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Delito de Opinião

Medina & Pedro Nuno

jpt, 29.12.22

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Já leio por aí encómios à "dignidade" de Pedro Nuno Santos, por ter assumido uma tal de "responsabilidade política" - nisso comparável e comparado ao falecido Jorge Coelho -, saudando-o por ter sido a real argamassa de uma saudável "geringonça", homem de até ímpar sensibilidade social, patrióticos desígnios e nisto tudo augurando-lhe um futuro radioso quando regressado à ribalta do poder.

Quanto aos elogios subjectivos cada um fará os seus juízos. Mas há os objectivos: quando há 20 anos caiu a ponte de Entre-Rios, causando dezenas de mortos e uma comoção nacional, Jorge Coelho demitiu-se na hora, assumindo a tal "responsabilidade política" - a qual não era, evidentemente, pessoal ou executiva. Gostasse-se ou não do então ministro, foi um acto digno e, acima de tudo, Político (com maiúscula) - tão diferente do abjecto "não me faça rir" proferido por Costa quando, após dezenas de mortos nos incêndios de 2017 na sequência de inúmeras alterações no modus operandi do combate ao fogo florestal, lhe perguntaram se haveria responsabilidade política do governo naquela desgraça. Declarações que a amnésia da "bolha político-mediática" faz por enterrar bem fundo...

Enfim, o relevante agora é lembrar que Coelho reagiu de imediato sobre algo que, de facto, não tinha responsabilidades pessoais, apenas a tutela sobre os serviços de manutenção de infraestruturas rodoviárias. Já este "Pedro Nuno" não só tem efectivas responsabilidades executivas sobre a TAP, como as fez por engrandecer, tanto desabaratando os fundos públicos para isso. Como ficou dias após as notícias, esperando para onde iriam os ventos... Não há neste caso qualquer "dignidade" que possa vir a ser convocada num futuro, próximo ou distante. Foi um mau ministro, acumulou dislates, até pungentes, e compactuou com este regime de "castas", "endogâmico" dizem-no, em que uma elite partidário-administrativa subdesenvolve o país e se apropria dos seus recursos. Aliás, é desse sistema "endogâmico" importante agente, propalado "homem do aparelho" do PS que o dizem... Portanto, este paleio da esquerda (o PS-MES e as franjas geringoncicas) que de imediato irrompe em sua defesa é apenas vil.

Mas de tudo isto sobra - já o dizem os comentadores - o triunfo do seu rival Medina, neste sprint de meio-fundo de delfins. Que parece querer sair incólume desta trapalhada. Não era ministro quando a senhora administradora (por sete meses) da TAP rescindiu com meio milhão no bolso, defende-se ele. E faz ainda frisar que a sua mulher, importante membro do gabinete jurídico da TAP, estava então em licença de parto nessa época, mais se defende ele...

Isto é espantoso, uma lenda para contar ao povo: a mulher de Medina é quadro jurídico relevante da TAP. Regressa ao trabalho após a sua licença de parto. De lá saíra há pouco uma administradora com a qual tem relações pessoais, e com uma forte indemnização - e decerto que devido a processos internos de confrontação (repito-me, para que se perceba, após sete meros meses de trabalho). Mas a Senhora Dra. Medina não toma conhecimento disso. Talvez seja verdade, mas é estranho sob o ponto de vista de competência profissional, pois nisso se denotando algo arredia aos assuntos da empresa... Passados meses o seu marido - que, tendo perdido o posto que lhe permitia denunciar militantes palestinos ou russos às autoridades israelitas e russas, passara a ministro - acolhe como sua secretária de Estado a tal amiga ex-administradora. E a mulher do ministro continuou sem saber de nada do que se passou e passa na sua empresa (estranho, sob o ponto de vista profissional) ou sem nada dizer ao marido ministro (estranhíssimo sob o ponto de vista pessoal).

Enfim, o que me parece é que há problemas de diálogo no casal. É uma coisa muito comum, dificuldades conjugais são quase universais. Algo que se não é combatido pode originar divórcios, desnecessários quantas vezes, dolorosos até. E prejudicando as crianças, em especial quando tão pequenas...

