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Delito de Opinião

Os Olivais e a derrota de Medina

jpt, 30.09.21

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Eu cresci nos Olivais e um quarto de século depois, já cinquentão, a eles regressei - e fui blogando sobre isso (2.3.2004, 16.6.2016,  31.7.2019). Também estive no Olivesaria, blog colectivo dedicado ao historial do "bairro". Nos últimos anos, e até antes de ter retornado ao país, de vez em quando sobre ele escrevi, até breves textos com alusões políticas - como em 27.3.2013, 28.11.2014, 21.6.2016, 29.3.201721.9.2017, 30-9-20172.10.2017, 3.12.2017,  29.11.2019, etc. Nunca um texto sistemático, fora de blogs, e devia tê-lo feito, nisso pensei e até como resultado de inúmeras conversas com vizinhos amigos sobre a situação do bairro e as deficitárias características dos incumbentes autárquicos. Fiquei-me na preguiça dos meros resmungos bloguísticos.  

Tendo residido 18 anos em Maputo quando regressei aos Olivais três factos - para além de intuir acentuadas alterações sociográficas - chamaram-me a atenção. O mais visível foi o mau estado da recolha de lixo e da manutenção dos muito vastos ajardinados - e se alguém chegado de uma cidade com os problemas urbanos como Maputo tem reparava naqueles disfuncionamentos é porque algo estava mesmo mal . Maldisse sobre isso, até em blog. Mas, justiça seja feita, só depois soube que houvera uma relativamente recente alteração nas responsabilidades municipais, com o aumento das tutelas das juntas de freguesia. As quais, provavelmente, estariam suborçamentadas para enfrentar as novas tarefas e estariam também desprovidas dos recursos humanos adequados para as executar. 

Outras duas características do poder local se notavam. Por um lado, um caciquismo feroz, numa pessoalização radical do exercício político patente na omnipresença pictórica da presidente Rute Lima, seja na imprensa municipal gratuitamente distribuída seja nos cartazes propagandísticos da Junta. Essa concepção de poder, traduzindo uma arrogante anti-democraticidade, realçou-se no processo de introdução da EMEL na freguesia, cujo intenso debate entre a população foi recebido pela equipa autarca com evidente menosprezo, acompanhado de incumprimento de promessas eleitorais e procedimentos administrativos. 

A tudo isto se associa a subordinação do poder freguês a uma mundivisão assistencialista, algo muito reforçado face a uma população socialmente heterogénea e aparentemente muito envelhecida - algo que teve agora como corolário deslustrante uma lista PS pejada de membros das direcções das agremiações locais. Poder-se-á dizer, com benevolência, que isso é a articulação do poder autárquico com as instâncias da "sociedade civil". Mas, de facto, corresponderá apenas aos típicos manuseios de um poder situacionista. É certo que uma Junta não tem as responsabilidades nem as possibilidades do governo ou das câmaras, e que a componente de assistência social é fundamental no seu exercício. E mais ainda num bairro empobrecido, até porque envelhecido, e na ressaca da crise financeira anterior e, agora, da pandémica. Mas não é preciso ser utópico para considerar que esta instância de poder autárquico de base deve também ser uma base para reflexão e indução de práticas e políticas, (re)animadoras da freguesia, nas vertentes sociais e culturais e até económicas. Seja por acção directa, na estreiteza das suas possibilidades, seja como trampolim de preocupações e ideias junto dos órgãos mais elevados da administração pública e, se calhar ainda mais, para discussão pública, na freguesia, no concelho, e até mais longe. Mas nada disso acontece, apenas o exercício do pequeno poder, com tendências micro-autocráticas, um verdadeiro vazio cultural - não de "acção cultural" mas sim de concepção cultural do que é o exercício político a este nível. 

Entretanto, o Partido Socialista domina esta Junta de Freguesia há largas décadas. Julgo que o seu anterior presidente, Rosa do Egipto, terá sido o presidente de Junta com mandato mais longo no país (é o que se diz no bairro). E foi sucedido pela actual presidente Rute Lima, que julgo ter agora avançado para o terceiro mandato. Esta perenidade denotará as características sociológicas da população residente mas também uma relativa satisfação dos habitantes com os serviços prestados, seria absurdo negá-lo. Mas também denota, é legítimo afirmá-lo, uma resignação local, uma falta de hábito e até de ambição em perspectivar que ao poder local se pode pedir mais.

Enfim, alonguei-me neste rescaldo olivalense apenas para introduzir isto que me ocorre. Muita gente, e também minha conhecida, militante ou simpatizante do PS reduz as críticas aos incumbentes socialistas a mero ressabiamento, ressentimento, inveja. Ou, numa visão mais ideológica, ao facto de os críticos serem da abjecta "direita", até mesmo "radical", "neo-liberal" ou quejanda malvadez. Ora é para esses, conhecidos ou desconhecidos, simpatizantes/militantes do PS que falo, presumindo-os algo desalentados com a derrota de Medina e a vitória de Moedas, o malvado agente do "popó" como já o ataca o núcleo socratista.

