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Mais um dia em silêncio

por Pedro Correia, em 27.04.18

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«Agora quero é passar umas belíssimas férias. Creio que mereço.»

Manuel Pinho à SIC, 2 de Julho de 2009

 

Passou mais um dia e o ex-ministro Manuel Pinho continua sem proferir uma só palavra relativamente às gravíssimas acusações de que é alvo e que - a comprovarem-se - transformam a proclamada "ética republicana" num verbo de encher, bom para iludir totós e embalar meninos.

Recordo que, entre outras imputações, o antigo responsável pela pasta da Economia no executivo capitaneado por José Sócrates é suspeito de ter adquirido um apartamento em Manhattan em nome de uma sociedade convenientemente registada num paraíso fiscal e de ter recebido 15 mil euros mensais do defunto Grupo Espírito Santo enquanto mantinha assento no Conselho de Ministros.

Um silêncio ensurdecedor.

Que não fala: grita.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.04.18

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Diários, de Virginia Woolf

Selecção, tradução, prefácio e notas de Jorge Vaz de Carvalho

(edição Relógio d'Água, 2018)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.04.18

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Emanuela Postacchini

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.04.18

 

A Insustentável Leveza de Liedson.

 

Canções do século XXI (392)

por Pedro Correia, em 27.04.18

Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 26.04.18

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Isto não é não jornalismo. Do Ricardo Costa, na SIC:

 

«Perante a divulgação da acusação mais grave da nossa democracia, que cruza a maior falência bancária do pós-25 de Abril e o colapso da jóia da coroa da bolsa portuguesa, o que devem os jornalistas fazer?

(...)

Os jornalistas não são juízes nem políticos. Não se devem confundir com eles. Mas não podem usar as limitações ou as hesitações daqueles como argumentos para a sua confortável inacção, que, no limite, redunda numa profunda incompetência ou inutilidade.

Mas não fazer nada de jeito, nada de relevante, nada de fundo sobre a Operação Marquês é mesmo uma opção jornalística? Deve mesmo tratar-se este caso como todos os outros ou como as questões do momento que vão e voltam? Ou, neste caso, é uma profunda e determinada opção de não jornalismo?

É mesmo uma opção editorial dedicar mais recursos e tempo a falar dos dramas do consumo do abacate ou do futuro da mobilidade urbana do que da Operação Marquês?

(...)

Não dar aos leitores, espectadores ou ouvintes trabalhos de fundo sobre a Operação Marquês é anular o papel dos jornalistas numa democracia. É decretar um intervalo de uma década até que o caso transite em julgado. Nessa altura levantam o cordão sanitário e fazem um ar de espanto com o que esteve sempre à frente dos seus olhos.

(...)

A mim, a Operação Marquês fez-me corar quando li, quando ouvi e quando vi. Corei de vergonha da nossa democracia, da política que finge que não se passa nada e do jornalismo ao retardador ou que não faz o seu trabalho para não atrapalhar a justiça.»

Já li o livro e vi o filme (231)

por Pedro Correia, em 26.04.18

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      CHACAL (1971)

Autor: Frederick Forsyth

Realizador: Michael Caton-Jones (1997)

Um dos melhores thrillers políticos das últimas décadas, centrado num atentado real ao Presidente francês Charles de Gaulle em Agosto de 1963, serviu de base ao fraco "filme de acção" protagonizado por Bruce Willis e Richard Gere. Com a França transposta para os EUA. O livro é incomparavelmente superior.

Com franqueza, já cheira mal

por Pedro Correia, em 26.04.18

Algumas almas andam por aí aos gritinhos, clamando contra putativas violações do "segredo de justiça" - matéria que só lhes interessa, por coincidência, quando a beautiful people, habituada a beber do fino nos cenáculos da capital, senta o traseiro no banco dos réus.

Entre o direito à informação e o "segredo de justiça", nem pestanejam: elegem o segredo. Curiosamente, esta tribo dos gritinhos inclui várias pessoas alegadamente portadoras de carteira profissional de jornalista, que disparam impropérios contra quem relata e noticia, enquanto entoam hossanas a quem omite e silencia. Estranha forma de exercer o jornalismo, entre a venda e a mordaça.

