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Fotografias tiradas por aí (428)

por José António Abreu, em 30.09.18

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Perto de Mértola, 2018. 

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Entre os mais comentados

por Pedro Correia, em 30.09.18

Em 20 destaques feitos pelo Sapo em Setembro, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesses dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu 15 menções ao longo do mês.

 

Os textos foram estes, por ordem cronológica:

Estátuas dos nossos reis (9) (22 comentários)

Estátuas dos nossos reis (11) (26 comentários)

Deve haver algo errado (56 comentários, o mais comentado do dia)

Ser de esquerda ou de direita (24 comentários)

A Hungria e o social-fascismo (30 comentários)

Estátuas dos nossos reis (20) (34 comentários)

Estátuas dos nossos reis (22) (30 comentários)

Estátuas dos nossos reis (23) (24 comentários)

Um país de opereta (23 comentários)

Estátuas dos nossos reis (25) (24 comentários)

Sem rodeios (68 comentários, o mais comentado do dia)

A diferença entre "legítimo" e "asséptico" (37 comentários)

Pensamento da semana (46 comentários, terceiro mais comentado do dia)

A Uber agradece (36 comentários)

Chamar as árvores pelos nomes (62 comentários, terceiro mais comentado)

 

Com um total de 552 comentários nestes postais. Da autoria do JPT, do Luís Menezes Leitão, do Diogo Noivo e de mim próprio.

Fica o nosso agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

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O dilema da democracia

por Alexandre Guerra, em 30.09.18

Uns meses depois do fim da Guerra dos Balcãs (1991-95) e perante a maior barbárie na Europa desde a II Guerra Mundial, cometida entre “vizinhos” sob a égide de projectos políticos nacionalistas, o diplomata Richard Hoolbroke, que ajudou a forjar os Acordos de Dayton, deixava no ar uma questão que pertencia mais ao campo da filosofia política do que, propriamente, ao ramo da ciência política: “Suponha-se que as eleições são livres e justas e que aqueles que são eleitos são racistas, fascistas, separatistas. Esse é o dilema [da democracia].” No fundo, aquela pergunta era uma outra forma de consubstanciar o dilema clássico na discussão em torno das formas sãs e degeneradas de Governo e que pode conduzir a um exercício teórico útil para nos ajudar a compreender alguns fenómenos recentes de apetência para projectos mais populistas e nacionalistas.

 

No âmbito desse exercício, existem dois cenários, algo extremados, é certo, a ter em consideração. Por um lado, temos uma autocracia liderada por um “príncipe” virtuoso, onde a sua principal preocupação é o bem-estar da população, garantindo-lhe elevados índices de qualidade de vida e satisfação. No entanto, neste regime, onde o bom governante herda o poder do pai, não existem partidos políticos, a crítica é “silenciada” e os movimentos civis são frágeis ou inexistentes. Mas, veja-se o outro cenário, onde uma democracia consolidada, dentro de todas as regras constitucionais, elege um tirano. Esse mau governante vai exercer o poder em interesse próprio e dos seus “amigos”, dentro de um projecto pessoal alimentado com demagogia e populismo, deixando o seu povo à mercê da fortuna. No entanto, neste regime multipartidário, a crítica é livre, os partidos da oposição exercem a sua função, o associativismo é vigoroso e o direito de voto é universal.

 

 

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Estátuas dos nossos reis (35)

por Pedro Correia, em 30.09.18

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 D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Moisés Preto Paulo

Ano da inauguração: 2009

Localização: Sesimbra, Rotunda da Corredoura

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Eleições à vista?

por Luís Menezes Leitão, em 30.09.18

Ontem foi Jerónimo de Sousa a dizer que era preciso um novo governo. Hoje é Catarina Martins a ameaçar votar contra o orçamento, a menos que Costa cumpra uma exigência impossível de cumprir. Parece manifesto que os queridos parceiros da geringonça já querem abandonar rapidamente este barco. Resta agora saber se Rui Rio vai querer assumir-se como muleta deste governo ou dá a Costa o destino que a sua votação eleitoral em 2015 lhe deveria ter traçado desde o início. Mas com as constantes demissões que a sua estratégia de ligação ao PS está a causar no PSD, não me parece que Rui Rio tenha grande alternativa. Está hoje na mesma posição de Passos Coelho, que também apostou inicialmente na colaboração com Sócrates, e a quem disseram que ou havia eleições no país ou havia eleições no partido. Claro que as eleições no país neste momento podem ser um maná para António Costa, que seguramente não deseja outra coisa, e uma tragédia para os restantes partidos. Só que é uma tragédia inevitável. Marcello Caetano, também ele uma personagem trágica, disse uma vez que é um erro pensar que se pode deixar de ir a Alcácer-Quibir. O destino está escrito nos astros.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.09.18

«Há um artista português que me confunde - o grande Leonel Moura, que recentemente deu Ina Fundação Soares dos Santos, e autor do lema "A Esquerda Não Tem Que Ser Pobre".
Leonel Moura inventou um robôs que pintam, diz ele que com Inteligência Artificial. São umas coisinhas com rodinhas que se passeiam pela tela despejando tinta e mais ou menos conseguindo não esbarrar muito umas nas outras, e não caírem da tela.
Sabendo que o estado da arte no que à Inteligência Artificial diz respeito ainda implica armazéns repletos de torres de processamento, e reclamando o grande Leonel Moura que as suas caixinhas de sapatos pintoras são Inteligência Artificial, claramente o homem devia estar na IBM - ou parar de dizer asneiras.
Mas num mundo onde uma selfie dum macaco levantou a magna questão sobre a quem pertenciam os direitos de autor da foto, com muitos a dizerem que eram do macaco, o grande Leonel Moura não devia perder os direitos das obras para as suas caixinhas de sapatos pintoras?
Se ele mesmo se gaba de não ser o autor, porque recebe os proventos?»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste texto do Luís Naves.