E o que lhes quero dizer é isto. O PS e Medina perderam a Câmara Municipal de Lisboa por 2194 votos, não tanto assim. Na freguesia dos Olivais em 2017, e com o mesmo cabeça de lista e já em exercício, o PS tivera 7922 votos. Agora teve 5545. Ou seja, perdeu 2377. Só aqui mais do que a diferença que o fez perder a Câmara. Aduzo que para a Junta de Freguesia o PS em 2017 tivera 8444 votos e que agora obteve 5164, perdendo ainda mais votos, 3280. O que demonstra que a insatisfação com a equipa de Rute Lima é ainda maior do que a com a de Fernando Medina. Ou seja, é legítimo pensar que se tivesse o PS mudado a candidatura neste bairro, se tivesse optado por abandonar o aparelhismo caciqueiro, elevando a fasquia intelectual e política dos candidatos, bem para além do histrionismo demagógico e do recurso a cantoras populares para compor o ramalhete, talvez outro resultado final global tivesse acontecido. Muito provavelmente, mesmo. Mas vingou, claro, a submissão acrítica ao aparelhismo, essa anti-democrática concepção do exercício político. Típica naquele partido.

Eu sorrio, algo chateado com a continuidade de Lima por aqui mas muitissimo contente com a vitória de Moedas. E ainda mais sorrio, sarcástico, ao pensar nestes furiosos adeptos do PS que conheço, incapazes - mesmo em privado - de se apartarem de qualquer item desta Situação. Presumindo, claro, que aqueles que me conhecem quando me virem de novo resmungando com a  mediocridade autárquica no meu bairro me invectivarão de "neocon", "lusotropicalista", "ultraneoliberal", "ressabiado", etc. O resultado dessa pobre mentalidade é este: às vezes, infelizmente só às vezes, o apego acrítico a esta gente leva à derrota. Dolorosa ou estrondosa.

Queda Livre

Pedro Correia, 30.09.21

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Alguns conseguem somar quando se juntam a outras siglas. O Livre confirmou nestas autárquicas que faz ao contrário: subtrai, não adiciona. E quando entra em cena o seu fundador, Rui Tavares, isso ainda se torna mais nítido. Coligado com Fernando Medina em Lisboa, garantindo um lugar na vereação logo à partida, contribuiu de modo inequívoco para a estrondosa queda do PS na capital.

O fascismo ao virar da esquina

jpt, 30.09.21

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No ressalto das eleições autárquicas li muitos (comentários em blog, comentários no meu mural de FB, postais de FB e twitter, textos de imprensa) horripilados com a quantidade de votos no CHEGA do prof. Ventura. Ouço gemidos pungentes, "tiveram 600 votos na minha freguesia", "1050 no meu concelho", "têm um vereador", etc. Foi assim criada uma alteridade escatológica, a Besta (Imunda). E proclamado que face a esses 4% momentâneos nos deveremos unir pois, como disse Niemöller (que alguns chamam Brecht), "quando o CHEGA veio buscar os ciganos, eu fiquei em silêncio (...), quando eles prenderam os subsídiodependentes, eu fiquei em silêncio" e por aí afora.
 
A razão desse imparável movimento, que em breve assumirá o poder com maioria absoluta, deveria ser-nos clara, até porque nos vem sendo anunciada na "imprensa de referência": é a malvadez ontológica da população portuguesa, emergida de um fundo sociocultural desde sempre ancorado num racismo extremo e numa total intolerância. Pérfidas características nas quais somos líderes mundiais, quando muito ex aequo, como o comprova o culto quotidiano que prestamos a Afonso de Albuquerque, Pacheco Pereira (o Duarte, não o José...), a Sá da Bandeira ou a Humberto Delgado (digo, Norton de Matos). E que agora sobreelevará o infausto Ventura e o seu partido.
 
E nisso, nesse remanso intelectual, seguem tantos de nós muito descansados. Sem lhes passar pela cabeça que a irritação do "Basta desta merda" que leva ao "Chega!" vive de banqueiros fraudulentos que se baldam à prisão após processos de décadas, de políticos com eles conluiados, de jornalistas clamando Super-Martas ou de académicos louvando o PEC4.
 
Arejemos isto. E abandonemos estes trastes opinadores. E a tal putativa Besta Escatológica finar-se-á.

Entre o Terreiro do Paço e São Bento

João Caupers

Pedro Correia, 30.09.21

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No fundo, poucas coisas mudam neste país. Portugal continua a caber inteiro «entre a Arcada [Terreiro do Paço] e São Bento», como Eça de Queiroz ironizava nas páginas imortais d’ Os Maias. A definição, desta vez sem ironia, emana de um parecer aprovado pelos magistrados do Tribunal Constitucional (TC), revoltados contra a hipótese de a sede de tão magna instituição ser transferida para Coimbra.

