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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.09.19

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Sul, de Miguel Sousa Tavares

Viagens

(reedição Clube do Autor, 12.ª ed, 2019)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 03.09.19

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Ana Margarida Craveiro: «Dou a mão à palmatória; estava mesmo convencida que os programas de televisão se regiam por critérios de economia de mercado. Acabou-se o Jornal Nacional das sextas-feiras; confirma-se o ambiente de suspeição em relação ao longo braço deste governo PS. A relação deste PS com a democracia é cada vez problemática.»

 

Ana Vidal: «Surrealista, no mínimo, o primeiro debate televisivo para as legislativas: quase se falou mais das regras do próprio debate do que dos temas a debater.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Quem irá ser o próximo director de informação da TVI? Há, no meio, quem aponte para Emídio Rangel. Ora, se tal acontecer, passa o canal a ser liderado por um impenitente "socratista". E, aí, ficaremos completamente esclarecidos sobre a forma como este governo lida com a comunicação social. E sobre a forma como (alguma) comunicação social se deixa domar pelo poder. Lamentável, num caso e noutro.»

 

Jorge Assunção: «Santana Lopes nunca beneficiou da retórica da campanha negra, nem do benefício de dúvida, de que Sócrates parece beneficiar (comparem a quantidade de casos de um e do outro lado e eu arrisco-me a dizer: volta Santana que estás perdoado).»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Há marcas, etiquetas, que nos acompanham ao longo da vida. Por uma razão ou por outra mesmo quando deixamos de as ver elas insistem em reaparecer nas circunstâncias mais estapafúrdias. A "His Master's Voice" é uma delas. Já não sei há quanto tempo não compro um disco dela, mas o certo é que está sempre presente. Na política portuguesa e "à portuguesa", como dizia um conhecido opinador, ela é um must

 

Teresa Ribeiro: Se o caso TVI for o que parece, é muito grave. Por isso seria recomendável ponderação aos que desde a primeira hora e presumo que sem acesso a informação privilegiada decidiram que tudo isto não passa de uma sujeira da oposição. A verdade é que faz sentido suspeitar da suspensão em vésperas de eleições de um serviço noticioso que incomodava particularmente o primeiro ministro.»

 

Eu: «Pacheco Pereira preocupa-se com a falta de expressão da extrema-direita nos órgãos de comunicação social. Na Quadratura do Círculo, onde nunca existiu qualquer representante do PCP ou do Bloco de Esquerda.»

Canções do século XXI (883)

por Pedro Correia, em 03.09.19

... e é isto.

por João Sousa, em 02.09.19

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Desde pelo menos as cinco da tarde que um dos canais televisivos de informação vem apresentando, com regularidade, um programa onde cinco cavalheiros, sentados à volta de uma mesa, debatem ao minuto as peripécias deste último dia de transferências no futebol. Falam de jogadores contratados, recusados, dados, vendidos e emprestados - mas vendo o ar grave e concentrado daqueles cinco cavalheiros sentados à volta de uma mesa, pensar-se-ia estarem a comentar a invasão do Iraque.

Ridículo.

Da coerência

por Pedro Correia, em 02.09.19

 

19 de Junho de 2017, dramáticos fogos florestais em Pedrógão e outros concelhos do interior do país que provocaram 66 mortos e 254 feridos:

«Que venha a chuva. Bom dia.»

 

21 de Agosto de 2019, dramáticos fogos florestais na floresta amazónica:

«Amazónia a arder. Uma tragédia que tem responsáveis.»

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.09.19

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Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado

(reedição Bis, 2018)

"Este livro segue a ortografia anterior ao Novo Acordo"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 02.09.19

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Ana Vidal: «Tentei ontem explicar a uma incrédula australiana por que razão vivo, amo e ainda acredito num país onde a miséria vai ao ponto de idosos e deficientes profundos serem sequestrados e maltratados pela própria família para lhes sacar as paupérrimas pensões de alimentos, e apesar disso se consideram prioritários projectos megalómanos como o TGV. Tentei explicar-lhe que esse país pertence à Europa, e não ao terceiro mundo. E que é mesmo um país, e não o bairro de lata de Roma que serviu de cenário a Ettore Scola há mais de trinta anos. Tentei, mas não tenho a certeza de tê-la convencido.»

