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Pensamento da semana

por João Sousa, em 22.05.19

Olhemos bem para Vénus: tem uma atmosfera composta por 96% de dióxido de carbono e tão densa que, à superfície, a pressão é 92 vezes maior do que na Terra; está completamente oculto por um espesso manto de nuvens de ácido sulfúrico; o seu efeito de estufa é tão intenso que a temperatura média à superfície ronda os 460º C.

Dificilmente se conseguiria imaginar local mais hostil. Parece-me, por isso, uma estranha premonição que os Antigos, sem saberem tais factos, tenham dado a este planeta capaz de nos asfixiar, esmagar, corroer e queimar - o nome da deusa do amor.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (779)

por Pedro Correia, em 22.05.19

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Chico

por jpt, em 21.05.19

Conheci Chico Buarque no gira-discos da minha irmã - eu menino, 8 ou 9 anos (mana terei eu dito, confessado, já nestes meus tantos 54s, que tu és "o meu amor"?). Deram-lhe agora o Camões - e o meu querido magnífico Nataniel Ngomane participou nisso, e é assim ainda mais belo. Não sei da justificação do júri, nem verdadeiramente importa, tantas as imensas canções que me (nos) fizeram a vida. Terá sido, creio, até certo disso, ao "escritor de canções", libertados os jurados das algemas dos "estilos" por via do rumo do nobel.

E é também lindo por ser Chico um alvo dos polícias da mente da agora. E, ainda por cima, rio-me, por ser ele, enquanto ficcionista, tão .... reaccionário. Tão ... Buarque de Holanda.

Vénia, poeta-cantor. Bebamos do teu cálice.

E

é uma obra vida vasta Deixo (mais para os mais novos) uma hora e meia excepcional. Entre tantas outras ...

 

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Europeias (13)

por Pedro Correia, em 21.05.19

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LIVRE: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Consagração do acesso universal à Internet, livre de qualquer censura, desenvolvendo novos programas de literacia digital.
  • Introdução da disciplina de História da Europa para os alunos do ensino básico e secundário em todos os programas de ensino nos Estados membros da União Europeia.
  • Devolução imediata das obras expostas em museus na Europa que resultaram do saque de antigos territórios coloniais.

 

Do programa eleitoral, Novo Pacto para a Europa

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Zapping.

por Luís Menezes Leitão, em 21.05.19

Ontem estava a passar na RTP um debate entre os principais candidatos às eleições europeias. Achei esse debate tão maçador que mudei imediatamente de canal, passando a assistir a um filme sobre um comboio desgovernado. Fiquei a pensar que esse canal tinha decidido apresentar uma metáfora sobre a forma como estão a decorrer estas eleições em Portugal e na Europa.

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Niki

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.05.19

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Aos 70 anos travou o seu último combate, a derradeira corrida de uma vida plena de sacrifícios, glória, coragem, dor e intransigente respeito pela sua condição de homem e de piloto.

Espalhou classe e desportivismo pelas pistas de todo o mundo, numa época em que a Fórmula Um se fazia com cavalheiros, com homens e não com meninos.

Deu dois títulos mundiais à Ferrari (1975/1977), um terceiro à McLaren (1984), mas se me perguntarem o que de mais vivo tenho na memória, talvez fruto da minha condição de Alfista, foram as vitórias em Anderstop, no Grande Prémio da Suécia (1978), com o Brabham-Alfa Romeo BT 46-B com efeito de solo, e em Monza, no mesmo ano.

A primeira constituiu um duelo entre o motor Cosworth DFV do Lotus 79 de Mario Andretti, que viria a ser nesse ano o campeão do mundo, e o fabuloso motor de 12 cilindros da Alfa Romeo, que conduzido pela lenda austríaca esmagou toda a concorrência. A segunda foi uma corrida atípica, com muitos acidentes e interrupções, num fim-de-semana aziago em virtude do falecimento de Ronnie Peterson.

