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Lavourada da semana

por Pedro Correia, em 28.05.19

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«Vi agora notícia sobre um inventor que inventou uma máquina de matar sem sofrimento, que se pode fabricar em casa com uma impressora 3D. Parece muito limpo e solitário. É uma cápsula na qual uma pessoa se mete (a cápsula tem uma janela para a pessoa poder olhar para uma paisagem agradável enquanto morre) e que tem uma máquina que substitui o oxigénio dentro da cápsula por azoto, progressivamente matando a pessoa. Pareceu-me um conceito muito higiénico.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 28.05.19

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Paulo Gorjão: «O insulto, seja em privado ou proferido em público, tem efeitos terapêuticos. Não há nada como um bom palavrão, no momento certo, para descomprimir. Parece que hoje em dia há quem os queira substituir com os placebos "neoliberal" e "neoconservador". Espanto dos espantos, há mesmo quem fique mais ofendido do que se lhe aplicassem um palavrão com as letras todas.»

 

Eu: «Li o programa do MPT-Partido da Terra às eleições europeias. Principais propostas: - Transparência; - Um tratado europeu, curto e legível, com um máximo de 25 páginas; - Transparência. Comentário: o programa do MPT parece-me demasiado opaco.»

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Europeias (24)

por Pedro Correia, em 28.05.19

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SANTA HIPOCRISIA

 

Nas últimas 24 horas, ouvi lamúrias de diversos bonzos do comentário político nas pantalhas. O que lamuriam eles? Que os portugueses andem tão desinformados e tão alheados das magnas questões europeias. 

O curioso é que este caudal lamuriento ocorre nos mesmos canais televisivos que passam dias e noites a transmitir intermináveis debates sobre bola. E mais bola. E sempre mais bola. Os tais bonzos, coitados, nem reparam.

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Canções do século XXI (785)

por Pedro Correia, em 28.05.19

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A praia ou o sofá

por João Campos, em 27.05.19

Passaram mais umas eleições, com a inevitável abstenção estratosférica e com os não menos habituais comentários, oficiais ou oficiosos, a tratar os abstencionistas como leprosos. Ouve-se e lê-se de tudo. Que a culpa é do sol e da praia (ou da chuva e do sofá, se estamos no Outono). Ou da bola, quando rola. Que falta "educação para a cidadania", o que quer que isso signifique. Que quem não vota não tem direito de se queixar. Que isto ia lá era com o voto obrigatório e com multas pesadas para os malandros dos incumpridores - passe a lei de Godwin à portuguesa, o nosso salazarito colectivo emerge sempre nestas situações.

(já agora: não, o voto não devia ser obrigatório - haver países em que o é não justifica coisa alguma, o voto é um direito que se conquistou e não um dever que foi imposto, e consigo pensar em vários motivos perfeitamente válidos para não se ir às urnas que não poderiam ser justificados perante uma "Autoridade Eleitoral". Já nos basta a Tributária e as suas derivas kafkianas.)

Tanto se fala e escreve, e poucos arriscam explicações mais simples. Se calhar a meteorologia, a bola, a cidadania ou falta dela, ou apenas a preguiça, não são tanto causas como pretextos. Dito de outra forma: é possível que os portugueses não votem porque os candidatos, escolhidos de forma opaca e com méritos na sua maioria duvidosos, por partidos mais virados para dentro do que para fora, não entusiasmam ninguém. Rigorosamente ninguém. Nem antes da campanha, quando ainda estão mais ou menos calados e se pode pensar que têm algo interessante para dizer, e muito menos durante a campanha, quando abrem por fim a boca e se percebe que dali não sai nada de jeito - e o pouco que sai, regra geral, sai num português sofrível. Olhe-se para o PS: levou para a Europa Pedro Silva Pereira, esse Sócrates da loja dos 300, numa lista liderada por Pedro Marques. Pedro Marques: um homem com o carisma, a personalidade, e a eloquência de uma tábua de contraplacado (a sério: uma estante "Billy" da Ikea dá mais vida a uma sala*). E a lista dele foi a mais votada, pelo que ninguém das outras listas se ficará a rir com propriedade.

É-me mesmo muito difícil criticar alguém que diga "eu até ia às urnas, mas para votar no Pedro Marques ou no Nuno Melo mais vale ir à praia." Ou alguém que, após um debate televisivo de umas eleições europeias onde ninguém fala da Europa e do qual não se retira nada para além de uma bela dor de ouvido, decida que ficar em casa a ver um jogo da segunda liga checa num canal do cabo é capaz de ser mais interessante. Eu, gostando pouco de praia e cada vez menos de futebol, percebo perfeitamente o impulso.

