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Dez razões para não votar Cavaco

por Pedro Correia, em 13.10.10

 

3. O caso Dias Loureiro

 

Em política não basta ser: é também preciso parecer. Quando o escândalo relacionado com o Banco Português de Negócios eclodiu com estrondo na praça pública, e a conduta do seu administrador Manuel Dias Loureiro foi seriamente questionada, Cavaco Silva portou-se como se nada fosse, ignorando as vozes sensatas que lhe chegavam de vários lados em urgente alerta contra a manutenção do ex-ministro da Administração Interna nas altas funções de conselheiro de Estado, que lhe garantiam imunidade num eventual processo-crime. Dias Loureiro prolongou por um prazo indecoroso a sua presença no Conselho de Estado, para onde fora designado por escolha directa do Presidente da República, perante a insólita passividade deste. A propósito ou a despropósito, não faltou quem lembrasse que Dias Loureiro foi secretário-geral do PSD - cabendo-lhe, portanto, movimentar toda a máquina partidária - quando Cavaco desempenhou as funções de presidente do partido. Esta digressão pelo passado teria sido escusada se Cavaco Silva fosse mais criterioso na escolha dos conselheiros de Estado, uma das raras competências próprias que a Constituição da República lhe atribui.


28 comentários

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De Pedro Ulrich a 13.10.2010 às 16:32

Caro Pedro,
Neste caso, concordo em parte. De facto, foi um episódio que em nada contribui para a imagem de credibilidade que CS gosta de fomentar.
Tendo em conta a forma como terminou o seu argumento, depreendo que entende que o pecado de CS neste caso terá sido o erro de julgamento do Presidente em relação à escolha de DL para conselheiro de estado... Neste contexto, pergunto-lhe:
1. Alguém em Portugal se insurgiu contra a nomeação de Dias Loureiro aquando do facto em si mesmo (não podemos ser anacrónicos sob pena de não conseguirmos sustentar os nossos argumentos)?
Depois...
2. Acharia normal que o Presidente da República tomasse essa decisão em resultado apenas da pressão mediática?
3. Tendo em conta a relação de amizade e de conhecimento mútuo entre ambos, não acha normal que Cavaco Silva (e aqui refiro-me a ele como homem e não como Presidente) quisesse aguardar por dados mais objectivos antes de tomar uma decisão inédita em Portugal? Isto tendo em conta que, quando o fizesse, seria sempre visto como uma assunção de culpa?
4. Não estamos sempre a afirmar aos 4 ventos que, em democracia e num Estado de Direito, todos somos inocentes até prova em contrário?
5. Não acha que CS melhor do que ninguém saberia o que este caso, fosse qual fosse o seu desfecho, sera sempre uma lost/lost situation?
6. Se começarem a surgir notícias sobre alegados "favores" na Câmara de Cascais, ou "diamantes" em Angola, ou "hemofílicos" de Évora, e por aí fora, acha que o Presidente se viria na obrigação de pedir a demissão dos hipotéticos visados?
Resumindo, obviamente que esta situação representa uma mancha no mandato de CS, mas dificilmente as coisas poderiam processar-se de outra forma tendo em conta as circunstâncias...
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De Pedro Correia a 14.10.2010 às 01:04

Caro Pedro:

1. Nunca me verá pôr em causa o princípio constitucional da presunção da inocência. Como é óbvio, jamais referi que DL é "culpado". Defendi logo na altura, como está documentado, e por maioria de razão sustento agora, que devia ter-se demitido do Conselho de Estado mal o escândalo rebentou por estar numa posição politicamente insustentável.

2. Ignoro se alguém se insurgiu contra a nomeação de DL. Isso não me parece significativo. O que está em causa é a capacidade de avaliação política do PR na escolha dos seus conselheiros. Creio deduzir das suas palavras que no caso de DL a escolha de Cavaco não foi feliz. Julgo que os factos demonstraram isso mesmo.
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De Pedro Ulrich a 14.10.2010 às 10:48

1. Concordo inteiramente.
2. Parece-me significativo sim, porque, como referi anteriormente, ninguém, da política à imprensa, questionou a legitimidade da nomeação em causa. Aliás, se pensarmos em tudo aquilo que se sabia, na altura, sobre os nomeados, acredito que seria muito mais legitimo (até do ponto de vista mediático) questionar a legitimidade de Leonor Beleza, mas, mesmo neste caso, ninguém o fez. Logo, daqui concluo que não se pode apontar falta de "capacidade de avaliação" ao Preesidente. Mas já devíamos todos saber que CS liga pouco à poeira mediática diária...
Pense assim: se por algum motivo CS sonhasse, na altura, que Dias Loureiro poderia ser responsável por muitas das acusações de que foi alvo, então, a crítica a Cavaco seria, e com justiça, muitíssimo mais adequada e severa... Se acredita que Cavaco desconfiava de algo e preferiu ignorar (ou esconder), então, estaremos a falar de um outro tipo de acusações... E aí, sim, eu seria o primeiro a querer vê-lo "enforcado"... Mas, na minha humilde ingenuidade, não acredito que soubesse...
E se foi feliz, ou não, é obvio que o desenrolar dos acontecimentos tornou-a profundamente infeliz...
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De JB a 13.10.2010 às 17:30

