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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 26.02.24

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Francisca Prieto: «A senhora terminou a sessão com o psicólogo que lhe diz:

- "Para a semana trabalharemos com o inconsciente".

Responde ela:

- "Não acredito que o meu marido queira vir".»

 

João André: «Enquanto a presumível futura presidente vai a tratamentos talvez nalguma clínica do Bundestag, outro candidato tem em casa a mais alta condecoração civil alemã. Pelo meio, a populaça da praça decidiu suspender a democracia e optar por processos revolucionários que bolcheviques e SA's não desdenhariam. O próximo passo, imagino, será um enforcamento público, talvez juntamente com alguma amante. A coisa ainda poderá correr bem, mas a cada dia duvido mais.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Com Mário Coluna vão dez títulos de campeão nacional, mais sete taças de Portugal e duas taças dos campeões europeus, registando-se que marcou nas duas em que esteve presente. Irá agora fazer companhia ao seu protegido e amigo Eusébio, no Olimpo das lendas, deixando por aqui muitas saudades pelo exemplo e pela classe.»

 

Eu: «Por vezes lembro-me de [Clement] Attlee ao analisar o percurso de certos políticos contemporâneos. E concluo sempre que o seu exemplo ganharia em ser seguido por todos quantos, manifestamente equivocados, ambicionam o máximo para o momento seguinte. Como se não houvesse amanhã. Como se o decurso do tempo funcionasse como adversário e não como aliado. Como se a política não fosse sobretudo um exercício inteligente e laborioso de persuasão e persistência. Como se os livros de História pesassem menos do que as manchetes da manhã seguinte.»

Cá está ele

Pedro Correia, 25.02.24

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Ontem à noite participou num debate na CNN Portugal. Com deputados de outros cinco partidos políticos. Sobre uma triste efeméride: o segundo aniversário da agressão russa à Ucrânia, com o seu brutal cortejo de mortos, mutilados, desaparecidos, violações, pilhagens e destruição de todo género. A maior invasão de uma nação europeia por um país vizinho desde a II Guerra Mundial - réplica exacta do que Hitler fez à Polónia em 1939 mal selou o pacto de amizade com Estaline.

Fixem-lhe a cara e o nome: chama-se João Pimenta Lopes, é representante do PCP no Parlamento Europeu. Foi um dos escassos deputados que se puseram ao lado do ditador Putin, recusando condenar a Rússia na eurocâmara. A 1 de Março de 2022 - cinco dias após a invasão, quando os blindados russos se encaminhavam para Kiev e os mísseis de Moscovo matavam dezenas de civis. A resolução foi aprovada por esmagadora maioria: 637 votos favoráveis, 16 abstenções e 13 miseráveis votos vontra - incluindo o de Lopes e da sua camarada Sandra Pereira.

Convém não esquecer. Faltam três meses para as próximas eleições europeias. Quem nos representa em Bruxelas deve ser avaliado - e chumbado - também por isto.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 25.02.24

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Eu: «Aqui escrevem os comunistas puros e duros. Sem punhos de renda, como antes da queda do Muro de Berlim. Com linguagem típica de Guerra Fria. Querem derrubar nas ruas o Governo português, que recusam qualificar de democrático, aplicando a cartilha marxista-leninista sobre "violência revolucionária". Enquanto se enfurecem ao ver as ruas da Ucrânia e da Venezuela encherem-se de protestos do povo, a quem não hesitam em chamar fascista.»

Slava Ukraini!

jpt, 24.02.24

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Há alguns anos (muitos, já, cada vez mais, raisparta) fui mais uma vez à Ilha de Moçambique. À porta da Fortaleza, então sob qualquer intervenção, estava isto. Resmunguei, decerto (eu conheço-me, ainda que mal), a um "portão" barrando o acesso ao agora sacrossanto "Património Cultural" ungido pela UNESCO, pintado com as cores das duas empresas de telefones (Vodacom, MCEL) que invadiam todos os recantos do país com as suas publicidades... Só muitos anos depois alguém me soprou que talvez isto fosse obra, "como quem não quer a coisa", de algum imigrante (quiçá ex-"coooperante") ucraniano, ali resguardado em coisas da construção civil... Talvez. E que belo argumento para um conto seria...