Sim, há a opção de ir e votar branco (para a qual devia mesmo haver um quadradinho no boletim) ou de anular o voto rabiscando qualquer coisa no papel. Mas o autismo dos comentários aos abstencionistas (esses malandros) não deixa antever interpretações especialmente sagazes ao fenómeno, caso tivesse relevância. Com toda a probabilidade, os partidos vencedores diriam: "rejeitaram os outros". E os vencidos responderiam: "a maioria dos eleitores não vos escolheu". O Presidente, tal como agora manifesta (manifesta?) preocupação pela abstenção, congratular-se-ia pela afluência às urnas. E tudo ficaria na mesma.

Mal por mal, venha a praia ou o sofá.

(Já agora, e em jeito de declaração de interesses: fui votar nas Europeias do último domingo, e se a memória não me falha desde os dezoito anos apenas faltei a um acto eleitoral; possivelmente as Europeias de 2004. Terá sido a bola, lá está.)

*Garanto que os suecos não me pagaram para dizer isto.

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Frases de 2019 (15)

por Pedro Correia, em 27.05.19

«Se deixar de ser só o partido dos gatinhos e dos cãezinhos em marquises, o PAN tem um grande futuro.»

Miguel Sousa Tavares, hoje, no Jornal das 8 da TVI

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.05.19

«A banalização é um perigo. É como fascista. Não é preciso ir muito longe para a palavra ser usada: basta dois amigos zangarem-se para um chamar ao outro "seu fascista". Há mais. Como racista, sexista etc. Se eu disser que um preto é preto, há quem me chame racista. Se disser que um branco é branco já não. Quanto a sexista: é muito difícil escrever um texto em que, quem procure com alguma atenção, não encontre sexismo. Ou estereótipo disto e daquilo. Estereótipo é, ele próprio, um estereótipo.
Há inúmeras palavras sem conteúdo devido à ampliação dos conceitos. Violência no namoro: se se entra na psicológica é tudo. Um arrufo de namorados é violência no namoro e dá para escrever teses de mestrado.
Perante os cultores do politicamente correcto, o melhor é estar calado.»

 

Do nosso leitor A. Matos. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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É um tiro até às legislativas

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.05.19

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Há muitas formas de olhar para os resultados das eleições europeias de ontem, mas independentemente das leituras mais ou menos enviesadas que cada um faça consoante a cor da lente que utilize, há alguns factos que me parecem indesmentíveis.

Começando pela abstenção, que tanta celeuma tem provocado, dir-se-á que o que aconteceu confirma a tendência dos últimos anos, agora com a agravante de que se verificou um alargamento do universo eleitoral. Recorde-se que em 1999, 2004, 2009 e 2014 a percentagem de votantes por referência aos cadernos eleitorais foi, respectivamente, de 39,93%, 38,6%, 36,77% e 33,67%. Se este ano a taxa de votantes se tiver fixado nuns míseros 31,4%, isso só significa que o problema persiste sem solução à vista com os actuais partidos e actores, sendo manifestamente insuficientes os apelos do Presidente da República ou dos líderes políticos para que ocorra uma inversão da tendência.

A abstenção em Portugal é de há muito superior à média europeia, sem que os partidos se preocupem verdadeiramente com isso, e voltou a sê-lo. Os portugueses só querem saber da Europa se daí lhes vierem dividendos. Reflexo do espírito dos tempos e do mercantilismo político e moral.

E se há quem tenha ficado em casa para protestar contra o actual estado de coisas, fazendo campanha por uma abstenção ainda superior à verificada, não me parece que daí se retire, ou se tenha retirado, qualquer benefício. Esses vão continuar a falar sozinhos ainda que inundem as redes sociais de invectivas ao regime, aos políticos ou à macrocefalia urbana e litoral.  

Quanto aos resultados obtidos, embora houvesse quem quisesse que os portugueses mostrassem nas eleições europeias um cartão amarelo, laranja ou vermelho ao Governo, assim antecipando a formação de uma onda que culminaria nas legislativas de Outubro próximo, o certo é que são o Governo e António Costa que saem reforçados. 

Com uma abstenção maior ou menor, visto que com o seu aumento é a legitimidade de todos os partidos que fica penalizada, e não apenas a dos partidos no poder, a leitura que houver de ser feita tem de cingir-se aos números. E, quanto a estes, é incontestável que foi o PS o grande vencedor das eleições. Qualquer que seja o critério utilizado. Não vale a pena inventar. Se em 2014 a vitória do PS ainda tinha sido “poucochinho”, em 2019 mais do que duplicou a diferença em relação ao segundo mais votado (PSD). Se antes a diferença era de cerca de 4 pontos, ontem fixou-se em quase 11,5%. Será difícil transformar isto numa derrota, mas daqui até uma maioria absoluta vai um longo caminho. 

