Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Então e os pais?

por Francisca Prieto, em 28.09.14

De tempos a tempos, mal renasce das trevas a estafada discussão sobre a lei do aborto e os direitos das mulheres e blá, blá, blá, fico sempre a pensar que nunca vi ninguém a discutir os direitos dos homens, neste caso concreto, dos pais dos fetos.

Tags:

Derrota assegurada

por João Campos, em 28.09.14

 

Há uns anos, um amigo emprestou-me o DVD do filme Alien vs. Predator, uma combinação improvável entre os monstros icónicos do filme de Ridley Scott (e da sequela de James Cameron) com a criatura do filme de John McTiernan (com Arnold Schwarzenegger) que surgiu na banda desenhada no final dos anos 80 e que já nos anos 90 deu origem a um videojogo muito popular e muito divertido - essencialmente por poder dar-se ao luxo de abdicar de qualquer noção de narrativa para apostar na atmosfera e no combate. O filme não correu tão bem, como de resto não podia correr, e antes de chegar à meia hora já eu desligava o leitor de DVD entre bocejos - tenho um fraco por aqueles filmes tão impossivelmente maus que se tornam bons de uma maneira muito retorcida, mas Alien vs. Predator é apenas e só mau, sem qualquer hipótese de redenção.

 

É, portanto, um pouco como as primárias do PS, a decorrer hoje após não-sei-quantos dias de campanha, de debates televisivos (como se entre duas cabeças desprovidas de sinapes activas como as de Seguro e Costa pudesse haver qualquer coisa de remotamente interessante a debater) e de sabe-se lá mais o quê. Aliás, todo este processo - que acompanhei a uma distância algo forçada, mas nem por isso menos higiénica - traz-me à memória o péssimo filme de Paul W. S. Anderson. Não alguma cena em particular, entenda-se, mas sim a tagline promocional que se podia ler nos cartazes do filme, que ganha toda uma nova leitura perante a evidência de que, com toda a probabilidade, o próximo primeiro-ministro do país será Seguro ou Costa: "Whoever Wins, We Lose". Muito adequado, sem dúvida.

Plants vs Zombies?

por Rui Rocha, em 28.09.14

Pancadaria entre apoiantes de Seguro e de Costa em Braga.

RR - João, obrigado por nos ajudares a perceber alguns dos aspectos relacionados com o processo Passos Coelho/Tecnoforma.

JM - Hã, ok, sem problema. Um gajo também não pode passar a vida a fazer gráficos sobre o salário mínimo.

RR - Bem visto. Então, antes de mais, gostava de perceber o que pensas sobre a situação de Passos Coelho e a presunção de inocência.

JM - As regras da presunção de inocência são para o processo judicial. No processo judicial, é-se inocente até prova em contrário e não se pode ser condenado por provas proibidas por lei. Mas isso é no processo judicial.

RR - Distingues então o plano político e o plano judicial?

JM - A questão não é apenas judicial. É também política. E a questão política é aquela que mais interessa à opinião pública e é também aquela em que a opinião pública conta. A opinião pública não conta para saber se Passos Coelho é um criminoso. Para isso existem os tribunais. Mas conta para saber se Passos Coelho é um bom primeiro-ministro. O cargo de primeiro-ministro é um cargo de confiança. O primeiro-ministro está ao serviço do soberano (os eleitores) e tem que merecer a confiança do soberano. Portanto, o que deve ser avaliado no caso Tecnoforma não é se o primeiro-ministro é um criminoso mas se o seu comportamento permite que o soberano tenha alguma confiança no seu servidor.

RR - Defendes então que quando existe uma suspeita sobre o primeiro-ministro é a este que cabe o ónus da prova no âmbito da sua relação com o soberano?

JM - Note-se que, na sua relação com o soberano, em nada adianta o primeiro-ministro dizer que é inocente até prova em contrário. O soberano não está apenas interessado num primeiro-ministro contra quem não se pode provar nada. O soberano quer um primeiro-ministro que esteja acima de qualquer suspeita. Tendo em conta que o primeiro-ministro é um servidor do soberano, não lhe basta alegar que é o soberano que tem que provar a culpa. Porque não é. O primeiro-ministro é que tem que prestar todos os esclarecimento que provem que merce a confiança do soberano. Ou seja, na relação entre o primeiro-ministro e o soberano, inverte-se o ónus da prova. Quem tem que provar que está acima de suspeita é o primeiro-ministro. O soberano não tem que provar nada, porque é o soberano.