Lauda deixará mais um espaço por preencher na galeria dos notáveis que nos deixaram muito cedo. Que tenha o merecido descanso.

JRinqqA.jpg(foto daqui)

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Europeias (12)

por Pedro Correia, em 21.05.19

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DUAS CADEIRAS VAZIAS

 

Cumprindo as suas obrigações de serviço público, a RTP promoveu no dia 13 de Maio - em sinal aberto, no seu canal generalista - um debate entre os cabeças de lista dos partidos que não têm representação no Parlamento Europeu. Doze, no total.

Foi um bom modelo de debate, que só não permitiu uma verdadeira discussão de ideias devido à notória inépcia de alguns candidatos, impreparados e recorrendo a chavões inconsistentes.

Destaque, pela positiva, para a competente moderação da jornalista Maria Flor Pedroso, directora de informação do canal público.

Destaque, pela negativa, para a ausência de dois cabeças de lista. Um, por aparente amuo, recusou comparecer. Outro preferiu discutir bola, à mesma hora, noutro canal - peculiar noção de prioridade cívica por parte de quem gasta muita saliva a apregoar responsabilidade e ética.

Só ontem pude assistir a este debate. Fica uma breve resenha do que lá se disse - e do que ficou por dizer.

 

André Ventura (Basta). Preferiu palrar sobre futebol, à mesma hora, na CMTV.

 

António Marinho e Pinto (PDR). Não compareceu por discordar do «critério editorial» da RTP. Aparentemente, este eurodeputado que em 2014 foi eleito sob a sigla MPT desejaria ter participado num debate entre os partidos já representados no Parlamento Europeu. Esteve muito bem o canal público, uma vez que o PDR - partido que nem existia há cinco anos - se candidata pela primeira vez a uma eleição europeia. 

 

Fernando Loureiro (PURP). Quer aproximar os salários das pensões. Não explicou como.

Era o mais velho neste debate. E foi o único candidato que esteve sempre de esferográfica na mão.

A frase: «Setenta e cinco por cento das pessoas ligadas à política são altamente corruptas. E não devo estar a exagerar.»

 

Francisco Guerreiro (PAN). Quer assegurar uma licença de maternidade de um ano em todo o espaço europeu. Como? Com verbas do orçamento comunitário, desviando dinheiro hoje atribuído ao investimento na actividade pecuária.

Foi o único candidato a aparecer com uma argola na orelha.

A frase: «Se todos os europeus consumissem como um português, nós teríamos consumidores para dois planetas.»

 

Gonçalo Madaleno (PTP). Quer uma «bolsa de arrendamento», à escala europeia, para assegurar «habitação digna para todos». Não explicou como.

Estudante de Direito, é o candidato mais jovem. E era também o mais nervoso.

A frase: «A sociedade é composta de seres humanos.»

 

João Patrocínio (PNR). Afirmou-se defensor de «uma política de natalidade». Sem entrar em pormenores, eventualmente embaraçosos. 

Foi o candidato que elevou mais a voz.

A frase: «Esta Europa está moribunda.»

 

Luís Júdice (MRPP). Quer Portugal fora da União Europeia a partir de agora para «ganharmos soberania». Não chegou a citar a célebre frase «orgulhosamente sós», mas andou lá perto.

Foi o único a aparecer todo vestido de preto.

A frase: «Trabalharemos afincadamente para a dissolução da União Europeia e para a dissolução do euro como moeda única»

 

Paulo Morais (Nós, Cidadãos). Quer uma entidade externa - supostamente paga por dinheiros públicos - a «fiscalizar os eurodeputados», em nome da transparência. Mas quem fiscalizaria por sua vez a referida entidade?

Foi um dos dois candidatos a usar gravata (o outro foi Paulo Sande).

A frase: «Os cidadãos europeus, e os portugueses em particular, têm todo o direito de saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos.»

