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Delito de Opinião

Efeitos do entretenimento político: Marcelo Rebelo de Sousa e o "activo soviético"

jpt, 31.08.25

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O Presidente da República lançou mais uma atoarda, dizendo que Trump é um “activo soviético… ou russo”. Uns dizem a situação inadmissível, outros apoucam-na, julgando - com alguma pertinência - que o governo dos EUA nem atentará no dislate. De facto, o fundamental nem é a possível repercussão diplomática do episódio. Mas sim utilizar mais esta tropelia para reflectir sobre como o rumo do regime chegou até aqui.

O mais relevante destas declarações é que divulgam ter o PSD convidado Rebelo de Sousa para falar num curso de Verão organizado para a sua “juventude”. Ou seja, ao fim de uma década de um pungente, de incompetente, exercício presidencial o partido actualmente no governo ainda recorre a este homem para “formar” os seus futuros quadros.

“Marcelo” não é um símbolo destes 50 anos de regime. É - desde o início - um seu agente, até frenético. Convertendo-o na república da politiquice (sumariado no célebre caso da vichyssoise) e da jornalice (o rio de insinuações no velho “Expresso” e o jorrar das “fontes próximas de Belém” no actual “Expresso”). O verdadeiro arauto da deriva populista - “eu com o povo”, num além-partidos, isso que tantos julgam ter sido (re)criado por aquele mais novo professor de Direito, que agora se agita.

É ele também o fruto da incultura generalizada - num país ainda do “respeitinho”, de mesuras diante de um mero lente de Direito, e que se espanta diante de quem “mostra livros”, mesmo que nada de substantivo deles diga. E é, acima de tudo, um agente incompetente, por “bem sucedido” que pareça ser pois alcandorado a Belém - um pouco também por não ter quem o rodeie, não só pela sua adesão ao populismo egocentrado mas também pelas suas consabidas características pessoais, murmuradas por aqueles que com ele interagiram (por mais que, volta e meia, haja “artigos” jornalísticos louvando a sua pessoa). Enfim, MRS é uma mácula, que espero não venha a ser indelével.

A grande interrogação é a de saber como é que um pequeno homem destes chegou até a PR e ali se vem mantendo. Isso só foi possível devido à inculcação do eleitorado através do entretenimento político televisivo. Emitir canais generalistas é algo caro. Sentar pessoas a falar em estúdio, fazer “rádio” com imagem, é forma menos dispendiosa de o fazer. Para isso o melhor, o mais apreciado pelos “caros telespectadores”, é distribuir “comentários” futebolísticos e políticos.

“Marcelo” foi hábil e vácuo nisso. Produziu boas receitas para as estações televisivas, e por isso estas ao longo dos anos fizeram-no “parte da família” das audiências. E assim há uma década que perora, de forma cruelmente incompetente, em Belém. Espero que nas próximas presidenciais, com vários candidatos já enfileirados, possamos eleger alguém bem diferente, venha lá de que área política vier. Com a ponderação e a cultura que este medíocre Rebelo de Sousa nunca teve.

Presunção e água benta, cada um toma a que quer… De presunção eu tomo esta dose: ao longo dos anos fui escrevendo vários postais em diferentes blogs sobre este Rebelo de Sousa, homem que sempre desconsiderei. Recolho agora alguns deles, e congrego-os aqui, na tal presunção de que a sua leitura possa a alguém ser interessante - recordando este rumo do pior presidente da república que a nossa democracia já teve.

Sublinho que o primeiro postal que sobre ele recupero é de 2008, bem antes de eu imaginar que o homem viria a ser PR. Nele apenas ecooei como a minha filha, apesar de então nos seus cândidos seis anos, desvendou a desonesta vacuidade daquele “Marcelo”. Pois, de facto, só não viu quem ele é quem não quis. E, agora, só a organização da “Universidade de Verão” do PSD é que não vê quem ele é. Nisso se tornando ferrenha cúmplice desta desgraça intelectual. E política.

Pensamento da semana

Pedro Correia, 31.08.25

 

Um misto de apatia, individualismo e alheamento cívico caracteriza muito do comportamento dominante no mundo ocidental. E ajuda a explicar esta permanente sensação de crise larvar, que supera em larga escala o plano económico. É uma crise de valores, que o fundamentalismo islâmico procura colmatar à sua maneira apelando ao instinto gregário e aos códigos tribais em decomposição nas chamadas sociedades "evoluídas". Isto tem uma capacidade de sedução que ultrapassa o círculo de convertidos, atraindo novas hordas de fanáticos em potência desprovidos de valores alternativos.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 31.08.25

