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Delito de Opinião

Lápis L-Azuli

Maria Dulce Fernandes, 03.05.25

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Hoje lemos Natsume Sosēki: "KOKORO"

Passagem a L' Azular: "Não quero agora a tua admiração, porque não quero os teus insultos no futuro. Suportarei a minha solidão, para evitar uma solidão ainda maior nos anos que se avizinham. Repara, a solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido nesta era moderna, tão cheia de liberdade, independência e de nós próprios, tão egoístas que somos."

Destruir ou melhor, desconstruir aqueles que admiramos à ínfima medida social e humana, para justificar o nosso descontentamento com as nossas faltas e incapacidades em alcançar os objectivos de vida a que nos propusemos, é do mais reles que pode existir. E portanto existe. Existe bem enraizado e desponta em grande escala.

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 03.05.25

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João Villalobos: «Não tenhamos receio de vacilar de quando em quando. Não é fácil evitar a angústia perante os mistérios do futuro. O medo, que tanto nos esforçamos por manter subterrâneo, emerge por vezes, inesperado regressa à tona, como um cachalote. Mesmo ele tem de respirar. Para o vencer, é na coragem demonstrada por tantos que podemos encontrar também a nossa. A cada um o seu arpão, é certo. Mas em comum a mesma vontade de atingir a causa das trevas no coração.»

Quem vê caras vê corações

jpt, 02.05.25

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Ainda não vi qualquer debate televisivo dedicado a estas eleições - não tenho paciência, além de me ser indiferente quais dos dirigentes têm mais jeito para aquilo. Também ainda não vi "comentários" televisivos sobre os debates televisivos - não tenho paciência, pura e simplesmente. Mas sei que há uma gente que ganha dinheiro para ir à televisão "dar notas" aos políticos - como se fosse o velho prémio Somelos-Helanca do "A Bola", a premiar os jogadores... E, claro, depois dão melhores notas aos jogadores, perdão, aos políticos do(s) partido(s) que preferem. Ou para os quais trabalham. Não há dúvida, na imprensa - como aprendi no "Calhau" em Mafra - "há filhos de muitas mães"

Enfim, não é bem sobre isso que agora atento. Venho apenas dar conta que vi ontem - nas "redes sociais" - várias menções a um debate no canal "Now" (nunca percebi porque se atribui alvará a um canal português com nome estrangeiro), acontecido anteontem à noite (após as 22 horas). Montenegro e Santos haviam debatido. De seguida veio um trio comentar o ocorrido: uma jornalista da Sábado, o Santana Lopes e um empresário - que consta estar a trabalhar para o PS. Aquilo deu brado, o empresário - a puxar o fogareiro todo para sardinha dele - anunciou que o Montenegro dissera "não sou só eu o corrupto, etc...". E o Santana foi Santana - com todos os defeitos que lhe possam atribuir o Santana também tem qualidades.

Fiquei curioso, "puxei atrás" na tv e fui ver. Vi. E constatei uma verdade insofismável: quem vê caras vê corações.

A cada um o seu Apagão

jpt, 02.05.25

Passara o fim-de-semana além-Trancão, em pinturas - “não sejas um Zé-Ninguém, pinta com Robbialac”, anunciava, há décadas, o Manniche original - a retocar refúgio, que a vida não é só Olivais. E assim nesta segunda-feira desde a alvorada fora apupado por músculos esquecidos ou até mesmo desconhecidos e reencontrara velhas articulações, estas pejadas de azedume para comigo…

Acabrunhado com esse desamor endógeno, protelei as obrigações de burocracia digital que tinha em mente - “não faças já o que podes fazer daqui a bocado”, item sempre a encimar o decálogo -, e manhã afora deixei-me a remexer nos textos do meu “Sentido Obrigatório”, livro que quero fazer suceder ao “Torna-Viagem”. O que farei logo que este alcance o até mítico estatuto comercial de half-demon, 333 exemplares vendidos - e para tal só me falta impingir mais vinte e poucos livros a incautos interessados.

Aproximando-se o meio-dia, mal notei uma ligeira flutuação eléctrica no ecrã do computador, à qual até quis desatentar. Mas ficou-me a moinha, inquisidora. E, interruptor à mão, constatei o corte de energia. Logo acorri a esse recanto mágico, dito “quadro eléctrico” - durante décadas monopólio do meu pai, o Camarada mas também Engenheiro Pimentel (electrotécnico, de barragens, já agora, pois é matéria que o dia veio a realçar). Estava este opaco, mais ainda do que a minha ignorância sempre o entende. Desesperei, percebendo ser o corte devido a ter-me eu esquecido de pagar a conta - essa que já me chega faseada, em “suaves prestações”, tamanho o saque mensal de que sou alvo. E assim, neste final de mês em penúria, mesmo, “terei de pagar a conta toda!!!”, pois por falta do meu cumprimento será suspenso o plano acordado.

