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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 31.03.18

Os alfarrabistas estão cada vez mais na moda - o que muito me agrada, apreciador que sou do comércio tradicional e nada entusiasta das grandes superfícies livreiras. Confesso-me cliente habitual dos espaços de venda de livros em segunda mão, onde costumo descobrir edições há muito esgotadas entre nós e que constavam da minha lista de obras a ler.

É portanto com muita satisfação que escolho O Gato Alfarrabista como blogue da semana. Sugiro-vos que o visitem: tenho a certeza de que vão gostar.

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Comparações.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.18

Num post abaixo, o João André critica a comparação que fiz entre a repressão na Catalunha e a repressão que se está a levar a cabo na Rússia e na Turquia. Mas a comparação é perfeitamente justificada. A Rússia e a Turquia também são formalmente democracias. Só na prática é que não o são. A Espanha caminha rapidamente, pelo menos no que à Catalunha diz respeito, para também não o ser. Na campanha eleitoral Puigdemont avisou que os independentistas respeitariam o resultado eleitoral, mas que se iria ver se o Estado espanhol o faria. Até agora não o tem feito, colocando os seus opositores, que venceram as eleições, na prisão. Se o João André vê alguma diferença entre as medidas que os tribunais espanhóis tomaram contra Carles Puigdemont e as que os tribunais russos tomaram contra Alexei Navalny é bom que explique qual é.

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Leituras

por Pedro Correia, em 31.03.18

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«Não fica bem continuar a odiar um inimigo depois de terminado um conflito. Quando atiramos um homem às lonas, as coisas devem terminar aí. Não devemos, depois de o derrubarmos, aplicar-lhe pontapés.»

Kazuo Ishiguro, Os Despojos do Dia (1989), p. 92.

Ed. Gradiva, 2017. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues.

Colecção Gradiva, n.º 23

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.03.18

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  O Fruto Proibido, de Jodi Ellen Malpas

Tradução de Mário Dias Correia

Romance

(edição Planeta, 2017)

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Algumas canções da minha vida

por Pedro Correia, em 31.03.18

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São estas:

La Valse a Mille Temps (Jacques Brel, 1959)

Summertime (George e Ira Gershwin, 1935)

C'est Si Bon (Henri Betti e André Hornez, 1948)

Coimbra (Raul Ferrão e José Galhardo, 1947)

Strangers in the Night (Ivo Robic, Bert Kaempfert, Charles Singleton e Eddie Snyder, 1966)

Indian Summer (Victor Herbert e Al Dubin,1939)

The Sound of Silence (Paul Simon, 1964)

Um Homme et une Femme (Francis Lai e Pierre Barouh, 1966)

João e Maria (Sivuca e Chico Buarque, 1977)

Fly Me To the Moon (Bart Howard, 1954)

Winchester Cathedral (Geoffrey Stephens, 1966)

Zé Cacilheiro (Carlos Dias, César de Oliveira e Paulo da Fonseca, 1966)

 

Outras não tardarão a vir aí.

Quais são as canções das vossas vidas?

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Canções do século XXI (365)

por Pedro Correia, em 31.03.18

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Igual a todos nós

por Pedro Correia, em 30.03.18

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 Gólgota, de Edvard Munch (1900)

 

É a frase mais dramática de toda a Bíblia. A frase que Cristo profere na cruz, quando todas as forças já lhe falecem no corpo em chaga, e brada aos céus com o último alento que lhe resta:

Eloí, Eloí, Lama sabachtami?

Este episódio da Paixão, que vem mencionado nos Evangelhos de Mateus (27,46) e Marcos (15,34), sempre me impressionou. Porque nos revela, mais que nenhum outro, a face humana de Jesus - as dúvidas, as angústias, a profunda inquietação existencial de um Jesus terreno, despido da sua condição divina, igual a todos nós. Na dor, no sofrimento, no desamparo.

Este brado simboliza o desespero de múltiplas gerações de homens solitários clamando em momentos de aflição por um Pai que permanece teimosamente desconhecido, indiferente ao destino trágico dos seres dotados de consciência que lançou como grãos de areia na imensidão cósmica. É um grito lancinante que ecoa desde os confins dos tempos e se ramifica a todos os espaços onde chega a voz humana:

Meu Deus, Meu Deus, Porque Me abandonaste?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.03.18

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 A Herança Perdida de Jesus, de Jacob Slavenburg

Tradução de J. Figueiras

História das origens do cristianismo

(edição Marcador, 2012)

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Na Catalunha nem bons ventos nem bom senso

por João André, em 30.03.18

Há muito que penso que a "questão catalã" teria sido resolvida mais ou menos satisfatoriamente se tanto o governo de Rajoy como o anterior governo regional de Puigdemont tivessem tido juízo. Rajoy só teria que ter resolvido as questões do novo Estatut de forma a satisfazer o Tribunal Constitucional para o barulho se reduzir. Puigdemont, por seu lado, forçou uma questão com decisões para as quais não tinha o menor mandato. Até anunciar os resultados do dito cujo referendo, Puigdemont estava claramente a infringir a lei e qualquer lógica democrática liberal. Após ele e os seus correlegionários serem lançados aos calabouços, foi Rajoy (e Madrid) quem perdeu muita da sua força moral.

 

Neste momento não me pronuncio sobre a independência da Catalunha. É óbvio que não existem condições para a mesma. Nos melhores dias, os independentistas chegam no máximo a 50% e nunca me parece ter havido discussão sobre que tipo de sistema constitucional existiria no novo país. Seria simplesmente uma espécie de "República". Isto não chega.

 

Só que, sendo isto verdade, não faz qualquer sentido Madrid persistir na sua perseguição a Puigdemont e outros. É óbvio que não estão em risco de iniciar uma insurreição, nada na Catalunha nos dá essa impressão. Há tensão, mas ainda não vi uma única reportagem a dar a ideia de um barril de pólvora pronto a explodir. Os dirigentes independentistas infringiram a lei, mas o princípio da razoabilidade deveria dominar aqui: o procurador geral (ou equivalente em Espanha) deveria simplesmente pedir a liberdade condicional para os dirigentes enquanto esperam pelo julgamento. E, a não ser que de facto se dê como provada, num julgamento justo e imparcial, a conspiração para cometer actos verdadeiramente insidiosos (a vontade de independência ainda não o é), a máxima pena a que estes dirigentes deveriam ser condenados seria uma suspensão de cargos públicos por um determinado período.

 

Andar a lançar mandatos de captura internacionais só vem dar fogo à lenha dos independentistas, que aproveitam para insistir (com base na sua leve maioria no Parlamento Catalão) na escolha desses dirigentes para presidente da Generalitat. É uma insistência algo parva, mas estão no seu direito. Aquilo em que dará será novas eleições após Maio (se bem entendi, é esse o limite para a formação do governo), as quais poderão dar resultados que ninguém conseguirá prever.

 

Há muitas coisas que vão faltando no caso catalão: fúria independentista, repressão autoritária, e essencialmente bom senso, em Barcelona e Madrid. E, mais que Puigdemont e outros dirigentes, quem vai sofrendo com isto tudo são os catalães, independentistas ou não, que vêem a incerteza diária complicar-lhes a vida.

 

 

PS - no entanto isto não se compara nem de perto nem de longe à Turquia ou à Rússia como o Luís quer fazer passar. A comparação é tão disparatada que nem vale a pena falar no assunto. Comparar com Hungria ou Polónia ainda compreenderia, mas com dois autocratas que nunca irão ser votados para fora do cadeirão? Não gozem comigo.

