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Não basta inventar rótulos

por Luís Naves, em 02.09.16

Políticos sem argumentos novos começam a usar o rótulo de ‘populismo‘ para atacar as ideias dos adversários. Como está mal definida, sendo repetida em múltiplas situações, esta acusação tenta formar uma amálgama de tudo o que vai desde extrema-direita ultra-nacionalista até às propostas mais lunáticas da extrema-esquerda. Enfim, ao tentar apanhar tudo, a palavra acaba por não definir coisa alguma.

As propostas populistas podem ser consideradas reacções ao fracasso do também mal definido neo-liberalismo que dominou as útimas três décadas. O Brexit foi evidente consequência do movimento populista, mas Donald Trump será um exemplo ainda mais certeiro. Que padrões encontramos? Os seguintes: violento discurso anti-elites; defesa dos perdedores da globalização; nacionalismo nostálgico de um passado mítico; a ideia de que a comunidade precisa de regressar às suas raízes perdidas; contestação do capitalismo ou, no mínimo, da ganância das grandes empresas sem rosto; recusa de mais poderes para organizações inter-governamentais não eleitas; rejeição da imigração em massa, devido ao efeito negativo no rendimento dos mais pobres, mas também devido à insegurança gerada pelo terrorismo islamita.

A grande crise foi provocada pelo fracasso das elites e pelo esgotamento de um modelo de globalização económica que não trouxe benefícios para vastos grupos da população. Por isso, nas sociedades industrializadas, será difícil para um político ganhar eleições sem adoptar algumas destas interpretações da realidade. Os elitistas e pragmáticos que defendem o statu quo terão dificuldade em encontrar argumentos contra a plataforma populista. Em resumo, se insistirem na rejeição pura e simples desta rebelião, os partidos tradicionais não poderão adoptar a sua parte lúcida. Essa estratégia separa-os irremediavelmente do eleitorado, na certeza de que uma alternativa ocupará o vazio. Aliás, isso já acontece: os partidos extremistas estão a tomar conta do descontentamento popular, assumem-se como os seus campeões e continuam a subir nas intenções de voto, perante a surdez e a impotência dos partidos tradicionais democratas-cristãos, liberais e social-democratas, que não conseguem mudar de discurso.

Não vejo onde está o problema

por Rui Rocha, em 02.09.16

Com que então o PS enfrenta gravíssimas dificuldades financeiras? Sem stress. É caso de aumentar os salários dos funcionários do partido e de reduzir o respectivo horário semanal para 35 horas e o problema resolve-se num instantinho. Não é?

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Um Lada velhinho

por Diogo Noivo, em 02.09.16

Foi há quase vinte anos que a Costa Vicentina me adoptou. Comecei a descer o litoral sudoeste com um grupo de amigos inolvidável, viagens que fazíamos pelo menos três vezes por ano. A nossa base ficava em Vila do Bispo. Era a casa de um bom amigo, pendurada na beira de uma falésia, completamente isolada. Para lá chegar havia que dar as costas à estrada nacional e percorrer uns quantos quilómetros em terra batida. Uma vez que a rede eléctrica se circunscrevia às vilas e aldeias, a electricidade só era possível quando o gerador estava com espírito cooperante. Nas ocasiões em que decidia cooperar, operávamos o velho ‘roncador’ através de um sofisticado sistema remoto: puxávamos a guita que estava pendurada na janela de um dos quartos para o ligar; já a guita que estava na cozinha servia para silenciar a besta. Era um dos custos do isolamento, que pagávamos com gosto. E por falar em cozinha, o supermercado mais próximo estava a uns bons e acidentados quilómetros de distância, razão pela qual os víveres eram comprados directamente aos produtores e aos pescadores. Outro custo do isolamento assumido com um sorriso de orelha a orelha.

Deslocávamo-nos de praia em praia num velhinho jipe Lada, porventura a única criação soviética digna de encómios. Este jipe amarelo-baço, que me superava em 10 ou 11 anos, estava muito amachucado e corroído. E tinha uma particularidade que jamais esquecerei: uma folga na direcção de aproximadamente 180 graus. Girava-se o volante, mas nunca se tinha a certeza de quanto viraria. Conduzir este jipe requeria, portanto, muita perícia e uma dose nada negligenciável de sorte. Quando faltava a perícia e a sorte se distraía, acabávamos com o velhinho Lada a lavrar terreno fora de estrada, não poucas vezes em solo cultivado, o que faz com que ainda hoje tenha um enorme respeito (e medo, confesso) por senhoras idosas de cajado em riste. Passado um dia ou dois – há que dar tempo para que a ira se esvaia – voltávamos ao local do crime, assumíamos a despesa, e quase sempre fazíamos amigos. Apesar de maltratado e de andar sempre sobrecarregado de gente e de pranchas, o velhinho Lada nunca nos deixou mal.