 

Paulo Sande (Aliança). Quer «aproximar a Europa dos portugueses». Como? A Assembleia da República deve «ter muito mais a dizer sobre políticas europeias». Na «coesão», por exemplo. Provavelmente, nem todos os telespectadores terão entendido.

Foi um dos dois candidatos a usar gravata (o outro foi Paulo Morais).

A frase: «Os extremos à esquerda e os extremos à direita tocam-se em quase tudo. A moderação é hoje quase um novo radical.»

 

Ricardo Arroja (IL). Quer «menos burocracia, menos impostos, mais liberdade.» Como? Aumentando a concorrência. «Há que questionar se as leis da concorrência têm vindo a ser aplicadas em Portugal.»

Foi o que falou em tom mais cordato.

A frase: «Temos de reconhecer, no espaço da UE, todas as categorias profissionais.»

 

Rui Tavares (Livre). Quer «uma esquerda verde e europeísta» que possa implantar uma «rapidíssima transição energética» na «maior democracia transnacional do mundo». Não ficou bem claro como pretende criar «milhões de empregos» na «economia verde», cor que parece ter substituído o vermelho no imaginário de certa esquerda contemporânea.

Foi o candidato que usou mais palavras por minuto.

A frase: «O novo Pacto Verde é um Plano Marshall da nossa geração.»

 

Vasco Santos (MAS). Quer criar um «salário mínimo europeu» de 900 euros, tendo como referência o que existe em Espanha. Sem esclarecer como.

É o candidato mais magrinho. Ou elegante, para usar um eufemismo em voga.

A frase: «Se continuarmos desta maneira, a espécie humana não tem futuro possível.»

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.05.19

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A Rapariga Sem Pele, de Mads Peder Nordbo

Tradução de Jorge Pereirinha Pires

Romance

(edição Planeta, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 21.05.19

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Adolfo Mesquita Nunes: «E lá se arranjou forma de afastar Lopes da Mota sem afastar, o que dá bem conta de como as coisas se passam no caso Freeport, em que se investiga sem investigar e suspeita sem suspeita. É como o Sol de Inverno: brilha mas não tem calor.»

 

Ana Vidal: «Em tempos de crise generalizada - inclusivamente de valores - e de um desalento que vai avançando, imparável, minando todas as vontades e iniciativas, é bom saber que a consciência social ainda existe nos espíritos de quem pode, realmente, ser parte da solução dos problemas.»

 

Cristina Ferreira de Almeida: «O Montepio quer comprar o BPN, mas sem o passivo: acho lindamente. Não calha nada nos objectivos comprar um banco com 1,8 mil milhões de euros de passivo. Depois avisem-me quando a compra estiver concluída para eu dar um saltinho ao balcão do BPN. Queria comprar o duplex do meu prédio, mas não me convinha aumentar a dívida do crédito à habitação e preciso de um banco que me compreenda.»

 

João Carvalho: «Lembrei-me do antigo presidente do banco [BPP]: João Rendeiro garantiu que ia fazer pagar caro aos que se atreveram a apontar o dedo à sua gestão. Entretanto, passou-se a falar claramente das fortes suspeitas de grandes irregularidades em operações da sua lavra. E o que é que tem acontecido? Rendeiro rendeu-se ao silêncio. Acho que faz bem.»

 

Jorge Assunção: «Sou absolutamente contra qualquer tipo de quota.»

 

Eu: «Vital Moreira é um entusiasta declarado do Tratado de Lisboa, Paulo Rangel também. Vital Moreira acha normalíssimo que o PS tenha violado a promessa eleitoral de referendar o Tratado Constitucional (de que o de Lisboa é um óbvio sucedâneo), Paulo Rangel faz como ele. O PS aplaude a entrada da Turquia na União Europeia, embora sem explicar aos portugueses quanto nos custaria essa adesão, e o PSD também aplaude.»