 

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Blogue da semana

por Marta Spínola, em 30.09.18

Esta semana o blogue da Moira, Tertúlia de Sabores.

Não é apenas um blogue de receitas, é uma cozinha acolhedora, onde cheira a memórias de cozinhas da nossa infância e o apetite cesce a cada fotografia.  

Estas linhas resumem bem a Manuela:

Receitas favoritas tenho muitas, apesar de gostar de experimentar sabores de outras paragens e também de inovar, as minhas receitas favoritas são sempre as mais simples e tradicionais.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.09.18

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A Puxar ao Sentimento, de Vasco Graça Moura

Poesia

(edição Quetzal, 2018)

"Por expresso desejo manifestado por Vasco Graça Moura, as suas obras são publicadas com a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990"

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 30.09.18

 

Em política, não há bons e maus extremismos. São todos maus.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (545)

por Pedro Correia, em 30.09.18

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Estátuas dos nossos reis (34)

por Pedro Correia, em 29.09.18

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 D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Isidro Baptista

Ano da inauguração: 2001

Localização: Penalva do Castelo, Rua da Escola

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Expressamente

por Pedro Correia, em 29.09.18

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Já tínhamos o saco de plástico "inventado" pelo arquitecto Saraiva para resguardar o conteúdo do semanário do olhar alheio - e forçar assim os leitores a comprarem aquilo que ignoram, tornando opaco o jornalismo, algo que por definição deve ser transparente.

Já tínhamos as falsas primeiras páginas com conteúdos publicitários, anunciando uma conhecida marca ou propagandeando uma grande empresa.

Hoje passámos a ter uma primeira página inteirinha com promoção ("grátis", dizem eles) de uns livrinhos lançados pelo próprio jornal. Coisa pífia - sem escala, sem dimensão, sem classe.

Abdicam das notícias para isto.

Quando se fala da crise do jornalismo português, há que apontar responsáveis. A crise não é filha de pais incógnitos. Os responsáveis são gente que faz coisas como esta, mergulhando no ridículo aquele que ainda é o melhor jornal português.

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O estado da arte

por Luís Naves, em 29.09.18

Discute-se muito se os penduricalhos de Mapplethorpe são arte ou censura, mas podíamos talvez discutir o estado da arte, os teatros vazios e os teatros fechados, as livrarias a abarrotarem de subprodutos, a indigência do cinema, as instituições subfinanciadas, a falência imparável dos jornais. Devíamos questionar o estado da arte, se temos uma literatura exportável, se as bibliotecas renovam as colecções, se os museus estão seguros, se os artistas nacionais trabalham de borla, se o ensino artístico melhorou ou se é melhor que os talentos procurem outros países. Podíamos discutir isto, mas mergulhámos numa espécie de sonambulismo, a debater os méritos da fotografia americana, tema que teria inegável interesse, se os bárbaros não estivessem já instalados deste lado da muralha.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.09.18

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 À Luz do Índico, de Amélia Vera Jardim

Poesia

(edição D. Quixote, 2018)

"Este livro segue a ortografia anterior ao Novo Acordo"

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Canções do século XXI (544)

por Pedro Correia, em 29.09.18

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O aumento da função pública.

por Luís Menezes Leitão, em 28.09.18

Este anúncio de aumentos na função pública é o mesmo esquema de sempre de governar para as clientelas, normalmente sem qualquer pudor de as enganar. Sócrates também aumentou os funcionários públicos em 2,9% em ano eleitoral. Logo a seguir às eleições estabeleceu cortes de salários entre 5 a 10% para os funcionários públicos, levando-lhes ainda mais do que os tinha aumentado. Só me espanta é que ainda haja gente que acredita nestas medidas eleitoralistas.

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Estátuas dos nossos reis (33)

por Pedro Correia, em 28.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: João Cutileiro

Ano da inauguração: 1997

Localização: Famalicão, no topo da Avenida de França

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Como eu gosto de ver a História

por Marta Spínola, em 28.09.18

Escrevi em tempo este texto. Reli-me e gostei de voltar a ser quem fui. 

 

No comboio, senta-se ao meu lado um homem que parece o meu antigo professor de Civilizações Clássicas. Quero ser um capitel, não me apetece conversar. Tudo o que tenho a dizer do curso, é que continuo a gostar de História, mas assumidamente mais para saber segredos e intrigalhada de alcova. Esta manhã, sou a porteira de Atenas.
Eu não fui uma aluna aplicada, Zeus sabe que não. Nesta cadeira, fiquei com um 16 graças a Esparta, aos bebés fortes que sobreviveram para terem o ventre roído por lobinhos, e ao mega-espartano que era Aquiles e eu venerei em papel. Ai, porque sim, nunca deixarei de ter 15 anos. Na altura, as Termópilas ainda não tinham o Butler como Leónidas, e já me faziam vibrar: In your face, Xerxes, filho de Dário! Não é bem in your face, que os persas ganharam, mas fica a ideia. E os gregos morreram livres, que era o big deal da altura. Mais ou menos isto.
Mais sobre porquê Esparta: sempre sonhei com a máquina do tempo. Na falta de mesma, tendo a transportar-me para tempos e lugares sobre os quais vou sabendo. Às terças pelas 8 (havia mais horas de Civilizações Clássicas, mas é mais fácil viajar no tempo com muito sono), seguia para a Grécia. Sendo mulher, não era uma emoção… mas sempre foi em Esparta que quis estar: entre zelar por bebés fortes que não sejam atirados de ravinas, ou recolher ao gineceu porque a rapaziada vai pensar e amar-se para a acrópole, não hesito.