As trapalhadas do governo Costa

Executivo é o maior factor de instabilidade nacional

Pedro Correia, 29.12.22

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Dez ministros e secretários de Estado em fuga do governo desde que tomou posse, há nove meses. Uma autêntica debandada, que teve como mais recentes protagonistas, na noite de ontem, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, logo seguido do ministro dos Transportes, Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

À luz da doutrina constitucional estabelecida em 2004 por um dos antecessores de Marcelo Rebelo de Sousa, as trapalhadas do governo Costa pós-geringonça põem em causa o regular funcionamento das instituições.

Se o inquilino do Palácio de Belém, neste momento, se chamasse Sampaio em vez de Sousa, a legislatura estaria em vias de ser dissolvida pelo facto, raro mas não inédito, de o governo ser o principal factor de instabilidade nacional.

 

Um governo, paradoxalmente, em fim de ciclo quando as eleições legislativas foram apenas há onze meses. É aliás já num subtexto de fim de ciclo que decorre toda a infeliz entrevista concedida há dias pelo primeiro-ministro à revista Visão - posando para a capa como "Marquês de Pimbal", na mordaz definição de Ana Gomes.

A ex-eurodeputada inclui-se entre os socialistas (como Alexandra Leitão, Álvaro Beleza e Sérgio Sousa Pinto) que não escondem o desagrado nem silenciam críticas perante estes nove meses de errático desgoverno, incapaz de encontrar um rumo. Como se estivesse órfão dos dois partidos - PCP e BE - que durante os seis anos anteriores lhe serviram de muleta.

«Alguma coisa dá uma sensação de desconforto a quem lê», comentou o ex-ministro de Estado Pedro Siza Vieira, personalidade até há pouco muito próxima de Costa, reagindo também com evidente desconforto àquela entrevista em que o primeiro-ministro esbanjou insultos e falsidades.

 

Convém recordar que ao dissolver a Assembleia da República, em Dezembro de 2004, Jorge Sampaio pôs fim a um governo apoiado pela maioria dos deputados, empossado escassos quatro meses antes. As "trapalhadas" de Santana Lopes, como na altura foram designadas, são episódios menores comparados com a sucessão de escândalos do costismo pós-geringonça.

Entre estes escândalos, inclui-se a revogação em Junho, por decisão urgente do primeiro-ministro, de um despacho, oriundo 24 horas antes do gabinete ministerial de Pedro Nuno Santos, sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa - numa descoordenação sem precedentes em quase meio século de governos constitucionais.

Em Novembro, ocorreu a demissão forçada do próprio secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação quando exercia funções de presidente da Câmara Municipal de Caminha. Esta exoneração ocorreu apenas 55 dias após a chegada do ex-autarca ao governo.

 

Ontem, o ministro das Finanças decidiu exonerar a secretária de Estado do Tesouro após ter sido divulgada a notícia de que Alexandra Reis embolsara uma indemnização de meio milhão de euros como administradora da TAP, no início de 2022, quando ainda lhe faltavam cumprir dois anos nestas funções, tendo transitado de imediato para a presidência da empresa pública Navegação de Portugal. Empossada como secretária de Estado a 2 de Dezembro, passou pelo governo só durante 26 dias.

Tem agora a palavra o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Que, como comentador político, há 18 anos foi um dos mais ferozes críticos do primeiro-ministro Santana Lopes.

 

ADENDA: Com a saída de Marina Gonçalves, secretária de Estado da Habitação, sobe para onze o número de governantes que abandonaram o Executivo nestes nove meses.

Uns tontinhos em passo afogueado

Paulo Sousa, 29.12.22

Precisamos de olhar para a Primeira República para entender a longevidade do Estado Novo, da mesma forma que precisamos de olhar para a longevidade do Estado Novo para entender a predominância do PS à frente dos destinos do país.

