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Delito de Opinião

Festival de inanidades

Pedro Correia, 12.03.26

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Não imagino quais sejam os critérios de recrutamento de comentadores da SIC Notícias. Sejam quais forem, devem ser revistos. Para evitar a exibição de gente a fazer figuras tristes na pantalha, sobretudo em temas internacionais. 

Noutro dia, se me apetecer, mencionarei outros casos. Hoje fico-me por este, que já basta para amostra. A comentadora Maria João Tomás parecia decidida a bater um recorde pessoal do dislate ao irromper em antena várias vezes, na tarde e na noite de anteontem, a propósito da "intervenção militar especial" dos EUA no Irão. 

Às 17.12 garantiu isto, mandando os factos às malvas: «A Guarda Revolucionária [iraniana] tem mais poder agora do que tinha antes.» Contra todas as evidências, pensemos o que pensarmos deste conflito bélico.

Às 17.32, contrariando o que afirmara solenemente 20 minutos antes, saiu-lhe isto: «A Guarda Revolucionária está desesperada para se manter no poder e para manter o regime.» A bota não batia com a perdigota, o que não parece tê-la incomodado.

Um minuto depois, carregando nas tintas do tremendismo, agoirou o impensável sabe-se lá com base em que fontes, confundindo guerra com futebol: «Nesta altura do campeonato [sic] eu não descarto o nuclear, quer num lado quer no outro.»

Já bastava para um dia só. Mas ela estava embalada e regressou com o serão avançado, eram 23.37, pondo a cereja em cima do bolo: «A questão das mulheres oprimidas e dos trans oprimidos no Irão é igual à dos Estados Unidos.»

Autêntica cacha mundial. Nem sei como é que não veio replicada, logo a seguir, nos noticiários da SIC. Talvez por ser frase tão absurda que na própria estação tiveram vergonha do que ouviram. Se é que ainda têm paciência para escutar o festival de inanidades protagonizado por esta senhora, antes e depois do pôr-do-sol.

Um bodo aos pobres

jpt, 12.03.26

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(Postal como se ainda houvesse o "És a Nossa Fé". E eu ainda lá escrevesse...)

Um tipo vai ao café da manhã e irrita-se. Uns benfiquistas a gozarem o prato (de bacalhau, julgam) - não valeu mesmo a pena torcer por eles contra o Real do mariola... Mas, pior ainda, uns sportinguistas a reclamarem contra o Sporting, contra o treinador, contra os jogadores, etc. (como sempre só o Paulinho é que se safa dos impropérios).

O Sporting tem tido uns anos excelentes - desde a instauração  do democrático VAR, nunca esquecer... Vários títulos, bons jogadores, um treinador encantador (e as finanças a melhorarem). Alguém mais crítico pode fazer cara feia a várias das últimas contratações: regatear demasiado com o Guimarães o lateral Alberto para depois contratar mais caro o grego que lá está, parece uma borregada daquelas...; as prendas Biel e Kochorasvili que o Hugo Viana deixou à última da hora! Mas também foi buscar o Suárez para substituir um nórdico de quem já ninguém se lembra do nome... E este Faye parece-me daqueles erros de "casting" típicos... Para além de não haver um guarda-redes suplente condigno. Isto já para não falar de algumas saídas que a gente não percebe: a falta que ontem fez Matheus Reis!, Alisson que me parece ser o próximo Raphinha (não serviu para o Sporting, é agora "estrela" e capitão do Barcelona)...

E há a sensação de que os que vêm das "escolas" (agora diz-se "Academia", efeito da gentrificação da bola) não têm a cancela aberta: os verdadeiros conhecedores clamam pela entrada de Flávio Gonçalves, os putos avançados que já jogaram só servem para integrar as comitivas (e o Ribeiro já foi "emprestado"). E eu, que pouco percebo, continuo a resmungar que há um jovem no Famalicão que já lá devia estar, nem que fosse para substituir os lesionados de longa duração.

Mas tudo isto resmungado tem de se aceitar que se montou um tiki-tasca muito apreciável, e com um treinador da malta. Está a fazer uma grande campanha europeia, histórica mesmo. Por cá a ver vamos, está ao nível dos anos anteriores - a diferença está só no Porto, em especial porque este está com melhores olheiros ("scouts" dizem os parolos), que aquele puto polaco raisparta, não engana ninguém... E não é só ele.