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Canções do século XXI (778)

por Pedro Correia, em 21.05.19

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Europeias (11)

por Pedro Correia, em 20.05.19

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INICIATIVA LIBERAL: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Incentivo à mobilidade laboral: cada europeu deve aceder ao mercado de trabalho fora do seu país de origem, sem burocracias.
  • Adopção de um sistema de equivalência total entre níveis de escolaridade nos Estados membros, facilitando o intercâmbio estudantil.
  • Defesa intransigente da retirada do Estado de todas as actividades que possam ser desenvolvidas com vantagem por um mercado concorrencial.

 

Do programa eleitoral, Liberdade, Tolerância e Prosperidade

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.05.19

«Terra ou terra?
A terra tem coisas boas. O meu irmão comia terra. Falta de ferro – opinou o pediatra que também era meu tio.
Eu preferi bosta de vaca, quentinha, acabada de fazer. Saí largado para casa e trouxe uma colher. Sentei-me no chão, bosta entre as pernas abertas e comi à colherada até que a Luzia, cozinheira da casa, me pegou ao colo horrorizada.
Há gostos para tudo. Talvez a comida aquecida fosse da minha preferência e, sobretudo, não arranhava os dentes.
Sabemos que a dieta tem consequências futuras. Tenho 1,80 m e o meu irmão ficou-se pelos 1,65. Prova que merda de vaca é melhor que terra crua.

E mesmo quanto à Terra, sou geólogo porque sempre me fascinaram os minerais e os cristais. E depois as falhas, as dobras e até o cavalgamento que o Canadá resolveu fazer à Península Ibérica. Fascinante!
Arrastou consigo os sedimentos que estavam no fundo do mar. Foram mesmo buldeziriados, dobrados, esticados e acamados numa série com centenas de metros de histórias para contar.
Esta é a Grande História de Portugal. Os sedimentos, assim esmagados e comprimidos transformaram-se em xisto. E nesse xisto, que consegue reter água mesmo em períodos de seca grave, se produziu o milagre do Vinho do Porto.

Quanto ao meu irmão, ficou-se pelo curso de História. Do Vinho do Porto apenas sabe uma coisinhas do Marquês de Pombal e da chegada dos ingleses para o comercializar.
Fica para sempre o civismo e simpatia dos portuenses, mesmo com palavrões à mistura. Talvez tenham sido os ingleses a tornar única esta cidade que não é nem parece mediterrânica. É atlântica. Adoro-a e não sou de lá.»

 

Do nosso leitor José Carlos Menezes. A propósito deste meu texto.

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Europeias (10)

por Pedro Correia, em 20.05.19

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TEMPOS DE ANTENA: ALGUMAS FRASES

 

«Queremos dizer "não" a todas as visões nacionalistas, xenófobas, racistas, sexistas, especistas, homofóbicas e transfóbicas.»

André Silva, deputado do PAN

 

«Chega desta miséria humana política em que nos encontramos.»

André Ventura, cabeça de lista da coligação Basta

 

«Vamos derrotar a política do ódio.»

António Capelo, actor e mandatário nacional do BE, em voz off 

 

«Sois vós, jovens de Portugal, que tereis de denunciar e derrubar os novos bezerros de ouro com que praticamente todos os governos e todos os partidos políticos parlamentares têm enganado as gerações actuais.»

António Marinho e Pinto, cabeça de lista do Partido Democrático Republicano

 

«A dignidade do ser humano é inviolável e deve ser respeitada e protegida.»

Dario Fonseca, candidato do Partido Unido dos Reformados e Pensionistas

 

«Alguns dirão que sou demasiado jovem. Todavia, considero que a idade me proporciona uma outra visão e sentido prático de contribuir para a resolução dos problemas.»

Gonçalo Madaleno, cabeça de lista do Partido Trabalhista Português

 

«Procurem descobrir as diferenças entre PS, PSD e CDS.»

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

 

«Para nós, não há géneros. Há meninos e meninas. E há sexos.»

João Patrocínio, candidato do PNR

 

«Estamos presos a um euro que nos empobrece ano após ano.»

