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Coerências (auxiliar de memória para os fãs)

por José António Abreu, em 29.06.15

Varoufakis afastou a possibilidade de um referendo aos termos do acordo dizendo que seria efectivamente um voto à manutenção do euro como moeda.

«Seria injusto para os cidadãos gregos terem de tomar uma posição sobre o assunto, respondendo com um sim ou um não», disse ele.

19.05.2015. Tradução minha.

O palácio a arder

por João André, em 29.06.15

Quando o Syryza foi eleito governo terão soado as campainhas de alarme em Bruxelas e Berlim (e Amesterdão, já agora). Quando Tsipras e Varufakis andaram a passear ideias limite pela Europa em alegres passeios, as reuniões terão começado com um objectivo: trazê-los à terra. Havia esperanças e um ou outro sinal de abertura iriam nesse sentido. Quando Tsipras e Varufakis demonstraram a sua completa inabilidade política e diplomática, o objectivo tornou-se um e um só: fazer um exemplo da Grécia.
Que tipo de exemplo não faz muita diferença, na realidade. Ou os gregos aceitariam as propostas iniciais das "instituições" sem qualquer alteração e assim levariam à queda de tão radical governo; ou então deixar-se-ia cair o próprio país. Foi esta opção que, com a colaboração de Tsipras, acabou "escolhida".
A esmagadora maioria dos comentários que leio vão no sentido de culpar a "Europa" (pode até ser o FMI, ou o BCE, ou Merkel, ou o senhor X que fez a folha de Excel) ou de culpar os gregos (os extremistas do Syryza, os abusadores do passado, os radicais disto ou aquilo). (In)felizmente existe culpa suficiente para distribuir: das "instituições" por tratarem a Grécia como uma folha de Excel onde as pessoas serão pouco menos que células; dos líderes europeus que nunca se preocuparam com a Europa em si mesmo mas apenas e só com a próxima eleição; do acutal governo grego que julgou que a Europa era uma manif mas em grande e com alguns tipos de gravata; dos governos gregos antigos que fizeram pela vida dos amigos e trataram a UE como uma cornucópia; dos diversos líderes europeus dos últimos 20 anos que não souberam assumir a construção europeia como ela precisava de ser assumida; (continuem a preencher, isto pode levar muitos outros alvos e nem importa de que lado vocês se posicionem, a vossa atribuição de culpas estará muito provavelmente correcta).
No meio disto tudo há um povo que será culpado de ter feito pela sua vida perante as circunstâncias que lhes eram oferecidas. Culpar os gregos não faz muito sentido: seria como culpar quem faz compras numa loja que anuncia dumping. Só que é esse mesmo povo que agora irá sofrer com a estupidez, ganância e mesquinhez dos líderes europeus (incluindo os seus próprios). Estas cimeiras deveriam ter sido feitas com a intenção de lhes minorar esse sofrimento. Não houve essa preocupação. Agora que o palácio está em chamas, ninguém se preocupa com os habitantes, apenas com quem deixou o gás ligado e a tostadeira ligada.
E agora? pelo que tenho lido de toda a gente que faz previsões: ninguém sabe. Podem uns, outros ou ninguém ter razão. Da minha parte não faço ideia. Sei que haverá quem lamba os beiços e quem avalie os méritos da varanda do quinto andar e cobice acesso à do décimo. A ver vamos onde chegarão as chamas e se haverá bombeiros disponíveis.

Não foi apenas a Grécia que ficou à beira da insolvência este fim-de-semana. Porto Rico também admitiu oficialmente que não pode pagar as dívidas contraídas nos últimos anos. A culpa, evidentemente, é dos «mercados» que lhe emprestaram os dólares - essa verdadeira moeda que, ao contrário do euro, permite evitar defaults e a necessidade de austeridade.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.06.15

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Vinte Degraus e Outros Contos de Hélia Correia

(edição Relógio d' Água, 2014)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 29.06.15

Estar a braços com muitas coisas acaba por ser uma forma de não realizar nenhuma delas. É importante parar, definir prioridades, e só depois avançar, executando cada tarefa em separado e só começando uma nova depois de terminar a anterior.

 

Pare, analise, priorize.

Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 29.06.15

Adorava o que fazia, tinha sempre um sorriso e gostava de cantar. Tinha o sol na cara. Trabalhei com ele, com o David Clifford, que, como toda a gente, morreu cedo, no seu caso ainda mais cedo pela pouca idade que levava e o mundo que ainda queria - e que tanto o queria. Eu, e tantos! Fica aqui parte do seu trabalho, um trabalho sempre atrás da luz, que numa vida bem vivida é a direcção certa. 

