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Da falta de vergonha

por Pedro Correia, em 12.11.19

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Cartoon de Nieto, no ABC

 

Queixamo-nos, e com razão, do excessivo número de organismos do Estado, pagos pelos contribuintes. Já foi muito pior. Houve um tempo em que a banca era toda pública, a actividade seguradora estava em exclusivo no perímetro do Estado, transportadoras ferroviárias privadas como a Fertagus eram proibidas por lei e a Constituição interditava as televisões de capitais privados, instituindo a RTP como monopólio do sector.

Marcas de um passado que se prolongou demasiado tempo: as gerações mais jovens questionam hoje, e com razão, como é que pudemos tolerar até ao final da década de 80 este cenário tão distante dos padrões europeus.

 

Mas há sempre quem esteja pior que nós. E não precisamos de ir para muito longe. Em Espanha existe ainda hoje um instituto público só para fazer sondagens - algo tão anacrónico que até deve surpreender os mais estatistas deste lado da fronteira. É o CIS - Centro de Investigações Sociológicas. Funciona na dependência do Ministério da Presidência e tem como missão o «estudo científico da sociedade espanhola», seja lá o que isso for.

Apesar das generosas verbas públicas de que dispõe, o CIS falha em toda a linha nesta missão. Como ficou bem patente na mega-sondagem eleitoral que divulgou a 30 de Outubro - escassos onze dias antes das legislativas de domingo passado. Este inquérito supostamente científico atribuía uma folgada vitória ao PSOE, com 32,2% dos votos e até 150 deputados. Com o PP a situar-se nos 18% (entre 74 e 81 lugares no parlamento), o Podemos a ficar com 14,6% (de 37 a 45), o Cidadãos a conseguir 10,6% (de 27 a 35) e o Vox a quedar-se nos 7,9% (de 14 a 21).

 

Os resultados, como sabemos, foram totalmente diferentes. O CIS pecou por excesso (prevendo mais 4,2% e mais 30 deputados para o PSOE; mais 1,8% e mais dez deputados para o Podemos; mais 3,8% e mais 25 deputados para o Cidadãos) e por defeito (prevendo menos 2,8% e menos 14 deputados para o PP; menos 7,2% e menos 32 deputados para o Vox).

Daria vontade de rir se não fosse um tema sério. Por custar tão caro aos contribuintes espanhóis e por os induzir em tão grosseiros erros a escassos dias do voto.

 

No fundo nada disto admira, até porque o presidente do CIS, José Félix Tezanos, é militante socialista.

Apetece concluir: a falta de vergonha, no país vizinho, consegue ser ainda maior do que por cá.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.11.19

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A Desonra de D. Afonso VI, de João Sousa Correia

Romance histórico

(edição Clube do Autor, 2019)

" Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 12.11.19

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Ana Vidal: «Diz-se que há quatro sexos em Bangkok: as mulheres e os homens ditos “normais”, os Lady boys (homens que se apresentam e agem como mulheres, mesmo durante o dia) e as Tom girls (o inverso: mulheres transformadas em homens, no aspecto e nas atitudes). Para além das fachadas, também uma cirurgia de mudança de sexo custa uns míseros dois mil euros, pelo que a moda está em franco crescimento.»

 

João Carvalho: «Algumas belas composições dos Beatles são hinos às suas memórias comuns, laços assumidos com o seu lugar de origem. Com eles, a velhinha e obscura Liverpool como que nasceu para uma nova vida.»

 

Paulo Gorjão: «Desde a entrada na UE em 1986 que Portugal viveu um sonho. Um sonho que se começou a desmoronar quase de imediato, com a queda do Muro de Berlim, embora na altura não se tivesse consciência do seu impacto. Goradas as expectativas, pelo menos em parte, temos vindo a ajustar-nos à dura realidade. Como sempre acontece, a euforia deu lugar ao pessimismo. Agora, porém, começa a emergir uma política externa mais equilibrada.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Havendo sempre quem encontre na "política à portuguesa" ou nas decisões judiciais uma razão para tudo, até mesmo para a infâmia, esquecendo-se que a ética não é judicialmente sindicável, só vejo motivo para concluir que o PSD goza de dois pesos para uma amplíssima gama de medidas.»

 

Teresa Ribeiro: «Despiu-se num ápice. Escolheu a branca, de colarinho inglês. Estava perfeita e ficava-lhe realmente bem. Sorriu, cúmplice, para o  espelho. Às vezes bastava um olhar fugaz e retemperador sobre si próprio para recuperar o bom humor.»

