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Música recente (55)

por José António Abreu, em 23.12.16

The I Don't Cares, Wild Stab.

Após encontrar na cave de Paul Westerberg (The Replacements) muitos temas escritos ao longo dos anos mas nunca utilizados, Juliana Hatfield (um dos ícones da década de 1990) convenceu-o a formar uma banda com ela. O resultado é ligeiramente desconexo mas totalmente isento de pretensiosismo: dezasseis temas low-fi, com arestas por polir, que soam mesmo a material gravado numa cave, em dias de descontracção.

Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.12.16

«O puzzle sírio está finalmente desenhado: os ditadores da Rússia, do Irão e da Turquia sustentam no poder o ditador sírio, ajudando-o a anular de vez a resistência interna, depois de Alepo; Erdogan recebe luz verde para esmagar os curdos, que são a frente de combate mais activa contra o Daesh em Mossul; Trump junta-se a Putin para, depois da Síria resolvida, esmagar o Daesh e, de caminho, sacrificar os curdos. E a Europa recebe as vítimas da Síria. Quanto ao Daesh, escolhe como alvo privilegiado a Alemanha, que não tem nada a ver com o conflito, excepto na generosidade com que recebe os refugiados do desastre. É a velha e grande política de regresso.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.12.16

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Nos Passos de Santo António, de Gonçalo Cadilhe

Uma viagem medieval de Lisboa a Pádua

(edição Clube do Autor, 2016)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Obrigado, Rodolfo

por Fernando Sousa, em 23.12.16

e portanto e porque acho injusto que as pessoas não saibam nem quantas são nem como se chamam as renas do Pai Natal, o que além do mais é pouco cristão, ou para me limpar de um dia ter comido, sem saber, num hotel de Helsínquia, uma deliciosa carne rosada que só no fim me disseram de que era, ou em homenagem aos deputados que entretanto e por fim reconheceram que os animais não são coisas, deixo aqui, um a um, os nomes das incansáveis companheiras do bom velho: Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão, Relâmpago e, claro, Rudolfo, a do nariz vermelho e brilhante, capaz de conduzir o trenó e as amigas por entre os mais grossos nevoeiros e as mais violentas tempestades, aparcar sem problemas no estacionamento das grandes superfícies e pairar ao milímetro sobre as nossas chaminés. Nove portanto, ao todo, e não oito apenas como eram até ao século XIX, sem o Rodolfo. Que fique o registo e o reconhecimento, no meu caso por me terem feito companhia a vida toda, colorido e aquecido a imaginação e tornado a realidade menos cinzenta, ácida, fria e geométrica. Obrigado, renas, bom Natal a todos.

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O nascimento de Jesus Cristo e a política

por Alexandre Guerra, em 23.12.16

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The Adoration of the Magi  
ANTONIO VIVARINI (Murano, 1440-1480) 
Gemäldegalerie, Berlin

 

O Natal é vivido pela maioria das pessoas como um acontecimento "familiar", no qual se celebra o nascimento do Rei dos Judeus (embora nas actuais sociedades pós-modernas já muito poucos façam essa associação). Nesta lógica de pensamento, a época natalícia é sobretudo um fenómeno social com um brutal impacto económico. No entanto, e remontando às origens do Natal, na pequena cidade de Belém, vislumbrava-se algo mais do que a componente familiar/social. Efectivamente, não foi preciso muito tempo para que o nascimento de Jesus Cristo fosse assumindo um carácter político e para que lhe tivesse sido atribuído uma dimensão para lá da manifestação familiar/social.

 

O Império Romano acabaria por constatar essa tendência nos seus terrítórios, ao ver transformado um fenómeno social e religioso numa questão política. A fundação da Igreja de Roma por São Pedro, o Pescador, e o respectivo "aval" do Império acabou por ser uma resposta política a um problema que extravasava as esferas social e religiosa. Porém, esta componente política raramente é associada ao nascimento de Jesus Cristo e ao Natal na altura das pessoas se reunirem na noite da Consoada. Aqui, sobressai sempre o espírito familiar daquela noite de Belém. Mas, repare-se que mesmo nesse ambiente surgiu o primeiro sinal político, com a presença de emissários (Três Reis Magos) que, vindos do Próximo Oriente, deslocaram-se à Cisjordânia para ver o recém nascido "rei" dos judeus. Aliás, este acontecimento gerou de imediato preocupações políticas na corte do Rei Herodes, sentindo-se este ameaçado com o nascimento de Jesus Cristo.