O 16 à dita cadeira de Civilizações Clássicas veio muito – tenho tanto essa noção, já na altura tive – pelo elogio a Esparta que pus em página e meia. A manipulação da paixão de um professor, podiamos chamar-lhe. Ele também era team Esparta, e deixou-me perceber não só isso, como que a concordância era valorizada. Alinhei, não me custou muito.
Ainda da cadeira, Roma não foi a emoção que eu esperava: a quantidade alarve de informação sobre instituições, cônsules, pretores, senado e quejandos, fez-me perder a ansiedade pelo pão e circo. O meu professor não gostava de Roma, e disse-o em sala. Passei a não gostar dele. Tudo muito pedagógico, portanto.
Entretanto, o homem ao meu lado não era quem pensei. Mas saiu em Belém, o mesmo destino do meu professor naquela altura, e fico a pensar se já os clonam. Posso deixar de ser um capitel.

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Complicar o que é simples

por Pedro Correia, em 28.09.18

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Compro uma embalagem de lombos de atum em conserva. Bom atum, açoriano, da ilha de São Jorge.

Reparo no rótulo da embalagem: é um modelo de correcção política. Além dos elementos básicos, relativos aos ingredientes e ao prazo de validade, sou municiado com um estendal de "informação nutricional".

Energia.

Lípidos.

Lípidos saturados.

Açúcares.

Hidratos de carbono.

Fibras alimentares.

Proteínas.

Sem esquecer o sal. 

Mas não fica por aqui. Garante-me a pequena embalagem de atum Santa Catarina que o atum foi capturado com recurso a "pesca salto e vara": não percebo o português, mas devem querer dizer que o bicho não sofreu no momento da captura. Asseguram-me que o atum é "laborado manualmente": continuo sem entender o português, mas parece algo destinado a apaziguar por antecipação a minha suposta ira contra a morte de seres vivos destinados à alimentação humana, como se eu fosse um feroz militante animalista. 

O espaço é curto, mas os dados informativos estão longe de esgotar-se. "Pescamos artesanalmente à cana" e "protegemos os golfinhos", proclama ainda a simpática indústria conserveira de São Jorge.

 

Tudo numa simples lata.

Enquanto cozinho sem peso na consciência o meu prosaico esparguete de atum com molho de tomate e cogumelos, vou pensando que, de ansiedade em ansiedade, passamos hoje o tempo a complicar o que é simples. Depois não nos sobram horas, por vezes sequer minutos, para as coisas verdadeiramente importantes. 

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Não sei se com razão ou falta dela, mas parece-me evidente que o Dr. Costa não gosta de socialistas. Vejamos. O Dr. Tozé Seguro era militante do PS ou não era? Era, coitado. E o Eng. Sócrates? Também era. Pois o Dr. Costa não só o renegou como, antes disso, só para o arreliar, foi ao Estabelecimento Prisional de Évora visitá-lo com aquele casaco em tons de verde, aos quadrados, que o Dr. Costa usa nos momentos em que se sente desconfortável com o passado. E a Dra. Maria de Belém não está ainda a pagar as dívidas da candidatura presidencial em que o Dr. Costa apoiou o Dr. Nóvoa? Pois está. E não é socialista? É. Ah que não é bem assim, que o Dr. Costa levou socialistas para o governo. Pois foi. E lá está. Mais uma prova. A pobre da Ministra Vitorino, como se não lhe bastasse aturar o marido em casa, ainda tem que levar com o Ministro Cabrita nas reuniões do Executivo. No cenário hipotético de vosselências estarem casadas com o Ministro Cabrita, gostavam de ainda ter de levar com ele no trabalho? É o que eu digo. E, já agora, quem foi que convidou o Dr. Carlos César para Presidente do PS, quem foi? O Dr. Costa, naturalmente. Vosselências gostavam de pertencer a uma organização presidida pelo Dr. Carlos César? Pois claro que não gostavam. O Dr. Costa faz tudo, tudo, para lixar os socialistas. Se dúvidas houvesse, bastaria atentar na forma como o Dr. Costa discursa sempre que está em reuniões do partido. É nos congressos, é nas comissões políticas, é nos comícios, é em todo o lado onde o Dr. Costa for submetido à provação de falar para mais de dois socialistas. Reparem como nessas alturas o homem está sempre zangado. Berra, ulula, vocifera. Perante terríveis desgraças, o Dr. Costa apresenta invariavelmente um sorrisinho. Salvo, claro, se estiver num encontro do PS. Nesse caso, amofina-se-nos. Sobe-lhe a mostarda ao nariz, fica-nos com os azeites. Pode estar a anunciar as maiores maravilhas, o aumento de cinquenta cêntimos aos pensionistas, o investimento estratosférico em mais quinze enfermeiros para o Sistema Nacional de Saúde, eu sei lá. Mas é sempre como se estivesse com prisão de ventre ou tivesse batido com o dedo pequeno do pé na perna de uma mesa. Repare-se na ‘rentrée’ dos socialistas. O PS organizou um comboio para transportar os militantes entre Pinhal Novo e Caminha. Viste-o no comboio? Nem eu. O Dr. Costa preferiu ir de véspera à xaropada do Festival de Vilar de Mouros só para não ter de se cruzar com os camaradas antes de tempo. Mas nem assim o Dr. Costa conseguiu controlar os maus fígados provocados pela presença de socialistas. No dia seguinte, estavam ali os militantes aos gritos no comício, PS, PS, Costa, Costa, Costa, queremos mais cunhas, queremos mais tachos, queremos mais assessores e directores-gerais, ou lá o que aquela gente berra nos ajuntamentos do PS, e o homem, furioso, de trombas, decidiu prometer uma redução do IRS de 50% para os portugueses que emigraram até 2015. Repare-se como a embirração com os socialistas leva o Dr. Costa aos actos mais diabólicos. A maior parte dos que ali estavam, tirando um ou outro emigrante atraído por engano pelo cheiro a bifanas, são dos que ficaram, dos que alombaram com a troika, dos que, Deus lhes perdoe, colaram cartazes com a cara do Dr. Costa, dos que foram, inclusivamente, ao Congresso de Matosinhos dar 93% dos votos ao Eng. Sócrates depois da bancarrota. E o que faz o Dr. Costa? Pois o Dr. Costa, enxofrado, diz-lhes olhos nos olhos: vocês, cambada de tansos, digo, cambada de camaradas tansos, vocês que ficaram, vão continuar a pagar os impostozinhos todos aqui ao Costa: o das varandas viradas para o Sol, os dos combustíveis, o do sal, o do açúcar, o do camandro e o mais que o Centeno se lembrar e, para aprenderem, o IRS todinho. Agora, aplaudam a medida aqui do Costa. E os tansos camaradas, digo, camaradas tansos, aplaudiram. Note-se que o Dr. Costa não se deteve sequer perante argumentos de inconstitucionalidade ou violações do princípio da igualdade. O Dr. Costa queria a todo o custo atazanar os socialistas que ali estavam e não olhou a meios. Agora, que o Dr. Costa não vá à bola com socialistas e aproveite todas as ocasiões para os vexar, é lá entre eles. O que já não parece correcto é prejudicar terceiros. Vamos que há, entre os portugueses que emigraram, um ou outro que se deixa enganar e que regressa por causa da redução temporária do IRS. Ah e tal que não há quem caia numa coisa dessas. Não é bem assim. Há sempre espíritos mais frágeis que se deixam enrolar. No fundo, na ânsia de aperrear os socialistas presentes em Caminha, o que o Dr. Costa propôs aos portugueses emigrados até 2015 é uma daquelas estratégias típicas dos esquemas de ‘time-sharing’: estás a entrar no campismo de Portimão na tua auto-caravana, com a patroa, os miúdos, a namorada do mais velho que trabalha no Lidl, o cão e a tua sogra, convidam-te para passar uma tarde grátis num ‘resort’ mal-amanhado na Praia da Rocha, enfiam-te um chapéu de palha na cabeça e uma caipirinha pela goela abaixo e, quando dás por ela, tens uma caneta na mão para assinar um contrato Vip Gold por 30 anos, relativo à utilização na primeira semana de Maio de uma fracção virada a norte, no rés-do-chão, sem direito a utilização de garagem e com um aspirador de oferta. Ora aqui é a mesma coisa. Os desgraçados que caírem na esparrela estarão a “poupar” uns cêntimos no IRS durante um par de anos para, ao mesmo tempo, entregarem ao Dr. Costa uma cabazada de impostos indirectos, contribuições para a Segurança Social, taxas para o audiovisual, comparticipação para as eólicas, IMI em tranches ou em fatias e calhando, um dia destes, direito de pernada. Ninguém merece. Mesmo que se trate de emigrantes socialistas.