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As ligações insulares da Líbia

por João Pedro Pimenta, em 30.03.18
O suposto patrocínio de Muammar Kadhafi e do regime líbio à campanha presidencial de 2007 de Nicolas Sarkozy, que levaram à detenção deste há poucos dias,  não é exactamente uma novidade nem um rumor esquecido. Já tinha sido publicitada várias vezes, a começar pelo filho do próprio ditador da Líbia durante o levantamento no país, quando a França liderou a intervenção militar externa que seria decisiva para a queda do "regime verde" e para os acontecimentos que se seguiram. 
 
A ser verdade não sei quais as razões deste patrocínio financeiro a Sarkozy, mas por certo seria para obter quaisquer objectivos financeiros ou estratégicos da parte da França. De resto, Kadhafi nunca deixou de se imiscuir nos assuntos dos outros países de forma diversa. Na sua versão mais recente fazia-o através de recursos económicos proporcionados pelo petróleo líbio, como os interesses que tinha em empresas italianas como a FIAT, ou até em clubes de futebol. Mas nas primeiras décadas, o coronel esteve envolvido em  quase todos os conflitos envolvendo terrorismo e rebelião. Do IRA à ETA, passando por todas as organizações palestinianas e estando por trás de grandes atentados dos anos oitenta, como a explosão do avião sobre Lockerbie, ou estreitamente ligado aos grandes terroristas da época, como Carlos, O Chacal, ou Abu Nidal, Kadhafi não perdia uma. E quando não tinha uma organização terrorista ou ma causa subversiva para apoiar, procurava-as. Um artigo recente de Rui Tavares conta-nos que o ditador líbio, numa reunião da Organização dos Estados Africanos, exigira a "liberdade da colónia africana da Madeira, ocupada por Portugal", dizendo o mesmo das Canárias. Se a esta ainda podia fazer referências aos guanches, o povo autóctone pré-espanhol, já dificilmente veríamos os madeirenses a querer ser libertados por Kadhafi. 

 

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Mas os líbios, sempre prestes a auxiliar um bom movimento separatista, também olhavam para os Açores, já fora da órbita africana. César Oliveira, antigo deputado e autarca do PS (e pai de Tiago Oliveira, agora muito falado por estar à frente da estrutura que previne os fogos rurais), já desaparecido, conta-nos as suas impressões da Líbia em finais dos anos setenta no seu livro de memórias de 1993, Os Anos Decisivos:

País de um novo-riquismo impressionante e avassalador, a Líbia constituiu (...) a certeza de que representava uma ameaça para a paz e no Norte de África como para o próprio Sul da Europa (...) Um alto dirigente líbio colocou-me a pergunta sobre a posição da UEDS quanto à ala esquerda da FLAMA e da FLA. E como tivéssemos respondido, naturalmente, que não víamos qualquer ala esquerda naqueles movimentos insulares e que, pelo contrário, os víamos como de extrema-direita e politicamente suspeitos, acabaram-se todas as facilidades e tive mesmo dificuldades em obter o bilhete de avião  para Lisboa, via Roma. 
 
Claro que o apoio a tais movimentos não passou de intenções, discursos e perguntas. Mas revela bem até que ponto aquele excêntrico regime líbio interferia ou procurava interferir nos assuntos dos outros países. Daí que não possa deixar de me rir quando ainda ouço inúmeras indignações A invasão e "violação da soberania da Líbia." Não que não tivesse acontecido, que aquilo não tenha redundado num caos e que a morte de Kadhafi e outros não seja condenável. Mas se houve país que se imiscuiu nos assuntos alheios, com consequências trágicas, a Líbia é o melhor exemplo, assim como Kadhafi é o responsável por inúmeras mortes e conflitos. Aplicou-se, de novo, a velha teoria de que quem com ferros mata...

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Canções do século XXI (364)

por Pedro Correia, em 30.03.18

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A guerra que Thatcher "inventou"

por Pedro Correia, em 29.03.18

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Estamos sempre a aprender. Acabo de escutar um historiador, em tom categórico e professoral, proclamar em horário nobre da televisão: "A senhora Thatcher, quando estava a braços com uma crise de agitação social na Inglaterra, inventou uma guerra, a guerra das Malvinas."

Extraordinário doutor Fernando Rosas: folheando sabe-se lá quantos canhenhos empoeirados, só ele conseguiu descobrir que foi afinal a primeira-ministra Margaret Thatcher quem ordenou aos odiosos déspotas do regime militar de Buenos Aires - apoiados pelo ditador cubano Fidel Castro - para  invadirem o arquipélago das Malvinas no dia das mentiras de 1982.

A maquiavélica senhora precisava dessa invasão para "inventar uma guerra" que só poderia culminar com a vitória britânica, emulando o triunfo da Royal Navy sobre Bonaparte em Trafalgar, enquanto as massas ignaras entoavam o God Save the Queen.

Fiquei esmagado com tão eloquente demonstração de sapiência do reputado académico. E aqui venho inclinar-me em respeitosa vénia à sua luminosa e profícua erudição.

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A América que muda

por Patrícia Reis, em 29.03.18

Milhares de pessoas, em especial jovens, saíram à rua e fizeram uma revolução. Não foi apenas um acto isolado, e isso é evidente para quem ouviu os diferentes discursos nas diversas cidades.

Este movimento veio para ficar e para mostrar a Donald Trump que talvez seja derrotado por quem é mais jovem, por quem é capaz de pisar um palco e, com tão pouca idade, dizer de sua justiça, invocando palavras sábias, relatando episódios traumáticos de violência, exigindo que os políticos sejam melhores. É uma revolução.

“É um novo Maio de 68”, disse a escritora Inês Pedrosa no twitter. É é verdade. Um Maio de 68 em Março de 2018 cujo enfoque não é apenas a questão da venda de armas, a falta de controlo (os jovens exigem a proibição da comercialização de armas de fogo, da venda livre de carregadores para armas semiautomáticas e o reforço dos controles de antecedentes das pessoas interessadas em comprar armas). É uma revolução pela vida, pela segurança, pelos direitos elementares, pela liberdade de expressão. Não são “jovens corajosos”, como refere o comunicado da Casa Branca, de forma condescendente. Nada disso: são jovens com voz, com ideias, com discurso, com capacidade de mobilização, com ideias, com objectivos. Tal e qual como eram os estudantes que mudaram o mundo à sua maneira em 1968.

A geração das redes sociais, do século XXI, não é comodista e preguiçosa, é informada, articulada e tem coisas para dizer, em especial quando se sente ameaçada. Estes jovens norte-americanos estão fartos, cansados de ter medo de quem possa ter uma arma e atacar. Os ataques a liceus não são ocasionais, são constantes. O poder que o negócio das armas detém nos EUA reside no esquema mafioso de benefícios financeiros para políticos para quem os eleitores, na verdade, são um pormenor de somenos na equação da democracia. Estes milhares de jovens de provenientes de diferentes meios sócio-culturais, de ambos os sexos, habitantes de vários estados norte-americanos, não querem mais conversas e subterfúgios, querem uma solução. Não podem – nem devem – ser encarados com condescendência. É a eles que o futuro pertence, são eles os leitores que Trump deve temer.

Estes jovens pensam pelas suas cabeças e não são, como explicou Naomi Wadler, de 11 anos de idade, “manipulados por adultos”. São capazes de perceber a diferença entre o certo e errado e não têm medo de enfrentar o mundo para dizer de sua justiça.