Por outro lado, se Pedro Marques era uma má escolha para cabeça-de-lista, e eu considero que não era a ideal por diversos motivos (políticos e de estilo do próprio candidato), então as dos partidos da oposição foram um desastre completo. A escolha de Paulo Rangel era natural que tivesse o resultado de ontem. Não mudei um milímetro de opinião sobre o que dele pensava em 2010. E o resultado voltou a ver-se nas urnas. Há coisas que não se disfarçam. A gente não é estúpida. Rui Rio pode, pois, começar a fazer as malas para largar o barco em Outubro, se não quiser ser atirado borda fora, mais a sua tralha, a que herdou e a que levou para lá, pois que ou me engano muito ou o banho vai ser ainda maior. 

Nuno Melo, um político empenhado e que deixara boa imagem no Parlamento nacional antes de rumar a Bruxelas, optou por mudar o registo. Sempre que possível cavalga a onda populista e hortícola, cometendo algumas gaffes pelo caminho para poder ir dando o braço à líder do CDS/PP, cujo discurso, cada vez mais histriónico, correndo ao sabor do que ouve nas feiras e desfasado da realidade, só podia dar bons resultados junto das velhinhas que saem da missa dominical ou frequentam os convívios da linha do Estoril. Os ataques ad hominem contra António Costa nos encontros quinzenais não lhe trouxeram quaisquer proveitos e deram-lhe cabo de uma imagem em tempos moderada e sensata. Se o CDS/PP ainda não consegue voltar a caber todo num táxi, pelo menos já pode dividir um Uber com o PAN. Isto é, enquanto este não precisar de mais espaço para acomodar todos os vadios e descontentes que legitimamente vai recolhendo. Ao contrário do PAN, cujo resultado se pode considerar espectacular (de 1,72 sobe para 5,08%), e que poderá vir a ser consolidado com a eleição em Outubro de pelo menos mais um deputado, ao CDS/PP não se vislumbra grande futuro com a actual direcção. Os sinais de exaustão são evidentes. A sua bancada parlamentar já pouco se distingue da do PCP em falta de imaginação e veterania.

Nas eleições de 2009, PSD e CDS somavam 40,07%. Em 2014, coligados na Aliança Portugal, os dois partidos atingiram 27,73%. Este ano, pese embora o aumento de quase um milhão e meio de eleitores e o desgaste dos partidos do governo, os dois partidos não passaram de 28,13%. Isto deve querer dizer alguma coisa.

Quanto ao BE duplicou a sua votação (de 4,56% para 9,82), aproximando-se dos valores de 2009 (10,72). Foi bom, duvidando eu que este valor possa de algum modo ter confirmação em Outubro. O mais provável é vir a ser penalizado nas legislativas pela diminuição da abstenção, pelo voto útil e pelo “caso Robles”. A memória ainda está fresca.

Em descida acelerada rumo ao abismo está a CDU. Passar de 12,69% para 6,88% é obra, constituindo mais um sinal do esclerosamento do discurso do partido (os tais de Verdes só existem para a fotografia), como que a provar que não é por lá porem uns “jovens” que se disfarça o “centralismo democrático”. Os vícios são incorrigíveis. O PCP continua a pensar que é possível mudar o povo em vez de mudar o seu discurso, as suas políticas e os seus rostos. Os vícios transportam-se de geração em geração. É indiferente ouvir Jerónimo, Bernardino ou João Ferreira. Com lentes embaciadas e riscadas, bem podem colocar umas armações tipo “Ray Ban”, mais modernaças e coloridas, que o resultado é o mesmo. Vêem o que viam antes, os resultados são medíocres, e atirar as culpas para os outros só serve para se enredarem ainda mais no discurso madurista. 

Os restantes partidos e forças políticas concorrentes continuam a ser quase inexistentes. Registe-se o desastre eleitoral do Aliança, cujo futuro poderá vir a ser decidido nas legislativas, talvez de todos os resultados o menos previsível atento o resultado obtido pelo PAN. 

Quanto aos restantes concorrentes mostraram a sua inexpressividade, admitindo-se que alguns figurões, entretanto, a esta hora já tenham descido à terra e regressem às suas vidas sem mais traumas.

Uma nota final: uma reedição dos resultados europeus do PS e do PAN, depois do Verão, pode baralhar as contas de uma nova “Geringonça”. Convém ter em atenção o que entretanto poderá acontecer.