Dito tudo isto, em vez da rapaziada sportinguista se meter a barafustar é necessário recordar a verdadeira realidade: o Sporting é um Grande do reino! Da república, de facto. E como tal, noblesse oblige, ontem demos um "bodo aos pobres".

E para a semana ganha-se, e mantém-se a ordem natural das coisas.

Pensamento da semana

Pedro Correia, 12.03.26

 

Quem é mesmo líder, por aptidão natural, nunca necessita de se apresentar com esse rótulo: isso é-lhe reconhecido tanto por apoiantes como por adversários. Tal como os homens sérios também não necessitam de proclamar esta evidência. Uma pessoa apenas "medianamente séria" é algo inexistente.

 

Este pensamento acompanha o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 12.03.26

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José Meireles Graça: «A meta dos 70% de vacinados até fim de Setembro não será cumprida mas, à medida que a vacinação avança com os seus vagares europeístas, os seus efeitos acumular-se-ão com os do bom tempo e o do número de recuperados da infecção; e quando a situação clarear uma boa dose de propaganda, a falsificação do passado, a ajuda da comunicação social e a bonanza dos dinheiros europeus talvez sejam suficientes para que os responsáveis não caiam logo abaixo do poleiro.»

 

JPT: «Já nem falo desta pantomina de haver políticos no activo a fazerem de comentadores, em contextos que lhes encenam poses algo "neutrais", como se autónomos dos seus partidos - o caso mais risível é o da secretária-geral adjunta Mendes, ali ombreando com os aparentes "senadores flanantes" Pacheco Pereira e Lobo Xavier. Ou este Medina, que nos cabe como presidente de Lisboa, também "comentador" a tempo parcial, como se não estivesse a "full-time" em campanha.»

O comentário da semana

«As guerras não são hoje só territoriais ou físicas – são guerras cibernéticas»

Pedro Correia, 11.03.26

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«A questão que se coloca é o de que se entende por Guerra Mundial. Se o que estamos a atravessar se assemelhasse às I e II Guerras Mundiais, com declarações formais de guerra e grandes blocos de exércitos em combates directos, então diria que não, ainda não estamos na III Guerra Mundial.

O problema é que a natureza dos conflitos se transformou e embora ocorram, por ora, em espaços geográficos limitados (Ucrânia, Médio Oriente, mas também nos conflitos regionais em África e Ásia), não se trata de guerras em que as frentes de batalha são apenas territoriais ou físicas – são guerras cibernéticas em que na Ucrânia e pela primeira vez as operações tecnológicas foram integradas de forma indissociável nas operações militares convencionais – guerras electrónicas/cibernéticas contra infraestruturas críticas (energia, transportes, cadeias de abastecimento, campanhas de desinformação para desestabilização de regimes democráticos, etc.) em que todos estes arsenais das grandes potências, numa polarização entre os EUA/China (Rússia?) têm reflexos à escala global e remetem para existência de uma globalização do conflito semelhante à de uma III Guerra Mundial.

A grande diferença para as anteriores Guerras Mundiais (clássicas, à falta de melhor designação) é a dissuasão nuclear que tem até agora evitado um conflito entre as superpotências.

Mas garantirá no futuro uma escalada catastrófica entre elas que porá em causa a paz global e o futuro da humanidade?»

 

Do nosso leitor Carlos Antunes. A propósito deste meu texto.

O legado da década de Marcelo (2016-26)

Por António José Seguro, no seu discurso de posse

Pedro Correia, 11.03.26

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«Portugal enfrenta desafios estruturais que se arrastam há tempo demais. Crescimento económico insuficiente, economia baseada em baixos salários, dificuldades persistentes, pobreza constante, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça, burocracias públicas, dificuldades nos acessos à saúde e à habitação, falta de mão-de-obra, escassez de oportunidades para os mais jovens, insegurança para os mais idosos, desconfiança nas instituições e na política.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 11.03.26

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João Pedro Pimenta: «O Coro do Exército Vermelho, surgido, como o próprio nome indica, no tempo da União Soviética, não imaginaria sem dúvida estar a cantar uma música da autoria do bisneto de um notório propagandista do fascismo, inimigo mortal (ou outra cara da moeda?) da URSS.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Para quem queira manter a dignidade, a lucidez e o profissionalismo este será mais um rude golpe na liberdade de imprensa e no respeito pelos compromissos internacionais anteriormente assumidos e pelo modo de vida das gentes de Macau.»