 

* artigo publicado na edição de Setembro do Dia 15.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.09.18

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 Sou eu Mais Livre, Então, de Luaty Beirão

Diário de um preso político angolano

(edição Tinta da China, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.09.18

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 Paula Bonet

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Canções do século XXI (543)

por Pedro Correia, em 28.09.18

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Eu puritano etário me confesso

por João Pedro Pimenta, em 27.09.18

Passei finalmente pela tão afamada como polémica exposição de Robert Mapplethorpe, em Serralves - embora estivesse até mais interessado em acabar de ver a de Anish Kapoor, espalhada por todo o parque. Sempre achei que este polémicas só mereciam que se opinasse sobre elas depois de se comprovar o seu grau de relevância, dado que muitas vezes são meros tiros de pólvora seca. Mas aqui eram verdadeiros tiros de bombarda.

 

Mapplethorpe era no mínimo ousado. Escandaloso era também um adjectivo que lhe colavam. Com razão. E o choque sempre esteve ligado às artes, pelo que a polémica à volta da obra do artista americano de novidade não tem nada. Resta saber se o choque pode ser levado a toda a gente, sem distinções. A tal parte reservada e com restrições a menores de 18 anos (que creio que no início lhes estava pura e simplesmente vedada) é bastante mais ousada do que pensava. Pode-se afirmar, sem medo de exageros, que é realmente hardcore. Não são exactamente apenas nus artísticos, mas imagens mais que explícitas e muito agressivas. Demasiado agressivas sobretudo se estivermos a falar de crianças. Restringir aquela parte por razões de idade nem devia ser discutível. Afinal de contas, se temos limites de idade no cinema, por exemplo - e nesse caso nem sequer é suprível pelo acompanhamento de um adulto - onde se passam coisas bem mais pacíficas, porque é que não há de haver restrições pela mesma razão noutras áreas, como exposições? Sim, eu sei, hoje em dia a net e os seus conteúdos vieram complicar esta questão. E que 18 anos talvez seja um pouco demais. Mas nem por isso devemos adoptar aquele tom relativista de que é uma causa ultrapassada e de que agora qualquer pessoa deve estar exposta a todo o tipo de imagens. 

 

Chamem-me puritano, moralista, censor, etc. Um dos limites à livre expressão é o incitamento ao ódio. Mas era bom que nos lembrássemos de outro: o limite etário. Esta coisa de expôr uma criança a um ambiente que não é para a sua idade, e de aos poucos estarmos a sexualizar completamente a infância, é prova não só de um niilismo muito pouco saudável como de um egoísmo quase inconsciente, como se os filhos fossem carteiras de tiracolo que pudessem acompanhar os adultos em todas as ocasiões. Quanto à questão de "cada um educa os filhos como quiser" e de instituições como Serralves serem um espaço de liberdade e de debate, nada em contrário; mas remeto para situações análogas, como a supracitada dos cinemas, que até são privados; Serralves também é uma fundação em boa parte patrocinada pelo Estado, e tem uma administração que tem o dever e o direito de tomar decisões deste calibre, mesmo que desagradem aos trinta manifestantes que vieram indignar-se há dias à entrada do museu, quando os contornos da coisa ainda bem nebulosos. Parece que é "interferência nas escolhas do curador" e que nada da lei fala explicitamente em exposições. Pois não, mas as lacunas legais colmatam-se com recurso à analogia de situações idênticas; e que eu saiba a liberdade do curador também se submete a regras gerais. Sim, eu sei, condenámos o moralismo e o puritanismo, permitimos a liberdade de expressão e artística quase sem limites e vivemos numa era perigosa em que qualquer ofensa se pode tornar numa proibição e numa censura. Mas se achamos que a água suja deve ficar, lembremo-nos também do bébé que lá está. E desculpem lá a ousadia aparentemente contraditória, mas um tudo de nada de puritanismo nestes casos só  faz bem.