Os tempos são outros, o zeitgeist, na Europa e no Mundo, estreita as margens do que é politicamente possível, mas não podemos deixar de observar que a sujeição popular ao abuso resulta da comparação feita com os abusos anteriores. Não queremos saber das boas práticas para nada. Soubemos, ou simplesmente tivemos a sorte, de ter conseguido reunir condições que nos teriam permitido estar muito melhor? O que é que isso interessa? Quem não aplaude é fascista. Quando nos recordamos do Estado Novo, aceitamos o abuso, tal e qual como se se aceitou o Estado Novo recordando a Primeira República.

Então e as boas práticas, e os países que repetidamente nos ultrapassam? Isso não importa, porque engrenamos a lenga-lenga de que estamos melhor do que no tempo da outra senhora e isso é suficiente.

Soube há uns tempos de um tontinho que não morava longe daqui e que um dia, cheio de pressa, em passo apertado e quase a correr, ia à Batalha dar um recado, ou resolver qualquer urgência. Alguém que passava de carro reconheceu-o, abrandou e ofereceu-lhe boleia. Ele, o tontinho, afogueado e convicto, recusou a boleia porque… estava com pressa.

Quando olhamos para as boas práticas dos países que nos ultrapassam, e aceitamos todos os abusos socialistas, só porque não nos conseguimos desligar da narrativa da situação, estamos a ser como este tontinho. Com as condições que temos, poderíamos estar muito melhor? Podíamos sim, mas mergulhamos nesta anestesia, nesta vertigem que, sem tirar os olhos dos retrovisores, finge avançar. E quem quiser mais do isto, que emigre.

Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 29.12.22

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Hoje é O Dia das Coisas a Fazer

«Esta é uma data que nos incentiva a aproveitar o melhor possível o tempo que resta até ao final do ano para fazermos aquilo que por algum motivo não conseguimos até hoje.

Listas como esta foram elaboradas nos últimos séculos. Celebridades como Leonardo da Vinci e Benjamin Franklin gostavam de criar listas de tarefas já concretizadas e de sonhos ainda por materializar. Aproveitemos para fazer cada um a nossa, em qualquer idade. Mesmo muito depois de termos festejado o nosso 30.º aniversário.»

Diziam os antigos que "enxoval que não vai com a noiva, nunca mais vai". E todos fazemos o possível, de um ou de outro modo, para contrariar o ditado, mas se deixamos uma resolução para amanhã, ou para a semana, ou para daqui a 15 dias, é seguramente muito difícil de concretizar. Sei bem do que falo, porque (e este é um exemplo flagrante na minha vida) em 2019 planeei, marquei e paguei  uma viagem. Chegou a pandemia, o isolamento e as restrições e fizemos o nosso melhor no que concerne ao programa: fomos tentando empurrar com a barriga. Para ter garantias de sucesso, conseguimos com grande dificuldade, alterar tudo, definitivamente, para Novembro de 2022. E eis que voltámos à estaca zero e sem previsões.  Podia ter marcado para o início de 2022? Podia  sim e teria resultado, mas não.

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Hoje é O Dia Internacional do Violoncelo 

«Nesta data os violoncelistas e compositores evocam a memória de um dos músicos e compositores mais conhecidos de todos os tempos: Pablo (Pau) Casals, nascido em 29 de Dezembro de 1876, na Catalunha. Aos quatro anos, aprendeu a tocar violino, piano e flauta. Depois ingressou na Escola Municipal de Música de Barcelona, onde aprendeu a tocar violoncelo. 

Casals, falecido em 1973, tornou-se lendário a partir do início do século XX, como solista e participante em diversas orquestras. É recordado, sobretudo, pelas suas gravações das Suites para Viioloncelo, de Bach, popularizando-as como nunca. O Festival Pablo Casals é um evento criado pelo próprio músico em França, em 1950, celebrando-se todos os anos em Julho e Agosto, nos Pirenéus Orientais.»

O meu pai tinha um disco de Mstislav Rostropovich onde interpretava música de Bach. Não fiquei amante do som. A música era bonita, bem executada, mas, para mim, pouco apelativa. 

