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Delito de Opinião

Blogue da semana

Joana Nave, 30.11.25

Eu sou uma viciada em livros, seja qual for o formato. Claro que prefiro os físicos, mas por uma questão de eficiência, nomeadamente dinheiro, espaço e portabilidade, também leio muitos ebooks, e embora não seja o meu formato preferido, porque me distraio, também aprecio os audiobooks. O problema destes últimos é que a altura ideal para os ler/ouvir é enquanto conduzo e, honestamente, não consigo fazer bem as duas coisas em simultâneo.

Tudo isto para vos deixar mais uma sugestão de um blogue que fala de livros e que nos desafia a conhecer novos livros e autores: Ler por aí.

Leituras

Pedro Correia, 30.11.25

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«Nada é mais violento do que a política; se os militares só combatem quando estão em guerra, os políticos estão em guerra o tempo todo.»

Giuliano da Empoli, A Hora dos Predadores (2025), p. 64

Ed. Gradiva, 2025. Tradução de Jorge Pereirinha Pires

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 30.11.25

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Luís Naves: «Vem aí uma nova vaga: o mundo está a partir-se entre confinados e desconfinados, entre consumo de luxo e consumo intermitente, entre os que têm voz e os que não têm.»

 

Eu: «Invocar a lei de 1986, jamais concebida a pensar numa pandemia, para insistir na realização em 2020 de um congresso partidário em estado de emergência num concelho classificado de alto risco sanitário e em que a própria população local está submetida a recolher obrigatório, é mais do que cinismo ou sonsice: é pura estupidez, que só contribuirá para aumentar ainda mais os índices de rejeição do PCP junto dos portugueses.»

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.11.25

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«Triste figura, a de Ronaldo. Ombrear com um traste medíocre e falso e com um ditador que não hesita em ordenar a execução daqueles que não lhe prestam vassalagem - líder de um país que trata as mulheres abaixo de camelo, confesso de uma religião castrante e fundamentalista. O cartão vermelho a Ronaldo foi duplo. Um grande atleta, um benfeitor em muitos aspectos, mas nesta cerimónia na Casa Branca representou apenas os interesses dele, não os portugueses com vergonha na cara.»

 

Do nosso leitor João Guimarães. A propósito deste meu texto.

Para lá do Marão... (5)

Cristina Torrão, 29.11.25
 
Uma das coisas que sempre me causou imensa confusão, relaciona-se com a quase omissão destas terras nos manuais de História. Como se aqui nunca nada se tivesse passado, ou ninguém daqui originário tivesse contribuído para os grandes acontecimentos que... sempre aconteceram muito longe daqui! Isto é, estudam-se conceitos com nomes raros, como Paleolítico ou Neolítico, Idades dos Metais ou Romanização, «Invasões Germânicas» e outros que tal, «Reconquista» e afins… Mas desenrolou-se tudo muito longe!
 
Desconheço se a responsabilidade é nossa, ou dos nossos sucessivos governantes locais e regionais, que, talvez por desconhecimento, nunca parecem ter estado vocacionados para essa vertente. Ou se será, mesmo, de um qualquer conluio que centralizou toda a nossa história no eixo litoral. Com um qualquer paralelo objectivo de nos remeter a uma insignificância baseada no estigma do «falam mal Português, por isso estejam lá caladinhos»…
 
Porém, também temos Paleolítico. E Neolítico... E todas as outras “cousas ztranhas’e”. E até temos uma genética distinta (mas isso é um “catchicu’e” complicado demais para trazer aqui)… Estranhamente, os tais de Romanos, que parecem só ter andado por Conímbriga, por Bracara Augusta, ou por Olissipo, também andaram por aqui. E deixaram-nos imensos registos da sua passagem. Um dos mais importantes, para o caso em apreço, é que «descobriram» que não tínhamos “bentas de Lusitanus’e”… Esses, ficavam, maioritariamente, abaixo do Douro. E nós estávamos acima, e da Lusitânia nunca fizemos parte. Os Romanos eram uns grandes «descobridores»! Por isso, também «descobriram» que, maioritariamente, éramos Ástures! “Bai daí’e, butarum-mus n’ua prubíncia que se tchamaba”… «Conventus Asturicensis»! Ou seja, em “língua fidalga”, Convento Asturicense, uma das três entidades administrativas da «Gallaecia» (as restantes eram a Bracarense e a Lucense). E a nossa capital não era a «Emerita Augusta» da Lusitânia; era a «Asturica Augusta» dos… Ástures! “Impecemus bem, or sim’e?”…
 
