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19 Ministros e 50 Secretários de Estado

por João Sousa, em 27.10.19

Hacker: Who else is in this department?

Sir Humphrey: Well briefly, sir, I am the Permanent Under Secretary of State, known as the Permanent Secretary. Woolley here is your Principal Private Secretary. I too have a Principal Private Secretary and he is the Principal Private Secretary to the Permanent Secretary. Directly responsible to me are ten Deputy Secretaries, 87 Under Secretaries and 219 Assistant Secretaries. Directly responsible to the Principal Private Secretaries are plain Private Secretaries, and the Prime Minister will be appointing two Parliamentary Under-Secretaries and you will be appointing your own Parliamentary Private Secretary.

Hacker: Can they all type?

Sir Humphrey: None of us can type. Mrs Mackay types: she's the secretary.

Yes Minister, Série 1, Episódio 1

Dois (mais um)

por João Sousa, em 27.10.19

Vou lendo por aí que os membros do governo, ontem, viajaram em dois autocarros da Carris (com um terceiro de reserva) fretados para tal acção de propaganda. Para transportar tanta gente, imagino que os autocarros usados tenham sido deste modelo:

autocarro da tomada de posse

Blogue da semana

por Diogo Noivo, em 27.10.19

A escolha da semana não é uma novidade no DO, mas merece todo o (repetido) destaque. A agenda política internacional é cada vez mais omnipresente, não obstante o esforço de vários nacionalismos em resumir a existência social e política a fronteiras mais ou menos imaginadas. Aliás, dá-se o aparente paradoxo de muitos desses nacionalismos viveram à boleia de interesses globais de grandes potências. Quem queira perceber isto – e muito mais – pode contar com a voz informada, serena mas empenhada, do José Milhazes. O Da Rússia é, pois, o nosso blogue da semana.

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.10.19

«O separatismo é sempre revolucionário, seja de esquerda, seja de direita. Têm pó a tudo o que é Nação porque preferem o fascismo em micro-escala regional.

Quanto pior melhor. E depois preferem os Impérios (UE, leia-se) para a moedinha.»

 

Da nossa leitora Zazie. A propósito deste meu texto

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.10.19

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Granta, n.º 4 (cinema)

Revista semestral em língua portuguesa

(edição Tinta da China, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 27.10.19

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João Carvalho: «Para já, face à participação parlamentar feminina que resultou das recentes eleições, as coisas não estão brilhantes. A "lei da paridade" (eufemismo pelo qual é conhecida a lei da ménàge à trois que obriga a haver uma mulher para cada dois homens) afinal foi só fogacho. Como muito boa gente adivinhava, aliás.»

 

Paulo Gorjão: «Teologia à parte, a al-Qaeda bem que gostaria de recrutar o Pedro Picoito para as suas operações na Península Ibérica. A linguagem é a mesma. O combate entre o bem e o mal também. Estamos no domínio puro do irracional e da fé. Heresia: vou ali rezar cinco Pais Nossos e dez Avé Marias e volto já, se entretanto o Pedro Picoito não me excomungar. E como ele gostaria...»

 

Teresa Ribeiro: «Se há coisa que me encanita é ouvir católicos usar a expressão "cristãos" para designar unicamente a sua comunidade, como se não existissem mais cristãos debaixo do Sol. Esse tique começa pela própria hierarquia da Igreja, que devia, sobretudo nos tempos que correm, ter mais cuidado com a etiqueta relativamente a quem partilha a mesma, a mesmíssima religião, matriz de toda a cultura do Ocidente.»

 

Eu: «O PSD entrou já num acelerado processo eleitoral – mais um. E lá assistimos novamente ao desfile de notáveis que procuram por todos os meios condicionar a vontade dos militantes, em jeito de "asfixia democrática". São sempre os mesmos, que há largos anos têm contribuído alegremente para a perda de influência social e política do partido. Mas nem assim desistem.»

