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Entre os mais comentados

por Pedro Correia, em 30.11.19

 

Em 21 destaques feitos pelo Sapo em Novembro, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu  16 menções ao longo do mês.

Incluindo três textos na primeira posição, dois na segunda e dois na terceira.

 

Os textos foram estes, por ordem cronológica:

Elegância (46 comentários)

Este homem chefiou o Governo de Portugal durante seis anos, três meses e onze dias (44 comentários)

Duas faces do autoritarismo (30 comentários) 

Post-it (52 comentários)

O aprendiz de feiticeiro (40 comentários) 

O fotógrafo estava lá (70 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Upskirting (99 comentários, o mais comentado do dia)

Sobre a Catalunha (7) (44 comentários, terceiro mais comentado do fim de semana)  

Um país sem corruptos (38 comentários, segundo mais comentado do dia)  

Está de chuva (38 comentários) 

A inveja é o desporto nacional (50 comentários)

Inqualificável (100 comentários, o mais comentado do fim de semana)

Já andam nisto (18 comentários)  

Elogio a sete deputados do PS (24 comentários)

Injustiças (62 comentários, o mais comentado do dia)

Um salto para a escuridão (54 comentários, segundo mais comentado do dia)   

 

Com um total de 809 comentários nestes postais. Da autoria do Sérgio de Almeida Correia, do Paulo Sousa, do Fernando Sousa, da Cristina Torrão, do Diogo Noivo e de mim próprio.

Fica o agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.11.19

«Desde o princípio que havia alguma coisa dissonante nesta eleição de Joacine e que lhe alterava a harmonia. Lembro-me das apresentações da imprensa que me pareciam até irónicas; da alegria da deputada quando foi eleita e falou apenas por si mesma, facto que achei estranhíssimo; do primeiro dia na Assembleia da República que também não foi nada consensual. E não é pelo choque que constituíram que o digo, gosto um bocadinho desse aspecto de agitar as águas. É mais pelo afã em chocar, aquele espírito de quase vingança em conseguir. E não sei mesmo se o avesso do preconceito não é ele também preconceito.
Por outro lado, a senhora parece não saber que representa um partido e não que se representa a si mesma. Se sabe, tem de entender-se com o partido. As lutas internas não nos interessam, mas não venham dar espectáculo para a praça pública nem apresentar desculpas esfarrapadas. Resumindo: de Rui Tavares, esperava melhor.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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Quando te digo para não cederes ao politicamente correcto não estou a ser o tal pai apenas velho e reaccionário, que decerto pareço. E não, não estou a ser apenas o tal pai que despreza, visceralmente, a turba de demagogos - quantos deles meu colegas antropólogos ou similares - sequiosos dos financiamentos socratistas ou quejandos, viçosos na estufa do "Choupal até à Lapa", de Telheiras ao Bairro Alto, e tão loquazes na defesa da "tolerância" e no ataque a nós-todos, "brancos" "ocidentais" (excepto eles próprios, porque homossexuais aka gays, guevaristas, "genderistas" ou tralhas semelhantes).

Quando te digo para não cederes ao politicamente correcto é para que possas pensar o mundo, nele actuar ou apoiar. Com sentido crítico. O que implica tino, imenso tino. E independência dos financiadores, burocratas estatais quase sempre.
 
E digo-te isto, comovido e até um pouco aflito - apesar do mim-mesmo que se vê rude pois experimentado, nada atreito a histerismos, mas pai -, ao ler esta notícia, a mostrar como aí nas universidades onde andas também vigora esta mentalidade, do medíocre e torpe "correctismo":
 
 
Minha querida, o problema não é o "Boris", goste-se ou não dele. O verdadeiro problema, horrível, é esta gente, vizinha, colega (até amiga) que faz por incompreender e esconder - por interesse, para ter ganhos económicos e estatutários, nos meneios e trejeitos em que se anima - que "tolerância" é sinónimo de "segurança". Urge afastar-nos deles. Que as polícias, em democracia, cuidem dos escassos guerrilheiros terroristas. E que nós, cidadãos, nos afastemos, combatendo-os, destes colaboracionistas "intelectuais".
 
