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Perguntas que gostava de fazer (2)

por Paulo Sousa, em 16.09.19

Drª Catarina Martins,

Em tempos disse que o Syriza era a "possibilidade de esperança e de que na Europa se possa sorrir".
Poucos meses depois o governo de Alexis Tsipras usou gás lacrimógenio para dispersar uma manifestação de reformados.

Acha que o gás lacrimogénio faz sorrir?

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Férias em família

por Maria Dulce Fernandes, em 16.09.19

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Quando o meu neto nasceu, estava eu para sul. Apressado como tudo neste mundo açodado, apresentou-se uma semana mais cedo, embaralhando um bocado os planos a toda a gente.
Este ano, e pela primeira vez, decidimos levar a neta mais velha de férias para aliviar os futuros pais da grande pressão (e peso, e inchaço, e…) das esperanças.
A neta mais velha tem quatro anos, uma personalidade vincadíssima, o discurso de um político, uma imaginação espantosa e uma esperteza impressionante, já para não referir a memória auditiva, que armazena tudo o que capta e reproduz depois, tantas vezes fora de contexto, para nosso grande embaraço. Está decididamente na idade do não. Não vou. Não quero. Não faço. Não como. Difícil.
A ultima vez que fui de férias com uma criança pequena foi seguramente há mais de 20 anos, altura em que a mobilidade psicossomática ainda se encontrava no auge. Confesso que estou totalmente destreinada e que apesar de nunca ter sido grande pedagoga (o meu primeiro casamento, o pacto não de obrigação mas de dever que assinei com o trabalho, deixou-me sempre aquele amargo de boca de ser mãe em part time), tinha a firme convicção de que seria como andar de bicicleta… também nunca fui grande ciclista.
Após acurada pesquisa, decidimo-nos por um “resort" na nossa zona de eleição, conceito tendência, que tende a substituir o all inclusive, que por sua vez substituiu a pensão completa, muito em voga nas zonas balneares nos anos 60 da minha meninice.
Espaço bem aproveitado, com cerca de treze vilas, doze quartos ou suites por vila, restaurantes, restaurantes temáticos, bares, auditório, excelente animação diurna e nocturna a cargo do Chapitô, cinco piscinas e o Kids Club.
O Kids Club é um conceito giro para dar algum descanso aos pais ou avós com crianças. Algum descanso traduz-se, no meu entender, por um par de horas. Uma tarde, pontualmente, vá lá.
Eu que nunca fui uma mãe muito presente nem uma avó disponível, mas que sou galinha o suficiente para ser até considerada um tanto sufocante, não consigo entender o conceito de férias em família de quem deixa os filhos por conta de outrem desde que o espaço abre até que encerra, preocupando-se mais com a carta de bebidas à descrição, em aterrar numa espreguiçadeira, comer, beber e dormir, do que em saber se os filhos estão bem, quem os cuida, se se alimentam… Tal e qual largar um acessório enxovalhado na 5 a Sec e ir recolhê-lo no último minuto do expediente.
É a festa da vida levada ao exagero… que o vinho escorra pelas gargantas e a festa dure até às tantas. E mais duraria se não fosse imposto um contacto telefónico que obrigava os progenitores extremosos a irem levantar os rebentos descartados, bastas vezes horas depois do encerramento do espaço infantil.
Podem achar que são coisas de velha, concepções e juízos retrógrados, mas será que pode haver sossego se há cuidados? Pode, desde que exista uma noção clara dos direitos e dos deveres. Um filho é um bem precioso e não uma obrigação mensal, como a factura da luz. As crianças são cansativas, insanas e exasperantes? Sem dúvida, mas há lá melhor coisa nesta vida?

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Lavourada da semana

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Claramente, a depressão é um problema que a[c]tualmente aflige muito a direita política, como se constata com o aumento do número, da parte de autores dessa tendência política, de posts sem sentido, irracionalistas, ou sobre temas perfeitamente estúpidos.»

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.09.19

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As Batalhas do Caia, de Mário Cláudio

Romance

(reedição D. Quixote, 2.ª ed, 2019)

"O autor escreve com a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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80 anos de Sampaio no Público

por jpt, em 16.09.19

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O antigo presidente Jorge Sampaio cumpre 80 anos e o jornal "Público" dedicou-lhe bastante espaço. Grande entrevista, artigo encomiástico de um seu colaborador, inúmeros depoimentos de personalidades conhecidas. Eu simpatizo com Sampaio: esteve duas vezes em Moçambique, com elegância e competência. É um grande sportinguista (condição não suficiente mas que me impulsiona o apreço). Mas não é sobre ele que boto. É sobre o jornal. E sobre quem lá trabalha.

