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Cancro da Mama

por jpt, em 03.10.19

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[Cartaz da exposição* que decorre desde anteontem, 1.10, no Instituto Português de Oncologia do Porto. Página no Facebook, com as fotografias e os textos da exposição, estes últimos da autoria de artistas musicais e escritores. Grupo no Facebook aberto a quem queira escrever sobre as fotografias, sob o mote "movimento de empatia"]

No átrio da ala do cancro da mama, no I.P.O. do Porto, estão expostas dúzia e meia de fotografias. Os modelos são homem e mulheres que disso padecem. Sem rebuços, surgem com as suas amputações, como agora vão, mostrando-se na sua beleza, a de cada um, o quinhão dela que a cada um de nós coube, maior ou menor consoante quem nos vê e como nos olha. E na formosura da imensidão da força que denotam e da esperança com que nos reconfortam.

Propõe o projecto que cada um faça o seu "exercício de empatia" escrevendo algo - ou pensando algo, presumo eu. Hesito, procuro o tom, esse que poderá parecer adequado, o do sentimento, fraterno/amoroso, talvez aposto em vestes de requebros poéticos, abraçando com palavras o camarada homem, e sendo algo mais caloroso, até aprisionado pelo atrevimento próprio àquela toxicidade que agora vem sendo denunciável, com as camaradas mulheres. Assim louvando-lhes a coragem, celebrando-lhes a beleza, nada idealizada mas sim esta, óbvia, do tal qual estamos neste agora. Talvez até, distraindo-me, elevando uma ou outra, ou mesmo o conjunto, a arquétipo. Esse que falso, é óbvio, pois ali estão apenas indivíduos. Belos, corajosos. Desejáveis. Seguiria eu então para um ensaio (antropológico) sobre a constituição do desejo?, um poemaço romântico? uma narrativa erótica?, uma qualquer-coisa assim ficcionando sentimentos?

Mas eu não sou esse tipo. Pois vejo as fotografias e vivo outras histórias, menos poetizáveis, até menos narráveis. E é essa minha empatia, rude, descelebratória, que me ocorre. Pois surge-me Sousa, o cidadão presidente, no seu constante "somos os melhores do mundo". E concordo. Pois, dizem-me, somos nós, portugueses, os campeões europeus do divórcio com as mulheres com cancro da mama. Seguimos nº 1 do ranking,  mais de 60% ... Implacáveis seguimos, nisso competentes. Vem o cancro às nossas mulheres? Partimos para outras. Tratamentos? As unhas macilentas, quebradiços os dentes, corpos engordados com os químicos, ancas alargadas, nem um pêlo para amostra, da vagina à cabeça, que aos de abaixo pouco prezamos, olhos baços, e nem falo do medo, quantas vezes até desespero, dos padeceres que nem imagino, dos temores de desacompanhar os filhos, quando os há, tudo isso tão pouco apelativo? E ainda por cima cortam-lhes as nossas tão queridas mamas, a uma ou mesmo às duas? E ainda para mais arrancam-lhes o útero? Nisso tudo durante tempo mulheres sem desejos, vontades? Não foi isto que contratualizámos. Ficou danificada?, vamos para outras. Nisso, nessa mobilidade, nesse verdadeiro empreendedorismo, seguimos "Os melhores da Europa", competentes. E isto vai assim em todos os estratos, "acontece nas melhores famílias". E há bónus, não acaba aqui. Que há quem não se separe, que isto do divórcio empobrece - e de que maneira, como o afiançará quem por ele passa. E assim, conta quem sabe, tantas são as mulheres do cancro da mama, essas durante temporadas menos atreitas ao sexo, menos belas, e, se calhar pior do que tudo, menos airosas como fadas do lar, que às mágoas da doenças juntam as marcas das agressões, as dos "apenas" dichotes e as das verdadeiras pancadas dos extremosos maridos. E isto já não entra para o "ranking".

É esta a minha "empatia". Antipatizando, imenso, com o meu à volta. Compatriota.

