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Convidada: CÁTIA SAMORA

por Pedro Correia, em 01.12.17

 

Solidariedade feminina, realidade ou mito?

  

Recuemos aos idos e saudosos anos 90. Ao meu terceiro ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos). Aquela época em que a adolescência já estava em fase galopante, as hormonas andavam descontroladas e a personalidade ia-se construindo com picos de felicidade extrema e tristeza profunda. Oscilações perfeitamente compreensíveis à luz dos 13, 14, 15...

Desta época guardo boas memórias, mas também recordo que tive mais amigos do sexo masculino que do sexo feminino e lembro-me bem o que motivou esse facto.

A verdade é que a grande maioria das meninas da minha turma gostava de falar mal umas das outras nas costas e eu não tinha paciência para aqueles jogos. Mas a cereja no topo do bolo viria a ser a amizade saudável e despreocupada que eu mantinha com um dos rapazes que mais amores despertava na turma.

Resultado? Consegui, sem me esforçar absolutamente nada, que o sexo feminino, praticamente em peso, me odiasse. As raparigas da minha turma passaram a excluir-me de tudo e, certa vez, combinaram uma ida ao cinema onde toda a turma foi convidada, excepto eu e a minha melhor amiga, que era excluída por arrasto. Mais! Ameaçaram os rapazes: "se lhes dizem para ir cancelamos tudo."

Apesar da maldade deste episódio que vos descrevo ele não foi traumatizante, pois já na altura eu fugia de dramas e sabia bem o que não queria. E o que eu não queria era amizade por conveniência, era ter de agradar a algumas pessoas só para que não me vissem como um alvo a abater.

E por que razão vos conto eu isto? Simples.

Analisando a sociedade em que vivemos e falando agora de comportamentos adultos, creio que as mulheres, de um modo geral, continuam a tratar-se como aquelas meninas me trataram.

 

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Existe solidariedade feminina? Não me parece... E mais grave ainda, na minha opinião, é não existir respeito entre mulheres. Parece que estamos sempre prontas a atacar, esperamos um deslize para poder apontar o dedo. Criticamos, com todo o azedume que conseguimos reunir, o sexo feminino com base na roupa, na postura, na maquilhagem, no penteado, na cor do cabelo, na forma como educa os filhos, no comportamento que tem para com o marido, na dieta que segue, na dieta que não segue, na forma como conduz, no modo como fala, como decora a casa, como vive a sua vida...

Parece que o sexo feminino é capaz de tolerar tudo, menos uma falha vinda de outra mulher.

Não sei de onde virá esta agressividade que pauta os nossos comportamentos, talvez venha dos tempos em que tudo aquilo que as mulheres ambicionavam era um bom partido e, motivadas por isso, a ciumeira e a disputa eram inevitáveis. Comparavam-se partidos e dotes e o sentimento de rivalidade era genuíno. Ou talvez seja algo mais recente... Mas o que importa isso?!

O que tem de importar aqui e agora é o futuro. Aquilo que podemos fazer a partir deste preciso momento em que nos encontramos. A mudança tem de estar presente no nosso quotidiano, na forma como educamos as nossas crianças ou no modo como vamos reagir da próxima vez que uma mulher falhar connosco. Temos de ser capazes de nos autocriticar e dizer: “Eu vou ser mais solidária para com as mulheres da minha vida."

Pessoalmente, e com vergonha vos confesso, também eu já fui injusta, já teci juízos de valor com base em coisas supérfluas. Contudo, tenho em mim o desejo de mudar, o desejo de que esta lacuna se possa fechar.

Farei o meu melhor e mais um pouco ainda.

 

 

Cátia Samora

(blogue HÁ MAR EM MIM)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.12.17

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Volta a Portugal, de António Domingues

Viagens

(edição Contraponto, 2017)

"A pedido do autor, esta edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Até já

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.12.17

614882.JPG

 (créditos: Raquel Wise)

 

Um após outro. Este ano tem sido assim. Vendo-os partir.

Foi assim com o Rui, com o Luís, com o Pedro, agora com o Zé Pedro, que não sendo meu amigo era amigo do Paulo e por isso também meu amigo.

Nós sabemos que ela anda por aí, que está sempre presente, mesmo nas manhãs mais cristalinas quando os primeiros raios cortam o azul penetrante do céu. Rondando como uma repugnante e irritante varejeira que, por vezes, atordoada pelo jornal se esconde para logo de seguida reaparecer e nos irritar. Ou entrando pé ante pé, como se fosse uma fada, sem que nada nem ninguém se aperceba da sua presença, impondo-se de repente, sem aviso prévio, destroçando sonhos, corações, vidas. Muitas.

Ultimamente tem-se feito sentir com mais intensidade e cada vez mais perto de mim. Todas as esperanças depositadas num brinde de ano novo vão-se esvaindo com o correr dos meses, à medida que o ciclo se fecha e, impotente, vejo este carrossel que sem parar, em cada volta que dá, vai ficando mais vazio, até ficar quase sem ninguém, mas continuando a rodar, rodando, embalado por aquela música monótona e repetitiva que não pára e pelas luzes que não se apagam depois de todos partirem.

O mais estranho de tudo isto é que tudo se passa cada vez mais perto de mim. Com quem de um modo ou de outro me acompanhou ao longo de décadas, e que ao seu jeito ajudou a moldar a minha forma de ver o mundo. Mas também com quem fazendo parte de nós à distância foi comigo comunicando até ao fim, deixando aquele rastilho que me acaricia todas as manhãs e me faz sentir que vale a pena, que vale sempre a pena ser um homem livre. 

Uma palavra, um gesto, um sorriso, sempre um estímulo e uma dignidade imensa na forma como iam acomodando os dias à sua dor, no seu combate, na sua liberdade, sem esmorecer, sublinhando aquilo que de mais belo existe na simplicidade de um olhar, na cumplicidade de um cumprimento, na ternura de um aceno.

E, é claro, com aquele "pouco de fé" que nunca fez mal a ninguém e se torna imenso quando o dia chega ao fim e se sabe que há mais uma noite esquinada para dobrar. Ainda que não raro saibamos que não somos únicos porque somos todos feitos da mesma massa e da mesma matéria, e que de cada vez que olhamos o céu e vemos os sonhos partirem irremediáveis a nossa raiva é igual, e se despeja sabendo que o sol voltará a brilhar.

Quem faz a estrada acaba sempre por conhecer o caminho. E sabe que é por ali que se deve seguir, com energia, com convicção, com carácter, sem olhar para trás, mantendo a constância e o ritmo. Com ternura, sem pieguices. Porque tudo valeu a pena. E nunca foi de mais.

Belles toujours

por Pedro Correia, em 01.12.17

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Ana Padrão

Canções do século XXI (245)

por Pedro Correia, em 01.12.17

Pág. 13/13



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