Lembro a fotografia hoje, dois anos após a invasão russa da Ucrânia. Para além dos russófilos actuais (essa mescla nada-excêntrica de bafientos fascistas e comunistas) vejo críticas à Ucrânia e aos seus aliados ("ocidentais") porque a derrota militar se apercebe como provável, exaurido o país. Não deixo de achar uma triste piada ao ver a rapaziada que se imagina de "esquerda", no afã do seu nojo pela democracia liberal dita "ocidental", a filiar-se assim no ideário do "sucesso", do "empreendedorismo" bem realizado, essa ideia de que a fraqueza relativa (a tal derrota militar contra um inimigo superior) significa a fraqueza absoluta, como se uma injusteza ôntica.

E também encontro nenhuma piada aos que vêm "denunciar" a propaganda pró-ucraniana, que para eles conduziu a isto. Ou seja, implicitam que se devia ter apoiado/exigido a rendição imediata. Como esse "eterno comentador" (e mau escritor, já agora) Sousa Tavares que do palanque televisivo veio perorar essa tralha. E tem lugar cativo como "fazedor de opiniões". Por falar de propaganda e estar a botar uma fotografia da Ilha lembro a abjecta consideração do escritor Agualusa, logo no início da guerra, botando no Globo brasileiro o seu lamento de estar na distante Ilha enquanto os "nazis" defendiam a Ucrânia, regurgitando a energúmena propaganda russa, forma canhestra de ser "Sul". Típica, aliás.

De tudo isto me lembrei há horas, ao ver no telejornal as comemorações (fogo-de-artifício e tudo) em Moscovo dos dois anos de guerra. Dezenas ou centenas de milhares de mortos sofridos, idem de baixas alheias causadas, por um regime que se propunha derrotar em três dias (!!!) um poder de "drogados", "nazis", e até "judeus". E comemora.... E estes escritores sofríveis, e intelectuais de merda, e seus enlevados leitores? Dizem o quê?

Slava Ukraini! Especialmente se vier a sua derrota.

Lápis L-Azuli

Maria Dulce Fernandes, 24.02.24

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Hoje lemos: Joseph Heller, "Catch 22".

Passagem a L-Azular: “Foi milagroso. Ele percebeu que não era necessário qualquer truque para transformar o vício em virtude e a calúnia em verdade, a impotência em abstinência, a arrogância em humildade, a pilhagem em filantropia, o roubo em honra, a blasfémia em sabedoria, a brutalidade em patriotismo e o sadismo em justiça. Qualquer um poderia fazer isso; não exigia muito raciocínio. Simplesmente,  não exigia carácter."

Ah, o carácter. Outra figura mitológica com semelhanças a uma quimera. Uma lenda antiga, daquelas que ainda povoam os contos de fadas, mas que deixou há muito tempo de se manifestar com equidade e isenção. O que sobrou são apenas sombras amorfas com pouca virtude, nenhum tacto, ocas e tristes, longe dos debates vibrantes e entusiasmados, onde não importava a cor e o credo, mas sim a garra. Estará tudo bem? Olhe que não.

(Imagem Google)

Ja som Ukrajinec

Pedro Correia, 24.02.24

 

Na Ucrânia, faz agora dez anos, já se lutava pela liberdade contra os esbirros de Moscovo, quando Vladimir Putin, através de um fantoche do Kremlin, queria pôr a pata em Kiev. Não se lutava apenas nas ruas e nas praças. As batalhas da propaganda política também se tornaram decisivas, com o recurso às novas tecnologias. Este vídeo, por exemplo, teve rápida difusão mundial: em poucos dias recebeu 3,5 milhões de visualizações.

Dois minutos: não foi preciso mais. Uma jovem chamada Yulia difundiu a mensagem, clara e directa, recorrendo à técnica do vivo televisivo: "Queremos ser livres".

Foi quanto bastou para o essencial ficar dito. E para o eco se propagar: "Ja som Ukrajinec".

Marco vitorioso na luta contra o fascismo neocomunista: o fantoche foi derrubado.

 

Hoje volta a ser imperativo, quando se assinalam dois anos da criminosa invasão da Ucrânia pela Rússia, potência nuclear 28 vezes maior do que o mártir país vizinho: a autodeterminação dos povos não pode ser flor de retórica, há que erguer bem alto o clamor da liberdade.

E de novo proclamar: Ja som Ukrajinec.

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Foto: Nacho Doce / Reuter

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 24.02.24

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Helena Sacadura Cabral: «Este vídeo foi-me enviado por um comentador que considero meu amigo. São seis minutos que merecem ser vistos e ouvidos, porque se aprende alguma coisa sem sequer se dar por isso!»