*Fotografados / Textos: Telma Feio / Samuel Úria; Susana Neto / Fernando Ribeiro (Moonspell); Susana Cunha / The Legendary Tigerman; Sandra Gil / João Gil; Rute Vieira /  Rita Redshoes; Lourdes Pereira / Ricardo Ramos, Beatriz Rodrigues (The Dirty Coal Train); Paula Pereira / Jorge Benvinda, Nuno Figueiredo (Virgem Suta); Maria Maria / Olavo Bilac; Lucinda Maria Almeida / Jorge Palma; Ivete Oliveira / José Cid; Cristina Filipe Nogueira / António Bizarro; Carla Sofia Henriques / Alice Vieira; Ana Bee / Suzi Silva; Joana Barros / Ana Isabel Pereira; Agostinho Branco / Lena d'Água

 

Fora da caixa (21)

por Pedro Correia, em 03.10.19

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«Quero levar os portugueses a viver habitualmente.»

Salazar (1938) 

 

Não sei se mais alguém pensou como eu. Mas achei refrescante a intervenção da candidata do MRPP no debate organizado pela RTP com os representes dos pequenos partidos. Não pelas ideias, claro: são mais antigas do que o animatógrafo, a grafonola, o hidroavião e o zepelim. Mas pela sinceridade: vê-la defender abertamente o «modo de produção comunista» revela-nos, por contraste, até que ponto o PCP se tornou um partido reformista, longe de qualquer ideal revolucionário. Há quanto tempo não ouvimos Jerónimo de Sousa advogar os dogmas do marxismo-leninismo? É possível um partido verdadeiramente comunista votar quatro orçamentos de Estado em estrita obediência às normas do pacto de estabilidade e aplaudir a maior contracção do investimento público de que há memória na democracia portuguesa?

Há muito que o PCP deixou de amedrontar as "classes dominantes": tornou-se um partido fofo, respeitador da moral burguesa e dos bons costumes. Isto explica-se, em parte, por já não ser acossado pela defunta "esquerda radical" que se acoitava sob a bandeira do BE: Catarina Martins deu uma guinada ao Bloco, tornando-o um movimento "eco-socialista", quase pós-ideológico, new age. Por muito que isso incomode o professor Fernando Rosas, a "renegociação da dívida" e a saída de Portugal do sistema monetário europeu deixaram de figurar entre as proclamações bloquistas, agora mais embaladas por jazz de hotel do que pelos estridentes acordes d' A Internacional.

Música para os ouvidos de António Costa, que nestes quatro anos reduziu os partidos à sua esquerda a caricaturas de si próprios. Enquanto se encarregava de seduzir largas parcelas da classe média com duas percepções dominantes: contas certas e ordem nas ruas.

Esquerda radical neutralizada e direita sociológica despojada das principais bandeiras: eis o balanço político de quatro anos de "geringonça", eis o contributo de António Costa para sedimentar o regime instaurado com a Constituição de 1976, alterando-lhe o eixo dominante ao leme de um partido socialista que há muito deixou de o ser.

Os antigos pregoeiros da revolução andam hoje mais preocupados com a extinção das focas do que com a extinção da classe operária. E quem ainda sonhar com a revolução comunista pode sempre votar no MRPP.

 

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Perceber Tancos (II)

por Diogo Noivo, em 03.10.19

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A trama não se adensa muito, mas a lista de alucinados que vê no caso de Tancos uma encenação criada para prejudicar a geringonça e o PS não pára de crescer: Vasco Lourenço perpetrou mais um artigo de opinião e Pedro Abrunhosa – isto não se inventa – veio a terreiro afirmar que Tancos apenas serve para salvar a direita.

Naturalmente, sobre os crimes em apreço, sobre as declarações indecorosas de titulares de cargos públicos e sobre o fracasso do aparelho de segurança e defesa do Estado Lourenço e Abrunhosa nada têm a dizer.

 

ADENDA: Porque o absurdo do caso não conhece limites, esta semana soubemos que Azeredo Lopes não fazia ideia do que era um paiol quando assumiu funções de Ministro da Defesa Nacional. Portanto, não será exagerado assumir que, para o ex-Ministro, G3 seria a designação dada a um ponto erógeno.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.10.19

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 O Mistério da Boca do Inferno, de Fernando Pessoa

Organização de Steffen Dix

Correspondência e novela policial

(edição Tinta da China, 2019)

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Perguntas que gostava de fazer (4)

por Paulo Sousa, em 03.10.19

Prof. Marcelo,

Como é que gostava de ser lembrado no próximo regime?

