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Fotografias de Ricardo Coutinho
Os meus amigos mais próximos, adeptos tal como eu de um clube que veste de verde e branco, sabem muito bem a relutância que tenho em frequentar esta zona de Lisboa onde se encontra o Colombo.
Devo dizer que essa relutância terminou hoje.
Porque não vou esquecer este dia. E este caloroso encontro com alguns dos meus melhores leitores, que são vocês.
Quero deixar um agradecimento muito especial ao professor Luciano Amaral, autor do prefácio, que muito valoriza esta edição.
Quero deixar também um agradecimento expresso ao professor José Adelino Maltez, cuja capacidade analítica sempre admirei.
Fomos colegas, o professor Maltez e eu, numa época irrepetível, num blogue que deu muito que falar – o Albergue Espanhol. Durou pouco mas deixou um rasto longo e até tem sido alvo de teses de mestrado e de doutoramento, ao que me dizem. Com histórias nem sempre bem contadas.
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Mas é também de outro blogue que eu quero hoje falar-vos.
O DELITO DE OPINIÃO. Existe vai fazer sete anos. É um blogue que cruza várias opiniões fortes capazes de existir num espaço de liberdade e de tolerância.
Um espaço onde ninguém abdica do seu ideário. Mas também um espaço onde ninguém se insulta. Nem precisa de gritar para comprovar que tem razão.
Infelizmente ao contrário do que cada vez mais vamos vendo e ouvindo por aí.
Estão aqui presentes vários dos meus colegas do DELITO que podem certamente comprovar que isto é verdade.
Foi no Albergue Espanhol que iniciei em 2010 uma série de textos intitulados PRESIDENCIÁVEIS. Cerca de um ano antes da eleição presidencial de 2011.
Eram textos que não se levavam demasiado a sério. Feitos sempre com algum registo irónico. Textos que procuravam antecipar quem seriam os candidatos a Belém.
Retomei esses textos cinco anos depois, já em 2015, no DELITO. Com o mesmo registo.
Pensei fazer dez ou vinte mas os leitores iam pedindo mais. E eu ia satisfazendo esses pedidos. Um desses pedidos foi para mim uma surpresa total. Vindo do editor da Topbooks, Fernando Silva, que imaginou este livro e me desafiou a escrevê-lo. Acabaram por ser 70. Um número que eu nunca teria imaginado à partida.
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Os textos foram publicados entre Fevereiro e Junho no DELITO e revistos em Setembro. Sem introduzir mais nome nenhum na passagem para livro. Impus a mim próprio essa regra.
Sempre com um ponto essencial: a candidatura a Belém não deve ser menosprezada.
Os acontecimentos mais recentes só me dão razão.
O sistema político português é semipresidencialista, ao contrário do que parecem imaginar aqueles que gostariam de ver o Presidente eleito em petit comité no Parlamento ou até aqueles que se dizem republicanos mas sonham com uma Rainha de Inglaterra em Portugal, que se limitasse a ler os discursos que o Governo lhe escreve.
Há outra ideia-base neste livro: o campo de recrutamento dos Presidentes da República deve alargar-se, não ficando confinado àqueles que os estados-maiores dos partidos gostariam que avançassem.
A cidadania não se compadece com estes jogos partidários de visão estreita que afastam as pessoas da política.
Felizmente a esmagadora maioria dos candidatos às presidenciais de 24 de Janeiro contraria esta lógica.
É um sinal dos tempos que devemos saudar.
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Para terminar, quero fazer-vos uma confissão: sou um eleitor muito atípico. Sobretudo nas presidenciais.
Já votei nos candidatos mais imprevisíveis e quase sempre segundo uma lógica de afinidade pessoal com o candidato. As pessoas, para mim, são mais importantes do que as ideologias.
Já votei em chamados candidatos “menores” - embora esta designação seja sempre subjectiva e com frequência injusta.
E já exerci votos de protesto. Por nenhum candidato “principal” me satisfazer.
Um desses votos aconteceu nas presidenciais de 2001.
Decidi levar a minha filha, então com oito anos, para lhe fazer de algum modo a pedagogia do voto.
Ela viu-me a pôr a cruz no boletim. Ficou em silêncio e quando saímos da assembleia de voto perguntou-me: “Papá, porque é que votaste naquele senhor que está sempre tão zangado no Telejornal?”
Era o candidato Garcia Pereira.
Rio-me sempre que penso nesta história. Mas as presidenciais são uma questão séria.
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No fundo escrevi este livro pelo mesmo motivo que levei a minha filha, naquele dia, à sala de voto.
Para mostrar que existem sempre opções. Seja no Senhor Zangado ou no Senhor ou na Senhora Sorridente.
E também para deixar claro que não devemos delegar em mais ninguém aquilo que, certo ou errado, deve ser decidido só por nós.
Em consciência, sem tutelas nem gurus.