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Dizer não às idiotices

por Alexandre Guerra, em 31.10.18

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Barbara Broccoli e Daniel Craig/Foto: The Guardian

 

A mudança dos tempos implica, quase necessariamente, a mudança das mentalidades. É uma evidência que decorre da evolução das sociedades ao longo da História. São processos morosos e que não acontecem de um dia para o outro. Não se mudam mentalidades por decreto e muitos menos por imposição. A questão é que, nos últimos anos, tem-se assistido a uma aceleração incontrolável para a instituição de modelos de pensamento que resultam, em parte, dos excessos da globalização e da (r)evolução das tecnologias de informação /comunicação, com a emergência, por exemplo, do fenómeno das “redes sociais”, onde impera uma espécie de anarquia e que acaba por ditar tendências. São estas tendências, impostas sobretudo por essas novas “massas” digitais, que, de forma imparável e a uma velocidade louca, têm contribuído para uma certa histeria e cegueira no processo de decisão, de forma a ir de encontro àquelas que passaram a ser as “convenções socialmente aceites”, comummente o chamado “politicamente correcto”, na convivência entre os cidadãos da polis. E o problema é que estes processos (mesmo aqueles que têm fins mais virtuosos) se desenrolam de forma desenfreada e irreflectida, cometendo-se abusos, exageros e, muitas vezes, absurdos monumentais.

 

A cultura pop, nomeadamente através do cinema e da televisão (leia-se, séries), tem sido quase mimética no eco que faz dessas “exigências” que se fazem ouvir ruidosa e ferozmente nas “redes”. Exigências que, mascaradas com uma pseudo-tolerância e o mote da defesa da igualdade de direitos, acabam, na verdade, por esconder preconceitos e ideias castradores, conduzindo ao disparate. Disparates como aquele que, há uns tempos, começaram a circular, sugerindo que uma das personagens masculinas mais icónicas da história do cinema das últimas décadas poderia, na verdade, dar lugar a uma mulher. Felizmente, teve que ser uma mulher a ter a coragem para vir dizer que James Bond continuará a ser um personagem masculino (obviamente) e com as características que lhe são inerentes. Quem o disse foi Barbara Broccoli, a produtora da saga 007 e filha do histórico “Cubby”, que, juntamente com Harry Saltzman, foi quem trouxe o espião dos livros para o cinema.

 

“Bond is male. He’s a male character. He was written as a male and I think he’ll probably stay as a male. And that’s fine. We don’t have to turn male characters into women. Let’s just create more female characters and make the story fit those female characters.” Com esta frase proferida ao The Guardian há umas semanas, Barbara Broccoli pôs fim a um infeliz devaneio, alimentado não se sabe bem por quem, mas, certamente, por alguém que olha para a causa dos direitos de igualdade com as lentes distorcidas do fanatismo. E Broccoli foi ainda mais longe ao reconhecer que James Bond não é propriamente um ideal feminista e que muitas características não seu ADN nunca mudarão. É uma das produtoras mais poderosas da indústria do cinema, precisamente por deter os direitos de James Bond, e quem tenha acompanhado com atenção a evolução da saga dos filmes 007 nos últimos 20 anos, constata que Broccoli foi uma das primeiras a introduzir alterações relativas ao papel da mulher e à forma como o agente secreto as via, indo de encontro à tal mudança dos tempos. Mudanças que foram sendo graduais sem desvirtuar a essência de 007. Mas a verdade é que nos dias que correm, onde reina um ambiente de “caças às bruxas”, as palavras de Broccoli pressupõem coragem e determinação contra os extremismos da idiotice, sendo de salutar a sua sensibilidade na defesa de algo que continua a alimentar o imaginário de muitos de nós, homens e mulheres.

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Já li o livro e vi o filme (245)

por Pedro Correia, em 31.10.18

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     O ENXAME (1974)

Autor: Arthur Herzog

Realizador: Irwin Allen (1978)

Foi considerado "o pior filme de sempre" e tornou-se quase invisível, apesar do elenco com Michael Caine, Henry Fonda, Olivia de Havilland e muitas estrelas mais - incluindo milhares de supostas abelhas assassinas. O livro que lhe serve de base, longe de ser obra-prima, é bastante mais aceitável.

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Estátuas dos nossos reis (66)

por Pedro Correia, em 31.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Laureano Ribatua

Ano da inauguração: 1999

Localização: Vila Nova de Foz Côa, na Praça do Município

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.10.18

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Vida Moderna, de Maria Filomena Mónica

Crónicas jornalísticas (1985-1996)

(reedição Quetzal, 2018)

"Por decisão da Autora, este livro mantém a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990"

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Canções do século XXI (576)

por Pedro Correia, em 31.10.18

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Talvez seja o provincianismo e o atraso

por Luís Naves, em 30.10.18

Por todo o lado, sobre os assuntos mais corriqueiros, é possível observar a tendência para o pensamento mágico e para a reflexão de sacristia. Repetem-se ideias feitas e recitam-se argumentos moles. Nas redes sociais, ninguém quer destoar das boas intenções, o que não teria mal algum, se não fosse a imposição de uma mentalidade dogmática, quase feroz, que não tolera o mínimo desvio da ortodoxia. Se calhar, Portugal nunca deixou de ter uma sociedade incapaz de suportar a dissidência, o espírito inconformado e a percepção inquieta, tal como é visível nos velhos romances de Camilo, onde as personagens muitas vezes esbarram com hipócritas, pregadores de banalidades ou estreitas visões fradescas. Não tenho boas explicações para a intolerância intelectual portuguesa: talvez seja o nosso provincianismo, o atraso, o pouco hábito que temos de pensar pela nossa cabeça, ou antes, o desincentivo que existe para que cada um pense pela sua cabeça, pois que a independência é sempre olhada com desconfiança, quando não é recebida com hostilidade.

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Estátuas dos nossos reis (65)

por Pedro Correia, em 30.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Helder Carvalho

Ano da inauguração: 1998

Localização: Vila Flor, na Praceta D. Dinis

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1923

por Diogo Noivo, em 30.10.18

Caciquismo, corrupção e violência desenfreada. Estas foram as principais características de Espanha no início da década de 1920. Havia um divórcio absoluto entre o regime da Restauración e as necessidades e anseios da população. Os partidos viviam de quezílias, da manutenção de redes clientelares e de discussões estéreis para a maioria da população.

Em 1923 aparece Primo de Rivera, general do Exército que assumiu o papel de “cirurgião de ferro”, uma figura quase mítica há anos reivindicada por uma parte da intelectualidade espanhola e bem acolhida por vários sectores da população. Era a última esperança do regeneracionismo.

Primo de Rivera não foi eleito, é certo, mas o assalto ao poder foi um desfile plácido pela passadeira vermelha. Monarca, industriais, latifundiários, a imprensa relevante e a generalidade do povo cederam o passo ao general. A impressão dominante era a de que se tratava de um mal necessário. Não era o homem que devolveria a Espanha a grandeza de outras épocas, mas era o personagem que instauraria um módico de ordem, que reiniciaria o sistema político e que estabeleceria as bases do desenvolvimento económico a que outros, mais consensuais e legítimos, haveriam de dar continuidade.

Não obstante alguns êxitos, a Ditadura de Primo de Rivera acabou mal, com o ditador isolado e com o regime da Restauración em falência certificada.