No café acabo de folhear o "Público". Leio em vigorosa diagonal as várias páginas sobre o antigo presidente da república, antigo presidente da câmara de Lisboa e antigo secretário-geral do PS. Não há uma única alusão ao momento crucial da sua presidência. Quando - no exercício dos seus legítimos poderes - demitiu um governo maioritário e abriu caminho à ascensão ao poder do seu sucessor no PS, José Sócrates. Não há uma única alusão a isso, repito. Nem uma única reflexão sobre o processo subsequente, de degenerescência do poder político. E da degenerescência do próprio PS, e da esmagadora maioria dos seus apoiantes (alguns dos quais são meus amigos reais e devem ler isto, sabendo, claro, do quanto os desprezo apesar da entristecida amizade que ainda lhes dedico), reduzidos a apoiantes nada envergonhados da roubalheira. A qual continua, neste incessante esforço de esconder e fazer esquecer a cumplicidade de todo o aparelho socialista e dos seus "companheiros de estrada" (e dos prostitutos a la Jugular) com a criminalização do Estado.

E o que temos agora, nas vésperas de mais umas eleições, controlado que já está o aparelho judicial, calados que estão os pequenos núcleos contestatários ou meramente analíticos na imprensa estatal (vejam o que aconteceu ao "Sexta às 9" na RTP, suspenso no período eleitoral pela nova direcção de informação, ali colocada - exactamente como Sócrates fazia com a imprensa toda - para controlar os danos da ladroagem do aparelho socialista)? O que temos agora? O jornal "Público" a fazer o frete ao PS, a produzir "amnésia organizada", a reforçá-la.

A propósito de Sampaio tudo o que haveria para saber sobre o "Público" e seus profissionais, e colaboradores cúmplices, está dito.

 

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Ana Vidal: «Estive hoje numa reunião curiosa: seis mulheres (de diversas idades) em volta de uma mesa, a discutir assuntos relativos a uma grande empresa do país. Metade delas pertencia à cúpula executiva dessa empresa. Homens? Só um, e por breves momentos: entrou silenciosamente, serviu cafés e águas e saiu da mesma forma discreta.»

 

João Carvalho: «Berço dos Beatles, Liverpool é uma cidade portuária que conservou através dos tempos uma imagem triste: húmida, sem vida nocturna, sem atracções, desinteressante e com um fraco comércio.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Irrita-me que me queriam enganar e acho incrível que depois daquilo que foi feito por Manuela Ferreira Leite como ministra das Finanças, que só não vendeu a Ponte 25 de Abril no e-Bay porque não pôde, e no actual contexto de crise europeia e mundial, ainda haja quem acredite que aquela alminha que ontem passou pelo Gato Fedorento seria capaz de fazer melhor no momento que atravessamos.»

 

Eu: «Por mais treinado que esteja o nosso olhar, podemos sempre equivocar-nos em relação às cidades, como em relação às pessoas. Mais do que uma questão de perspicácia, é uma questão de perspectiva. E de oportunidade.»

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Bênçãos terrenas

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.09.19

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Passaram uns dias antes que eu pudesse aqui voltar. Resolvi fazê-lo esta manhã, aproveitando uma pequena pausa nas minhas obrigações, em jeito como que de homenagem à Melita, que faz hoje 92 anos. 

Sei que a Melita não poderá ler este texto, não está em condições de poder fazê-lo porque as vicissitudes por que tem passado já não o permitem. Por vezes, a apatia sobrepõe-se ao sorriso, sereno e terno, que sempre está presente, em especial quando ouve a nossa, a minha, voz, e aproveitando a passagem de alguém por lá consegue vislumbrar e reconhecer quem lhe acena e fala de longe a partir da imagem de um telemóvel.

Em todo o caso, foi nela em quem pensei quando no passado dia 9 de Setembro, viajando entre Kumamoto e Fukuoka, li este texto que hoje aqui vos trago de Frei Bento Domingues.

Quem me conhece, e aqui ou ali me vai lendo, sabe quais são as minhas convicções. Nunca o escondi. Fui sempre transparente, mesmo em matéria religiosa, não confundido aquilo em que acredito com a fé e a religião que muitas vezes me querem servir.

Talvez por tudo isso tenha sentido de uma forma mais profunda as palavras do cronista do Público que, pese embora muitas vezes esteja nos meus antípodas, leio com agrado. E devoção. Seja pela forma generosa como se expõe, e à sua fé, como igualmente pelo convite à reflexão, à introspecção, e a um outro olhar para o mundo que nos rodeia. Frei Bento Domingues fá-lo com extrema elegância, sem nos querer impôr nada, entrando e saindo quase sem se dar por ele, deixando, no entanto, um rasto que nos leva a segui-lo e a olhar para as suas palavras com a atenção que o autor e os seus textos merecem.

Sei que a Melita gostaria de poder lê-lo. Talvez até admitisse discutir comigo alguma da fé que de um modo tão próprio, muitas vezes sem o referir, cultivou ao longo da vida e que tão esforçadamente me quis transmitir sem grande sucesso.