 

João Carvalho: «Ainda estou para saber o que é que as festanças de Kadhafi têm de tão atraente e importante, mas já deu para saber que Luís Amado devia ser ministro do Ambiente: se o ambiente for de festa, contem com ele. Portugal tem um ministro feliz.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Aos poucos vai ficando no ar a certeza de que a "politica de verdade" dará lugar à "política da treta". O líder regional do PSD falou para a sua gente. Ainda bem. A imprensa regional, em boa hora, fez o milagre da multiplicação dos momentos mediáticos. A José Sócrates basta-lhe ir vendo o filme. Os actores são de primeira água e não precisam de disfarçar. O cheiro é inebriante.»

 

Eu: «Chamberlain, que menos de um ano antes, ao assinar o acordo de Munique com Hitler, anunciara aos britânicos "a paz no nosso tempo", já não conheceria o mundo do pós-guerra: morreria amargurado, em Novembro de 1940, após ter cedido a liderança do Governo a Churchill: "Sinto-me como um homem que está a conduzir um autocarro desconjuntado, numa estrada estreita, às curvas, à beira de um precipício", confessou à irmã em carta de 27 de Agosto de 1939. Foi há 70 anos - como se tivesse sido apenas anteontem, no implacável e desconcertante calendário da História.»

Canções do século XXI (882)

por Pedro Correia, em 02.09.19

Leituras

por Pedro Correia, em 01.09.19

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«As palavras são volúveis. Vêm de contrabando, estabelecem-se, envelhecem, desaparecem. Às vezes morrem, outras vezes ficam adormecidas e são despertadas pelo beijo mágico de algum príncipe das letras, que pode ser um humilde jornalista. Pulsam, ecoam, modulam a sua própria ressonância. Reverberam, espalham reflexos para todo o lado. São rebeldes, desapertam as cordas, esgueiram-se das clausuras. São leves e aéreas. São pesadas como tanques. Abismam-se, ampliam-se, encolhem-se. Redimensionam-se. São como o deus grego Proteu, sempre a mudar de forma e mesmo de género ("mha senhor", dizia-se antes de "senhora" assumir o feminino).»

Mário de Carvalho, Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão (2014)p. 224

Ed. Porto Editora, 2015

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 01.09.19

 

«Estranha mania esta, muito nossa, de só vermos o alto quanto mais em baixo nos encontramos. Como se para tocarmos no cume necessitássemos do embalo do precipício. O sol radiante torna-se com o tempo ofuscante, entendiante. Necessitamos da trovoada, da noite cerrada para voltarmos a sentir a falta. A vida fácil entorpece, faz coxear a vontade. Olho, impassível, o horizonte em busca do tonitruante vulcão. Apenas quando só, e à beira do abismo, sinto a bicada da vida.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste texto do Luís Naves.

 

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«Se escrevesse hoje, provavelmente não teria quem o publicasse. E todavia, é em Aquilino que melhor se vê descrito o Portugal e os portugueses da primeira metade do século XX e, diria até, das idiossincrasias e atavismos que definem a nossa identidade colectiva e vão bem além dessas poucas décadas, tanto na direcção do passado como do futuro.
Lendo o seu post, recordei um trecho de Saramago que li há algumas semanas no Último Caderno de Lanzarote, onde se refere a Aquilino como "penhasco solitário e enorme, que irrompeu do chão no meio da álea principal da nossa florida e não raro delisquescente literatura da primeira metade do século". Depois continua reflectindo sobre a memória dos portugueses e de como o aparente esquecimento a que Aquilino parece votado é um sinal da abdicação colectiva das nossas referências culturais e da cedência a uma "pacóvia bebedeira de modernice", isto é, uma espécie de colonização cultural que nos levará ao esquecimento de nós mesmos, daquilo que nos define e condensa a nossa identidade.
As patrulhas a que se refere o Pedro são uma expressão deste processo, face visível e barulhenta, pregando a firmeza das suas certezas absolutas e, sobretudo, condenando a eito.
Valha-nos mestre Aquilino e outros mais para arejar a enxovia.»

 

Do nosso leitor PN Ferreira. A propósito deste meu texto.