Mais do que estabelecer paralelismos entre o fim de Primo de Rivera e o que haverá de ser o fim de Jair Bolsonaro, retiro uma conclusão, de resto suportada por vários episódios semelhantes ocorridos na Europa no século XX: não são necessárias redes sociais ou sistemas de comunicação como o whatsapp para que personagens autoritários se instalem no poder com o beneplácito do povo. Basta que o regime incumbente revele a sua falência para que se abra espaço para o desastre.

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A derrota do jornalismo

por Pedro Correia, em 30.10.18

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Durante meses, andaram a contar-nos a história mutilada, a história incompleta, a história que nos deixou cegos, surdos e quase mudos sobre a verdadeira situação do Brasil.

Forneceram-nos um quadro previsível, dicotómico, com as etiquetas todas no seu lugar. Omitindo o desastre social, económico e político em que a quarta maior democracia do globo havia mergulhado.

O jornalismo genuíno - aquele que parte para cada história de olhos bem abertos, sem catecismos, deixando os preconceitos fechados à chave numa gaveta doméstica - voltou a ser menosprezado. Desta vez na eleição presidencial brasileira.

 

Como podia um "fascista", capitão na reserva, obscura personagem de terceiro plano na hierarquia parlamentar de Brasília, ascender ao Palácio da Alvorada?

Seria imaginável o país do samba e do Carnaval amanhecer "fascista"?

Impossível, claro. A "lógica dos acontecimentos", condimentada pelo determinismo histórico e pela militância ideológica em trincheiras de luta entre o mal e o bem, contaminou o relato factual.

O jornalismo foi substituído, semanas a fio, meses a fio, pela rotulagem rápida do pronto-a-pensar politicamente correcto. Não houve histórias com gente dentro, apenas focos de propaganda política. E nem era preciso rumar ao outro lado do Atlântico: bastava falar com os novos imigrantes brasileiros que se têm fixado em Portugal: são já 80 mil, formando aquela que é, de longe, a maior comunidade estrangeira no nosso país.

Bastava perguntar-lhes por que motivo fizeram as malas e vieram.

 

O "Lulinha paz e amor", que tirou da miséria 20 milhões de brasileiros durante o primeiro mandato, na sequência das medidas iniciadas por Fernando Henrique Cardoso, prevaleceu nos relatos que nos foram chegando.

Esquecendo tudo o resto, que compõe o retrato alarmante do Brasil actual: mais de meio milhão de homicídios cometidos na última década (uma pessoa assassinada a cada nove minutos), impunes em 90% dos casos; a maior recessão de que há memória, ocorrida em 2014; inflação que quase atingiu dois dígitos; um gigantesco cortejo de 13,4 milhões de desempregados.

Esquecendo os escândalos do Mensalão e do Lava Jato.

Esquecendo que o Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva e Dilma Roussef, com os seus aliados no Congresso, montou gigantescos mecanismos de corrupção, alicerçados na construtora Odebrecht, a maior empreiteira da América Latina, e na empresa pública Petrobras, contaminada até ao tutano pelos novos ricos sedentos de dinheiro fácil, protagonistas de inúmeros crimes de desvio e lavagem de dinheiro enquanto o país empobrecia.

Vejam uma imprescindível série da Netflix, chamada O Mecanismo. Aprendem mais sobre o Brasil contemporâneo do que lendo ou escutando quase todas as inanidades que o discurso jornalístico corrente tem produzido sobre o mesmo tema.

 

Os "activistas políticos" travestidos de repórteres que nos andaram a contar histórias de embalar perderam de repente o fio discursivo ao perceberem que o tal obscuro capitão na reserva (que poucos ou nenhuns procuraram sequer entrevistar) havia afinal recolhido 58 milhões de votos.

Nada aprenderam com a eleição de Donald Trump. Nada aprenderam com o Brexit. Nada aprenderam com as rápidas mutações políticas ocorridas em Itália. São permanentemente surpreendidos pelos acontecimentos porque têm andado sempre a contar-nos a história errada - uma história que confunde as "boas intenções" com o iniludível peso dos factos.

 

Fernando Haddad, o representante de Lula, foi claramente derrotado nas presidenciais brasileiras. Mas não ficou isolado: o jornalismo acaba de sofrer também uma pesada derrota. Mais uma.

Receio que esteja longe de ser a última.

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A nova candidatura de Hillary Clinton.

por Luís Menezes Leitão, em 30.10.18

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Hillary Clinton admite voltar a concorrer à presidência dos Estados Unidos. Espera-se naturalmente o mesmo retumbante sucesso que teve da outra vez, em que arrasou completamente a candidatura de Donald Trump.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.10.18

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A Última Porta Antes da Noite, de António Lobo Antunes

Romance

(edição D. Quixote, 2018)

 

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Canções do século XXI (575)

por Pedro Correia, em 30.10.18

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É isto mesmo

por Pedro Correia, em 29.10.18

«Só não sabe fazer a diferença quem olha à volta e não vê homens e mulheres, mas só etiquetas.»

Ferreira Fernandes, no DN de hoje

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Estátuas dos nossos reis (64)

por Pedro Correia, em 29.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Fernando Marques

Ano da inauguração: 1997

Localização: Leiria, na Rotunda das Descobertas

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.10.18

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Servidão Humana, de Somerset Maugham

Tradução de Ana Maria Chaves

Romance

(reedição ASA, 6.ª ed, 2016)

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Destituição?

por jpt, em 29.10.18

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Isto começou com alguns conhecidos jornalistas da esquerda socialista que botam nos "jornais de referência", foi secundado por "opinadores". Para meu espanto até por antropólogos (ironizo um pouco quanto a este espanto, no seio da corporação surpreende-me a desfaçatez mas não o pensamento). Defende-se o escrutínio dos votos dos imigrantes brasileiros em Portugal para opinar sobre a pertinência da sua permanência no país. A indução de um ambiente de pressão, moral que seja, sobre essa "comunidade" - que será muito mais um colectivo inorgânico de indivíduos, contendo alguns núcleos de sociabilidade e de entrejuda mas não exclusivos. De facto, a exigência que estes cidadãos legalmente residentes ("documentados", na gíria politicamente correcta desta falsa "esquerda") assumam - relativamente ao seu país e, em sentido lato, face ao mundo - os valores político-culturais putativamente dominantes na sociedade que os acolheu. Nos termos dos intelectuais (e dos antropólogos em particular) trata-se da exigência de uma "assimilação", perspectiva sempre contestada quando relativa a imigrantes oriundos da Ásia ou da África. Uma vontade assimiladora que é sempre dita efeito de racismo, de lusotropicalismo, de imperialismo, de (neo)colonialismo (o prefixo está a ficar em desuso muito por influência do pensamento boaventuriano, que tornou "colonialismo" um all aboard para definir a história moderna e contemporânea). 