Com uma organização exemplar, a Marcha pelas Nossas Vidas foi uma iniciativa de estudantes sobreviventes do tiroteio numa escola em Parkland, na Florida, um tiroteio que ocorreu no mês passado, durou seis minutos e vinte segundos e resultou na morte de 17 pessoas. Emma González, uma das estudantes sobreviventes, de origem cubana, assumidamente bissexual, surgiu no palco principal do evento em Washington, com um casaco a lembrar o universo militar, cabelo rapado, e tornou-se o rosto de uma geração, de uma geração com direitos e exigências, uma geração que exige que sejamos melhores enquanto sociedade, na forma como nos comportamos, como lidamos uns com os outros. Emma Gonzalez anteve-se em silêncio durante quatro minutos e vinte segundos, um tempo infinito, as lágrimas a espreitarem, a rosto cerrado. Podia ser uma cena de um filme de Hollywood a puxar ao sentimento, mas é a vida real e é impossível ouvir e ver esta jovem sem qualquer comoção, é obrigatório chorar com ela.

Cameron Kasdy, outro estudante de Parkland, disse: “Desde que o movimento começou, as pessoas perguntam-me: ‘Pensas que isto vai provocar alguma mudança? Olhem à vossa volta. Nós somos a mudança”.

Christopher Underwood, de 11 anos de idade, falou sobre o irmão, baleado em 2012. Tinha 14 anos. “Na altura, eu tinha apenas cinco anos. Transformei a minha dor e raiva em acção (...) As nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecermos em silêncio sobre as coisas que importam”. A citação de Martin Luther King é exemplar do que acontece(u) na Marcha Pelas Nossas Vidas. A neta de Martin Luther King, de nove anos de idade, Yolanda Renne King pediu "um mundo sem armas". Tem o mesmo sonho do avô. Não está sozinha.

Em Los Angeles, Edna Chavez, também ela estudante de 17 anos, declarou: “Sou uma sobrevivente. Vivi no centro de Los Angeles a minha vida toda e perdi muitos dos meus entes queridos por causa da violência. Isto é o normal. (...) Eu perdi mais do que o meu irmão naquele dia, perdi o meu herói. Também perdi a minha mãe, a minha irmã e a mim mesma para o trauma e ansiedade”.

Desde Janeiro deste ano foram registados 49 tiroteios, já morreram 3 mil 159 pessoas em incidentes com armas nos Estados Unidos. Destes, 737 tinham menos de 17 anos de idade. Os jovens gritaram: “Já chega!”

A História mostrará que têm a capacidade para mudar o mundo e que nada os deteve.

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O que dirá Freitas agora?

por Pedro Correia, em 29.03.18

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Na sequência do inaceitável acto homicida que visou o cidadão russo Serguei Skripal e a sua filha Iulia, por intervenção de agentes infiltrados da Rússia em território britânico, o Governo do Reino Unido expulsou 23 diplomatas de Moscovo e solicitou a solidariedade activa dos seus aliados. Nada mais compreensível.

Nos últimos dias, 28 países - incluindo 19 Estados membros da União Europeia - anunciaram também a expulsão de quadros diplomáticos russos: um gesto de firmeza política que ultrapassa largamente o plano simbólico. Pelo menos 125 diplomatas receberam já ordem para fazerem as malas.

Entre as raras capitais da UE que permaneceram à margem deste processo inclui-se Lisboa. "Governo prefere diálogo à expulsão: diplomatas russos a salvo em Portugal", na síntese certeira de um título jornalístico. Isto apesar de o Executivo liderado por António Costa "acreditar que a concertação no quadro da UE é o instrumento mais eficaz para responder à gravidade da situação presente", como jesuiticamente observou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O tal que gosta de "malhar", mas é "na direita". Esquecendo que Putin é o maior apoiante financeiro e logístico da mais repulsiva extrema-direita europeia.

 

2

O nosso Governo, lamentavelmente, ignorou neste processo os compromissos inscritos na aliança histórica que mantemos desde 1373 com o Reino Unido - aliás a mais antiga relação diplomática ininterrupta da história.

Pior: a diplomacia portuguesa parece cruzar os braços perante reiteradas e comprovadas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado russo - que inclui ataques cibernéticos com a colaboração de sofisticada pirataria informática, a intromissão em processos eleitorais estrangeiros, o assassínio e detenção ilegal de opositores, o silenciamento de jornalistas e as agressões militares contra a soberania de Estados vizinhos, nomeadamente com a anexação da Crimeia, pertencente à Ucrânia, e a criação dos bandustões russos da Abcásia e da Ossétia do Sul, tornados enclaves em território soberano da Geórgia.

Como se isto já não bastasse, os agentes de Putin liquidam compatriotas incómodos em solo estrangeiro, recorrendo a uma substância tóxica proibida por convenções que o próprio Estado russo subscreveu.

Entre os nossos amigos e aliados da UE e a cleptocracia russa, com a sua corte de oligarcas corruptos, ficamos equidistantes. Algo que não acontecia desde os tempos pós-revolucionários, quando uns tantos lunáticos andaram por aí a enaltecer a putativa integração de Portugal no lote dos países pertencentes ao Terceiro Mundo.

 

3

Afinal o prometido "novo impulso para a convergência com a Europa" que o Executivo PS prometeu em Novembro de 2015 no seu programa era apenas uma flor de retórica. Na óptica de Santos Silva, que há três meses celebrava como "vitória para Portugal" a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, a solidariedade europeia será uma via de sentido único.

Por mim, fiquei esclarecido. Aguardo apenas com alguma curiosidade o pronunciamento de Diogo Freitas do Amaral, que era vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Executivo da Aliança Democrática, que em 1980 decidiu expulsar quatro diplomatas russos, no quadro dos duros protestos ocidentais contra a invasão soviética do Afeganistão ocorrida meses antes e que incluiu apelos do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro ao boicote português dos Jogos Olímpicos de Moscovo, onde a participação nacional esteve reduzida ao mínimo.

Tudo isto sucedeu, note-se, quando ainda nem éramos membros do espaço comunitário europeu.

O que dirá Freitas do Amaral agora?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.03.18

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 O Quotidiano a Secar em Verso, de Eugénia de Vasconcellos

Poesia

(edição Guerra & Paz, 2016)

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Há alguns dias deixei aqui um postal aludindo à incoerência, sinal de incompetência e submissão ao casuístico, do parlamento português, o qual votou, de modo unânime, um pesar pelo assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro e que havia, recentemente, ignorado o asssassinato do presidente de Nampula. Aquele que me pareceu ser um texto liso ("flat") foi comentado de forma que me surpreendeu (concedo que cada vez mais tenho dificuldades em dialogar em comentários nos blogs, pois o tom parece-me bem menos profundo, num apenas provocatório, do que o que acontece no FB, mesmo que ali sendo abrasivos, o que se prende, decerto, com o efectivo anonimato de grande parte dos comentários bloguísticos). Assim ser contraposto naquele meu texto por considerações que julgam normal ("natural") que o parlamento siga a agenda mediática é difícil de contra-argumentar. Pior ainda deparar-me com comentários reduzindo, de forma altaneira, o que havia escrito a um "disparate" ou a "misoginia". Não é um lamento o que agora escrevo, é mesmo um cansaço. Explico-o, agora, através de dois pontos:

 

1. Não reclamei o interesse para um qualquer contexto longínquo. A Assembleia da República não é o governo. Como tal é normal, até desejável, que funcione um pouco segundo as comoções e pressões do eleitorado, da opinião pública. E que os interesses e focos de atenção das forças sociais que apoiam os partidos sejam mais ecoados através dos deputados. Assim sendo, é normal que o que tem mais peso mediático (o Rio é mais sonante do que Nampula, claro) induza mais reacções. Não é um defeito, é uma característica do parlamento. Ou seja, se a AR está vinculada à "razão de estado" vive esse vínculo de forma menos radical, em termos de imagem e discursos públicos, do que o governo, particularmente em questões de política externa. Sendo mais sensível a ecoar as correntes de pensamento internas, muitas vezes potenciadas pelas emoções colectivas e pela agenda mediática, esta salutar em democracia. 