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 03.10.19

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J. M. Coutinho Ribeiro: «Os lados conflituantes conversaram durante 45 minutos. E disse Sócrates que foi uma conversa "boa". E disse Cavaco também que sim, que a conversa foi "boa". Tudo na maior, portanto, o pessoal preocupou-se à toa, a conversa foi "boa". Coragem, meus amigos. E optimismo. Tudo como dantes. O país? Ora, que interessa isso, quando a conversa é "boa"? Por falar nisso: alguém a escutou?»

 

João Carvalho: «Para José Sócrates, é «uma grande notícia» que os irlandeses tenham maioritariamente dito 'sim' ao tratado pró-constitucional europeu, o chamado Tratado de Lisboa, nesta insistência do segundo referendo lançado por Dublin para o efeito. Sócrates declarou sem pestanejar que foi uma resposta «clara e livre». Se pestanejou, foi por se lembrar de que nos prometera também um referendo sobre o tratado e faltou à promessa.»

 

Paulo Gorjão: «O resultado em Lisboa é indiferente para o futuro de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD. Mais. O resultado do PSD nas autárquicas é irrelevante para o futuro de Ferreira Leite. Sejamos claros: a sua liderança terminou no dia 27 de Setembro. O resto são paliativos que não alteram o diagnóstico global. Utilizando uma imagem de Ferreira Leite, a vitória ou a derrota de Santana Lopes apenas altera os metros de profundidade em que o PSD se encontra. Não evita o afogamento. O afogamento ocorreu no dia 27 e é irreversível.»

 

Eu: «A 28 de Agosto [de 1939], Joachim von Ribbentrop - o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que viria a ser executado em 1946 por decisão do tribunal de Nuremberga - voara para Moscovo. E ali, após dois dias de negociações, fechou um acordo com os soviéticos, concedendo-lhes, em nome de Hitler, o domínio da Polónia do Leste e também da Lituânia. "Foi o próprio Estaline quem desenhou a nova fronteira no mapa, que em seguida assinou", escreve Martin Gilbert no seu livro, de 1080 páginas. Em troca, o ditador de Moscovo comprometia-se a fornecer à Alemanha 300 mil toneladas de petróleo por ano - promessa que cumpriu.»

Canções do século XXI (913)

por Pedro Correia, em 03.10.19

Palavras para recordar (53)

por Pedro Correia, em 02.10.19

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PEDRO SANTANA LOPES

Sol, 18 de Dezembro de 2009

«Uma pessoa pode sair de um partido. Grandes figuras do PSD já saíram e já voltaram. Eu, se sair, estou seguro de que não voltarei.»

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.10.19

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 Os Dias das Pequenas Coisas, de Sarah Affonso

Fotobiografia e ensaios de vários autores

(edição conjunta Tinta da China/Museu Nacional de Arte Contemporânea, 2019)

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Fora da caixa (20)

por Pedro Correia, em 02.10.19

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«Neste momento nenhum homem cava a terra. Daqui a pouco vai ser a terra a cavar o homem.»

Tino de Rans (anteontem, na RTP) 

 

Segue-se uma antologia sumária de frases proferidas no debate da televisão pública, segunda-feira à noite, pelos líderes dos partidos sem representação parlamentar que concorrem à Assembleia da República. São 15 - nada menos. Dez dos quais fundados nesta década e nove surgidos nos últimos cinco anos - pormenor que justifica alguma reflexão. Quando se diz que a política está em crise (sempre ouvi esta frase, tal como «o jornalismo está em crise», «o teatro está em crise», «o ensino está em crise», etc, etc.), ninguém diria ao ver os partidos multiplicarem-se como cogumelos.

Dois destes participantes não são líderes dos respectivos partidos: o Livre fez-se representar não pelo seu fundador e porta-voz, Rui Tavares, mas por Joacine Moreira, cabeça de lista por Lisboa; e o MRPP, decano dos partidos portugueses, esteve representado pela candidata Maria Cidália Guerreiro pois neste momento «não tem líder». A extrema-esquerda portuguesa já não é o que era: antigamente podiam faltar-lhes as bases, mas candidatos a líderes até sobravam...

