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Fictiongram, continuação da continuação

por Patrícia Reis, em 01.07.16

 

Tínhamos ficado onde? Não, tínhamos ficado na utilização indevida da negação para início de frases que não correspondem a uma pergunta concreta do interlocutor. Vocês estão a ver a ideia. O Paulo murmurou o tal

Não, quer dizer, sim...

e, depois, teve uma iluminação. Era melhor interessar-se pelo escritor, fazê-lo sentir-se importante.

Não me quer contar o problema das cartas?

As cartas? Como sabe das cartas?

Toda a gente sabe.

Toda a gente? Não, não.

Conte-me tudo.

 

E assim foi, o escritor meteu os fígados bons e maus contra o seu Jaime real para fora como alguém que vomita voluntariamente. Gostava de se ouvir falar, sabia que tinha um tom de barítono apropriado para intimidar, logo fazia uso da voz de forma apropriada, colocando-a como fazem os radialistas e alguns predadores. Contou como tinha sido convidado pela nobreza, uma certa nobreza, a passar uma temporada num chalé sofisticado na Suíça igualmente sofisticada. Explicou que escrevera as cartas ao Jaime por sentir compaixão. Foi a palavra que usou. Compaixão e Paulo aproveitou.

 

É o que espero de si...

podia dizer o Paulo, ainda tentou

... espero compaixão

mas o escritor estava lançado e servia-lhe bem essa ideia de que o Paulo não existia, portanto podia dizer o que fosse.

Nunca gostei de Jaime, sabe?

Nunca?

Nunca. Precisava de companhia. Era só isso, companhia. O amor é uma ilusão, todos o sabemos.

 

Foi um instante para que Paulo fizesse o paralelismo com a situação do Jaime ficcional e, a medo, perguntou quais eram as intenções do escritor. Ele sacrificava-se por todos os outros, os seis personagens do costume, Laura, Carlos, Maria Luísa, Jaime, Martim, Carlota (viram que agora comecei a enumeração ao contrário? Ele há truques). Estava o escritor a ouvir? Ele, Paulo, queria morrer.

 

Mas olhe que não me dá jeito nenhum matá-lo, Paulo, não a si. A sua personagem é aglutinadora, é o cimento bom que faz com que o caminho possa ser feito, em especial o caminho de Jaime e de Laura. Não, não o posso matar, agradeço a oferta, mas não pode ser. Confesso que ainda não sei como terminar isto, entende? Nós também temos momentos de fraqueza, sou um grande escritor mas estou muito pressionado e não consigo, não consigo, Paulo.

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Dar valor ao que se tem

por Alexandre Guerra, em 01.07.16

O Reino Unido está de saída da União Europeia e algumas vozes mais populistas, nomeadamente, da senhora Marine Le Pen, dessa autêntica "personagem" dos Países Baixos chamada Geert Wilders ou do menos conhecido Matteo Salvino, líder da Liga do Norte em Itália, vieram agitar também a bandeira do referendo. No seio do edifício europeu só se passou a falar no início do fim da União e na possível saída de mais países, como se a organização de que actualmente fazem parte fosse a fonte de todos os seus problemas e não lhes tivesse proporcionado prosperidade e desenvolvimento. Normalmente, como noutras situações da vida, só se dá valor às coisas quando ficamos sem elas ou quando não as temos e as queremos ter.

 

Muitos parecem esquecer ou desconhecer que o espaço geográfico da União Europeia é um dos mais desenvolvidos e pacíficos do mundo, onde, apesar de todas as imperfeições, impera a democracia e a justiça social. E se entre os (ainda) 28 haja quem olhe para a União Europeia como um projecto iníquo e perverso, outros países, que estão do lado de fora, vêem na Europa um farol de esperança e progresso. E por isso, numa altura em que uns falam em sair, há outros que aprofundam a sua ligação à UE. Hoje, por exemplo, entraram em vigor em toda a sua plenitude os Acordos de Associação com a Geórgia e com a Moldávia, que permitirão aproximar aqueles países às realidades económica, política, social e cultural da União Europeia. 

 

E já agora, também hoje se assinalaram cinco anos do Acordo de Livre Comércio entre a UE e a Coreia do Sul, que permitiu inverter uma situação de défice para excedente a favor do bloco europeu no que diz respeito à balança das trocas comerciais. Desde 2011 que as exportações europeias aumentaram 55 por cento para aquele país asiático, ao mesmo tempo que as empresas do Velho Continente pouparam 2,8, mil milhões de euros em impostos e taxas alfandegárias. O valor das trocas comerciais entre a UE e a Coreia do Sul atingiu em 2015 o valor recorde de 90 mil milhões de euros. 

 

Notícias como estas há muitas, a questão é que são daquelas notícias que não aparecem nos jornais nem nas televisões e muito menos fazem parte do discurso dos políticos e do racional dos jornalistas, analistas e comentadores que por aí andam. Muitos deles, na verdade, nem sequer sabem do que falam ou escrevem, limitando-se a reproduzir banalidades e distorções sobre o projecto europeu, aquilo que ele é e aquilo que ele representa. 

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Afinal, House of Cards nasceu na Inglaterra

por José António Abreu, em 01.07.16

Os bastidores da luta pelo poder no Partido Conservador. Ou como manobrar para levar o favorito (Boris Johnson) a ganhar o referendo e depois desistir.

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Já li o livro e vi o filme (135)

por Pedro Correia, em 01.07.16

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O CARTEIRO DE PABLO NERUDA (1985)

Autor: Antonio Skármeta

Realizador: Michael Radford (1994)

A leitura da simpática novela do autor chileno, intitulada Ardiente Paciencia no original, comprova a tese de que os filmes podem transcender os livros em que se inspiram. Tudo na película escapa à mediania - a começar pela fabulosa interpretação de Massimo Troisi, falecido 24 horas após o fim das filmagens.

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Música recente (5)

por José António Abreu, em 01.07.16

The Kills, álbum Ash & Ice.

Um bom trabalho, mas Alison e Jamie já fizeram melhor. Talvez por causa do dedo partido de Jamie, que atrasou a saída do álbum e o obrigou a alterar a forma como toca guitarra, falta alguma explosividade.

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Um dos melhores títulos do ano

por Pedro Correia, em 01.07.16

No hay Cristiano sin Quaresma

(Do jornal desportivo espanhol Marca)

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Futebol

por Rui Rocha, em 01.07.16

Onze contra onze e no final do tempo regulamentar Portugal empata.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.07.16

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Faz de conta que me amas de verdade, de Helena Campos

Romance

(edição Topbooks, 2016)

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Consequências da idiotia

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.07.16

“He has ripped the Tory party apart, he has created the greatest constitutional crisis in peacetime in my life,” (...) “He has knocked billions off the value of the savings of the British people.” - Lord Heseltine sobre o passageiro que mandou parar o táxi e agora se recusa a sair do veículo

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 01.07.16

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Kaya Scodelario

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