Um beijo, muitas saudades.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.11.19

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Águas Silenciosas, de Timothy Hagelstein

Tradução de Ana Paula Filipe

Poesia

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Eu Sou o Desconforto!

por jpt, em 30.11.19

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"Eu sou o desconforto" (falta ao título jornalístico o óbvio ponto de exclamação) não é apenas o catasfioresco trinado "rio-me de me ver tão bela neste espelho". É mesmo uma proclamação bíblica, a sublinhar uma desmesurada autopercepção.

Desde Bruno de Carvalho que o país não tinha uma personagem destas. A imprensa delira, as redes sociais fervilham. Alguns demagogos (ainda) rejubilam. Vem aí o Natal. Depois o delírio continuará. Até (nos) cansar.

 

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 30.11.19

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Luís M. Jorge: «Os dados recentes sobre o agravamento do défice das contas públicas e do saldo negativo da balança de transacções correntes, bem como a confirmação do crescimento da taxa de desemprego para 18,3 por cento, não desencorajam o primeiro-ministro,  que se mostra determinado e confiante no rumo que traçou para o país. Atribuindo os maus resultados pontuais à persistência da crise internacional, José Sócrates recordou que está previsto um crescimento de 0,2 por cento do PIB em 2018, uma consequência evidente das iniciativas encetadas pelo Governo

 

Paulo Gorjão: «Julgo que se estão a fazer leituras apressadas e erradas do que aconteceu no Parlamento na sexta-feira. A votação coordenada do arco que vai do BE ao CDS, pura e simplesmente, não é sustentável no tempo. Se fosse significaria que não havia divergências entre si e o feitiço acabaria por se virar contra o feiticeiro. O que se passou foi uma mera manobra de dissuasão. Um alerta severo ao Governo.»

 

Eu: «Se fosse no Porto, onde o bairrismo é uma bandeira, bastaria a suspeita de que estaria em marcha uma operação lesa-ecologia como esta para Sá Fernandes encontrar pela frente uma acção de embargo, que lhe pudesse travar o passo. Ele sabe bem o que isso é, aliás: antes de fazer parte do poder camarário distinguiu-se como o maior embargador da capital. Não na defesa dos interesses da cidade, como agora se comprova, mas na defesa dos seus interesses políticos.»

Canções do século XXI (971)

por Pedro Correia, em 30.11.19

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A história é simples: a Câmara de Lisboa decidiu instalar a EMEL na freguesia de Olivais. Escolhendo um modelo todo desatento às características urbanísticas (espaciais e sociológicas) do "bairro". A presidente da Junta (PS) desde há anos garantira que sob sua presidência a EMEL nunca seria instalada, e disso também fez argumento de campanha eleitoral. Tudo isso foi varrido, e aí já está o processo de instalação do parqueamento pago. Com efeitos brutais na mobilidade/sociabilidade dos habitantes de tão peculiar freguesia. Para se justificar diz a presidente Rute Lima (entretanto candidata à AR por Lisboa) que os opositores à EMEL são "comunistas", e assim segue ufana no desdizer-se.
 
Não se trata apenas da rapina económica (impostos e taxas) estatal. Nem só do alijar das responsabilidades camarárias na situação automóvel - nas últimas três décadas a construção imobiliária, de estações de metro, e o crescimento do aeroporto, nunca foram conjugados com o do estacionamento (parques ou silos).
 
É pior ainda: pois as instâncias camarárias foram forçadas a aprovar a realização de um referendo aos fregueses para decisão sobre a instalação da EMEL. E estão a protelar a sua realização enquanto vão instalando o parqueamento pago. Ou seja, não é pura irresponsabilidade camarária, não é pura demagogia dos políticos. É mesmo violação dos procedimentos legais democráticos. O partido do poder, no centro de Lisboa, a comportar-se assim. E o (empobrecido) cidadão que pague, cada vez mais. Sem qualquer racionalidade, sem considerações do impacto social destas medidas punitivas, sem procurar desenhar modalidades menos agressivas.
 
