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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 05.06.23

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Helena Sacadura Cabral«Acabara de ouvir na televisão e ainda acreditei que não fosse verdade. Mas era. Eu própria confirmei, quando resolvi pedir um recibo com número de contribuinte relativo à importância despendida no passe dos transportes. Na bilheteira aonde fui, disseram-me que me teria de deslocar ao Marquês de Pombal ou ao Campo Pequeno, nos próximos cinco dias, para o obter. Perante a minha indignação explicaram-me que o sistema informático estava envelhecido e as máquinas, com a introdução do IVA, não podiam ser reprogramadas. Tive um acesso de fúria - eu que até sou serena - e perguntei como é que era possível o governo ter exigido a todos os comerciantes que o fizessem e fosse o primeiro a não cumprir a disposição e, por isso, a praticar uma ilegalidade. A senhora da bilheteira apenas dizia que me compreendia, mas não podia fazer nada.»

Blogue da semana

Pedro Correia, 04.06.23

Em Dezembro, o escritor britânico Hanif Kureisihi sofreu um acidente quase fatal em Roma. Tem permanecido desde então imobilizado numa cama de hospital. Mas conseguiu transformar esta tragédia em matéria de escrita, abrindo um blogue em que dá testemunho da dolorosa experiência. Ainda incapaz de escrever, vai ditando.

A experiência, neste aspecto, foi bem-sucedida: gerou um livro. E tem ensinado muito ao aclamado autor do argumento do filme A Minha Bela Lavandaria (realizado em 1985 por Stephen Frears, com Daniel Day-Lewis).

The Kureishi Chronicles são o nosso blogue da semana.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 04.06.23

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João Campos: «Como já se sabe, o Benfica sagrou-se campeão europeu de hóquei em patins no fim-de-semana passado. Um título europeu, portanto. A pergunta é: conta para exorcizar a maldição do Béla Guttman, ou a coisa pede mesmo menos rodas e uma bola maior?»

 

José António Abreu: «Sábado, 25 de Maio, à noite. Nos ecrãs do comboio que liga o aeroporto de Estocolmo à cidade, informa-se – em inglês – que grupos de "pais" patrulham as ruas dos bairros onde se têm verificado confrontos e que o acto recebeu elogios da polícia. Porque os fait divers são hoje tão importantes como as notícias "sérias" (com a necessidade de escape que parecemos ter, é possível que até sejam mais importantes), a notícia seguinte é acerca de um acidente rodoviário causado por uma fêmea de alce que decidiu dar à luz no meio de uma estrada

 

JPT: «Leio, estremunhado, que os professores portugueses ameaçam fazer greve nos próximos dias. E com isso afectando o processo final de avaliações e talvez até os próprios exames finais. Preocupo-me um pouco com a minha filha, empenhadíssima na conclusão da sua 6.ª classe, e com viagem para férias em Portugal já marcada para o logo depois dessas provas finais. Espero que a sua concentração, tão organizada, e as suas férias, tão merecidas, não sejam prejudicadas pelas lutas sindicais dos seus professores.»

Dez livros para comprar na Feira

Pedro Correia, 03.06.23

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Livro sete: «O Mais Sacana Possível», de António Araújo

Edição Tinta da China, 2022

311 páginas

 

Eis uma obra que já tardava. Lança luz sobre uma das mais fascinantes revistas publicadas em Portugal no século XX: Almanaque. Teve vida efémera: começou em 1959, terminou em 1961. Mas foi quanto bastou para perdurar na memória de quantos a conheceram - happy few, naquele Portugalzinho em que Lisboa era aldeia em ponto grande, onde todos se encontravam à mesma hora nos mesmos lugares, dia após dia, noite após noite. Apenas homens: neste circuito não havia mulheres. Alguns perdidos nos dédalos do álcool que lhes foram consumindo o talento.

António Araújo tem o mérito de cartografar esta geração de artistas, literatos, malabaristas da palavra, mestres do trocadilho, nascida há cerca de cem anos e que parecia demasiado avançada para a sua época. Na linguagem emancipada que se demarcava em simultâneo do cânone do Estado Novo e da ganga neo-realeira dos comunistas. Na estética cosmopolita que cruzava a pop art com o olhar urbano digno de discípulos de Cartier-Bresson. 