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Eu: «Os erros de escrita – não corrigidos nem sancionados – tornaram-se de uso corrente, até em publicações outrora consideradas de referência. E são cada vez mais raros aqueles que se dão ao incómodo de censurá-los. Desde logo por absoluto desconhecimento da norma, num tempo em que a ignorância impera e até se atreve a ditar sentenças.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 30.08.25

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Alexandre Guerra: «Net Politics é o blogue do think tank Council on Foreign Relations que se dedica exclusivamente à análise do impacto das novas tecnologias de informação e comunicação em matéria de segurança e privacidade, quer ao nível da sociedade civil, quer ao nível do Estado e Relações Internacionais. O blogue é actualizado regularmente por especialistas de renome e pode ser feita a subscrição das notificações de novos posts. Dos temas e assuntos mais estratégicos às questões mais quotidianas, este blogue é uma boa e útil ferramenta de informação.»

 

JPT: «É um editorial canino, aquilo da célebre "voz do dono" e espelha bem o que é este jornal, o mainstream PS e os acólitos (ex-)Livre. Apenas como ilustração deste seguidismo aqui deixo um filme de 2012, breve trecho da pantomina acontecida quando o PM Passos Coelho foi à Feira do Livro. Nem este plumitivo gemeu nem os seus adeptos leitores se indignaram ou sentiram o prenúncio do apoucamento democrático.»

 

Eu: «Em boa hora João Tordo lança o alerta. Sem confundir esclarecimento sereno com sermão. Esta obra confirma: um viciado em álcool ou drogas tem hoje a certeza de encontrar uma porta aberta – e alguém a esperar ali por ele. Na esperança sempre renovada de que o adicto de ontem possa estar amanhã a receber outros no limiar da mesma porta.»

Vinhetas (28)

José Meireles Graça, 29.08.25

O restaurante fica perto do alto do monte, enterrado no meio dos enormes rochedos que por lá há. Ente estes há um dédalo de carreiros empedrados sempre a subir ou a descer, às vezes dando para becos sem saída ou locais de difícil passagem.

O conjunto não é grande e a espaços vê-se a cidade lá em baixo, de modo que nunca é difícil uma pessoa orientar-se.

Há mais do que um restaurante e no primeiro, mais rude porque fica num pequeno largo onde a maior parte das mesas se encontram por baixo precisamente de rocha e algumas poucas a céu aberto, havia fila para o balcão da cozinha. Neste se entregava o caldo verde, o pastelão de sardinha ou de toucinho e frango ou costelinhas grelhadas, o enorme grelhador ao lado fazendo uma grande fumarada que se dissipava com dificuldade. A fila não andava, devia-se estar num momento de intervalo de chegada de cozinhados.

As bebidas eram noutro balcão, lá ao fundo, e rosnei para a companhia que sairia dali a cheirar a chouriço fumado, de modo que por geral consenso seguimos por um carreiro em direcção a um outro restaurante que havíamos visto à chegada, dois de nós numa direcção e os outros dois noutra um tanto divergente, consoante o nosso respectivo sentido de orientação. Ambas estavam erradas, de modo que mais à frente nos avistámos, nós mais acima, todos concordantes na conveniência de subir até ao largo, como fizemos.

Deus me livre de vir para aqui com gabarolices gastronómicas para excitar as invejas do leitor desprevenido, mas o que veio para a mesa foi pão, azeitonas, chouriço grelhado, bolinhos de bacalhau, pataniscas, salada de feijão frade, cebola com o respectivo sal grosso e vinagre, tudo em quantidades himalaicas e regado com o vinho da casa: branco para os meus acompanhantes, que são umas frôzinhas, um tinto grosso para mim na sua infusa de lata. Os outros escolheram para a resistência cação de cebolada, eu punheta de bacalhau.

Como mais depressa que as outras pessoas. A lentidão provoca ingestão de quantidades excessivas de ar entre as garfadas, de modo que é decerto por isso que não me encontro barrigudo. E certamente também não sou daqueles que nos intervalos da mastigação olham para o infinito, a meditação não me parecendo o melhor dos acompanhamentos para circunstâncias prandiais.

Venho cá para fora fumar antes da sobremesa. Ia saindo um casal de meia idade já um bocado adiantada, ambos com aquelas calças cortadas pelo joelho, as dela, que ia à frente, mais justas do que lhe convinha e aos meus olhos.

O cavalheiro, de excelente aspecto, disse que era pela direita, a subir; e ela, que já tinha encarreirado em frente, declarou sem se voltar, numa voz cortante: Cala-te e anda, é por aqui. Ele calou-se e andou por ali. E eu fiquei pensando que elas estão que não se pode.

De modo que afinal também medito: não no meio das refeições mas no intervalo.