Sendo o segredo de justiça um instrumento processual, de modo algum pode ser colocado no mesmo patamar da liberdade de imprensa ou da liberdade de expressão, queiram ou não queiram os defensores das novas formas de censura. Se alguém tem consciência disto é a actual segunda figura do Estado português, cuja frase mais célebre contribuiu para clarificar a questão: "Estou-me cagando para o segredo de justiça!"

Com franqueza, tanta polémica a propósito disto já cheira mal.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.04.18

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Hotel Memória, de João Tordo

Romance

(reedição Companhia das Letras, 2018)

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Canções do século XXI (391)

por Pedro Correia, em 26.04.18

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por João André, em 25.04.18

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Frases de 2018 (20)

por Pedro Correia, em 25.04.18

«Qualquer deputado vende-se por 750 euros a mais no vencimento. É uma vergonha, pá.»

Otelo Saraiva de Carvalho, comandante operacional do 25 de Abril de 1974, hoje, em declarações públicas

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25 de Abril, a reflexão

por Alexandre Guerra, em 25.04.18

Desde que me lembro das comemorações do 25 de Abril, pouco mais tenho retido na memória do que discursos e proclamações na Assembleia da República e a tradicional descida na Avenida da Liberdade liderada pelo PCP. E há ainda o cravo, esse símbolo luminoso... Seja como for, não vejo em nada disto qualquer problema, nem um suposto "esquecimento" da História, porque as efemérides servem para isso mesmo, para momentos solenes, muitos dos quais perante a indiferença quase total do Povo, sobretudo à medida que o tempo vai passando sobre o acontecimento.

 

Caberá, pois, a cada um de nós celebrar esta data à sua maneira, reinterpretando aquilo ficou conhecido como os "ideais de Abril". Nesse exercício introspectivo, devemos relembrar aqueles que, num dado momento da nossa História, se sacrificaram e arriscaram em prol de um ideal maior. Com humildade e espírito combativo, desafiaram um regime instalado e corporativo. Cada um deles lá tinha as suas convicções, porque, nestas coisas das revoluções, nunca há gente desprovida de interesses ideológicos. Mas, focados num bem maior, esses soldados levaram a sua revolução por diante.


Hoje, quarenta e quatro anos volvidos, arriscar-me-ia a dizer que se cada português reflectir sobre aqueles que deviam ser os guardiões do regime, facilmente chegará à conclusão de que a Política deixou de ter actores dignos, a senhora Justiça prostituiu-se a quem lhe dá mais e o Jornalismo definha para o pântano. 
São três pilares fundamentais para qualquer democracia saudável e que neste momento estão frágeis, em grande parte por culpa própria dos seus actores, nos quais não se vislumbra nem humildade, nem espírito combativo, apenas interesses egoístas.

Leituras para o 25 de Abril

por Pedro Correia, em 25.04.18

 

Adiós a los Castro. De Yoanis Sánchez, no El País.

Vésperas de Abril. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.04.18

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   Portugal - A Revolução Impossível?, de Phil Mailer

Tradução de Luís Leitão

História

(reedição Antígona, 2018)

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Canções do século XXI (390)

por Pedro Correia, em 25.04.18

Flagrante Delito com estreantes à mistura

por João Pedro Pimenta, em 24.04.18

Aos dezanove dias do corrente do ano da Graça de 2018, os membros do Delito reuniram-se em ambiente de obscura conspiração, em forma de um jantar no clássico e luminoso Café Império, sempre resistente aos chamamentos da vizinha igreja que se assenhoreou do ex-cinema o mesmo nome. O pretexto era a possibilidade de alguns membros da confraria se puderem estrear nestas conspirações imperiais, pelo que parte dos membros não pôde vir. Ainda assim, e com a anunciada vinda do João André dos Países Baixos, do José Pimentel Teixeira desembarcado há já uns tempos de Moçambique e dos escritor destas linhas quase directamente vindo do Porto, a coisa realizou-se.