Espero poder voltar a vê-la e abraçá-la dentro de alguns dias, quando finalmente a reencontrar, para voltar a ter a ternura do seu olhar e a graça do seu conformado sorriso. Por tudo o quanto a vida lhe deu e lhe tirou, sem aviso e sem que nada tivesse feito para o merecer.

Enquanto isso não acontece, deixem-me que aqui partilhe algumas das palavras de Frei Bento Domingues, a quem desde já agradeço a generosidade de connosco ir partilhando a sua fé e as suas dúvidas:

"No mês de Agosto, ao ler e ouvir ler alguns textos do Antigo Testamento (AT), indicados para a celebração diária da missa, senti-me arrepiado perante o ódio que os inspirava. Apesar da sua beleza literária, eram insuportáveis: Iavé mata e manda matar.

Deixo, aqui,  alguns exemplos: "Atravessaste o Jordão e chegastes a Jericó. Combateram contra vós os homens de Jericó, os amorreus, os perizeus, os cananeus, os hititas, os guirgaseus, os heves e os jebuseus; mas Eu [Iavé] entreguei-os nas vossas mãos. Mandei diante de vós insectos venenosos que expulsaram os dois reis dos amorreus. Não foi com a vossa espada, nem com o vosso arco. Dei-vos, pois, uma terra que não lavrastes, cidades que não edificastes e que agora habitais, vinhas e oliveiras que não plantastes e de cujos frutos vos alimentais" (...)

"Jefté marchou contra os amonitas e travou combate contra eles: Iavé entregou-os nas suas mãos. Derrotou-os desde Aroer até às proximidades de Minit, tomando-lhes vinte cidades, e até Abel-Queramim; foi uma derrota muito grande; deste modo, os amonitas foram humilhados pelos filhos de Israel" (...)

Os filhos de Israel "abandonaram Iavé e adoraram Baal e os ídolos de Astarté. Inflamou-se a ira de Iavé contra Israel e entregou-os nas mãos dos salteadores que os espoliaram e vendeu-os aos inimigos que os rodeavam. Eles já não foram capazes de lhes resistir. Para onde quer que saíssem, pesava sobre eles a mão de Iavé como um flagelo, conforme lhes havia dito e jurado; e foi muito grande a sua angústia".

Com a entrada do mês de Setembro, parece que mudamos de Deus e de mundo. São textos tirados da tradição sapiencial. Frei Francolino Gonçalves, exegeta dominicano, membro da Comissão Bíblica Pontifícia e professor da Escola Bíblica de Jerusalém, faleceu há dois anos. Deixou-nos textos essenciais para ler a Bíblia com inteligência, para não cedermos a nenhuma espécie de fundamentalismo. Hoje, evoco um que aborda, precisamente, a distinção de dois iaveísmos. Diria, por conveniência fundada, que se trata de Iavé de Agosto diferente de Iavé de Setembro. O melhor, porém, abstraindo desta circunstância, é ouvir o próprio autor, mediante um fragmento de uma grande elaboração que pode ser lida, na íntegra, nos Cadernos ISTA acessíveis na Internet.

Na Bíblia, Deus não é apresentado só com uma pluralidade de nomes, mas também com uma multiplicidade de retratos. O que a Bíblia põe na boca de Deus, ou diz dele, sugere um grande número de imagens muito variadas, contrastadas e, nalguns casos, aparentemente contraditórias. A grande maoria é de uma grande beleza, mas também as há que são de uma notável fealdade, ou até assustadoras."

Francolino Gonçalves defendeu a ideia de que não devemos atribuir esse mundo bíblico apenas à corrente nacionalista, cujo centro é a eleição de Israel como povo de Deus e a aliança entre ambos. Já havia alguns autores que tinham discordado dessa amálgama. Segundo ele, os exegetas não prestaram a estas vozes discordantes a atenção que mereciam. A esmagadora maioria parece nem as ter ouvido. Por isso ficaram sem eco, não tendo chegado ao conhecimento dos teólogos, dos partores nem, por maioria de razão, do público cristão. As minhas pesquisas nesta matéria confirmaram, essencialmente, os resultados dos estudosque referi e, além disso, levaram-me a propor uma hipótese de interpretação do conjunto dos fenómenos religiosos do AT, que é nova. A meu ver, o AT documenta a existência de dois sistemas iaveístas diferentes: um fundamenta-se no mito da criação e o outro na história da relação de Iavé com Israel.

Simplificando, poderia chamar-se iaveísmo cósmico ao primeiro e iaveísmo histórico ao segundo. Contrariamente à opinião comum, a fé na criação não é um elemento recente, mas constitui a vaga de fundo do universo religioso do AT.

3. Dei a palavra a Francolino Gonçalves. Na homenagem internacional que lhe foi prestada, na Universidade de Lisboa e no Convento de S. Domingos, no passado mês de Maio, a questão dos dois sistemas iaveístas foi objecto de várias intervenções. Eu próprio, na homilia que me pediram, tentei mostrar o alcance pastoral desta distinção: quando um Deus se apresenta como tendo escolhido um povo, com o qual estabeleceu uma aliança, e este povo se considera o eleito, o povo de Deus, estamos perante um Deus nacionalista.