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Quanto ao resto, demissão de Ribas, acusações à direcção (incluindo a micro-manifestação dos indignados culturais), resposta desta, contradições do curador, declarações de funcionários anónimos e tudo o mais, pertencem ao grupo da eterna novela das polémicas culturais e das invejas mesquinhas dos "agentes culturais". Talvez daqui a um tempo se possa falar melhor disso. Até lá, Serralves merece bem uma visita. E se por acaso forem ver a obra de Kapoor, cuidado com a "Descida para o Limbo".

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Isto é arte, pá, pornografia é outra coisa!

por Patrícia Reis, em 27.09.18

Bem vindo ao império do politicamente correcto. Uma higiene moral imposta por quem considera que o público em geral é apenas uma criança a precisar de orientação. O retrocesso civilizacional a que assistimos é tremendo. Não respeitamos a liberdade do Outro, impomos regras, moral e puritanismo. Em nome de quê? De uma teórica civilização.

Vamos censurar uma exposição de um artista cuja obra é abundantemente conhecida? Obra cujo teor polémico tem sido amiúde debatido pelo mundo? Vamos limitar a entrada, porque - Deus proíba - há quem vá ver uma exposição com crianças de seis anos a Serralves sem se informar sobre o que está exposto? Talvez existam famílias assim, claro. Num mundo de tecnologia em permanente vertigem de informação, sendo o sexo acessível com enorme facilidade (olá sites pornográficos gratuitos), como é que nos atrevemos a fiscalizar a arte? O que é a arte senão o derrubar da norma para ver o avesso das coisas? E se arte explora o sexo desde sempre - historicamente é fácil de comprovar - por que carga de água é que agora nos dá para oferecer vendas para os olhos e estipular que o visitante de um museu tem de ser “moralmente” guiado?  

A história da suposta censura em Serralves à exposição do artista norte-americano Robert Mapplethorpe (1946-1989) é uma trapalhada de todo o tamanho. Certamente que existem bastidores negros, pormenores que nunca chegarão ao grande público. O dito e o não dito: a entrevista da antiga ministra da cultura, Isabel Pires de Lima, ao Expresso; as declarações do director artístico e curador demissionário, João Ribas, ao Público. Acresce: pequena manif para destituir a administração composta por Ana Pinho (Presidente), Manuel Cavaleiro Brandão (Vice- Presidente), Manuel Ferreira da Silva (Vice-Presidente); Isabel Pires de Lima (Vice-Presidente); Vera Pires Coelho; Carlos Moreira da Silva; António Pires de Lima e José Pacheco Pereira.

A administração que começou por reagir laconicamente, a seguir corrige o tiro (ontem em conferência de imprensa, a mesma administração declara que nunca houve censura em Serralves e que as decisões foram todas da responsabilidade do curador). O curador e director artístico demissionário (então, o homem demite-se mas vai ao vernissage?!) apresenta a sua demissão por email. Porquê? Os membros do Conselho de Administração dizem que não sabem.

Também achei graça ao director do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, António Filipe Pimentel, que comentando a polémica achou por bem dizer-nos que a Fundação Serralves tem mais apoio do Estado que a maioria dos museus (“Só em Serralves [o ministério da Cultura] investe mais que em todos os museus públicos nacionais”), ou seja, 40% do financiamento da Fundação Serralves é proveniente do orçamento do Ministério da Cultura. Para quem não se recorde, o orçamento para a Cultura não chega sequer a um por cento do Orçamento de Estado. Sobre este facto – não tenho porque não acreditar nas declarações de António Pimentel – não me recordo de ler mais uma linha sequer. Mas não ficamos por aqui.

Lúcido, o director do Museu Nacional de Arte Antiga explicou que em Serralves, na exposição da Colecção Sonnabend, esteve exposta uma fotografia da artista porno Cicciolina. Não se tratava, como é bom de ver, de pornografia, era arte.

Conclusão? Uma telenovela para apimentar a nossa existência, é certo. No fim, o artista – exposto em Portugal várias vezes em anos anteriores, mesmo que não numa retrospectiva de obra – ganhou: as visitas a Serralves foram muitas, mais de seis mil pessoas em quatro dias. Vamos lá ver o que é isso de sexualmente explícito e chocante? Vamos, mas olhem que é arte, só isso, arte. O resto é politiquice e intriga.

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Estátuas dos nossos reis (32)

por Pedro Correia, em 27.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: João Cutileiro

Ano da inauguração: 1990

Localização: Torres Novas, junto à porta principal do castelo

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O novo macartismo

por Diogo Noivo, em 27.09.18

"Há opiniões que não devem ser ouvidas. A punição que a pessoa identificada merece é a expulsão da comunidade. Sabíamos que não havia necessidade de condenação: a acusação era suficiente. (...) O caso de Ian Buruma revela um novo elemento: a proibição já não afecta apenas a pessoa que cometeu a transgressão ou o crime, mas também aquele que permite que o transgressor se expresse."

 

Ensaio oportuno de Daniel Gáscon sobre a demissão de Ian Buruma da New York Review of Books.

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Chamar as árvores pelos nomes

por Pedro Correia, em 27.09.18

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Conversa de circunstância com um amigo. Falamos de fogos florestais, ele avança com imensas certezas sobre o assunto – eucaliptos a rodos, pinheiros até dizer basta, necessidade de replantarmos espécies autóctones. Ando cansado destes polémicas sazonais, sobretudo quando protagonizadas por citadinos que se arrogam no direito de iluminar os ignaros campónios. Mas ainda lhe confesso o meu espanto pelo facto de o pinheiro bravo, presente na paisagem portuguesa pelo menos desde o século XIII, ainda não ser considerado “espécie autóctone”, acompanhada do respectivo atestado de pureza racial. É escusado: lá recita ele a ladainha. Há que plantar azinheiras e carvalhos e nogueiras e tal.