Morabeza

Sérgio de Almeida Correia, 29.08.25

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Quem acompanhe a realidade de Cabo Verde, a sua história recente, conheça a sua geografia e dificuldades, vê o que as suas gentes aos poucos vai conseguindo, o que se tem dito e escrito nas últimas décadas sobre aquele pequeno país insular da costa de África, e não pode deixar de expressar a sua admiração, apoio e encanto com os resultados. Os indicadores não enganam e estimulam à continuação.

Torna-se assim particularmente gratificante acompanhar a série de reportagens e entrevistas que a TDM tem vindo a emitir todas as noites a seguir ao Telejornal, no canal português e também na rádio, com especial ênfase nas relações de Cabo Verde com Macau e a China.

A forma como o país criou um Estado de Direito, abandonou o sistema de partido único, fez a mudança para um sistema democrático multipartidário, e consolidou uma democracia digna desse nome, com pluralismo político, respeito pelas liberdades e os direitos fundamentais da pessoa humana, protegendo as minorias e as regras do jogo, por todos aceites e cumpridas, com eleições regulares, livres e competitivas, alternância no poder e transições pacíficas e civilizadas, sublinham a inteligência, ponderação e bom senso dos seus partidos políticos e dirigentes.

Ao mesmo que tempo que consolidava a sua democracia, o país não descurou a sua obrigação de promover a educação, a saúde, a habitação, apostando na formação de quadros, num desenvolvimento sustentado e na boa governança, o que o tornou hoje num exemplo em África e no mundo que deve ser motivo de satisfação para os seus nacionais, para todos os seus amigos e o mundo da lusofonia.

Gostei bastante de acompanhar a entrevista com o Presidente José Maria Neves, mas em especial de ouvir o ex-Presidente Jorge Fonseca, meu contemporâneo em Macau nos idos de Oitenta do século passado, aquando da minha breve e única passagem pela Administração Pública, e que aqui deixou e transmitiu o melhor do seu saber e humanismo na então recém-criada Faculdade de Direito, coordenando e leccionando, contribuindo para a formação de quadros competentes, mas também servindo a Administração portuguesa no desempenho de funções nos gabinetes governativos até à sua partida.

Espero que a excelente entrevista que Jorge Carlos Fonseca deu à TDM, onde inclusivamente relatou o delicioso episódio da sua coluna n' O Clarim, com o Pedro Correia e o saudoso João Carvalho, possa ser traduzida e legendada em chinês e inglês e se torne acessível a uma audiência mais vasta que não domina a língua portuguesa.

O exemplo de Cabo Verde mostra como uma democracia pluralista pode ser factor de fortalecimento de uma nação, de paz, de criação de oportunidades para todos e de desenvolvimento social e económico.

Embora ainda haja muito a fazer, é hoje claro que se o país estivesse entregue a um líder autoritário, auxiliado por um partido único esclerosado e patriotas de confiança escolhidos por esse mesmo partido e seus satélites em eleições de fachada, num simulacro de democracia, sem uma separação de poderes actual e efectiva, na linha de Montesquieu, e hoje não seria muito diferente de outros países com regimes autoritários, sumamente mal governados, onde as cliques incompetentes e corruptas só se aguentam no poder protegidas por modernos sistemas de vigilância e controlo policiais, pela força das armas, oprimindo o seu povo sem qualquer respeito pelos direitos humanos e a dignidade da pessoa, e institucionalizando o saque dos recursos públicos como meio legítimo de enriquecimento.

Dou os parabéns à equipa da TDM que esteve em Cabo Verde, sugerindo apenas ao entrevistador que em futuros exercícios, se possível, interrompa menos os entrevistados, deixando-os acabar o raciocínio e as frases. Para que assim possam expressar livremente as suas ideias, os telespectadores ouvir tudo sem ruído e sobreposição de vozes, e não pareça que, ainda que involuntariamente, se quer orientar ou condicionar os entrevistados, cortando-lhes o discurso a meio.

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 29.08.25

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Cristina Torrão: «Muita gente culpa as vítimas de abusos sexuais precisamente por elas silenciarem o crime. Guardei um artigo publicado, no passado dia 31 de Maio, no Jornal Católico da diocese alemã de Hildesheim, por ele se debruçar precisamente sobre esta problemática. E, por ser uma questão que me revolta, devido à injustiça a ela associada, resolvi traduzi-lo. Foi escrito em colaboração com uma psicóloga de Hildesheim que se especializou em casos de violência contra crianças e jovens (incluindo o abuso sexual, também uma forma de violência), e fez parte do 3.º número de uma revista dedicada à prevenção deste tipo de crimes.»