A causa de Deus e a causa da Nação passam a ser uma só, embora, de vez em quando, Deus manifeste que o povo depende dele, mas ele não depende do povo.

O nacionalismo continua a revelar-se como pouco recomendável para o bem da humanidade. Um nacionalismo divinizado é a peste das pestes."

Confesso que, passada uma semana, não posso deixar de estar de acordo com Frei Bento Domingues. Creio que a Melita também estaria se pudesse lê-lo. Como não pode, deixo aqui, com a devida vénia, este extracto da crónica.

Parabéns à Melita pelo seu aniversário. Parabéns a Frei Bento Domingues por nos ajudar a pensar e a ver melhor. A Melita e Frei Bento Domingues são duas bênçãos nos meus dias. Terrenas, evidentemente. Nem por isso menos divinas. E estou-lhes agradecido.

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Pensamento da semana

por Paulo Sousa, em 16.09.19

Que parte daquilo que somos seria igual se vivêssemos noutro tempo da história ou noutro sítio do mundo?

Será isso o verdadeiro "eu"?

 

Este pensamento acompanhará o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (896)

por Pedro Correia, em 16.09.19

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 15.09.19

Se há blogue de estimação, cá na da casa, é este. Desde os primeiros dias do DELITO. Falo por mim: aprecio a escrita da Joana - em particular os relatos das suas viagens, muito para lá da vulgata turística, e as suas evocações da geração de 60 e de pessoas que ela bem conheceu naqueles tempos que traziam a marca inequívoca do pioneirismo. Na política, na religião, na cultura, nos costumes. Na própria linguagem.

Entre as Brumas da Memória merece ser distinguido como nosso blogue da semana. Vai ficar aqui durante sete dias a acompanhar-nos ainda mais.

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Luís Serpa é veterano confrade bloguista, no Don Vivo. "Conhecemo-nos" pois cresceu em Moçambique e lia o ma-schamba, onde eu escrevia. Depois conhecemo-nos mesmo, ele foi gentil e apareceu na apresentação do livro do Zé Cabral, produzido por Alexandre Pomar, e ainda bebemos um vinho. E, hoje em dia, não me é um "amigo-FB" mas sim aqui companheiro por lá, em laiques e deslaiques, comentários "sim, senhor" ou "não tens razão nenhuma", forma de conversa continuada.

O homem é navegador, anda por esse mundo afora. Agora coligiu textos e vai publicar este livro. Fá-lo através da BookBuilders. Uma boa editora que produz belos livros - e que também editou o do nosso Delito de Opinião.

Para quem não conheça o método da BookBuilders aqui deixo resenha: o livro é proposto, e será publicado se houver um determinado número de compradores prévios durante um determinado período, que paguem os custos da edição. Caso não se consiga esse número o dinheiro é devolvido. Tudo via internet. Nada a ver com aquelas pérfidas "editoras" que abutram os pobres candidatos a autor, cobrando-lhes os custos da sua vontade, "demasiado humana?", em publicar. Por exemplo, no caso deste "Avenida da Liberdade, nº 1" do Luís Serpa, o custo antecipado do livro é de 13,90 euros. Para a sua publicação seria necessário haver 277 aquisições (e já houve 54 compradores).

Mas neste caso, especial, a edição já está assegurada. Em finais de Outubro o livro estará disponível, enviado por via postal para os compradores e apresentado nas livrarias. Ainda assim, e em vez de uma apresentação pública a posteriori, como é costume nestas coisas de livros, o inventivo autor organiza uma Sessão de promoção do livro «Avenida da Liberdade, n.º 1», para divulgação e "mobilização" de compra adiantada. E, decerto, para convívio. Será na próxima quinta-feira, dia 19 de Setembro, às 19 horas, no restaurante TodoMundo (Av. Duque de Loulé, 3, Lisboa - basta pressionar no nome que se obtêm todas as indicações, colocadas na página FB do local). Haverá leitura de textos, música. Há bar (e depois pode-se jantar no andar de cima, informa).

Estarei lá. Porque ele é confrade blogal. E porque é uma "personagem", mostra-o nos caminhos próprios que vem mostrando in-blog há década e meia. Porque tem uma boa prosa. Convido-vos. Para aparecerem (cultor que sou do convívio com um copo na mão). E/ou para comprarem/divulgarem o livro no descanso do vosso computador/lar.

Entretanto, e para aqueles que até têm algum interesse nestas iniciativas mas que acabam por "deixar passar", entre a azáfama da vida, o fastio da imensas solicitações e, para alguns (eu decerto), a fragilidade da conta bancária, deixo um argumento que julgo crucial: um tipo que envia um convite para uma iniciativa destas (ver abaixo), e em vez do horrível, ignorante e pateta termo "crowdfunding", que se disseminou qual pandemia de cretinismo, utiliza "financiamento colectivo" merece todo o nosso apoio. E, bem mais do que isso, toda a nossa curiosidade. Pois mostra que "temos homem".

