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Almas gémeas

por Pedro Correia, em 28.08.10

De súbito, à esquerda e à direita, certos artilheiros nada melhor têm a dizer do que procurar ridicularizar uma manifestação hoje realizada em Lisboa (e em mais outras cem cidades do mundo) a favor da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada por suposto "adultério" a ser apedrejada até à morte - a forma mais bárbara de execução. É bem verdade que os extremos se tocam. Insuspeitáveis almas gémeas aliviam-se em sintonia nestas ocasiões, não para intervir a favor das vítimas mas em generosa condescendência com os carrascos.

Lembremo-nos disto da próxima vez que alguma destas luminárias decidir impingir-nos virtuosas pregações. Em nome dos bons costumes, do "liberalismo", do "socialismo", da revolução permanente, sei lá que mais. Ou até em nome dos direitos humanos, que por vezes costumam dar jeito para alinhavar uma crónica quando falta inspiração para outro assunto.


38 comentários

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De raio a 28.08.2010 às 22:17

Toda a Nação legitimada pelas outras pode usar contra os seus cidadãos as suas leis ou não?

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De Daniel João Santos a 28.08.2010 às 22:18

Teve a manifestação o bom de ter unido muita gente de esquerda e direita, que estavam ali unicamente pelo ser humano e sem politicas. Quanto aos que falas, sinceramente que se lixem.
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De Pedro Correia a 28.08.2010 às 22:26

Havia mais gente do que pensei, Daniel. Ainda bem. Mas faltaram muitos que enchem a boca com "direitos humanos".
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De João Carvalho a 28.08.2010 às 22:57

Eis um registo bem necessário, este que aqui fazes, compadre. Nada pude ver pela televisão, mas espero que tenha sido uma manifestação vistosa e ruidosa.
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De Pedro Correia a 28.08.2010 às 23:02

Foi uma manifestação digna, sem aproveitamento politico-partidário e com estranhas ausências, compadre. Há silêncios inaceitáveis em momentos como este.
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De raio a 28.08.2010 às 23:02

O "suposto" adulterio foi aferido de acordo com as regras legais probatórias do Estado Iraniano.

Se nao conhece o assunto, tente fazer um esforço.

Há uma suspensao desde Julho.

E Portugal o adulterio também foi crime. E há muita gente viva ainda enbtre nós que poderia ser sujeito passivo de tal crime.

É evidente que o simples divórcio resolve o assunto. Ou o perdao. Por isso nao deve ser crime.

Mas não é assim de acordo com o Direito Penal Iraniano.

Daí a pergunta anterior.
E nao é com simples não que se responde como SERá bom de VER.
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De Pedro Correia a 28.08.2010 às 23:06

Com argumentos desse género, sugiro que em vez de se chamar raio passe a chamar-se calhau.
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De Calhau a 28.08.2010 às 23:14

Deveria ter apresentado argumentos. Nao apresentou. Antes Insulta.

Mas vejamos a quem fica bem o insulto.

A questão é bem mais complexa do que possa pensar. O que impõe humildade.

A questão posta é colocada por Hegel, por Locke, por Jakobs, Alcacer Guirao (estes dois actualmente)...são os seus calhaus.
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De Pedro Correia a 28.08.2010 às 23:27

Como pode alguém que procura justificar a lapidação sentir-se insultado quando lhe chamam calhau?
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De raio a 29.08.2010 às 01:08

NUNCA defendi a lapidação.
Leio o que está! E nao o que lhe parece que está! Porque lhe parece? Porque usa algo de comum nos pretensos comentadores da NET: a PARANOIA (para Nous, uma só intenção). Ou a favor ou contra.

O que estou a referir é a base do qual a noticia que comenta É o resultado.

NUNCA defenderia uma PENA (porque se trata de uma pena...sabe o que é?) de APEDRAJAMENTO como não defendo a punição de tal crime.

MAS saio do meu umbigo espiritual.

Já tivemos tal crime, vá ao Codigo Penal de 1886 ver a pena (vigorou até meados de setenta...).

Discutir um crime e uma pena num Estado Teocrático é OUTRA coisa.

Já o fomos também.

Condene-se o regime do Irao de acordo com a nossa visao, mas nao se use "casos" para fazer combate "indirecto".
Combate-se com argumentos politicos, nao com casos judiciais.
Combate-se a cabeça da serpente, nao a cauda.
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De João Carvalho a 29.08.2010 às 01:19

Antes de mais: não venha para aqui GRITAR que me dá cabo dos tímpanos dos ouvidos e cá em casa não gostamos disso. Ficamos entendidos?
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De raio a 29.08.2010 às 02:03

Já nao é a primeira vez que diz "gritar".

Creio bem ser um problema de optica. E ...a seguir vai censurar o que mais?
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De João Carvalho a 29.08.2010 às 02:06

Já censurei. Censurei os seus GRITOS, que não sei se são histerismo ou simples garotice.
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De raio a 29.08.2010 às 02:11

CENSURE.