O parecer data de Janeiro, mas só agora foi divulgado a propósito da votação parlamentar que, por iniciativa do PSD, determina a deslocação do TC a partir de 2023. Tendo merecido aprovação dos deputados sociais-democratas e de oito socialistas, além do CDS e da Iniciativa Liberal.

Os magistrados ficaram inquietos com a perspectiva de trocarem o Tejo pelo Mondego. E protestaram por larga maioria: o parecer mereceu dez votos favoráveis e apenas três contrários. Entre os que o votaram inclui-se o actual presidente do Tribunal Constitucional, João Pedro Barrosa Caupers, 70 anos, eleito em Fevereiro pelos seus pares para substituir Manuel Costa Andrade, um dos que votaram contra.

Alegam os dez juízes, incluindo Caupers, que «a transferência da sede por decisão do poder político teria uma carga simbólica negativa, degradando a percepção pública da autoridade e relevância do órgão». Aduzindo que tal cenário «não podia deixar de constituir um grave desprestígio», pois Lisboa é «sede histórica de todos os órgãos de soberania».

Este parecer permite-nos colocar em dúvida o critério dos magistrados noutras matérias. Juízes desta vez em causa própria, desconsideram Coimbra, cidade que foi berço do ensino do Direito no país, capital portuguesa muito antes de Lisboa, terra natal de vários dos nossos primeiros reis. Omitindo que noutros países – Alemanha ou África do Sul, por exemplo – os tribunais constitucionais estão longe das capitais, sem desprestígio algum. «Sendo a principal função do TC a de controlar a conformidade constitucional da acção do poder político, convém mesmo que haja algum distanciamento em relação à localização deste», acentua Vital Moreira, um dos pais da nossa Constituição. Justamente indignado com os devotos de Lisboa.

Pela positiva, merecem destaque os três que se demarcaram do parecer: Mariana Canotilho e Lino Ribeiro, além de Costa Andrade. Desassombradas e esclarecidas, as palavras da juíza: «Não há um centímetro quadrado de território da República que seja indigno de albergar o Tribunal ou que implique, de alguma maneira, a sua menorização, de Valença a Vila Real de Santo António, de Vilar Formoso a Santa Cruz das Flores. Qualquer argumentação da qual se possa depreender o contrário é um insulto aos cidadãos portugueses.»

Douto raciocínio. Mas a transferência, que ainda necessita de maioria absoluta no hemiciclo em votação final global, deverá ter o mesmo desfecho que a abortada mudança do Infarmed para o Porto anunciada há uns anos pelo Governo: bastaram uns protestos para o organismo se manter em Lisboa. O resto do país é paisagem.

 

Texto publicado no semanário Novo

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 30.09.21

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Ana Vidal: «A monotonia é uma cena que não nos assiste, como diria o mais recente herói das estradas portuguesas.»

 

João Campos: «A estrutura narrativa é outro dos pontos fortes de A Game of Thrones, com a estrutura por capítulos a abdicar dos narradores de primeira ou terceira pessoa convencionais. Cada capítulo do livro tem como título o nome de uma personagem, e é narrado de acordo com o ponto de vista dessa personagem. Esta estrutura pode parecer estranha ao início, mas revela-se surpreendentemente dinâmica à medida que a história progride, dando protagonismo a vários personagens em localizações distantes. Sem esquecer, claro, que diferentes personagens encaram as situações de formas distintas, e também isso é visível ao longo da narrativa.»

 

João Carvalho: «Ao fim de oito anos, vá lá, é justo permitir que um homem isaltine de vez, sem continuar ainda sujeito à instabilidade de ser posto dentro e voltar a sair. Alimentar tamanha intranquilidade num homem que anda há oito anos a dizer que está de consciência tranquila só prova como é difícil isaltinar em Portugal.»

 

Luís Menezes Leitão: «Quando o acordo ortográfico foi assinado, estava previsto que só deveria entrar em vigor quando fosse ratificado por todos os Estados de língua oficial portuguesa. Quando se percebeu que isso não iria acontecer, decidiram os Estados que o ratificaram passar a aplicá-lo após três ratificações: as de Portugal, do Brasil e de Cabo Verde. Em consequência os outros países que falam português continuarão a escrever à moda antiga e a ortografia da língua portuguesa variará totalmente de país para país. Era difícil conceber disparate maior, que conseguisse causar mais dano ao papel da língua portuguesa no mundo.»

 

Rui Rocha: «A forma como os portugueses conduzem em rotundas é a prova evidente de que alguns problemas do país são insolúveis. E não é por falta de oportunidades. O que mais há por aí  são rotundas para podermos treinar.»

Lisboa a jogging

José Meireles Graça, 29.09.21

As pessoas vivem cada vez mais em cidades e há cada vez mais pessoas com automóveis, donde há cada vez mais dificuldades em circular e em estacionar. É assim em toda a parte e mesmo as cidades que perdem habitantes não os perdem para o campo, mas para outras cidades – aquelas onde há empregos.