José Preto, advogado e candidato independente na lista do MRPP

 

«O CDS é a única escolha possível para quem é de direita em Portugal.»

Nuno Melo, cabeça de lista do CDS

 

«Vamos pugnar por uma Europa e um Portugal mais transparentes.»

Paulo de Morais, cabeça de lista do Nós, Cidadãos

 

«Queremos melhor Europa e mais Portugal.»

Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD

 

«Propomos uma eleição nacional feita por voto electrónico.»

Paulo Sande, cabeça de lista da Aliança

 

«É incrível. Se nós conseguirmos que estes filhos do nosso país regressem [a Portugal], já ganhámos.»

Pedro Marques, cabeça de lista do PS

 

«A Europa precisa de um 25 de Abril.»

Rui Tavares, cabeça de lista do Livre

 

«Nós fizemos uma revolução neste país para acabar com o fascismo. Eles querem ressurgir a tortura, a prisão, o DELITO DE OPINIÃO.»

Vasco Santos, assistente operacional no Hospital de Barcelos e cabeça de lista do Movimento Alternativa Socialista

 

«É hora de liberalizar. Olha que vais gostar.»

Voz off, cantando, no tempo de antena da Iniciativa Liberal

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.05.19

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As Pessoas Felizes, de Agustina Bessa-Luís

Prefácio de António Barreto

Romance

(reedição Relógio d' Água, 3.ª ed, 2019)

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Com a Bíblia

por jpt, em 20.05.19

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("Violando a Bíblia", na Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson)

Ainda que incréu nutro o maior respeito pela fé alheia. Tendo sido alfabetizado ainda mais saúdo aqueles que seguem o(s) Bom(ns) Livro(s). Mas com a idade cada vez mais me custa aturar os fanáticos, os que interpretam o(s) tal(is) livro(s) à letra: aqueles dos islâmicos que em ânsias de cortar as mãos aos ladrões; os liberais vendo a total livre empresa como o bólide que nos conduz ao Eden; os marxistas que tudo querem do Estado, que julgam Santo; os, talvez os piores, do culto de Foucault, que a todos os tipos de poderes dizem ilegítimos e perversos; os cristãos, que nem nos deixam invocar o nome de deus em vão, nem tão pouco cobiçar as mulheres porque "de outros"; os do PS, que afirmam ser silvestre a entidade Berardo; etc. Todos estes se agarram aos textos que dizem sacros e se empertigam, nas suas falsárias falsas verdades. Assim tanto nos incomodando. E prejudicando.

Mas depois todos eles se desdizem. São uns mariolas pois, de facto, dos tais bons livros só retiram o que lhes dá jeito. Aos cristãos poderemos entoar isto: "Obedeçam às minhas leis. "Não cruzem diferentes espécies de animais. "Não plantem duas espécies de sementes na sua lavoura. "Não usem roupas feitas com dois tipos de tecido." (Levítico 19:19).

E aos outros bastará abrir os livros (deles). Ao "calhas". E mostrar, com breves citações, o quão inconsequentes vão. Os tais mariolas.

(Talvez a melhor cena literária do abrir a Bíblia ao calhas e de como se manipula o "Bom Livro" seja a da Ilha do Tesouro (Stevenson), a da manha do carismático "bom pirata", o soberbo Long John Silver, uma das grandes personagens literárias de sempre. Aqui em versão "marretiana" ...)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 20.05.19

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Ana Margarida Craveiro: «Li nos jornais que, com a crise, houve um aumento na "procura" de emprego nas Forças Armadas. Por muita confusão que isso me faça, o exército é hoje um emprego vulgaríssimo, das 9 às 5. E isso tem vantagens, nos tempos que correm.»

 

Cristina Ferreira de Almeida: «A professora de Espinho merece um castigo severo. A descrição que faz de um bacanal romano é inaceitável; do que li, não é verdade que só comessem e vomitassem: iria jurar que também havia sexo envolvido. Nos meus tempos do Liceu Pedro Nunes, os professores com esta falta de rigor levavam logo com bolinhas de papel na cabeça quando se viravam para o quadro.»