 

Devo dizer que fui dos últimos a chegar e o primeiro a ir embora, por inadiável compromisso. Mas aquele convívio permitiu que em poucas horas se estabelecesse uma data de conversas, de uma incrível diversidade, que se cruzavam entre elas tornando difícil seguir uma e outra. Os escritos dos membros do Delito não são prosa para impressionar o leitor com o seu incrível conhecimento geral dos factos, mas produtos de reflexão, conversa e troca de impressões várias, como se podia comprovar ao vivo. 

 

Assim, e entre a chegada dos bifes da vazia (com maioria qualificada) e das cervejas que constantemente arribavam à mesa, falou-se na experiência na blogosfera e nos nossos fieis comentadores, aos quais qualquer dia teremos de endereçar convites para um convívio, caso queiram (pôs-se a possibilidade de alguns serem criações do Pedro Correia para estender e melhorar o nível de conflituosidade nos comentários); de como nos mantemos resilientes apesar do domínio das redes sociais; do início dos blogues e de como em determinadas situações foram trampolins para um maior mediatismo; de casos de perseguição obsessiva (stalking, não é?), incluindo o conhecimento do nosso paradeiro; mencionaram-se antigos jovens assistentes universitários e as suas actuais ambições políticas; falou-se de bola, com maioria leonina, e apostou-se em Jesus para substituto de Wenger no Arsenal.

 

Do lado onde me encontrava ouvi sobretudo as recentes impressões de Roma (algo desiludidas) do José Bandeira, ao qual asseguraram que Nápoles estava muito melhor que a capital, e dos mais harmoniosos percursos pela Toscana; as recordações de buscas arqueológicas da Ana Cláudia, com a velha discussão dos mármores do Pártenon levados por Lord Elgin e da defesa da civilização ocidental logo assumida pelo José Teixeira. Ressoaram também as opiniões jurídica abalizadas do Luís Menezes Leitão e as suas memórias de viagem ao gelo da Rússia, o percurso de vida do João André, que pelo meio o levou ao Delito, e de novo a defesa da civilização agora pelo José Navarro de Andrade. A distância  e os obstáculos sonoros ainda me impediram de ouvir melhor o Luís Naves e a Teresa Ribeiro. O Pedro coordenava o jantar e distribuía assuntos de conversa. Eu tentava ouvir um pouco de tudo e limitava-me a lançar algumas opiniões, na esperança de que tivessem algum impacto.

 

Ainda houve tempo para admirarmos, em primeira mão, e nas nossas mãos, o novo opus do Pedro - 2017 - As Frases do Ano - antes do lançamento oficial e que é um apanhado exaustivo e divertido de tudo quanto se disse no ano passado, arrumado de forma cronológica. Para a coisa ser melhor, faltou apenas o livro do próprio do Delito, que deve estar por dias.

 

Como disse atrás, tive de sair mais cedo do que seria desejável, ao mesmo tempo que o Luís. Não posso descrever o fim da conspiração, sendo certo que teria certamente valido a pena continuar caso pudesse. A desforra ficará para próxima reunião, previsivelmente à hora de jantar.

 

Jantar Delito Abr.2018.jpg

 

PS: a fotografia já tinha sido revelada antes, bem sei, mas além de não ter outra, acho que vale a pena ser exibida novamente. Os membros do Delito merecem-no.

[pub.] Tomem nota: quinta, 18.30

por Pedro Correia, em 24.04.18

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Convidado: RUI MONTEIRO

por Pedro Correia, em 24.04.18

 

Litoral é Lisboa e o resto é paisagem

 

Portugal é um país com fortes assimetrias territoriais de desenvolvimento económico e social, ponto final parágrafo. É assim que o tema da coesão nacional é apresentado: uma afirmação sem explicação. Há sempre um subtexto, o “vocês sabem do que estou falar”. O subtexto, o que todos damos como adquirido, é que o litoral se opõe ao interior, o urbano ao rural, as áreas metropolitanas às cidades médias, dando origem a diferentes jogos de soma nula. A dicotomia entre Lisboa e o resto do país também faz parte do subtexto, mas as razões são mais ideológicas do que de facto, resulta do centralismo para uns e da inveja dos caciques da província para outros, não existindo unanimidade ou a unanimidade é que tudo se resume a um Porto-Benfica.