Conversamos numa das principais avenidas de Lisboa enquanto a tarde vai caindo, um ser vivo alto e esguio serve-nos de muda testemunha. “Sabes como se chama esta árvore?”, pergunto ao meu amigo. Encolhe os ombos e confessa, aparentemente esquecido do que proclamara pouco antes: “Não sei o nome de quase árvore nenhuma.”

É um choupo negro, presença habitual nas artérias alfacinhas: dizem que absorve muita poluição, sendo portanto um discreto aliado das nossas vias respiratórias. Jamais me habituarei à tradicional aversão lisboeta perante as árvores. Que sujam, que atraem pássaros e insectos, que tapam o sol, que provocam humidade, que fazem levantar passeios: só escuto queixas. Por vontade de grande parte da população, Lisboa ultrapassaria Atenas no triste primeiro posto de capital menos arborizada da Europa. Restariam umas tantas para os lulus depositarem excrementos em seu redor, como diariamente sucede em centenas de recantos urbanos, nisto em tudo equivalentes a cenários de terceiro mundo.

Volta e meia deambulo pelo Jardim do Campo Grande, bem perto da minha casa, revisitando árvores que se me tornaram familiares. As casuarinas, que logo me evocam paisagens orientais. Um belo cedro do Líbano, com o seu inconfundível recorte. Os vastos plátanos onde se acoitam os estridentes e capitosos periquitos-de-colar. A solitária gravília de matriz australiana que um dia ali descobri com gosto e espanto.

Desgosta-me que as autoridades municipais não desenvolvam campanhas pedagógicas destinadas a aproximar os cidadãos do mundo vegetal. Começando pelas crianças, que deviam aprender a chamar as árvores pelos seus nomes. Seria fácil e até divertido ensinar-lhes que a folha de uma olaia, por exemplo, tem a forma de coração – talvez por isso alguns lhe chamem árvore do amor. Ou que a folha da ginkgo, de importação japonesa mas já abundante por aí, apresenta a forma de um leque. Ou que a ameixoeira-de-jardim tem belas folhas acastanhadas. Ou que os castanheiros estão cobertos de ouriços nesta época do ano.

A propósito: a folha do elegante choupo negro é muito semelhante ao símbolo de espadas nas cartas de jogar. Digo isto ao meu amigo com a certeza antecipada de ser algo que ele nunca fixará.

 

 

Texto publicado há dias no blogue Imprecisões, correspondendo a um simpático convite da Alexandra.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.09.18

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 Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral

Romance

(edição D. Quixote, 2018)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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O Vício Blogal

por jpt, em 27.09.18

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O vício blogal é tramado, um tipo lê as notícias de uns dias e, por mais que diga "tenho mais que fazer, que se lixe ...", cai nas teclas: MRS diz que não saudou o PR americano por respeito à posição portuguesa sobre o multilateralismo. Ou seja, explicita que as suas formas de saudação denotam a posição do país, dado que ele PR. Muito bem. E a posição portuguesa, do Estado e da sociedade, sobre a laicidade, essa conquista da democracia? Pode o PR saudar o Papa neste gesto de "islão", de submissão expressa no beijo ao anel? Não. A "direita" portuguesa, mais ou menos católica, (pelo menos disto) gosta. A "esquerda" portuguesa, entre os descendentes da capela do Rato e a igreja PCP, encolhe os ombros. Está-lhe grata, pela protecção ao governo na cena dos fogos, pela protecção ao regime na cena da PGR - e é estruturalmente avessa à laicidade: eu recordo o meu espanto, então recente torna-viagem, com o sucesso, aplausos e partilhas, de tantos intelectuais compatriotas ao abjecto texto do padre Leonardo Boff a defender limites ao direito à blasfémia logo após o atentado ao Charlie Hebdo. E passeiam-se por aí, a dizerem-se democratas, anti-censura. E os "tudólogos"? Falam do resto ...

Aos 13 na escola li "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes (e depois o "Engrenagem"). Antes lera "Os Putos" de Altino de Tojal (livro que vendia imenso). Chamavam-lhes neo-realistas, havia um Alves Redol (que nunca li) ou um Manuel da Fonseca (que li logo depois e gostei - tenho que lá voltar) e acho que um jovem Cardoso Pires, se não estou em erro. Nas casas de muitos burgueses, e para além de bustos de Lenine e obras de Marx e Engels, constavam reproduções dos desenhos de Cunhal. E de Cipriano Dourado, e talvez outros. E juntavam o Gorki ao Caldwell e ao Saroyan, enquanto desdiziam um bocado do Jorge Amado, "apesar de ...", pois "enfim ...". A coisa era apresentar a todos nós, burgueses, a grandeza e a beleza ética e estética dos outros, esconsos e oprimidos, seus modos de vida e legítimas aspirações. O (neo-)realismo foi saindo de moda, tinha havido até umas polémicas, e poucos quererão hoje saber das mentes e desejos das belas e robustas catarinas eufémias e dos valentes proletas da praça da grève. O "must" de agora, nada (neo-)realista, diz-se, é louvar a ética e a estética dos gajos que metem chicotes pelo ânus acima ... "Épater le bourgeois", seja com a virilidade proletária seja com a do lumpen prostituído, mas nada mais do que isso. Bom para os "tudólogos".