 

Esta ênfase persecutória sobre os brasileiros é ainda por cima discriminatória, de modo paternalista, essa suprema face do racismo: ninguém nesta "esquerda", se preocupa em andar a escrutinar os votos (se os houver) dos imigrantes nepaleses, dos paquistaneses ou bangladexes, integrados em processos eleitorais complexos, entre ascensões de comunistas, "trumps" asiáticos e fundamentalismos islâmicos; ninguém se lembra de tentar encontrar as simpatias políticas dos imigrantes magrebinos ou do ocidente subsahariano, onde abundam os radicalismos islamófilos. E se alguém aventar a necessidade de fazer essa pesquisa, logo a corporação antropológica (olha logo estes) e os jornalistas do ex-DN e do Expresso, virão contestar, desabridos, a deriva persecutória, racista, securitária. Mas sobre os brasileiros, o voto no energúmeno bolsonar? Tudo é permitido. Isto mostra bem o paroquialismo desta classe-média locutora portuguesa mas também a incongruência e mediocridade intelectual e moral deste meio. Pois trata-se de um meio ambiente, não apenas de alguns miseráveis: eles botam estas coisas e não há, nos seus contextos de referência, partidários, profissionais, uma única voz crítica. Se algum jornalista do CM ou do Observador, se algum professor da Católica ou do ISCSP, escrevesse sobre a necessidade de escrutinar os votos dos imigrantes angolanos ou mauritanos para aferir da pertinência da continuidade dessa comunidade? O que diriam jornalistas, antropólogos e outros intelectuais, as presidentes da junta socialistas, os "comunicadores" e bloguistas-facebuqueiros? O que escreveriam os anticolonialistas directores dos jornais de referência, ex-diários que acolhem estes verdadeiros xenófobos nas suas páginas e nem tugem nem mugem? Mas este lixo? Passa. Porque os seus locutores "fazem parte ...", "são dos nossos" ...

 

 

Margarida Martins, a conhecida guida gorda do frágil, é diferente. Pois é presidente de uma junta de freguesia lisboeta, eleita no PS. Tem responsabilidades oficiais. Representa a besta exactamente como os outros locutores, do Expresso de Balsemão, do DN de Ferreira Fernandes ou das universidades, sejam estas quais forem. Mas representa-a assente, sentada, num cargo público para o qual foi eleita nas listas do partido do governo. Para mais é presidente de Arroios, freguesia onde coabitam imigrantes de dezenas de nacionalidades. E tem este tipo de mentalidade persecutória (e assimilacionista) face a "comunidades" imigradas. Isto é um óbvio caso que requer a destituição. Pelo menos a retirada de apoio de um partido que está no governo e anda com a prosápia que anda - ali logo ao lado a mandar construir um templo com fundos públicos, destinado aos estrangeiros, por exemplo.

 

Claro que os jornais de referência não a atacarão. Afinal a "guida" é "lisboa". E, mais do que tudo, é "pêésse", das "nossas".

 

Um gajo olha para esta gente, estes guidas gordas, estes jornalistas rastejantes, estes antropólogos "de esquerda", e lembra-se, constata, que, como todos, tem um bolsonaro cá dentro. Há que o reprimir. Ser cívico, civilizado. E, nesse civismo, clamar o óbvio: Margarida Martins tem que ser destituída. Isto é inaceitável. Os restantes têm que ser desprezados. E ditos.

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A grande viragem

por Luís Naves, em 29.10.18

O poder tem regularmente inversões de ciclo, quando os eleitores rejeitam a ordem vigente e escolhem, no meio de grande resistência, uma nova geração de políticos que reflecte as novas gerações de pessoas. Estamos a assistir a uma dessas viragens regulares, muito semelhante à que ocorreu no final dos anos 70, inícios dos anos 80, quando os governos do mundo industrializado foram varridos pela vaga liberal, na altura chefiada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Tudo o que recordo desse tempo é semelhante ao que vemos agora. A simples intenção de tentar perceber os factos suscita reacções de grande violência retórica por parte daqueles que não aceitam qualquer mudança e que tentam defender o mundo anterior. E, no entanto, as sociedades viram as páginas que querem virar. Em várias democracias avançadas, (o movimento começou no Reino Unido, alastrou aos Estados Unidos) significativas franjas do eleitorado rejeitaram a ordem instituída e votaram a favor de projectos nacionalistas, que defendem o recuo da globalização, a limitação das migrações, o regresso daquilo a que chamam os valores tradicionais, além do reforço da soberania, incluindo no plano económico. Esta é, de alguma forma, a inversão do ciclo liberal da era de Reagan e Thatcher, mas há também a recusa veemente dos avanços sociais ligados ao Maio de 68, os quais visavam contestar as estruturas da autoridade e negar a moral dominante. A ordem instituída (jornalismo, mercados, partidos) tenta travar a enxurrada diabolizando o adversário emergente. Foi o que aconteceu nos anos 80, quando o tsunami liberal era classificado abaixo de fascismo. A definição estava errada, como se viu, e o novo poder alastrou um pouco por todo o lado, tornou-se a ortodoxia, acelerou a globalização, derrubou o Muro de Berlim e, agora, depois de mostrar os seus limites na Grande Recessão, é a velha ordem que ameaça ser substituída.

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Canções do século XXI (574)

por Pedro Correia, em 29.10.18

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Fotografias tiradas por aí (432)

por José António Abreu, em 28.10.18

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Rio Alva, perto de Oliveira do Hospital, 2018. 

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Tentando compreender o Brasil político

por João Pedro Pimenta, em 28.10.18
Nas últimas semanas tenho andado febrilmente a ler e reler coisas sobre a vida política no Brasil. Não somente nos jornais e noticiários actuais, mas também na net (não tanto as redes sociais, embora também sejam importantes para se perceber os humores, mas mais artigos antigos, jornais online, vídeos preciosos que se encontram no Youtube, dados wikipedianos, opiniões), e na biblioteca possível. Voltei aos tempos de Vargas e JK, passei pela ditadura militar, pela redemocratização e pelo percurso efectuado desde então. Para tentar perceber enfim o que o Brasil político, porque é que se prepara para eleger uma personagem tão inquietante como Bolsonaro e porque é que a alternativa que sobra é o agora tão detestado PT (esta última premissa ajuda a perceber a segunda).
 
A primeira ideia que vem à memória, tal como dizem algumas publicações do país, é que estas eleições não são exactamente inéditas e trazem memórias de há uns tempos. A disputa de 1989, primeiras eleições presidenciais em quase trinta anos no novo regime democrático, surgia numa altura negra para a economia brasileira, não tanto o desemprego que se observa hoje, mas uma hiperinflação e a consequente recessão económica, com um presidente impopular (Sarney), tal como agora (Temer), e que só acedera ao Planalto por ser vice do presidente anterior (naquele caso, a morte de Tancredo antes da tomada de posse, agora, a destituição de Dilma pelo Congresso). Nas eleições, disputadas por um grande número de candidatos, surgiu um jovem turco de direita, Collor de Mello, por meio de um pequeno e pouco relevante partido, com uma enorme e eficacíssima rede de propaganda e um discurso alertando para o "perigo vermelho"; a postura agressiva e o discurso pré-ditatorial usado pelo ex-capitão diferenciam-no de Bolsonaro, mas as outras características estão lá; com ele passou à segunda volta o carismático líder de um partido de esquerda "de massas", com base na cintura operária de S. Paulo, mas que ainda atemorizava muitos pelas associações com o comunismo, que naquele tempo fazia a sua espectacular derrocada; sim era Lula da Silva, e não é preciso  mostrar as semelhanças com a actualidade (mesmo que a personalidade seja muito diferente, Lula não é Haddad e vice-versa?). Em terceiro, e fora da segunda volta, ficou o candidato do PDT, de centro-esquerda, um experiente político com uma carreira executiva de respeito, mas desbocado e abrasivo, e então como agora tentou em vão tentou superar o PT; a descrição de Brizola de 1989 aplica-se a Ciro Gomes; Ulysses Guimarães, o "pai" da Constituição brasileira, na altura candidato pelo proeminente PMDB, é comparável a Geraldo Alckmin, do PSDB, pelos apoios que teve e pela fraca votação que recolheu (e que pelo seu passado executivo e pelos partidos que o apoiam tem muito também de Mário Covas e); Marina, a candidata ecológica, teve um antecessor chamado Fernando Gabeira (cuja filha, Maya Gabeira, é uma conhecida surfista que por pouco não desapareceu nas ondas da Nazaré). E assim sucessivamente. Falta saber se Bolsonaro também se envolverá em moscambilhas e verá o movimento que o apoia voltar-se contra ele, como sucedeu a Collor.