Pensamento da Semana

por Diogo Noivo, em 27.10.19

Inventar um passado etéreo, alertar para um presente de degenerescência nacional (identificando o inimigo responsável pela decadência) e ambicionar com fervor um porvir de regeneração da nação e do seu povo. Esta sequência, que a Ciência Política apelidou de "estrutura triática", está presente em todos os nacionalismos radicais com propósitos de mobilização social. Supreende que em 2019 ainda haja quem seja incapaz de a intuir e alinhe em delírios propagandisticos. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (937)

por Pedro Correia, em 27.10.19

Leituras

por Pedro Correia, em 26.10.19

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«Porque será que amamos? É verdadeiramente estranho ver neste mundo um único ser, ter na mente um único pensamento, no coração um único desejo e na boca um único nome: um nome que incessantemente ocorre, que brota como a água de uma fonte das profundezas da alma, que sobe aos lábios e que dizemos, que repetimos, que incessantemente murmuramos, por toda a parte, como uma oração.»

Guy de Maupassant, Contos Escolhidosp. 187

Ed. D. Quixote, Lisboa, 2017. Tradução de Pedro Tamen

Da falta de memória

por Pedro Correia, em 26.10.19

Leio hoje no Expresso, em peça muito destacada, que há a partir de agora três mulheres à frente de bancadas parlamentares -- «são as sucessoras de Manuela Ferreira Leite, a única mulher até agora líder de um grupo parlamentar, entre 2001 e 2002».

Erro factual grave. A primeira mulher que liderou um grupo parlamentar foi Maria José Nogueira Pinto, à frente da bancada do CDS entre 1997 e 1999.

Um erro que é consequência directa da galopante falta de memória nas redacções dos órgãos de informação. Ao contrário do que muitos imaginam, o mundo não começou anteontem.

Vinte e oito

por Pedro Correia, em 26.10.19

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Em Maio tomei a decisão de ler até ao fim do ano praticamente só livros de autores portugueses publicados no século XX. Para suprir enfim lacunas que há muito pretendia superar. E assim foi: nestes cinco meses, até ao momento, li ou reli 28 livros destes escritores (indico-os por ordem alfabética): Agustina Bessa-Luís, Almada Negreiros, Alves Redol, Aquilino Ribeiro, António Alçada Baptista, António Lobo Antunes, Eça de Queiroz, Fernando Assis Pacheco, Fernando Namora, Joaquim Paço d' Arcos, Jorge de Sena, José Cardoso Pires, José Rodrigues Miguéis, José Saramago, Manuel da Fonseca, Mário de Sá-Carneiro, Miguel Torga, Nuno Bragança, Raul Brandão, Rui Zink, Sophia de Mello Breyner Andresen, Tomaz de Figueiredo, Urbano Tavares Rodrigues e Vergílio Ferreira.

Livros de todas as décadas do século XX. De estilos muito diversos, reflectindo imaginários muito variados. Alguns de leitura penosa, reconheço: estive quase a abandonar dois deles a meio - um pela escrita incompetente e canhestra, de manifesta pobreza vocabular; outro pela ridícula profusão de adjectivos, em doses imoderadas e enjoativas. Mas o balanço, até ao momento, é largamente positivo: várias obras funcionaram para mim como revelação ou deslumbramento. Já falei de algumas, tenciono falar de outras. Hoje refiro-me apenas à mais recente, aliás uma releitura: A Noite e a Madrugada, de Fernando Namora.

Menciono-a porque estamos em 2019, ano do centenário do nascimento do autor de Domingo à Tarde, que tão maltratado tem sido post mortem. É uma injustiça que exige reparação. E só pode ser reparada lendo os livros que nos deixou.