 

Eu: «Não conheço nenhum outro director-geral que consiga ter mais protagonismo mediático do que quem detém a respectiva pasta ministerial. Percebo que a contínua exposição de Francisco George até seja útil a Ana Jorge, permitindo-lhe poupar-se a algum desgaste no dia-a-dia. Mas é tempo de as hierarquias serem reavaliadas e de se fazer esta pergunta: se o actual director-geral é assim tão imprescindível no espaço público que tal ser promovido a ministro?»

Pensamento da semana

por João Campos, em 12.11.19

A internet tornou o ódio fácil, prático, cómodo e, acima de tudo, rentável.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (953)

por Pedro Correia, em 12.11.19

Abraços

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.11.19

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Os dias continuaram a passar. Hoje já será a Missa de Sétimo Dia, mas não será seguramente por esta celebração que se regressará à normalidade. Os rituais podem ter o valor que lhes quiserem atribuir, neste caso, para mim, não passará disso mesmo. Cumprir um ritual. Para a minha memória será impossível voltar a haver uma vida normal.

A morte é desde sempre e em quaisquer circunstâncias um momento difícil para todos aqueles cuja vida se escora numa relação saudável com os outros. A quebra de um elo numa dessas relações, por muito suave que se vá processando, terá sempre um momento de ruptura inevitável. Não mais se poderá restabelecer, remediar.

A separação é irreversível. Do outro lado já não vem qualquer resposta. Apenas um silêncio dilacerante. Não há mortes fáceis, não há preparação possível, apesar de poder admitir que para alguns a conformação construída na fé e a esperança na Ressurreição possam amenizar a dor, dando-lhes o conforto necessário para aceitarem essa fatalidade.

Eu sei que terei sempre a memória, a recordação do seu sorriso sempre sereno, da candura do seu olhar, da infinita bondade de cada gesto seu, do seu desprendimento da materialidade das coisas. Sobretudo da ternura que transmitia a todos que com ela contactavam, quaisquer que fossem as circunstâncias.

Mas nada, rigorosamente nada alivia a imensidão da dor, ou é capaz de diminuir a profundidade da fenda que se abre e por onde nos vemos desesperadamente cair, apenas sentido a vertigem do vazio, sabendo que não há regresso e que por aqui teremos de continuar, quantas vezes percorrendo caminhos que diariamente vão perdendo sentido. Até que também chegue a nossa vez.

É nestes momentos que as minhas dúvidas aumentam. De certa forma é-me inconcebível que o genial Criador, que a tudo deu forma, equilíbrio e sentido, colocando-nos nesta ínfima parte que habitamos de um Universo incomensurável, tenha resolvido o problema da morte sem curar da dor.

Para os crentes, que como ela consagram a vida aos outros, a partida é apenas o início de um outro percurso que os conduzirá à Eternidade, a um mundo paradisíaco e libertador, onde o Senhor os acolherá. Compreendo por isso mesmo que para esses, a perspectiva em que foram criados e educados os prepare e os faça aceitar a sua própria partida com esperança. Não sei se será mesmo assim; não me custa acreditar que sim. Nunca conheci ninguém que racionalmente tivesse estado do outro lado e que regressasse para me contar. Para me fazer acreditar. Para que eu pudesse ter uma outra fé.

Mas isso ainda será o menos. Só ao desconhecido é possível dar o benefício da dúvida, e por aí não tenho problemas em aceitar a visão de quem, como ela, tão convictamente, acreditava. Muito mais difícil será poder aceitar a existência desse Deus misericordioso perante o sofrimento inaudito, perante a dor dos que ficam. Como aquele que agora ali fica, aos 101 anos, perguntando-me "e agora o que vai ser de mim", ao fim de quase sessenta anos de amor, amizade, apoio mútuo, companheirismo. Como se eu estivesse em condições de lhe dizer alguma coisa, de lhe dar resposta às inquietações que o assolam.

De uma forma ou de outra todos sentimos a dor nas mais variadas circunstâncias desta vida que nos deram, e por onde vamos seguindo com maior ou menor dificuldade. Levamos a vida convencidos, e a convencermo-nos e aos outros, de que a dor é uma espécie de onda que vai e vem, e que de uma forma ou de outra acabará por passar. Bastará esperar. Esperar não custa, ouço dizer.

A mim, a dor custou-me sempre imenso. E nunca passou. E se não passou antes, pior seria agora. Eu já temia o dia de hoje.

Gostava que fosse de outro modo. Por mais que me esforce não consigo. Não se trata de um problema de fé quando se está perante uma evidência. Talvez se eu fosse um ateu convicto, não daqueles que fingem ser e acabam rezando às escondidas quando começa a relampejar, me fosse mais fácil perceber as coisas. Aceitar a dor, conformar-me com a partida de quem tanto amei e venerei em vida, de quem tanto deu, muito para lá dos limites do imaginável, não só a mim, a todos. Muitos deles desconhecidos.