A outra conclusão que se retira é que ainda que haja imensos partidos no Brasil - no congresso são uns vinte e tal, com siglas e nomes parecidos - a sua real força é apenas formal. Bolsonaro ganhou dezenas de milhões de votos com o apoio de dois "nanicos" partidários. Por outro lado, Geraldo Alckmin, ex-governador de S. Paulo, o candidato apoiado pelo PSDB (até agora o grande partido de oposição ao PT, e que em tempos esteve no poder), pelo PP  pelo DEM - os dois grandes partidos da direita tradicional - teve menos de 5%. E Henrique Meirelles, apoiado pelo grande partido kingmaker do centrão, o velho PMBD, teve pouco mais de um por cento. Ou seja, a ideia de partidocracia no Brasil não existe, porque são sobretudo votos de ocasião ou barrigas de aluguer para muitas candidaturas, o que se prova pela velocidade com que a maioria dos políticos muda de sigla - Bolsonaro e Ciro, por exemplo, já estiveram em meia dúzia de formações diferentes. Paradoxalmente, e na altura da sua derrota, o PT provou que é o único partido brasileiro com uma máquina estruturada e com um apoio fiel do eleitorado, mesmo sem Lula estar presente, o que poderá ser importante no jogo político dos próximos anos.

Os brasileiros votam sobretudo em caras e em personalidades fortes. Collor, Lula, FHC, como tem tempos votaram em Getúlio e em JK de Oliveira. Agora preparam-se para votar em Bolsonaro. O ex-capitão tem apoios corporativos fortes, dos sectores militares aos grupos de jovens turcos da nova direita, como o Movimento Brasil Livre. E a aposta nas redes sociais e nos meios de comunicação instantânea e de massas, como o WhatsApp, tem-se revelado uma mina num país em que as pessoas lêem poucos jornais e acham que a informação "está na internet". Tudo isso num panorama em que as pessoas se cansaram da corrupção extrema, da violência sem fim, da queda da economia. Claro que o PT não é o único culpado, como se comprova pelo mandato Temer. Mas  está igualmente na origem desses problemas, e obviamente grande parte da população não quer votar em quem não sabe sequer fazer um mea culpa e continua com a tese única do "golpe". além disso,  aquelas manifestações sempre a bater nas mesmas teclas "direitos LGBT" e sei lá que letras mais, a "transfobia", as minorias, etc, pouco dizem à esmagadora maioria dos brasileiros, mais preocupados com problemas gerais do país. Por cada uma dessas manifs, Bolsonaro devia ganhar mais uns milhares de votos. E pouco se ouviu falar de temas ecológicos, como o perigo que ameaça a Amazónia. E também não se subvalorizar deve o factor "desilusão": o partido e o homem que anunciavam uma nova era (e que durante uns anos lá se ia cumprindo) revelaram-se afinal iguais aos outros.

E no meio desse turbilhão, há cento e quarenta milhões de eleitores - 14 vezes a população portuguesa - que podiam colocar do avesso todas as análises feitas sobre as eleições e mostrar que estes escritos são tão válidos como muitos outros. Aguardemos.

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A culpa é de Bolsonaro

por Pedro Correia, em 28.10.18

Um recorde acaba de ser batido aqui no blogue. Concretamente, um recorde de comentários. O texto do JPT intitulado A propósito de Bolsonaro supera o anterior marco, congregando 386 comentários. E ainda com tendência para crescer.

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Estátuas dos nossos reis (63)

por Pedro Correia, em 28.10.18

 

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Lagoa Henriques

Ano da inauguração: 1979

Localização: Ourique, Praça D. Dinis

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Bolsonaro é apoiado por várias igrejas evangélicas - sobre cujas dimensões mariolas e comerciais poucas dúvidas haverá. E é certo que IURD e afins já apoiaram o PT (business as usual ...). Mas agora bolsonarizam. Que diz a igreja católica, tradicionalmente menos explícita nos seus apoios? Consulto o insuspeito Vatican News e noto que o Conselho Nacional dos Bispos do Brasil já apelara, em Abril, à participação dos católicos nas eleições, para isso evocando considerações do actual Papa e fundando-se nas perspectivas de Bento XVI. E encontro o texto produzido na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, desta semana (23 e 24 de Outubro): "Nota da CNBB por ocasião do segundo turno das eleições de 2018". 

 

O documento é interpretável, claro. E, assim sendo, cada um o lerá segundo a sua ... decisão prévia. Está acessível na ligação que incluí mas copio a sua conclusão: "Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz!". Cada um que tire as suas conclusões, segundo a sua ... decisão prévia. Mas, caramba, é difícil não encontrar aqui uma elíptica alusão, como é tão habitual na igreja católica, à retórica (e às intenções proclamadas) do capitão Bolsonaro.

 

Interessam-me as reacções portuguesas ao caso bolsonar. A simpatia para com ele, óbvia ainda que implícita - pois explicitá-la ainda tem custos sociais -, na comunicação social e na política. Jornalistas e bloguistas, "comunicadores" como agora se diz, e políticos que se situam na direita elaboram-se com enleios de neutralidade. Esta tendência anuncia o que um ambiente sociocultural e profissional lisboeta está pronto para acolher, caso surja a hipótese (muito implausível em Portugal, ainda assim). Dessa retórica "neutralidade" é exemplo o que li ontem de um conhecido e veterano bloguista: é "paternalismo" botar opinião sobre as eleições brasileiras! 15 anos depois do advento dos blogs, onde participou e onde nos seus blogs e em tantos interactuantes imensa opinião se botou sobre as várias eleições americanas, francesas, russas, a "hermana" Espanha, angolanas, Tsipras e Varoufakis, se calhar até brasileiras, brexits, autonomias, etc. Mas agora? É paternalismo opinar. 

 

É interessante pois este é um meio, político, social e cultural, que usualmente se revê no CDS, com mais ou menos flutuações. Partido que se reclama (ou reclamou) da democracia-cristã, da doutrina social da igreja e com ligações, muito legítimas, ao mundo eclesiástico.  Ora muito dos agora "neoneutrais", simpatizantes, militantes (e até presidentes, como Cristas, a quem referi ontem), fazem "orelhas moucas" ao (elíptico) parecer eclesiástico. 

 

Deixemo-nos de subterfúgios, a democracia-cristã portuguesa morreu. E esta direita "neoneutral" anseia por um "movimento de capitães". Deste tipo bolsonar. A igreja? Serve para a pompa do casamento dos filhos, enterrar os conhecidos, quiçá a missa do galo, para alguns só alguns ainda para um convívio dominical. Eu, ateu e nem baptizado, conheço mal a Bíblia. Mas tenho a ideia de lá ter lido "bem-aventurados os hipócritas, porque eles serão fartos" (Mateus 5: 3-9). 

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Lugares nada comuns

por Pedro Correia, em 28.10.18

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Hoje usa-se e abusa-se da palavra “crónica”. Confunde-se com a habitual “coluna” reservada a opinadores com espaço fixo num jornal. Confunde-se até, mais surpreendentemente, com um vulgar artigo onde se debitam palpites ocasionais sobre a espuma dos dias.

