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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.09.18

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 Sou eu Mais Livre, Então, de Luaty Beirão

Diário de um preso político angolano

(edição Tinta da China, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.09.18

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 Paula Bonet

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Canções do século XXI (543)

por Pedro Correia, em 28.09.18

Eu puritano etário me confesso

por João Pedro Pimenta, em 27.09.18

Passei finalmente pela tão afamada como polémica exposição de Robert Mapplethorpe, em Serralves - embora estivesse até mais interessado em acabar de ver a de Anish Kapoor, espalhada por todo o parque. Sempre achei que este polémicas só mereciam que se opinasse sobre elas depois de se comprovar o seu grau de relevância, dado que muitas vezes são meros tiros de pólvora seca. Mas aqui eram verdadeiros tiros de bombarda.

 

Mapplethorpe era no mínimo ousado. Escandaloso era também um adjectivo que lhe colavam. Com razão. E o choque sempre esteve ligado às artes, pelo que a polémica à volta da obra do artista americano de novidade não tem nada. Resta saber se o choque pode ser levado a toda a gente, sem distinções. A tal parte reservada e com restrições a menores de 18 anos (que creio que no início lhes estava pura e simplesmente vedada) é bastante mais ousada do que pensava. Pode-se afirmar, sem medo de exageros, que é realmente hardcore. Não são exactamente apenas nus artísticos, mas imagens mais que explícitas e muito agressivas. Demasiado agressivas sobretudo se estivermos a falar de crianças. Restringir aquela parte por razões de idade nem devia ser discutível. Afinal de contas, se temos limites de idade no cinema, por exemplo - e nesse caso nem sequer é suprível pelo acompanhamento de um adulto - onde se passam coisas bem mais pacíficas, porque é que não há de haver restrições pela mesma razão noutras áreas, como exposições? Sim, eu sei, hoje em dia a net e os seus conteúdos vieram complicar esta questão. E que 18 anos talvez seja um pouco demais. Mas nem por isso devemos adoptar aquele tom relativista de que é uma causa ultrapassada e de que agora qualquer pessoa deve estar exposta a todo o tipo de imagens. 

 

Chamem-me puritano, moralista, censor, etc. Um dos limites à livre expressão é o incitamento ao ódio. Mas era bom que nos lembrássemos de outro: o limite etário. Esta coisa de expôr uma criança a um ambiente que não é para a sua idade, e de aos poucos estarmos a sexualizar completamente a infância, é prova não só de um niilismo muito pouco saudável como de um egoísmo quase inconsciente, como se os filhos fossem carteiras de tiracolo que pudessem acompanhar os adultos em todas as ocasiões. Quanto à questão de "cada um educa os filhos como quiser" e de instituições como Serralves serem um espaço de liberdade e de debate, nada em contrário; mas remeto para situações análogas, como a supracitada dos cinemas, que até são privados; Serralves também é uma fundação em boa parte patrocinada pelo Estado, e tem uma administração que tem o dever e o direito de tomar decisões deste calibre, mesmo que desagradem aos trinta manifestantes que vieram indignar-se há dias à entrada do museu, quando os contornos da coisa ainda bem nebulosos. Parece que é "interferência nas escolhas do curador" e que nada da lei fala explicitamente em exposições. Pois não, mas as lacunas legais colmatam-se com recurso à analogia de situações idênticas; e que eu saiba a liberdade do curador também se submete a regras gerais. Sim, eu sei, condenámos o moralismo e o puritanismo, permitimos a liberdade de expressão e artística quase sem limites e vivemos numa era perigosa em que qualquer ofensa se pode tornar numa proibição e numa censura. Mas se achamos que a água suja deve ficar, lembremo-nos também do bébé que lá está. E desculpem lá a ousadia aparentemente contraditória, mas um tudo de nada de puritanismo nestes casos só  faz bem.

