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Delito de Opinião

Convidado: VÍTOR CUNHA

Pedro Correia, 20.09.10

 

 

Gabriela Maravilhas

 

Há pessoas que nascem (pre)destinadas ao brilho e à presciência das coisas e das ideias. A actual ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, revelou-se. Ao assumir-se como femme fatale do socratismo, consciência crítica e livre, fiel intérprete do socialismo realista, veio cravar uma facada oportuna na discussão mais estéril deste Verão (sim, ainda mais estéril que a relacionada com o antigo treinador da selecção de futebol).

A ministra sem papas na língua disse alto o que todos sabemos: o famoso Estado Social deixou-se matar pelo pecado, neste caso o da gula. Em nome dos bons princípios o Estado cresceu tanto que destruiu a vontade solidária das comunidades. Até porque os nossos impostos há muito deixaram de pagar apenas as políticas públicas de redistribuição da riqueza: hoje pagamos a luxúria de uns tantos privilegiados. O Estado não soube limitar a despesa e agora arrisca destruir o que de bom se conquistou em quase um século.

Voltando à discussão estéril: a necessidade de repensar o Estado social, de diminuir a tecno-estrutura contratada para o dirigir, de progressivamente diminuir “direitos” menores (não tenho que ajudar a pagar o remédio para a ressaca dos meus amigos, mas estou disponível para comparticipar numa cirurgia) é uma urgência. Uma evidência.

A ministra Gabriela sabe do que fala e tem razão. Não fosse o azar de estarmos em pré-campanha eleitoral e tudo seria mais fácil. A ministra Gabriela arriscou a pele. Espero voltar a vê-la a tocar, Brahms ou este magnífico “se tu me amasses” (luxúria):

 

 

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