Tudo boas notícias, em que pese aos trombeteiros de desgraças. Porque a vida no campo pode ser encantadora nos livros esquecidos de Trindade Coelho, em alguns lembrados de Júlio Dinis ou até n’A Cidade e as Serras, mas foi uma vida de miséria, doença, ignorância, morte prematura e brutalidade. Os aldeões começaram a dar à sola logo que puderam – para o Brasil, Lisboa, Porto, outras cidades e, aí pelos anos 50 e crescentemente, França, Alemanha e outros países do boom do pós-guerra.

Hoje, já quase não é a gente do campo que emigra porque o campo se mecanizou, e logo não tem gente; nem o manancial de braços para emigração é o mesmo porque as mulheres, desde a invenção da pílula nos anos 60, e a sua participação no mercado de trabalho, deram em não abraçar carreiras de produtoras de surtos populacionais.

O automóvel começou por ser um luxo acessível a uma insignificante minoria mas cedo apareceram industriais a oferecê-lo ao povo trabalhador pelo expediente da produção em massa, da qual o pioneiro foi o revolucionário Ford. Na Europa do pós-guerra o Carocha, o Joaninha, o 2 CV, o Fiat 600 chegaram à classe média num tempo de crescimento económico acelerado e dinamismo. E embora os automóveis pequenos e baratos tivessem como propósito motorizar a maior quantidade possível de pessoas no menor espaço de tempo, cedo se desenhou um padrão ainda hoje em vigor: soluções e luxos dos modelos mais caros iam com o tempo “descendo” na hierarquia dos modelos (uma boa lembrança, talvez, para os indignados hoje com o que há quem pague por certos automóveis: sosseguem que o que invejam há-de chegar ao vosso charêlo).

Automóvel próprio e capitalismo deram-se bem. E não é de estranhar que, desde sempre, a esquerda tivesse torcido o nariz ao transporte individual. A de hoje, depois da falência do comunismo, já não diz aquelas coisas redondas e confortáveis das certezas marxistas: propriedade colectiva dos meios de produção, distribuição equitativa dos bens materiais, economia planificada e a outra meia-dúzia de pérépépés.

Mas continua a comprar toda a sorte de engenharias sociais nas quais o colectivo aparece à frente do individual. E que melhor lugar do que as cidades, onde os automóveis criam problemas difíceis de resolver, para, em nome de coisas preocupantes como a poluição, a sustentabilidade (que ninguém sabe bem o que é, mas tanto melhor), os cheiros, a saúde e ainda um par de botas, para combater esse símbolo da liberdade individual, do sucesso material, e da diferença entre as pessoas, que é o maldito veículo?

A propósito da recente eleição de Moedas o assunto veio à baila. Parece que o novo presidente não é adepto de ciclovias, pelo menos algumas, e deseja promover a construção de parques de estacionamento, ó que loucura.

Diz Fernanda Câncio, com argúcia: “É que tal medida não se limita a tornar mais atrativo o uso de carro; faz mais penoso o dos transportes públicos de superfície - a Carris - pois quanto mais carros houver a circular menos os transportes públicos são eficazes”.

Não se pode negar que se houver mais carros a circular etc. Porém, se admitirmos que a construção de parques retira carros do estacionamento na via pública, detalhe que a Fernanda escapou, não é um salto ilógico pensar que pode compensar na fluidez da circulação, assim como passagens desniveladas também contribuem para esse resultado… ou não? E a preclara que me desculpe mas, já que fala em transportes de superfície, poderia porventura encarar a hipótese da sombra de uma suspeita de que talvez fosse avisado falar de transportes debaixo do chão, isto é, do metro. E isto porque o metro pode concorrer com vantagem com o transporte de superfície, visto que, ao contrário do que julgam as Fernandas deste mundo, o cidadão, se tiver uma boa alternativa ao automóvel, usa-a. Não talvez o cidadão que tenha muitos recursos, mas sem dúvida a maioria. Ora, o metro é tipicamente investimento público (poderia não ser, mas isso são outros quinhentos), de modo que é ouro sobre azul: colectivo, investimento, grande infraestrutura que os sindicatos podem paralisar, alavancando portanto a influência social do povo trabalhador, boas credenciais ecológicas e assim… que tal? Até se podem pintar as carruagens de um vermelho inspirador, no intervalo de uns moços com acne as picharem com grafiti intensamente artísticos, comunicando ao burguês ensimesmado as mundividências da juventude revoltada.

Parece que Moedas defende que “os 20 primeiros minutos de estacionamento sejam gratuitos em toda a cidade e paguem menos [os residentes] 50% em todos os parquímetros”. Como o espaço público é escasso, e só por o ser é que se justifica que a sua ocupação com automóveis seja paga; e como a medida é discriminatória em relação a quem, provavelmente por não ter escolha, vive longe: sinto-me tentado a concordar com Fernanda (o que teria ainda a vantagem suplementar de lhe ser agradável, dado que, sem a conhecer pessoalmente, simpatizo com ela). Sucede porém que mesmo aqui talvez a ideia de Moedas seja somente a de ajudar a facilitar a fixação de residentes, um objectivo meritório. Não sei, não conheço verdadeiramente Lisboa nem os seus problemas, e ainda menos tenho dados que fundamentem ou contrariem uma opção deste tipo.

