Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Portugal ferroviário

por João Campos, em 23.08.10

É em Portugal, país cujo Governo quer construir um TGV (Lisboa, praia de Madrid - lembram-se?), que um comboio Intercidades é incapaz de fazer o percurso entre Lisboa e Faro dentro do horário previsto. Há semanas que o comboio no sentido Sul-Norte não chega a horas à Funcheira, registando sempre atrasos a variar entre os cinco e os vinte e cinco minutos. É também Portugal o país que tem metade - pelo menos - das estações ferroviárias encerradas (mesmo naquelas onde o Intercidades tem paragem, como Alcácer do Sal, Grândola, Funcheira e São Bartolomeu de Messines), obrigando os passageiros que embarquem nessas estações a tirar o bilhete no interior do comboio, com o revisor. Pior: esses passageiros são, para todos os efeitos, passageiros de segunda, pois ao embarcar sem bilhete, estão sujeitos à disponibilidade de lugares do comboio. Ou seja, um lugar livre pode ser ocupado na estação seguinte, e o passageiro que entrou na estação encerrada que viaje de pé, se não encontrar outro lugar. Pior ainda: é também Portugal o evoluído país em cujos comboios se aplica a máxima "criança não paga mas também não anda". Dito de outra forma: crianças até aos seis anos não necessitam de bilhete, mas também não ocupam lugar; e em dias de comboio esgotado, têm de dar lugar a outros passageiros. Não, não estou a brincar. É neste belo país, de transportes rodoviários modernos, pontuais, com bom serviço e boa cobertura do território nacional, que um iluminado Governo quer gastar milhões num inútil comboio de alta velocidade. Faz todo o sentido: se o serviço tem de ser mau, ao menos que ande depressa.


9 comentários

Imagem de perfil

De João Carvalho a 23.08.2010 às 01:17

Desta vez estou quase a ficar convencido sobre o TGV, John. Como bem dizes, «se o serviço tem de ser mau, ao menos que ande depressa»...
Imagem de perfil

De João Campos a 23.08.2010 às 11:05

Como também já foi lembrado, o TGV pode vir a ser muito útil para quem quiser fugir daqui rapidamente...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 23.08.2010 às 12:49

Com argumentos desse peso, cada vez me convences mais. Eheh...
Sem imagem de perfil

De João André a 23.08.2010 às 10:15

Fossem só esses os problemas... Não vale a pena perder tempo a contar as histórias dos comboios na Holanda (onde vivo) e na Alemanha (onde trabalho). Basta dizer que um simples atraso de 15 minutos num comboio é razão para forte indignação e que hoje em dia me queixo (e ouço queixas) da forma como a privatização da companhia holandesa de comboios foi feita: que os comboios estão hoje em dia muito mais cheios e em certos trajectos, a certas horas, há pessoas que têm que ficar em pé.

Os desgraçados dos holandeses provavelmente prefeririam viajar em Portugal, onde tudo é mais civilizado, não é verdade?
Imagem de perfil

De João Campos a 23.08.2010 às 11:05

Bom, eu já viajei num Intercidades tão cheio que havia pessoas sentadas nas casas-de-banho, única alternativa quando o bar, os corredores e os espaços junto das portas ficaram apinhados. Parecia um daqueles comboios indianos que vemos em fotografias na internet. Só faltava gente pendurada nas janelas e na locomotiva (eu, felizmente, tinha um lugar no bar - aliás, já fiz imensas viagens no bar; só é pena a cerveja ser tão cara).

O problema por cá é que ninguém reclama de coisa alguma. Sobretudo no Sul do país. A malta do Norte volta e meia ainda corta uma linha, arma um chinfrim, esperneia, etc. Pode servir de pouco, mas ao menos marcam uma posição. No Sul, somos muito diferentes. Encolhemos os ombos e continuamos à sombra do chaparro. Um dia tiram-nos também o chaparro e quero ver como vai ser.
Sem imagem de perfil

De João André a 23.08.2010 às 11:36

A verdade é que nunca vi grandes chinfrins quando os comboios estão superlotados. As pessoas aguentam estoicamente até à próxima paragem (para que saiam alguns passageiros) ou então sentam-se nas escadas do comboio (se forem de dois andares) ou até nos suportes das portas. Nas casas de banho também já vi gente a sentar-se, mas menos. Já vagões bar não há. Claro que isto sucede muito menos e não há uma verdadeira sensação de sardinha em conserva, mas pode sempre ser complicado.

Nota importante: nos comboios alemães é possível reservar lugar mediante um pagamento extra (nem toda a gente opta por esta solução). Nos holandeses é que não: é onde as pessoas se sentarem.

Na verdade, a maior diferença é a oferta. Na Holanda há comboios entre as principais cidades a cada meia hora com os comboios directos e indirectos a alternarem (os comboios indirectos param numa estação por 5 minutos onde do outro lado da plataforma está o comboio que leva os passageiros ao destino).
Imagem de perfil

De João Campos a 23.08.2010 às 12:42

Claro, mas esperar meia hora por um próximo comboio é razoável, pelo menos para mim. Mas por cá, como o João disse e bem, a situação é diferente - o serviço é menos frequente.

O que me chocou particularmente na viagem de ontem nem foi o atraso (a que já estou habituado), ou o facto de o comboio estar lotado. Foi a frieza com que o revisor disse a uma senhora "a sua filha [de cinco anos, talvez] não paga bilhete, por isso também não pode ocupar um lugar". Isto não faz sentido em lugar nenhum.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.08.2010 às 23:13

Não faz sentido nenhum, de facto. E é totalmente inaceitável. Há quem chame a isto "serviço público"...
Sem imagem de perfil

De Carlos Serra a 24.08.2010 às 17:44

O atraso dos comboios é crónico e parece não ter remédio à vista.

Quanto à compra de bilhetes com lugar marcado, já resolvi o problema: compro-o no site da CP. E não me tenho dado mal.

Ao princípio até faziam 10% de desconto, o que era simpático, mas entretanto acabaram com o bónus.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D