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(E, falando comigo mesmo, raisparta, não deixo de ter inveja dele, pelo espírito de iniciativa que assim mostra. Resmungo-me que, in illo tempore, devia ter tentado a mesma coisa lá com aquelas coisas do ma-schamba ...).

Até quinta ..

 

 

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Fora da caixa (8)

por Pedro Correia, em 15.09.19

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«António Costa teve sempre um papel de procura da solução e não do problema.»

Jerónimo de Sousa, em entrevista à Lusa (24 de Agosto)

 

Com a mesma cadência a que regressam as andorinhas em cada Primavera, quando surge uma campanha eleitoral logo se erguem vozes a questionar a "ideologia" de alguns partidos.

Tudo normal. Estranho apenas nunca ouvir tais vozes começarem por suscitar dúvidas sobe a "ideologia" do Partido Comunista.

Se obedecesse ao ideário marxista-leninista, aplicado em vários países com os brilhantes resultados que sabemos, o PCP seria um partido de raiz revolucionária, adversário consequente da "democracia burguesa" e dos "interesses de classe" a ela associados. Mas tornou-se afinal um partido reformista, companheiro de estrada da social-democracia que noutros tempos costumava diabolizar com a sua inflamada retórica.

Nestes quatro anos, o partido da foice e do martelo viabilizou as "políticas de direita do governo PS" plasmadas em quatro orçamentos do Estado sujeitos à disciplina orçamental ditada por Bruxelas e ao menor investimento público de sempre na democracia portuguesa. Orçamentos que o PCP aprovou sem pestanejar: nunca mais lhe ouvimos um sussurro contra o malfadado "pacto de agressão" nem a firme exigência de "renegociação da dívida".

Insolitamente, ninguém questiona os dirigentes comunistas sobre os defuntos princípios sepultados numa esconsa gaveta dum obscuro gabinete na Rua Soeiro Pereira Gomes. Sinal dos tempos: hoje, no PCP, só a "paciência" é revolucionária.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.09.19

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Fernão de Magalhães e a Ave-do-Paraíso, de João Morgado

Consultoria histórica e prefácio de José Manuel Garcia

Romance histórico

(edição A Esfera dos Livros, 2019)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.09.19

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João Carvalho: «No regresso do Prós e Contras, os líderes dos mini-partidos procuraram desesperadamente encontrar os seus espaços. Não foi fácil: de cada vez que um tentava expor a sua visão – e com raras excepções – era quase certo que declarava estar "de acordo com o que disse o dr. Garcia Pereira" (Manuel Monteiro incluído). Pode assim concluir-se que, desta vez, quem ficou sem espaço para declarar o vencedor foram os analistas de serviço, pois o vencedor foi escolhido voluntariamente pelos adversários e com o programa ainda no ar: Garcia Pereira, por evidência e exclusão de partes.»

 

Paulo Gorjão: «A propósito do TGV, o PSD acusa José Sócrates de não defender o interesse nacional exactamente no quê? Na elaboração do traçado, se bem percebo, não é. É no cronograma de execução? Mas como, exactamente, é que Sócrates não defende(u) o interesse nacional? É outra coisa? O quê, muito concretamente?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A Lusa divulgou esta tarde uma notícia segundo a qual a líder do PSD andou em campanha pelo cidade e distrito de Santarém, acompanhada pelo cabeça-de-lista às legislativas, Pacheco Pereira. Enquanto isso, referiu a Lusa, o candidato do PSD à Câmara Municipal, Moita Flores, anda pela Suíça a visitar "fornos crematórios". Para lá do mau gosto desta visita, Moita Flores, que já disse em Agosto admitir votar PS nas legislativas, com a sua atitude volta a mostrar que prefere ir respirar outros ares, no caso alpinos, à companhia da dr.ª Manuela Ferreira Leite e de Pacheco Pereira.»

 

Eu: «O MRPP quer a "renegociação de todos os tratados e acordos" que vinculam Portugal à União Europeia. Carmelinda Pereira, do POUS, diz praticamente o mesmo de forma mais sintética: "Ruptura com esta UE!" José Pinto Coelho, do PNR, proclama: "A UE escraviza Portugal!" Ficando assim demonstrado que as diferenças entre a extrema-esquerda e a extrema-direita são mais ténues do que muitos imaginam.»

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Pensamento da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 15.09.19

"Os que querem enriquecer caem em tentação e numa armadilha, e em muitas paixões irracionais e nocivas, que mergulham as pessoas em ruína e perdição. Raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por causa do qual alguns, estendendo-lhe os braços, se desviaram da fé e se trespassaram a si mesmos com dores numerosas."