 

Era um bando de jovens irrequietos. Na escrita, José Cardoso Pires, Luís de Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill, José Cutileiro, Augusto Abelaira, José Palla e Carmo, Mário Ventura, Baptista-Bastos e Vasco Pulido Valente (o benjamim, com 17 anos). Na ilustração e no desenho, Sebastião Rodrigues, Luís Filipe de Abreu, João da Câmara Leme, Paulo Guilherme e João Abel Manta. Na fotografia, Armando Rosário, Eduardo Gageiro e João Cutileiro. Em Outubro de 1959, caiu-lhes no sapatinho uma prenda antecipada de Natal: o próspero proprietário da editora Ulisseia, um mecenas cultural chamado Joaquim Aires de Figueiredo Magalhães (1916-2008) - «o primeiro editor moderno português», como lhe chamou Manuel Alberto Valente - deu-lhes a oportunidade de criar este projecto.

Gente que se dedicava às artes e às letras. Mas também às noitadas, às jantaradas, às revoluções imaginárias. «Nenhum deles tinha um percurso escolar ou profissional definido e uma carreira ou ocupação a tempo inteiro», observa Araújo.

Salazar desprezava estes intelectuais lisboetas que haviam nascido pouco antes ou pouco depois do 28 de Maio de 1926: chamava-lhes, não sem razão, «oposição de café». Gente que se cruzava no mesmo espaço - um território que ia do Rossio ao Príncipe Real, com epicentro no Chiado. Como sucedera um século antes com a geração de Eça e Oliveira Martins. Como sucedera meio século antes com a geração de Pessoa e Almada - este, não por acaso, também deixou assinatura no Almanaque com o conto "O Cágado".

Ali pelo Bairro Alto, pelo Carmo e pela Trindade, juntavam-se jornais, livrarias, galerias, editoras, tipografias, incontáveis cafés e restaurantes, os inevitáveis lupanares. E também os serviços da Censura. Numa bizarra amálgama, que acentuava o timbre aldeão da capital do país. «Assim que abriu, o Almanaque, estrategicamente situado na Rua da Misericórdia, passou a ser uma espécie de clube, onde as pessoas iam de manhã diluir o álcool de véspera e combinar almoços», recordaria Vasco Pulido Valente.

 

A revista surge num momento em que, apesar da ditadura, se lia mais do que nunca em Portugal: em 1960 há registo da publicação de 6339 novos livros, «uma triplicação notável face aos 1920 títulos de 1949», como salienta o autor. Apresentou-se como mensal e quase cumpriu por completo a promessa: saíram 18 edições, a última das quais em Maio de 1961. Já a guerra começara em Angola.

«Este ALMANAQUE é um herdeiro irreverente dessa gloriosa família de anciãos. Vem ao gosto moderno, segundo a "linha 1959", trata por tu o teatro de Beckett e Ionesco, os escritores da Beat Generation, os Pat Boone ou os Georges Brassens, os íntimos da Françoise Sagan e as verdadeiras causas do caso Pasternak. Só não conhece os segredos dos painéis de Nuno Gonçalves, mas há-de chegar lá um dia.» Palavras contidas no texto de apresentação da revista, que tinha algo de megalómano, como evocou Pulido Valente muitos anos depois: «Cem páginas, papel pesado, um preço delirante.»

Vários dos seus membros conspiravam contra a ditadura, apesar de Figueiredo Magalhães cultivar boas relações nos círculos do regime. Mas a quase lendária irreverência da revista - antecipando autores futuros, como Miguel Esteves Cardoso, Manuel João Vieira ou Rui Zink - registava-se sobretudo na forma, não no conteúdo. Como o autor deste detalhado livro conclui: «Num balanço global, avulta muito mais o perfume de um certo hedonismo burguês e diletante e o gosto pelo sarcasmo do que propriamente uma intenção de causticar as autoridades ditatoriais ou sequer o meio intelectual português de então.»

 

«O mais sacana possível» porquê?