 

João André: «Se forem iguais a si mesmos (em vez de alinharem com o histerismo dos seus partidos), Rangel e Assis poderão trazer-nos os debates mais interessantes desde há muito tempo.»

 

João Campos: «Que qualificações ou pensamentos habilitam alguém como Marinho Pinto a falar na televisão sobre redes sociais?»

 

Teresa Ribeiro: «Chegar a três meses do fim da troika e ouvir que "a vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor" é chocante. - Pedro Santos Guerreiro, na última edição do Expresso.»

 

Eu: «Marcelo Rebelo de Sousa deu o pontapé de saída na campanha presidencial sem necessidade sequer de abordar o tema. Fê-lo em horário nobre, com os canais informativos de televisão a transmitir em directo, e aproveitando a seu favor o palco do congresso do PSD, que fora montado para outro efeito. Bastou-lhe aparecer quando ninguém esperava e falar com a habitual desenvoltura durante meia hora: obteve audiência máxima, o aplauso caloroso dos congressistas e o sorriso condescendente de Passos Coelho. Tornou-se ele próprio a notícia da reunião magna dos sociais-democratas e condicionou por completo a margem de manobra da direcção laranja, condenando à irrelevância  a moção de estratégia global de Passos, na parte referente às presidenciais, ainda antes de ser votada.»

Militares a ameaçar sair à rua.

Luís Menezes Leitão, 23.02.24

Quando leio num jornal sobre militares a saírem à rua por razões salariais, lembro-me logo deste episódio semelhante, ocorrido no então Zaire em 1991, em que o terror foi tanto que obrigou à fuga dos portugueses que ali residiam, com pessoas a desmaiarem à chegada a Lisboa pela emoção de terminar o pânico que tinham sofrido.

Militares fora dos quartéis é algo a que não assistíamos desde o 25 de Novembro de 1975. Parece, no entanto, que a absoluta incompetência deste Governo na gestão dos assuntos de Estado, com a discriminação que criou no subsídio às forças de segurança, está a levar o país a comemorar os 50 anos da Revolução com uma repetição ao vivo e a cores do pior que se passou nos tempos do PREC. Espero bem que no próximo dia 10 de Março Portugal inteiro dê a resposta adequada àqueles que o colocaram nesta situação.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 23.02.24

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Gui Abreu de Lima: «"Não quero falar de mais nada a não ser de cinema, porquê falar de outra coisa? Com o cinema falamos de tudo, chegamos a tudo." Jean-Luc Godard explicava-se e Daniel Curval aninhou-se, não vá alguém esquecer a fórmula simples da arte complexa

 

Joana Nave: «Há uns tempos fui a um hipermercado fazer umas compras rápidas e, ao percorrer apressadamente os corredores, destacou-se um expositor inserido no espaço gourmet, onde esplendorosas e reluzentes se exibiam umas dezenas de latas de chá da Mariage Frères. Fiquei surpresa e contente por encontrar disponível um produto que julgava só haver na própria Mariage Frères, ou Museu do Chá, em Paris. Pensei logo que poderia comprar mais latas, com diferentes variedades de chá para juntar à que adquiri na viagem que fiz à capital francesa. Porém, com o turbilhão de pensamentos outro sentimento se apoderou de mim, um que me fez até ficar triste, pois apercebi-me da falta de magia que há em toda a globalização. A ideia de irmos a um lugar distante, adquirir artigos que só existem nesse mesmo lugar, por fazerem parte da história, da cultura, das características da região, está completamente posta de lado. A descaracterização é crescente e fatal.»

 

Eu: «Era um congresso "sem notícia", diziam. E no entanto gastaram horas e horas e horas de transmissão directa para noticiar a não-notícia

Leituras

Pedro Correia, 22.02.24

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«"Liberdade" significa que as palavras, a expressão, não devem ser manietadas por nenhuma censura oficial imposta pelo governo, pela polícia, por um tribunal ou outro órgão intrometido validado pelo Estado. Nem devem ser restringidas por uma censura oficiosa exercida por meios de código de discurso e de "zonas de segurança" universitárias, ciberturbas de cruzados contra tudo quanto é ofensivo, ou fanáticos islâmicos que desatam a disparar contra os blasfemos. Nem devem ser sacrificadas pela autocensura cobarde de intelectuais sem espinha dorsal.»

Mike Hume, Direito a Ofender (2015), p. 34

Ed. Tinta da China, 2016. Tradução de Rita Almeida Simões