São Paulo, Primeira Epístola a Timóteo, 9-10

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (895)

por Pedro Correia, em 15.09.19

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CIP

por José Meireles Graça, em 14.09.19

A CIP é, invariavelmente, apresentada como representando os patrões. Sucede que nunca os representou nem os representa – muito menos agora, e desde há muito, que tem uma direcção bem comportadinha e perfeitamente integrada no sistema, isto é, no respeitinho do governo do dia e na ficção da concertação social, que tem dignidade constitucional e em cujo organismo tem assento com outras organizações de duvidosa representatividade e discutível utilidade.

Sobre a concertação social escrevi muito e sobre a CIP alguma coisa (quem tiver curiosidade que vá ver no meu blogue de origem), sempre em tons pouco lisonjeiros: a concertação não deveria existir noutro nível que não o das empresas, quando muito as do mesmo sector, ponto, e a CIP não deveria ser apresentada, nem fingir, como representando os patrões, nem ter outro papel na vida pública que não seja o de uma organização privada voluntária que, representando estritamente quem nela está inscrito, se alivia das doutrinas, dos estudos e das opiniões que defende.

Periodicamente, a CIP vem ao proscénio com um catálogo de reivindicações, e houve um tempo longínquo em que era uma voz de senso num mar de loucura – os muitos anos em que o país esteve a caminho do socialismo, primeiro, socialismo de rosto humano, depois, a Europa connosco, a seguir, e vários tipos de social-democracia durante e mais à frente.

Agora, está tudo muito bem, mas precisa de uns retoques, para crescer. O nosso país é lindo, o governo até que nem é mau, os portugueses são inexcedíveis, os empresários, então, em tendo os números de telefone certos, não há quem os segure. Mas, lá está, não chega. Ai!, que se os poderes públicos ligassem às mais de 80 medidas que a CIP anuncia, no texto para que remete o link acima, metíamos o turbo e, em vez de deslizarmos suavemente para o fundo da tabela dos rendimentos por cabeça por países da EU, como sucedeu com o garboso governo PS, iríamos fazer o senhor XI Jiping arregalar os olhos, enquanto comprava mais das nossas empresas, já não por razões geoestratégicas mas por serem um bom negócio.

A apresentação é no revulsivo paleio do empreendedorismo ecónomo-cavaquês: desafios do futuro, estratégia assente em vectores, motor da recuperação, foco nas Pessoas (assim, grafado com maiúscula), desafio da transformação digital, e o resto do palavreado sempre neste tom – Saraiva acha, e com ele a maioria dos economistas, que embrulhar a vacuidade e o asneirol neste dialecto reforça a credibilidade do discurso. Enfim, vamos às medidas (só algumas, que o documento não tem importância para mais do que um respigo).

A introdução, pedantemente intitulada “sumário executivo”, é um repositório actualizado do velho mantra da liberdade económica, e daí não decorreria nenhum mal – pelo contrário – se não viesse tingida de dirigismos sortidos, que estão a mais, e da denúncia tíbia dos constrangimentos que a impedem, que está a menos.

2.1 Desafios: É necessário mais investimento, indispensável à incorporação de inovação tecnológica nos produtos, nos serviços e nos processos.

Um ponto prévio: Isto não é um desafio (a economia não tem desafios, tem circunstâncias e oportunidades, umas negativas e outras positivas, desafio é coisa para concursos e jogos de futebol), é uma opinião e um objectivo. Mas quem tem de decidir se são necessários investimentos não é a CIP, são os empresários, e caso a caso.

As atuais dinâmicas do comércio e fluxos de investimento internacionais vão penalizar quem não é competitivo.

Siiim? Mas não foi sempre assim, as empresas que não são competitivas no ou nos mercados em que trabalham são penalizadas? E a CIP vê sinais seguros de que a liberalização do comércio internacional se vai aprofundar, e portanto que os fluxos de investimento vão crescer?

O nível de endividamento das empresas e os ainda elevados rácios de crédito em incumprimento dificultam ainda a capacidade de o sistema financeiro redirecionar o crédito para os setores produtivos.

Este palavreado limita-se a reproduzir acriticamente o discurso dos bancos, cuja gestão foi, em parte, responsável, na crise de 2008 e anos seguintes, por um penoso ajustamento, que entre nós ainda decorre. Os bancos foram salvos, e os seus gestores, os quadros, a parafernália administrativa, as práticas, as crenças, não foram beliscados seriamente, salvo casos contados. Quem perdeu foram os accionistas, mas, ao contrário do que sucede nas verdadeiras empresas (que não são, ao contrário dos bancos, instituições), a cultura empresarial dos responsáveis pelo descalabro não foi sancionada. Por razões que não cabe aqui explanar, dificilmente poderia ter sido de outra maneira, mas não é razoável ouvir gestores bancários como se estes fossem depositários de alguma espécie de lucidez em economia: não são, e há inclusive um incentivo perverso no sistema para premiar inimputáveis, teóricos, académicos e nulidades sortidas, com o denominador comum de todos serem pagos a peso de ouro.