 

João Carvalho: «Os alunos voltaram a dizer que foi tudo fácil. Podemos, pois, estar tranquilos: é natural que continuemos a subir nas respectivas estatísticas. Só falta começarmos a saber mais qualquer coisinha de Língua Portuguesa e de Matemática e a exigir programas de ensino decentes. Não é grave. É apenas urgente.»

 

José Gomes André: «Na enumeração dos êxitos deste Governo, Vital Moreira fala da"reabilitação da escola pública", uma referência que só podemos entender como um verdadeiro momento de humor. Qual reabilitação? Uma escola onde os valores da aprendizagem e do esforço são desconsiderados, onde os professores são vilipendiados e desautorizados?»

 

Paulo Gorjão: «Paulo Rangel não se lembra se chegou a ser militante do CDS-PP. A memória prega-nos destas partidas. José Pacheco Pereira, no Abrupto e em declarações ao Expresso, irá seguramente tecer considerações sobre o carácter de Paulo Rangel.»

 

Teresa Ribeiro: «Ao possibilitarem o acesso directo às fontes, os telemóveis introduziram pequenas variantes neste nosso peculiar mundo laboral. A falta de rede é apenas uma das várias desculpas que substituem palavras tão definitvas como um maravilhoso e rotundo "NÃO".»

 

Eu: «Li com atenção a entrevista de Paulo Rangel à edição de ontem do novo diário i, muito bem conduzida por Ana Sá Lopes. Procurei nestas duas páginas de jornal propostas diferentes do PS em matéria europeia: não encontrei nada.»

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Canções do século XXI (777)

por Pedro Correia, em 20.05.19

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Europeias (9)

por Pedro Correia, em 19.05.19

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COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Dissolução da União Económica e Monetária e fim do Pacto de Estabilidade, substituído por um pacto para o emprego e o desenvolvimento.
  • Combate à deriva neoliberal de uma União Europeia dominada pelos mais fortes, onde coesão e solidariedade são apenas palavras vãs.
  • Combate decidido às forças de extrema-direita, nacionalistas e xenófobas, incluindo grupos fascistas e até nazis, que alastram pela Europa.

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Dos comendadores

por jpt, em 19.05.19

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(A propósito das imensas críticas aos comendadores que vou lendo nesta época, até os dizem “cadastrados”)

Eu sou comendador. Em Maputo, no dia 1 de Julho de 1997, foi-me entregue a medalha. Eu gostei. A república, que é uma democracia, coisa sine qua non para esse meu gosto, assim reconheceu o mérito de um trabalho colectivo e condecorou os que compunham a equipa. E saí com a caixa das insígnias também pensando que alguns dos homens da minha família antes haviam passado pelo mesmo. E também gostei disso, pensai o que quiserdes.

No dia seguinte era o meu aniversário, então o 33º. Ao chegar ao trabalho a minha secretária deu-me os parabéns por isso. Espantei-me, “como sabe que faço anos?”. “A sua mãe já telefonou” – ainda não havia telemóveis em Moçambique. Sentei-me e telefonei-lhe: “Bom dia mãe, muitos parabéns” – pois são as mães que devem ser abençoadas nestes dias – “Bom dia meu filho, muitos parabéns”, “Como está? Como está o pai?”, “Já o vou chamar” – estaria ele, naquela alvorada, ainda nos seus preparos matinais. “Mãe, espere, espere, tenho uma boa notícia para lhe dar”, avancei, ufano, crente que ela gostaria de saber da novidade, ainda para mais recaindo neste traste benjamim, “o que foi, filho?”. “Mãe, fui condecorado…”. Ela reagiu, atrapalhada, “Ó João, desculpa, eu pensei que estava a falar com o Zé”. Magnífico momento, muito me ri com o quão certeira esteve ela, a haver condecorados na sua prole seria aquele mano-velho – mas já não sei se o nosso outro irmão terá gostado tanto da história, o primogénito ainda para mais … E ficou para sempre, se nem a minha mãe me via comendador para quê quaisquer devaneios?