«se Cavaco Silva fosse mais criterioso na escolha dos conselheiros de Estado»
Mais do que isto.
Se fosse um líder. Líder de facto.
O que teria feito um líder:
Assim que a história veio a público, a demissão imediata do rapaz no Conselho de Estado.
Aliás o mesmo se verificou com o caso das 'escutas':
Em que falhou na mesma, ao não ter dispensado de imediato o seu assessor.
Nada o teria impedido de os continuar a ter na sua lista de 'amigos'.
Deve ter-se esquecido do que era na altura: PR.
Aliás, um Líder, não viria com anos de atraso, dizer que o País se deve voltar para o mar.
Tal como agora, incapaz de criar, de explorando a crise, aproveitar para renovar o regime: queda de governo/ revisão da Constituição (ainda que parcelar) - Nov/ eleições legislativas a curto prazo - Fev2011.
A bem do Regime.
JBravo
(que estou a ficar reaccionário)
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De A. Pais de Almeida a 13.10.2010 às 21:04

"demissão imediata", como?
V. sabe do que está a falar? Conhece as normas constitucionais atinentes?
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De jw a 14.10.2010 às 01:02

Caro
JB
Discordo da forma como "investe" contra CS.

....Um travo forte e amargo!

Cordialmente

Johnnie Walker

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De Fernanda Valente a 13.10.2010 às 18:13

E Pedro Passos Coelho já foi indigitado para o lugar de conselheiro de Estado na sua qualidade de presidente do PSD? É provável que não, à semelhança do que aconteceu com Luís Filipe Meneses.
O Conselho de Estado no nosso país é uma espécie de "clube dos amigos do peito", pelo menos no que diz respeito aos nomeados pela via da escolha directa.
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De Pedro Correia a 14.10.2010 às 01:06

O PR tem a prerrogativa constitucional de nomear alguns elementos da sua estrita confiança para o Conselho de Estado. É livre de o fazer. Mas sujeita-se a uma avaliação política dessas escolhas.
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De Pedro Ulrich a 14.10.2010 às 10:50

Ora bem... mas essa avaliação não tem de ser a "preto e branco"... ou tem?
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De Paulo Abreu e Lima a 13.10.2010 às 18:27

«Em lado algum do Estatuto dos Membros do Conselho de Estado é dito que o Presidente da República pode demitir ou retirar a confiança aos conselheiros.»

Aqui, por exemplo:
http://www.publico.pt/Economia/presidente-entende-que-nao-tem-poderes-para-demitir-ou-retirar-confianca-aos-conselheiros-de-estado_1351065
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De Pedro Correia a 13.10.2010 às 19:54

Que falta de confiança na 'magistratura de influência' do PR! Se Cavaco não é capaz de sugerir a um conselheiro nomeado por ele que se demita, que influência terá no País em geral?
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De JB a 13.10.2010 às 20:43

Bingo, caro Pedro.
Se apenas somos capazes de fazer o que está escrito,
batatas para a lógica.
Para a responsabilidade,
que é o que a miríada de leis que regulam o Sítio permitem:
Não haver responsáveis.
Todos amanuenses.
A bem do Regime.
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De Pedro Correia a 14.10.2010 às 01:07

Penso o mesmo.
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De Paulo Abreu e Lima a 14.10.2010 às 19:45

Bom, quem confiava muito na "magistratura de influência" era o Mário Soares, mas quem a usou com outro nome foi o nosso Primeiro junto da PT.
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De A. Pais de Almeida a 13.10.2010 às 21:01

Essa "razão" não vale. Por duas, estas sim, razões:
1 - Constitucionalmente, o PR não dispunha (e continua a não dispor) de poderes para demitir qualquer conselheiro de Estado e designadamente o sr. Dias Loureiro;
2 - É especulativo acusar Cavaco de "passividade" no caso, uma vez que V. não tem nem pode ter elementos que lhe permitam dizer que o PR não pressionou atempadamente Loureiro no sentido da demissão. Ou V. acha que o PR devia vir para a tv exigir tal coisa?
Escusa, na "resposta", de vir falar nas minhas "cores políticas", como fez anteriormente... É que não sou PSD nem conto votar Cavaco.
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De Pedro Correia a 13.10.2010 às 21:38