Dizer isso não implica que a AR não tenha também uma dimensão "estadista". Nela está gente que se dedica à política externa e, mais em particular, à ajuda pública ao desenvolvimento, vulgo "cooperação" (terá comissões, grupos de trabalho; terá profissionais disso eleitos; terá políticos que já ocuparam postos na área; representa interesses económicos envolvidos; tem deputados da emigração; etc.). Assim, em questões estrangeiras não está, nem pode estar, limitada às solidariedades dos partidos representados, às comunhões ideológicas. Nem às parangonas das televisões e jornais. Poder-se-á discutir a pertinência formal de um parlamento votar um pesar sobre o assassinato de um vereador municipal (talvez que a reacção das instâncias políticas nacionais devesse incorrer sob o âmbito da Assembleia dos Municípios Portugueses, e das assembleias municipais - em particular a das grandes cidades portuguesas geminadas com o Rio; isso daria uma homologia). Mas pode-se ter querido incrementar o peso simbólico da reacção (duvido que tenha havido sequer essa consideração, mas enfim ... dou de barato). Mas isso implica uma questão - deve a AR debruçar-se sobre qualquer assassinato de agentes políticos estrangeiros? Deverá ter uma atenção abrangente? E se sim sobre que universo se dedicará, e segundo que critérios? Só os do Rio? Só os Brasil? Só os da CPLP? Também os da UE? Ou por aí adiante até englobar os da ONU? Ou vota-se apenas segundo as proximidades ideológicas com alguns partidos da nossa AR, mais diligentes nas propostas?

Talvez que a AR não deva apenas depender da mera agenda  mediática e das solidariedades internacionais dos seus partidos.  Moçambique é o 2º país mais populoso da CPLP. Esta é um vector fundamental da política externa portuguesa (pelo menos ao nível discursivo). Portugal tem interesses no país (variados, desde os "morais" aos "económicos", etc.). Tem tido papel na mediação de conflitos (inclusivamente nas negociações do recente conflito militar entre o Estado e o partido Renamo). Nampula é a segunda cidade do país. É a capital administrativa e económica da zona linguística macua - e há mais falantes de macua como primeira língua do que portugueses em Portugal, o que também dará para reflectir quando o discurso estatal e social aqui se centra na noção da "lusofonia" (ainda recentemente recuperada pelo nosso ministro da cultura, com reacção inexistente e debate nulo por parte das outras forças políticas nacionais). O presidente da câmara de Nampula (não um mero vereador) pertencia ao terceiro partido moçambicano, instaurado como o mais importante partido autárquico do país. E estava, dizia-se, de saída para fundar um quarto partido. Era um católico num contexto regional de esmagadora maioria muçulmana. Moçambique tem vivido conflitos militares nos últimos anos (houve uma pacificação nos últimos meses), e tem havido assassinatos de membros importantes do partido Renamo.

Nada disto explica o seu assassinato, sobre o qual não há informações. Mas tudo isto dá um contexto, óbvio, em que seria normal que a AR portuguesa, se entende expressar "pesar" pelo assassinato de autarcas estrangeiros, entendesse ter uma opinião política, de valor simbólico. Mas não teve, esqueceu-se: muito provavelmente apenas porque não há no seu seio um partido que se considere "companheiro de estrada" do falecido presidente. Ou, se calhar, porque nem sequer se lembraram do assunto. A mim parece-me simples, é um reflexo sobre as (in)competências da nossa AR em termos de reflexão sobre a política externa. Não é reclamar atenção para Nampula ou menosprezar a indignidade do lamentável assassinato da autarca carioca.  Mas é dizer que a AR não é apenas o fruto das primeiras páginas dos jornais (ainda que neles deva atentar) nem o rescaldo dos guias turísticos - que obviamente valorizam a "cidade maravilhosa" em detrimento da "cidade da chuva".

Mas se aludir a tudo isto é sinal de misoginia e a continuidade de um costumeiro disparatar então não haja dúvida: sou eu, apesar de mim-mesmo, um disparatado misógino;

 

2. Ericino de Salema, jurista e jornalista moçambicano, comentador político na televisão, foi anteontem raptado e violentamente agredido, tendo, felizmente, o seu sequestro sido interrompido pela chegada de um grupo de crianças ao local para onde tinha sido levado e onde o espancavam com barras de ferro tentando partir-lhe os membros. Na sequência do acontecido o jornal Verdade elenca os 12 crimes políticos dos últimos 3 anos, incluindo vários assassinatos, desde o do constitucionalista Gilles Cistac, bem como o sequestro de Jaime Macuane, também comentador televisivo, levado de casa e baleado com cinco tiros nas pernas, ambos apartidários e meus colegas na Universidade Eduardo Mondlane. Este é um traço do processo político no, como acima refiro, 2º país mais populoso da CPLP, essa que é uma dimensão importante da política externa portuguesa, num país que a retórica estatal (e parlamentar) nacional afirma como bastante próximo - recordo, como símbolo, que Rebelo de Sousa convidou apenas três países para a sua tomada de posse: Espanha, Brasil, .... Moçambique. Referir que será expectável uma particular atenção, e concomitantes actos simbólicos, sobre este processo e seus epifenómenos, por parte do parlamento (e de outras instâncias políticas) será, no entender daqueles que entendem a política como um feixe de solidariedades sobre as causas identitárias (o género, a raça, a etnia, a ... religião) que dominam o pós-marxismo actual, uma misoginia, falocrata, e um disparate, reaccionário.

Eu penso que não. E continuarei a pensar. Apesar dos comentários.

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Canções do século XXI (363)

por Pedro Correia, em 29.03.18

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Já li o livro e vi o filme (227)

por Pedro Correia, em 28.03.18

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      PASSAGEM PARA A ÍNDIA (1924)

Autor: E. M. Forster

Realizador: David Lean (1984)

Raras vezes livro e película se entrelaçam tão bem: o admirável romance de E. M. Forster - que o Guardian inclui entre as cem melhor obras de ficção em língua inglesa - foi transposto de forma exemplar para a tela por David Lean, um dos grandes mestres do cinema, neste seu filme-testamento.

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Negócios Estrangeiros

por Diogo Noivo, em 28.03.18

Moscovo está apostada na desestabilização política da Europa. Interferiu no referendo que culminou com o Brexit, como interferiu também no supuesto referendo de 1 de Outubro na Catalunha (de acordo com a organização Securing Democracy, os perfis russos no Twitter aumentaram em 2000% a sua actividade a favor da independência catalã na véspera da alegada consulta popular). Nas presidenciais francesas os sinais de interferência foram menores, mas o flirt com a Frente Nacional de Marine Le Pen foi claro. Embora as consequências destas intromissões sejam difíceis de aferir, o propósito de criar brechas no espaço europeu é inegável.