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Ecologia evita triunfo da extrema-direita

por Cristina Torrão, em 27.05.19

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A ecologia vai passar a marcar a agenda política alemã, algo já anunciado pelo "Bloco Central" CDU/CSU e SPD (que aliás governa este país). Os Democratas-Cristãos perderam votos, os Socialistas ainda mais, não chegaram aos 16% (a falta que faz um Costa...). Os grandes vencedores são os Verdes, que quase duplicaram a votação (em relação às Europeias anteriores), atingindo 20,5%.

Os partidos do governo não vêem outra hipótese que não seja dedicarem-se ao tema que actualmente mobiliza os jovens alemães. Tudo por causa da Greta Thunberg, claro. Desculpem insistir, mas esta é uma realidade. E fico muito feliz, pois previa-se um triunfo da extrema-direita AfD, temia-se que se tornasse no segundo partido mais votado. Apesar de ter subido ligeiramente, atingindo os 11%, ficou muito longe da meta desejada.

Não tenho agora dados respeitantes à abstenção, mas sei que ficou aquém dos 40%. Os alemães, sobretudo os jovens, estão de parabéns!

Acresce dizer que os Verdes alemães em nada se assemelham aos inúteis Verdes portugueses, afectos aos comunistas.  Usando as palavras da jornalista Helena Ferro de Gouveia: soma às preocupações ambientais (que vão para além do clima), preocupações sociais (respeito pelas minorias, defesa dos migrantes e refugiados), uma política económica (quase) liberal e não hostil às empresas (o velho modelo alemão da economia social de mercado), profundo europeísmo e a igualdade de género praticada, não apregoada.

Queria aproveitar para dar os parabéns ao PAN. Um partido tão pequeno e menosprezado, mas que incomoda tanta gente, é mesmo para ser levado a sério. Estou convencida de que Portugal precisa do PAN e espero que se mantenha fiel a si mesmo.

Podem falar de infantilização, mas talvez seja mesmo disso que precisamos: descer do nosso pedestal de adultos muito cientes da sua sabedoria, a fim de ouvir os mais novos. Só assim os cativaremos e motivaremos. E tenho a certeza de que eles têm muito para nos dizer.

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Europeias (23)

por Pedro Correia, em 27.05.19

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UM PS AINDA "POUCOCHINHO"

 

Há cinco anos, sob o comando de António José Seguro, o PS venceu as eleições europeias defrontando uma coligação formada por dois partidos, o PSD e o CDS. Obteve 31,46% nas urnas - mais 3,75% do que a soma dos partidos rivais. Logo António Costa se chegou à frente, declarando-se desgostado com este resultado, que lhe pareceu «poucochinho». E de imediato iniciou o processo de defenestração do companheiro de partido, que teve capítulos indecorosos.

Agora, sob o seu comando, o PS atinge os 33,4% - ampliando, é certo, a diferença entre os partidos situados à sua direita, cuja soma se queda nos 28,1%, por evidente demérito das respectivas campanhas. Vale hoje exactamente um terço dos sufrágios expressos a nível nacional. Cresceu 1,9% em termos percentuais. E quanto progrediu em votos? Pouco menos de 73 mil: em 2014 obtivera 1.033.158, agora consegue 1.105.915. Progressão apenas conseguida graças ao facto de o número de recenseados ter disparado devido ao registo automático de emigrantes como eleitores: há cinco anos foram 9.702.657, desta vez subiram para 10.761.156. Em termos relativos, o PS ficou aquém de 2014.

É bom? Sem dúvida, na perspectiva dos socialistas. É «poucochinho» para quem aspira à maioria absoluta em Outubro? Tudo indica que sim - segundo a doutrina Costa. Só aplicada a outros. A ele, nem pensar.

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Impressões eleitorais

por Diogo Noivo, em 27.05.19

António Costa ‘nacionalizou’ as eleições europeias, transformando-as num plebiscito à sua governação. E apesar de Pedro Marques, de Pedro Silva Pereira e da época de banditismo e prepotência que representa, do CV da Maria Begonha, de Carlos César e da sua grande família, das nomeações descaradas de amigos e familiares, da maior carga fiscal dos últimos 22 anos, de Tancos, do caos no Serviço Nacional de Saúde, e do número inaudito de mortos em incêndios florestais onde o Estado falhou por incúria, o Partido Socialista venceu as eleições de forma claríssima. É obra. A força e a legitimidade de António Costa saem reforçadas – embora os 70% de abstenção não permitam embandeirar em arco.

