Festival de inanidades

Não imagino quais sejam os critérios de recrutamento de comentadores da SIC Notícias. Sejam quais forem, devem ser revistos. Para evitar a exibição de gente a fazer figuras tristes na pantalha, sobretudo em temas internacionais.
Noutro dia, se me apetecer, mencionarei outros casos. Hoje fico-me por este, que já basta para amostra. A comentadora Maria João Tomás parecia decidida a bater um recorde pessoal do dislate ao irromper em antena várias vezes, na tarde e na noite de anteontem, a propósito da "intervenção militar especial" dos EUA no Irão.
Às 17.12 garantiu isto, mandando os factos às malvas: «A Guarda Revolucionária [iraniana] tem mais poder agora do que tinha antes.» Contra todas as evidências, pensemos o que pensarmos deste conflito bélico.
Às 17.32, contrariando o que afirmara solenemente 20 minutos antes, saiu-lhe isto: «A Guarda Revolucionária está desesperada para se manter no poder e para manter o regime.» A bota não batia com a perdigota, o que não parece tê-la incomodado.
Um minuto depois, carregando nas tintas do tremendismo, agoirou o impensável sabe-se lá com base em que fontes, confundindo guerra com futebol: «Nesta altura do campeonato [sic] eu não descarto o nuclear, quer num lado quer no outro.»
Já bastava para um dia só. Mas ela estava embalada e regressou com o serão avançado, eram 23.37, pondo a cereja em cima do bolo: «A questão das mulheres oprimidas e dos trans oprimidos no Irão é igual à dos Estados Unidos.»
Autêntica cacha mundial. Nem sei como é que não veio replicada, logo a seguir, nos noticiários da SIC. Talvez por ser frase tão absurda que na própria estação tiveram vergonha do que ouviram. Se é que ainda têm paciência para escutar o festival de inanidades protagonizado por esta senhora, antes e depois do pôr-do-sol.