As canções do século (2006)

por Pedro Correia, em 29.06.15

Não é bem assim, menina nandinha

por Rui Rocha, em 28.06.15

CANCIO.jpgPor exemplos, os que já há uns tempos tinham perdido a confiança no sistema bancário não vão precisar de levantar nada.

Fotografias tiradas por aí (232)

por José António Abreu, em 28.06.15

Blogue_ruas30_Porto2009.jpg

Porto, 2009.

Trecho para um livro que nunca vou escrever

por Francisca Prieto, em 28.06.15

Se me tivessem deixado escrever a história da minha vida, as coisas teriam tomado outro rumo. Havia de ter arranjado maneira de me escapar à sucessão de acontecimentos desgovernados que deixaram mortos, feridos, perdas e estilhaços.

Controlo de danos, é o que tenho andado a fazer nos últimos anos, a viver numa não felicidade, na passividade de me deixar perdurar neste limbo de esforço, encurralada entre dois imanes de pólos opostos. Eu, uma figura parada com a vida a atropelar-me para a esquerda e para a direita, a cair no desnorteio do turista continental que atravessa uma rua de Londres.

Se tivesse sido eu a escrever a história da minha vida, contava-a em fotogramas, como fazem os realizadores de Hollywood, que arranjam maneira de meter pessoas a apaixonarem-se em Nova Iorque.

Nova Iorque no Outono é um sofá de dois lugares com uma manta de xadrez.

Eu, da primeira vez que me apaixonei, foi no largo do Calhariz e era Inverno. Caía uma chuva molha-parvos que me molhava. Um senhor de fato escuro, na paragem do autocarro, ofereceu-me o guarda chuva. Tinha olhos claros e, provavelmente, pena de mim.

Calma que o homem sabe o que faz

por Rui Rocha, em 28.06.15

varoufakis.png

 

Pescadinha

por José António Abreu, em 28.06.15

Falando acerca disto após o Eurogrupo, o loquaz ministro das finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, tombou em incoerências. A recusa dos ministros em aprovar uma extensão do programa, disse ele, causou «danos permanentes à credibilidade da UE». Porquê? Porque havia uma «muito elevada probabilidade» de que os gregos ignorassem o governo e aprovassem a proposta dos credores. A Grécia, parecia estar a argumentar o Sr. Varoufakis, merecia ainda mais uma extensão do programa para dar tempo ao governo para aconselhar os eleitores a rejeitar os seus termos porque esse conselho poderia bem ser rejeitado.

The Economist. Tradução minha.

Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 28.06.15

Me, my selfie stick and I.

E agora o desconhecido

por Luís Naves, em 28.06.15

razvaliny-grecheskiy-hram.jpg

 

A Grécia e os seus credores estavam à beira de um acordo, quando houve ruptura inesperada das negociações. O Eurogrupo chegou a propor condições mais generosas do que as que foram oferecidas a Portugal há dois anos e que permitiriam a Atenas prolongar por cinco meses o actual programa e negociar tranquilamente o terceiro resgate. A atitude dos negociadores gregos sugere que o governo de Alexis Tsipras não conseguiu convencer os membros mais radicais do Syriza ou, em alternativa, pretendia desde o início abandonar a União Económica e Monetária (UEM), culpando os europeus pelo desfecho. No comentário nacional, há observadores que acreditam na culpa exclusiva dos dirigentes europeus, ou seja, a estratégia teve êxito.

Entre os credores havia quem defendesse a saída da Grécia, sublinhando que podia facilitar a reparação da própria zona euro. O Grexit implica horrores económicos e riscos políticos, mas o copo pode ser visto meio cheio, pois a partir de agora quem não cumprir o Tratado Orçamental será vítima de gradual afastamento dos mercados, o que leva à porta de saída. Acabaram as ilusões: esta circunstância tem mais força do que a união política, cuja ausência no projecto inicial da UEM se revelou tão desastrosa.

Nos próximos dias, tudo o indica, assistiremos ao colapso financeiro que levará a Grécia a impor controlos de capital e a introduzir uma moeda paralela para pagar salários e pensões. A desvalorização dessa moeda permitirá recuperar a competitividade, mas entretanto haverá falências e serão destruídas as poupanças da classe média, que tem grandes quantidades de dinheiro debaixo dos colchões e, assim, poderá resistir durante alguns meses. O governo de esquerda pode finalmente cumprir as promessas eleitorais, acabar com a austeridade, imprimir dracmas, aplicar um programa radical. A Grécia empobrecerá ainda mais e a Europa (incluindo os contribuintes portugueses) pagará os incumprimentos gregos e correrá certo risco de perturbação nos mercados de dívida, mas do ponto de vista político tudo avançará mais depressa: nos próximos dois anos serão definidos mecanismos de maior integração e haverá mudanças fundamentais na UE, com a renegociação da relação dos britânicos e uma nova geração de líderes na Alemanha e talvez também em França, resultando num núcleo mais forte de países e em periferias mais distantes.