 

Tal como se veio a verificar mais tarde, as preocupações de Herodes adensaram-se, tendo o nascimento de Jesus Cristo transformado-se numa problemática de poder para a corte hebraica, originando as mais vis e perversas tácticas de propaganda e contra-informação, de forma a fragilizar o novo "Rei dos Judeus" perante o Império e mais tarde face ao Sinédrio. Apesar disto, a verdade é que o Natal é unicamente associado a uma noite idílica de criação, esquecendo-se quase sempre os ventos turbulentos que tal acto trouxe consigo. Por isso, seria um exercício interessante e curioso se as famílias aproveitassem esta época festiva para se reunirem à mesa não apenas para comer e trocar oferendas, mas para discutir e debater a sociedade que os rodeia, os seus problemas e desafios. Estariam a celebrar verdadeiramente o nascimento de Jesus Cristo.

 

Publicado originalmente no Diplomata a 23 de Dezembro de 2015.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 23.12.16

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Ivanka Trump

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Pois olha, não sei

por Rui Rocha, em 22.12.16

Ou o gajo está a chamar filho ao cão ou passou a usar o plural majestático em substituição da 3ª pessoa do singular.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.12.16

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A Floresta em Portugal, de Victor Louro

"Um apelo à inquietação cívica"

(edição Gradiva, 2.ª ed, 2016)

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A promulgação do Orçamento.

por Luís Menezes Leitão, em 22.12.16

— Oh Marcelo, para ser mais depressa, promulga o Orçamento mesmo de cruz.

— Porquê? Há outras maneiras de promulgar?

 

Porque é Natal

por Francisca Prieto, em 22.12.16

Nos últimos dias tenho querido escrever sobre o Natal, mas confesso que com a brutalidade que vai por este mundo fora, fico com a sensação de que só consigo falar de banalidades.
Quando sabemos de gente que é assassinada à luz do dia, de famílias que levam com bombas em cima da cabeça e autocarros que trespassam multidões, parece que qualquer menção a rabanadas é uma falta de respeito.
Não me interpretem mal. Gosto de ouro, de incenso e de mirra. Mas parece que entre o avanço da idade e a desgraça que vai no mundo, estas coisas vão tendo cada vez menos importância.
Fica-nos um aperto por quem passa mal. Mas talvez esse aperto nos faça voltar ao essencial. À reflexão de como podemos ser melhores no ano que se avizinha, à mensagem que queremos passar aos nossos filhos sobre a importância dos gestos de amor, à escolha de ofertas que tenham a nossa marca e que despertem uma alegria no coração de quem as recebe.
Há vários anos que, em casa dos meus pais, cada pessoa só recebe um presente. Com a pelintrice que foi assolando toda a família, o orçamento da oferenda já vai num louco máximo de 10 euros. Mas é incrível como todos os anos temos sido capazes de puxar pela criatividade de maneira a continuar a fazer da manhã de dia 25 uma animação. Há sempre alguém que descobre uma foto hilariante, ou um pimenteiro gigante para quem não passa sem temperos fortes, ou um garrafão de nutella para o guloso máximo, ou um disco da Tonicha, ou seja lá o que for. Na verdade, não é o ouro que nos une (felizmente, que senão era uma tragédia), é o sentido de humor e a cumplicidade que temos uns com os outros.
Que este Natal seja mais um tempo para trocarmos gargalhadas, que é, afinal, a nossa dádiva de afecto. E que em 2017 tenhamos todos energia para contribuir para um mundo mais sereno.

Oposição criativa é isto

por Teresa Ribeiro, em 22.12.16

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Cada vez gosto mais deste "beau toujours" com cara de safado. É assim que se toureiam os mentecaptos que chegam ao poder. Bravo, Leo!

Uma questão de justiça

por Rui Rocha, em 21.12.16

Em todo o caso, se a personalidade do ano na Economia é a Mariana Mortágua parece que seria justo atribuir a falta de personalidade do ano ao Mário Centeno.

Aos meus amigos neste Natal

por Helena Sacadura Cabral, em 21.12.16

Contei meus anos

E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente

Do que já vivi até agora

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras ele chupou displicente,

mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

Cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,

para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias

que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas

que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigam pelo

Majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

Minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

Muito humana; que sabe rir de seus tropeços,

não se encanta com triunfos,

não se considera eleita antes da hora,

não foge da sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM,MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

(Poema de Mario de Andrade)

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Já li o livro e vi o filme (164)

por Pedro Correia, em 21.12.16

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O NATAL DO SR. SCROOGE (1843)

Autor: Charles Dickens

Realizador: Ronald Neame (1970)

Simpática adaptação musical do clássico conto natalício, com Albert Finney, Alec Guinness, Edith Evans, Kenneth More e Gordon Jackson. Sem conseguir, no entanto, superar a intemporal magia da escrita de Dickens.