 

 

"onde nem tudo tem de ser perfeito para ser bom"

Paulo Sousa, 02.05.25

Existe uma empresa familiar sediada em Alcobaça cujos sócios são norte-americanos e que se dedica à promoção nos EUA do destino Portugal como sítio para passar a reforma. Já tive contacto com a mesma e posso descrevê-los como competentes, sérios e profissionais. Por não se tratar de publicidade, não revelarei o seu nome.

O apagão do dia 28 foi um factor de ansiedade para os portugueses, mas também para os que nos escolheram como destino. Achei interessante a forma como explicaram aos seus seguidores nas redes sociais esta invulgaridade, pelo que a passo a partilhar:

Depois de uma rara queda da energia eléctrica, estamos felizes por dizer que estamos de regresso à normalidade! Quando estás habituado à vida noutro lugar, em momentos como este, ficar sem fornecimento de electricidade sem saber quando irá voltar, pode-se facilmente entrar em pânico. É a natureza humana. Mas aqui em Portugal a reacção foi completamente diferente. Sem pânico, sem drama. Os cafés ficaram abertos enquanto puderam e as pessoas verificavam como estavam os seus vizinhos. A maioria aproveitou a oportunidade para abrandar e aproveitar a luz do sol. Viver em Portugal significa habituar-se a um ritmo diferente, onde a comunidade importa, onde as pessoas olham umas pelas outras e onde nem tudo tem de ser perfeito para ser bom. Ontem recordamos novamente porque escolhemos construir uma vida aqui e porque continuamos a ajudar os outros a conseguir o mesmo.”

Especiarias e condimentos na Bíblia (8)

Pedro Correia, 02.05.25

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COENTRO

Planta originária da bacia do Mediterrâneo: os gregos e os romanos já a utilizavam para condimentar pratos de carne ou saladas. As folhas de coentro são fontes de cálcio, ferro e vitamina A, tendo propriedades anti-oxidantes.

 

Êxodo XVI, 31:

«Os israelitas chamaram maná àquele alimento que apanhavam. Parecia-se com a semente de coentro, era branco e tinha o sabor de bolo de mel.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 02.05.25

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José Meireles Graça: «Pergunta-se: pode um funcionário superior de um partido político executar fielmente as instruções da direcção quando delas discorde por achar que ofendem na essência a identidade partidária? (...) Portanto, o PCP tem razão e Casanova não. Mas já duas instâncias judiciais disseram que o funcionário tem de ser reintegrado. E o partido reagiu, afirmando ser "inaceitável que alguém queira impor ao PCP como quadro político a tempo inteiro uma qualquer pessoa que se oponha ao PCP ou esteja comprometida com outro projeto político, como decorreria da interpretação dos critérios que serviram de base a esta decisão".»

 

JPT: «Estou confinado numa quinta, num grupo de famílias amigas. Eles encerraram-se a 6 de Março, no dia seguinte ao anúncio de Amorim no Sporting. Eu vim depois pois esperava a minha filha, que estuda em Inglaterra. Ou seja, estes meus amigos encerraram-se - apenas abrindo portas para nos acolher, o que nunca esquecerei, ainda para mais por ter sido naquela época tão angustiante - exactamente no dia em que Espanha fechou os lares de terceira idade e a nossa directora geral da saúde nos aconselhou a "ser solidários" e a visitar esses mesmos lares. Lembrai-vos disso? Se sim eu pergunto: quem morreu e onde vivia?»

 

Maria Dulce Fernandes: «Estou há 46 dias em casa. Saí uma vez por semana. Pertencemos aos famigerados grupos de risco, devido a condições preexistentes. A família chegada, filhas e netos, está a cumprir o seu dever cívico, longe de nós, para nossa protecção. Não lhes toco há 50 dias. Sinto a falta do carinho, do toque e do cheiro que não se aplaca com telefonemas ou videochamadas. Durante a primeira semana, li. Cozinhei. Vi séries de TV. Devorei todos os noticiários. Fartei-me.»