Hoje, sexta-feira, depois do horário de trabalho, às 19 horas, é de ir até ali à Encarnação/Olivais Norte, diante da sede da Junta. Para exigir a realização do referendo. E depois que a população freguesa diga do seu entender: se sim, se não, e como. Mas, acima de tudo, para recusar que o poder político continue a tentar fintar o povo. Demagogicamente.
 
Por isso clamo: "De pé, ó vítimas da fome"! E lá estarei, ombreando com o "sal da terra". Contra esta gente.

Resistência activa ao aborto ortográfico (139)

por Pedro Correia, em 29.11.19

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Vinho Projecto Amizade

(Douro, Denominação de Origem Controlada)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.11.19

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O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho

Romance

(edição Relógio d' Água, 2019)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.11.19

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María Hervás

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 29.11.19

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João Carvalho: «A peixeirada-do-mal é uma nódoa que cai aos fins-de-semana num canal de informação – a SIC-Notícias. O moderador não modera e os opinadores não opinam. Ou opinam, mas ninguém os ouve: atropelam-se todos à molhada, cada qual a levantar mais a voz do que os restantes, e a peixeirada instala-se invariavelmente. Não é um grande mal, porque o pouco que se percebe é um chorrilho de lugares-comuns que não-aquenta-nem-arrefenta.»

 

Jorge Assunção: «Na blogosfera económica, nenhuma universidade está tão presente como a George Mason. Não é de admirar, uma vez que, quer a blogosfera, quer a George Mason, partilham parte do código genético: a abertura à comunidade exterior, a necessidade de estabelecer um circuito aberto para troca de ideias. O tempo ‘perdido’ pelos seus professores a comunicar com o exterior, mais do que compensou. Entre outras coisas, promoveu a ascensão da universidade nos rankings de reconhecimento e nas preferências dos alunos. Talvez a academia portuguesa pudesse aprender alguma coisa com o exemplo, mas duvido.»

 

Paulo Gorjão: «A Suíça acaba de aprovar a interdição de construção de minaretes. Nada a dizer sobre a legitimidade da decisão. A medida foi aprovada através de referendo e o voto foi exercido livremente. Coisa distinta é saber se foi justa. Não foi, na minha opinião. O resultado do referendo revela medo, intolerância, ou mesmo xenofobia. Um velho e longo debate.»

Canções do século XXI (970)

por Pedro Correia, em 29.11.19

Um salto para a escuridão

por Pedro Correia, em 28.11.19

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No dia 31 de Janeiro de 1933, um jornal católico alemão resumiu tudo numa só frase: «Um salto para a escuridão.»

Com este título – que o futuro demonstraria ser correctíssimo, em sentido real e metafórico – classificava a chegada ao poder, na véspera, de Adolf Hitler.

A frase infelizmente profética é recordada na monumental biografia de Hitler redigida pelo historiador britânico Ian Kershaw, existente em português numa versão condensada de 849 páginas. A versão original está distribuída em dois volumes – Hitler, 1889-1936: Hubris e Hitler, 1936-1945: Nemesis, inicialmente publicados em 1998 e 2000, com um total de mais de 1450 páginas, acrescidas de outras 450 só com notas e bibliografia.

É «a biografia definitiva de Hitler», como assinalou o Los Angeles Times. Com razão.

 

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O que mais impressiona, neste exame minucioso da tomada do poder por Hitler numa das nações culturalmente mais ricas da Europa, é o facto de ela ter ocorrido por vias estritamente legais, cumprindo as regras constitucionais estabelecidas na República de Weimar, implantada em 1919, logo após a Alemanha ter sido derrotada na I Guerra Mundial.