“… não há ‘cidade sustentável’ ou sequer mundo sustentável assim, e sabemo-lo há décadas. Só falta usar esse saber para salvar o que é possível - coisa que andamos coletivamente, cidade, país e mundo, a adiar ad aeternum.”

Ahem, eu conto mais décadas de vida do que a autora e não sei nada disso. E ficaria muito surpreendido se cidades muito grandes, médias ou pequenas, planas ou às subidas e descidas, com ou sem zonas de expansão fácil, novas em países novos, de traça medieval ou dos séculos XVIII ou XIX, cidades que crescem e cidades que estagnam, em que as políticas habitacionais e urbanísticas foram numas assim e noutras assado, devessem todas ter as mesmas soluções para os mesmos problemas. E, por singular coincidência, em todas a solução fosse a proibição, a bicicleta, os Medinas, a trotinete e a Carris.

A verdade é que, a acreditar nisto (e é legítimo duvidar porque a afirmação provém de quem tem interesse em engordar os números para fundamentar políticas anti automóvel), entram em Lisboa todos os dias 400.000 carros, que se somam aos 200.000 dos residentes.

O número é impressionante (mais automóveis do que habitantes!), mas conviria saber quanto tempo, em média, ficam dentro da cidade, e onde, para saber que espaço é realmente necessário. A área de Lisboa é ligeiramente maior do que 100 quilómetros quadrados, e destes também não sei quantos são de arruamentos e praças, mas convém ter noção das proporções: A 10 metros quadrados por cada automóvel o espaço ocupado seria de 6% do total se todos os automóveis estivessem ao mesmo tempo dentro de portas e se não se pudessem empilhar. Um trabalho paciente deveria poder habilitar a chegar a conclusões, incluindo a de apurar o que, ao certo, vai tanta gente fazer à cidade, e o que se poderia fazer para diminuir esse fluxo sem tocar na liberdade das pessoas.

Depois, conviria fomentar a construção de silos nos pontos de maior pressão, ou nas cercanias (respeitando minimamente a envolvência, não se trata de silos como se fosse em Nairobi, que nem toda a Lisboa é a calçada de Carriche). Fomentar quer dizer, por exemplo, isentar de taxas de licenciamento de obra e acelerar o respectivo processo. Naqueles locais ou zonas onde a circulação seja particularmente difícil, o parqueamento, DEPOIS de disponibilizado em garagens, deve ser simplesmente proibido na via pública, ao menos nas horas úteis. E poder-se-ia inclusive, para contentar estatistas e em homenagem à maioria de esquerda que existe em Lisboa, mesmo fora dos jornais e televisões, negociar o preço do estacionamento nos parques privados, em troca da isenção do custo do licenciamento e da proibição do estacionamento. Salazar controlava o preço do pão e não consta que as padarias fossem à falência.

“… agora que vamos finalmente poder andar na rua sem as máscaras pandémicas teremos de trocá-las pelas antipoluição. Novos tão velhos tempos”.

Estou muito feliz neste passo por poder sossegar Fernanda, dado provavelmente estar mais ao corrente da evolução do automóvel, pretérita e prevista, do que ela: os motores actuais são muito menos poluentes do que no passado (gasolina sem chumbo, escapes catalíticos, gestão da combustão computadorizada, etc.); e a tendência crescente do uso de automóveis eléctricos, cuja poluição fica a montante, nas minas e centrais de produção de energia, e a jusante, nos resíduos, portanto não em Lisboa, graças a Deus, poupa a cidade. Donde a máscara (que já no caso da Covid era de duvidosa utilidade) pode definitivamente regressar unicamente aos dias do Carnaval propriamente dito.

Em suma: Tenho a solução? Desconfio: problemas difíceis não se costumam resolver com soluções fáceis, e nesta equação faltam muitos factores.

Mas também quem parte de princípios errados não pode chegar a conclusões certas: Cercear uma verdadeira conquista dos trabalhadores em nome do colectivo e das ideias da moda de esquerda, a mim, parece-me uma coisa dos velhos tempos.

Contas à moda do Porto

Pedro Correia, 29.09.21

Terei de rever os meus conceitos de vencedor e vencido. Lendo a análise detalhada aos resultados autárquicos no concelho do Porto, ontem divulgada no Público, leio que Rui Moreira «é um dos derrotados da noite eleitoral» pois «ficou-se pelos 40,72%». Ou seja, ganhou. Deixando a perder de vista todos os outros candidatos. 

Esclarece o Público que o PSD «foi um dos vencedores da noite» no Porto. Porquê? O candidato social-democrata, Vladimiro Feliz, conseguiu «eleger mais um vereador» do que em 2017, «conquistando 17,25% dos votos». E «duplicou o número de mandatos».