Dias Loureiro permaneceu longos meses como conselheiro de Estado, quando obviamente já não tinha capacidade política para 'aconselhar' ninguém, muito menos o Presidente da República. Desprestigiou-se a si próprio, desprestigiou o órgão e desprestigiou quem o nomeou para aqueles funções. Numa situação destas, 'passividade' é o menor dos males que podemos apontar ao inquilino de Belém.
Gostei das aspas que pôs na palavra "resposta". Chamo a isso um argumento forte.
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De A. Pais de Almeida a 14.10.2010 às 10:56

Tanto quanto me é dado ler, o seu post não se chama "Dez razões para não votar Dias Loureiro"...
Ou V. acha que Cavaco, vendo que o dito não se demitia, deveria, repito, ter vindo para as televisões exigir a sua demissão ou corrê-lo à vassourada?
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De Ricardo Sardo a 14.10.2010 às 00:16

Boa noite Pedro.
Sobre Cavaco e o BPN recordo-me de que afirmou (vi e ouvi na tv) que nunca tinha dado ordem para vender as acções da SLN e recordo-me de que o Expresso publicou, pouco depois, uma carta assinada por Cavaco em que dá ordens ao gestor para vender as ditas acções. E recordo-me do lucro que teve. A partir desse momento (não tive que esperar pelo vergonhoso episódio do chamado Belémgate) Cavaco deixou de ter a hipótese de contar com o meu voto que, até então, seria provável.
Como a mulher de César, não basta ser sério...
Abraço.
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De Pedro Correia a 14.10.2010 às 01:08

Boa noite, Ricardo. Sugiro-lhe que continue a acompanhar esta série. Termina ao décimo dia. Ainda há muito por dizer.
Abraço
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De Pedro Ulrich a 14.10.2010 às 10:55

Correndo o risco de me enganar, mas penso qe não, CS afirmou que nunca teve relações comerciais com o BPN, não a SLN... Quando falamos em Verdade/Mentira, estes preciosismos fazem toda a diferença...
Mas que sai mal na fotografia, admito que sai... mas como já disse antes, seria praticamente impossível sair "melhor", mesmo sem ter "culpas no cartório"...
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De Ricardo Sardo a 14.10.2010 às 18:52

Pedro, leia a peça do Expresso, o comunicado de Cavaco e, por fim, a carta que ele assinou, dando ordem de venda, publicada no semanário (link em baixo). Tem razão quando escreve que Cavaco nunca negou ter tido acções da SLN, pois nunca se referiu a elas mas apenas ao BPN. E é esse "preciosismo" que mostra o seu verdadeiro carácter, tentando, com um subterfúgio, esconder o negócio e o lucro obtido. O comunicado tentou passar a mensagem de que nunca lucrou com o Banco e que até perdeu dinheiro! Ora o que aconteceu foi precisamente o inverso. É a chamada meia verdade (ou meia mentira)... Por isso escrevi, há alguns dias num outro post do Pedro Correia, que Cavaco e Sócrates estão muito bem um para o outro.
Cumprimentos.

PS: Sócrates disse uma meia verdade com a questão do conhecimento da proposta de compra da TVI (de que não tinha conhecimento "oficial"), o que levou muita gente da Oposição a criticá-lo e até a criar uma comissão parlamentar de inquérito. Já Cavaco teve mais sorte e safou-se do mesmo procedimento. I wonder why...


Peça do Expresso:
http://aeiou.expresso.pt/nota-sobre-a-declaracao-do-presidente-da-republica=f518716

Carta assinada por Cavaco (pdf):
http://downloadsexpresso.aeiou.pt/expressoonline/PDF/carta_cavaco_300509abc.pdf
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De Carlos S. Campos a 14.10.2010 às 11:00

Olhe que Cavaco deve ter ficado muito triste ao saber que V. não vai votar nele...
É que, pelo que lhe tenho lido aqui, ele teria esse voto como seguro... Paciência!
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De cr a 14.10.2010 às 10:10

Se razões houvesse para que se instalasse alguma dúvida, do amor que os une, basta um olhar atento á foto para que todas se dissipem...
eles amaram-se mesmo.
(mas isto é algo que, só o olhar intuitivo de uma mulher consegue alcançar e fica para lá de todas as análises matemáticas dos senhores lá atrás).
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De Pedro Correia a 14.10.2010 às 10:38

Continua a dar mostras da sua excelente intuição, CR.
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De Ana Cleto a 14.10.2010 às 14:33

Simplesmente vergonha, esta sua frase. V. não se enxerga, é?
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De João Carvalho a 14.10.2010 às 14:56

E como é que vão os seus negócios, ó http://www.anacleto.com/?
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De Ana Cleto a 14.10.2010 às 17:53

De vento em popa, meu caro. E têm aumentado exponencialmente (termo fantástico, não?), graças à publicidade que aqui me é consentida...
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De Pedro Correia a 15.10.2010 às 00:16

Dona Ana Cleto, pelos vistos, nunca terá ouvido falar em ágape. É pena.

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