Há muito que me resignara à ausência daquele bolo de S. Vicente que só ela sabia fazer, dos brownies genuínos, elásticos, quase espalmados, do seu arroz doce ou do pudim de pão. Nada disso era importante à medida que a sentia mais cansada. Não se lhe ouvia uma queixa, um lamento, um ai. Raramente lhe vi uma lágrima disfarçada escorrer pelo canto do olho.

Sentia-se-lhe sempre a tristeza, a desilusão, a decepção profunda perante a partida de alguém querido, que para ela eram todos, nas mais inesperadas circunstâncias, mas logo depois se refugiava resignada na sua própria dor e na devoção a Santo António. Até quando, apesar do esforço vão, repetia movimentos labiais tentando articular algumas palavras, para acabar ingloriamente por desistir sem que nós a compreendêssemos, uma vez conformada à sua sorte, ainda assim sempre feliz, sorrindo, quando nos via chegar. Porque tinha de ser assim, porque o Senhor sabia quando era chegada a hora de cada um, e a nós, simples terrenos e fiéis, só havia que aceitar. E continuar.

E ela continuou, a vida toda, sempre fazendo o que sempre soube quando as faculdades e as forças começaram a trair-lhe as rotinas. A mostrar aquele sorriso imensamente acolhedor, espalhando a ternura de sempre a quem chegava, fosse a quem diariamente cuidava dela, a quem arribasse para a visitar, ou a quem de muito longe lhe quisesse dizer algumas palavras através de um telemóvel, como tantas vezes eu fazia dos lugares longínquos para onde ia na minha ânsia de correr mundo. Sorriso aberto, são, quando via os filhos, os netos ou os sobrinhos chegarem, os amigos dela e os dos filhos, por vezes ainda meros conhecidos, semicerrando os olhos quando eu entrava e a beijava, para logo depois os abrir num largo, intenso, mas sempre sereno olhar de satisfação e permanente agradecimento, como se estivesse sempre em dívida para com o bem que lhe faziam. Como se ela precisasse de alguma vez agradecer alguma coisa nesta vida. Mostrando em todos os momentos uma razão para a generosidade, para a silenciosa bondade dos gestos que nos aproximam e nos confortam.   

Tudo isso agora acabou. Quem cá fica e teve o privilégio de conhecê-la e de com ela conviver em todos os caminhos e lugares que percorreu recordá-la-á por aquele misto de doçura, ingenuidade e bondade que nos desarmava, penetrava e dilacerava ao fazer-nos ver a grandeza do seu altruísmo, da sua entrega generosa e permanente, mesmo quando nos recriminava por algo que disséramos ou que em seu entender ficara por fazer.

Dei-lhe sempre tudo o que pude, incapaz de poder retribuir-lhe o tanto que me proporcionou, e que tantas vezes me encheu a alma, me emocionou, me fez sentir o quanto me deu para me fazer sorrir, me confortar.

Quando hoje olho para trás e vejo o seu legado sinto-me imensamente pequenino. Como quando me abraçava e aconchegava junto a si. E de outro modo não poderia ser. Porque foi assim a vida toda. Até no momento em que a perdi. Há dias.

Talvez seja, então, essa a razão para que só me venham à cabeça as palavras de Borges, ainda mais quando choro confrontado com o inconformismo da sua ausência e a dimensão de uma dor de que esse vosso Deus se esqueceu de cuidar no momento da criação.

Só a simplicidade da palavra do imortal Borges pode trazer um módico de justiça à sua memória. Depois de tudo o que recordo e vivi, da Mélita, minha Mãe, como tão bem o Drummond me recordou e confortou pela generosidade do Pedro, direi tão só o que um dia o grande Borges escreveu sobre a sua querida Buenos Aires: “tenho-a por tão eterna como o ar e como a água”.

Porque eternos também foram, e continuarão a ser, até ao dia em que a mim também me levarem, quem sabe se para ao pé dela, os abraços que a Mélita me deu.

O aprendiz de feiticeiro

por Pedro Correia, em 11.11.19

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1

Pedro Sánchez sai das urnas mais fragilizado do que havia saído há seis meses, nas legislativas espanholas de 28 de Abril. Tendo ascendido ao poder por uma votação parlamentar negativa, em Junho de 2018, foi incapaz de transformar essa soma conjuntural que o impulsionou para o Palácio da Moncloa numa coligação governamental - experiência aliás inédita no país vizinho desde a guerra civil, terminada há 80 anos.

