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Delito de Opinião

Maria do Rosário Pedreira

Patrícia Reis, 27.02.16
 

Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer - que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe. Ainda bem

que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno. Ainda bem

que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí - ainda mais perdida do que
antes - a olhar sem ver. Ainda bem

que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.

Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer - mas é - um poema de amor.

Sim, Senhor Ministro (3)

Pedro Correia, 26.02.16

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Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Este ministério tem de eliminar muita burocracia. Vamos dar aqui uma vassourada, abrir as janelas para entrar ar, pôr esta máquina obsoleta em ordem.

Sir Humphrey Appleby - Uma limpeza, quer dizer?

Ministro [sentado à secretária] - Isso mesmo. Há demasiada gente sentada à secretária

Sir Humphrey - ...

Ministro - Não me refiro a nós. Temos de correr com aqueles que só estão a fazer número!

Bernard Woolley, secretário particular do ministro - Correr com eles?

Sir Humphrey - Redistribuí-los, quer o senhor dizer.

Ministro - Sim, sim. Quero pô-los a trabalhar. Somos adeptos de um Executivo aberto: é nisto que o meu partido acredita e que serviu de base ao nosso manifesto eleitoral. Temos de abrir a política ao País. Que tal?

Sir Humphrey [segurando uma pasta com papéis] - Veja estas propostas. Esboçam a implementação dessa política e contêm a base para um Livro Branco, que a meu ver deverá chamar-se Governo Aberto.

Ministro - Então já foi tudo...

Sir Humphrey - Já foi tudo tratado.

Ministro - Quem preparou tudo isto?

Sir Humphrey - A máquina burocrática obsoleta.

Não, não, senhores Bispos

Rui Rocha, 26.02.16

Estão enganados. O cartaz do Bloco de Esquerda não ofende crentes nem não crentes só por o serem. Ofende a inteligência. De quem quer que a tenha. Por isso, melhor seria se guardassem a indignação para a utilizarem, por exemplo e para não irmos mais longe, contra instituições que promovem uma visão do mundo em que cabe às mulheres um papel de obediência e subordinação.

Não havia necessidade...

Helena Sacadura Cabral, 26.02.16

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Pessoalmente já exprimi aqui a minha posição relativamente à adopção por casais do mesmo sexo. Entendo que uma criança precisa de amor, seja ele dado pela família tradicional ou pelas famílias que o não são. As unidades familiares de hoje não são iguais às de há meio século e, portanto, os hábitos e os costumes terão de ir-se adaptando.

Na minha opinião, uma criança institucionalizada está pior do que numa família que tem amor para lhe dar, sejam dois pais, duas mães, uma só mãe ou um só pai. E se foi permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que um solteiro adopte uma criança, tenho dificuldade em aceitar que um casal do mesmo sexo não o possa fazer.
Posto isto, entendo de um profundo mau gosto e revelador de bastante desrespeito por quem pensa de forma diferente os cartazes com que o BE resolveu pulverizar o país, usando como símbolo uma pirosíssima imagem de Jesus, com uma frase na qual se afirma que ele tem dois pais.
Uma coisa é defender ideias que se considera estarem certas. Outra coisa é defendê-las exorbitando os limites, para ofender aqueles para quem Jesus representa algo de muito sério. A nossa liberdade termina onde começa a do nosso semelhante. Não havia necessidade!
Eu inclino-me para que estejam a faltar ao Bloco as causas que lhe davam alma. Agora, como situacionistas que são, começam a não ter temas fracturantes e portanto a perder a graça. Estão, de facto, a envelhecer!

Bingo

José António Abreu, 26.02.16

O governo e a sua maioria têm sido acusados de dar com uma mão e tirar com a outra, mas o que importa nessa ginástica não é quanto ganham as pessoas, mas que ganhem por vontade do poder político: o rendimento de cada cidadão não deve depender do seu esforço, mas da sua relação com o governo. O PS, PCP e BE nada têm contra quem ganha muito, desde que ganhe muito no Estado ou através do Estado. Banqueiros e empresários disponíveis para “parcerias” nunca terão dificuldades.

Rui Ramos, no Observador.

Obrigado, João Almeida

Sérgio de Almeida Correia, 26.02.16

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"Estudei sempre em escolas públicas, em relação aos meus filhos, se isso for viável, também estudarão sempre em escolas públicas." – João Almeida, deputado, vice-presidente do CDS-PP

 

Vamos todos fazer para que seja sempre viável, mesmo que alguns dos companheiros dele não sejam da mesma opinião e prefiram todo o dinheiro público e mais algum a subsidiar escolas privadas.

Sim, Senhor Ministro (2)

Pedro Correia, 25.02.16

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Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker [recém-chegado ao ministério] - Quem há mais no nosso departamento?

Sir Humphrey Appleby - Eu sou o subsecretário de Estado permanente, o [Bernard] Woolley é o seu secretário particular principal. Eu tenho um secretário particular principal, que é secretário particular do secretário permanente. Hé dez secretários delegados responsáveis perante mim, e 87 secretários e 219 secretários adjuntos que respondem perante os secretários particulares principais. O primeiro-ministro vai nomear dois subsecretários parlamentares e o senhor nomeará o seu secretário particular parlamentar.

Ministro - E sabem todos escrever à máquina?

Sir Humphrey - Nenhum de nós sabe. Quem faz isso é Mrs. McKay. É a secretária.