O Bloco de Esquerda é ali «o outro vencedor». Motivo: foi enfim capaz de «eleger um vereador», tendo recolhido 6,25% nas urnas. 

 

Recapitulando: o «derrotado» obteve mais 23,47% do que um dos «vencedores» e mais 33,47% do que o outro «vencedor».

A análise omite quantos vereadores Moreira, protagonista desta «derrota política», elegeu no Porto. Fui conferir, noutros periódicos: foram seis. Faltou também explicar em que consistiu a tal duplicação de mandatos do candidato Feliz: o PSD tinha só um, passaram a ser dois.

Admirável derrota, quando se consegue eleger mais quatro e mais cinco representantes, respectivamente, do que as duas forças «vencedoras». Agradeço ao Público tão brilhante análise.

Acertou

Pedro Correia, 29.09.21

«O meu trabalho e a a[c]tividade da Junta de Freguesia de Arroios falam por si e acredito que no próximo domingo serão os fregueses a fazer essa mesma avaliação, no local certo, em nome da liberdade e da democracia.»

Margarida Martins, que escrevia esta frase reagindo a isto, acertou. Já não será presidente da junta. Essa avaliação foi feita no local certo, em nome da liberdade e da democracia.

 

Leitura complementar sobre Arroios: aqui, aqui, aqui, aqui.

As autárquicas na minha terra - VIII

Paulo Sousa, 29.09.21

Como tenho vindo a relatar em postas anteriores, na eleição para a Câmara Municipal de Porto de Mós assistiu-se a uma tentativa do ex-presidente João Salgueiro (PS) reconquistar o que considerava ser seu. Não fosse por limitação legal e em 2017 ter-se-ia apresentado pela quarta vez como candidato. Importa referir que, além destes três mandatos, já acumulava mais três  como vereador pelo PSD, totalizando assim 24 anos de vida autárquica.

O incumbente, Jorge Vala (PSD), conquistou há quatro anos a presidência disputando nessa altura a eleição com uma lista do PS e outra independente, tendo por isso sido o presidente eleito com menos votos de sempre. O regresso de João Salgueiro à liça fez com que esta eleição acabasse por ser, para Jorge Vala, o seu maior desafio eleitoral de sempre.

Outro facto, de que já aqui fiz referência, foi a candidatura de um dos filhos do ex-presidente à Junta de Freguesia onde reside. David Carreira, perdão, David Salgueiro, já fez parte da lista para as legislativas por Leiria e não esconde a sua ambição política.

A única sondagem conhecida (estudo sociopolítico) foi divulgada dois meses antes do acto eleitoral e apresentou então uma vantagem de 4% para João Salgueiro. Sem mais detalhes, esta informação foi como um murro no estômago dos apoiantes do actual presidente e provavelmente um grande fôlego para as hostes do desafiante. Os 4% de margem de erro e uma incorrecta proporção das entrevistas feitas em cada freguesia relativamente ao seu peso demográfico quase passaram despercebidos.

O tempo foi passando, os hinos de campanha perturbaram grandemente o silêncio que só existe nas terras pequenas, foram feitos os normais porta-a-porta, folhetos seguiram pelo correio, foram visitadas algumas empresas, escolas e outras instituições, realizaram-se dois debates no Cine-Teatro, muitas fezes foram despejadas sobre o ventilador das redes sociais, muitas ofensas foram proferidas, bastantes mentiras foram ditas, entremeadas com algumas verdades, foram feitos desmentidos, por vezes até desmentidos aos desmentidos, foram prometidas obras, algum chão foi pintado de preto, tudo normal e nada de novo, portanto.

Chegado o grande dia e fechadas as urnas, foi à frente de uns frangos assados que recebi a primeira de várias mensagens e que dizia: “Mesa de voto 2 Câmara PSD 220 PS 185”. Depois de um branco à maneira, abriu-se então a segunda garrafa de vinho. Estando a primeira vazia nunca seria um acto precoce, mas, a natureza ligeiramente gaseificada de “O tal vinho da Lixa” obrigou a uma atenção especial para que a rolha não saísse disparada e pudesse parecer uma celebração antecipada. E nestas coisas não vale a pena correr riscos, até porque os comensais eram do tipo “não sou supersticioso, porque isso dá azar”.

Assim, enquanto mais mensagens de outras mesas de voto iam chegando, os votos no Jorge Vala iam subindo e “O tal vinho da Lixa” ia descendo. Finda a segunda garrafa entendeu-se necessário seguir para a sede de campanha, no centro da sede do concelho.

Lá chegados, o entusiasmo era visível. Ainda não havia nada de definitivo, mas sentia-se que as coisas estavam a correr bem. Menos de meia hora depois chegou a confirmação: “O Jorge ganhou!”. Houve logo quem dissesse que a democracia era uma coisa maravilhosa, especialmente quando permite que as forças do mal sejam derrotadas, mas isso terá sido um ligeiro exagero no calor das celebrações.