Os bancos não financiam o sector produtivo porque a gestão é inepta, não sabe avaliar o risco, como foi abundantemente demonstrado, e continua a financiar actividades do sector de bens não-transacionáveis à boleia de garantias reais que desembocam em bolhas, o Estado, empresas públicas e grandes empresas com boas e obscuras alavancagens no tráfico de influências.

Só com as empresas, mediante a introdução de tecnologias inovadoras mais limpas, a aposta na economia circular, uma mobilidade mais amiga do ambiente, a promoção da eficiência energética e da transição gradual para energias renováveis, será possível alcançar desenvolvimento mais compatível com a sustentabilidade ambiental.

Todo este parágrafo é um indigno chorrilho de asneiras, traduzindo uma adesão acrítica a ideias da moda: as empresas não precisam de conselheiros, e ainda menos de normas, para a introdução de tecnologias mais “limpas” (isso é uma decorrência da evolução tecnológica e das exigências e preferências dos clientes); a economia circular não é mais do que treta redonda, não significa nada; a transição gradual para energias renováveis é, no estado actual do desenvolvimento científico e tecnológico, pouco mais do que um bordão propagandístico e um unicórnio económico; e o “desenvolvimento mais compatível com a sustentabilidade ambiental” tem lugar num acampamento do Bloco de Esquerda, num comício do PS, ou num artigo de opinião de um frade piolhoso obcecado com o ambiente – num catálogo de intenções de uma associação empresarial não.

1,6%  ꟷ Estas são as projeções de crescimento anual do PIB em 2020 e 2021. Trata-se de um resultado insuficiente para vencer os desafios identificados.

É insuficiente sim, não por causa dos “desafios” (essa qualificação parva tem o transparente propósito de fazer passar a ideia de que os empresários são uma espécie de condottieri que se expõe ao temor e reverência dos gentios) mas porque há nações, numa Europa que não cessa de perder lugares no mundo, que estavam, e já não estão, abaixo de Portugal no rendimento por cabeça, e porque quase todos os países da liga dos últimos crescem mais do que nós. E isso apenas porque têm mais liberdade económica, em particular na fiscalidade, e não por qualquer conjunto muito sofisticado de políticas públicas intervencionistas subtis.

Pessoas ꟷ O ser humano é, em qualquer circunstância, a base e o fundamento da intervenção dos decisores e responsáveis. Do ponto de vista económico, o seu talento é, cada vez mais, o principal fator de diferenciação e de sucesso de qualquer empresa ou de qualquer nação.

O ser humano NÃO É a base do fundamento e decisão etc., a menos que com esta frase obscura se queira dizer que um eremita não faz empresa nenhuma porque não tem nem empregados nem mercado. Que as estratégias de diferenciação parecem cruciais para a sobrevivência da muitas empresas (não todas: a generalização, neste domínio ainda mais do que noutros, é má conselheira) é inegável; que a formação académica tem importância é indiscutível, embora só por si não sirva para nada (Portugal anda a formar médicos, enfermeiros, arquitectos e outros profissionais para os exportar porque cá ou não têm lugar ou são mal pagos); e que a formação profissional contínua é, em muitos casos, necessária, parece ser uma inevitabilidade. É porém um equívoco achar que o Estado, para além do ensino clássico (cujos níveis de exigência ganhavam se subissem, e se os programas fossem depurados de fantasias e voluntarismos sortidos – mas isso são outros quinhentos) tem um grande papel a desempenhar. Pelo contrário: O Estado em Portugal é inimigo da liberdade de ensino, no sentido de hostilizar a propriedade privada dos estabelecimentos.

O talento não se ensina (o que se ensina são conhecimentos), aparece quando as circunstâncias o permitem; a formação profissional deve ser a que os empresários requerem, não a que alguns iluminados acham por eles que deveriam querer; e a subsidiação, os acordos com mediação de entidades públicas, e de forma geral toda a sorte de imposições na matéria são apenas múltiplas formas de promover a corrupção, sustentar consultadorias, escolas  e organismos inúteis, e financiar a concorrência desleal.

Nem tudo no capítulo sob a epígrafe “Pessoas” é para deitar fora. Mas a tónica está errada: não é preciso mais Estado, e sim menos; não são precisas “ajudas”, nem agências para promover isto e aquilo; nem muito menos uma qualquer CIP sabe o que convém e desconvém, e deve por isso abster-se de entrar em “parcerias”.

Não há paciência para ler mais, o resto afina pelo mesmo diapasão: mais Estado, mais Estado, mais Estado, nem sequer faltando tolices como “promover o empreendedorismo como verdadeira opção de carreira para ambos os géneros”. Sim, CIP? O empreendedorismo não se promove, CIP, porque quem o sabe promover faz empresas, não discursos; e ele surgir, e frutificar, não depende de o querer muito, e ter muitas opiniões, depende da diminuição dos obstáculos. E quanto aos géneros, CIP, não há dois (o que há dois são sexos), há aí uns cem, segundo a última contagem. Não consta que em alguma cabeça more a ideia peregrina de colocar obstáculos a qualquer dos sexos e, portanto, remover uma inexistência só não é arrombar uma porta aberta porque ela, efectivamente, está fechada – para quase todos.