O líder socialista, chefe do Executivo em exercício que continua a governar com o orçamento do seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy, apostou tudo em novas eleições legislativas, fazendo os espanhóis regressar às assembleias de voto. Foram cálculos egoístas, que levaram em conta o básico interesse partidário em vez do interesse nacional: Sánchez nunca pretendeu gerar consensos para a formação de uma maioria sólida e contava com trunfos acessórios - a sentença condenatória do Supremo Tribunal sobre os líderes separatistas da Catalunha e a exumação dos restos mortais de Francisco Franco - para crescer em votos e mandatos.

Afinal, nem uma coisa nem outra: este tacticismo de vistas curtas só deu fôlego às franjas mais radicais do independentismo catalão e ao nacionalismo identitário e populista, entrincheirado no Vox.

 

2

Se era difícil governar Espanha em Abril, mais difícil se tornará a partir daqui. Com o seu irresponsável aventureirismo, Sánchez sai agora das urnas com menos 0,7% (baixou para 28%) e menos três deputados no Congresso (tem só 120 em 350). Perdeu a maioria absoluta no Senado, deixou fugir mais de 800 mil eleitores e encontra agora um parlamento muito mais pulverizado e tribalizado. As forças soberanistas e regionalistas, somadas, passam a ter 40 assentos parlamentares - equivalendo ao quarto maior bloco no Congresso de Deputados.

Imediatamente à sua esquerda e à sua direita, encontrará partidos mais debilitados. O Podemos (socialista revolucionário) recua: tem menos sete deputados, menos 2,2% - representa agora só 9,8% dos eleitores - e menos 800 mil votos. O Cidadãos (centrista liberal) sofre uma hecatombe: baixa de 15,9% para 6,8%, vê o grupo parlamentar reduzido de 57 para 10 lugares e perde 2,5 milhões de eleitores nestes seis meses.

Enquanto o Partido Popular progride (cresce de 16,7% para 20,9%, atrai mais 700 mil eleitores, conquista 22 novos lugares no Congresso e outros 24 no Senado, recuperando 33% dos assentos parlamentares em relação a Abril) e o Vox ascende a terceira força política em Espanha, com mais cinco pontos percentuais (tem agora 15,1%), 52 deputados (mais 28) e 3,6 milhões de votos (um milhão acima do que obtivera no anterior escrutínio), tornando-se já o primeiro partido em Múrcia e Ceuta, enquanto regista um crescimento espectacular na chamada "cintura vermelha" de Madrid, que sempre votou à esquerda.

 

3

Mal chegou ao poder, Sánchez apressou-se a rumar à Catalunha para dar face ao líder separatista catalão Quim Torra, como se fosse seu homólogo, e no debate televisivo de há uma semana absteve-se de criticar o dirigente máximo do Vox, Santiago Abascal, na secreta esperança de que este travasse a progressão eleitoral do PP. Abriu a caixa de Pandora e terá de enfrentar as consequências - infelizmente com péssimas expectativas para o país, nosso principal parceiro comercial, numa altura em que a Comissão Europeia antevê um anémico crescimento económico espanhol para 2020: apenas 1,5%.

O jornal digital El Confidencial - o mais lido em Espanha - faz uma síntese perfeita neste título: «Uma Espanha ingovernável, sem centro e com Vox como terceira força». Cada vez mais se confirma: o tabuleiro político de longo prazo não é propício aos aprendizes de feiticeiro.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.11.19

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Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Romance

(reedição Companhia das Letras, 2019)

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Quinta dos animais

por José Meireles Graça, em 11.11.19

A partir de certo momento na infância, e em toda a adolescência, éramos seis irmãos à mesa. Não havia mimos para ninguém, muito menos fora das horas das refeições, e portanto nunca ninguém sofreu de falta de apetite. Pelo contrário: o que havia era alguma atenção, não fosse algum dos mais velhos apropriar-se indevidamente de mais do que a sua ração.

Com a estadia de um primo angolano largado pelos pais durante quatro dias em nossa casa, fiquei a saber coisas portentosas: o primo em questão, para comer, precisava que lhe contassem histórias, porque sofria de fastio; e com esse meritório propósito existia em Luanda uma empregada que, abençoada, tinha um jeito especial para ultrapassar a dificuldade, narrando ao menino coisas de espantar.

O primo, na primeira refeição, não comeu nada; e, esboçando um princípio de choraminguice porque queria um bifinho, recebeu, no silêncio geral, um olhar severo do meu Pai, que o transiu.

A cozinheira, a quem se dirigiu fora de horas, informou-o de que não se comia a não ser à mesa ou ao lanche; e que este consistia numa fatia de sêmea e um copo de leite.