Se podes olhar, vê; se podes ver, observa

por Rui Rocha, em 21.12.16

Encontro na escolha de Mariana Mortágua como personalidade do ano na área da economia feita pelo Observador a mesma lógica que justificou a atribuição do Nobel da Paz a Obama. Não estava então em causa, como agora não pode estar, qualquer reconhecimento por uma conduta passada mas antes a tentativa de vinculação futura a um comportamento alinhado com a natureza da distinção atribuída. No caso de Obama pretendia-se, nomeadamente, que encerrasse Guantánamo. No de Mortágua, presumo, deseja-se que pare de torturar números. De qualquer maneira, ou é isso ou os tipos do Observador são malucos.

Frases de 2016 (36)

por Pedro Correia, em 21.12.16

«O puritanismo está hoje do lado da esquerda.»

Ricardo Araújo Pereira em entrevista à Visão, 30 de Novembro

Não há abraços grátis

por Rui Rocha, em 21.12.16

Um dos problemas do debate político é ter sido tomado por um discurso demasiado preso a aspectos tecnocráticos e financeiros. É preciso traduzir os números abstractos para linguagem que as pessoas percebam. Tomemos um exemplo. A dívida subiu 14 mil milhões de euros em 2016. É uma ordem de grandeza que o cidadão comum não domina. Está tão fora da sua realidade que não consegue tomar posição. Ajudemos então o cidadão com alguns dados complementares, estabelecendo depois relações que lhe sejam perceptíveis. Marcelo, que diz que está tudo a correr muito bem, dá muitos abracinhos. Estimemos que são, em média, 10 abracinhos por hora. Pois muito bem. Isto significa que de cada vez que Marcelo dá um abracinho a dívida sobe coisa de 160 mil euros. Portanto, em linguagem simples, Marcelo e Costa saem-nos, por atacado, à módica quantia de 160 mil euros por abracinho. Ou seja, o equivalente a um apartamento de gama média. Aqui está algo que o português comum não tem qualquer dificuldade em compreender.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.12.16

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Norma, de Sofi Oksanen

Tradução de Ana Tavoila

Romance

(edição Alfaguara, 2016)

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Ir buscar lã e sair tosquiado.

por Luís Menezes Leitão, em 21.12.16

Marcelo Rebelo de Sousa foi sempre conhecido por conseguir fazer sozinho a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas. A questão é que quem quer mexer em material pirotécnico muitas vezes acaba por se queimar. Neste caso da Cornucópia, uma verdadeira birra de alguém, que de repente descobriu que o subsídio que recebeu durante três anos afinal não chega, tudo aconselhava a que o Presidente se colocasse a milhas do assunto, até porque a sua intervenção, ao contrário do que é habitual, não fora solicitada. Marcelo, porém, resolveu mergulhar de cabeça no caso, a fazer lembrar o seu célebre mergulho no Tejo, e arrastou para as águas do mesmo um estrebuchante Ministro da Cultura, que bem se deve ter perguntado o que tinha ido lá fazer, quando o esperavam em Castelo Branco, onde seguramente estaria livre de sarilhos. Porque Marcelo, que declarou ter uma ligação à Cornucópia tão profunda que até tinha estado na sua sessão inaugural, reclamou imediatamente um estatuto de "excepção" para evitar o encerramento da mesma, que naturalmente seria reclamado a seguir por todos os outros teatros do país. A verdade é que o Ministro caiu na esparrela, tendo chegado a declarar que a Cornucópia tinha uma história extraordinária e "uma situação especial" e que, se a companhia quisesse sobreviver, o Governo estaria disposto a conversar. E com isto Marcelo saiu do teatro no papel do rei salvador da Pátria, ou mais prosaicamente da Cornucópia, ao mesmo tempo que meteu o Ministro da Cultura no bolso, cuja função no governo passaria a ser apenas a de assinar os cheques das "excepções" aceites pelo Presidente.

 

Só que a peça acabou por sofrer um twist inesperado, já que os encenadores decidiram alterar o papel de Marcelo à última hora, que passou de rei salvador da Pátria a bobo da corte. Foi assim que em primeiro lugar Luís Miguel Cintra declarou que nunca tinha pretendido qualquer estatuto de excepção, mas apenas encerrar o teatro. Depois foi Jorge Silva Melo a contestar que Marcelo tivesse assistido à primeira sessão do teatro, ao contrário do que este tinha afirmado. Vendo Marcelo a afundar-se, o Ministro da Cultura saltou logo borda fora, dizendo que a proposta de Marcelo de um estatuto de excepção, que lhe tinha parecido tão boa no palco, afinal não era uma boa ideia.

 

Chama-se a isto ir buscar lã e sair tosquiado.

Abriu os olhos, viu o Freitas do Amaral, julgou que estava no Inferno e decidiu voltar para trás.



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