       (Imagens Google)

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 29.12.22

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João Campos: «Na pior das hipóteses, um livro sobre Salazar pode ser educativo. O que, nos dias que correm, já não é nada mau.»

 

José Navarro de Andrade: «Qualquer médico que vá à televisão predispõe-se a dizer coisas como “foi diagnosticada no paciente uma patologia de índole cutânea” só para complicar a frase “o doente tinha comichão”. Quando ele assim fala não é a nós leigos e abstractos que se dirige mas aos seus colegas de serviço que não o levariam a sério se se exprimisse doutro modo. Um dia numa viagem com um emérito gestor ele propôs que “consolidássemos as malas num dos quartos” antes de fazer check out no hotel. Pobre prisioneiro do seu linguajar, que já dele não se libertava mesmo em situações profanas.»

 

Leonor Barros: «Um dos problemas do Sócrates, e eram alguns, era a sua arrogância. Ficou bem claro quando se aventurou numa língua que não era a sua e expôs ao mundo a incapacidade em comunicar em inglês e posteriormente em castelhano. Tendo tradutores/intérpretes ao seu dispor ter-nos-ia poupado a todos o vexame de ver o seu inqualificável discurso escarrapachado na página oficial da Casa Branca e, uma vez público este episódio de má memória, poderia ter-se calado. Poderia ter admitido que era um incapaz no que se refere a línguas estrangeiras e não reincidir.»

Observação das pássaras*

José Meireles Graça, 28.12.22

Uma desconhecida recebeu ou vai receber 500.000 euros a título de indemnização por se ter despedido antes do fim do prazo contratual das suas funções de vogal do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da TAP. Ou seja, voou de uma empresa em que nós, os contribuintes, já enterramos mais de três mil milhões de euros para outra que é também pertencente ao sector público e que, adequadamente, se designa por NAV – empresa de navegação aérea. E daqui alçou novamente voo, desta vez para o Governo, onde desempenha as funções de Secretária de Estado do Tesouro – o mesmo donde sai o dinheiro para alimentar estas frescuras parasítico-socialistas.

É possível que a notícia seja uma fabricação. Porque julgávamos nós que quem se despede antes do termo do prazo tem a pagar, e não a receber, uma indemnização.

Um escândalo. E como o montante impressiona até mesmo o eleitor distraído pelas festividades da quadra e pela prenda que Georgina deu ao marido para efeitos de este arredondar a sua scuderia, veio o comentador-mor da República dizer piedades.

Que disse ele, então? “...que há quem pense que seria ‘bonito’ a secretária de Estado do Tesouro prescindir da indemnização que recebeu quando saiu da TAP para entrar no Governo, ainda que a lei permita etc.”

Talvez haja quem pense, realmente, senhor Presidente. Mas só se ela for burra é que abdicará de 500.000 euros por causa de uma comoção que vai durar até à próxima roubalheira, isto é, uma ou duas semanas, porque semelhante desprendimento seria uma grande ingenuidade.

A lei permite. E pessoas desprevenidas dirão talvez que não deveria permitir. De modo que, com louvável dedicação, decidi exercitar o meu dever cidadão produzindo um instrumento legislativo que permitiria obviar a este e outros inconvenientes da mesma natureza, e que peço licença para transcrever de seguida. Reza assim:

Artigo 1.º Os membros dos corpos gerentes dos estabelecimentos do Estado e das sociedades, companhias ou empresas:

  1. a) Concessionárias ou arrendatárias de serviços públicos ou de bens do domínio público;
  2. b) Em que o Estado tenha participação nos lucros ou seja accionista, desde que tais posições estejam previstas em diploma legal, em contrato, ou nos respectivos estatutos;
  3. c) Em que, independentemente do condicionalismo referido na parte final da alínea anterior, o Estado seja accionista, com, pelo menos, 10 por cento do capital social;
  4. d) Que explorem actividades em regime de exclusivo ou com benefício ou privilégio não fixados em lei geral;
  5. e) Que beneficiem de financiamentos feitos pelo Estado ou por ele garantidos, bem como as empresas de navegação consideradas de interesse nacional, quando o Estado para elas deva nomear, ou nomeie, delegados ou administradores - quer se revistam da forma de administração, direcção, comissão executiva, fiscalização, ou qualquer outra, não podem perceber remuneração superior à atribuída aos Ministros de Estado.
  • 1.º Quando os resultados da empresa o justifiquem, é permitido aos administradores que não exerçam quaisquer funções públicas ou em empresas privadas receber ainda importâncias até ao limite estabelecido neste artigo se e na medida em que os membros dos corpos gerentes não absorverem tudo o que, nos termos do mesmo artigo, podiam perceber e se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros.* 

Antes que alguém benévolo se precipite a felicitar-me (e para o fazer teria que não ter reparado nas "empresas de navegação consideradas de interesse nacional, etc. etc."), esclareço que este articulado pertence à Lei nº 2105, do longínquo ano de 1960.

O ano não deixou saudades; quem assinou a Lei também não; mas nos restos empoeirados de um regime há muito defunto encontram-se por vezes soluções radicais, simples e eficientes, para problemas actuais.

A revogação desta legislação teve origem na ideia de que se era necessário recrutar os melhores para gerir empresas públicas então o estatuto dos gestores em nada deveria ser diferente do dos privados. Creio aliás lembrar-me de que, em tempos idos, era essa uma opinião que subscrevia. Porém, a experiência tem mostrado que a fidelidade partidária, a interferência do titular da respectiva pasta, a definição de objectivos que não são claramente os da eficiência e eficácia da gestão, a ausência do risco de falência, a falta de verdadeira concorrência, tudo contribui para que, quando há dinheiros públicos envolvidos, se deva pôr um travão a comportamentos rapaces. Salazar tinha poucas ilusões sobre a natureza humana e, nisto, tinha razão.

*Chamaram-me a atenção para o facto de na alínea e) e no seu parágrafo 1.º se utilizar o termo “perceber” com o sentido de “auferir”, “cobrar”, o que pode causar confusão. Não me senti autorizado, por estar a transcrever um texto, a alterá-lo, de mais a mais porque é perfeitamente correcto, mas deixo o esclarecimento.

* Publicado no Observador

Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 28.12.22

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No dia 28 de Dezembro celebra-se O Dia  dos Santos Inocentes

«Neste dia, a Igreja Católica homenageia os seus primeiros mártires. Foram os filhos de Israel mortos pelo rei Herodes na sua busca infrutífera para encontrar o Menino Jesus, adorado pelos Reis Magos em Belém. 

A história que está na origem do Dia dos Santos Inocentes faz parte da narrativa da natividade no Evangelho de Mateus na Bíblia. Furioso ao saber que o profetizado rei dos judeus tinha nascido, o irado Herodes ordenou o assassinato de todos os meninos com menos de dois anos em Belém e arredores, com a esperança de que também Jesus fosse morto.

Estas crianças tornaram-se os primeiros mártires cristãos, de acordo com a Igreja Católica. 

Houve muitas mudanças na maneira como o Dia dos Santos Inocentes foi sendo assinalado ao longo dos anos. O luto inicial deu origem à celebração das crianças e às brincadeiras infantis. Hoje é sobretudo um dia para inventivar as crianças a ser felizes.»

Esta é uma das mais arrepiantes passagens da Bíblia, que demonstra quão bárbaros eram os homens que estavam à frente das Nações e quão evoluídos se tornaram passados 2022 anos...

 

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Hoje é O Dia dos M&Ms

«Em 1828, o químico holandês Coenraad Van Houten inventou uma prensa hidráulica que separava a manteiga de cacau do cacau, produzindo um pó. Por volta de 1870 a invenção de Rodolphe Lindt da máquina de conchagem resultou na produção em massa de chocolate, abrindo caminho para John Cadbury lançar o primeiro ovo de chocolate. Em 1900 o chocolate, antes considerado luxo para os ricos, torna-se acessível. No final da II Guerra Mundial, toda a fábrica da Hershey produz tabletes a um ritmo de 24 milhões por semana.