Na segunda refeição talvez tenha debicado alguma coisa; e ao terceiro dia era um de nós.

Esta experiência, que me revelou aos seis anos que havia estranhos mundos muito diferentes do meu, foi complementada algum tempo depois com outra ainda mais exótica: havia mães que, doentes de ansiedade pelo pouco que os meninos estavam dispostos a comer, e esgotados os artifícios – só havia sobremesa se comesse a sopinha, eram só duas colheres, se não comesse não crescia, etc. etc. –  lembravam que havia no mundo muitos meninos pretos, coitadinhos, a morrer de fome. O argumento perturbou-me porque não percebia por que forma é que o que ficava nas travessas haveria de chegar aos pretinhos – o meu primeiro livro era justamente sobre um menino que ia numa atribulada viagem de barco para África, e durava semanas.

O tempo explicou-me as coisas e acabei por perceber que acabar com a fome não depende de haver menos obesos, nem menos desperdício, mas da liberdade de comércio, das boas vias de comunicação e da gestão inteligente dos países. Dito de outro modo: em África, onde há fome sem guerra há governos corruptos e ineptos, quase sempre de esquerda porque foi a esquerda que patrocinou os movimentos de libertação.

Ou seja: a diminuição da abundância, ou da riqueza, de uns, não se traduz automaticamente no consolo de outros. E todavia:

Esta notícia ofende quem ache que os animais não são pessoas; e que é imoral que, no mesmo país em que tanta gente morre por falta de assistência médica tempestiva, se invistam milhões para prolongar a vida de cãezinhos e gatinhos.

Sempre tive cães, livres de entrarem e saírem de casa quando queiram, bem alimentados e tratados e, salvo no que toca a alguma disciplina básica de higiene e convívio, completamente deseducados. Mas nunca fui paizinho senão das minhas duas filhas; a lamechice de tratar os bichos como “filhos”, e a dona da casa como “mamã” dos bichos, suscita nojo; e a maneira correcta de tratar um animal em sofrimento, se a doença for incurável ou requerer dispendiosos e longos tratamentos, é abatê-lo sem sofrimento.

“A clínica abre agora ao público também com consultas de especialidade e meios de diagnóstico analíticos, radiologia convencional, ecografias e modalidades de reabilitação tais como electromioestimulação, magnetoterapia, ultrassons, terapias com laser e hidroterapia, entre outras, dedicadas a animais”.

Nem vou ver quantas câmaras hiperbáricas tem o país, que doenças tratam ao certo tais equipamentos, e de que montantes estamos a falar. E pode bem ser que esta loucura, se sustada, não se traduzisse em qualquer benefício, tal como a comida desaproveitada não alimenta ninguém.

Mas numa sociedade onde, entre consultas e cirurgias, há mais de 120.000 pessoas em lista de espera há mais de um ano; e onde as redes sociais estão pejadas de animais cuja etologia é ignorada, por ser substituída por antropomorfizações como se vivêssemos num filme de Disney: a notícia pode encher de regozijo os 166.000 votantes no PAN; mas de indignação os restantes.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 11.11.19

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João Carvalho: «Um tipo solitário tende a sentir-se isolado. E um tipo isolado ainda acaba por ser ministro – o que é coisa pouco recomendável, nos dias que correm, como se sabe.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Ando com a sensação de que a única coisa estável, duradoura e verdadeiramente importante que estes mais de 30 anos de democracia geraram foi uma associação criminosa, imensa e ramificada, que atravessa os principais partidos políticos e que assenta no Estado em conluio com os privados. Passa pelos gabinetes dos governos, pelos demais órgãos de soberania, pelos órgãos desconcentrados da administração pública, pelas empresas públicas, pelas autarquias locais.»

 

Leonor Barros: «A Geração Idiota pavoneia-se livro afora. Abrange indivíduos dos 15 aos 45 anos, o que não me deixou nada tranquila, e que se manifesta nas mais diversas áreas da vida: pessoal, profissional, no amor, no lazer, na educação, na relação com o dinheiro. Abundam os comportamentos desconexos, sem maneiras e imbecis.»