Imagem relacionada

 

Quanto ao resto, demissão de Ribas, acusações à direcção (incluindo a micro-manifestação dos indignados culturais), resposta desta, contradições do curador, declarações de funcionários anónimos e tudo o mais, pertencem ao grupo da eterna novela das polémicas culturais e das invejas mesquinhas dos "agentes culturais". Talvez daqui a um tempo se possa falar melhor disso. Até lá, Serralves merece bem uma visita. E se por acaso forem ver a obra de Kapoor, cuidado com a "Descida para o Limbo".

Isto é arte, pá, pornografia é outra coisa!

por Patrícia Reis, em 27.09.18

Bem vindo ao império do politicamente correcto. Uma higiene moral imposta por quem considera que o público em geral é apenas uma criança a precisar de orientação. O retrocesso civilizacional a que assistimos é tremendo. Não respeitamos a liberdade do Outro, impomos regras, moral e puritanismo. Em nome de quê? De uma teórica civilização.

Vamos censurar uma exposição de um artista cuja obra é abundantemente conhecida? Obra cujo teor polémico tem sido amiúde debatido pelo mundo? Vamos limitar a entrada, porque - Deus proíba - há quem vá ver uma exposição com crianças de seis anos a Serralves sem se informar sobre o que está exposto? Talvez existam famílias assim, claro. Num mundo de tecnologia em permanente vertigem de informação, sendo o sexo acessível com enorme facilidade (olá sites pornográficos gratuitos), como é que nos atrevemos a fiscalizar a arte? O que é a arte senão o derrubar da norma para ver o avesso das coisas? E se arte explora o sexo desde sempre - historicamente é fácil de comprovar - por que carga de água é que agora nos dá para oferecer vendas para os olhos e estipular que o visitante de um museu tem de ser “moralmente” guiado?  

A história da suposta censura em Serralves à exposição do artista norte-americano Robert Mapplethorpe (1946-1989) é uma trapalhada de todo o tamanho. Certamente que existem bastidores negros, pormenores que nunca chegarão ao grande público. O dito e o não dito: a entrevista da antiga ministra da cultura, Isabel Pires de Lima, ao Expresso; as declarações do director artístico e curador demissionário, João Ribas, ao Público. Acresce: pequena manif para destituir a administração composta por Ana Pinho (Presidente), Manuel Cavaleiro Brandão (Vice- Presidente), Manuel Ferreira da Silva (Vice-Presidente); Isabel Pires de Lima (Vice-Presidente); Vera Pires Coelho; Carlos Moreira da Silva; António Pires de Lima e José Pacheco Pereira.

A administração que começou por reagir laconicamente, a seguir corrige o tiro (ontem em conferência de imprensa, a mesma administração declara que nunca houve censura em Serralves e que as decisões foram todas da responsabilidade do curador). O curador e director artístico demissionário (então, o homem demite-se mas vai ao vernissage?!) apresenta a sua demissão por email. Porquê? Os membros do Conselho de Administração dizem que não sabem.

Também achei graça ao director do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, António Filipe Pimentel, que comentando a polémica achou por bem dizer-nos que a Fundação Serralves tem mais apoio do Estado que a maioria dos museus (“Só em Serralves [o ministério da Cultura] investe mais que em todos os museus públicos nacionais”), ou seja, 40% do financiamento da Fundação Serralves é proveniente do orçamento do Ministério da Cultura. Para quem não se recorde, o orçamento para a Cultura não chega sequer a um por cento do Orçamento de Estado. Sobre este facto – não tenho porque não acreditar nas declarações de António Pimentel – não me recordo de ler mais uma linha sequer. Mas não ficamos por aqui.

Lúcido, o director do Museu Nacional de Arte Antiga explicou que em Serralves, na exposição da Colecção Sonnabend, esteve exposta uma fotografia da artista porno Cicciolina. Não se tratava, como é bom de ver, de pornografia, era arte.

Conclusão? Uma telenovela para apimentar a nossa existência, é certo. No fim, o artista – exposto em Portugal várias vezes em anos anteriores, mesmo que não numa retrospectiva de obra – ganhou: as visitas a Serralves foram muitas, mais de seis mil pessoas em quatro dias. Vamos lá ver o que é isso de sexualmente explícito e chocante? Vamos, mas olhem que é arte, só isso, arte. O resto é politiquice e intriga.