Crónica é muito mais que isto. É uma disciplina literária com alojamento provisório num jornal mas que tem existência própria fora dele e longe do contexto temporal em que foi publicada. É um género que confina com o conto e a autobiografia. E que requer uma voz muito própria e um irrepetível registo estilístico, como demonstram grandes escritores brasileiros que foram e são mestres da crónica – de Drummond a Rubem Braga, de Nelson Rodrigues a Luís Fernando Veríssimo.

 

De jornal a livro

 

Pedro Mexia é, entre nós, um destes genuínos cronistas. A prova indesmentível faz-se na passagem de jornal a livro: textos que nos cativam no formato original ganham densidade e adquirem um significado ainda mais amplo quando lidos em conjunto. Mexia tem características inconfundíveis: uma irrepreensível elegância formal, sem concessões aos coloquialismos de turno; uma erudição que jamais se confunde com exibicionismo; um olhar interessado e atento ao “desconcerto do mundo”; e uma evidente vontade de ser lido, o que o faz depurar a prosa, limpando-a das adiposidades que muitos ainda confundem com boa escrita sem perceberem como estão errados.

É um caso raro entre nós, o de um cronista consagrado nas páginas dos jornais (Diário de Notícias, Público, Expresso) mas também com apreciável sucesso em livro – como demonstra este notável Lá Fora, com duas edições em apenas três meses. A obra faz jus ao título, na medida em que está polvilhada de topónimos e referências exteriores ao habitual registo do jornalismo-em-pacote, em que todos parecem esforçar-se por plagiar os restantes.

Mexia segue por vias alternativas, contornando o óbvio, conservando-se a uma profiláctica distância dos lugares-comuns, polvilhando os textos de sucintas notas confessionais – não por acaso, são estas, para mim, as melhores crónicas deste volume. Logo com destaque para a primeira, intitulada “Mais uma Volta”, a propósito de algo tão banal como o desaparecimento da Feira Popular, que lhe faz desfiar um novelo de recordações.

 

Eixo Figueira-Lousã

 

Na mesma linha, destaco outras: “Liberdade 266” (quando o Diário de Notícias morreu, de algum modo, ao abandonar a sua sede histórica na melhor zona de Lisboa, presságio mais que simbólico do fim do jornalismo tal como o conhecemos), o acutilante “O Chiado”, o divertido “Um Cavalo nas Olaias”, o quase pungente “Santo António dos Cavaleiros”.

Destaco, acima de todas, as crónicas que incluiria no eixo Figueira-Lousã – nostálgicas digressões do autor pelas paisagens da infância e adolescência: “Combay”; “O Fim da Linha”; “Os Bonecos Animados”; “A Minha Riviera”. Parcelas de um proto-romance que talvez um dia venha a ser escrito.

«Eu tenho um continente inteiro de felicidade a que raramente volto: a infância» (p. 54), assinala o cronista, quase sussurrando ao ouvido do leitor, numa destas notas confessionais que sugerem mais do que desvendam e têm valor acrescido por serem esparsas. Sempre envoltas num discreto pudor, tão dissonante dos ventos actuais, que fazem escancarar postigos e janelas.

 

De leitor a confidente

 

Mas está certo. Porque a verdadeira crónica – faltava-me anotar isto – implica sempre alguma partilha de intimidade, promovendo o leitor à condição de confidente. É o que sucede em “Londres Chama”, singular visita guiada à capital britânica – outro dos melhores textos deste livro.

«A minha cidade estrangeira favorita é chuvosa, desagradável à noite, e goza-se melhor portas adentro, educada e tranquilamente, com fleuma quase infalível e aquecimento central.» (p. 81)

Pedro Mexia fala de Londres, mas também fala de si. É isto, uma verdadeira crónica. É isto, a boa literatura.

 

............................................................... 
 
Lá Fora, de Pedro Mexia (Tinta da China, 2018). 187 páginas.
Classificação: ****
 
 
Publicado originalmente no jornal Dia 15

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.10.18

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Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi

Tradução de Maria Emília Marques Mano

Histórias açorianas

(reedição D. Quixote, 2016)

 

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Blogue da Semana

por Diogo Noivo, em 28.10.18

Cinema e séries, mas principalmente cinema. Tem de tudo: estreias, críticas, festivais, prémios, análises profundas e pequenas curiosidades. Aqui o cinema e a televisão não se resumem às dicotomias erudito vs comercial e mainstream vs indie, as lógicas binárias que dominam a crítica dita respeitável. Por tudo isto, e porque a vida sem grandes filmes e boas séries não presta, o Hoje vi(vi) um filme, da Inês Moreira Santos, é a minha sugestão de blogue da semana. 

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Pensamento da semana

por José António Abreu, em 28.10.18

Consideremo-nos felizes ou infelizes, bonitos ou feios, inteligentes ou estúpidos, ou, como é mais habitual, tudo isto em momentos diferentes, a nossa vida parece quase sempre ter menos significado e ser mais incongruente do que a dos outros, em particular se não existir uma qualquer crença (na maioria das vezes religiosa) que simultaneamente a relativize e lhe dê sentido. Seja como for, o principal objectivo da vida de qualquer pessoa é torná-la real; conferir-lhe significado. Quase toda a gente o atinge apenas durante momentos dispersos - entre os quais o que precede a própria morte.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (573)

por Pedro Correia, em 28.10.18

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O esquecimento do 'Expresso'

por Pedro Correia, em 27.10.18

Há dias escrevi aqui sobre as indignações selectivas, a propósito de política internacional. Pois nem de propósito: o editorial do Expresso de hoje - num estilo e com uma linguagem muito diferentes do habitual - constitui um exemplo vivo disto mesmo. 

«O Brasil somar-se-á à história sombria que, com matizes diferentes, está a ser construída nos últimos anos, com o endurecimento de regimes como o da Turquia e o das Filipinas, a eleição de populistas nos Estados Unidos, as subidas eleitorais de candidatos nacionalistas na Europa em países como França e Alemanha, o radicalismo na Polónia ou o antieuropeísmo em Itália.» Assim se pronuncia o preocupado e pomposo editorial sobre o que se vai passando por esse mundo fora.

Esquece o anónimo editorialista do Expresso o drama da Venezuela, que desde 2013, sob a gerência do populista ultranacionalista Nicolás Maduro, tem empurrado o país para a ruína económica, a tirania política, a violência impune e a asfixia das liberdades democráticas, condenando quase quatro milhões de compatriotas ao exílio noutras paragens - incluindo Portugal.

Faria bem o sobressaltado plumitivo em ler uma excelente reportagem de João Carvalho Pina, publicada esta semana na revista Sábado sob o título «Venezuela: a grande fuga». Em que se relata, a partir do local, como a vizinha Colômbia tem acolhido centenas de milhares de venezuelanos que ali acorrem em circunstâncias dramáticas.

Maduro, caudilho num Estado onde o salário mínimo paga apenas um rolo de papel higiénico e os preços subiram 223,1% só no mês de Agosto, embrulha as bravatas patrioteiras com retórica socialista e "anti-imperialista". Será isso que leva o conspícuo semanário a ser tão selectivo nas suas indignações?

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.10.18

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«Exmo Sr Jerónimo de Sousa,

É com muito prazer que lhe escrevo sobre as reformas antecipadas, mas permita-me primeiro cumprimentá-lo pela sua coerência batendo-se pelo melhor daqueles que muito trabalharam.