Por ser este o espírito da publicação, em frase cunhada por Cardoso Pires para lhe definir tendência e estilo. Este dito chocarreiro condensava o espírito da revista, marco de um tempo irrepetível, de uma conjugação astral única. Todos ali tocados por um espírito boémio, vários vivendo numa espécie de adolescência em estado perpétuo que os fazia levar poucas coisas a sério.

Alguns, com toques de genialidade, podiam ter construído grandes obras se fossem tão persistentes e determinados como eram irreverentes. Ficou-lhes o rasto em títulos esparsos e neste meteórico Almanaque cuja história António Araújo tão bem resgatou do esquecimento.

 

Sugestão 7 de 2016:

O Bosque, de João Miguel Fernandes Jorge (Relógio d'Água)

Sugestão 7 de 2017:

1933 Foi um Mau Ano, de John Fante (Alfaguara)

Sugestão 7 de 2018:

O Visitante da Noite & Outros Contos, de B. Traven (Antígona)

Sugestão 7 de 2019:

Um Futuro de Fé, do Papa Francisco e Dominique Wolton (Planeta)

Sugestão 7 de 2020:

Acordo Ortográfico - Um Beco Com Saída, de Nuno Pacheco (Gradiva)

Sugestão 7 de 2021:

O Silêncio, de Don DeLillo (Relógio d'Água)

Sugestão 7 de 2022:

Diários (1950-1962), de Sylvia Plath (Relógio d'Água)

Lápis L-Azuli

Maria Dulce Fernandes, 03.06.23

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Hoje lemos: Philip Kerr, "O Criminoso Pálido" 

 

Passagem a L-Azular: “Não sou um cavaleiro numa armadura brilhante. Sou apenas um homem castigado pelo tempo, encostado numa esquina, com um sobretudo amassado e uma ideia cinzenta de algo que se poderia muito bem moralidade. Claro que não sou muito escrupuloso sobre tudo o que pode beneficiar o meu bolso e dificilmente poderia inspirar um bando de jovens delinquentes a fazer boas acções, mas de uma coisa estou certo: Cansei-me de baixar os olhos e olhar para minhas mãos sempre que havia ladrões na loja."

Infere que a honra e a virtude foram obliteradas e tornaram-se coisa do passado. Deveria ler-se: "Apesar de todas as vicissitudes capazes de abater qualquer campeão de lide, há sempre quem careça de mais, quem necessite do apoio de uma mão amiga forte e as armaduras brilhantes são tantas vezes sobretudos surrados. O importante não é o que se mostra mas o que se sente e o que se faz."

Ajudar desinteressadamente não é dar esmola ou presdigitar um falaz IVA a 0%, é atender às reais necessidades de quem desespera na vida.

(Imagem Google)

Entre os mais comentados

Pedro Correia, 03.06.23

Nos 23 destaques feitos pelo SAPO em Junho, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu 23 menções ao longo do mês. Fazendo o pleno.

Incluindo seis textos na primeira posição do pódio, nove na segunda e quatro na terceira.

 

Os 23 postais foram estes, por ordem cronológica:

 

Pensamento da semana (71 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Ler os outros (34 comentários, o mais comentado do dia)

A TAP é o maior partido da oposição (130 comentários, o mais comentado do dia)

O grande mistério (28 comentários, segundo mais comentado do dia)

Contributos de Belém para o epitáfio político do quase ex-ministro Galamba (50 comentários, segundo mais comentado do fim-de-semana)

"Eis" a televisão que temos (50 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Daqui a três sondagens (48 comentários, segundo mais comentado do dia)

A frase que falta (28 comentários, o mais comentado do  dia)

O pódio da vergonha (44 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Quiz anti-capitalista (43 comentários, segundo mais comentado do fim-de-semana)

Difamação (148 comentários, o mais comentado do dia

A coerência dos comunistas (34 comentários, segundo mais comentado do dia)

Lápis L-Azuli (14 comentários) 

"Opera buffa" (106 comentários, segundo mais comentado do dia)

Galamba até parece ser o adjunto dela (60 comentários, o mais comentado do fim-de-semana)