Os M&Ms foram lançados pela primeira vez em 1941. Foram inspirados nas rações distribuídas aos soldados na Guerra Civil Espanhola. Costumavam ser feitos com o chocolate Hershey's, hoje um dos maiores concorrentes da Mars.

Originalmente vendidos em tubos de papelão, os M&Ms eram cobertos com um revestimento castanho, vermelho, laranja, amarelo, verde ou violeta. Quando os EUA entraram na II Guerra Mundial, estes doces passaram a ser vendidos exclusivamente para os militares. Quando a guerra acabou e os soldados regressaram a casa, eles contribuíram para generalizar o consumo destes chocolates.»

Se há coisas nesta vida que me fazer perder a noção de uma linha recta e abraçar a tal linha curva fechada com todos os pontos à mesma distância de um ponto interior chamado centro, são M&Ms com manteiga de amendoim. Felizmente não se encontram facilmente à venda por estas bandas do Extremo Ocidente da Europa. Costumava comprá-los na Loja Americana, ali para os lados do ECI, que também tem loja online, mas era tão caro o envio como o pacote de pecado. A minha mãe apreciava estes passeios. Sozinha, perdi o interesse. Mas se alguém conhecido for para aquelas bandas, arranja-se logo maneira de matar saudades.

Nobel: quem foram os escritores portugueses propostos para o prémio?

Pedro Correia, 28.12.22

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        Aquilino Ribeiro (1960), Ferreira de Castro (1952, 1969, 1970) e Miguel Torga (1959, 1961, 1962, 1965, 1966)

 

Em 115 anos de distribuição do Prémio Nobel da Literatura, Portugal teve até hoje apenas um laureado: José Saramago, distinguido em 1998 - talvez não por coincidência apenas três anos após a publicação da sua obra-prima Ensaio Sobre a Cegueira, que daria um inspirado filme produzido em Hollywood. 

Mas valha a verdade: não foi por falta de tentativas que só tivemos até agora um vencedor. A recente abertura aos investigadores dos arquivos do Comité Nobel permitiu saber em pormenor quem foram os escritores considerados em cada ano, desde 1901 até há meio século (de 1972 para cá, as opções do júri continuam abrangidas por cláusulas de confidencialidade).

Na parte que nos toca, é possível concluir isto: nunca faltaram candidatos das letras lusas. Logo desde o primeiro ano, quando foi proposto para o Nobel o dramaturgo D. João da Câmara.

O problema é que quase nunca as sugestões formalmente apresentadas em Estocolmo eram dignas de crédito - por deixarem de fora os melhores escritores da sua época (Torga e Aquilino figuraram entre as raras excepções) e valorizarem nomes de terceiro ou quarto plano, hoje totalmente esquecidos.

Como se pode comprovar pela lista que se segue:

 

1901: D. João da Câmara (proposto por Joaquim Coelho de Carvalho)

1907: João Bonança (proposto por Teófilo Braga)

1933: António Correia de Oliveira (proposto por 20 membros da Academia das Ciências de Lisboa)

1934: António Correia de Oliveira (proposto por Knut Hammarskjöld, Alberto de Oliveira, Agostinho de Campos, Alfredo da Cunha e Luís da Cunha Gonçalves)

1935: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por Bento Carqueja) e António Correia de Oliveira (proposta por Alfredo da Cunha e Luís da Cunha Gonçalves)

1936: António Correia de Oliveira (proposto por Luís da Cunha Gonçalves)

1937: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e António Correia de Oliveira (proposto por Luís da Cunha Gonçalves)

1938: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e António Correia de Oliveira (proposto por Antero de Figueiredo)

1939: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e António Correia de Oliveira (proposto por Pel Hallström)

1940: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e António Correia de Oliveira (proposto por António Mendes Correia)

1941: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião)

1942: António Correia de Oliveira (proposto por Knut Hammarskjöld e António Mendes Correia), Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e Teixeira de Pascoaes (proposto por João Mascarenhas Júdice)