Os resultados porventura digam algo sobre aquilo que somos enquanto eleitores. Mas dizem certamente muito da oposição que temos, pois raras foram as vezes em que o partido incumbente venceu as europeias. O PSD, que é hoje um simulacro do partido que foi em tempos, não parece ter percebido a dimensão da coisa. Não lhe auguro nada de bom.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.05.19

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Terras do Demo, de Aquilino Ribeiro

Prefácio de Ana Isabel Queiroz

Romance

(reedição Bertrand, 2019)

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Europa: o outro sítio

por João André, em 27.05.19

Nasci em 1975, num país mal saído da ditadura. Não passei pelo Verão Quente, senão no conforto do útero. Cresci num país a melhorar aos poucos, com momentos piores que outros mas que a minha idade não me permitia lembrar. A maior parte das minhas memórias vêm de 1985-86, pelo que qualquer memória que tenho associa Portugal à União Europeia (na altura a CEE). A minha vida activa apanha-me quase exclusivamente com Portugal como parte do EURO, que afortunadamente eliminou o termo ECU. A minha primeira viagem fora do país que não envolvesse comprar caramelos em Ayamonte foram umas férias a limpar escritórios em Londres. A entrada não requereu mais que um bilhete de identidade. O meu primeiro passaporte foi pedido já com uns 22 anos de idade e terá recebido um carimbo. Não visitei todos os países da UE nem do espaço Schengen, mas já visitei uns quantos. Vivo num país que não é o do meu nascimento e trabalho noutro, sendo que sou obrigado a deslocar-me a vários países da UE/Schengen com frequência. A Europa não é para mim um conceito ou um objectivo: é uma realidade diária.

É por isso que tenho dificuldade em conceber tanta gente a votar em partidos que, por ideologia ou populismo, estejam contra a UE. Isto não quer dizer que seja uma posição inválida ou errada por si mesma, apenas que tenho tanta dificuldade em concebê-la como em compreender que há pessoas que se mutilem extensivamente por motivos estéticos. Há bons argumentos contra a UE, contra uma integração mais profunda ou em favor de manter a UE mas reduzir a sua influência na vida dos estados membros. Infelizmente raras vezes vejo esses argumentos apresentados de forma séria. Em geral são-no conjuntamente com falsidades referentes à ingerência que a UE tem na vida dos países individuais (como em todo o debate em torno de Brexit).

Mas o maior falhanço da Europa provém dos seus partidos mais tradicionais, do centro ou não. Confrontados com a estridência dos partidos populistas ou extremistas (e nos extremos faz pouca diferença se de direita ou esquerda), esses partidos têm optado por cooptar parte dos argumentos para os tentar esvaziar. Casos há em que funciona, mas habitualmente é por pouco tempo e faz sempre lembrar a fábula da rã e do escorpião. A verdade é que as cópias são sempre piores que os originais e, quando temos os países tradicionais ou do centro a copiar os argumentos anti-Europa ou anti-imigração, normalmente soam ocos e falsos. Porque o são.

A Europa é para mim uma realidade diária, escrevi eu. É também um objecto da Evolução, tão real quanto a biológica. Nao há uma meta para um projecto Europeu, é um projecto cujas balizas estarão sempre a mover-se e, se as alcançarmos, teremos que procurar novas. A natureza humana é uma de descontentamento e será sempre necessário adaptar a Europa para que continue a ser um ideal em vez de realidade.

Em tempos a série The Twilight Zone teve um episódio chamado A Nice Place to Visit. Nele um ladrão morria depois de um assalto e acabava num lugar onde tudo lhe corria bem. Recebia o dinheiro que quisesse, ia ao casino e vencia sempre, com a bola da roleta a cair nas suas escolhas e as suas mãos nas cartas a serem sempre perfeitas. Ao fim de algum tempo comçava a odiar o lugar e pedia para ir para "o outro sítio". Claro que o twist é óbvio: ele já estava no outro sítio. Se a Europa não evoluir, se apenas for o melhor sítio do mundo para viver, não tardará muito a que seja também "o outro sítio". Nesse aspecto, introduzir imperfeições é boa ideia. Talvez possamos almejar, em vez de definhar.

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A escolha

por jpt, em 27.05.19

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1. As "europeias", tal como as autárquicas - estas particularmente nas grandes cidades -, costumam ser utilizadas pelo eleitorado como voto punitivo dos governos, contestação ou aviso. Em 2014 PSD e CDS conduziam o governo que tomou as medidas mais impopulares desde o início dos anos 1980s, devido aos espartilhos impostos pelo resgate financeiro. Nesse âmbito tiveram um resultado eleitoral fraco. Rio, e outras figuras do PSD, aligeiram o que aconteceu ontem, comparando os resultados e afirmando um crescimento eleitoral. É um mero aldrabismo que traduz duas coisas: cegueira política; desonestidade pessoal dos locutores. A primeira conduz a más estratégias políticas, a segunda enfastia os eleitores. Tudo junto? Leva a mais e maiores derrotas. Ou seja, não basta saber falar alemão para se ter sucesso na política nacional.