Isto é a CIP, que em tempos bradava no deserto, e sob a liderança do vaselinesco Saraiva evoluiu para um organismozinho socialista, simpaticozinho e colaboracionista. Felizmente, continua a bradar no deserto – nem tudo se perdeu.

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Leituras

por Pedro Correia, em 14.09.19

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«É verdade que os valores de "pátria", "patriotismo", "sentimento nacional", pelo seu teor afectivo, de cariz irracional, não costumam ser reivindicados pela esquerda. É um erro funesto. Nenhuma revolução triunfou com argumentos meramente ideológicos.»

Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade (1978)p. 65

Ed. Gradiva, Lisboa, 2018

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Fora da caixa (7)

por Pedro Correia, em 14.09.19

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«O PSD vai perder as eleições.»

José Pacheco Pereira, na TVI 24 (4 de Setembro)

 

As sondagens variam, mas todas apontam na mesma direcção.

A da Pitagórica atribui 43,6% das intenções de voto ao PS e apenas 20,4% ao PSD - um fosso de 23,2% entre os dois principais partidos. A do ICS-ISCTE estabelece uma diferença de 19 pontos percentuais:  42% para o PS, 23% para o PSD. A da Eurosondagem concede a vitória aos socialistas, com 38,1%, ficando o partido laranja com 23,3% - um intervalo de 14,8%. E a da Intercampus fixa esta diferença em 14,3% - correspondente ao intervalo entre os 37,9% do primeiro e os 23,6% do segundo.

Seja qual for a distância que venha a registar-se nas legislativas de 6 de Outubro, alcance ou não o PS a vitória por maioria absoluta, um dado é inquestionável em todas estas pesquisas de opinião, elaboradas a cerca de um mês do escrutínio real: o PSD prepara-se para obter o seu pior resultado eleitoral de sempre. Coroando assim uma tendência: a da queda global do partido fundado por Francisco Sá Carneiro - em declínio desde a fuga de Durão Barroso para Bruxelas, no Verão de 2004. No ano seguinte, com Santana Lopes no comando, perdeu. Quatro anos depois, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite, voltou a perder. Passos Coelho inverteu esta tendência, vencendo em 2011 e 2015, mas o rumo anterior é retomado agora com Rio ao leme.

 

Há pontos de contacto entre a derrota registada em 2009, frente ao PS de José Sócrates, e aquela que se antevê para o mês que vem, face ao PS de António Costa: num caso e noutro, o partido está nas mãos do mesmo grupo interno. Rui Rio chegou a ser apontado como proto-candidato há dez anos, acabando como mandatário no Porto da antiga ministra das Finanças, além de seu braço direito como primeiro vice-presidente da Comissão Política Nacional; agora, Manuela retribui com a defesa persistente de Rio na sua tribuna semanal da TVI 24. Paulo Mota Pinto, que presidiu à Comissão de Honra da candidatura de Rio, em Novembro de 2017, foi o mandatário nacional de Ferreira Leite em 2008.

Um grupo que, derrota após derrota, vai destruindo aquela que chegou a ser a maior força partidária portuguesa. Ao invés do que sucedia com Sá Carneiro, que conduziu o PSD a partido de governo, alicerçado em duas expressivas vitórias eleitorais possibilitadas pelo alargamento da sua base sociológica, estes seus putativos herdeiros estreitaram-na no afã de perseguirem a "verdadeira" social-democracia - agora também reclamada pelo BE de Catarina Martins  - com Rio a garantir que não quer «disputar eleitorado à direita».

 

Eis a consequência directa de um rumo encetado há muitos anos e que não surge por acaso: Rio, como Ferreira Leite antes dele, tem como estratego de cabeceira o biógrafo de Álvaro Cunhal, José Pacheco Pereira, que militava na esquerda radical quando Sá Carneiro presidia ao PSD. É ele o mentor da «viragem à esquerda» de um partido que sempre foi interclassista e avesso a catalogações ideológicas. Quatro anos após ter sido empossado o Executivo da "geringonça", Pacheco ainda espuma de raiva contra «o governo de Passos e Portas», de que foi um denodado combatente desde o primeiro dia.

Agora também ele já concede a derrota antecipada nas legislativas - a segunda que traz a sua marca estratégica no espaço duma década. O PSD, quando lhe atribui o estatuto de maitre penseur, sai sempre mais fraco e debilitado.

Será currículo ou cadastro? Eis matéria para reflexão a partir do dia 7 de Outubro, quando o partido tentar emergir dos escombros.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.09.19

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Notas de um Velho Nojento, de Charles Bukowski

Tradução de Hugo van der Ding

Narrativa autobiográfica

(edição Alfaguara, 2019)

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