RR - Não podias ser mais claro, João. E deixa-me dizer que concordo integralmente contigo. Chame-se o primeiro-ministro Sócrates, Pato ou Coelho.

JM - Er... claro. Nem podia ser de outra maneira. Queres que te fale agora dos efeitos nocivos do salário mínimo?

RR - Não, deixa estar. Tenho mesmo de ir andando.

 

* hat tip Mr. Brown

 

Blogue da Semana

por João André, em 28.09.14

Escrevo muito menos sobre ciência do que gostaria, especialmente porque ganhei o hábito de ter cuidado em não escrever (especialmente em forma de blogue) sobre temas que não domino o suficiente para ter a certeza de não cometer erros. Isso, contudo, não invalida que a leitura sobre ciência seja uma das minhas actividades preferidas, especialmente quando tem como objectivo claro o aumento da cultura científica de cada um. É por isso que decidi chamar para blogue da semana o Bad Astronomy, de Phil Plait na Slate. Phil Plait é um astrónomo que se decidiu a começar a desmistificar muitas das falsas histórias que são propagadas sob a forma de ciência. Sendo astrónomo, é normal que o seu olhar recaia sobre este assunto. Mas quem o for ler vai descobrir muitos outros temas, quase sempre fascinantes e onde existe sempre o cuidado de exprimir a opinião de forma científica, i.e., céptica (por vezes em excesso perante histórias obviamente falsas).

 

É assim que recomendo, esta semana, O Bad Astronomy, como o blogue da semana.

Fiquei feliz com o casamento de George Clooney, que é um rapaz da minha criação. Todo aquele ambiente de Hollywood clássico, o amor tirado de um livro de Hemingway, tudo isto encanta. Eu e o George nascemos no mesmo dia e, tendo em conta a diferença horária, julgo que nascemos mais ou menos à mesma hora. Somos gémeos de ascendência gémeos e no signo chinês ambos búfalo, mas desconheço os detalhes e as implicações, julgo que estarão envolvidos o yin, a água e o metal. Ambos temos aspecto de pessoas felizes e, se fôssemos cantores de ópera, ele seria o barítono que tentava impedir o meu amor com a soprano (felizmente, não canto, mas sou tenor).

Pelos meus cálculos, nasceram 380 mil pessoas nesse dia, mais ou menos um par de milhares e algumas centenas. Isto inclui apenas aqueles que sobreviveram ao primeiro ano de vida e é naturalmente uma estimativa grosseira. Muitos dos rapazes e raparigas da nossa criação já faleceram, vítimas de doença, acidentes, conflitos, mas julgo que haverá dezenas de milhares ainda vivos. É natural que os últimos morram algures na década de 70 deste século.

Se eu e o George nascemos no mesmo segundo, o que não sendo provável é apesar de tudo possível, haverá duas outras pessoas no planeta que também nasceram nesse segundo. Não sei se estarão vivas, mas teria sido bem pensado enviar um convite para o casamento. Nunca estive em Veneza. 

 

 

Outros tempos, outros sons

por Pedro Correia, em 28.09.14

 

Naquele tempo quase tudo se importava em termos musicais. Havia os Shadows portugueses, o Elvis português, os Beatles portugueses.

O Elvis era o célebre Victor Gomes, que actuava com os Gatos Negros. Gozou de fama efémera mas fulgurante como divulgador do rock n'roll na cinzenta Lisboa salazarista.

Há um episódio que Luís Pinheiro de Almeida relata no seu livro recém-surgido, Biografia do Ié-Ié. Ocorreu em 1964, quando Victor Gomes fez parar o trânsito na capital com um espectáculo ao ar livre perante milhares de pessoas na praça do Saldanha. Antes dos primeiros acordes foi chamado ao gabinete do empresário Vasco Morgado, proprietário do Teatro Monumental, ali situado. No gabinete estavam três agentes da PIDE, que lhe disseram: "O menino não vai cantar canções de protesto." Resposta pronta do Elvis português: "Eu? Eu quero é rock." E obteve luz verde.