Choviam abraços por todos os lados e os sorrisos eram omnipresentes. O Jorge ganhou e o medo acabou. E a dinastia derrapou. Este presidente não grita nem assinala quem não o aplaude. O passado não entendeu que já não tinha futuro.

Depois, alguém trouxe o camião que fez de palco durante a campanha e estacionou-o em frente à sede. Para mais tarde lembrar, tiraram-se fotos e eram várias as video-chamadas. Até internacionais.

Meia dúzia de foguetes depois, seguiram-se vários discursos, onde o slogan da campanha não podia faltar: Porto de Mós, O sítio certo!

Em oposição ao que a lista opositora representava, a noite acabou a gritar-se: Futuro! Futuro! Futuro!

Agora é só esperar.

 

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Resultados autárquicas 2021 - Porto de Mós, o sítio certo!

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 29.09.21

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Fernando Sousa: «Mas o que é que Alessio Rastani disse para provocar tanta celeuma? Que está a fazer muito dinheiro, que adora esta recessão e que sonha todos os dias com outra? Que se está nas tintas para o euro? Que é a Goldman Sachs que manda no mundo? O que é que aqui é notícia? O despudor? Eheheheheh…»

 

José António Abreu: «A irlandesa Lisa Hannigan foi uma das duas descobertas que fiz através do filme Ondine, de Neil Jordan (sendo a outra, evidentemente, a polaca Alicja Bachleda). Isto não deixa de ser estranho, considerando que Lisa participou no álbum O, de Damien Rice, a que há uns anos dediquei muitas horas de atenção. Sou mais uma vez forçado a reconhecer que a minha capacidade de retenção de informações importantes já teve melhores dias mas, enfim, antes tarde do que nunca.»

 

Rui Rocha: «Tenho as minhas embirrações. Por definição, estas existem mesmo que os destinatários não tenham culpa nenhuma. Caso contrário, não seriam embirrações, mas acusações objectivas fundamentadas com factos. No futebol, por exemplo, tinha uma grande embirração com o Postigó, etiqueta  colectiva que utilizava para designar a soma nula do contributo futebolístico do Postiga e do Djaló. E seria sempre assim mesmo que, por alinhamentos improváveis dos astros, um dia viessem a transfigurar-se em utilizadores da bola com aceitável proficiência. O mesmo se passa, na música, com o Sérgio Godinho. Não adianta. Não é tanto o facto de eu não gostar das músicas dele. É que fico sempre com a impressão de que as músicas dele não gostam de mim.»

Medina no governo?

jpt, 28.09.21

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Este é o tipo de "notícias" atiradas para se ver quais as reacções. Pois seja, muito bem isto de Medina no governo remodelado, a "bem da Nação", demonstrando como Costa entende o processo político nacional. Talvez como ministro da Administração Interna, pois prefere bicicletas a altas velocidades motorizadas. Ou substituindo o académico Santos Silva, dadas as suas boas relações com as embaixadas estrangeiras.

 

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 28.09.21

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Ana Lima: «Não se pode deixar de distinguir o que é a complexidade de um graffiti, de um conjunto sem nexo de tags, as malfadadas assinaturas, (...) e que são, normalmente, feitas apenas para marcar um território ou meramente com a intenção deliberada de sujar. (Em Portugal não se utiliza tanto mas no Brasil distingue-se completamente entre graffiti e pichação). Nem podemos pensar que qualquer parede poderá servir de suporte aos graffiti. Os “verdadeiros graffiters” normalmente seleccionam criteriosamente esses suportes.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Ontem, os nossos luíses, eheh, pareço uma aristocrata francesa antes de revolução, dizia eu que os nossos luíses se digladiaram aqui sobre os grafitis com ilustrados argumentos. Lamentámos todos que o certame tivesse sido interrompido pelo jantar de um e pelas aulas de outro. Hoje, porém, voltei a lembrar-me do assunto: ao passar rapidamente os olhos pelos títulos da imprensa  online, leio que Durão Barroso afirmou que se devia dizer: "Amo-te, Europa." Eu achei muita piada a este arroubo de matriz mitológica. Após tal enunciação, só falta, num gesto de apaixonado de primeira viagem, ir pichá-la numa fachada. Pública, talvez, não sei.»

 

José Maria Gui Pimentel: «A oposição, da esquerda à direita, ciosa de uma oportunidade palpável para atacar AJJ, agarrou-se com unhas e dentes à questão do buraco financeiro. Mas fê-lo de uma maneira que – particularmente nos partidos de esquerda – não creio ser a melhor, pois dá a entender que, nos mais de 30 anos de governação, a má conduta de AJJ se resume ao sobre-endividamento do arquipélago. Com este método, não demorará muito (se é que já não acontece) até o povo adaptar o célebre adágio “aldraba mas faz”, para “endivida mas faz”.»

 

Leonor Barros: «Por favor, poupem-me ao discurso de que o país não pode, blá blá blá, que estamos pobrezinhos, que sim, a economia, os mercados, e o diabo a sete e de uma vez por todas levantem os rabos do encosto cómodo que não lhes permite vislumbrar os dois milhões de pobres que existem neste país. Quinhentos euros podem fazer a diferença. Tenho a certeza de que fariam.»