 

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«Há mais ou menos 50 anos, eu andava frequentemente com as ovelhas dos meus tios, levava-as a pastar no passal. Era no período estival, quando estava de férias da escola. Todos os dias ao início da tarde, lá ia eu. E elas, um punhado de meia dúzia, lá ficavam todas próximas da matriarca, a única presa por uma corda a qualquer troço de milho cortado. Pouco tempo depois, começavam a berregar e eu, achando que elas já estariam saciadas e, farto de lá estar e de as ouvir, lá voltava para casa com o rebanho. A casa chegados, levavámos, eu e as ovelhas, uma corrida da minha tia dizendo que as ovelhas deveriam estar toda a tarde a comer e só aí sim, ficariam fartas. Lá voltávamos ao pasto. Outras vezes, e porque um miúdo não faz os nós bem firmes, quando eu me apercebia, já elas corriam pela calçada acima, atravessando a estrada nacional na curva da morte, e eu atrás delas sem olhar o trânsito, todos em direcção a casa. Nem sei bem, depois de todas as vezes que este episódio aconteceu, como é que ainda hoje estou vivo. Também não me lembro de alguma vez uma ovelha ter sido atropelada na curva da morte, mas por alguma razão bem macabra ela assim era chamada. Claro está que quando lá chegados, voltávamos todos para o campo, novamente estimulados pela rabecada de quem mandava. O tempo parava literalmente, quando eu estava com as ovelhas no passal, de tal forma que eu tinha tempo para tudo, tudo mesmo entenda-se, até para todo o tipo de disparates que um miúdo daquela idade é suposto fazer para crescer bem formado, inclusive para ter aprendido a fazer um relógio de sol, desenhado na terra e acertado hora a hora pelas badaladas da torre da igreja. Por isso é que eu hoje gosto muito de conviver com os ovídeos... no prato, de preferência, acompanhados de um bom Douro. Mas sim, parabéns pela aparente boa gestão do seu minifúndio.»

 

Do nosso leitor Vítor Augusto. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.09.19

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A Salvação de Wang-Fô e Outros Contos Orientais, de Marguerite Yourcenar

Tradução de Gaëtan Martins de Oliveira

(reedição Bis, 4.ªed, 2019)

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A visão estratégica e a capacidade de actuar num prazo alargado do regime autoritário chinês constituem a maior ameaça à liberdade do mundo ocidental.

A China é implacável na aniquilação da oposição interna e simultaneamente comporta-se nas relações internacionais de uma forma respeitável. Nestes tempos da caótica e imprevisível administração Trump, a ditadura chinesa chega por vezes a parecer o garante do multilateralismo.

Perante as inquestionáveis dificuldades que as democracias liberais atravessam, a aparente ordem e previsibilidade dos regimes autoritários consegue atrair simpatias. Uns sugerem que a democracia deveria ser suspensa por seis meses, outros chegam mesmo a suspender parlamentos. Pouco a pouco, o que há meia dúzia de anos seria impensável, já é um facto.

O sistema de crédito social chinês, que pune os cidadãos não conformes e premeia os restantes, constitui o mais sinistro sistema de controle de massas de que há memória.

Dezenas de milhares de chineses foram impedidos de adquirir bilhetes de comboio ou avião durante a celebração do ano novo chinês simplesmente porque, de uma forma ou de outra, tinham ultrapassado o limite que os donos da moral consideram que não pode ser pisado. Uns por terem sido críticos do regime, outros por terem sido desagradáveis durante uma viagem de comboio, por não pagaram um dívida ou por fizeram ruído no prédio fora de horas,... os desvios são punidos.

É sabido, embora desconhecido no detalhe, a dimensão do exército de fiscais do mundo virtual chinês. São conhecidas as dificuldades levantadas aos gigantes das novas tecnologias para terem acesso ao mercado chinês. Refiro-me à Google, Facebook, Amazon, etc. A questão resume-se a terem de ajustar as suas prácticas aos ditames dos donos da moral chinesa. Ou se flexiblizam ou perdem o acesso a um mercado de mais de mil milhões de consumidores.

São diversas as fontes que referem e descrevem em detalhe como tudo funciona assim como as consequências para os desalinhados.

Vem isto para enquadrar dois exemplos que passo a relatar.

i) Há poucos dias o Público veio-nos dizer que afinal talvez esse sistema não exista. A jornalista entrevistou alguém que por sua vez questionou alguns chineses que lhe disseram desconhecer ´essa coisa´, mas ... a ideia até lhes agrada por permitir livrar o país dos corruptos.

Ao ler isto cheira-me que alguém andou a fazer uma investigação sobre um assunto, mas já sabia a que conclusão iria chegar e isso poderá ter condicionado os dados que recolheu. Cheira-me a desinformação, talvez até involuntária, mas a desinformação.

ii) Não há muito tempo, na cavaqueira com alguém que tinha acabado de conhecer e que rapidamente entendi ter um profundo sentido da política, ouvi a enormidade de que a China tinha demasiada população para que alguma vez pudesse vir a ser uma democracia. Tive de lhe perguntar em quantos milhões é que ia esse limite, até porque a Índia que a médio prazo irá ultrapassar a China nessa variável tem uma democracia razoavelmente decente.