Este episódio ilustra bem o que era aquele Portugal de há meio século onde o rock -- canção de protesto por excelência nos EUA e no Reino Unido -- servia essencialmente para descarregar alguma adrenalina, funcionando como válvula de escape tolerada pela ditadura. De tal maneira que no palco desse mesmo Monumental a entidade promotora do Concurso Ié-Ié -- "provavelmente o maior festival de música jamais realizado em Portugal" -- foi o Movimento Nacional Feminino, instituição por excelência do regime, pilar do "esforço de guerra" desenvolvido pelas forças armadas nas três frentes africanas.

Por lá passaram os Beatles portugueses -- os Sheiks, formados por Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Fernando Chaby e Edmundo Silva. E 73 outros "conjuntos", como se designavam as bandas daquela época. Incluindo os Jets, que tinham na bateria João Alves da Costa, futuro jornalista d' A Bola. E os Rapazes, que tinham como viola-solo António Santos, mais tarde jornalista da RTP e assessor de imprensa do primeiro-ministro António Guterres. E os Deltons, com Fernando Tordo como vocalista e viola-ritmo. E os Rebeldes, que contavam na voz e viola-solo com um tal Fausto Bordalo Dias, oriundo de Nova Lisboa (Angola) e então mais conhecido por Carlitos Dias.

 

 

Eram outros tempos, outros hábitos, outros sons. Os tempos gloriosos do ié-ié -- moda passageira, como todas as modas. Que parece ter sido boa enquanto durou, em perfeito contraste com a modorra ditatorial de um regime que parecia amarrado à eternidade. O mérito de Luís Pinheiro de Almeida, além da informação torrencial que nos proporciona nesta obra, é de através dela dar-nos também um vislumbre de uma década irrepetível, a dos anos 60, que decorreu sob o signo da mudança um pouco por toda a parte. E a música popular, entre outros méritos, tem também este: o de antecipar mudanças.

Portugal abria-se enfim a um certo cosmopolitismo de superfície: vinham aqui actuar vedetas da chamada "canção ligeira" e de outras áreas musicais: Charles Aznavour, Johnny Halliday, Sylvie Vartan, Gilbert Bécaud, Rita Pavone, Cliff Richard, Adamo, Françoise Hardy, Ella Fitzgerald, Duke Ellington, Louis Armstrong.

Paul McCartney, de férias no Algarve, compunha um tema numa noite de copos no bar do Penina, oferecendo a improvisada canção ao conjunto residente naquele hotel: os Jotta Herre, que adquiriram fama instantânea graças a essa canção, intitulada "Penina" -- com versões em Espanha, França, Brasil, Holanda, Itália e Chile.

Os Sheiks -- assim chamados porque os seus membros haviam gostado imenso do filme Lawrence da Arábia -- chegaram a gravar em Paris, tendo sido convidados a actuar no Olympia. A carreira internacional gorou-se porque os pais de Carlos Mendes exigiram que o filho regressasse a Lisboa para concluir o curso de Arquitectura. Mas um dos temas mais conhecidos do conjunto, 'Missing You', atingiu em 1967 o oitavo lugar do top parisiense.

 

O termo ié-ié (popularizado em França no programa radiofónico Salut les Copains que depois se tornaria também nome de revista) generalizou-se entre nós até ao final dessa década de 60 quando começou a ser considerado "piroso", dando lugar a outras designações, já sob influência anglo-saxónica -- pop, soul, folk, rock.

E teve sempre detractores, à esquerda e à direita.

Os mais conservadores indignavam-se contra aquilo a que chamavam "batuque de pretos". Na trincheira oposta, José Afonso dava voz ao que muitos intelectuais pensavam insurgindo-se desta forma: "O ié-ié representa a expressão de um processo de decadência de uma sociedade. (...) Posso classificar o ié-ié como um ritual do 'chinfrim'."

No entanto, o guitarrista que mais acompanhou José Afonso, Rui Pato, "não deixou de fazer, também ele, uma perninha no ié-ié", integrado nos Beatnicks, que começaram a abrilhantar bailes estudantis em 1962/63. E Luís Cília, nome ligado aos primórdios da canção de protesto e ao Partido Comunista Português, também entrou na música como intérprete de rock n'roll.

 

Biografia do Ié-Ié transporta-nos a essa década de profundas transformações em que a música teve um papel pioneiro.

