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Delito de Opinião

O governo dos Mendonças

João Carvalho, 02.08.10

Estou absolutamente certo de que a ministra da Educação teve reacções variadas de cada vez que o ministro Mendonça (o Jamé II, sabem?) aparecia a fazer novo anúncio sobre o TGV, novo anúncio sobre a nova ponte, novo anúncio sobre as autoestradas, novo anúncio sobre o aeroporto, etc., etc., certeza a minha que se baseia no comportamento das pessoas que reagem dentro dos padrões da normalidade. Quem diz o ministro Mendonça, diz outros ministros seguidores do ministro Mendonça com outros tantos anúncios: fim das SCUT sem ser bem o fim das SCUT, portagens descontroladas, chips que não são bem chips, cobranças sem cobradores, pagamentos sem recebedores, datas de entrada em vigor à toa, medidas de austeridade que aumentam a despesa, genéricos obrigatórios sem obrigações, receitas médicas alteradas que ficam na mesma, impostos que sobem sem subir e por aí fora.

A ministra da Educação, como todos nós, deve ter sucessivamente sorrido com condescendência, rido até às lágrimas, corado de vergonha e chorado de desespero — e eu alimentei a secreta esperança de que, perante o continuado espectáculo da política em zigue-zague, a ministra nunca se prestaria a passar pelo mesmo que o ministro Mendonça e seus seguidores. Por exemplo: as escolas que são para fechar, são para fechar e pronto. Contra tudo e contra todos, mas fecham-se e não se fala mais nisso. Decidido um zigue, a ministra não viria com um zague — era assim que eu pensava.

Enganei-me: anunciado o fim dos chumbos dos alunos, afinal vai-se ver e não é bem dos alunos, também não é bem dos chumbos e nem sequer é bem o fim. Até porque ainda é só o princípio. Portanto — reconheço agora — enganei-me. Não por ter avaliado mal a ministra. Não. Apenas me faltava um dado importante: estamos perante o governo dos Mendonças. Está explicado.

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