 

Luís Menezes Leitão: «O Ministério da Educação acaba de prestar um grande serviço pedagógico aos alunos. Ficaram desde já a saber que é este o Estado Português com que terão de conviver em adultos: um Estado que a todo o tempo pode desrespeitar os seus compromissos, cortar unilateralmente os salários aos seus funcionários, as pensões aos seus pensionistas e aumentar retroactivamente os impostos que cobra. Os alunos podem assim desde já habituar-se a que é este o país em que vivem e pensar em emigrar para o estrangeiro. Só essa lição vale mais que o prémio.»

 

Rui Rocha: «Não é todos os dias que temos uma luta de Luíses. A coisa só fica esclarecida com uma prova de conceito. O Menezes Leitão traz o spray e o M. Jorge dá as paredes lá de casa dele.»

 

Teresa Ribeiro: «Envelhecer já não é encarado como um fenómeno natural. Agora chamam-lhe arte. Não me parece mal. Se considerarmos os testemunhos dos clientes das plásticas e até dos que fazem questão de celebrar o aparecimento das rugas como algo libertador, até podemos considerá-lo uma arte de palco. Às vezes esses que se manifestam contra a corrente exibem tal alegria com os seus duplos queixos e cabelos brancos que por vezes os confundo com os outros. Há alegrias tão contentinhas que até parece que levaram silicone nos entrefolhos.»

Gargalhadas, sorrisos e rictos

jpt, 27.09.21

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Gargalhadas:

1. A derrota de Medina: sim, há razões mais abrangentes para o meu riso, sobre Lisboa, sobre o que deve ser uma câmara, e que dimensão quantitativa deve ter, sobre que visão da cidade, sobre a arrogância estatal e as punções sobre os munícipes. Mas, acima de tudo, é a derrota do epígono de Sócrates que mais se lhe assemelha. Aleluia!

2. O verdadeiro descalabro eleitoral do BE (depois da sangria nas legislativas e do falhanço presidencial).

Sorrisos: 

1. O PS derrotado em Lisboa, Porto e Coimbra. Tem alguns ganhos devidos à lenta degenerescência do PCP. Mas a derrota nas 3 "grandes cidades" - em cada uma à sua maneira - mostra o estado deste mísero costismo.

2. O silêncio social com que foi recebida a candidatura lisboeta do BE, assente num execrável apelo racialista - e na expectativa de uma reacção adversa que a potenciasse. A sociedade desprezou-a. Mesmo os fazedores de opinião, até surpreendentemente pois sempre tendem a seguir com desvelo os ademanes bloquistas. Assim esvaziando-a, deixando os atrevidos demagogos sós diante do espelho.

3 A candidatura da IL em Lisboa "foi uma merda", parafraseando o tipo que a encabeçou.

4. Aquilo do colunista do Público, Rui Tavares.

5. Amigos meus lisboetas, de "esquerda", não só votando em Moedas como também cruzando mensagens telefónicas, exultantes com a derrota de quem lá estava. Amigos meus de outros concelhos, de "centro" e "direita", abstendo-se ou votando de modo inusitado, devido aos mânfios dos seus partidos que lá mandam.

Rictos:

1. Abstenção muito falada e lamentada, como se coisa extrema: votantes foram 53,65% (54,97% em 2017, 52,6% em 2013). Não há um desajuste nestes trinados do comentariado nacional?

2. CHEGA tem 4,16% e 208 000 votos. O tipo é desagradável? É. Mas isto justifica todos estes clamores de que o fascismo está ao virar da esquina? Francamente...

3. Sondageiros & Jornalistas, ltd: já chega, raisparta, são anos disto. 

Eleições nos Olivais

jpt, 27.09.21

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Já que fui botando sobre a minha freguesia Olivais, e sobre estas eleições (recentemente aqui; ontem, muito irritado, aqui), e também porque vejo agora mesmo na televisão Carlos Moedas a almoçar nos Olivais, venho deixar os resultados finais na freguesia:

PS: 34,7% [53,52% em 2017]
PSD+CDS et al: 24,9% [12,6 % + 7,8%]
CDU: 13,8% [10,5%]
BE: 8% [6,4%]
CHEGA: 6,8%
PAN: 4,5% [3,8%]
IL: 3,4%
 
O PS - mesmo sendo reforçado pela associação com o importante movimento do colunista do boletim Público -, encabeçado pela inenarrável Rute Lima (também ela colunista do dito boletim), apesar de toda a insídia caciquista perdeu 3300 votos (de 8400 desceu para 5100). E ganhou a Junta por 1400 votos.
 
Não se pode ter tudo. Mas, caramba, mais um bocado, com uma oposição local mais efectiva e uma candidatura mais preparada... e a Margarida Martins cá do sítio teria sido apeada. Enfim, ficará a lição, essa de que os partidos não devem aparecer nas freguesias só de 4 em 4 anos.

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