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Delito de Opinião

Convidado: PAULO SOUSA

Pedro Correia, 11.10.10

 

Sobre a adopção de crianças por casais gay

 

É do conhecimento comum que existem no nosso país demasiadas crianças à guarda do Estado. Muitas delas acabam por crescer em instituições que dificilmente substituem o ambiente familiar. Isto acontece porque genericamente a nossa legislação dificulta a adopção.

No mundo anglo-saxónico é frequente uma criança mudar de um país para outro para ser adoptada. O sistema baseia-se numa relação próxima entre as instituições que têm sob a sua tutela essas crianças, assim como na boa-fé e na capacidade que cada país terá para acompanhar a evolução de cada caso.

Em Portugal, pelo contrário, o sistema baseia-se na desconfiança pois, a cada pedido de adopção, os organismos oficiais, donos do destino dos menores nessa situação, fazem por complicar.

Os defensores do actual sistema dirão que desta forma tentam defender os menores de possíveis abusadores. Porém, o caso Casa Pia mostra-nos que, se de facto têm essa preocupação, deviam era acelerar cada caso o mais possível e assim esvaziar as instituições onde, perdoem-me a expressão, os menores estão armazenados, sendo que, muitas vezes, nestes armazéns não faltarão as montras.

A legislação não é clara nem linear. Basta lembrar os vários casos mediáticos em que os menores são entregues a uma família afectiva, depois regressam aos pais progenitores, mais tarde deixam-nos sair do país, para depois ouvirmos o juíz dizer que está arrependido. No final o grande perdedor é sempre a criança.

Perante a inacção do Estado, que Governo após Governo nada faz, caberá à sociedade civil criar pressão para o mais rapidamente possível evoluirmos para uma situação mais equilibrada. Quem de facto quiser ajudar as crianças institucionalizadas deve procurar alargar ao máximo a base de apoio deste movimento.

Nesta linha de pensamento, pergunto-me porque é que alguns dos sectores ditos progressistas, que se dizem genuinamente preocupados com a felicidade das crianças, desprezam à partida o apoio da Igreja neste grupo de pressão.

Arrisco uma resposta. Isso acontece porque não são as necessidades e os direitos das crianças que estão no centro do debate, mas sim de uma certa agenda política.

Da mesma forma que a liberdade em Portugal é refém da esquerda, também a adopção de crianças é refém do lobby gay.

Pobres crianças.

 

Paulo Sousa

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