No final da década de 20, Berlim transformara-se numa das cidades mais dinâmicas e cosmopolitas do Velho Continente, albergando uma multidão de intelectuais e artistas que serviam de exemplo ao restante mundo civilizado. Mas tinha também uma das mais ineptas castas de dirigentes políticos de que há memória. As pequenas ambições, os ódios disseminados, as intensas rivalidades pessoais e a falta de sentido de Estado cruzaram-se, à esquerda e à direita, para abrir caminho à tropa de choque nazi que se propunha regenerar a Alemanha das humilhações impostas pelos vencedores da guerra na conferência de paz de Versalhes.

 

Neste quadro, que favorecia a tolerância perante todos os extremismos, Hitler singrou com o seu bando de arruaceiros até o poder lhe ser oferecido de bandeja a 30 de Janeiro de 1933, quando o idoso presidente Hindenburg lhe formalizou o convite para formar governo.

O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era então a força política mais representada num Parlamento profundamente dividido: obtivera 33,1% nas eleições de Novembro, quando os sociais-democratas conseguiram cerca de 20% e o Partido Comunista conquistou 16,9%. Os restantes votos foram partilhados por forças políticas do centro e da direita moderada, que viviam em permanente clima de contenda civil.

«Foi a cegueira da direita conservadora (...) que entregou o poder de uma nação soberana, que albergava toda a agressão reprimida de um gigante ferido, nas mãos do perigoso líder de um bando de arruaceiros políticos», assinala Kershaw.

 

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O primeiro Governo de Hitler era de coligação. Os nazis só tinham duas pastas ministeriais: a do Interior, confiada a Wilhelm Frick, e a da Prússia, a Hermann Göring – ambas decisivas por tutelarem as forças policiais. Mas nos Negócios Estrangeiros ficou Konstantin von Neurath, que transitara do Executivo anterior, e todas as pastas na área económica foram confiadas a políticos da direita conservadora tradicional, que tinha o seu líder, Von Papen, como vice-chanceler.

Estavam convencidos de que conseguiriam “moderar” Hitler. Foi uma perigosa ilusão.

Pouco depois do meio-dia de 30 de Janeiro, Hitler e o seu gabinete da "direita nacionalista" eram recebidos por Hindenburg, que lhes deu posse, limitando-se a proferir uma frase: «E agora, cavalheiros, em frente com Deus.»

A Alemanha mergulhava num longo pesadelo. Só despertou em 1945, transformada num mar de cinzas.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.11.19

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As Máscaras Sobre o Fogo, de Domingos Lobo

Romance

(reedição Página a Página, 2.ª ed, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 28.11.19

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João Carvalho: «Alguém menos avisado que se aproxime da obra poderá achar estranho que a Selecção do Brasil tenha um estádio e, mais ainda, que esse estádio seja em Lisboa. São as cores do SCP, é certo, mas a aplicação de verde e amarelo é excessiva. Tem de reconhecer-se que, se assumido o lado artístico da criatividade, um arquitecto é sempre polémico nos projectos (e nos filmes caseiros) que faz. O problema é quando se trata de um clube e muitos adeptos também torcem o nariz.»

 

Paulo Gorjão: «De pouco adianta ao Governo a pose de vítima na reacção aos (des)equilíbrios de poder no Parlamento. Estamos ainda numa fase em que as partes medem forças numa dinâmica que tem algumas semelhanças ao chicken game. A seu tempo emergirá um ponto de equilíbrio. Instável, claro. Mas por agora o contexto ainda não é propício à ruptura total.»

 

Teresa Ribeiro: «... nós adiamos casamentos, divórcios, filhos, férias, exames médicos, idas ao cabeleireiro, compras de sapatos, de livros, de apartamentos, de carros, passeios, mestrados, idas ao ginásio, obras na casa. Enquanto eles adiam mais uma subida inevitável dos impostos.»

Canções do século XXI (969)

por Pedro Correia, em 28.11.19

Já li o livro e vi o filme (260)

por Pedro Correia, em 27.11.19

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     OS SÃOS E OS LOUCOS (1962)

Autor: James Jones

Realizador: Terrence Malick (1998)

Excelente romance centrado na ilha de Guadalcanal como sangrento palco da Guerra do Pacífico. O filme, entre nós intitulado A Barreira Invisível (The Thin Red Line no original, tal como o livro), celebra da melhor maneira o manuscrito de James Jones, inspirado na sua experiência militar.