A vida voou, e 18 anos depois regressei à Pátria Amada. Passara 15 anos a leccionar sem ter o cuidado de interromper para fazer um doutoramento. Decidi fazê-lo e candidatar-me a uma bolsa de estudos da FCT. Seria muito difícil obtê-la: poucas vagas; muitos candidatos, e muito bem preparados; as minhas limitações intrínsecas. Os concursos são muito objectivos, a classificação implica a ponderação de muitos itens quantitativos, e isso é bom. Mas mau para mim, com um percurso profissional algo excêntrico, e assim parco em itens quantificáveis naqueles formulários. O que era grave, pois todas as décimas de ponto contam naqueles concursos. Um dia, durante a complexa preparação da candidatura, de súbito lembrei-me: “sou comendador”, e de que as comendas dão um bónus na avaliações nos concursos públicos. Logo confirmei isso com uma magnífica minha antiga directora. E telefonei para a FCT pedindo informações. Reenviaram-me para um outro serviço público, e cheguei à fala com uma senhora doutora, seca ao telefone. Expus a situação, “eu tenho uma comenda”, “e sou candidato a uma bolsa”, “Sim?” veio de lá uma voz algo mais adoçada, “É um concurso público e o formulário não tem onde integrar este item”.  Deu-me uma pausa, um longa hesitação, depois comigo trocou dizeres que nada mais foram do que gaguejo, surpreendido, pois nunca pensara naquilo. E célere culminou num “Pois, lamento mas não está previsto”, e arrumou-me assim.

Assim, nem a glória na família. Nem um pequeno empurrão na busca de uma modestíssima bolsa de doutoramento … Ou seja, a comenda não é utilitária. De nada me valeria ir ali à Place Flagey ou passear-me aqui em Schaerbeek num “bom dia, sou o comendador Teixeira”, a ver se puxo a brasa à minha sardinha. Ou ao consulado, a ver se me convidam para o 10 de Junho, aos pastéis de nata (“oh, j’aime bien les pásteis de nâtá” suspiram as belgas que conheci, e eu furibundo a pensar “como raio se diz alfarroba em francês?” ou, se em versão hard, “e trouxa de ovos?”). Ou até à feira da agricultura da CAP e do Nuno Melo, ali ao Cinquantenaire. Nem mesmo à secção do BE de cá, “olá, sou o camarada comendador, vim para apoiar a Marisa Matias”. Ou escrever ao João Gonçalves, “a Aliança não quer o apoio do comendador Teixeira?”. Todos pensariam o óbvio, “o homem não está bem”. E cada um reagiria à sua maneira, mais ou menos piedosa.

Dito isto, ser comendador não é vantagem. As pessoas, eleitoras, andam zangadas connosco. Mas nós não somos qualquer problema. Se fossem clarividentes zangar-se-iam era com os “fazedores de comendadores”. Nos quais votam e se aprestam a revotar. E estão iradas com o meu colega Berardo. Di-lo o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, a Pessoa Muito Importante Marques Mendes, entre outros. E até lhe querem tirar as comendas. Porquê? Porque não encenou a peça, não coreografou a dança, não entoou a melodia encantatória, a ladainha da patranha, julgada necessária para que se mantenha o rumo tal e qual. Nele assim não se viu a fuga da amnésia, o trinado da humildade, o rap da complexidade, o minuete da tecnicidade. Nada, não ofereceu nada, nenhum remanso. E, nisso, demonstrou, com inegável rusticidade - essa bela qualidade castrense - o quão os desprezava. Aos “fazedores de comendadores”. E aos seus eleitores.

O colega merece é um Grão-Colar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.05.19

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A Linha do Horizonte Está a Arder, de João Cunha Borges

Poesia

(edição Exclamação, 2018)

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