Tudo isto porque, dizem os entendidos da época, éramos «Zoelae», os célebres Zelas, uma das 22 tribos dos Ástures. Não dos Lusitanos que nos tentam impingir, mas dos Ástures! “Stãu a bêre c’mu impeçou a cousa e c’mós aldrúbias nus indrominum co a stória dus Lusitanus’e”? De facto, para quem se dedique a entender quem eram esses nossos antepassados, percebe claramente que eram diferentes… Muito diferentes! Mas não vou aqui atazanar ninguém com as características que distinguiam os tais de Zelas. “Ó depeis’e, dixu-m’u Ti Zé Moucu’e, bierum uas cousas a que tchamum Imbasões Bárbaras’e”. As quais foram mais um tácito acordo, do que invasões…
 
Toda a gente já deve ter ouvido falar de Suevos e de Visigodos. Os quais, à semelhança de tudo o resto, também andaram muito longe daqui… Mesmo que já constássemos na primeira divisão administrativo-eclesiástica que se conhece, de época Sueva. Ou os posteriores «donos» destas terras, os Visigodos, por aqui tenham tido centros de cunhagem da sua moeda. Todavia, antes de os Visigodos terem «arrumado» com o Reino Suevo, tiveram, anteriormente, de «arrumar» com um outro reino, um enclave que por aqui existia, a que os documentos designam por «Sabaria», onde vivia um povo ao qual chamavam «Sappos». Dizem os entendidos que poderão ter tomado o seu nome a partir do nosso rio Sabor. Rio esse que já muitos se terão questionado por que motivo se pronuncia “Sábor”, ou “Sábôre”, se “faxabôre”. Hum?… Porque, em tempos antigos, que superam a nossa vivência, era o «Salavor». Designação original que, por um processo fonológico de supressão, designado como síncope, perderia a consoante intervocálica [l], ficando «Saavor». Posteriormente, haveria de perder o [a] que lhe dá a sílaba tónica e, por efeito do betacismo, o [v] mudaria para [b]. “Bô”, onde isto já nos levou...
 
Com «Conventus Asturicensis», «Asturica Augusta», «Zoelae», «Sabaria», «Sappos» e demais evidências, estarão, seguramente, os caros leitores a vislumbrar os motivos para sermos tão diferentes e «falarmos mal Português»… O resto, que já mete «presúrias», feitas por Ásturo-Leoneses, mosteiros Leoneses, arquitectura mudéjar Leonesa, ordens religioso-militares Leonesas, uma Diocese Leonesa, e até Bragançãos Leoneses, já cá virá na «Parte III»… “Q’ez’tas cousas têim de sere um catchicu de cada bêze. P’ra bêre se fiquemus intchadus de proa, e intendêmus pur’u q’é que nunca ninguém nus dixu q’a nh’ábó Maria num falaba male u… «Pertués»”...
 
[Fotos: Capela de Nª Sra. do Campo (Lamas - Macedo de Cavaleiros), o mais ocidental exemplar de arquitectura mudéjar... Leonesa! Localiza-se num sítio soberbo, num Geossítio do Geopark Terras de Cavaleiros. “Adonde já butei uas faladuras’e, tchêinhu de proa”!
Porque Lamas também é a «Minha» terra, por ser a terra da… “nh’Ábó Maria”!… E da “nha Mãe, e adonde nacerum us mous Tius e às nhas Tias’e”, com os quais aprendi um idioma a que os eruditos chamam de «falar mal Português».]
 