Não leia o Correio de Manhã. Concordo. Polui.

No resto passe a usar gorro. Tapa-lhe as orelhas. Mas encartado ficará no olhar perante a relatividade da mensurabilidade.
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De João Carvalho a 29.08.2010 às 02:13

Bem me parecia que me tinha feito entender.
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De raio a 29.08.2010 às 02:40

bj
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De RAA a 29.08.2010 às 01:06

Assino por baixo. Fui ler para crer. Do JPCoutinho, não me espanta, sempre aquela necessidade de parecer sensacional; quanto ao renato, aquilo é um bocado doentio. E há este raio, impagável e diurético.
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De raio a 29.08.2010 às 02:28

Aqui está um verdadeiro:
yes (nao quero acordar o joão...) man. O que-assina-por-baixo

Disse. Sim. Sim.
Sim. É sim.
Sim.E qualificou o resto do pessoal. E assim anda este país. Eu sou impagável e diurético, o Pereira Coutinho não sei quê, e o renato não sei que mais...

Bonito.
Lindo.
Discutiu-se de facto. Só aí, em Portugal.
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De Pedro Correia a 29.08.2010 às 11:05

Já não percebo que raio está você para aqui a dizer. Nem você deve perceber.
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De ariel a 29.08.2010 às 02:38

Pensei que iria encontrar mais gente, Pedro. As caras previsíveis do costume (as que conheço claro), e pouco mais. Mas se atendermos a que só vi esta mobilização ser feita nos blogs e no FB , provavelmente seria utópico pensar que poderia ser diferente... ademais estava um calor de ananases e esta-se bem na praia.
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De Pedro Correia a 29.08.2010 às 11:04

Cruzámo-nos lá, Ariel. Eu sei que estas manifestações, quando não são promovidas por aparelhos partidários nem promovidas em parangonas televisivas, se arriscam sempre a ser um fracasso. Quando foi a manifestação de repúdio pela violência contra a Dinamarca a propósito dos cartoons do Maomé estávamos lá dúzia e meia, talvez nem tanto. Ontem havia bem mais. E gostei do simbolismo: a estátua do Camões devia servir mais vezes para iniciativas destas.
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De Ana Paula Fitas a 29.08.2010 às 09:11

Tem toda a razão, Pedro... é, no mínimo, chocante!
Obrigado.
Um abraço.
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De Pedro Correia a 29.08.2010 às 11:04

Obrigado eu, Ana Paula.
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De Joana Lopes a 29.08.2010 às 11:05

Bom dia, Pedro,
Ontem, já tarde, li esses dislates e alguns mais. Até que teria sido a embaixada americana a dar-nos dinheiro para suportar as despesas do protesto: umas folhas de impressora, uns cartões e os bilhetes de metro…
Podia ter estado mais gente mas, sinceramente, esteve mais do que eu esperava, em Agosto, com praia, Benfica e SEM qualquer organização ou partido por trás – é isso que mentes doentias são incapazes de perceber e de aceitar.
Começámos por ser sete ou oito, no Facebook, agregámos outros tantos para tarefas concretas. Não conhecia pessoalmente nem metade, ainda agora não ligo o nome a todas as pessoas.
Tenho pena de não saber que lá estava para o ter identificado…
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De Pedro Correia a 29.08.2010 às 13:02

Olá, Joana.
Correu bem. Foi um protesto digno e sentido.
Estar lá era estar no lado certo. Mesmo com bola e praia. Ou apesar disso mesmo.
Quanto aos dislates de todo o tipo, à esquerda e à direita, vale a pena anotá-los. Para mais tarde recordar.
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De raio a 29.08.2010 às 14:27

Quem nao percebe é você. Tal e qual.

Primeiro você nao entende o que é o direito de punir.
Bem sei , questão complexa. De acordo. Mas tal não impõe insulto ou um simples não.

Depois não entende que ninguém defende o que acontece no Irão com a cidadã desse Estado. Não me viu a escrever isso. E não invente intenções sobre o que sei. Fica-lhe mal. Talvez perceberá melhor num dos escritos a editar na imprensa.

Não se defende à toa, com um néscio sim ou não, algo muito mais complexo.
A manifestação em causa deve ter fundamentos, argumentos, razões, proposições de cariz politico, e não ético ou religioso. Pois neste último campo nunca entenderemos, e tudo fica por um basismo argumentativo que espanta um tenro adolescente que aprende com os melhores.

Mais, você não procurou saber por qual razão é punido o adultério em primeiro lugar e em segundo lugar porque a tal crime corresponde aquela pena.

Pode-se discutir mesmo à luz da Sharia a proporcionalidade da sanção. Pode-se. Numa hermeneutica cuidada e teleologicamente fundada. Cuidada no princípio do Amor que pode ser relido no Alcorão e teleologicamente fundada num princípio de humanidade que aliás sábios do Islão bem o deram à Europa (Averrois p. ex.).