São, contudo, factos com contornos difusos quando comparados com o sucedido na Crimeia, com a constante violação do espaço aéreo de países do Norte e Leste da Europa, com os ataques cibernéticos a países europeus, ou com a exploração de antagonismos políticos existentes no seio de países como a Áustria, o Chipre, a República Checa ou a Eslováquia. O envenenamento de Sergei Skripal, antigo espião russo a residir no Reino Unido, é apenas o último de uma longa e penosa lista de episódios condenáveis.

Perante a sucessão de casos, 23 países ocidentais decidiram levar a cabo a maior expulsão de diplomatas russos na História contemporânea. Após anos de interferência e de pressão, há uma frente democrática que se opõe ao acosso vindo da Federação Russa. Portugal pôs-se de fora. Informa o Palácio das Necessidades que prefere a “concertação” no quadro da União Europeia para “responder à gravidade da situação presente” – nesta matéria, parece que a concertação não é uma “feira de gado”.

A prudência é sempre boa conselheira. No entanto, importa ter presente três aspectos. Primeiro, o silêncio da Europa não deu bons resultados – as intromissões russas tornaram-se cada vez mais agressivas e danosas para a salubridade democrática na Europa. Segundo, Portugal deve estar atento porque, depois de ter sido um dos últimos países a aderir à Cooperação Estruturada de Defesa, convém que não existam dúvidas sobre o nosso compromisso com a estabilidade e a segurança europeias. Terceiro e muito importante, o Governo não deve confundir os interesses nacionais, que no plano externo assentam em grande medida na União Europeia e na Aliança Atlântica, com os interesses paroquianos que estão na base da solução política que sustenta o Executivo de António Costa.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.03.18

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Nota Sobre a Supressão Geral dos Partidos Políticos, de Simone Weil

Tradução de Manuel de Freitas

Ensaio

(edição Antígona, 2017)

 

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Canções do século XXI (362)

por Pedro Correia, em 28.03.18

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O que se pode aprender com uma "porn star"

por Alexandre Guerra, em 27.03.18

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Não foi tanto pelos contornos políticos (e muito menos por outro tipo de contornos), foi sobretudo por interesse profissional na vertente comunicacional que vi com atenção a entrevista que Stormy Daniels deu a Anderson Cooper. Sempre gostei da forma como os americanos fazem estas coisas, porque parece que têm um talento inato para fazer informação em televisão, tanto os entrevistadores como os entrevistados. Não é por acaso que o 60 Minutes da CBS News está a celebrar meio século de existência (imagine-se) e ainda consegue proporcionar momentos de grande qualidade informativa e televisiva.

 

Analisando a entrevista, percebe-se como Stormy Daniels estava muitíssimo bem preparada para enfrentar aquele momento. Se eu tivesse que apostar, diria que há ali muito trabalho por trás, tudo é muito profissional. Não há hesitações, as respostas são curtas, assume o que fez, reconhece as suas fraquezas, tem ideias objectivas e claras. E mesmo perante perguntas mais escorregadias por parte de Anderson Cooper, não há silêncios comprometedores, mas sim declarações assertivas. É uma autêntica lição de media training dada por uma porn star. Quem diria... Por outro lado, na sociedade americana este tipo de fenómeno não é assim tão raro, em que a ascensão social é um “elevador” onde todos querem entrar, seja quem for, em que “andar for”. E quando a oportunidade surge, neste caso, quando uma porn star tem um slot para ascender ao estrelato mainstream, não o desperdiça.

 

Stormy Daniels chegou lá, tornou-se numa estrela pop e ela sabe-o bem. Não é a primeira actriz de “filmes para adultos” a fazer esta transfiguração. O caso mais conhecido é o de Jenna Jameson, que a partir de determinada altura da sua ascensão ao mundo pop, disse que “não voltaria a abrir as pernas” para ganhar a vida. A mesma Jenna Jameson que foi citada no final da entrevista, com Anderson Cooper a recuperar esta frase que ela disse recentemente em relação à situação de Daniels: “The left looks at her as a whore and just uses her to try to discredit the president. The right looks at her like a treacherous rat. It’s a lose-lose. Should’ve kept her trap shut.” É uma frase ácida, que poderia abalar a capacidade de resposta da visada, mas Stormy Daniels não hesitou e disse: “I think that she has a lotta wisdom in those words.”

 

Um dos livros mais interessantes que li nos últimos anos, que foi New York Times Best Seller, foi precisamente a biografia de Jenna Jameson, que teve como co-autor, Neil Strauss, jornalista, escritor, ghost writer, e colunista da Rolling Stone e do New York Times. Neste livro, Strauss ajuda a contar a história de vida de Jameson que, de estela porn star passou a ícone da cultura pop norte-americana. O livro está longe de ser uma grandeza literária, mas tem o seu valor, por ser cru e pragmático, espelhando aquilo que a sociedade americana é. Se, por um lado, os preconceitos e o puritanismo fazem parte do quotidiano de uma certa América, por outro lado, aquela sociedade é de tal forma livre ao ponto de uma pessoa poder chegar ao topo, sendo aceite pelo sistema mainstream e não ser julgada pela sua “profissão” ou passado. De facto, o “céu é o limite” e o american dream é sempre possível, independentemente de onde se venha ou do que se tenha feito.

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Candidata a frase do ano

por Diogo Noivo, em 27.03.18

 

"Claro que Marques Lopes não sabe distinguir uma notícia de uma locomotiva a vapor." - Ana Sá Lopes, no i.

 

E, já agora, à volta da frase há um artigo de opinião que merece leitura.

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"A fama tira mais do que dá"

por Pedro Correia, em 27.03.18

 

A isto chamo eu uma excelente entrevista. Muito melhor do que aquelas que costumamos ver nos canais generalistas ou informativos da televisão.

Rui Unas está em grande forma neste seu programa difundido no youtube. E Rui Veloso é... Rui Veloso.

O resultado deste encontro é um conversa longa, mas estimulante. E que, apesar de alguns excessos de linguagem que poderão não agradar a todos, recomendo vivamente.

Deu para falar de muitas coisas sérias, embora nenhum dos participantes se leve demasiado a sério, o que é ainda mais de saudar.

Aposto que gostarão tanto como eu gostei.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.03.18

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 O Índice da Maldade, de Hernâni Carvalho

Ensaio

(edição Guerra & Paz, 2017)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Canções do século XXI (361)

por Pedro Correia, em 27.03.18

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Uma semana (pouco) santa

por Alexandre Guerra, em 26.03.18

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Uma pintura de Giovanni Cariani (1490-1547) que retrata Verónica a ir de encontro a Jesus Cristo, quando este percorria a Via Dolorosa em direcção ao Calvário, para, com o seu véu, lhe limpar o sangue e suor do rosto, que ficou estampado no tecido. E assim terá ficado eternamente, tendo o "Véu de Verónica" tornado-se numa das mais famosas "relíquias" do Cristianismo.