 

Paulo Sousa: «Se a nossa vida confinada, com um risco de contágio próximo de zero, era apenas 50% normal, aceitamos agora um risco de 5% para ter uma vida 80% normal? Claro que estas margens de risco são apenas intuitivas e não têm qualquer base estatística ou científica, mas traduzem a forma como interpreto esta nova fase. Cada um de nós terá uma resposta diferente para a mesma questão, assim como cada um de nós atribuirá diferentes ponderações a estas variáveis.»

 

Eu: «Comportando-se como uma espécie de estado dentro do Estado, a CGTP assume-se como aquilo que diz combater: como uma força detentora de privilégios, que manda às urtigas o dever geral de confinamento imposto à generalidade dos cidadãos e menospreza o direito à igualdade que lhe serve de bandeira. Como noutros tempos e noutros locais, confirma-se que também aqui há uns mais iguais que outros.»

Entre os mais comentados

Pedro Correia, 01.05.25

Nos 22 destaques feitos pelo SAPO em Abril, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu 22 menções ao longo do mês. Fazendo o pleno, uma vez mais.

Incluindo seis textos na primeira posição do pódio, nove na segunda e quatro na terceira.

 

Os 22 postais foram estes, por ordem cronológica:

 

Penso rápido (111) (38 comentários, segundo mais comentado do dia) 

Sugestões de novos cartazes ao Chega (40 comentários, segundo mais comentado do dia)    

Uma das figuras icónicas do nosso tempo (56 comentários, o mais comentado do dia)

Lápis L-Azuli (44 comentários, segundo mais comentado do fim-de-semana) 

Pensamento da semana (80 comentários, segundo mais comentado do dia)   

Diário de viagem: Capítulo 3 (32 comentários)  

Assim escrevia Vance em 2017 (60 comentários, segundo mais comentado do dia)   

Frases de 2025 (14) (42 comentários, segundo mais comentado do dia) 

Lápis L-Azuli (27 comentários)     

Pensamento da semana (32 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Indignidade moral (78 comentários, o mais comentado do dia)   

Especiarias e condimentos na Bíblia (1) (56 comentários, o mais comentado do dia) 

Especiarias e condimentos na Bíblia (2) (44 comentários, segundo mais comentado do dia)    

Especiarias e condimentos na Bíblia (3) (30 comentários)

«Sou apenas um passo» (32 comentários, segundo mais comentado do dia)   

Leitura recomendada (26 comentários, terceiro mais comentado do dia)  

Lápis L-Azuli (15 comentários, terceiro mais comentado do dia)  

Pensamento do dia (34 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Polémica tuga sobre o luto pelo Papa (30 comentários, o mais comentado do fim-de-semana)

Pensamento da semana (30 comentários, segundo mais comentado do dia)

O apagão (62 comentários, o mais comentado do dia)

«Às escuras» em pleno dia de sol (110 comentários, o mais comentado do dia)

 

Com um total de 998 comentários nestes textos. Da Maria Dulce Fernandes, do João Sousa e de mim próprio.

Fica o agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar.

Um ano com D. Dinis (25)

Casamento de D. Afonso IV

Cristina Torrão, 01.05.25

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Em Maio de 1309 (não se sabe o dia), o futuro rei D. Afonso IV, filho de D. Dinis, casou com a infanta D. Beatriz de Castela. Viriam a ser os pais de D. Pedro I, conhecido pelo seu amor trágico por Inês de Castro (tendo ficado seu pai com a “fama” de a haver mandado assassinar, embora não exista certeza histórica).

À altura do casamento, D. Afonso tinha dezoito anos e a sua noiva dezasseis ou dezassete. Os dois conheciam-se desde a infância. D. Beatriz foi criada pelos sogros, vindo para a corte portuguesa na sequência do Tratado de Alcanices, celebrado a 12 de Setembro de 1297, no qual se definiram definitivamente as fronteiras entre Portugal e Castela e se estabeleceu um duplo consórcio. Ficou igualmente estipulado que D. Fernando IV de Castela, à altura com onze ou doze anos, casaria com a infanta D. Constança de Portugal.

Era costume as noivas-crianças serem criadas pelos sogros. O par real português e a rainha viúva castelhana, D. Maria de Molina, trocaram de filhas. D. Beatriz, de cinco anos, veio para Portugal, enquanto D. Constança, de sete, foi viver para a corte castelhana.

Para a concretização deste duplo consórcio, foi necessário solicitar dispendiosas bulas de dispensa de parentesco ao papa, pois os nubentes eram parentes próximos. Os infantes castelhanos eram filhos do falecido D. Sancho IV, tio de D. Dinis.