 

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.09.16

1507-1[2].jpg

 

Esfera Pública e Escândalo Político, de Hélder Prior

Ensaio político

(Edição Media XXI, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 02.09.16

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Jessica Chastain

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 02.09.16

AOs Nadas dos Nadas.

As melhores praias portuguesas (78)

por Pedro Correia, em 01.09.16

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Praia Grande (Porto Covo, Sines)

Comparações superficiais

por Luís Naves, em 01.09.16

O PSD quer regressar ao poder usando este tipo de argumentação? Mais vale ir tirando o cavalinho da chuva. A comparação feita pelo ex-ministro Poiares Maduro mistura alhos com bugalhos: a Grécia está sob resgate e tem um governo com ‘populistas’ não apenas da esquerda, mas que incluem um partido de direita nacionalista. Essa geringonça grega cumpre um programa de ajustamento negociado com as instituições europeias. Qual é a diferença entre um governo de centro-direita (aquele a que pertenceu o ex-ministro Poiares Maduro) e um governo ‘populista de esquerda-direita’, quando ambos cumprem com rigor um programa de ajustamento impopular imposto pela mesma troika? A diferença é nula.

A comparação do governo Costa com os casos da Polónia e Hungria pode parecer muito inteligente, mas também é enganadora. Na Europa Central não há geringonças, mas governos nacionalistas estáveis que tentam negociar uma nova relação com a Europa, após uma transição difícil que prejudicou as classes trabalhadoras, deixando ali um lastro de descontentamento que nenhuma análise pode ignorar.

O chamado ‘populismo húngaro’ venceu todas as eleições desde 2008 (europeias, regionais, etc.), incluindo duas legislativas, uma delas com maioria qualificada que permitiu ao partido no poder (Fidesz, conservador) alterar a Constituição. Os ‘populistas húngaros’ talvez mereçam essa designação por fazerem parte do partido popular europeu onde milita o PSD do ex-ministro Poiares Maduro. São populares? Sem dúvida. São populistas? Aceita-se. São comparáveis com a geringonça portuguesa? Quase consigo ouvir as gargalhadas que essa ideia provoca em Budapeste.

Em abono da verdade, há uma semelhança com o ex-governo do próprio Poiares Maduro: os ‘populistas húngaros’ também herdaram uma bancarrota socialista e um programa do FMI, só que mudaram o destinatário da factura, dos contribuintes, trabalhadores e pensionistas para os bancos e rendas excessivas. Foi ‘populista’? Sem dúvida. O resultado é que conseguiram pôr a economia a crescer quase 3% anualmente, reduziram o desemprego de 15% para os actuais 5%, conseguiram investimento externo em larga escala, aumento das exportações, redução de impostos, mantendo inflação baixa, alta qualidade do ensino público gratuito e a universalidade do sistema nacional de saúde. Já saíram do procedimento por défice excessivo e dão-se inclusivamente ao luxo de pagar mais devagarinho a sua dívida pública, para não atingirem tão depressa o nível de 60% do PIB que os obrigaria a entrar na zona euro. Houve ainda um brinde que contrasta com a estratégia da nossa paróquia: a banca era dominada a 90% por instituições estrangeiras, agora é 50% húngara. Nada mau para ‘populistas de direita’. Se Costa fizesse o mesmo...

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.09.16

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Por Mão Própria, de Luís Carmelo

Novela

(Edição Abysmo, 2016)

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Entre os mais comentados

por Pedro Correia, em 01.09.16

Em 23 destaques feitos pelo Sapo em Agosto, entre segunda e sexta-feira, para assinalar os dez blogues nesse dias mais comentados nesta plataforma, o DELITO DE OPINIÃO recebeu cinco menções ao longo do mês.

 

Os textos foram estes, por ordem cronológica:

Mau jornalismo, bom jornalismo (38 comentários)

Dívida e crescimento económico em tempos de "geringonça" (21 comentários)

O chocante silêncio do PAN (80 comentários)

"Quase ninguém sabe como se chama o Presidente de Portugal" (56 comentários)

Injúria póstuma a Graça Moura (78 comentários)

 

Com um total de 273 comentários nestes postais.

Fica o nosso agradecimento aos leitores que nos dão a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

Pág. 12/12



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