 

Luís M. Jorge: «A blogosfera, que começou por influenciar os jornais e os partidos políticos, é agora uma extensão dos partidos políticos e dos jornais. As centrais da posta dedicam cada vez mais recursos a abafar o pensamento crítico numa cacofonia de newspeak

 

Paulo Gorjão: «Às vezes confesso que ainda fico espantado com a duplicidade de critérios. Ainda me lembro do tumulto que houve recentemente com os emails do Público que foram parar ao DN. Neste caso houve quem estivesse preocupado em exclusivo com a forma ignorando por completo a relevância política ou o interesse público. Alguns são os mesmos que agora ignoram a forma -- escutas sem valor jurídico, divulgação em clara violação do segredo de justiça -- e acentuam a relevância política ou o interesse público das escutas a Armando Vara em que é apanhado José Sócrates. Moral da história? Os factos têm sempre pelo menos duas versões...»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Está visto que já não se pode "oferecer" aos amigos as codornizes há muito prometidas. Um tipo é logo fotografado com o saco das ditas e depois, enquanto o diabo esfrega um olho, vem tudo escarrapachado nos jornais. Triste país.»

 

Teresa Ribeiro: «Ao transpor a entrada daquele bar, sentiu-se despida. Já não tenho idade para isto, já não tenho idade para isto, repetia, metodicamente, obedecendo aos seus naturais impulsos autodestrutivos, tendência que conservava desde a adolescência e não tinha esperança de corrigir. Nada de contacto visual significativo com os poucos homens que não tinham companhia.»

 

Eu: «À esquerda, as presidenciais estão a servir para mobilizar os socialistas sem grande simpatia por Manuel Alegre, com destaque para os soaristas, que se apressam a lançar um nome alternativo: Jaime Gama. Precisamente numa altura em que o presidente da Assembleia da República - segunda figura na hierarquia do Estado, em termos protocolares - ganha protagonismo público com a sua recente iniciativa de impedir os deputados de poder fazer desdobramentos de bilhetes de avião e acumular créditos de milhas, como até agora acontecia - iniciativa que justificou aplauso unânime.»

Canções do século XXI (952)

por Pedro Correia, em 11.11.19

Temporariamente, frequentemente

por João Sousa, em 10.11.19

Hoje de manhã, por volta do meio-dia, estava este aviso num dos elevadores da estação de Metro do Chiado:

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Considerando a regularidade com que encontro aquele elevador avariado, nuns dias com aviso e noutros sem ele, acho que mais valia o Metropolitano de Lisboa passar a colocar um aviso apenas quando o elevador está a funcionar. Algo como: "Equipamento temporariamente em funcionamento".

Dois assassínios a sangue-frio

por Pedro Correia, em 10.11.19

 

O número de pessoas mortas pelos guardas fronteiriços de Berlim-Leste, quando pretendiam fugir para o Ocidente, não é totalmente conhecido. Há quem fale em 125, há quem garanta que foram 290 ou ainda mais. Mas sabe-se quem foi o primeiro e quem foi o último da longa lista de vítimas da ditadura comunista que ergueu o Muro de Berlim com 45 mil blocos de cimento armado e 302 torres de controlo numa extensão de 155 quilómetros.

É justo recordar-lhes os nomes neste 30.º aniversário do fim do mais sinistro símbolo da Guerra Fria.

O primeiro chamava-se Peter Fechter. Era um operário de 18 anos que ao princípio da tarde de 17 de Agosto de 1962 decidiu subir o Muro, perto do Checkpoint Charlie, na companhia de um amigo chamado Helmut. Não chegou ao cimo: foi alvejado com vários tiros que o fizeram cair. Gravemente ferido, gritou por socorro. Diversos transeuntes quiseram ajudá-lo, tendo sido dissuadidos pelos guardas fronteiriços que deixaram o jovem sangrar até à morte. Morreu cerca de uma hora depois, perante a dolorosa impotência de centenas de pessoas que testemunharam o episódio de ambos os lados da fronteira. Dos três guardas que alvejaram a sangue-frio este jovem desarmado, nenhum deles passou um só dia na prisão.

O último chamava-se Chris Gueffroy. Era um estudante de 20 anos que também na companhia de um amigo, chamado Christian, a 6 de Fevereiro de 1989 escalou a rede de arame farpado que fazia de fronteira entre Berlim Leste e Ocidental na zona do canal de Britz. Na véspera, um guarda fronteiriço assegurara-lhe que poderia passar para o Ocidente sem grande transtorno, pois havia novas instruções expressas, por parte do regime comunista, para não atirar a matar contra ninguém. A informação era falsa e Chris foi vítima dessa mentira: recebeu dez tiros, quando se encontrava já no topo do arame farpado, e ficou ali, agonizando até à morte. Cada um dos quatro guardas que o alvejaram recebeu um louvor e um prémio pecuniário de 150 marcos leste-alemães. Mais tarde, já após a reunificação da Alemanha, um deles viria a ser condenado a três anos e meio de prisão, sentença alterada para dois anos de prisão com pena suspensa.

Peter e Chris: dois jovens que pagaram com a vida por quererem rumar à liberdade.