Uma década em que também a rádio contribuía para abrir mentalidades. Com programas que deixaram excelente memória em várias gerações de ouvintes: a emblemática 23ª Hora, iniciada em 1959 por Joaquim Pedro, Matos Maia e João Pedro Baptista, aos quais se juntariam João Martins (o nome mais associado ao programa), Fernando Curado Ribeiro, Amando Marques Ferreira e Carlos Cruz; Em Órbita, que em 1965 estreou a frequência modulada do Rádio Clube Português, com realização de Jorge Gil, Pedro Albergaria e do malogrado João Manuel Alexandre, tendo em estúdio a voz de Cândido Mota e mais tarde as de Pedro Castelo e João David Nunes, entre outros. Página 1, também na Renascença, iniciado em Janeiro de 1968 e por onde passaram José Schnitzer, José Manuel Nunes, Luís Paixão Martins, José Duarte e Adelino Gomes, só para mencionar alguns.

Eram tempos em que a censura retalhava um disco inteiro do Quarteto 1111, liderado por José Cid, que em 1958, quando ainda era conhecido por José Cid Tavares, integrou em Coimbra os Babies, "primeiro conjunto português de rock". O LP inaugural do quarteto, intitulado Quarteto 1111, foi retirado do mercado por ordem das autoridades. Basta enumerar os nomes de algumas faixas para se perceber porquê: "João Nada", "Domingo em Bidonville"; "Trova do Vento que Passa"; "Maria Negra"; "Lenda de Nambuangongo"; "Escravatura"; "Pigmentação".

O álbum Epopeia, editado em 1969 pela Filarmónica Fraude (que incluía António Pinho, futuro mentor da Banda do Casaco), muito aplaudida à época, tinha uma capa desenhada pela artista Lídia Martínez, que assinou Lídia 69. O disco passou no crivo da censura, mas a assinatura não: a indicação do ano foi cortada. "Eu, ingenuazinha, nem fiz de propósito, sabia lá o que era 69, era uma abelhinha", lembra Lídia Martínez, hoje bailarina em Paris.

Outros tempos, na verdade.

De tudo isto se fala aqui também.

 

Biografia do Ié-Ié. De Luís Pinheiro de Almeida (Documenta, 2014).

327 páginas

Classificação: ***

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.09.14

 

 

Funcionários da Verdade, de Diana Andringa

Ensaio sobre comunicação

(edição Tinta da China, 2014)

Tags:

Passado presente (CDI)

por Pedro Correia, em 28.09.14

 

Revista Ídolos

Linhagens

por Rui Rocha, em 28.09.14

- Sou Aragorn, filho de Arathorn, herdeiro de Isildur.

- E eu sou Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos.

- Pois calo-me.

 

As canções do século (1732)

por Pedro Correia, em 28.09.14

 

Dedicada ao Sérgio de Almeida Correia

Passado presente (CD)

por Pedro Correia, em 27.09.14

                                      

                                                               Jornal Novo

Uma de tecnologia

por Rui Rocha, em 27.09.14

- O novo Iphone vai ser um tremendo sucesso!

- Achas?

- Aposto que sim. Singelo contra dobrado.

O caso Tecnoforma visa destruir o principal capital político de Passos Coelho, a sua imagem de honestidade. Embora o primeiro-ministro tenha esclarecido as questões ligadas à denúncia anónima e as dúvidas sobre a exclusividade parlamentar, há quem ainda não esteja satisfeito. A denúncia era falsa e o processo foi arquivado. Sem novas informações, esta história está morta. O primeiro-ministro demonstrou de forma convincente que cumpriu as regras da exclusividade parlamentar a que se obrigou quando recebeu um subsídio. Passos Coelho é aliás um político pouco habitual, sem sinais exteriores de riqueza e que tem resistido aos interesses que dominam o regime democrático.

Ontem, enquanto ouvia o debate parlamentar, lembrei-me de uma história pessoal: estive na Guiné-Bissau em 1998, como repórter, e gastei muito dinheiro numa guerra onde não se passavam facturas. Na altura, não podia provar despesas de centenas de contos. Sou uma pessoa remediada, não tenho sinais exteriores de riqueza e o meu pai ensinou-me a não ficar sequer com um tostão que não seja meu. O jornal devolveu-me o dinheiro e não posso esquecer o chefe de redacção e o director que nem hesitaram em aceitar a minha palavra.