 

Além do seu significado religioso, a Semana Santa representa um dos acontecimentos políticos e sociais mais importantes da Humanidade: a chegada em glória de Jesus Cristo, o "rei" dos judeus revoltosos contra o domínio de Roma, a Jerusalém. O motivo era a celebração da Páscoa judaica, mas os dias que se seguiram foram conturbados, de autênticas manobras políticas, conspirações e traições. No fim, a condenação e crucificação de Jesus Cristo, não sem antes sofrer na caminhada pela Via Dolorosa com a cruz às costas, perante uma sociedade instrumentalizada e instigada. O percurso final de Jesus Cristo para o Calvário, na altura situado numa colina fora da cidade velha de Jerusalém, começa no local onde Pilatos terá "lavado as mãos", desresponsabilizando-se do destino do "rei" dos judeus. A partir daí, a Via Dolorosa vai atravessando parte da cidade velha de Jerusalém, uma experiência única e de um interesse admirável. Percorri-a algumas vezes, primeiro no Verão de 2001 e depois em 2002, anos marcados pela violência da intifada de al Aqsa (de Setembro de 2000 a 2005), que afastaram por completo os turistas da Cidade Santa. Se é verdade que esse facto provocou um enorme rombo no comércio local, por outro lado, proporcionou uma experiência rara, ao permitir a um estrangeiro andar pelas muralhas da cidade de Jerusalém apenas em convívio exclusivo com os (poucos) locais. É muito emocionante percorrer as várias estações que compõem a Via Dolorosa e que assinalam diferentes momentos bíblicos dessa caminhada de Jesus Cristo, realizada nesta altura do ano há cerca de 2000 anos. É um exercício interior e introspectivo, que nos confronta com o mal e sofrimento humano, mas também com a solidariedade e o amor do próximo. Para lá de qualquer leitura religiosa, pensando um pouco naqueles acontecimentos e na sociedade da altura, percebemos que são poucas as pessoas que vão em auxílio de Jesus Cristo. São sobretudo mulheres que O ajudam na sua caminhada em sofrimento. Maria, Verónica e depois as "mulheres de Jerusalém" choram pelo filho de Deus e acompanham-No com toda a sua compaixão ao Calvário. 

 

Dizem os Evangelhos que foram essas mesmas mulheres, as primeiras a dirigirem-se ao túmulo de Jesus Cristo e a constatarem que estava vazio. Os textos sagrados não são suficientemente claros quanto aos contornos específicos desse momento, se foi apenas uma “Maria”, provavelmente Maria Madalena, ou se outras “Marias”, mas uma coisa é certa: Pedro e João souberam da Ressurreição pela voz de uma dessas mulheres, a quem Jesus, coberto por vestes brancas, lhes terá dito para transmitir tão importante mensagem aos apóstolos. Mensagem essa que foi recebida com bastante relutância por parte de Pedro e João, porque não concebiam que um acontecimento desta magnitude lhes fosse transmitido por mulheres. Rapidamente se dirigem ao túmulo para serem confrontados com uma realidade que não conseguiram compreender.

 

No entanto, ao nível do poder político, parece ter havido uma compreensão imediata do potencial problema que representava o misterioso desaparecimento do corpo de Jesus Cristo. As autoridades judaicas quando souberam do fenómeno, através dos guardas do túmulo, mantiveram segredo em relação à versão original que lhes contaram e não perderam tempo a forjar uma teoria da conspiração para justificar o acontecimento, fazendo passar a mensagem de que os discípulos de Cristo tinham roubado o seu corpo durante a noite, no que poderia ser interpretado com um acto de fanatismo. Ironicamente, para os historiadores, esta posição da parte dos anciãos judeus, acabaria por ser a assunção de que o túmulo estava, efectivamente, vazio, dando força a uma das ideias centrais do Cristianismo: a Ressurreição. 

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O Bairro

por Diogo Noivo, em 26.03.18

Não conheço o António Rolo Duarte. O blogue dele só conheci hoje. Tem três entradas despretensiosas, bem escritas e bem pensadas. Na mais recente, a propósito da morte de Manuel Reis, há uma frase que me ficou a ressoar no crânio: “Não é difícil ser saudosista em relação a esse Bairro Alto que nunca foi meu”. O meu Bairro, que existiu entre o ocaso dos 90 e os primeiros anos deste jovem século, era um zoo. Góticos, skinaria, betos do sapato de vela, aspirantes a artistas plásticos, gente que tinha lido umas coisas e outros que nem pelos folhetos de supermercado passavam os olhos. Todos diferentes, todos despreocupados – tontos, confiávamos na mobilidade social pátria, convencidos que viveríamos melhor do que a geração dos nossos pais. Esse era o ambiente do meu Bairro: confiança e inconsequência de quem olhava para o futuro como uma recta ascendente de progressão linear. Ao contrário da geração anterior, a minha não sentia a necessidade de ser cosmopolita porque o país já era europeu e cada vez mais desempoeirado. O tempo, esse desgraçado, encarregou-se de nos mostrar o quão errados estávamos sobre a progressão linear e sobre a limpeza da poeira. Aquele Bairro vivia dos restos da geração fundada pelo Manuel Reis. Era uma época de transição. A avaliar pelo que é o Bairro Alto de hoje, não acrescentámos nada. Como escreve o António Rolo Duarte, “o Bairro Alto há muito que perdeu o charme e o único sítio que poderia realmente ser nosso, o novo Cais do Sodré, foi tomado por uma mistura de turistas, hipsters que têm “uns projectos” e CEO’s de start-ups com muito start e pouco up”. Tem razão quando refere que “nós, os jovens de hoje, não temos um Frágil. Não há um Targus onde possamos encontrar a versão jovem do meu pai e dos amigos dele”. É isso mesmo, António. Com tudo o que daí resulta. E tudo isto para dizer que passarei a seguir o Dorminhoco com assiduidade. Venham de lá mais textos nessa “página aborrecedora”.

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Para que a terra não esqueça

por Rui Rocha, em 26.03.18

Em Agosto de 2016, em Pedrógão Grande, depois de um incêndio de grandes proporções, Marcelo Rebelo de Sousa afirmava: "Eu próprio acompanharei muito de perto para ter a certeza de que no pino do Inverno ninguém se esquece do que aconteceu no Verão". Apesar desta promessa, em Junho de 2017, Pedrógão Grande chorava a morte de dezenas de pessoas num incêndio trágico. Logo de seguida, em Outubro, e com todos os avisos e alertas, o Estado foi incapaz de proteger mais algumas dezenas de portugueses que encontraram a morte noutros incêndios. Marcelo, pelo meio, desancou António Costa quando este adoptou um comportamento miserável (dirão os mais cépticos que o fez apenas porque intuiu que a desgraça podia afectar a sua própria imagem) e desdobrou-se em manifestações públicas de afecto, mensagens e sublinhados. Entretanto, a acção do Presidente nesta matéria confluiu com a do governo durante o último fim-de-semana, numa operação mediática de sensibilização ou, dirão outros, de propaganda. Agora que os fogos do próximo Verão são ainda uma ameaça que parece longínqua, é importante afirmar isto: em matéria de incêndios, não é só o governo que esgotou o seu crédito; a credibilidade política de Marcelo nesta matéria também chegou ao seu limite.

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Frases de 2018 (16)

por Pedro Correia, em 26.03.18

 

«Tive dúvidas se o partido com que mais me identificava era o PS.»

Pedro Costa, filho do primeiro-ministro, em declarações ao Observador

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.03.18

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  Bom Crioulo, de Adolfo Caminha

Romance

(reedição Guerra & Paz 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 26.03.18

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(José Bandeira/DN)

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Canções do século XXI (360)

por Pedro Correia, em 26.03.18

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Fotografias tiradas por aí (402)

por José António Abreu, em 25.03.18

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Barragem da Aguieira, 2017. 