1943: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e Teixeira de Pascoaes (proposto por João Mascarenhas Júdice)

1944: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e Teixeira de Pascoaes (proposto por João Mascarenhas Júdice)

1945: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião)

1946: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião)

1947: Maria Madalena Martel Patrício (proposta por António Baião) e Teixeira de Pascoaes (proposto por João Mascarenhas Júdice)

1948: Teixeira de Pascoaes (proposto por João Mascarenhas Júdice)

1950: Júlio Dantas (proposto pela Academia das Ciências de Lisboa)

1951: Júlio Dantas (proposto pela Academia Brasileira de Letras e por Knut Hammarskjöld) e Ferreira de Castro (proposto por Holger Sten)

1952: Ferreira de Castro (proposto por João de Barros)

1959: Miguel Torga (proposto por Jean-Baptiste Aquarone)

1960: Aquilino Ribeiro (proposto pela Sociedade Portuguesa de Escritores) e Miguel Torga (proposto por Émile Planchard)

1961: Miguel Torga (proposto por Hernâni Cidade)

1962: Miguel Torga (proposto por Hernâni Cidade)

1965: Miguel Torga (proposto por Göran Hammarström)

1966: Miguel Torga (proposto por Jean-Baptiste Aquarone)

1969: Ferreira de Castro (proposto por António Olinto Rocha e Vitorino Nemésio)

1970: Ferreira de Castro (proposto por António Olinto Rocha)

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 28.12.22

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José António Abreu: «Se em 2013 o PIB português cair menos de, vá lá, 3% e em 2014 já crescer qualquer coisinha poderemos dar-nos por muito satisfeitos.»

 

José Navarro de Andrade: «Com a notória excepção das comédias românticas, e por vezes nem essas escapam, impressiona o facto de todos os filmes americanos serem sempre tão marcadamente políticos. Nem é preciso referir os casos evidentes dos dramas jurídicos, ou militares, ou detectivescos, ou policiais – o comentário institucional faz parte do DNA do cinema americano.»

 

Patrícia Reis: «Ah, descansar deve ser isto (e não vou rever o texto, ok? é que estou a descansar e catar gralhas dá muito trabalho, ainda se fosse para o cabrão do velho, podia ser, mas como o texto é meu, estou-me a borrifar, expressão muito grata ao coordenador do meu filho mais novo, homem que eu admiro imenso).»

Quando um futuro ministro escreveu aqui

Pedro Correia, 27.12.22

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Já muita gente escreveu no DELITO DE OPINIÃO. Confesso não ter o inventário completo, mas foram seguramente mais de três centenas de pessoas - entre autores permanentes, escribas ocasionais, comentadores com textos destacados ou convidados em algum momento. 

Um dia farei essa contabilidade, fica prometido.

Para já, queria destacar o seguinte: entre aqueles que passaram por aqui inclui-se o actual ministro da Cultura. Pedro Adão e Silva estreou-se neste blogue com um texto intitulado "A pobreza da opinião", a 5 de Maio de 2011. Estávamos muito longe de imaginar que onze anos depois teria assento no Conselho de Ministros, como titular da pasta da Cultura, a convite de António Costa.

 

Como curiosidade, destaco nos parágrafos seguintes algumas frases desse texto, que Adão e Silva simpaticamente nos enviou para publicação, correspondendo a solicitação nossa, enquanto autor do blogue Léxico Familiar. Sujeitando-se, naturalmente, ao contraditório que os leitores entenderam estabelecer na respectiva caixa de comentários.

 

«Tendo vivido em Inglaterra e em Itália, nunca como agora que estou nos EUA senti tanta diferença entre o que leio cá e o que leio de Portugal. Como é natural, as diferenças são evidentes nos artigos sobre política internacional ou até no menor número de notícias tratadas nos noticiários televisivos (mas, também, cada uma delas mais aprofundadas). Mas onde encontro maiores diferenças é na opinião.»

.........