De resto, em 3-4 dias? O ministro da defesa ainda o é (ele que disse que se calhar não tinha havido roubo em Tancos - estamos a brincar?, não é óbvio o que o homem sabia?); a polícia da tropa vê os seus graduados presos; os generais assobiam, quais meros milicianos da administração do rancho. O ministro da saúde manda à merda a democracia e diz que só vai ao parlamento daqui a 6 meses. O PM goza com o ter faltado à "palavra de honra" (mas tudo está bem, há uma entrevista da mãe dele a confirmar que ele é bem educado; e o Ferreira Fernandes, já agora, lembrou que o pai dele era antifascista e anticolonialista, não vá a gente esquecer-se). A ministra do mar põe a sócia a dirigir os portos, é ilegal, mas (também ela) não tem agenda para responder aos jornalistas. Nem para se demitir. O arquitecto Salgado surge em mais uma marosca, e logo tudo desaparece das notícias. Um antigo professor meu publica um texto contra Medina, a propósito da apropriação privada de um miradouro - logo partilhado pelos "companheiros de estrada" naquela "esquerda". Afirma(m) que Medina tudo faz para preparar a cidade para os turistas. Alto, mas não é isso que se critica ao presidente da câmara, essa sua ideologia do "jardinismo", desde há anos? Ah, sim, mas a gente é de "direita", somos só ressabiados. Eles não, agora a crítica é justa (e pós-Robles, já agora: "cá se fazem, cá se pagam").

As deputadas portuguesas fotografam-se contra Bolsonaro. Este é um traste. Um cafajeste, como se dizia nas velhas novelas dos anos 1970s. Aliás, o homem é um fascista, não é preciso outro adjectivo ou outro insulto. Mas as senhoras deputadas não acham que têm, portas dentro, tralha suficiente (ainda que não tão abjecta) para estarem contra? Não querem fazer, não acham que o deviam, uma "usie" contra esta cloaca? E a semana ainda vai a meio. Sabe-se lá o que antes do fim-de-semana ainda virá, neste estertor de regime ...

Mourinho está com problemas no Manchester United. E o tipo que foi do Rio Ave para o Nantes também. Mas o Eder(zito) marcou um grande golo na taça da Rússia. Há esperança.

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Canções do século XXI (542)

por Pedro Correia, em 27.09.18

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O apêndice

por João Campos, em 26.09.18

Segundo o Público, António Costa tenciona manter "todos os membros do Governo", isto a propósito da novela Tancos e do maluquinho de aldeia que passeia pelas imediações do Ministério da Defesa. No que diz respeito a Azeredo Lopes, as declarações de Costa são manifestamente generosas - dado o absurdo da actuação do ministro desde o Verão do ano passado, o homem estará muito longe de ser um membro do Governo, ou de qualquer Governo. Na melhor das hipóteses será um apêndice: é um vestígio sabe-se lá de quê, não tem utilidade prática, volta e meia dá uma valente dor de barriga e removê-lo é uma maçada. 

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Capítulo VI

por Alexandre Guerra, em 26.09.18

No dia 17 de Junho de 2017, na região de Pedrógão, algo aconteceu de dantesco e em poucas horas as chamas do Inferno trouxeram a morte a 66 pessoas, das quais 47 morreram carbonizadas na EN 236-1. Foi o dia em que o País se confrontou com a sua impotência e incompetência, onde as estruturas do Estado falharam nas suas mais elementares funções. No fundo, todos nós, enquanto sociedade, falhámos na defesa dos nossos concidadãos.

 

Os fenómenos e as circunstâncias que rodearam tal tragédia tinham (e ainda têm) que ser compreendidas e explicadas e, como tal, coube ao especialista Domingos Xavier Viegas, professor catedrático de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, a responsabilidade de elaborar um relatório técnico sobre o que aconteceu naquele trágico dia. Esse documento, que será fundamental no âmbito do processo judicial em curso, foi entregue ao Governo a 15 de Outubro, mas houve uma parte do estudo que nunca foi divulgada ao público, o capítulo VI, por conter testemunhos dos sobreviventes e considerações feitas pelos técnicos que fizeram a investigação.

 

Compreende-se que, na altura, se quisesse evitar a exposição das famílias das vítimas e dos sobreviventes, que tanto já tinham sofrido, no entanto, aquilo que agora nos é dado a conhecer pelo jornal i, com a colaboração do próprio Xavier Viegas, através da divulgação do capítulo VI, tem uma tal dimensão trágica e humana que, por um lado, alimenta a revolta interior pelo que aconteceu, por outro, reforça a obrigação de cada um de nós, enquanto cidadão, ser cada vez mais exigente na defesa e protecção das nossas gentes e recursos.

 

Os textos publicados esta Terça e Quarta feiras no jornal i são de um realismo impressionante e mostram como homens, mulheres, idosos, famílias inteiras tomaram decisões de vida ou de morte em momentos de pânico, sem qualquer auxílio externo e totalmente entregues à sua sorte. Nos próximos dias serão divulgados mais partes desse capítulo VI que, no fundo, acaba também por ser o registo de um dos mais negros episódios da história do Portugal democrático.

 

Despender alguns minutos do nosso dia a ler estes relatos pessoais e dos técnicos não é apenas uma questão de informação, é também quase uma obrigação para com a memória de todos aqueles que perderam as suas vidas, para que possamos ajudar a construir um Estado que nunca mais deixe os seus ao abandono.   

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Estátuas dos nossos reis (31)

por Pedro Correia, em 26.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: Algures no século XVIII

Localização: Lisboa, no jardim do Palácio Fronteira (São Domingos de Benfica)

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A Uber agradece

por Pedro Correia, em 26.09.18

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No conflito que opõe as frotas de táxis às novas plataformas digitais, os partidos que dizem estar sempre solidários com os trabalhadores já assumiram o seu lado. Colocam-se contra os novos proletários da Uber, da Cabify e da Taxify,  muitos deles assalariados precários, e mostram-se a favor dos patrões dos táxis, que há uma semana condicionam fortemente ou paralisam até grande parte do trânsito na cidade de Lisboa.

Pelo oitavo dia consecutivo, a capital tem hoje os seus principais corredores destinados aos transportes públicos transformados em parques de estacionamento de táxis. Prejudicando assim os cidadãos mais desfavorecidos - aqueles que utilizam os autocarros nas suas deslocações pela cidade. Uma evidente ilegalidade que conta com o zeloso patrocínio da Polícia Municipal, enquanto os partidos que menciono na abertura deste texto assobiam para o lado.

