enfim, a vida.    

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