 

«Raia de Espanha. Serranias azuis e violetas que se amaciam subitamente em olivais, campinas de trigo, planaltos de terra vermelha. Caminhos de estevas, de fragas, onde o perigo sai dos buracos e dos muros, ou caminhos melancolicamente guarnecidos de plátanos, abrindo clareiras na mata de pinheiros mansos, dum verde calmo e opulento, onde se escondem os celeiros das companhias agrícolas. Mas antes dos ganhões desempregados e dos contrabandistas de profissão chegarem a essas terras têm que atravessar os baldios do seu país. Para cá das faldas desabrigadas, com o rio Erges esmagado em granito e quartzo, o casario nasce dos moinhos afogados nas enxurradas, sobe penosamente as margens das ribeiras, agacha-se à sombra das rochas e espraia-se por fim em aldeolas mesquinhas. Depois vem a planície, triste como um descampado, devassada pelo vento de Espanha que satura o ar de poeira e solidão. Planície nua, crestada pelo sol que amadura as infindáveis searas de trigo.»

Boa prosa, sugestiva descrição de uma paisagem que nos marca para sempre. Português do melhor.

Namora não merece este esquecimento a que vem sendo votado. Urge revisitá-lo, começando precisamente por este magnífico romance a que em boa hora regressei.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.10.19

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A Sabedoria da Transformação, de Monja Coen

Auto-ajuda

(edição Planeta, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 26.10.19

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Ana Cláudia Vicente: «Quase no final do DocLisboa tive a oportunidade de ver Constantin e Elena, primeira longa realizada por Andrei Dascalescu, romeno que, ainda nos vintes, tem já folha de trabalho em montagem e sonorização. Um acaso bem-afortunado (o último filme de Coppola, rodado na sua terra natal) deu-lhe oportunidade de trabalhar durante mais de um ano com uma das suas grandes referências, Walter Murch. No final da experiência Andrei decidiu dar a Walter um obrigado em forma de tapete, acrescentando-lhe um pequeno rol de imagens dos dias da octogenária que o tecera. O veterano agradeceu, dizendo-lhe sem favor que o que ali tinha era um filme a haver.»

 

Leonor Barros: «Maria Odete saiu do hospital pelo seu pé, - velha não era e estava recuperada de algo que não se soube o que foi - e voltou à sua casa. Logo agora que já estava tudo tratado com o lar lamentaram os filhos Ó mãe, sente-se mesmo bem? Ó mãe, veja lá, parece que a vi cambalear… Maria Odete perguntou-se para que serviam os filhos afinal mais céleres a descartar-se dela do que em ir vê-la ao hospital, mais rápidos a arranjarem-lhe um lar do que a saber o que tinha. E a história da Maria Odete é esta. Apenas um dos rostos visíveis e apenas uma das Maria Odetes que outrora foram mulheres e mães e agora são apenas velhas descartáveis à mercê do egoísmo dos filhos.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A democracia é um exercício constante, a procura de um equilíbrio muitas vezes difícil de manter no vaivém dos debates e da guerrilha política, mas há alturas em que é fundamental que venham à superfície os valores que distinguem um exercício puramente formal de uma verdadeira democracia. O sucesso de um governo saído de eleições livres e democráticas virado para a resolução dos problemas do país será também o sucesso do país.»

 

Teresa Ribeiro: «Não é por acaso que John Malkovich é convidado frequentemente para fazer papéis de mau carácter, às vezes até de indivíduos cuja maldade já trilha os ínvios caminhos da patologia. Há qualquer coisa no seu facies que nos facilita a associação com o mal. Não o que identificamos com os vilões comuns, entenda-se, mas o mais sofisticado, próprio de seres requintados, de inteligência superior.»

 

Eu: «É confrangedor ouvir "analistas" políticos nas televisões debitarem banalidades do género "O Presidente e o primeiro-ministro estão preocupados com o desemprego", "cada pasta é uma pasta", "a uns vai correr bem, a outros não" e "vamos ver no que vai dar". Acabei de ouvir estas inanidades enquanto assistia à tomada de posse do segundo Governo Sócrates. Consegui manter o televisor ligado apesar de tais "analistas" que tudo fazem para convidar o espectador a sintonizar canais onde o comentário político está rigorosamente interdito por elementares motivos de sanidade mental.»