Como os antecessores, este Governo também decretou que a dicotomia justa era entre o litoral e o interior e criou uma Unidade de Missão para o Interior para a dirimir.

 

Procura-se analisar essa dicotomia através do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante. Parafraseando Winston Churchill, é o pior indicador de análise da convergência real, com excepção de todos os outros. Por razões compreensíveis, retiram-se os Açores e a Madeira desta análise. Por simplificação e dada a ausência de informação com outro recorte espacial, admite-se que o litoral é constituído por todas as regiões NUTS III que fazem fronteira com o Oceano Atlântico, por mais pequena que seja, e o interior pelas restantes. O litoral apresenta um PIB por habitante superior em 8 pontos percentuais (p.p.) à média do Continente, enquanto essa diferença relativamente ao interior ascende a -22 p.p.. Analisadas assim as assimetrias, este diferencial de 30 p.p. permite afirmar que o litoral e o interior apresentam níveis de desenvolvimento diferentes.

Se se retirar a região NUTS III da Área Metropolitana de Lisboa do litoral, as comparações permitem conclusões diferentes. O litoral e o interior apresentam um PIB por habitante inferior à média do Continente de, respectivamente -7 p.p. e -22 p.p., enquanto essa relação da Área Metropolitana de Lisboa é precisamente inversa de +31 p.p.. A diferença entre o interior e a Área Metropolitana de Lisboa (53 p.p.) é cerca de três vezes e meia superior à diferença entre o interior e o litoral (15 p.p.). Não parece que a dicotomia entre o interior e o litoral explique as assimetrias de desenvolvimento ou, se explica, como muitos afirmam, incluindo o Governo, então é porque só a Área Metropolitana de Lisboa faz fronteira com o Oceano Atlântico.

Mapa Continente_NUTS III.jpg

 

Esta é uma análise positiva, do que é, não permitindo um juízo normativo, do que deve ser.

Depois da correcção dos principais desequilíbrios macroeconómicos decorrentes da negociação entre o Estado português, por um lado, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, por outro, do Programa de Assistência Económica e Financeira, a principal preocupação da política económica continua a ser a do endividamento externo globalmente e de cada um dos sectores institucionais (Estado, famílias e empresas). Qualquer juízo normativo deve ser efectuado tendo em consideração esta preocupação, procurando tirar lições de experiência para o futuro, dado que ninguém pretende regressar ao passado recente.  

A balança de mercadorias (exportações-importações) das diferentes regiões NUTS II do Continente expressa em percentagem do PIB é a seguinte: no Norte é de +11%, no Centro de +9%, no Alentejo de +6%, no Algarve de -1% e na Área Metropolitana de Lisboa de – 26%.

Um dos factos estilizados da economia portuguesa é o seu persistente défice da balança comercial. Embora não se disponha de informação regionalizada relativamente à balança de serviços e ao comércio inter-regional, pode-se afirmar, mesmo assim, que em termos absolutos e relativos a Área Metropolitana de Lisboa é o principal território responsável por esse défice persistente da economia portuguesa. Sendo a região mais rica do país, também se admite que apresente um défice da balança de rendimentos e transferências. Os dois défices só podem ser compensados por uma posição superavitária nas balanças de capitais e financeira. Estas posições têm o seu simétrico nas outras regiões do país e, em particular, nas suas regiões mais pobres (Norte e Centro).