Actualmente estou reformado, com 64 anos e com uma carreira contributiva de 49 anos de descontos. Leu bem: 49. Apesar de não ter tido penalização mensal de 0.5 /mês, tenho a penalização do factor de sustentabilidade. Assim, espero que V. Exa. faça reverter a situação, já que, para o ano de 2019, vão permitir reformas antecipadas sem cortes, incluindo o factor de sustentabilidade. Agradeço que tenha em consideração este assunto de modo a ficar também contemplado com o respectivo valor.

Aqueles com 60 de idade e 40 anos de descontos ou 63 de idade e 43 de descontos não terão qualquer corte na reforma. E eu, com 64 anos e 49 anos de descontos? Comecei a trabalhar aos 11 anos.

Fico grato pela sua atenção e aguardarei com a maior expectativa a resolução a favor dos que, como eu, muito contribuíram para podermos ter uma reforma condigna.

Receba um abraço.»

 

Do nosso leitor António Roque Ribeiro. A propósito deste meu texto.

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Estátuas dos nossos reis (62)

por Pedro Correia, em 27.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Rogério Timóteo

Ano da inauguração: 1996

Localização: Salvaterra de Magos, no Jardim da Praça da República

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.10.18

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Roadcook, de Cristina Branco

Culinária

(edição Zero a Oito, 2018)

"Por opção da autora, este livro não foi redigido segundo o acordo ortográfico de 1990"

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Canções do século XXI (572)

por Pedro Correia, em 27.10.18

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Ab amore Dei

por Pedro Correia, em 26.10.18

Acabo de ouvir a Filomena Cautela dizer "por amor de Deus" no 5 para a Meia Noite, da RTP. Ainda antes da meia-noite, o que torna a coisa mais grave. Àquela hora estavam certamente criancinhas a ouvir. E as criancinhas devem ser poupadas a expressões eventualmente traumáticas como esta.

Bem sei que o programa tem bolinha no canto superior direito do ecrã. Mesmo assim, trata-se de algo inaceitável num Estado laico. Expressões de conteúdo teológico deviam ser rigorosamente interditas no canal público. Que esperam o Conselho de Administração, o Conselho de Opinião e o Conselho Geral Independente da RTP para aprovarem um Index Verbis Prohibitorum que possa prevenir tais despautérios?

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As mulheres e a igreja católica é uma história longa, dura, tenebrosa até. Existem pesadelos mais suaves. Não depende do tempo, do contexto histórico, porque a sociedade evolui, mas o papel da mulher mantém-se: serve para servir, para ser perseguida ou discriminada ou viver dentro da instituição com a clareza das coisas invisíveis.

São o elo mais fraco. Leituras da Bíblia, de diversos estudiosos desta coisa da ciência das religiões, fazem interpretações várias do papel das mulheres nos evangelhos; alguns até se atrevem a questionar se Madalena seria considerada como uma discípula. Afinal, a quem aparece Jesus quando ressuscita? Pois. Para a instituição que é a igreja católica faz pouca diferença, é o mundo de homens, sempre foi. E continua a ser.

Li no Observador há dias um artigo de João Francisco Gomes – porventura um dos jornalistas da nova geração mais interessantes e ligado a estas coisas da igreja – que no Sínodo deste ano, dedicado à juventude, as resoluções contaram com votos de frades, mas não de freiras, apesar do estatuto eclesial ser o mesmo. Há sempre um certo desprezo, ou aquilo a que eu entendo como desprezo, no que toca às mulheres no centro da decisão. O Sínodo é o conselho consultivo do Papa, talvez se possa dizer que é um dos órgãos mais importantes. As sete freiras que participaram no Sínodo deste ano podem ter tido ideias, podem ter explicado cenários relevantes, podem ser possuidoras de um conhecimento elevadíssimo. Não faz diferença. Menina não vota.

Existem muitas frentes que procuram lutar por um protagonismo feminino dentro da Igreja, não são vozes de hoje, são vozes que se ouvem há muito. Não têm tido muito sucesso, apesar de 80% das pessoas, dentro da igreja católica, que consagram a sua vida à instituição serem mulheres. O superior dos frades dominicanos, o Padre Bruno Cadoré, é quem o afirma no citado artigo do Observador. Ora, 80% é uma percentagem altíssima, até para quem não aprecia a função dos números e da estatística. E o que é consagrar a vida à igreja? É, muitas vezes, abdicar de tudo em função da fé, a mesma fé que se faz representar por uma igreja que, tendo sempre sido activa no papel castrador face às mulheres, não pode continuar cega e surda no que diz respeito à luta das mulheres por mais protagonismo.

O papa Francisco, que padece do mal que afecta os governos, instituiu uma “comissão” no vaticano, coisa ambígua no meu entender, para analisar as questões do diaconado das mulheres. (Nota: O feminino de diácono diz-se diaconisa. A igreja católica não concede o Sacramento da Ordem para mulheres, apenas para homens).  A dita comissão foi composta em 2015. Até agora não encontro nenhum documento da autoria dos membros da comissão. Talvez tenham começado a analisar os séculos para trás e, como tudo na igreja, lentamente lá chegarão ao século XXI.

Historicamente, a igreja trata as mulheres como mães e santas, como servidoras ou demoníacas, neste caso acusando-as da responsabilidade do pecado original. Diria que já chega, é tempo de mudar a agulha e de entender que a igreja beneficia do feminino, sempre beneficiou, e que as mulheres são uma mais-valia que precisa de ser visível. Mulheres só nos bastidores? Freiras a carregar chapéus de senhores bispos? Administrativas? Para a limpeza? Imaginam o que aconteceria se estas mulheres decidissem fazer greve? Pois, quer-me parecer que os senhores bispos e afins também não se deitam a imaginar essas coisas.

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Estátuas dos nossos reis (61)

por Pedro Correia, em 26.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: António Duarte

Ano da inauguração: 1991

Localização: Caldas da Rainha, no Atelier-Museu António Duarte

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Cristas e o Brasil

por jpt, em 26.10.18

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"J'ai vu des démocraties intervenir contre à peu près tout, sauf contre les fascismes" é daquelas frases de Malraux que vingaram na Readers Digest de hoje, a wikipedia (e aviso já que não aceitarei comentários invectivando Malraux por não ter criticado Chavez e Maduro).

 

Cristas anuncia qual seria o seu voto no Brasil. Uma inutilidade, poderia ter-se escudado na não ingerência. Mas opinou, igualando as candidaturas, como se se filiando na crescente simpatia pelo bolsonarismo entre locutores da direita portuguesa. Fez mal. É certo que a sua opinião é irrelevante naquelas eleições (que aparentam estar já decididas - ilustra-o o já velho Chico Buarque terminando em lágrimas o seu discurso num recente comício da candidatura de Haddad). Mas falhou a oportunidade para explicitar o conteúdo exigível ao arco do poder.

 

Será muito difícil a uma líder democrata-cristã sentir, e expressar, simpatia por uma candidatura conjunta de um socialista (de ala esquerda?) e de uma comunista (uma comunista latino-americana, decerto mais castrista do que berlingueriana, isto usando imagens para gente mais idosa do que Cristas). Mas três aspectos poderia considerar:

 

1. o primeiro é interno ao Brasil. O PT dominou o XXI daquele país, ganhando várias eleições presidenciais. Por criticável que seja a sua governação, por evidente que seja a sua degenerescência, por problemático que seja o seu programa actual, nesse período não usou o poder para terminar o regime democrático (para o minar?, porventura; para o terminar?, não.) e não tem uma maioria no fragmentado sistema parlamentar que lhe permita hipotéticas (reais?) veleidades de lhe subverter as características essenciais. Já Bolsonaro vem anunciando, até mesmo agora, uma semana antes, um conjunto de propósitos à total revelia da democracia (prisões, expulsões, "nomeem que mais ...").