 

Amândio Madaleno (Partido Trabalhista Português):

«Nós temos um símbolo que representa dois golfinhos à volta do povo a protegê-lo dos tubarões.»

 

André Ventura (Chega):

«Hoje temos 230 deputados. Uns estão a jogar no casino on line, outros estão a pintar unhas, outros estão a fazer o que lhes passa pela cabeça. Nós a pagar, sempre a pagar, os portugueses só servem para pagar.»

 

António Marinho Pinto (Partido Democrático Republicano):

«Se houver algum agricultor digno desse nome em Portugal, não votará PS depois das declarações que o primeiro-ministro fez que nos jantares oficiais, a partir de agora, só comem peixe e não comem carne. Se houver um agricultor digno desse nome, não vote no PS, que é o partido do oportunismo nestas eleições.»

 

Carlos Guimarães Pinto (Iniciativa Liberal):

«Eu estou na política há muito pouco tempo, não estou muito habituado a estas lides televisivas. Ainda para mais pertenco à mesma minoria que a Joacine: também gaguejo.»

 

Fernando Loureiro (Partido Unido dos Reformados e Pensionistas):

«Eu estava lá, com um grupo de quatro pessoas. Não temos mais, infelizmente. Os outros estão todos doentes.»

 

Filipe Sousa (Juntos Pelo Povo):

«Sou presidente de câmara há seis anos e não tenho motorista.»

 

Gil Garcia (Movimento Alternativa Socialista):

«Há praias que já desapareceram. Todo o nosso litoral pode ficar... algumas cidades podem ficar debaixo de água.»

 

Gonçalo Câmara Pereira (Partido Popular Monárquico):

«Ontem foi domingo, foi dia de eu ir à missa, estive com a família, que é a minha primeira preocupação. Como sou católico apostólico romano, fui à missa e passei o dia todo com a família. Fiz 45 anos de casado com a mesma mulher. Foi a minha campanha eleitoral: convencer a família a votar.»

 

Joacine Katar Moreira (Livre):

«Não é necessário nós estarmos no Executivo para nós identificarmos o que é útil e o que é urgente.»

 

José Pinto Coelho (Partido Nacional Renovador):

«Se não nascerem portugueses, Portugal acaba por morrer.»

 

Manuel Ramos (MPT - Partido da Terra):

«O aeroporto de Beja tem apenas um voo por semana actualmente. E tem as moscas, que vão lá também.»

 

Maria Cidália Guerreiro (MRPP-Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses):

«Nós apresentamo-nos com duas palavras significativas: por um novo rumo e por uma sociedade operária e comunista.»

 

Mendo Castro Henriques (Nós, Cidadãos):

«A nossa campanha não é dizer o que nós pensamos: é escutar o que nos dizem.»

 

Pedro Santana Lopes (Aliança):

«Criou-se em Portugal, depois da tróica, esta obsessão: mesmo quadros qualificados saem das universidades, vão ao primeiro emprego - 650, 700 euros, seja o que for... E as pessoas vão-se embora.»

 

Vitorino Silva (Reagir-Incluir-Reciclar):

«O homem é apenas uma espécie. O homem tem de se humildar. O homem pensa que é o dono disto tudo, mas não é. Temos de respeitar as outras espécies.»

 

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 02.10.19

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João Carvalho: «Júlio Verne foi um visionário de grande gabarito, como todos sabemos. Recordo-o aqui por me ter lembrado de uma das suas obras mais empolgantes: Sete Mil Lecas Submarinas. Actualmente, dá qualquer coisa como 34 milhões de euros (1 leca = 1 milhão de contos).»

 

Sérgio de Almeida Correia: «De repente chegou a calmaria. De ontem para hoje só houve sorrisos, conversas agradáveis, boas conversas, conversas profundas, conversas esclarecedoras e conversas úteis. Não sei se me está a escapar alguma coisa. Dir-se-ia que passou por lá um tornado. Cooperação estratégica, dizem eles. É só mais uma semana e pouco e volta tudo ao normal. Não desesperem. Os cínicos e os hipócritas também costumam ser pacientes.»