Não se trata de qualquer juízo moral, de que os lisboetas vivem acima das suas possibilidades, mas tão-só de constatar que as necessidades de investimento da Área Metropolitana de Lisboa não são financiadas pelas poupanças dos seus residentes, sendo oriundas não só do exterior do país como das regiões mais pobres, minando o seu potencial de crescimento futuro e tornando a execução dos fundos europeus pouco eficaz na correção de assimetrias de desenvolvimento e na convergência real.

Esta é uma situação comum em países pouco desenvolvidos ou de desenvolvimento intermédio, mas não em países mais desenvolvidos com os quais nos queremos comparar no contexto da União Europeia.

 

O facto estilizado que marcou a economia portuguesa durante o processo de convergência nominal que antecedeu a criação do Euro e após a instituição da moeda única foi o excesso de investimento em sectores produtores de bens e serviços não transacionáveis, muito dele assente no simples rentismo (“rent-seeking”) e em rentistas (“rent-seekers”), aos quais não é indiferente a concentração em Lisboa e na sua área metropolitana do poder político. Este investimento inflacionou os respectivos preços dos bens e serviços, alterando a sua relação com os preços dos bens e serviços transacionáveis, apreciando a taxa de câmbio real, reduzindo a competitividade externa e aumentando o endividamento, público e privado.

Procurou-se explicar que as assimetrias de desenvolvimento estão associadas ao endividamento externo e vice-versa, num processo que se autoalimenta e se amplifica, gerando um círculo vicioso. A identificação e a caracterização de um problema não transportam em si mesmas a solução. Não há, nunca há uma só solução. Nos países mais desenvolvidos da OCDE uma parte da solução tem passado pela distribuição territorial do poder político de acordo com o princípio da subsidiariedade, sujeitando-o a maior escrutínio público e democrático, para se evitarem problemas do rentismo. A esta solução chama-se descentralização. É condição necessária mas não suficiente.

 

É necessário canalizar também o investimento para sectores produtores de bens e serviços transacionáveis, que, por estarem expostos à concorrência internacional, apresentam maior potencial de aumento da produtividade e de transformação estrutural da economia portuguesa. Esta aposta não é neutra em termos territoriais e depende da orientação a dar aos fundos europeus no atual e no próximo período de programação. Não se alteram os perfis produtivos dos territórios do dia para a noite. Uma aposta desta natureza não pode dispensar as regiões com maior orientação exportadora e conhecimento dos mercados internacionais e que, simultaneamente, apresentam PIB por habitante mais reduzido (Norte e Centro).

Se foi em nome desta solução que recentemente o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD) fizeram dois acordos, então estaremos em presença de um pacto de regime, porque o regime nunca mais será o mesmo.

 

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“Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, todos o dizemos e, aparentemente, teria sido o Eça de Queiroz a dizê-lo primeiro. Ao reler o capítulo VI de Os Maias não encontrei referência à paisagem que constitui o entorno de Lisboa e o resto do país, mas deliciei-me com o retrato irónico e cruel de uma elite decadente que sempre se considerou superior ao povo a que pertence. Esta frase permanece no nosso imaginário colectivo e dos principais decisores. A ideia que lhe subjaz é poderosa: o que é bom para Lisboa é bom para Portugal, dado que as duas realidades se confundem, um pouco à imagem da relação entre a General Motors e os Estados Unidos. É poderosa mas não é verdadeira. A correcção das desigualdades, isto é, o crescimento económico mais robusto das regiões mais pobres, permitirá um crescimento económico mais sustentável de Lisboa e de Portugal, um crescimento menos exposto a problemas de endividamento externo.

É necessário concentrar a atenção nas assimetrias que importam e não noutras que pouco ou nada importam nos termos em que são apresentadas, como se, num país com pouco mais de 200 km de largura e nas actuais condições de mobilidade de pessoas, de capitais, de bens, de conhecimento e de tecnologia, o desenvolvimento dependesse predominantemente do meridiano que ajuda a referenciar cada lugar.

 

 

Rui Monteiro

(blogue A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE LIEDSON)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.04.18

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Cadáveres às Costas, de Miguel Real

Romance

(edição Dom Quixote, 2018)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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