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Interessa é participar

por Marta Spínola, em 25.03.18

Hoje li o seguinte tweet:

 

Twitter 2011: twittava "aula de física mo chato" rolava duas curtida um RT e alguém comenta "é mesmo" Twitter 2018: twitta "aula de física é mó chato" 5k de curtida 2k de RT nos comentários todos brigam sobre a importância da física, te xingam e falam q vc votou no PT

 

Sou utilizadora diária do twitter desde 2009 e confirmo o que ali está. Claro que se trata de um tweet brasileiro, mas o essencial está lá, e aplica-se globalmente: antes lia-se e percebia-se comentando ou não. Agora lê-se e dá-se uma lição. Tento manter-me à margem desta tendência, mas é geral, as redes estão sufocantes com moralismos e filosofia de pacotilha. E como esta não é uma questão de agora, fiz uma busca pelos meus posts no Delito e encontrei este, sobre como nos comentários em geral as pessoas apontam muito rapidamente o dedo, sem pensar muito, importa é participar (da pior maneira possível). 

Tenho pena que o twitter também esteja agora a sofrer com isso. E não, digo já a quem nunca o usou muito, não era assim, a tendência era a inversa. Ali podíamos rir de subtilezas e coceguinhas no cérebro, quem percebia percebia e dava um RT ou interagia, complementava, alimentava uma espiral saudável de boas piadas, quem não percebia passava à frente e ria para a próxima. A timeline seguia o seu curso e pelo meio divertia-me muito. Ainda me divirto, ainda me rio, mas já faço um esforço por procurar o conteúdo e antes não era preciso.

O pior continua a ser o Facebook parece-me (e caixas de comentários de jornais), e nem é preciso procurar. Às vezes vejo o Jogo do Tanso, da Cátia Domingues para crer. É possível que o missing link esteja entre os visados. 

Tenho a convicção de que a saturação com o comentário maldoso vai chegar e teremos o reverso nas redes em geral, ou pelo menos o sossego nas redes. Pode ser só wishful thinking. 

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Leituras

por Pedro Correia, em 25.03.18

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  «- Não tens medo da morte?

- Não da maneira como tinha. Acabei por acreditar na vida para além dela. Num retorno ao nosso verdadeiro eu, num eu espiritual. Só ocupamos este corpo físico enquanto não regressamos ao espírito.»

Kent Haruf, As Nossas Almas na Noite (2015), p. 127.

Ed. Alfaguara, 2017. Tradução de Paulo Ramos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.03.18

«No meu tempo havia coisas boas e coisas más. Havia repressão e não havia liberdade, se bem que uma criança até aos 12 anos não abrange a noção do que é uma mordaça totalitária. Tem a sua rotina. Levanta-se, reza, toma o desjejum, pega na sacola preparada de véspera e abala para a escola. Para aprender. Para saber. Nunca tive professoras más, apenas exigentes e meticulosas. Apanhei algumas reguadas, mas sempre pensei que faziam parte do processo. Nunca me cairam as mãos. Acabei a quarta classe com uma bagagem de conhecimento muito superior ao que se ministra presentemente a nível de nono ano. Sei que é assim. Tive duas filhas na Universidade.
Sempre gostei de ajudar e aprender e pasmava como alguém poderia escrever tão mal a todos os níveis. Lembrei-me dos trabalhos de casa que trazia e não podia descurar, com os caderninhos de significados e os de duas linhas onde a professora escrevia palavras elegantemente desenhadas, que tínhamos de copiar até à perfeição.
As minhas filhas são doutoras. Deram erros ortográficos e gramaticais de bradar aos céus nas frequências, nas teses, sei lá. Alguns trabalhos pareciam até tratados de paleografia e nunca, mas nunca, algum professor se deu ao trabalho de as corrigir ou incentivar a melhorar. Universidades públicas, parideiras de doutores analfafetos... mais um paradoxo dos tempos modernos.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.03.18

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 Nudge - Um Pequeno Empurrão, de Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein

Auto-ajuda

(edição Lua de Papel, 2018)

 

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Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 25.03.18

Um dos blogues que acompanho com alguma regularidade é o Escrever é triste. O que encontro nele? O mesmo que encontrou o nosso saudoso Pedro Rolo Duarte quando, no último dia de 2012, à procura de um que o surpreendesse pelo talento, diversidade, novidade, qualidade, ousadia e criatividade, coisas raras de encontrar bem casadas, o elegeu blogue da semana na sua Janela Indiscreta. Não tenho lá nenhuma assinatura que prefira a outra, ainda assim não perco uma notinha que seja do que lá deixa por exemplo a Rita Roquette de Vasconcellos ou o Manuel Fonseca. 

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Pensamento da semana

por Diogo Noivo, em 25.03.18

Tinha estatuto. Cultivava-o diariamente com altivez e soberba. Sem qualquer esforço para disfarçar a pedantice, disse-me em tempos que não confiava em homens que andassem com os sapatos por engraxar, mesmo que fossem pobres coitados sem outros para calçar. Um dia, a vida na sua impiedosa sabedoria tirou-lhe o estatuto de supetão e no meio da rua. Sobraram-lhe apenas uns sapatos mal-amanhados e baços.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (359)

por Pedro Correia, em 25.03.18

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Ler

por Pedro Correia, em 24.03.18

 

A vueltas con la vida íntima. De Elvira Lindo, no El País.

 

Nem Orwell conseguiu ir tão longe. Do João Cândido da Silva, no Observador.

 

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A tontice do (des)acordo

por Pedro Correia, em 24.03.18

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Ontem a selecção nacional jogou contra a do Egipto em Zurique - vitória por 2-1, com dois golos do inevitável Cristiano Ronaldo.

Mas não é de futebol que aqui venho hoje falar-vos: é da nossa tão maltratada língua. De imediato pelo menos dois terços das edições digitais dos jornais que restam se apressaram a escrever "Egito", em obediência ao (des)acordo ortográfico de 1990.

Estipula a pauta acordística que a ortografia deve submeter-se aos ditames da fonética em geral e da "pronúncia culta" em particular - algo que nenhum académico foi até hoje capaz de nos explicar o que significa, com o rigor científico indispensável a quem queira transformar simples bitaites de café em normas com valor legal.

Acontece que sempre escutei pessoas cultas, ao meu redor, pronunciar a palavra Egipto assim mesmo, com o p bem articulado - ressalvando compreensíveis excepções de alguém com deficiências no aparelho vocal. Refiro-me a portugueses, pois os brasileiros falam "de fato" à sua maneira.

Ao fazerem cair o p de Egipto, estes jornais digitais cá do burgo abdicam da secular norma portuguesa, fazem tábua rasa da tal "pronúncia culta" que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional. Pois continuam a escrever egípcio, egiptologia e egiptólogo.

Se tantos outros exemplos não houvesse a confirmar a tontice do (des)acordo ortográfico, este bastaria.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.03.18

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 Um Retrato Fora da Arca, de Fernando Pessoa

Organização, prefácio e notas de Zetho Cunha Gonçalves

Cartas, ensaios, poemas, testemunhos, memórias, inéditos

(edição Antígona, 2018)

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Canções do século XXI (358)

por Pedro Correia, em 24.03.18

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A repressão na Catalunha.

por Luís Menezes Leitão, em 23.03.18
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A atitude de Espanha em relação à Catalunha constitui um exemplo típico de repressão, que deveria envergonhar qualquer cidadão europeu. Mas infelizmente as instituição europeias fartam-se de denunciar a repressão na Turquia e na Rússia, mas fecham os olhos ao que se passa em Espanha. Fizeram-se eleições, mas não se deixam os eleitos formar um governo, sendo convenientemente presos na véspera da investidura parlamentar. Se não quiserem ser presos, resta-lhes o exílio, uma vez que os órgãos judiciais espanhóis nem sequer se atrevem a pedir a sua extradição, dado que a maioria dos Estados não extradita por delitos políticos. Provavelmente a ideia é colocar na prisão ou no exílio todos aqueles que têm ideais independentistas, o que implica prender por delito de opinião. Como é que se pode aceitar isto num país da União Europeia em pleno século XXI?