 

Imagem de cima: Peter Fechter sangrando até à morte (17 de Agosto de 1962)

«Something is rotten in the state of Denmark»*

por Cristina Torrão, em 10.11.19

Quando se fala na compra da Gronelândia, por parte dos EUA, costumo rir-me, na convicção de que a Dinamarca nunca o irá permitir. Há dias, porém, vi um documentário televisivo num canal alemão que me transformou esse riso num sorriso amarelo.

A Dinamarca, um país que se considera civilizado, tem mais em comum com os EUA de Trump do que o que se poderia pensar. Perante os olhares perplexos dos cidadãos dinamarqueses e alemães, o país escandinavo constrói, desde o Verão, uma cerca de metal ao longo de toda a fronteira que separa os dois países.

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Imagem daqui

A fronteira entre a Alemanha e a Dinamarca tem uma extensão de apenas 70 km, uma estreita faixa de terra entre os Mares do Norte e Báltico. Com o pretexto de se protegerem da peste suína africana, os dinamarqueses procedem à construção de uma cerca de metal com 1,50 m de altura, obra orçada em 10 milhões de euros. Apenas as estradas com postos fronteiriços serão poupadas. O motivo alegado é recearem que os javalis vindos da Alemanha possam levar consigo o vírus da peste suína africana, apesar de a doença não existir no país da Sra. Merkel. Os dinamarqueses, porém, alegam que, no ano passado, a peste suína africana foi detectada na Bélgica, a apenas 60 km da fronteira alemã. E, pelos vistos, acham que mais vale prevenir do que remediar.

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Imagem daqui

A população local, tanto de um lado, como do outro, está perplexa e descontente. Afinal, estamos a falar da fronteira entre dois países da Comunidade Europeia. Além disso, no Norte da Alemanha vivem muitos dinamarqueses, assim como é numerosa a comunidade alemã no Sul da Dinamarca. A cerca está a ser construída em plena natureza, em locais por onde as pessoas passeavam livremente, sem se preocuparem em que país estavam. Principalmente os alemães, que festejam, nesta altura, os trinta anos da queda do muro de Berlim, mostram-se muito desiludidos.

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Imagem daqui

Muita gente duvida da razão apresentada pelos dinamarqueses. Também o Ministro da Agricultura e do Ambiente do Schleswig-Holstein (o Land alemão que faz fronteira com a Dinamarca) põe em causa o sentido e a necessidade da construção da cerca. Afinal, serão as próprias pessoas, não os javalis, quem mais contribui para a disseminação da peste suína africana, nomeadamente, através do transporte de animais e de rações e de excursões de caça, sem se verificarem medidas de higiene e segurança. Por isso, se desconfia que a Dinamarca pretende proteger-se de outros “perigos”. É sabido, por exemplo, que, desde 2015, entraram quase dois milhões de refugiados e migrantes na Alemanha. Ou tratar-se-á de outro motivo, desconhecido de todos (menos do governo dinamarquês, claro)? A falta de transparência é incompreensível e está aberta a especulação.

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Imagem daqui

Os jovens dos dois países têm protestado pacificamente, por exemplo, usando a cerca como rede de voleibol, onde a bola é jogada de um país para o outro, ou enfeitando a cerca com artefactos coloridos. Mas a sua construção continua. E eu começo a acreditar que não será assim tão difícil o governo dinamarquês entrar em acordo com o Trump...

 

*In Hamlet, William Shakespeare

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.11.19

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O Que Rasga o Céu, de Mafalda Damas Revés

Prefácio de José Vegar

Romance

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 10.11.19

Sou um apreciador de cinema, procurando manter-me actualizado sobre os filmes surgidos recentemente. Neste âmbito há um blogue que nos informa sobre os novos filmes e possui críticas excelentes sobre os mesmos. O split screen é, por isso, o blogue da semana.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 10.11.19

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Ana Vidal: «Faço a mala com a expectativa e a excitação que em mim sempre antecedem as grandes viagens, despindo do espírito todos os pesos e amarras para que fique a condizer com a roupa que levo: só algodões e linhos, tudo muito leve, fresco e cómodo. Vou para o longínquo Oriente - Tailândia e Camboja -  onde o calor não dá tréguas, apesar da estação seca que começa agora.»

 

Paulo Gorjão: «Não poderia de deixar de fazer referência ao livro infantil que acaba de ser publicado da minha amiga Suzana Ramos. A Suzana ganhou o prémio literário Maria Rosa Colaço em 2007 com esta história. Ao talento da escrita da Suzana juntou-se também o enorme talento nas ilustrações de Marta Neto. A edição é da Assírio & Alvim.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ao contrário do que dizia a canção, a revolução não está a passar por aqui. Ela passou e foi-se embora sem querer nada connosco. Agora é o caos que passa por nós. E isto já deixa de ser deprimente para se tornar uma fatalidade. Falar hoje do caos é falar de nós. Palavras para quê?»

