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Sobrevalorizado

por Jorge Assunção, em 26.02.09

Este ano seremos convidados a ir votar em três ocasiões, para as europeias, as legislativas e as autárquicas. Como o histórico sugere, o valor da abstenção será relativamente elevado em qualquer uma delas. O certo é que em muitos casos a decisão de não votar aparenta ser a escolha certa do ponto de vista racional. Isto é tão mais verdade quanto mais o benefício do voto individual restringir-se à possibilidade de decidir o resultado das eleições. Dado isto, o estranho não é tanto a quantidade de eleitores que não votam, mas antes o que motiva quem vota?

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12 comentários

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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 26.02.2009 às 19:08

Jorge, nem que mais não seja pela simples razão de todos os que andam a viver à custa do colinho do papá estatal irem todos votar para defender o seu lugarzinho ao sol. E quem não for votar fica à mercê das suas decisões. Isto é, fica a sustentá-los enquanto eles decidem das nossas vidinhas... Mais decepções e frustações do que eu já sofri ao longo destes 30 e tal anos de so called democracia... desafio quem me possa ganhar. Só vi um único President ser eleito (Eanes em 76), a AD com Sá Carneiro (pouco depois tudo se esvaneceu com a sua morte violenta), e o governo de coligação psd/cds (que também foi abandonado pelo "big chief" e apeado por outro "big chief"). E no entanto lá estarei se não me der um treco antes... E vê bem, até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto...
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De Jorge Assunção a 26.02.2009 às 19:31

Ana,

"E quem não for votar fica à mercê das suas decisões."

mas eu contesto essa tese. Porque não existe uma única eleição das três que cito que tenha sido decidida por um só voto (e a probabilidade que tal aconteça é muito reduzida).

"até os nossos emigrantes querem exercer o seu direito de voto..."

É essa a minha pergunta, o que os motiva? Qual é o beneficio de votar, se decidir quem ganha ou perde não o é certamente?
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 26.02.2009 às 21:29

Jorge, como disse o "último imperador" desde criança, no fabuloso filme de Bertolucci: "I don't understand"... Hoje, desde que vi ali "a melhor line de sempre do cinema", só me ocorrem lines de filmes...
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De Jorge Assunção a 26.02.2009 às 21:58

Ana,

"Hoje, desde que vi ali "a melhor line de sempre do cinema", só me ocorrem lines de filmes..."

:)

É a isto que me refiro:
http://www.nytimes.com/2005/11/06/magazine/06freak.html?pagewanted=1&_r=1
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 27.02.2009 às 12:35

Li o artigo atentamente e até está engraçado. Ainda bem que os economistas têm sentido de humor e não se levam demasiado a sério... mas insisto que, mesmo que pouco racional, "a esperança é a última a morrer". Penso que o principal argumento está na gestão das expectativas...
E aí vai outra line: "It´s a mystery..." (produtor teatral do "Shakespeare in love")
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De Jorge Assunção a 27.02.2009 às 13:10

Como diria Agatha Christie, “It is completely unimportant. That is why it is so interesting!”, mas de facto este é um assunto que nunca vi levantado por outra espécie que se não a dos economistas. :)
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De Daniel João Santos a 26.02.2009 às 20:56

Eu agradeço o convite, mas dadas as perspectivas recuso ir lá votar.
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De Jorge Assunção a 26.02.2009 às 22:01

Ah, mas o meu post remete para uma situação independente das perspectivas. Independentemente das perspectivas, porque votamos?
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De Livia Borges a 27.02.2009 às 10:25

Porque votamos? Porque esse é o nosso direito mais básico de cidadania e se nos tirarem isso - porque, renunciamos a ir votar e podem achar que não precisamos de ir votar se tanta gente deixar de o fazer - o que nos resta? Ficarmos irremediavelmente calados.
E acho que não é isso que se defende na blogosfera...
E não está em causa UM voto, estão em causa muitos votos.
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De Jorge Assunção a 27.02.2009 às 12:24

Mas não está em causa o direito a votar, mas tão só o exercício desse direito. Quanto ao ficarmos calados, o voto é uma forma muito redutora de dizer o que quer que seja e a participação cívica está longe de poder ser restringida só a este. É exactamente por estarem em causa muitos votos que a decisão individual de votar pode não fazer sentido - o votos dos restantes é independente do meu voto individual, não é por eu votar ou deixar de o fazer que consigo influenciar os restantes votantes (quer na decisão de votar, quer na opção por quem votam), por essa via, dada a improbabilidade de um único voto decidir as eleições, o que nos motiva a votar?
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De Livia Borges a 27.02.2009 às 13:47

Isso é um conceito egoísta, centrado no eu.
E se toda a gente pensar assim?
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De Jorge Assunção a 27.02.2009 às 13:56

O conceito não tem nada de egoísta Livia. Não confundas o ego com a tomada de decisão individual. Se souberes à partida que ninguém vai votar, a decisão racional é votar.

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