Pensamento da semana (14 comentários

A "verdadeira esquerda" (34 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Porque hoje é o Dia Europeu dos Parques Naturais (27 comentários)

A lei da rolha na Casa da Democracia (108 comentários, o mais comentado do dia)

Os símbolos da JMJ (44 comentários, segundo mais comentado do fim-de-semana)

Dez livros para comprar na Feira (36 comentários, segundo mais comentado do dia)

Vitaminas para o autoproclamado quarto pastorinho (53 comentários, segundo mais comentado do dia)

Há solução? (12 comentários)

 

Com um total de 1214 comentários nestes textos. Do Paulo Sousa, da Ana Cristina, da Teresa Ribeiro, da Maria Dulce Fernandes, do José Meireles Graça e de mim próprio.

Fica o agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 03.06.23

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Gui Abreu de Lima: «Ainda não dei os parabéns aqui no Delito ao FCP à equipa Tri. Faz 120 anos, como atesta a tábua velhinha com o sempre fresco, sempre vivo, emblema do clube.»

 

João Campos: «Se há coisa de que os livros não gostam - para além das labaredas que muitos stocks esquecidos em armazém acabam por conhecer - é de chuva e humidade. Também por isso é de louvar que a organização da Feira do Livro de Lisboa tenha percebido, após vários anos a insistir com o arranque do certame ainda em Abril e a prolongá-lo só até meados de Maio, que talvez a coisa corra melhor mais perto do Verão (nem sempre o óbvio é evidente, como se vê). Na única ocasião em que me desloquei à Feira no ano passado, o cenário era desolador: pouca gente no parque, bancas envolvidas em plástico, livros humedecidos, e uma carga de água das antigas. Já este ano, o inverso: duas vezes até ao momento, sempre com sol. Muito sol e muito calor, como apetece. Os livros agradecem. E eu também, mesmo sendo mais dado às estações frias.»

 

Teresa Ribeiro: «Maria Alice caiu, bateu com o joelho e ficou lesionada. O médico assegurou-lhe que no mínimo teria de ficar em casa duas semanas com a perna estendida, o suficiente para ter de desistir daquele trabalho que lhe ia pagar as contas. Mas que azar!, pensou, com todas as fibras do corpo. Essa intensidade vinda do fundo de si foi como uma onda que a mergulhou por momentos na tepidez da autocomiseração. Mas habituada que estava a não dar tréguas ao que lhe irrompia do peito, depressa passou aquele acesso depressivo pelo crivo da auto-análise.»

 

Eu: «All in the Family (que uma feliz tradução portuguesa baptizou de Uma Família às Direitas ao ser exibida na RTP) tinha diálogos de cinco estrelas, que nos faziam rir até às lágrimas, tornando Archie num ícone popular, malgré lui e as ideias que propagava. Algumas das suas expressões incorporaram-se no vocabulário comum, como "fecha a matraca" (a ordem da praxe para mandar calar a incomparável Edith, a mulher que lhe aturava todos os caprichos) ou "cabeça de abóbora" (o feroz qualificativo que reservava ao genro). Era uma série de texto, mas também de actores, servida por um quarteto de intérpretes de luxo. Carroll O'Connor (Archie), Jane Stapleton (Edith), Sally Struthers (a filha, Gloria) e Rob Reiner (o genro, que na vida real se tornaria realizador de filmes inesquecíveis, como Misery ou When Harry Met Sally). Era um tempo em que nos podíamos rir de todos os tiques e de todos os dogmas. Antes da televisão padronizada, liofilizada, industrial e politicamente correcta.»

Isto está pior do que antes do 25 de Abril

jpt, 02.06.23

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É no sempre (muito) apreciável Antologia do Esquecimento que encontro esta atoarda do consagrado construtor corporal e deputado do PSD Duarte Pacheco: "E afinal eu vejo que temos um poder socialista que é pior do que aquilo que nós tínhamos antes do 25 de Abril". Fraca gente política, a que tem estas saídas, patetices até indignas, demagogia rasca mas também demonstrando um paupérrimo quadro mental, uma incultura.