2. A trapalhada do CDS e do PSD no recente caso dos professores mostra dois partidos à deriva. Cristas auto-encantou-se com um relativo sucesso nas autárquicas de Lisboa, possibilitado pela efectiva desistência do PSD. E desapareceu desde então: alguém sabe o que o CDS pretende? E sobre a Europa, além de lugares-comuns, e da feira gastronómica do parque bruxelense Cinquantenaire, alguém sabe as concepções actualizadas e rumos do CDS? Alguém tem um "link" para um texto, programático ou de imprensa, produzido pelas actuais elites daquele partido - que teve dirigentes como Adriano Moreira, Lucas Pires, Ribeiro e Castro e Paulo Portas -, que valha algo? De facto, o CDS é sociologicamente um partido de elites mas não as tem. É um vácuo.

Do PSD de pouco valerá analisar: quem conhece o partido resmunga a teia de clientelismos na qual o partido se insere há décadas, e as formas perversas da sua organização interna - a antes célebre "distrital de Lisboa" é disso um caso paradigmático, como por vezes se alude na imprensa. É um partido depauperado, mostra-o a sua plastidade a presidentes como Luís Filipe Menezes, Marques Mendes e este Rui Rio. E um partido desnorteado - e disso exemplo escatológico é ver Carlos Moedas elogiar vigorosamente António Costa e seu governo, quinze dias antes das eleições. O PSD é sociologicamente um partido de massas mas começa a não as ter. Está a esvaziar-se.

Há uma coisa interessante para perguntar: os partidos representam interesses particulares na sociedade, enfatizam a defesa de interesses e vontades parciais (é por isso que são "partidos"). Isso é normal e salutar, ainda que a retórica habitual consagre o vínculo aos "interesses nacionais", como se não houvesse uma normal conflitualidade e até contraste entre os grupos constitutivos da sociedade. Ora, sendo assim, que interesses sociais representam o CDS e o PSD? E como o fazem? Melhor perguntando, até porque estão tão esvaziados intelectualmente que a questão se coloca: como é que os reconhecem?

3. O PS ganhou com esta lista de candidatos. Que é fraca, sem figuras relevantes e/ou reconhecíveis, populares, mas acima de tudo por uma razão: encimada por três governantes de Sócrates, com ele coniventes do pior período da II República. Um deles o braço-direito daquele perverso secretário-geral. Pedro Marques tem, pelo menos, uma grande qualidade pessoal: não tem jeito para campanhas políticas, não é um encantador (um "charmeur"), não tem "carisma" (essa qualidade inqualificável). Parte da oposição - e os humoristas do regime - utilizaram o engraçadismo, essa patetice pequeno-burguesa, para o gozar, aviltar. Que é feio, que parece o Noddy, que parece o Mr. Bean. São uns parvos. Ou, como está agora na moda, por via de um dos piadísticos do reino, "não sabem estar". 

O governo não é bom: não há reformas, não há efectivo desenvolvimento, não se aproveita eficazmente uma conjuntura internacional favorável. A carga fiscal é enorme, a austeridade continua, os serviços públicos engasgam-se. A gestão das problemáticas políticas é muito má: catastrófica no caso dos fogos, patética no caso dos roubos nas forças armadas, espantosa de preguiçosa no caso, verdadeiramente estrutural, da substituição da PGR. Enfim, um governo de cabotagem e uma má lista eleitoral: e uma grande vitória. 34% nestas europeias? E com os professores (e suas famílias) a resmungar? O PS vai beijar os 40% daqui a 4 meses, recuperando os tais habituais votos (ou abstenções) de protesto nas eleições europeias. 

4. O BE e o PAN sobem, e muito. O impacto das questões ecológicas marca a subida do PAN (o qual apoiei nas legislativas - pois Passos Coelho discursou aos jovens anunciando Dias Loureiro como exemplo, e isso para mim é crime lesa-majestade. Mas o qual me desiludiu com as leizinhas para os "pets", que me parecem mostra de um grupo burguesote com pouca densidade. Mas talvez me engane ...).

O BE sobe porque funciona. Tem uma candidata que cativa - pois é genuína (o que não é sinónimo de cândida). Tem aquela coisa do "carisma" (a tal qualidade inqualificável). E o BE consegue passar a imagem que representa interesses. Teve Robles, mas Robles há em todos os partidos que vão ao poder, é histórico. E a sua direcção (Catarina Martins et al) teve reacção estuporada, precocemente anquilosada, a esse caso. Mas ainda teve - e porventura porque é, de facto, uma coligação - a energia interna para se depurar. No dia seguinte ao conhecimento público da malandrice roblesiana, Luís Fazenda (a UDP) pontapeou a tese da "cabala da direita" e exigiu a auto-depuração. E não vemos isso, essa introspecção, em nenhum outro partido. Vale ouro.