As pessoas honestas não podem ser confrontadas com situações onde tenham de provar a sua honestidade. O princípio aplica-se no caso Tecnoforma, onde foram esclarecidas as suspeitas que até agora surgiram. É por isso grave que o primeiro-ministro não tenha direito à presunção de inocência. É dramática a exigência de que prove a sua honestidade através da devassa pública e da abdicação de um direito individual. Se triunfar a demagogia, não haverá pessoas de qualidade na política. E sem pessoas de qualidade na política, o que teremos é a promiscuidade com os negócios, exactamente aquilo que toda esta retórica afirma combater.

Não estou esclarecido

por Rui Rocha, em 27.09.14

Não posso confiar num primeiro-ministro que demora uma semana a lembrar-se se cumpriu ou não cumpriu a lei. Não confio num primeiro-ministro que diz ter recebido despesas de representação mas se recusa a revelar o respectivo valor. Passos Coelho teve tempo e condições para esclarecer integralmente a sua relação com a Tecnoforma e a ONG adjacente. Não o fez. Recuso ver o meu direito à opinião e ao sentido crítico prescrito por manobras infantis de ilusionismo e ocultação. Só posso presumir que seja culpado.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.09.14

  

 

O Falcão Albanês, de Manuel Monteiro

Romance

(edição Alêtheia, 2014)

Tags:

As conclusões são minhas

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.09.14

"Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão."

 

Depois de muito matutar, creio que partilho do ponto de vista (implícito) dos meus amigos que auferem despesas de representação.

Em rigor, isto devia tudo funcionar apenas com despesas de representação. Qualquer que fosse o montante em causa. De preferência dedutíveis na totalidade em sede de IRS. Dez milhões de portugueses a receberem o salário mínimo e auferindo despesas de representação que incluíssem água, luz, as propinas dos filhos, o seguro de saúde, a renda de casa, a ajuda ao Banco Alimentar, o bilhete de época no Estádio do SLB, o carro, a gasolina, a conta do Elefante Branco e do Gigi e os copos em Bruxelas. De preferência pagas por uma ONG. Do Panamá. Gerida pelo Dr. Salgado ou por aquele senhor do Pingo Doce.

Maria Luís Albuquerque devia pensar nisto. O sonho de todos os portugueses é viver só com a representação. Só com o palco. Para poder colocar todo o salário em certificados de aforro. Numa espécie de modelo cor-de-rosa. Como as revistas. E com um cartão de crédito, de preferência dourado ou platina, dessa mesma ONG, que contasse milhas até se chegar ao pacote das Maldivas. Ou da Manta Rota. E depois com a reforma toda em despesas de representação. E em tacos de golfe e senhas para análises e ecografias. Lá chegaremos. O próximo passo, para já, será converter robalos, charutos e isqueiros Dupont em despesas de representação. E depois pedir pareceres à PGR sobre a qualidade do peixe, o grau de humidade dos charutos ou o nível de gás nos isqueiros.

Num país de grilos e cigarras, a formiguinha do O'Neill encarna sempre em artistas da representação. Nunca há mais ninguém disponível. O La Féria devia estar dopado.

Tags:

As canções do século (1731)

por Pedro Correia, em 27.09.14

A paz quer-se podre

por Teresa Ribeiro, em 26.09.14

Já se ouve por aí dizer a propósito do que tem saído na Imprensa sobre a Webrand/ PSD e a Tecnoforma/ Passos Coelho que "qualquer dia ninguém vem para a política, porque ninguém é santo". São desabafos laranjinhas, mas se fossem outros os apertos logo mudariam de cor. O que interessa é perceber que mais do que reflectirem um nervosismo "clubista" denunciam uma total indiferença pela coisa pública. A preocupação não se foca nos eventuais dolos, mas nos putativos infractores, vistos neste contexto como vítimas de uma caça às bruxas. Esta é a nossa cultura cívica. Temerosa, reticente e dual. Se para moralizar o sistema é preciso escrutinar os nossos, o melhor é deixar estar.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.09.14

 

 

A Mulher Louca, de Juan José Millás

Tradução de Jorge Pereirinha Reis

Romance

(edição Planeta, 2014)

Tags:



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D