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DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 29.11.25

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JPT: «Vejo tanto rato de sacristia resmungar contra o nada-exemplar Maradona, pois nada molde de bom pai de família, de honesto pároco ou de recto professor. Pobre gente que nada percebe. Dos homens. E, mais do que tudo, dos deuses e seus bastardos...»

 

Paulo Sousa: «Ontem vi o filme “Hillbilly Elegy. Gosto de histórias baseadas em factos verídicos. Na ficção existem limitações de razoabilidade de que a realidade se deve rir à gargalhada. Esta é uma história pessoal e familiar, que se tivesse sido inventada pouco passaria de um chorrilho de clichés. Baseia-se num best seller com o mesmo nome, escrito por J. D. Vance. (...) Histórias como esta, algumas com final bem mais triste, desenrolam-se perto da nossa casa, à volta das grandes cidades no nosso país e por todo o mundo.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 28.11.25

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Ana Cláudia Vicente: «Num tempo de guardar e de deitar fora, de se abraçar e de se afastar, evoco duas grandes alegrias: trabalhar em algo que importa e pertencer a uma boa equipa. Quis a sorte que neste ano desse por mim, todos os dias, a fazer parte de um colectivo de pessoas competentes, confiáveis e generosas. Uma pessoa aguenta quase tudo, quando assim acontece.»

O apoio de José Sócrates.

Luís Menezes Leitão, 27.11.25

Salienta o Pedro abaixo o que deve ter sentido Gouveia e Melo no momento em que soube do apoio de Sócrates. Tivemos a possibilidade de assistir à sua reacção ontem no debate com o Jorge Pinto. Tomou conhecimento do apoio em directo, subiu-lhe a mostarda ao nariz, e ainda tentou atacar o mensageiro, considerando provocatória a pergunta sobre esse apoio.

Quanto a Sócrates, apoiaria qualquer um que não fosse António José Seguro, o único que se opôs ao seu domínio absoluto no PS. Por isso António José Seguro foi derrubado na primeira oportunidade, numa coligação Sócrates-Costa, que no entanto se desfez logo que Sócrates foi preso. Nessa altura António Costa pediu aos militantes que não falassem sobre o assunto e só visitou Sócrates na prisão muitos meses depois. Em resposta Sócrates abandonou o PS.

Por isso a obsessão dos apoiantes de António Costa no PS é evitar a todo o custo que António José Seguro passe à segunda volta, mesmo depois de o PS o ter decidido apoiar. Sócrates pode ter-se zangado com António Costa e o PS, mas partilha claramente dessa estratégia. Se para isso é necessário votar em Gouveia e Melo, assim seja.

Um excerto da sessão solene do 25 de Novembro

Paulo Sousa, 27.11.25

Não pude ouvir todas as intervenções da sessão solene do 25 de Novembro, mas gostei desta parte do deputado Pedro Alves do PSD:

“E os portugueses têm ainda menos paciência para que nos tentem explicar que houve um golpe, mas não houve golpistas, que houve uma conspiração, mas não houve conspiradores, que houve uma vitória da democracia, sem que ninguém estivesse contra a democracia, uma vitória afinal sem vencidos. Estamos quase a chegar à conclusão que afinal eram todos grandes democratas, que não era preciso o 25 de Novembro e que tudo foi apenas uma reacção exagerada, que ninguém atentou contra a democracia, que foi tudo um mal-entendido. Aquelas armas, um mal-entendido, a sublevação nos quartéis, um mal-entendido, a tentativa de golpe, um mal-entendido, as ameaças à ilegalização dos partidos, um mal-entendido, o pacto MFA-Partidos que consagrava a unicidade sindical, a eleição indirecta dos Presidente da República pelos militares e que dava ao Conselho da Revolução poderes independentemente dos resultados das eleições, repito, independentemente dos resultados das eleições, tudo isto era um mal-entendido.

Em Abril foram todos pela liberdade. Em Novembro só alguns foram pela democracia. Os democratas venceram e em nome da reconciliação nacional os vencidos foram perdoados e socialmente reintegrados. Ensinam em universidades, são deputados neste parlamento e vão às televisões dar aulas de democracia. Tivessem eles vencido e estaríamos nós no Campo Pequeno.”

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