Estátuas dos nossos reis (32)

por Pedro Correia, em 27.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: João Cutileiro

Ano da inauguração: 1990

Localização: Torres Novas, junto à porta principal do castelo

O novo macartismo

por Diogo Noivo, em 27.09.18

"Há opiniões que não devem ser ouvidas. A punição que a pessoa identificada merece é a expulsão da comunidade. Sabíamos que não havia necessidade de condenação: a acusação era suficiente. (...) O caso de Ian Buruma revela um novo elemento: a proibição já não afecta apenas a pessoa que cometeu a transgressão ou o crime, mas também aquele que permite que o transgressor se expresse."

 

Ensaio oportuno de Daniel Gáscon sobre a demissão de Ian Buruma da New York Review of Books.

Chamar as árvores pelos nomes

por Pedro Correia, em 27.09.18

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Conversa de circunstância com um amigo. Falamos de fogos florestais, ele avança com imensas certezas sobre o assunto – eucaliptos a rodos, pinheiros até dizer basta, necessidade de replantarmos espécies autóctones. Ando cansado destes polémicas sazonais, sobretudo quando protagonizadas por citadinos que se arrogam no direito de iluminar os ignaros campónios. Mas ainda lhe confesso o meu espanto pelo facto de o pinheiro bravo, presente na paisagem portuguesa pelo menos desde o século XIII, ainda não ser considerado “espécie autóctone”, acompanhada do respectivo atestado de pureza racial. É escusado: lá recita ele a ladainha. Há que plantar azinheiras e carvalhos e nogueiras e tal.

Conversamos numa das principais avenidas de Lisboa enquanto a tarde vai caindo, um ser vivo alto e esguio serve-nos de muda testemunha. “Sabes como se chama esta árvore?”, pergunto ao meu amigo. Encolhe os ombos e confessa, aparentemente esquecido do que proclamara pouco antes: “Não sei o nome de quase árvore nenhuma.”

É um choupo negro, presença habitual nas artérias alfacinhas: dizem que absorve muita poluição, sendo portanto um discreto aliado das nossas vias respiratórias. Jamais me habituarei à tradicional aversão lisboeta perante as árvores. Que sujam, que atraem pássaros e insectos, que tapam o sol, que provocam humidade, que fazem levantar passeios: só escuto queixas. Por vontade de grande parte da população, Lisboa ultrapassaria Atenas no triste primeiro posto de capital menos arborizada da Europa. Restariam umas tantas para os lulus depositarem excrementos em seu redor, como diariamente sucede em centenas de recantos urbanos, nisto em tudo equivalentes a cenários de terceiro mundo.

Volta e meia deambulo pelo Jardim do Campo Grande, bem perto da minha casa, revisitando árvores que se me tornaram familiares. As casuarinas, que logo me evocam paisagens orientais. Um belo cedro do Líbano, com o seu inconfundível recorte. Os vastos plátanos onde se acoitam os estridentes e capitosos periquitos-de-colar. A solitária gravília de matriz australiana que um dia ali descobri com gosto e espanto.

Desgosta-me que as autoridades municipais não desenvolvam campanhas pedagógicas destinadas a aproximar os cidadãos do mundo vegetal. Começando pelas crianças, que deviam aprender a chamar as árvores pelos seus nomes. Seria fácil e até divertido ensinar-lhes que a folha de uma olaia, por exemplo, tem a forma de coração – talvez por isso alguns lhe chamem árvore do amor. Ou que a folha da ginkgo, de importação japonesa mas já abundante por aí, apresenta a forma de um leque. Ou que a ameixoeira-de-jardim tem belas folhas acastanhadas. Ou que os castanheiros estão cobertos de ouriços nesta época do ano.

A propósito: a folha do elegante choupo negro é muito semelhante ao símbolo de espadas nas cartas de jogar. Digo isto ao meu amigo com a certeza antecipada de ser algo que ele nunca fixará.