5. Muita abstenção? Instalem-se outras formas de votar. O Estado serve-nos e não o contrário. Que abandone a posição hierática, essa que implica que nós temos que nos dirigir até ele, e sob tutela (como o mostra o anacrónico "dia de reflexão"). Que venha o Estado em busca dos votos. (Também) Voto electrónico - se se pode pagar impostos e contas qual a razão de não se poder votar?; assembleias de voto nos mercados; votações às sextas e sábados.

As instituições europeias são opacas. "Porreiro, pá" disse Sócrates a Barroso ou vice-versa, numa cimeira lisboeta que sublinhou essa opacidade - ainda que Barroso, que todos criticam, ter então feito um discurso extremamente crítico da deriva consagrada naquele rearranjo, o que parece que ninguém ouviu. Os partidos não combatem essa opacidade. O senhor presidente da república auto-retrata-se, em potlatch de narcisismo, e nisso despolitiza a sociedade, ou o intenta.

comunicação social - ela própria em crise - "comenta", com gente que há décadas perora sem particular viço ou capacidade analítica, o que ainda confunde mais e potencia o afastamento dos eleitores da vida política. Uns porque são avençados e disso dependem - vi no youtube, via fb, um excerto do "Eixo do Mal" onde Clara Ferreira Alves dizia, há algum tempo, "aqui no programa só nos enganámos numa coisa, não acreditámos no que se dizia sobre Sócrates, julgámos que era uma campanha da direita". Ou seja, um conjunto de fazedores de opinião política "não viram" o dado mais importante das últimas duas décadas nacionais. E continuam a fazer opinião, pagos para isso, a influenciarem a classe média. Ontem parece que Sousa Tavares, um já decano, tantas são as décadas em que "faz opinião", a dizer que os votantes do PAN são "urbano-depressivos". As pessoas percebem a incompetência analítica, a pura "cagança", que a utilização da velha expressão dos anos 1980s (Joy Division para a frente) mostra? E é este núcleo que ocupa a (decadente) televisão no comentário político.

Fazer regressar a população ao voto passa pela renovação dos quadros políticos - e não só por apear Cristas (e Melo) e o infausto Rio. Mas passa também por renovar a informação, os fazedores de opinião.

6. Não há extrema-direita em Portugal, tirando aquele núcleo do MIRN e seus descendentes, que nunca cresceu. Nisto sim, é caso para dizer "porreiro, pá".

7. António Costa é um grande vencedor, hábil na condução política como não há ninguém na política portuguesa. José Sócrates é passado. Mas não será julgado. Nem Ricardo Salgado. Como diz Marcelo Rebelo de Sousa, presidente e agente, "o país opta por não optar". 

Um dia isto melhorará. A gente já cá não vai estar para ver. 

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Europeias (22)

por Pedro Correia, em 27.05.19

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UM ROMBO NO PSD

 

«Crescemos pouco», disse esta noite na RTP 3 o vice-presidente social-democrata David Justino. Neste sucinto comentário aos resultados eleitorais percebe-se o desnorte que paira nas cabeças dirigentes do partido: ao contrário do que diz o braço direito de Rui Rio, o PSD nada cresceu. Pelo contrário, acaba de registar o pior resultado da sua história numa eleição de âmbito nacional. Situando-se 11,5% atrás do PS nesta que constitui a maior "sondagem" aos portugueses a quatro meses da eleição para a Assembleia da República.

A incompetência revelada pela cúpula social-democrata na questão do tempo de serviço dos professores, como na devida altura aqui se alertou, foi fatal para as aspirações eleitorais do PSD: bastou António Costa fazer voz grossa numa comunicação ao País para Rio se transformar num boneco de plasticina, claramente apavorado com a perspectiva de disputar legislativas antecipadas. Desautorizou o seu grupo parlamentar, recuou em toda a linha e transmitiu uma imagem de confrangedor amadorismo, evidenciando um insólito temor reverencial perante o partido do Governo.

Estas coisas pagam-se caras. «A política não é para aprendizes», como escrevi na altura. E agora reitero com renovada convicção.

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 27.05.19

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Ana Margarida Craveiro: «É também isto que está em causa nestas eleições: menos regulação, melhor regulação. São duas faces de uma mesma moeda. E a moeda foi cunhada por esta Comissão.»

 

Ana Vidal: «Ofereço a Dias Loureiro este texto do escritor mexicano Juan José Arreola, por me parecer um bom epitáfio para uma saga lamentável, que durou uma eternidade. O gesto da demissão poderia até ter sido bonito, se tivesse ocorrido há mais tempo. Agora, até a frase que acabei de ouvir-lhe - "A minha protecção é a minha consciência" - parece uma anedota.»