Canções do século XXI (936)

por Pedro Correia, em 26.10.19

A rábula

por jpt, em 25.10.19

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A rábula na Assembleia da República mostra mesmo o estado da criatura do eixo Barnabé/Jugular: está deslumbrada. Vai ser uma orgia demagoga. Ao princípio divertirá os beatos daquela sacristia. Depois até a esses cansará. Entretanto estes joanasamaraisdias distribuirão alguns financiamentos. E aparecerão na tv.

Para passar ainda melhor o dia

por Pedro Correia, em 25.10.19

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Não sei se convosco sucede o mesmo. Acontece-me, quando gosto muito de um livro que ando a ler ou de uma série que ando a acompanhar, retardar de propósito a leitura ou dividir em metade cada episódio da trama televisiva, sobrando o resto para a noite seguinte. Só para não me separar tão cedo dessas obras que me apaixonam, me comovem, me divertem ou me empolgam.

Por estes dias, vem-me acontecendo uma vez mais. Com uma série islandesa, intitulada em português Encurralados, exibida na RTP 2 e já na segunda temporada: excelente argumento, competentíssimas interpretações, magníficas paisagens naturais, atmosfera de filme negro em cenário de neve. E com o romance Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos, da polaca Olga Tokarczuk, recém-galardoada com o Nobel da Literatura. Uma surpreendente amálgama de thriller, comédia e ensaio político, como  justamente observou o jornal britânico The Guardian. Também com neve como cenário.

Gosto de chegar ao fim da tarde sabendo de antemão que lerei mais umas páginas deste livro e verei mais umas cenas desta série. É quanto basta para passar ainda melhor o dia.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.10.19

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Em Torno de Lopes-Graça, de Fausto Neves

Ensaio biográfico

(edição Página a Página, 2019)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 25.10.19

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Claudia Palacios

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 25.10.19

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João Carvalho: «Fazem tranças com as pernas. Entrelaçam-nas e deslaçam-nas, enroscam muito uma na outra, apertam-nas com força e tal. São precisamente estes exercícios do pernil que dão o nome ao grupo. As aflitas para ir-lá-fora apresentam programas muito longos, para nosso mal, e é por isso que se torcem tanto em cima dos saltos. Um dia destes, ainda acabam por fazer em directo pelas pernas abaixo...»

 

José Gomes André: «Não faço ideia se isto é obra de assessores bem posicionados ou simplesmente de mau jornalismo, mas nos últimos dias tem-se assistido a um verdadeiro regabofe opinador na imprensa. Notícias veiculadas pela comunicação social, da qual espero objectividade, imparcialidade e facticidade, parecem ceder a um achismo permanente, não justificando as afirmações apresentadas. Gabriel Silva dá aqui um excelente exemplo, num artigo no Público cheio de recadinhos e generalizações sem fundamento. Mas o Expresso vai pelo mesmo caminho.»

 

Eu: «Tem interesse arqueológico lembrar algumas Secretarias de Estado do VI Governo Provisório, liderado pelo vice-almirante José Baptista Pinheiro de Azevedo, que viria a celebrizar-se em Novembro de 1975 com a frase "Bardamerda pr'ó fascista", proferida da varanda do salão nobre do Palácio de São Bento: Recuperação Social (entregue ao social-democrata Menéres Pimentel, futuro Provedor de Justiça), Investimentos Públicos, Energia e Minas, Indústria Ligeira, Indústria Pesada, Fomento Agrário, Comércio Alimentar, Comércio Não Alimentar, Recursos Hídricos e Saneamento Básico, e Retornados (esta a cargo de Vasco Graça Moura). Outros tempos, outros nomes. Outro país.»

Canções do século XXI (935)

por Pedro Correia, em 25.10.19



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