 

 

Texto publicado há dias no blogue Imprecisões, correspondendo a um simpático convite da Alexandra.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.09.18

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 Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral

Romance

(edição D. Quixote, 2018)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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O Vício Blogal

por jpt, em 27.09.18

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O vício blogal é tramado, um tipo lê as notícias de uns dias e, por mais que diga "tenho mais que fazer, que se lixe ...", cai nas teclas: MRS diz que não saudou o PR americano por respeito à posição portuguesa sobre o multilateralismo. Ou seja, explicita que as suas formas de saudação denotam a posição do país, dado que ele PR. Muito bem. E a posição portuguesa, do Estado e da sociedade, sobre a laicidade, essa conquista da democracia? Pode o PR saudar o Papa neste gesto de "islão", de submissão expressa no beijo ao anel? Não. A "direita" portuguesa, mais ou menos católica, (pelo menos disto) gosta. A "esquerda" portuguesa, entre os descendentes da capela do Rato e a igreja PCP, encolhe os ombros. Está-lhe grata, pela protecção ao governo na cena dos fogos, pela protecção ao regime na cena da PGR - e é estruturalmente avessa à laicidade: eu recordo o meu espanto, então recente torna-viagem, com o sucesso, aplausos e partilhas, de tantos intelectuais compatriotas ao abjecto texto do padre Leonardo Boff a defender limites ao direito à blasfémia logo após o atentado ao Charlie Hebdo. E passeiam-se por aí, a dizerem-se democratas, anti-censura. E os "tudólogos"? Falam do resto ...

Aos 13 na escola li "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes (e depois o "Engrenagem"). Antes lera "Os Putos" de Altino de Tojal (livro que vendia imenso). Chamavam-lhes neo-realistas, havia um Alves Redol (que nunca li) ou um Manuel da Fonseca (que li logo depois e gostei - tenho que lá voltar) e acho que um jovem Cardoso Pires, se não estou em erro. Nas casas de muitos burgueses, e para além de bustos de Lenine e obras de Marx e Engels, constavam reproduções dos desenhos de Cunhal. E de Cipriano Dourado, e talvez outros. E juntavam o Gorki ao Caldwell e ao Saroyan, enquanto desdiziam um bocado do Jorge Amado, "apesar de ...", pois "enfim ...". A coisa era apresentar a todos nós, burgueses, a grandeza e a beleza ética e estética dos outros, esconsos e oprimidos, seus modos de vida e legítimas aspirações. O (neo-)realismo foi saindo de moda, tinha havido até umas polémicas, e poucos quererão hoje saber das mentes e desejos das belas e robustas catarinas eufémias e dos valentes proletas da praça da grève. O "must" de agora, nada (neo-)realista, diz-se, é louvar a ética e a estética dos gajos que metem chicotes pelo ânus acima ... "Épater le bourgeois", seja com a virilidade proletária seja com a do lumpen prostituído, mas nada mais do que isso. Bom para os "tudólogos".

De resto, em 3-4 dias? O ministro da defesa ainda o é (ele que disse que se calhar não tinha havido roubo em Tancos - estamos a brincar?, não é óbvio o que o homem sabia?); a polícia da tropa vê os seus graduados presos; os generais assobiam, quais meros milicianos da administração do rancho. O ministro da saúde manda à merda a democracia e diz que só vai ao parlamento daqui a 6 meses. O PM goza com o ter faltado à "palavra de honra" (mas tudo está bem, há uma entrevista da mãe dele a confirmar que ele é bem educado; e o Ferreira Fernandes, já agora, lembrou que o pai dele era antifascista e anticolonialista, não vá a gente esquecer-se). A ministra do mar põe a sócia a dirigir os portos, é ilegal, mas (também ela) não tem agenda para responder aos jornalistas. Nem para se demitir. O arquitecto Salgado surge em mais uma marosca, e logo tudo desaparece das notícias. Um antigo professor meu publica um texto contra Medina, a propósito da apropriação privada de um miradouro - logo partilhado pelos "companheiros de estrada" naquela "esquerda". Afirma(m) que Medina tudo faz para preparar a cidade para os turistas. Alto, mas não é isso que se critica ao presidente da câmara, essa sua ideologia do "jardinismo", desde há anos? Ah, sim, mas a gente é de "direita", somos só ressabiados. Eles não, agora a crítica é justa (e pós-Robles, já agora: "cá se fazem, cá se pagam").