 

2. o segundo é global, a questão ecológica. Nos avessos a Bolsonaro isto nunca surge, poluída que está a "mente colectiva" pelas agendas neocomunistas, as do altergender vs cisgender, do racialismo e - neste caso em particular - do mulherismo. Se a ecologia não foi verdadeira prioridade do PT, Bolsonaro anuncia-se como campeão do seu desrespeito, em modalidades irreparáveis (direitos individuais e colectivos podem-se repor, a demência omnívora face à natureza é irreparável). Ora esta temática é hoje colossal. Apesar de grande silêncio no debate português, o que bem mostra o atraso cultural do país (ainda que os Erasmus já sejam geração de poder). É o equivalente ao debate nuclear (guerra atómica, energia nuclear) nos anos 70s e 80s, o ocaso da Guerra Fria. Ou até mais relevante, pois menos polarizado quanto a centros de decisão.

 

3. o terceiro é político, principalmente europeu. O pós-guerra deu-nos este sistema democrático ao qual os comunistas (nas suas diferentes versões) pertencem. Pode ser um oxímoro, podemos considerar que eles estão de corpo mas não de alma dentro da democracia. Mas em sendo-o é um oxímoro funcional, estruturante do sistema político com melhores resultados económicos e sociais - não será um "fim da história" mas é um belo momento da história. Em Portugal os anteriores a Cristas lembrarão Melo Antunes a cercear o extremismo anti-comunista considerando-os integrantes da democracia portuguesa e os mais lúcidos saudarão também a democraticidade do general Eanes, nesse mesmo sentido. Mas será de lembrar que nessa mesma era a DC italiana (uma das matrizes do CDS) teve a grandeza estratégica de fazer um "compromisso histórico" com o PC. E foi este regime europeu englobante que trouxe para as interacções democráticas os grandes PCs europeus (Berlinguer, Marchais, Carrillo - o tal de "eurocomunismo"), e foi integrando os maoístas, enverhoxistas e 68ístas nos PS locais e nos ecologistas. Ora deste sistema amplo, deste "arco do poder" representativo consagrado no pós-guerra não constam, por definição, os fascismos. Exigem-se "cordões sanitários" em seu torno, para preservar os regimes democráticos. Há excepções, e fala-se de Finni, integrado nessa primeira bolha populista moderna, mas esse mau sinal estava subordinado ao peculiar (mas não fascista) Berlusconi e correlacionou-se à desagregação do sistema partidário italiano. E falarão do partido da Liberdade holandês ou do Interesse Flamengo, mas esses são muito mais movimentos soberanistas (e independentista no caso belga) do que fascizantes. E mesmo assim são integrados nestes peculiares regimes de coligações governamentais que são verdadeiros estudos de caso de concatenação política. De facto, os fascismos mais ou menos explícitos são ostracizados, como o foi Haider pela comunidade da Europa e pela sua Comunidade Europeia. Tal como esta coisa bolsonara de agora o parece dever ser ... Fernando Henrique Cardoso, sábio e conhecedor como nenhum de nós, di-la outra coisa que não fascismo, fruto desta nova era, um "transfascismo" se se quiser. Porventura será, mas tem todas as características que extravasam o primado do estado de direito e a democracia liberal. 

 

Nesta declaração de neutralidade, desnecessária ainda por cima, Cristas mostra que nada disto apanha ou considera. Mostra-se sensível aos discursos de direita assanhada que já por ali pululam - muito pela analogia que se faz entre o podre PT e o degenerado PS socrático do qual este costismo recusou apartar-se (Augusto Santos Silva na tétrica declaração de que não faz "julgamentos éticos" quando é de avaliações políticas que o seu partido, e o país, necessita; um governo actual onde as pastas estratégicas estão nas mãos de gente que foi dos governos socratistas ou de seus admiradores ferrenhos). Mas essa analogia, que é grosseira, e mesmo que não o fosse, não é o fundamental. Cristas foi incapaz de dizer "não" a essa extrema-direita (ainda para mais agora que tanto se frisa que "um não é um não") e deixou-se, em ademane de "coquette", dizer-se namorável, se com melhores modos alheios.

 

O que lhe faltou, e assim sendo o que lhe falta, é a densidade de estadista. De perceber o que está em causa e ver lá à frente. Afirmar-se, e aos seus, como um motor de consenso democrático em torno de um modelo de regime. Aquilo que o socialista (de facto socialista, e isto vai sem acinte) Rui Tavares recordou há dias "No imediato, é preciso que a esquerda, centro e direita democráticas se unam contra os fascistas - chamem-lhes o que chamarem.".  É difícil isso, por muitas razões. Uma das quais é porque todos nós, avessos ao patrimonialismo socialista ou ao credo estatizante ou às agendas políticas pós-modernas/coloniais temos sido neste XXI constantemente "fascistizados" (homofobizados, racistalizados, lusotropicalizados, etc.). No mesmo processo de abaixamento intelectual que se vê agora na direita soberanista, apelidando os europeístas, as instituições democráticas e democratizadoras (por mais criticáveis que sejam) de "Bruxelas" como "estalinistas". Este tipo de radicalismo invectivador deixa máculas, dificulta articulações. E, como é óbvio, gasta as palavras - se quase todos nós fomos ou somos "fascistas" por uma qualquer razão como reforçar posições comuns contra outros "fascistas"? Mais, como delimitar esses ("trans)fascistas" de hoje?

 

Nada disto interessará a Cristas. Talvez mais preocupada com um ou outro deputado que poderá subtrair a um centro desnorteado, como o que vai agora. Incapaz de perceber que é agora o momento de afirmar o seu partido como trave. Até aproveitando os ventos deste tempo, sabendo-os depurar da pestilência que também transportam. 

 

E tudo isto, para além de Cristas, mostra também o final das "internacionais". Há algumas décadas as articulações partidárias internacionais tinham vozes mais ou menos comuns sobre os temas cruciais. Hoje estarão mais centradas na agenda parlamentar comum. Que nos dizem elas (quem são os seus presidentes? que relevância têm?) sobre tudo isto? Como articulam os seus partidos-membros e respectivos líderes? Que resta das ideologias? 

 

Adenda: no último fim-de-semana foi divulgado este filme com declarações de Bolsonaro. A uma semana das eleições, nas quais será vencedor promete colocar os apoiantes de Haddad ("petralhada") na "ponta da praia". Julguei que tal significasse expulsão (tipo "devolver às naus") mas nada disso: amiga, portuguesa mulher de direita, avisa-me que "ponta da praia" significa a base militar da Marinha na Restinga de Marambaia, em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, um presídio de tortura e abate durante o regime militar brasileiro.

Negar a diferença, pelo menos de grau, entre este energúmeno e os malfeitores do PT e associados torna-se um bocado difícil. Que pensará a hierarquia católica portuguesa da líder do partido democrata-cristão que se demonstra relativamente neutral a este tipo de declarações?