 

Eu: «Fica a sugestão: visitemos os bastidores desta actividade intelectual que verte para outro idioma tudo quanto possamos imaginar – de um manual de instruções a um relatório secreto, de um romance policial a um catálogo de máquinas de café. Cientes de que "a tradução é mesmo a arte da aproximação entre culturas". E desengane-se quem pensar que é fácil. Porque não é.»

Vinhetas (27)

José Meireles Graça, 28.08.25

Há dias jantei com algumas altas personalidades da Oficina da Liberdade e coloquei o meu novo telemóvel em cima da mesa, onde ocupou o espaço de uma terrina. No bolso não o podia ter, que não cabe. De resto, os donos de restaurantes mais argutos estão a seguir o critério de juntar duas mesas de quatro cada uma não para 8 mas para 4 pessoas, a fim de caberem os modernos telemóveis e as travessas. Alguém comentou que o aparelho não tinha capa de protecção e provavelmente também não película, de modo que se caísse ao chão era estrago garantido. O vidro do écran, ui, caríssimo. Não suscitei a questão de saber por que razão, se é assim, os telemóveis não vêm com tais acessórios - já havia outras matérias controversas para ocupar os comensais. Hoje fui a um centro comercial, lugar da contemporaneidade que evito com zelo, pilotado por quem sabe navegar em tais mares. Na loja, o simpatiquíssimo (são quase sempre) empregado brasileiro inquiriu qual era o modelo - aparentemente tenho aspecto de quem sabe semelhante coisa. Inteirado da minha ignorância, fez ele próprio alguns passos cabalísticos na máquina, encontrou a referência, foi ao computador e informou que capas para aquilo não tinha mas podia encomendar. Já ia dar à sola com presteza mas o meu piloto interveio para dizer que o mais importante era a película, e por isso perguntei se tinham. Era baratucha, 19,99€ (deixei o troco de gorjeta) e comprei. O funcionário colocou-a, num prodígio de técnica, experiência e habilidade e, agradado com o desenlace, resolvi encomendar a capa. Tomando nota no computador, perguntou-me se “queria uma côrzinha”. Isto não me caiu bem, lá que tenha aspecto de técnico de hardware ainda vá mas imaginar-se que eu quero “côrzinhas” nas capas é realmente demais. De modo que, de cara fechada, respondi “preto”. E, tendo dado o meu número de telemóvel para efeito de ser prevenido quando chegasse o almejado extra, tomei providências para que, da próxima, alguém se ocupe da recolha por mim.

Não há paz sem liberdade

Pedro Correia, 28.08.25

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Martin Luther King no Memorial de Lincoln, em Washington (1963)

 

Não há paz sem liberdade. E não há liberdade sem esperança. Um político de excepção vislumbra motivos de esperança mesmo entres os clarins da guerra. Um desses políticos foi Abraham Lincoln, autor da mais memorável mensagem de esperança, proferida em plena Guerra Civil norte-americana, a 19 de Novembro de 1863.

Foi o chamado Discurso de Gettysburg: demorou apenas cerca de três minutos. Três parágrafos, 255 palavras - não era necessária nenhuma mais. As forças da União haviam ali derrotado quatro meses antes o insurgente exército confederado do Sul que se batia contra a abolição do esclavagismo, cortando amarras com a política humanista do Norte. Mas Lincoln, embora galvanizado por essa vitória militar recente, pôs de lado a retórica triunfalista e deixou no cemitério local um apelo digno de um estadista: «Compete-nos a nós, os sobreviventes, garantir que aqueles que caíram no campo de batalha não morreram em vão e que nesta nação, sob os auspícios de Deus, renasça a liberdade - e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra.»

Cem anos mais tarde, este discurso teria sequência num outro, proferido junto ao Memorial Lincoln, em Washington, por Martin Luther King«Tenho o sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o significado autêntico do seu credo -- termos por verdade evidente que todos os homens foram criados iguais. Tenho um sonho -- o sonho de que um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade», declarou* o reverendo justamente distinguido em 1964 com o Nobel da Paz.

No tempo de Lincoln ainda não havia Nobel. Mas ele tê-lo-ia merecido, mais do que todos os presidentes americanos que viriam a ser galardoados no século e meio seguinte -- de Theodore Roosevelt a Barack Obama. Pela força inspiradora do seu exemplo. Pela eloquência dos seus vibrantes apelos em defesa da dignidade humana. Pela tenacidade e pela coragem de que deu provas no cumprimento de um ideal: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura.

Um ideal que lhe custou a vida: viria a ser assassinado em 1865. Mas o seu apelo de Gettysburg ainda hoje ecoa -- nos EUA e no mundo.

 

* Cumprem-se hoje 62 anos

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