As deputadas portuguesas fotografam-se contra Bolsonaro. Este é um traste. Um cafajeste, como se dizia nas velhas novelas dos anos 1970s. Aliás, o homem é um fascista, não é preciso outro adjectivo ou outro insulto. Mas as senhoras deputadas não acham que têm, portas dentro, tralha suficiente (ainda que não tão abjecta) para estarem contra? Não querem fazer, não acham que o deviam, uma "usie" contra esta cloaca? E a semana ainda vai a meio. Sabe-se lá o que antes do fim-de-semana ainda virá, neste estertor de regime ...

Mourinho está com problemas no Manchester United. E o tipo que foi do Rio Ave para o Nantes também. Mas o Eder(zito) marcou um grande golo na taça da Rússia. Há esperança.

Canções do século XXI (542)

por Pedro Correia, em 27.09.18

O apêndice

por João Campos, em 26.09.18

Segundo o Público, António Costa tenciona manter "todos os membros do Governo", isto a propósito da novela Tancos e do maluquinho de aldeia que passeia pelas imediações do Ministério da Defesa. No que diz respeito a Azeredo Lopes, as declarações de Costa são manifestamente generosas - dado o absurdo da actuação do ministro desde o Verão do ano passado, o homem estará muito longe de ser um membro do Governo, ou de qualquer Governo. Na melhor das hipóteses será um apêndice: é um vestígio sabe-se lá de quê, não tem utilidade prática, volta e meia dá uma valente dor de barriga e removê-lo é uma maçada. 

Capítulo VI

por Alexandre Guerra, em 26.09.18

No dia 17 de Junho de 2017, na região de Pedrógão, algo aconteceu de dantesco e em poucas horas as chamas do Inferno trouxeram a morte a 66 pessoas, das quais 47 morreram carbonizadas na EN 236-1. Foi o dia em que o País se confrontou com a sua impotência e incompetência, onde as estruturas do Estado falharam nas suas mais elementares funções. No fundo, todos nós, enquanto sociedade, falhámos na defesa dos nossos concidadãos.

 

Os fenómenos e as circunstâncias que rodearam tal tragédia tinham (e ainda têm) que ser compreendidas e explicadas e, como tal, coube ao especialista Domingos Xavier Viegas, professor catedrático de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, a responsabilidade de elaborar um relatório técnico sobre o que aconteceu naquele trágico dia. Esse documento, que será fundamental no âmbito do processo judicial em curso, foi entregue ao Governo a 15 de Outubro, mas houve uma parte do estudo que nunca foi divulgada ao público, o capítulo VI, por conter testemunhos dos sobreviventes e considerações feitas pelos técnicos que fizeram a investigação.

 

Compreende-se que, na altura, se quisesse evitar a exposição das famílias das vítimas e dos sobreviventes, que tanto já tinham sofrido, no entanto, aquilo que agora nos é dado a conhecer pelo jornal i, com a colaboração do próprio Xavier Viegas, através da divulgação do capítulo VI, tem uma tal dimensão trágica e humana que, por um lado, alimenta a revolta interior pelo que aconteceu, por outro, reforça a obrigação de cada um de nós, enquanto cidadão, ser cada vez mais exigente na defesa e protecção das nossas gentes e recursos.

 

Os textos publicados esta Terça e Quarta feiras no jornal i são de um realismo impressionante e mostram como homens, mulheres, idosos, famílias inteiras tomaram decisões de vida ou de morte em momentos de pânico, sem qualquer auxílio externo e totalmente entregues à sua sorte. Nos próximos dias serão divulgados mais partes desse capítulo VI que, no fundo, acaba também por ser o registo de um dos mais negros episódios da história do Portugal democrático.

 

Despender alguns minutos do nosso dia a ler estes relatos pessoais e dos técnicos não é apenas uma questão de informação, é também quase uma obrigação para com a memória de todos aqueles que perderam as suas vidas, para que possamos ajudar a construir um Estado que nunca mais deixe os seus ao abandono.   