A conversa sofreu um pequeno e curto desvio mas pouco depois uma nova carta foi posta na mesa. O confucionismo, a base cultural chinesa, não era compatível com a democracia. Por desconhecer os pilares de tal doutrina não pude contra-argumentar e fiquei com a forte impressão que tinha assistido a um belo Ctrl+Alt+Del encapotado.

Logo depois começaram as anedotas sobre a coligação PAF. Essa gente, sim, era um hino à ditadura clerical de Salazar e uma ameaça à liberdade conquistada em Abril.

Todos estes assuntos foram abordados quase em sequência, de onde pude extrair que, para alguns pensadores da nossa esquerda, o regime chinês é aceitável e simultaneamente uma coligação da direita portuguesa pode ser uma sinistra ameaça. Chegamos a isto.

Julgo ser da natureza humana uma reacção relativamente frequente a que chamo o sindrome da esposa enganada (que também pode ser do marido). Há coisas em que não acreditamos simplesmente porque não queremos que sejam verdadeiras. Não as enfrentar é uma forma de negar que existam. Nada resolve, mas alivia.

Encontro traços deste fenómeno nos dois casos.

Para quem duvidar que se vão criando condições para um recuo efectivo no leque de liberdades que exigimos ao nossos regimes, pode ainda escutar com atenção o silêncio dos senhores e senhoras que se emocionam na parada do feriado de Abril. Fecham os olhos ao discursar, para esconder a emoção, mas continuam em silêncio perante o combate que se trava em Hong Kong. É nesta antiga colónia britânica que neste momento está localizada a fronteira da liberdade.

Esta fronteira da liberdade vai de tempos a tempos mudando de região. Há 80 anos - faz hoje 80 anos - essa combate travou-se na fronteira da Polónia invadida pelas tropas nazis. Ao longo dos seis longos anos da Segunda Guerra Mundial, a fronteira da liberdade sempre coincidiu com a linha da frente da batalha. Passou por El Alamein, pela Sicília, pelas linhas Gótica e Gustav, pela Normandia, pelas Ardenas até ao histórico aperto de mão no Elba. Foi mudando de região e desde 25 de Abril de 1974 até ao 25 de Novembro do ano seguinte andou pelos nossos lados. Actualmete está em Hong Kong. Será que alguma vez passará por Macau? Qual seria a a reação dos nossos governantes? Será que os eventuais dissidentes se fariam representar com a nossa bandeira, tal como o fazem com a Union Jack em Hong Kong? Num cenário hipotético como esse, poderia ser a nossa bandeira um possível símbolo da liberdade?

O mundo ocidental continua a ser o refúgio preferido dos dissidentes de todo o mundo, porque, apesar de já não ser a região mais poderosa do globo, continua na linha da frente na garantia das liberdades individuais.

Não temos pessoalmente nenhum mérito nisso (eu pelo menos não tenho!) mas apenas temos a sorte de por aqui ter nascido. Alguém no passado lutou por isso e nós somos os seus beneficiários líquidos.

Perante tudo isto concluo que existe espaço na opinião pública no mundo ocidental para uma efectiva redução do respeito pelas liberdades individuais.

Dia após dia, entre a aparente ordem das ditaduras e a imprevisibilidade quase caótica dos parlamentos, o apego à liberdade vai adquirindo uma plasticidade que não augura nada de bom.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 01.09.19

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João Carvalho: «Infelizmente, tornou-se comum a tragédia andar adiantada. Porque as autoridades, essas, têm sempre tudo previsto. Portugal é um país onde as coincidências não há meio de aprenderem a respeitar o calendário de quem manda.»

 

José Gomes André: «Parece que a TAP está quase falida. Do ponto de vista do utilizador, não surpreende. Atrasos sistemáticos nas partidas e chegadas. Poucos voos com tarifas promocionais. Preços exageradíssimos (sobretudo quando comparados com companhias low-cost). Refeições intragáveis. Serviços de bordo minimalistas. Entrega de bagagem lenta - quando não inexistente. Estavam à espera de quê?»

 

Eu: «A Europa é uma construção política demasiado frágil para podermos adormecer confiados em sonhos de paz perpétua. Não nos iludamos: este continente em que vivemos mantém feridas mal cicatrizadas, fronteiras mal definidas, conflitos de toda a natureza que poderão reacender-se a qualquer pretexto. Quem se gaba de a Europa ser a parcela mais "civilizada" do globo terrestre esquece que foi precisamente aqui que começaram as duas guerras mais sangrentas e devastadoras de todos os tempos. Saibamos interpretar os sinais da História.»