 

Eu: «Portugal mantém um desonroso quinto posto nesta preocupante estatística. Sendo o terceiro país da União Europeia onde o Covid-19 mais tem progredido, per capita, ao longo deste ano. Pior que nós, só a República Checa, ainda no topo, e a Eslovénia, que em Fevereiro já ocupava o segundo lugar.»

Vinhetas (34)

José Meireles Graça, 10.03.26

A senhora levava o cão pela trela, na parte arrelvada da área de serviço da autoestrada. Era bonito o animal, um pitbull jovem com o ar feroz da raça.

O cavalheiro, gostando de animais, perguntou:

É agressivo?

Não, nada, quer é mimo.

De modo que, sem pressa (com animais de porte, sobretudo de certas raças, convém não ser brusco, não vá o bicho interpretar o aproximar como uma ameaça) abeirou-se e, agachando-se, chamou. Veio o pitbull, deliciado, que lambeu a mão do desconhecido enquanto dava saltos abanando delirantemente a cauda.

De repente parou, olhando para a distância e franzindo o nariz, cheirando.

Disse o cavalheiro: Lá mimado é, mas com ele a senhora está segura porque se vir alguém suspeito fica atento. Ele está ferrado naquele tipo lá na bomba, que tem muito mau aspecto.

É o meu marido, disse a senhora.

Olá, tu por aqui?

Pedro Correia, 10.03.26

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Ontem, no Salão Nobre da Assembleia da República, parecia interminável a fila de cumprimentos ao novo Chefe do Estado. Augusto Santos Silva e Ferro Rodrigues, que em 2025 tão mal disseram do agora sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, mantiveram-se à distância. Mas Pedro Nuno Santos fez questão de comparecer para saudar António José Seguro neste dia de investidura. 

Foi um interessante reencontro. Entre o recém-empossado Presidente e aquele que lançou pela primeira vez o nome dele como graçola numa entrevista em que mencionava também Santos Silva e até Ana Gomes, entre outros. Ri melhor quem ri no fim.

O Ataque Inicial de António José Seguro ao PS

jpt, 10.03.26

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Mesmo que muitos dos comuns a desconsiderem, é consabido que a linguagem protocolar é muito significante, por vezes até imensamente. Mesmo que a mensagem venha sub-reptícia ela torna-se sonante. O que ontem aconteceu na tomada de posse do novo PR só pode ter sido por sua iniciativa, uma forma sonante, até ríspida, de demarcação ao partido de que é oriundo. 

Pois esmiuce-se esta imagem, a galeria dos anteriores dignitários convidados. O antigo presidente Cavaco Silva, ladeando a mulher do nosso General e antigo presidente Ramalho Eanes, ali representando o seu marido. No centro dois anteriores presidentes da Assembleia da República, Mota Amaral (que exerceu o cargo entre 2002 e 2005) e Assunção Esteves (2011-2015), ambos do PSD. Os outros antigos presidentes sobrevivos, Jaime Gama (2005-2011) -  que estará doente, ao que consta -, Ferro Rodrigues (2015-2022) e Santos Silva (2022-2024), todos do PS, não compareceram. Decerto por não terem sido convidados, não haverá outra explicação.

Tem tudo para brilhar

Sérgio de Almeida Correia, 10.03.26

AJS Posse AR 260309.jpg(créditos: Presidência da República)

O apoio leal, franco e consistente faltou-lhe num momento em que poderia ter sido decisivo para o país e a sua governação. Liderou circunstancialmente um partido tribalizado, capturado por um aparelho de chicos-espertos, que lhe dificultou a vida, inviabilizou-lhe os projectos, radicalizou o país, e acabaria por apeá-lo sem honra nem glória. 

Não foi que por isso que se desinteressaria da participação cívica e da intervenção política. Não foi por isso que mudou. Mérito seu.

Como muitos outros, afastou-se ou foi convidado a afastar-se da política activa. Prosseguiu a sua vida de cidadão, atento e empenhado. Dedicou-se ao estudo, ao trabalho, à comunidade, até reencontrar o seu caminho.

Voltou ontem como Presidente da República, depois de receber o apoio, expresso livremente nas urnas, de mais de 2/3 dos portugueses. Ontem, as suas palavras receberam o aplauso de quase todos os partidos parlamentares.

Ouviu-se o hino, o discurso, formularam-se votos e trocaram-se abraços. Dos mais sinceros e leais aos mais interesseiros e conjunturais. Na hora da festa ninguém quer ficar de fora. E ele, consensual e institucional, não iria desiludi-los. Para bem da nação.