 

Teresa Ribeiro: «Nunca fui cavaquista, mas sempre o reconheci como um homem cujo principal activo era a sua integridade. Agora especula-se: será que ele nos andou a enganar durante 20 anos? Tenho dúvidas. O tecido da política é demasiado poroso para que tal seja possível. Não querendo desculpá-lo, parece-me cada vez mais que o que aconteceu foi uma trama urdida pela gente de quem se rodeou. Afinal Humphreys há muitos. Não foi por acaso que aquela série fez tanto sucesso quando passou. Diziam os políticos que a seguiam que retratava os bastidores da política tal como são.»

 

Eu: «Diabolizar o adversário, transformando-o numa espécie de monstro causador de todos os males, é uma péssima táctica política: ninguém é tão bom que consiga ser assim tão mau. Cavaco Silva ganhou eleições contra a esquerda por causa disso. Alguma direita sofre de amnésia crónica.»

Canções do século (912)

por Pedro Correia, em 02.10.19

Sobre a greve pelo clima

por Paulo Sousa, em 01.10.19

Com a devida vénia a estes senhores que vinte anos depois continuam actuais. Souberem captar o espírito dos estudantes e das suas motivações. Reparem só na letra:

Escola boa, escola má
Quem está livre, livre está
Passará, não passará
E quem não passa fica cá

Ficam cá os radicais
Violentos marginais
Que se baldam às propinas
E às provas globais

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação!
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Que nós estamos cá para...

Copiar o TPC,
Estudar livros de BD,
Decorar o pavilhão
P'ra festa da associação.

No pátio da C+S
Estudar nunca apetece
E no bar da faculdade
Vai-se o resto da vontade

E é uma fezada
A escola está fechada.
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Que entramos noutra dimensão

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Muita falta, muito estrilho
Muito chumbo, que sarilho
Já mandaram os postais
Para a reunião de pais

Bué da baldas, muita nega
Bué da Mega Drive da Sega
Entrei noutra dimensão
Bué da faltas, aulas não

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
Aulas é que não!

E é uma fezada
A escola está fechada
Hoje há manifestação
Aulas não! Aulas não!

E é p'ra palhaçada
A malta está animada
Pode vir a intervenção
E entramos noutra dimensão

Bué da baldas
Bué da baldas
Bué da baldas

Pra salvar o planeta
E às aulas baldar
Até escutamos a Greta
Ao Guterres ralhar

Foi de barco a bolinar
Veio de avião a planar
Para fuel poupar
E pró mundo não acabar

(modesta adenda em itálico deste fã dos Despe e SIga)

 

Como puderam?

por Pedro Correia, em 01.10.19

Cerca de 60 mil eleitores já votaram na eleição legislativa de 6 de Outubro, tendo optado pelo exercício antecipado desse direito.

Interrogo-me como puderam votar em consciência se não dispuseram do famigerado dia de reflexão.

Fora da caixa (19)

por Pedro Correia, em 01.10.19

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«Temos de libertar a comunicação social da tutela dos partidos políticos, sobretudo do cartel de partidos políticos dominantes na Assembleia da República.»

António Marinho Pinto, do Partido Democrático Republicano (ontem, na RTP) 

 

A RTP cumpriu ontem a sua vocação de serviço público. Dando voz aos chamados "pequenos partidos" que concorrem à eleição do próximo dia 6.

Eram 15, no total: recorde absoluto em debates deste género. Nada fácil de conduzir, numa emissão que durou mais de duas horas e esteve a cargo da jornalista Maria Flor Pedroso.

Uma emissão verdadeiramente democrática. Que juntou candidatos da extrema-direita (como José Pinto Coelho, do PNR) e da extrema-esquerda (como Cidália Guerreiro, do MRPP). Que pôs o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes (em representação da Aliança) ao lado do antigo calceteiro Tino de Rans (do novo partido RIR).

É vergonhoso que os canais privados de televisão - infestados de doutos comentadores que lançam anátemas ao sistema político e costumam criticar a perpetuação dos mesmos protagonistas na cena partidária portuguesa - tenham abdicado de organizar debates com partidos que não estão representados na Assembleia da República.

