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Série ininterrupta com maior longevidade da blogosfera portuguesa, que assinala o início de cada dia aqui no DELITO DE OPINIÃO, As Canções do Século aproximam-se do fim. Mas haverá ainda um pouco mais de duzentos temas musicais até à melodia do adeus. E faço questão que sejam temas de qualidade irrepreensível, de modo a que a despedida ocorra em beleza.
Em Dezembro, tal como vem sucedendo desde 2010, não faltarão temas alusivos à época natalícia e aos dias subsequentes que nos separam do novo ano.
Mas aproveito precisamente a mudança do mês para vos pedir mais sugestões.
Quais as vossas canções (não portuguesas) preferidas do século XX que gostariam de ver por cá? Todas as sugestões - prometo - serão acolhidas.
Pensamento crítico, análise inteligente, resistência sem concessões ao políticamente correcto e visão aguda da realidade são marcas distintivas do José Meireles Graça, um dos autores que muito aprecio na blogocoisa. Razão mais do que suficiente para recomendar vivamente uma visita ao Gremlin Literário onde é acompanhado por outros autores que leio sempre, também, com muito proveito.
«Se me lembro [do 25 de Novembro de 1975]. Prestava serviço militar em Castelo Branco como oficial miliciano.
O clima de indisciplina era insuportável, minado pelos SUV (soldados unidos vencerão) a soldo do Partido Comunista, da mesma forma que o é hoje a Intersindical. A ponto de um praça urinar no balcão da messe dos oficiais, porque era permitida a sua frequência. Não fossse a estaleca dos militares que tinham passado pela guerra colonial, que com a sua experiência conseguiram domar ímpetos mais vincados, leia-se "paninhos quentes", e teria havido uma guerra civil originária nos quartéis.
Nunca esquecer Ramalho Eanes e o seu colaborador mais directo, Jaime Neves, que com as suas portuguesíssimas genuidade e engenho conseguiram deitar por terra as aspirações de uma minoria para a instalação de um totalitarismo.
Perante o que se está a passar neste momento, também não é de mais lembrar o posicionamento de Ramalho Eanes perante certas mordomias concedidas pelo poder político à sua pessoa e que ele rejeitou. Creio que terá sido o único a fazê-lo.»
Do nosso leitor Singularis Alentejanus. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.
Ontem não o acompanhei e hoje apenas assisti ao momento em que António Costa aproveitava o início do discurso final para desmentir todos os que o acusam de não ter boas ideias, sem custos excessivos para o erário público, saudando os presentes. Depois fui almoçar.
O Congresso do PS constituía um tremendo desafio. Costa não podia permitir que o partido ficasse refém dos graves acontecimentos mais recentes e que esta reunião magna viesse a tornar-se apenas mais um elo dessa cadeia de acontecimentos. Tinha ainda que demontrar que este novo PS não foi capturado pelos interesses que têm dominado a sociedade portuguesa nos últimos anos. Por motivos pragmáticos, era ainda fundamental que não ficasse cativo da agenda política dos partidos da esquerda mais radical, nem confinado a um espaço ideológico que não lhe permita apelar aos eleitores mais à direita. O país pede um PS que não se vire para si próprio, que não fique aferrolhado a ideias velhas ou pré-concebidas, nem trancafiado nos seus próprios problemas, sob pena de a curto prazo ficar condenado à irrelevância. Um partido enclausurado nunca serve, sequer, os seus próprios interesses. Qualquer propósito de cegueira perante a realidade deve ser imediatamente detido. É, em qualquer circunstância, imperioso saber resistir à coacção dos media e da opinião pública que exigem acções que, quantas vezes, são irreflectidas. Os dados estão lançados. O futuro dirá se o PS ficou ou não prisioneiro das circunstâncias e se está preso ao passado.
Um historiador de arte foi ao cinema e ficou estupefacto ao ver numa das cenas do filme, pendurada sobre a lareira, uma obra desaparecida. Interessou-se pelo caso, fez perguntas aos produtores da película e descobriu que o “adereço” tinha sido comprado por tuta-e-meia num antiquário da Califórnia, parecendo perfeito para decorar a cena do filme Stuart Little. A história pode ser lida com mais detalhe aqui e também aqui, em inglês (não consegui encontrar um artigo em português e, caso exista link, as minhas desculpas antecipadas).
Afinal, a obra era uma preciosidade europeia perdida, pintada por Robert Berény (1887-1953), um dos mais importantes mestres húngaros do século XX. Os trabalhos deste pintor são relativamente raros, devido à destruição do seu atelier, no final da II Guerra Mundial, mas sobretudo por essa guerra ter incinerado parte muito relevante do riquíssimo património artístico do país. Passada uma década depois de aparecer num filme de Hollywood, o quadro “Mulher Adormecida com Vaso Negro” será vendido em Budapeste, em leilão. A obra tem uma história fantástica, que provavelmente vai criar um mito artístico: foi levada para a América em 1928 e ali mudou sucessivamente de mãos, pelos vistos sem ninguém reparar na assinatura (a parte estranha da história). Depois, num desenvolvimento ainda mais bizarro, a descoberta acidental. Na imagem, um dos quadros famosos de Berény, “Mulher com Violoncelo”, da mesma época, 1928.
António Costa falou bem a abrir e a fechar um congresso que pouco teve de empolgante - como era de prever, dadas as circunstâncias. É certo que quase nada detalhou das receitas que preconiza para o crescimento económico do País e a sua reiterada intenção de obter maioria absoluta nas legislativas parece um alvo inalcançável. Mas interpelou com vigor as forças à sua esquerda, exigindo que abandonem o gueto do protesto. Demonstrou sensibilidade social com a surpreendente homenagem às vítimas de violência doméstica. Declarou que continuará a celebrar com orgulho o dia da restauração da independência, que o Governo absurdamente riscou da lista dos feriados nacionais. E sobretudo vincou a sua autoridade, impondo que a questão Sócrates ficasse à margem dos trabalhos e dos discursos.
Este era o principal desafio e acabou por ser ganho - em benefício do partido e, por extensão, da democracia portuguesa. Porque um PS que permaneça órfão ou refém do rasto de Sócrates será incapaz de trilhar com sucesso as rotas do futuro.
Com Assis de fora e Seguro ausente, Pedro Adão e Silva fala na SIC Notícias em "pacificação interna". A fé move montanhas.
Há quem troque a reunião do partido em Lisboa por uma ida ao Alentejo. Informava ontem a TVI, com um toque de humor talvez involuntário: «Em dia de visitas para os presos preventivos, foi agitada a tarde no estabelecimento prisional de Évora. José Sócrates recebeu a visita de três deputados do PS.»
Até ao momento não ouvi uma palavra sobre o assunto, mas talvez algum congressista ainda acabe por fazer um apelo enérgico ao combate contra a corrupção.
Francisco Assis, líder dos deputados socialistas na Europa e uma das vozes mais lúcidas do PS, viu-se impedido de falar por alegadas falhas na gestão de tempo do congresso. Não merecia ser tratado assim.
Dir-se-ia que o nome dele queima. De tal maneira que ainda ninguém ousou pronunciá-lo no palco do congresso. José Sócrates, o inominável.
Pois é, as escolas privadas, que vivem e enriquecem com as subvenções dos contribuintes, é que são boas.
As secundárias e também as universidades apadrinhadas pelo ex-primeiro-ministro Cavaco Silva, de onde têm saído os "visionários" que há uma década governam Portugal. Convém não esquecer.
Desculpar-me-ão os caríssimos congressistas, mas já vi arguidos em preventiva bastante mais animados.
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