«Em Portugal, as colunas de opinião ou assentam na ideia estrambólica de que quem escreve opinião tem de ter rasgo literário (o que explica a sobrevivência de colunistas onde o brilhantismo estilístico serve para esconder a preguiça intelectual) ou limitam-se a um conjunto de afirmações que dispensam sustentação ou, pior ainda, dependem de um par de trocadilhos combinados com uma ou duas frases de belo efeito, preferivelmente no registo engraçadinho que tem feito escola.»

.........

«Da esquerda à direita, nos EUA é possível ler todos os dias artigos que (...) mostram as vantagens de opinar sobre o que se conhece de facto (bem sei, uma impossibilidade nos media portugueses, onde os recursos são escassos e todos os dias cresce a importância do jornalismo de secretária, baseado em dois ou três telefonemas para politólogos, feitos por jornalistas com salários abaixo dos mil euros).»

.........

«Para quem se alimenta da curiosidade intelectual há uma diferença entre aprender com a opinião, principalmente com aquela de que se discorda, como me acontece aqui nos EUA, e todos os dias, quando leio na net os jornais portugueses, ficar entristecido com a pobreza intelectual do debate no espaço público em Portugal.»

.........

«O espaço público em Portugal não beneficiou da influência anglo-saxónica e da cultura analítica que lhe está associada. Há também um problema de escala (somos demasiado pequenos) que se traduz em limitações materiais: não há recursos para investir na profissionalização do jornalismo, quanto mais da opinião.»

 

Reflexões que não perderam validade, em grande parte. E ganham novo alcance sabendo-se que um dos pelouros de Pedro Adão e Silva é hoje precisamente o da Comunicação Social.

A política dá muitas voltas, algumas bem curiosas. Talvez isto faça parte do encanto que muitos vêem nela.

Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 27.12.22

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Hoje é O Dia do Bolo de Frutas 

(Bolo Inglês?)

«O bolo de frutas é uma amálgama rica em frutas cristalizadas, frutas secas, pinhões, nozes e açúcar, e apaladado com álcool de qualidade, geralmente conhaque ou bourbon. 

A receita documentada de bolo de frutas na Roma antiga já consistia em diversos ingredientes, como sementes de romã, passas e pinhões, misturados com cevada. Este bolo também se destacou na cultura pop contemporânea, como no livro de Truman Capote "A Christmas Memory".»

 

Foi há muito tempo que li sobre o Buddy, a Sook e os bolos de frutas, que creio que eram uma coisa mais pastosa e mais doce, já que levava bourbon, apesar de a acção se passar durante a lei seca. Preparar o Natal com jovialidade e falar de amor. Bolos de frutas, tipo bolo inglês, são agradáveis, mas nesta altura do ano prefiro o Bolo Rei, mas mais ainda o Bolo Rainha, apenas com frutos secos.

 

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A 27 de Dezembro celebra-se O Dia de S. João Evangelista 

«João Evangelista foi um dos apóstolos de Jesus, que o acompanhou fielmente nos vários momentos, desde o baptismo à prisão e à crucificação.

É geralmente apontado como o apóstolo preferido de Cristo, que antes de morrer o encarregou de tomar conta de Maria. Seria o mais novo dos doze apóstolos e irmão de Tiago, trabalhando com este como pescador antes de ser baptizado por São João Baptista e seguir Jesus.

João viajou e trabalhou muito para passar a mensagem de Cristo. Escreveu três epístolas, um Evangelho e o livro do Apocalipse. Terá falecido em Éfeso, de causais naturais, com 94 anos, por volta do ano 103.

É representado tradicionalmente a escrever com uma pena, acompanhado por uma águia.»

É o meu Evangelho preferido.

«Não vos maravilheis com isto, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão: os que fizeram boas coisas, para uma ressurreição de vida, e os que praticaram coisas más, para uma ressurreição de julgamento.»

«Ele pôs a sua mão direita sobre mim e disse: Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, e o vivo,  fiquei morto, mas vê! Estou vivo para todo o sempre e tenho as chaves da morte e da Sepultura.»

         (Imagens Google)