A tralha de Pacheco - e a irritação do hmbf - fez-me lembrar uma outra minha, do mesmo teor, com as mesmas causas e - de facto - diante do mesmo tipo de gente. Irritação que exorcizei num postal: "Ex-votos", de 23.2.2015. Quando, e por estarem outros partidos no poder, havia um coro de gente (o mesmo tipo de gente, mas com t-shirts mal lavadas de cores diferentes) a clamar que se estava "como antes do 25 de Abril". Republico-o agora. Para lembrar que o pára-brisas nos está cheio desta gente. A ver se não os elegemos para deputados - que fiquem pelos ginásios...

Ex-votos

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Volta e meia os mais furibundistas do estatismo clamam que nada mudou, que isto está como nos tempos d'antes do 25 de Abril e coisas assim. Dislates que lhes rendem laiques, aplausos e, até, votos.

A semana passada fui pai, pois privei da companhia da Carolina. E cruzei um bocado a cidade, em regime de turista, a mostrar à minha filha a cidade que é sua sem que nela alguma vez tenha vivido. No rossio (D. Pedro IV) a meu pedido ela fotografou isto. Uns altares de ex-votos - uma estrutura metálica muito pirosa (L.O.V.E.) onde se engancham os tais ex-votos, agradecimentos/promessas de amor ou amizade, comprados ali mesmo na banca.

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Há décadas os ex-votos eram outros. Também esteticamente pirosos, menos hedonistas (o estilo de laicização a que a "classe média" portuguesa consegue aportar) pois ancorados no catolicismo popular. Há algumas semanas demandei Arcozelo e ali encontrei o culto da Santa Maria Adelaide, o recorrente cadáver incorrupto. Na capela ainda lá estão os ex-votos. Pedindo protecção para os soldados arregimentados para o ultramar e suas guerras, coisas de mães, namoradas e até pais roídos pela angústia.

Entretanto, desprezando estas coisas e quem as vive, os furibundistas, indignistas (e agora sirizistas), continuam a clamar que isto está como nos "tempos". Pois as pessoas (as "massas", o "povo" ou outra aspeável qualquer) são-lhes verdadeiramente indiferentes.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 02.06.23

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Leonor Barros: «Enquanto Passos Coelho e os amiguinhos nos mostram a porta de saída, há quem tenha vergonha na cara: o chefe do Governo italiano pede desculpa aos jovens que se viram obrigados a deixar o país. Cada um tem o que merece e nós, a avaliar pela qualidade duvidosa dos governantes, merecemos muito pouco.»

 

Patrícia Reis: «Aparece o Nelson Sauté com a Ana Juliana, a sua mulher. Ele promete um livro para o final do próximo ano e a Cecília a sorrir, a dizer que sim, pois. E eu: és preguiçoso. O Nelson ri-se e fomos, a Inês e eu, para o outro lado e parece que ando a fazer piscinas, de lá para cá e de cá para lá, mas é mesmo assim. Um miúdo pequeno pede-me um autógrafo num livro da colecção O Diário do Micas, volto a pensar na falta de vergonha da Quidnovi, mas já não espero nada e o miúdo tem um sorriso lindo e uma t-Shirt com graça.»

 

Teresa Ribeiro: «Edith, minha tonta, para estar contigo e com o Archie despachei muita gente de carne e osso. Porque fizeste e continuarás a fazer parte daquela elite de personagens (da televisão, do cinema, da literatura) pelas quais troco de bom grado horas e dias da minha vida, porque não é desperdício, antes pelo contrário.»

 

Eu: «Foi uma sensação estranha, estar pela primeira vez numa Feira do Livro, nesta tarde de sol, do outro da barricada. A dar autógrafos, em vez de os pedir. Durante muitos anos, fui acumulando autógrafos de escritores - e tenho alguns preciosos, pelo menos para mim. Dos que solicitei e obtive em tempos idos no Parque Eduardo VII talvez nenhum tão precioso como um de Agustina Bessa-Luís, na sua caligrafia clara, cuidada e compreensível: quem sempre se interessou por grafologia, como eu, fica atento a estes pormenores.»