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Sobre a "peça", suspensórios e a História

por João Villalobos, em 23.03.18

É óbvio que Adolfo Mesquita Nunes só poderia responder com a ironia e o savoir-faire que se lhe conhece à inanidade proferida por Fernando Rosas. Rosas é um cromo perigoso. À medida em que outros melhores do que ele foram falecendo, tornou-se - através de um caminho das pedras mediático - porta-voz de uma pseudo-realidade passada que nunca aconteceu. O PC despreza-o. Perdeu inúmeros compagnons de route pelo caminho que o abandonaram, em particular entre os anos 70 e 80, e tornou-se um divulgador de fake news sobre o que passou quando era novo e já poucos se recordam. Agora, decidiu falar de modernidade e criticar um político que assumiu a sua opção sexual. Ele - Fernando - lá saberá o que faz, porque o faz e etc. Quanto a mim, o Adolfo tem toda a razão. Não fazendo subir o senhor Rosas até ao palanque do debate inteligente, foquemo-nos nos suspensórios. E, já agora, também no título que acompanha este cartaz; "As peças que acompanham a História". A peça já é conhecida. Se ele a acompanha, à História? Tenho sérias dúvidas. Quanto a que contributos deu, dará ou tira a essa "História", isso, um dia, ainda será objecto de tese. 

 

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Tupac e Notorious

por Alexandre Guerra, em 23.03.18

Houve uma altura em que o hip hop era uma forma de afirmação de poder nas ruas de alguns bairros de Nova Iorque e de Los Angeles. Foi uma época onde se afirmaram grandes nomes, que mais tarde iriam inspirar tantos outros artistas. Em Nova Iorque, nos meados dos anos 80, aparecia na cena rap nomes como Run DMC, LL Cool J, The Beastie Boys ou Salt-n-Pepa. Mas, é no sul de Los Angeles, em Compton, casa dos gangues rivais Crips e Bloods, que, nos finais daquela década, se vê nascer o "gangsta rap", por um grupo que iria ficar para a história, os N.W.A Os Niggaz Wit Attitudes tinham na sua formação, entre outros, o já falecido Eazy-E, o Dr. Dre e o Ice Cube.

 

A difícil conjuntura social que se vivia na altura e a vivência hostil da comunidade negra em particular naquela grande zona metropolitana, acabou por ser inspirador para a composição do primeiro e mítico álbum daqueles rappers, Straight Outta Compton (1988). Álbum agressivo, com uma letra e uma batida vindas directamente da violência das ruas e da opressão policial. Aliás, uma das músicas chama-se “Fuck tha Police”, uma expressão de protesto que viria a ser adoptada por muitos afro-americanos que se sentiam marginalizados pelas autoridades (desconheço se já antes algum músico a tinha utilizado, mas duvido. Mais tarde, os Rage Against The Machine fizeram uma versão mais heavy e tocaram-na inúmeras vezes ao vivo).

 

Os N.W.A e os seus artistas tornaram-se símbolos do grito de revolta de uma parte substancial da comunidade negra que vivia nas margens e à margem de Los Angeles. O grupo acabaria em 1991 por divergências pessoais e profissionais entre os membros da banda e o Dr. Dre viria a lançar o seu primeiro álbum a solo. The Chronic tornar-se-ia também numa referência do hip hop. É neste álbum que emerge outro nome: Snoop Doggy Dogg.

 

Este foi um período marcado pelos problemas de uma América negra marginalizada, em que famílias viviam em bairros degradados, num ambiente dominado pelas drogas, pela violência entre gangues e pela opressão policial (o culminar dessa tensão deu-se com os motins de 1992 em LA).

 

Poucos anos depois, o hip hop harcore começa a começa a suavizar, a resvalar para o r&b, com o surgimento de nomes como Puff Daddy (sobretudo dedicado à produção) e os gigantes Notorious BIG e Tupac Shakur, as principais referências dos anos 90, com a particularidade de cada um vir a representar as rivalidades entre as costas Leste e Oeste, Nova Iorque vs Los Angeles. Uma rivalidade que levaria à morte prematura de ambos, abatidos a tiro em circunstâncias ainda hoje pouco claras num espaço de poucos meses. Recordo bem a comoção que a morte daqueles dois artistas provocou nos Estados Unidos.

 

Embora tendo nascido no Harlem, Tupac mudou-se com os pais para a Califórnia e tornou-se na principal figura do rap da West Coast. Notorious nasceu em Brooklin e foi nas ruas daquele bairro que, no meio do tráfico de droga, encontrou a música. Com estilos diferentes, mas com um talento enorme e inspirados pelas suas vivências duras, são hoje tidos como dos maiores rappers de sempre.

 

Em tempos tinham sido amigos, mas um incidente em Nova Iorque acabou por distanciá-los e alimentar a desconfiança entre ambos. Tupac foi baleado e assaltado quando estava a ir ter com o Notorious e ficou sempre com a ideia de que este tinha estado por detrás do que aconteceu. Um sentimento que se adensou depois de Notorious ter lançado, apenas um mês depois, uma música chamada “Who Shot Ya?”, a qual Tupac interpretou com uma provocação. Notorious negou sempre essa leitura ou qualquer envolvimento nos acontecimentos, mas a resposta de Tupac não se fez esperar, com o célebre tema “Hit ’Em Up”, um “diss track”, visando directamente Notorious e a costa Leste.

 

Tudo isto acabou por confluir na rivalidade entre a West Coast e a East Coast, um conflito que foi enchendo páginas de jornais e noticiários. De um lado, Tupac e a Death Row Records, do outro, Notorious e a Bad Boy Records (de Puff Daddy). Tupac foi baleado em Las Vegas a 6 de Setembro de 1996, com 25 anos. Morreria seis dias mais tarde. Notorious, durante uma deslocação a Los Angeles, foi abatido a tiro quando estava dentro do seu carro, a 9 de Março de 1997. Tinha 24 anos. Foram tempos violentos, que acompanharam as dinâmicas das cidades de Los Angeles e Nova Iorque, mas foram também os dias de ouro do hip hop, quando este era um assunto de vida ou de morte e não apenas uma fonte de entretenimento ou de negócio.

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"Combatentes"

por Pedro Correia, em 23.03.18

Oiço chamar “combatentes” a terroristas em noticiários televisivos e questiono-me se só eu acharei repugnante esta designação.

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Convidado: JOSÉ MILHAZES

por Pedro Correia, em 23.03.18

 

Um bom exemplo para Portugal

 

Um jovem de 28 anos foi condenado por um tribunal da distante Sacalina, península no Extremo Oriente russo, a 300 horas de trabalho obrigatório por ter dado aulas de História sem ter competências para isso.  

Segundo a página Astv.ru, o jovem foi condenado por “falsificação de documentos” e teria comprado o diploma de “historiador” pela Internet.

Se a justiça portuguesa seguisse o mesmo caminho, não haveria dúvida de que Portugal arranjaria mão de obra suficiente para limpar as matas e, desse modo, prevenir incêndios.

Mas, tal como no nosso país, a justiça na Rússia não é igual para todos. Vladimir Medinski, actual ministro russo da Cultura, foi acusado de plagiar parte da sua tese de doutoramento, mas, até agora, sem consequências na sua carreira.

 

José Milhazes

(blogue DA RÚSSIA)

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