 

Eu: «A sua permanência [de Dias Loureiro] no Conselho de Estado, muito para além do que o bom senso aconselharia, abalou consideravelmente o prestígio deste órgão, que na prática deixou de funcionar, e constituiu uma forma de insustentável pressão sobre o Presidente da República, como já em Dezembro alertei. A degradação da nossa vida democrática não acontece por acaso: acontece precisamente por casos destes.»

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Canções do século XXI (784)

por Pedro Correia, em 27.05.19

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Blogue da Semana

por João Pedro Pimenta, em 26.05.19

É uma das vozes que há mais tempo nos conta o que se passa no interior da Rússia e países limítrofes, que conhece há quarenta anos e cujas mudanças radicais acompanhou. A política interna e externa dos herdeiros da União Soviética, as suas relações com Portugal e alguns aspectos picarescos contadas de perto. Também já nos deu a honra de escrever para o Delito. O Da Rússia, de José Milhazes, é o blogue da semana.

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Rebelião eleitoral

por Luís Naves, em 26.05.19

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Ainda é cedo para se perceber o que aconteceu nestas eleições europeias, mas parece ter ocorrido uma rebelião contra os partidos do sistema. Os socialistas já não lideram a esquerda europeia, pelo menos sozinhos, e ficaram atrás dos verdes em dois grandes países, França e Alemanha. O Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas e Democratas (SD), que controlavam o parlamento, perderam o seu confortável monopólio e terão de juntar a família de partidos liberais ao núcleo dominante (Portugal não elegeu ninguém para este grupo). Os conservadores do PPE continuam a perder votos para uma direita radical que teve um desempenho mais ou menos: vitória em França e Itália, mas resultados decepcionantes na Holanda e Alemanha (Portugal também não tem ninguém neste grupo). Na nossa comunicação social, a amálgama de populistas, extremistas e reformistas é descrita como um conjunto homogéneo que tem a intenção de destruir a Europa, mas a coisa é mais complicada e consiste, na realidade, na ascensão de vários movimentos de protesto que pretendem mudanças, nem sempre compatíveis entre si. Finalmente, no Leste, há também um fenómeno claro, refiro-me à forma como os partidos pós-comunistas estão a ser cilindrados, agora não apenas na Hungria e na Polónia, mas em toda a região. O que significam estas rebeliões eleitorais? É cedo para percebermos, mas o voto de protesto na Europa aumentou; a crise financeira está finalmente a produzir os seus efeitos políticos e começa a viragem de ciclo (o fim da Era Merkel e o início de outra fase). O próximo parlamento europeu será bem mais interessante do que o anterior e o Brexit é inevitável. Em relação a Portugal, onde se instalou uma desilusão melancólica, o eleitorado acentua a agonia da direita, mas vota à esquerda sem a convicção do passado.

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Nunca me tinha acontecido. É meio-dia e meia, como de costume ando na rua em manhã de domingo, e preparo-me para rumar a casa quando só então me lembro que estamos em dia eleitoral. Isto diz muito sobre a falta de motivação para participar nesta consulta destinada a escolher os nossos próximos 21 representantes no Parlamento Europeu.

Lá me encaminho para o bairro de São Miguel, um dos mais acolhedores de Lisboa, que visito sempre com gosto em dias de chamada às urnas, temperado por uma saudável dose de inveja: bem gostaria de viver aqui.

Na escola básica, secção n.º 3, exerço o direito de voto. Tudo quase vazio, em ambiente de modorra dominical: ninguém diria que hoje é jornada de mobilização cívica. Encontro duas ou três pessoas conhecidas, muito menos do que é costume: fala-se da conquista da Taça pelo Sporting, dos petiscos que apetece ir provando, do calor que já aperta.

Exerci um direito, cumprindo um dever: revejo-me nesta dicotomia e sinto-me incapaz de justificar o discurso pró-abstenção que por aí campeia. Como se fosse indiferente à cidadania sermos ou não representados por dirigentes que resultam do sufrágio universal.

Neste dia, pensemos nas regiões do planeta povoadas por centenas de milhões de pessoas a quem é negado o direito ao voto. Pensemos nas ditaduras que ainda dominam vastas extensões do mundo. Em países como China, Síria, Irão, Bielorrússia, Guiné Equatorial, Coreia do Norte, Azerbaijão, República "democrática" do Congo, Arábia Saudita, Vietname, Argélia, Cuba ou Usbequistão.

É quanto basta, creio eu, para nos motivar a exercer o voto. Seja qual for a nossa escolha.

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