A pergunta do referendo grego

por Rui Rocha, em 28.06.15

pergunta.png

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.06.15

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Guia Politicamente Incorrecto do Socialismo, de Kevin D. Williamson

Tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa e Vasco Teles de Menezes

(edição Alêtheia, 2015)

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Vantagens

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.15

Não estou no grupo daqueles que estão sempre contra a autogestão. Penso, aliás, que a autogestão em período pré-eleitoral, no que diz respeito à actividade de governos, permite aos eleitores aperceberem-se de alguns pormenores que noutras situações passariam despercebidos. Foi assim com alguns governos do PS em fim de ciclo, está a ser assim com o actual governo. No caso das colocações dos amigalhaços em embaixadas e consulados, com a reabertura do que havia sido encerrado por Paulo Portas, bem como em relação aos serviços que andam a ser prestados para fins partidários por diversos organismos da Administração Pública, assim se justificando os impostos que pagamos, é possível ainda encontrar sinais vitais no corpo da coligação PSD/CDS. A profunda sintonia de posições entre as atitudes dos ministros e as propostas políticas dos representantes de cada um dos partidos sobre os mesmos assuntos não permite outras leituras. Mais transparente e mais sincero não há.

A vitória de Tsipras

por Rui Rocha, em 28.06.15

vitoria.jpg

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.06.15

«Enquanto na TAP a greve prejudicou a empresa, na Carris/Metro esse tipo de prejuízo não ocorre porque os consumidores não têm mecanismos eficazes para actuar contra a quebra de contrato.
Assim, para a direcção desses monopólios uma greve é um dia de grande lucro, já que nesta bandalheira de terceira república nunca foi criado nenhum organismo que defenda os consumidores.

A DECO é apenas um dos muitos membros franchising da organização privada "Consumers International":
https://en.wikipedia.org/wiki/Consumers_International

Na prática este tipo de organizações privadas são os principais interessados em angariar sócios, que é o seu negócio, e não lhe interessa nenhuma outra estrutura que faça o serviço.
Por isso, quanto mais desprotegidos estiverem os consumidores, mais candidatos a sócios podem ganhar.
Uma das suas eficácias é na implementação de normas da treta (tal como outra fachada de lóbis que é a Quer-cus), já que normalmente há normas ou detalhes que favorecem um produto X relativamente ao Y.

Há uma série de pretensas "entidades reguladoras", que normalmente são outro nome para "grandes tachos do partido", que igualmente nada fazem, e lembro-me de terem arranjado um tacho socialista ao Acácio Barreiros como provedor dos consumidores... O que fez esse grande ex-UDP? Nada!

Pode parecer estranho, mas na prática, pela sua rotunda ineficácia, o sindicalismo de inspiração comunista tem sido um dos, senão o principal, destruidor de toda a estrutura estatal. E não é por acaso... pode ser por ignorância dos militantes e funcionários, mas não é por simples estupidez do "comité central", é por ortodoxia a um nível, e manipulação a outro.

Uma das principais degradações da sociedade actual está justamente na fragilidade do consumidor. Pressionado para contratos com cláusulas leoninas, desde o consulado de Sócrates que o consumidor passou até a arriscar-se a injunções com penhora, se não pagar logo as contas, por mais astronómicos e injustificados que sejam os valores. Casos vergonhosos são o pão-nosso de empresas de telecomunicações e serviços cabo, exploração de portagens, onde os enganos são sucessivos e sempre à conta do consumidor.
Na injunção há o requinte de ser o consumidor a ter que accionar o tribunal e pagar as despesas (muito aumentadas) se quiser se livrar da penhora. Todo o estado foi recrutado para actuar contra os cidadãos.

Conforme o Pedro bem refere, o Carris/Metro não devolve nos "passes lisboetas" o valor dos dias em que não prestou serviço.
Não precisa, porque todos, desde a DECO até às entidades reguladoras, todos se calam ou ficam apanhados de torpor, como se isso fosse normal. Pior, acresce que a Câmara alfacinha foi penalizando sucessivamente as viaturas, por ter o delírio dos ciclistas de montanha nas colinas lisboetas, e tudo isto se passa como num filme surrealista.

Quando ocorreram os aumentos exorbitantes dos preços dos bilhetes de Metro/Carris, aí não vimos os trabalhadores preocupados com os consumidores. Agora com a privatização é que os sindicatos se lembraram de invocar solidariedade com a penalização dos futuros consumidores... enfim, um espectáculo de retórica numa sociedade decadente.»

 

Do nosso leitor daMaia. A propósito deste meu texto.

As canções do século (2005)

por Pedro Correia, em 28.06.15



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