 

Teresa Ribeiro: «Instalou-se a vê-los. Àquela distância confortável dava para topar tudo. Tudo, sibilou rancoroso, quase ameaçador. Sentia que os conhecia como a palma das suas mãos. Afinal o convívio era diário. Depois do jantar, antes da novela, estudava-lhes com desdém a pose, a desenvoltura, a qualidade do discurso. Gostava do cinismo que lhe inspiravam. De os olhar de través e sentir a acutilância a subir-lhe das profundezas, como que a levantar fervura. Mas sobretudo o que gostava mesmo era de os tratar por tu: És um merdas

 

Eu: «Um dos mais graves problemas que ameaçam corroer o sistema democrático português é a proliferação de actos de corrupção que envolvem titulares de cargos políticos e altos responsáveis de empresas públicas e da banca financeira. Este deve ser um sério motivo de preocupação: a corrupção generalizada pode fazer cair um regime. Qualquer regime, como bem se viu em Itália no início da década de 90.»

As duas Alemanhas

por Paulo Sousa, em 10.11.19

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Não sei se está publicado em português mas este The shortest history of Germany é um livro especialmete interessante para quem não se satisfaz com os chavões ditos e repetidos sempre que se fala da Alemanha e dos alemães.

Ao contrário do que se possa pensar, e especialmente nesta data em que se celebra a queda do Muro de Berlim, as duas Alemanhas não são um conceito do pós-guerra.

Os limites do império romano (limes germanicus), que correspondem às margens do Reno e do Danúbio, serviram no sec IX para demarcar a partilha de territórios entre os netos de Carlos Magno. Depois disso coincidiram com a divisão entre católicos e protestantes e mais tarde separaram os industriais dos junkers militaristas prussianos ávidos pelos impostos cobrados nos estados ocidentais. Apenas 17% dos residentes a oeste dessa linha votaram no partido Nazi em 1933, mas foram que eles suportaram o grosso do esforço financeiro da guerra. A fronteira entre a RDA e a RFA era mais próxima das margens do Elba, um pouco mais para leste desta linha histórica, mas no fundo a divisão entre wessi e ossi só acentuou a que existia muito antes do inicio da cortina de ferro.

Tal como no início da industrialização, actualmente as diferenças de produtividade são abissais entre este e oeste. A capital da reunifcação, Berlim, é prussiana e com 4,5 milhões de habitantes recebe mais fundos públicos que a Baviera com 12,5 milhões. As previsões de evolução demográfica até 2030 apontam para uma quebra igual ou superior a 10% da população nos estado a leste. O alemães ocidentais fazem piadas sobre isso. Qual a diferença entre um emigrante turco e um ossi? O turco fala alemão e trabalha. Porque é que os chineses andam contentes? Porque ainda têm o muro. Se a Europa pode ter um brexit porque é que a Alemanha não pode ter um Säxit (relativo à Saxónia)?

O autor ainda relaciona os mais recentes resultados eleitorais com estas duas partes da Alemanha e mais uma vez é no leste que os partidos radicais como o Die Linke, o AfD  e o NPD têm maior expressão. Simplificando algo complexo, na maior democracia liberal da Europa os partidos moderados são apoiados principalmente pelos estados da ex-RFA, maioritariamente católicos e é na região da ex-RDA que os extremistas têm mais expressão.

O muro caiu há 30 anos mas a divisão das duas Alemanhas tem mais de 1000.

Pensamento da semana

por Cristina Torrão, em 10.11.19

Não aprecio a frase: «a minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro». Pressupõe subserviência, implica que a liberdade do outro seja mais importante do que a minha. Ou seja: a liberdade do outro significa o fim da minha liberdade. E a minha não significa o fim da do outro? A liberdade do outro também acaba onde começa a minha? Ficamos num beco sem saída.

Prefiro considerar ser possível duas pessoas serem livres frente a frente, sem que nenhuma baixe a cabeça e sem que nenhuma deixe de ser livre. Prefiro falar de respeito, aceitar o valor do outro, vê-lo ao meu nível (nem acima, nem abaixo). E o respeito tem de ser mútuo. Não fazer, ou não dizer nada que possa ferir a dignidade do outro não é um corte à minha liberdade. A minha liberdade não acaba, apenas respeita. Por isso, prefiro dizer: «a minha liberdade respeita a dignidade do outro».

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (951)

por Pedro Correia, em 10.11.19

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