Agora, não venha dissertar "a forma mais bárbara de execução", como acima diz, não há forma mais bárbara, É bárbara, como qualquer pena de morte. Quanto a relativismo ético estamos conversados. E por falar em relativismo etico também saberá que os defensores do Leste Comunista também falavam de direitos humanos, e também o...Irão. Leia o discurso do governante em Caracas. É que está para definir o que é a Pessoa, o Homem. será aquele situado num dado existir referenciado no concreto, ou algo de a-histórico, permanente...desde a nascença (e mesmo aqui há divisões)?

O Irão tem gente contra o regime mas também tem gente que o suporta. O Irão não precisaria de um Pedro Correia para ser um país melhor. Sabe porquê?!

Um Estado tem o direito de aplicar as suas leis. E sem intervenção externa. Poderá questionar-se é o próprio Estado...São coisas diferentes.

Assim, a manifestação em causa peca pela causa (o caso encontrado).
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De Ana Matos Pires a 29.08.2010 às 18:18

Vexa ou é estúpido(a) ou imita muito bem, Raio. Este discurso enrolado, com a prolixidade característica dos pedantes, que empurra para um aparente pragmatismo mais não é que uma (propositada) leitura diagonal, embuída de uma má fé que dói. E o remate de que "a manifestação em causa peca pela causa" é o exemplo acabado dos comentários prévios: a causa é o eventual apedrejamento de uma mulher que alegadamente cometeu adultério. Éramos poucos mas marcámos posição e gritámos não queremos, não aceitamos, achamos criminoso. Percebeu direitinho ou precisa de um desenho a cores?
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De João Carvalho a 29.08.2010 às 20:55

Acho que ele também não sabe ler bem os desenhos, mesmo a cores...
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De Pedro Correia a 29.08.2010 às 22:10

Pois. Perante realidades do século XXI, o Raio responde com argumentos do século XIX.
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De rosa a 30.08.2010 às 01:45

...lê-se e não se acredita! Gostaria de ter sabido, para ir também. Ainda p/ cima ñ fui pra praia, nem ao futebol,fiquei só a fazer a limpeza da semana! Bem haja, aos que foram
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De Pedro Correia a 30.08.2010 às 22:49

Infelizmente, Rosa, não faltarão outras oportunidades para expressar também a sua indignação na praça pública. O Largo do Camões é excelente para o efeito. Felizmente a maior figura nacional portuguesa é um poeta, que foi cidadão do mundo antes de esta expressão existir sequer.
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De rosa a 01.09.2010 às 00:16

:( deve ter razão, infeliz/te...!Boa maneira essa de pensar em Camões! :)
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De Joaquim Camacho a 30.08.2010 às 04:53

1 - A "justiça" iraniana é medieval, estamos todos de acordo, e as manifestações por Sakineh podem, eventualmente, ajudar a salvar-lhe a vida.
2 - A "justiça" saudita é igual... mas não vejo ninguém manifestar-se ou indignar-se.
3 - Ou seja, há indignações "in" e há cegueira selectiva.
4 - A propósito de cegueira selectiva, aqui vai um bom motivo para uma manifestação:

http://www.amnesty.org/en/library/asset/MDE15/027/2009/en/e9892ce4-7fba-469b-96b9-c1e1084c620c/mde150272009en.pdf

Toda a gente sabe, mas, cruzes canhoto, falar disso parece não ser fácil, poderá não ser barato e, seguramente, não dá milhões... O mais provável é dar um belo de um "career-ending". E, francamente, quem é que, no seu perfeito juízo, quer uma coisa dessas?
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De Pedro Correia a 30.08.2010 às 22:48

Caro Joaquim, do teu comentário retenho o que me parece essencial. O ponto 1.
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De Joaquim Camacho a 31.08.2010 às 00:32

Caro Pedro

Lamento que o que é descrito à exaustão aqui:

http://www.amnesty.org/en/library/asset/MDE15/027/2009/en/e9892ce4-7fba-469b-96b9-c1e1084c620c/mde150272009en.pdf

não te pareça "essencial". Uma coisa posso garantir-te, porém: foi "essencial" para a Amnistia Internacional dedicar-lhe um relatório exaustivo, como poderás verificar se te deres ao trabalho de o ler.
Já agora, a mesma Amnistia considerou "essencial" indignar-se e protestar contra a lapidação da Sakineh, como também podes ver aqui:

http://www.amnesty.org/en/ai_search?keywords=Sakineh&op=Search&form_id=search_theme_form&form_token=9b765f8f5b6bf4416ce8c984322c99c7
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De Pedro Correia a 31.08.2010 às 23:53

Fiz-me entender mal, meu caro. Queria eu dizer que bastaria o ponto 1 do que escreveste para eu subscrever o essencial da tua argumentação. Longe de mim menosprezar os relatórios da Amnistia Internacional, uma instituição que merece todo o crédito. Aliás tenho-os citado aqui com frequência, como os leitores mais atentos recordarão.
Abraço.

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