No caso de D. Afonso IV e de D. Beatriz, parece ter sido vantajoso terem crescido juntos. Não obstante a tradição  ter conferido um temperamento irascível a este monarca português, ele parece ter-se inteiramente dedicado à família, pois não se lhe conhecem barregãs, nem filhos ilegítimos. Trata-se de um caso raro na nossa historiografia.

O casal teve sete filhos, mas apenas três chegaram à idade adulta, conquanto a mais nova, Leonor, que casou com D. Pedro IV de Aragão, tenha morrido com apenas vinte anos.

A primeira derrota de Donald Trump

Pedro Correia, 01.05.25

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Há quatro meses, o Partido Liberal - que dominou o panorama político do Canadá durante mais de dois terços do século XX - parecia irremediavelmente condenado ao desaire eleitoral. A 6 de Janeiro, demitiu-se o primeiro-ministro Justin Trudeau, no cargo desde 2015. Em quebra drástica de popularidade, foi substituído pelo economista Mark Carney, antigo presidente do Banco do Canadá e do Banco de Inglaterra. Já em cenário pré-eleitoral, num momento em que as sondagens atribuíam uma vantagem de 25 pontos percentuais ao Partido Conservador, histórico rival dos liberais.

Os dados pareciam lançados. Até Donald Trump entrar em cena. Mal tomou posse a 20 de Janeiro, na senda do que já afirmara durante a corrida eleitoral norte-americana (quando chamava «governador Trudeau» ao chefe do Governo), ameaçou anexar a nação vizinha, transformando-a no «51.º estado dos EUA». E decretou pautas aduaneiras de 25% às importações de produtos deste país. Quebrando uma longa, estável e frutuosa parceria vigente na América do Norte.

Carney, sem sombra de temor reverencial ao inquilino da Casa Branca, enfrentou estas ameaças à soberania e à economia do seu país com palavras vigorosas e contundentes, despertando o nacionalismo canadiano que parecia adormecido: «Trump will never break us.» Enquanto o seu rival conservador Pierre Poilièvre, próximo de Trump em termos ideológicos, ia titubeando. Quando tentou reagir, já era tarde.

Mais de 60% dos canadianos passaram a boicotar os produtos importados dos EUA. Valia muito mais do que uma sondagem, como se viu.

Trump, com a sensibilidade de um rinoceronte, conseguiu num par de meses afundar a maré conservadora e oferecer de bandeja o triunfo eleitoral aos liberais, que no início do ano nenhum analista político antevia. Carney emerge das urnas, nestas legislativas de 28 de Abril, como justo e categórico vencedor.

Foi a primeira derrota geopolítica do sucessor de Joe Biden, empossado há cem dias. Está muito longe de ser a última.

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 01.05.25

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José Meireles Graça: «Estas imagens são um símbolo do preço que o PCP cobra para apoiar o governo burguês do PS, e dizem isto: estamos cá, somos disciplinados e organizados, temos mais poder que a Igreja e qualquer outra instituição, e a interpretação autêntica da Constituição e das leis é a que fazemos e não qualquer outra. Portanto, socialistas católicos, tenho notícias para vós: andais, como Maduro, a reboque de um passarinho que vos traz instruções de falecidos, e para a Nossa Senhora de Fátima estai-vos a borrifar. Mas eu, que nem católico sou, e que duvido que ali jamais tenha havido qualquer milagre, não estou.»

 

JPT: «Hoje, 1.º de Maio e manifestações por aí. Tal como houve celebrações "em sala grande" e sem "mascaradas" no 25 de Abril. Então é dia para recordar esta postura de Mattarella, o presidente italiano, celebrando nesse mesmo 25 de Abril o 75.º ano (número ainda mais simbólico) sobre a libertação italiana na II Guerra Mundial. Ou seja, o dia da liberdade, da democracia, do fim do jugo nazi-fascista. E da paz. Fazendo-o de modo tão mais simbólico, tão mais solidário, tão mais cidadão, tão mais democrata. Tão mais respeitador. E tão mais inteligente. Do que este paupérrimo duo Rodrigues-Sousa na festa chocha de São Bento e nas arruadas de hoje.»

 

Eu: «As vidas humanas perdidas neste duro combate ao Covid-19 são muito mais do que dados estatísticos: a BBC, no exercício do jornalismo de qualidade a que nos habituou, revela aqui nomes e rostos de vários destes mortos registados pelas autoridades sanitárias britânicas num único dia. Vidas amputadas pela implacável propagação de um vírus que continua a ser letal, por mais que alguns pareçam ignorar tal facto.»

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