 

 

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.10.18

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O Cântico dos Cânticos, de Ernest Renan

Apresentação e tradução de Aníbal Fernandes

Ensaio bíblico

(edição Sistema Solar, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 26.10.18

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Patrícia Tavares

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Canções do século XXI (571)

por Pedro Correia, em 26.10.18

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Estátuas dos nossos reis (60)

por Pedro Correia, em 25.10.18

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D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Numídico Bessone

Ano da inauguração: 1972

Localização: À entrada de São Pedro de Moel, Marinha Grande, na Praceta do Pinhal do Rei (D. Dinis tem à sua esquerda a Rainha Santa Isabel)

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Trova ao vento que passa (3)

por Pedro Correia, em 25.10.18

 

Sabemos que estamos a ficar velhos no dia em que reparamos que há mais gente a tratar-nos por você do que por tu.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.10.18

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Luísa Dacosta - Espelhos de Palavra (In memoriam), de Ana Eustáquio, Helena Costa Carvalho, Robin Driver e Paula Morão

Ensaios literários

Organização de Paula Morão

(edição Opera Omni, 2017)

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Canções do século XXI (570)

por Pedro Correia, em 25.10.18

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A divisão europeia

por Luís Naves, em 24.10.18

Quem acredita que a União Europeia é uma construção sólida deve ler este artigo de Timothy Less, na revista The New Statesman. O autor explica o que está na base da rebelião contra a ordem liberal construída nos últimos cinquenta anos, indo muito além das teses simplistas que tenho tentado criticar aqui no Delito, para grande incompreensão de alguns leitores. Há na Europa um conflito cada vez mais evidente entre a visão progressista liderada por Macron, de uma união cosmopolita e multicultural, em integração acelerada orientada pelas potências, em oposição à tese conservadora, liderada por Orbán, que teme a diluição das identidades nacionais, o poder das burocracias não-eleitas e as migrações em massa. Parece muito lúcida a passagem sobre os eventuais efeitos da próxima recessão e os possíveis cenários de cisão na Europa, sobretudo a hipótese de tudo evoluir para um núcleo duro, onde não vão caber as periferias.

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A guerra na primeira pessoa

por Alexandre Guerra, em 24.10.18

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Quando estive há cerca de dois meses na Bósnia, conheci um jovem guia, que está a tirar o doutoramento numa universidade de Ancara e que tem estado envolvido no museu de Srebenica. Este projecto ocupa as antigas instalações do que foi o então quartel-general do tristemente célebre contingente holandês ao serviço da UNPROFOR, localizado em Potacari, a poucos quilómetros da vila de Srebrenica, que viu serem assassinados de forma sistemática mais de oito mil bósnios muçulmanos (bosniaks), entre 11 e 16 de Julho de 1995, sob os ordens militares do general sérvio Ratko Mladic. A meio de uma das conversas que tive com Jasko, fiquei impressionado com o conhecimento que detinha sobre a presença portuguesa nas missões da ONU e NATO. Apesar de ele não ter mais de 30 anos, tinha bem presente a boa prestação que o contingente português teve ao serviço da força de manutenção de paz da NATO (IFOR), em 1996, cujo objectivo era a “implementação” das linhas dos Acordos de Dayton (1995). Tratava-se da primeira projecção de forças militares nacionais em larga escala desde o fim da Guerra Colonial.

 

Já antes, em pleno conflito nos Balcãs, Portugal teve uma participação muito limitada, mas importante, na missão UNPROFOR (United Nations Protection Force), destacando para a Bósnia e Croácia, entre 1992 e 1995, um pequeno grupo de “observadores militares” não armados de capitães e majores do Exército e Força Aérea. Esta operação acabou por ser uma extensão da missão europeia de verificação do cessar-fogo entre a recém-proclamada independente Eslovénia e a (ainda) Federação da Jugoslávia. Quando a Missão de Monitorização da CEE/UE deu lugar à força da ONU, os primeiros capacetes azuis portugueses chegaram no primeiro trimestre de 1992. Nesse primeiro momento, foram apenas cinco “observadores” integrados na United Nations Military Observation (UNMO), um ramo da UNPROFOR.

 

Entre 1992 e 1995, tempo do mandato da UNPROFOR, Portugal foi mantendo “observadores” no terreno, que iam desempenhando missões diárias que, embora não sendo de perfil militar puro e duro, se revelaram de enorme importância na criação de um clima de confiança no seio das populações tocadas pelos soldados nacionais. Como se pode ler na introdução do recente livro “A Guerra na Antiga Jugoslávia Vivida na Primeira Pessoa” (Colibri, Maio de 2018), coordenado pelos militares Carlos Branco, Henrique Santos e Luís Eduardo Saraiva, os observadores “viveram com a população em locais recônditos com quem partilharam o infortúnio. Sentiram o pulsar das comunidades onde estavam inseridos, conheceram os seus dramas em primeira mão. Pisaram minas, foram atingidos com estilhaços de granadas, tiveram acidentes de viatura, estiveram nas miras dos snipers, em zonas de morte, foram vítimas de ataques e assaltos, supervisionaram a troca de cadáveres e de prisioneiros de guerra. Foram testemunhas em primeira mão de violação de acordos. Sofreram a prisão e interrogatórios agressivos. Viveram em condições precárias, por vezes, sem electricidade, sem água corrente, aquecimento ou vidros nas janelas, oq eu se tornou numa minudência para que estava diariamente debaixo de fogo de morteiros de artilharia.

 

Foram ainda apanhados entre fogos cruzados, controlaram o tráfego aéreo, lidaram diariamente com as facções, pediram evacuações médicas, e tiveram de tomar decisões eticamente difíceis, algumas delas com consequências dramáticas. Testemunharam em directo o sofrimento. Viveram as agruras da guerra na sua plenitude.

 

São estes testemunhos que agora podem ser lidos num livro que reúne textos (em português e inglês) de militares que fizeram parte da UNMO. Com prefácio do embaixador José Cutileiro, este livro é um contributo inestimável para o conhecimento de quem se interessa pelo conflito da antiga Jugoslávia, que tantas marcas geopolíticas deixou naquela região da Europa. Mas é também uma janela para se perceber de que forma a “experiência jugoslava” marcou um novo período na projecção internacional das Forças Armadas Portuguesas no âmbito de nova ordem sistémica... Mais cosmopolita, interdependente e difusa.

 

Texto publicado originalmente n'O Diplomata

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Estátuas dos nossos reis (59)

por Pedro Correia, em 24.10.18

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ILHA DO PICO - SÃO ROQUE - CAIS DO PICO.jpg

 

 

D. Dinis (1279-1325)

 

Autor: Ainda não identificado

Ano da inauguração: 1940

Localização: Cais Velho de São Roque do Pico, Ilha do Pico (Açores)

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Calam e consentem

por Pedro Correia, em 24.10.18

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Não vejo por aí comícios indignados contra o caudilho venezuelano, que manda matar opositores detidos pela sinistra política Sebin, expulsa quatro milhões de compatriotas para os países vizinhos e faz mergulhar o país num apocalipse monetário: um salário mínimo, nesta república que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta, paga apenas um rolo de papel higiénico ou um quilo de tomates.

Maduro, o narcotirano que oprime e empobrece os venezuelanos, pode contar com a indulgente "boa consciência" ocidental, que apenas se mobiliza em função de indignações selectivas. Quando os ecos da  repressão e do  crime chegam de Caracas, os revoltados de turno fingem não saber.

Calam e consentem.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.10.18

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Seis Drones: novas histórias do ano 2045, de António Ladeira

Contos

(edição On Y Va, 2018)

"O autor de Seis Drones não segue as regras do acordo ortográfico de 1990"

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Canções do século XXI (569)

por Pedro Correia, em 24.10.18

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