Ciente da sua circunstância, do estado em caiu Portugal e da urgência da empreitada, mostrou predisposição para calcorrear o caminho, arregaçar as mangas, levar as mãos à obra. Jurou a Constituição, prometeu cumpri-la, irá cumpri-la. Pela primeira vez o líder que nunca conseguiu sê-lo assumiu-se como tal. E mostrou-se presente para como tal poder vir a ser reconhecido.

Se por um lado se mostrou circunspecto, humilde e agradecido, sem deixar de ser natural, simples e afectuoso para com todos, afirmação reveladora de carácter, equilíbrio e sensatez, bens que ultimamente escasseiam na vida pública, nem por isso deixou, ao mesmo tempo, de nos mostrar e sublinhar na sua carta o rumo traçado, aquele que partilhou com a sua guarnição e estará reservado à nossa nau nos próximos anos.

As suas preocupações são hoje, genericamente, as de todos os portugueses. Umas mais prementes do que outras.

De um homem livre, como se afirmou, todos esperam que assim continue. Não depende de terceiros para desempenhar a função, embora não possa prescindir desses para obter os resultados que todos desejam. 

A legitimidade que lhe foi conferida, aliada à sua independência e exigência, dão-lhe a protecção necessária e o estímulo para não esmorecer, investindo-o da autoridade ética, moral e política necessárias para afastar de Belém – pelo menos daí – as más influências. Deixar corsários e garimpeiros ao largo, sentando-os num banco de jardim com vista para o Tejo, ainda que dando-lhes a oportunidade de gozarem a luz e o sol de Lisboa, será a única forma de se proteger, dar sentido, eficácia e brilho ao seu trabalho. 

Os portugueses, que como tão bem sabe os há em todos os quadrantes, generosos, solidários e leais por natureza, qualquer que seja a profundidade dos seus bolsos, não lhe regatearão apoio, e saberão ajudá-lo a trilhar o caminho da esperança que anunciou.

E esperam que o homem por debaixo da pele continue autêntico e genuíno, sem ser excessivo, discreto e equilibrado estando sempre presente.

Boa sorte, senhor Presidente da República. Da República.

Mudar para melhor em Belém?

Pedro Correia, 10.03.26

 

Já tivemos de tudo. Um presidente que fundou um partido político enquanto exercia a chefia do Estado. Um presidente que liderou o combate ao Governo a partir de Belém por achar a oposição "demasiado mole". Um presidente que pôs fim a uma legislatura com maioria absoluta, por acaso contrária à sua cor política. Um presidente que dissolveu três vezes a Assembleia da República em cinco anos enquanto apregoava estabilidade.

Tenho grande confiança em António José Seguro. Pior não pode ser.

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 10.03.26

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João Pedro Pimenta: «Chegou ao fim uma das mais delicadas e perigosas, mas também uma das mais significativas, viagens pastorais do Papa. Entre a pandemia e as bombas que o infeliz país tem sofrido há vários anos, a viagem ao Iraque parece ter corrido muito bem e permitiu cumprir vários objectivos, como o encontro com o Ayatollah Sistani, a grande autoridade xiita do Iraque, as vítimas do Daesh e as celebrações com as tão massacradas (e antiquíssimas) igrejas da Mesopotâmia, e são tantas, apesar dos fiéis mingarem por causa das perseguições e da violência.»

Um novo Presidente

jpt, 09.03.26

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De repente lembrei-me que há 30 anos (30 anos!!!, a vida escoa-se...) que não era eleito um presidente da República no qual eu tivesse votado! E por isso fui ouvir na televisão a sua tomada de posse: um bom discurso! Que o seu mandato faça jus a estas palavras iniciais, seria bom para todos nós.
 
E recordei também (o que me tem acontecido nos últimos tempos) que naquele início dos 90s, nós nos meados dos nossos 20s, o conheci - superficialmente, nem se lembrará de mim... Pois as nossas namoradas eram maiores amigas - ainda agora o são, não nossas namoradas mas sim muito amigas entre elas. Tê-lo-ei então olhado - se bem me lembro do imbecil que eu era - com a petulante diletância com que um tipo como eu olharia para um presidente da JS (que ele era, e com afinco). Mas ainda assim percebendo-o um gajo decente, porreiro até. Coisa que durante estas décadas me vieram afiançando não ter mudado: manteve-se decente.
 
Ao contrário, friso, de alguns outros que (até ainda mais) cruzei nesses tempos. Tornados verdadeiros Dorian Grays...
 
Enfim, bastar-lhe-á isso, a coisa da decência.

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