Injustiças

por Diogo Noivo, em 27.11.19

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Apresentou-se aos eleitores como “mulher, afrodescendente e gaga”. O partido pelo qual se candidatou confirmou que, de facto, era “mulher, afrodescendente e gaga”. E, para dissipar qualquer dúvida que pudesse existir, a comunicação social atestou repetidamente que a candidata era “mulher, afrodescendente e gaga”. Estas três características foram o alfa e o ómega do projecto político em apreço, com todos – candidata, partido, e órgãos de comunicação social – a resumir a mensagem ao sexo, à melanina e às dificuldades de fala.

Por isso, as críticas lançadas a Joacine Katar Moreira e ao partido LIVRE são manifestamente injustas. Eleita, a deputada é escrupulosa no cumprimento do seu programa eleitoral: é mulher, afrodescendente e gaga. Nunca um/uma candidat@ foi tão rigoros@ no cumprimento do que afirmou em campanha – julgo que esta é a forma correcta de escrever a frase na novilíngua vigente.

Ninguém quis falar de política, de ideias, de convicções. A definição de interesse público e a forma de o defender estiveram em parte incerta durante toda a contenda eleitoral. A comunicação política foi propositadamente centrada em aspectos inócuos, já que a síntese “mulher, afrodescendente e gaga” nada nos diz sobre a experiência, a competência e o discernimento da pessoa para o exercício de funções públicas. Por isso, exigir à deputada e ao partido coisa diferente é injusto.

O negro é bom porque é negro.

por Catarina Duarte, em 27.11.19

Se, para além de mulher, eu fosse negra, e se, devido ao meu trabalho e dedicação, eu conseguisse alcançar um lugar de destaque na nossa sociedade, nada me poderia deixar mais triste do que a injustiça de associarem o meu mérito ao meu género ou à minha cor da pele.

Fala-se imenso da importância, em sociedade, de se forçar determinados comportamentos para que eles depois saiam de forma natural. Um exemplo disso é a definição de quotas nas empresas, impondo a contratação de mulheres ou de negros, com as quais eu não concordo pois, e falando sobre as quotas em particular, mais não são do que formas de discriminar e de valorizar algo que não tem que ser valorizado – deve ser motivo de igualdade e não de desigualdade.

Para além disso, não acho piada relevar características óbvias de determinada pessoa, quando se fala em determinados feitos ou posições, como se essas características definissem essa mesma pessoa: é a primeira mulher negra a fazer aquilo; quantas mulheres tens como ministras? Claro que é importante falar disso!; é a primeira vez que se contrata um gago para aquele cargo; já viste que até se contratou um homossexual?.

No meu mundo e, agora com algum conhecimento de causa, até posso dizer “na minha casa”, devíamos educar pela igualdade e não pela diferença e, na igualdade, não há espaço para valorizar determinado acontecimento associando-o a uma característica pessoal outrora alvo de dedos apontados.

Quando o fazemos, ainda que com a melhor das intenções, estamos a dar um mau exemplo, estamos a dizer, a quem pretendemos educar, que essas características nos ajudam a atingir objectivos, que são pontos fundamentais para a nossa progressão. Podemos estar, no limite, a valorizá-las tanto que as colocamos acima do que é realmente importante e, na maior parte dos casos, o importante mesmo é o trabalho, o mérito e o trabalho e o mérito. Não falamos de homens, de mulheres, de pessoas negras, brancas, gordas, magras, homossexuais, bissexuais ou transsexuais. Falamos de trabalho e mérito.

Posto isto, se somos pela justiça e pela igualdade, temos mesmo que continuar a valorizar aquilo que menos depende de nós, como as nossas características inatas e físicas, em vez de valorizarmos o trabalho e o mérito, que, em última análise, é aquilo que realmente nos define?

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