Apostar só no consagrado é assumir uma opção editorial de vistas curtas. E com manifesta falta de sensibilidade democrática. Lamento que Ricardo Costa (da SIC), Sérgio Figueiredo (da TVI) e Octávio Ribeiro (da CMTV) tenham sido incapazes de dar voz aos que falam e pensam de modo diferente. Ao menos por uma vez em quatro anos.

Fossem estes candidatos jogadores de futebol ou treinadores da bola e teriam todo o tempo e todo o espaço nos canais que aqueles jornalistas dirigem. Dá que pensar. Depois não venham pregar-nos sermões sobre défice democrático. Poupem-nos, ao menos, a tamanha hipocrisia.

Perceber Tancos

por Diogo Noivo, em 01.10.19

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O caso de Tancos resiste a qualquer esforço taxonómico. Tem um lado ridículo, de ópera bufa, demasiado absurdo para ser verdade. Tem ainda um outro lado, de total ausência de responsabilidade institucional, excessivamente gravoso para que tenha ocorrido num Estado de Direito democrático.

Olhamos para os factos demonstrados e custa a acreditar. Vemos a facilidade com que se entra clandestinamente em instalações militares para roubar armas e explosivos, facto ao qual se junta a pièce de résistance cómica: o material militar foi transportado num carrinho de mão por indivíduos com apodos artísticos como “O Fechaduras”, “O Pisca” e “O Caveirinha”. Nenhuma obra de ficção se atreveria a algo tão patético.

Percebemos também que houve uma operação de encobrimento do crime, o que sugere sofisticação e destreza típicas de um livro de Graham Greene, mas que na verdade foi de um amadorismo confrangedor.

Percebemos ainda que houve um ministro da Defesa mitómano e com sintomas de deslumbramento pelo poder que muito provavelmente deu cobertura activa ao espetáculo de vaudeville.

Percebemos agora que o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro, um apparatchik que nunca leu Orwell, estava ao corrente da situação. Optou por participar tacitamente no encobrimento, mas não se cobriu de vergonha quando o facto se tornou público: apresenta-se outra vez como candidato à Assembleia da República.

Por fim, estamos à espera de perceber se o Primeiro Ministro foi conivente, ou se simplesmente é possível que um esquema desta dimensão ocorra sem que o chefe do Governo se aperceba. Tanto a hipótese A como a B deveriam ter consequências sérias.

Como se tudo isto não bastasse, há um rol de alucinados, onde pontificam José Sócrates, Vasco Lourenço e uma parte do Partido Socialista, que no meio de tanta falta de decoro – para não falar na montanha de crimes – encontra em Tancos uma urdidura tecida para prejudicar a geringonça e o PS.

Isto não se inventa. 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.10.19

Resultado de imagem para O Livro dos Três Impostores Antígona

 

 A Arte de não Acreditar em Nada e Livro dos Três Impostores

Organização e prefácio de Raoul Vaneigem

Tradução de Manuel de Freitas

Opúsculos ateístas

(edição Antígona, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 01.10.19

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João Carvalho: «O responsável na Casa Branca pela segurança pessoal apresentou hoje a demissão a Barack Obama. Cheira-me que há uma rede de espionagem presidencial internacional.»

 

Jorge Assunção: «A sua ascensão política no PSD terá sido das poucas coisas boas que a liderança de Ferreira Leite deixa ao partido. Num partido com tantas derrotas eleitorais no passado recente, ter alguém que já demonstrou saber ganhar eleições é uma mais-valia. O PSD, nestes tempos difíceis e recheados de mediocridade, não se pode dar ao luxo de manter Paulo Rangel "exilado" em Bruxelas.»

 

Paulo Gorjão: «Em que partido terá votado Aníbal Cavaco Silva nas eleições legislativas?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O Presidente da República falou aos portugueses como quem cavaqueia num café com os amigos e não como um Chefe de Estado que se dirige à Nação, formulando perguntas ingénuas e de resposta óbvia, pouco consentâneas com a responsabilidade do cargo que ocupa e colocando-se num patamar onde é alvo fácil da crítica e do enxovalho.»

 

Eu: «A Constituição devia impedir o Presidente da República de fazer alocuções às oito da noite

Canções do século XXI (911)

por Pedro Correia, em 01.10.19

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