Entre os mais comentados

por Pedro Correia, em 01.09.19

Em 22 destaques feitos pelo Sapo em Agosto, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu 15 menções ao longo do mês.

 

Os textos foram estes, por ordem cronológica:

Ética em combustão acelerada (74 comentários, segundo mais comentado do dia)

Novas fogueiras na escuridão (70 comentários, terceiro mais comentado do dia) 

O regime na primeira página (32 comentários) 

Exímio a derrotar as distritais (32 comentários)  

Um governo fura-greves (64 comentários, terceiro mais comentado) 

Os filmes da minha vida (50) (48 comentários)   

Penso rápido (94) (38 comentários)

Fiel a si própria (57 comentários)   

Dois países dentro do País (40 comentários)  

Pensamento da semana (58 comentários) 

O "desvio de direita" do PCP (54 comentários, terceiro mais comentado)

Deus ex Google (34 comentários)

A compra da Gronelândia (39 comentários)  

Ecologistas da treta (24 comentários) 

O novo ópio do povo (42 comentários)   

 

Com um total de 706 comentários  nestes postais. Da autoria da Cristina Torrão, da Maria Dulce Fernandes, do Luís Menezes Leitão e de mim próprio.

Fica o agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

Blogue da semana

por Maria Dulce Fernandes, em 01.09.19

Viajo sempre que posso. Gosto de planear, conhecer, poder organizar um roteiro fora dos roteiros turísticos tradicionais.
Leio tudo o que posso. Dentre centenas de blogues de viagens, visito amiúde o Alma de Viajante, pela informação, pelo rigor explicativo e porque é sempre gratificante ler em português.

 

Pensamento da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.09.19

Lá fora chove intensamente. Cai o céu em mais uma noite de tempestade tropical. Relampeja e troveja quando, a propósito do admirável documentário de Bruce Weber, recordo o fabuloso Chet Baker e ouço Almost Blue.

Há sempre uma encruzilhada na vida de um homem normal. Talvez várias na vida de um homem que escape à mediania. Uma ou várias implicam escolher. Pode ser a decisão de dar ou não dar um beijo, o destino de uma paixão, a escolha de um amor (sim, o amor também é uma escolha). Para alguns a descoberta de uma vocação, por vezes a opção entre uma vida livre a sofrer ou uma do tipo vegetativa, rica e sem dramas. Com princípio, meio e fim, ignorando a dor, própria ou alheia.

Tirando aquela parte em que o entrevistador pergunta a Chet Baker qual terá sido o momento mais feliz da sua vida, cuja compreensão — digo eu, que não sou tão exagerado como ele ou Faulkner — só está ao alcance de um alfista(*), recordo aquele momento em que Baker, olhando para si próprio, diz o que aconselharia a um filho. Era mais ou menos isto: descobre o que queres ser, vai por ti, e depois procura ser um génio no que escolheste.

O problema é que nem todos têm o mesmo grau de loucura nas escolhas que fazem para atingirem a genialidade. E depois é preciso levar o resto da vida a conviver com isso. Uma chatice.

 

A diferença entre um homem e um génio está na sua dose de loucura.

E ser capaz de colocá-la ao serviço dos outros dando prazer a si próprio. Seja na literatura, na pintura, na música, na medicina, num artigo de jornal ou numa sala de audiências, sem nunca se esquecer que a genialidade só pode ser reconhecida se no meio de toda a loucura o génio ainda for capaz de realizar que vive em sociedade. E por causa dela.

Os outros tornam os génios menos infelizes quando reconhecem a sua loucura. Sem dizê-lo. E ao tirarem partido dela, em cada instante, ainda quando não o reconhecem, ajudam a prolongá-la. A realização do génio passa por trazê-lo até à nossa dimensão. Até à ignorância. É nisso que está a genialidade. E só os que humildemente o aceitam conseguem atingir esse estatuto. Almost Blue.

21539474_zKiM7[1].jpg(a foto tem direitos de autor)

 

(*) Contra tudo o que se poderia imaginar, Baker diz ter sido o momento em que guiou pela primeira vez o seu Alfa Romeo. Eu não vou tão longe, embora não possa deixar de sorrir.

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (881)

por Pedro Correia, em 01.09.19

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