Estátuas dos nossos reis (31)

por Pedro Correia, em 26.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: Algures no século XVIII

Localização: Lisboa, no jardim do Palácio Fronteira (São Domingos de Benfica)

A Uber agradece

por Pedro Correia, em 26.09.18

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No conflito que opõe as frotas de táxis às novas plataformas digitais, os partidos que dizem estar sempre solidários com os trabalhadores já assumiram o seu lado. Colocam-se contra os novos proletários da Uber, da Cabify e da Taxify,  muitos deles assalariados precários, e mostram-se a favor dos patrões dos táxis, que há uma semana condicionam fortemente ou paralisam até grande parte do trânsito na cidade de Lisboa.

Pelo oitavo dia consecutivo, a capital tem hoje os seus principais corredores destinados aos transportes públicos transformados em parques de estacionamento de táxis. Prejudicando assim os cidadãos mais desfavorecidos - aqueles que utilizam os autocarros nas suas deslocações pela cidade. Uma evidente ilegalidade que conta com o zeloso patrocínio da Polícia Municipal, enquanto os partidos que menciono na abertura deste texto assobiam para o lado.

É uma luta obviamente condenada ao insucesso. Fazendo lembrar os protestos dos cocheiros quando começaram a generalizar-se os primeiros veículos a motor nas grandes urbes. Tentar travar a roda do futuro com argumentos proteccionistas do século passado é um absurdo. 

Muitos taxistas andam por aí, envergonhados, a furar o protesto dos patrões circulando com as luzes externas dos taxímetros desligadas. Faço sinal a um. Pára, abre o vidro e pergunta para onde vou. «Pode entrar. Tudo bem, desde que não passe pela Avenida da República, pelo Saldanha, pela Fontes Pereira de Melo ou pela Avenida da Liberdade. Se for aí, sou insultado ou posso mesmo ser agredido por aqueles que se dizem meus colegas.»

Escuto estas palavras enquanto o veículo se vai cruzando com diversas viaturas das plataformas digitais, que por estes dias não têm mãos a medir, com autocarros panorâmicos cheios de turistas e até com os já pitorescos tuk-tuks alfacinhas. Todo um mundo de ofertas rodoviárias que nada têm a ver com a visão petrificada dos donos das frotas de táxis e dos partidos que os apoiam.

Oito dias de protestos encaminharam milhares de utentes habituais de táxis para a Uber e a Cabify: é uma via que já não tem retorno. Por aqui se mede também a estupidez deste protesto. Enquanto os autocarros continuam sem acesso aos seus corredores, contribuindo para engarrafar ainda mais o trânsito. Lá dentro vão humildes cidadãos trabalhadores: os partidos que dizem apoiá-los voltaram a esquecer-se deles.

A ONU a rir-se.

por Luís Menezes Leitão, em 26.09.18

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Acho inacreditável que uma assembleia geral da ONU se permita rir do Presidente dos Estados Unidos, sabendo-se que é esse o país que sustenta a organização e que pode muito bem cortar a sua contribuição. A assembleia geral deveria respeitar quem lhe paga e ouvir atentamente os discursos, como se espera num forum internacional. Desde o tempo de Ronald Reagan que estou habituado a o resto do mundo considerar os presidentes republicanos como imbecis e idiotas. Quando são democratas, já são uns génios, mesmo no caso da desastrada presidência de Carter, que até permitiu reféns americanos no Irão. Ninguém consegue perceber que, se o presidente americano fosse um imbecil, nunca teria chegado a presidente dos Estados Unidos. E quanto a rir-se de Trump, muitos o fizeram durante as eleições americanas. Viu-se o resultado.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.09.18

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A Nossa Alegria Chegou, de Alexandra Lucas Coelho

Romance

(edição Companhia das Letras, 2018)

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Canções do século XXI (541)

por Pedro Correia, em 26.09.18

Estátuas dos nossos reis (30)

por Pedro Correia, em 25.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Leopoldo de Almeida

Ano da inauguração: 1962

Localização: Silves, à entrada do castelo

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.09.18

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Adeus, de Luís Rainha

Contos

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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