É uma luta obviamente condenada ao insucesso. Fazendo lembrar os protestos dos cocheiros quando começaram a generalizar-se os primeiros veículos a motor nas grandes urbes. Tentar travar a roda do futuro com argumentos proteccionistas do século passado é um absurdo. 

Muitos taxistas andam por aí, envergonhados, a furar o protesto dos patrões circulando com as luzes externas dos taxímetros desligadas. Faço sinal a um. Pára, abre o vidro e pergunta para onde vou. «Pode entrar. Tudo bem, desde que não passe pela Avenida da República, pelo Saldanha, pela Fontes Pereira de Melo ou pela Avenida da Liberdade. Se for aí, sou insultado ou posso mesmo ser agredido por aqueles que se dizem meus colegas.»

Escuto estas palavras enquanto o veículo se vai cruzando com diversas viaturas das plataformas digitais, que por estes dias não têm mãos a medir, com autocarros panorâmicos cheios de turistas e até com os já pitorescos tuk-tuks alfacinhas. Todo um mundo de ofertas rodoviárias que nada têm a ver com a visão petrificada dos donos das frotas de táxis e dos partidos que os apoiam.

Oito dias de protestos encaminharam milhares de utentes habituais de táxis para a Uber e a Cabify: é uma via que já não tem retorno. Por aqui se mede também a estupidez deste protesto. Enquanto os autocarros continuam sem acesso aos seus corredores, contribuindo para engarrafar ainda mais o trânsito. Lá dentro vão humildes cidadãos trabalhadores: os partidos que dizem apoiá-los voltaram a esquecer-se deles.

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A ONU a rir-se.

por Luís Menezes Leitão, em 26.09.18

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Acho inacreditável que uma assembleia geral da ONU se permita rir do Presidente dos Estados Unidos, sabendo-se que é esse o país que sustenta a organização e que pode muito bem cortar a sua contribuição. A assembleia geral deveria respeitar quem lhe paga e ouvir atentamente os discursos, como se espera num forum internacional. Desde o tempo de Ronald Reagan que estou habituado a o resto do mundo considerar os presidentes republicanos como imbecis e idiotas. Quando são democratas, já são uns génios, mesmo no caso da desastrada presidência de Carter, que até permitiu reféns americanos no Irão. Ninguém consegue perceber que, se o presidente americano fosse um imbecil, nunca teria chegado a presidente dos Estados Unidos. E quanto a rir-se de Trump, muitos o fizeram durante as eleições americanas. Viu-se o resultado.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.09.18

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A Nossa Alegria Chegou, de Alexandra Lucas Coelho

Romance

(edição Companhia das Letras, 2018)

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Canções do século XXI (541)

por Pedro Correia, em 26.09.18

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Estátuas dos nossos reis (30)

por Pedro Correia, em 25.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Leopoldo de Almeida

Ano da inauguração: 1962

Localização: Silves, à entrada do castelo

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.09.18

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Adeus, de Luís Rainha

Contos

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Canções do século XXI (540)

por Pedro Correia, em 25.09.18

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A diferença entre "legítimo" e "asséptico"

por Diogo Noivo, em 24.09.18

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No plano jurídico, nada impedia a recondução da Procuradora Geral da República. Logo, a decisão tomada foi estritamente política, o que é legítimo, mas não é asséptico. O simples facto de não se ter sondado a disponibilidade de Joana Marques Vidal para um segundo mandato deixa claro – para quem tenha dúvidas – que a sua não recondução obedeceu a um racional político.

Sem surpresa, José Sócrates e muitos dos que comeram à sua mesa entre 2005 e 2011 rejubilaram e aproveitaram a ocasião para lançar farpas aos adversários políticos. É legítimo, mas não é asséptico.

Tudo isto acontece por vontade do Governo com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República. Mais uma vez, é legítimo, mas não é asséptico.

Esperemos que a nova Procuradora Geral permaneça na senda de uma Justiça cega, que não olha a cargos ou influências, no combate à corrupção, ao tráfico de influências e aos demais crimes que fragilizam a qualidade da democracia. Já que a origem do novo status quo não é asséptica, que o seja a Justiça. Uma coisa é certa: o mérito da nova Procuradora no desempenho das suas funções jamais será um argumento válido para a sua recondução. Les jeux sont faits.

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Estátuas dos nossos reis (29)

por Pedro Correia, em 24.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: António Duarte

Ano da inauguração: 1956

Localização: Guarda, Praça Luís de Camões, junto à Sé Catedral. Até 2005, como a foto documenta, estava no centro da Praça Velha.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.09.18

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Essa Dama Bate Bué, de Yara Monteiro

Romance

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Canções do século XXI (539)

por Pedro Correia, em 24.09.18

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Pensamento da semana

por Bandeira, em 23.09.18

“Save the plane”, leio na t-shirt da empregada de balcão. Um ligeiro movimento das pregas converte a frase num menos ofegante “Save the planet”. Se perguntar “Que avião?” ainda há pouco me parecia pertinente, perguntar agora “Que planeta?” será talvez tolice—um bocadinho como perguntar “Que avião?” a partir do lugar à janela, sobre a asa, que é onde mais gosto de voar.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Fotografias tiradas por aí (427)

por José António Abreu, em 23.09.18

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Porto, 2018. 

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.09.18

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«O tédio é um bom antídoto para o medo.»

Daphne du MaurierRebeca (1938), p. 9

Círculo de Leitores, Lisboa, 1989. Tradução de Alda Rodrigues

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Estátuas dos nossos reis (28)

por Pedro Correia, em 23.09.18

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D. Sancho I (1185-1211)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: data desconhecida, no século XVIII

Localização: Sala dos Reis, no Mosteiro de Alcobaça

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.09.18

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Tudo é Possível, de Elizabeth Strout

Tradução de Rita Canas Mendes

Romance

(edição Alfaguara, 2018)

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